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Pe. Joaquim Silvestre | Bodas de Ouro Sacerdotais

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À conversa com… Pe. Joaquim Silvestre

Há 50 anos, quatro jovens foram ordenados Presbíteros na nossa Diocese, pelo que este ano celebramos o seu jubileu sacerdotal. Para os conhecermos melhor fomos ao encontro de cada um deles. Esta semana o Padre Joaquim Silvestre, pároco de Avões, Ferreiros e Samodães, no Arciprestado de Lamego.

Na minha já longa caminhada de sacerdote, são muitos os factos e as pessoas que me ajudaram, não os podendo referir todos, vou tentar recordar alguns.

Recordo a minha família, cristã, católica e praticante. Para falar com sinceridade, não sei quem mais me ajudou na minha decisão de ser sacerdote, se o meu pai, se a minha mãe se os meus irmãos. Todos contribuíram cada qual a seu modo e segundo as suas possibilidades duma forma extraordinária.

Recordo a minha comunidade paroquial, na altura pastoreada pelo Sr. P.e Januário Baptista. Se a minha família me incentivou, não me incentivou menos a minha comunidade, Penela da Beira, que com as suas imensas atividades religiosas incentivou em mim e noutros jovens o ideal de consagração a Deus.

Por essa altura foram muitas as vocações sacerdotais e religiosas que surgiram nessa paróquia, que era um modelo de vida cristã.

Recordo com imensa saudade o Sr. P.e Horácio Pureza, que me acompanhou durante a maior parte do tempo de Seminário, e os passeios que dávamos pelos arredores de Penela, e muitas vezes de Paredes e de Arcas, na descoberta das antiguidades por lá existentes.

Esses passeios não eram só participados pelos seminaristas, mas por todos os jovens universitários de Penela.

SEMINÁRIOS

Já no Seminário de Resende, a figura mais marcante para mim foi o Sr. D. Rafael, ainda felizmente vivo, com o seu dinamismo, marcou aqueles anos com inúmeras atividades religiosas, culturais e desportivas.

No Seminário de Lamego destaco o Sr. Dr. Joaquim Mendes de Castro, pelo seu grande saber e humanismo e o Sr. D. Alberto Cosme do Amaral, na orientação espiritual, nomeadamente nos retiros de preparação para a recepção das ordens menores e do sacerdócio, o Sr. Dr. Veríssimo Peliz, grande mestre na composição de músicas polifónicas, duma beleza impar, quer religiosas quer profanas, cujo espólio era bom que fosse publicado na íntegra pela nossa diocese.

Não posso esquecer, a enorme esperança que todos nós depositávamos no Concílio Vaticano II. O nosso curso foi verdadeiramente o curso conciliar, pois todo o curso teológico, foi vivido em pleno Concílio, como pela ordenação em 1965, ano do encerramento do referido Concílio.

Recordo com tristeza, que esse nosso entusiasmo, não era acompanhado pelos nossos professores e formadores, antes pelo contrário, e éramos nós que através da comunicação social íamos acompanhando os acontecimentos do Concílio.

MISSÃO PASTORAL

Comecei a minha vida sacerdotal nas paróquias de Arícera, Goujoim e Coura do arciprestado de Armamar. Aqui trabalhei durante dois anos, deslocando-me num cavalo de umas para as outras que a Sr.ª D. Maria dos Remédios me emprestava.

Ainda hoje falo com emoção da forma como nestas terras era amado, estimado, as palavras do dicionário não bastam para explicar o carinho daquelas gentes. Não vou referir nomes de ninguém pois acho que seria ofensa para os outros, não os citar todos.

Que me perdoem referir apenas um grupo apostólico da Legião de Maria, que existia em Goujoim, um grupo que mexia com a paróquia e que a evangelizava de uma forma extraordinária.

Refiro ainda que juntamente com o Sr. P.e Manuel Tomé, criámos o posto de Telescola na vila de Armamar, nas instalações do Centro Paroquial.

EM LAMEGO

A pedido do meu Bispo, D. João da Silva Campos Neves, vim para o arciprestado de Lamego, pastorear as paróquias de Ferreiros e de Avões e trabalhar como Assistente Diocesano da Acção Católica, mais particularmente na J.A.R.C.

Foi neste movimento da Igreja que mais aprendi a estar atento à realidade do mundo e a trabalhar com método.

Dele recordo os conselhos nacionais e diocesanos, os retiros, os passeios de estudos, as reuniões, as visitas de trabalho os dias de amizade, etc.

O Sr. Bispo D. Américo Henriques, pediu-me mais tarde para trabalhar nos Convívios Fraternos ajudando o Sr. P.e António Valente de Matos, que trouxe este movimento para a nossa diocese, na qualidade  de capelão militar do então C. I. O. E.

Deste Bispo, D. Américo Henriques, guardo as maiores e melhores recordações da minha vida de sacerdote. Bispo impregnado do espírito do Concílio Vaticano II e que não foi aceite na nossa diocese por isso mesmo.

A minha dedicação aos Convívios Fraternos foi enorme durante uns 10 anos. Ajudei-os a estruturar na nossa diocese, em Aveiro, Porto e Beja. A realização dos Convívios em si, os Convívios Animação, constituía momentos grandes na minha realização como sacerdote.

Também ai tive grandes dificuldades, pois os meus superiores não concordavam com a realização de convívios mistos, nem com o uso de instrumentos musicais nas celebrações litúrgicas, além do órgão. O próprio bispo D. Américo Henriques, só nos podia ajudar clandestinamente.

Outra atividade não menos importante na minha vida, foi a de Assistente Diocesano do Movimento da Mensagem de Fátima, na diocese de Lamego, durante 30 anos.

Aqui foi preciso fazer a transição de Pia Associação para Movimento, desta Associação da Igreja. Foi um trabalho gigante, nem sempre aceite por alguns párocos, enquanto outros me ajudaram imenso. Neste trabalho tive a colaboração dum enorme número de pessoas das quais destaco apenas duas: O Sr. P.e Antunes, Assistente Nacional e a minha irmã Teodolina. Peço desculpa a dezenas de colaboradores de não os nomear.

Não posso de forma nenhuma esquecer o meu trabalho como professor de Educação Moral e Religiosa Católica nas duas escolas da cidade de Lamego: Escola Secundária de Almacave e Escola Secundária da Sé.

Aí senti a amizade e camaradagem dos colegas e os sonhos dos alunos. As aulas não são de frequência obrigatória, e eu admirava os que escolhiam matricular-se que eram quase sempre os melhores alunos. Também lutei nestas escolas para ajudar a resolver alguns dos graves problemas do ensino em Portugal, entre eles o facilitismo e a indisciplina.

Ainda hoje guardo como grandes amigos professores e alunos, muitos deles espalhados pelo país, que me dizem da influência benéfica destas aulas nas suas vidas.

48 ANOS

Se exerci funções de professor e de assistente, contudo é na minha qualidade de Pároco onde me sinto como peixe na água.

Em duas paróquias, Ferreiros e Avões, exerço o meu ministério há quarenta e oito anos e em Samodães, há sete.

Gosto da geografia das terras que vão desde o rio Douro até à serra. Samodães, douro a cem por cento, Ferreiros a meia encosta, a tal varanda sobre o Douro e Avões já na Serra das Meadas.

Gosto das suas gentes, com as quais sempre me identifiquei. Faço minhas as alegrias, as tristezas e as esperanças destes povos. Sempre encontrei nas suas gentes grandes colaboradores e agora que as forças me vão minguando é quando esses colaboradores mais aparecem. Graças a Deus.

Não vou falar dos mais variados aspectos da minha ação pastoral, mas a catequese foi sempre o que mais me apaixonou e se há sacerdotes que eu recordo com admiração, um deles foi o Sr. Cónego José Cardoso.

Um dia numa conversa com o Sr. D. António de Castro Xavier Monteiro, pedi-lhe para me mudar das paróquias pois já lá estava há muito tempo. Ele respondeu-me que, pelo que sabia, eu não tinha problema nenhum nas minhas paróquias, tinha até um ótimo relacionamento com todos, porque é que me havia de mudar.

Eu respondi-lhe que se só me mudasse quando eu tivesse problemas dificilmente me mudaria.

ROTATIVIDADE

Neste momento vou expressar uma opinião, julgo que não é só minha. Os Párocos deveriam ser rotativos. Passado um certo número de anos, aí uns dez talvez, deveriam mudar obrigatoriamente de paróquias.

Os benefícios para os párocos e para os povos, provenientes duma longa atividade nas mesmas, são menores dos que os malefícios.

Nas diversas atividades da minha carreira sacerdotal, nunca pedi nada ao meu Bispo a não ser daquela vez que referi, para me mudar e sempre aceitei os trabalhos que ele me pediu.

Sinto alegria por ser sacerdote, sinto alegria por ser um membro consagrado da Santa Igreja Católica, sinto orgulho pelo Bispo que temos na nossa diocese e pelo Santo Padre Francisco.

DESEJO E CONSELHO

Que o nosso querido Papa Francisco seja escutado por todos, padres, leigos e todos os políticos do mundo.

Achei fenomenal na altura, que a sua primeira viagem apostólica fosse à ilha de Lampedusa. Vede agora se ele tinha ou não razão.

Não posso ouvir dizer que antigamente é que estava tudo bem e que agora é uma desgraça o que nos está a acontecer.

É apaixonante vivermos em cada momento da história o momento presente como o mais bonito, aquele em que mais podermos intervir pelo bem dos outros. O mais belo da nossa vida.

Aos sacerdotes mais jovens da nossa diocese peço um empenhamento alegre, cem por cento disponíveis para o ministério. Amai a Igreja como Cristo nos amou. Dai a vida, gastai a vida por ela.

 

in Voz de Lamego, n.º 4311, ano 85/24, de 28 de abril de 2015

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