Archive

Archive for Junho, 2014

ONU distingue trabalho de missionário: sacerdote-cirurgião

Uma das notícias que despertará a atenção dos leitores da Voz de Lamego, na edição desta semana, será certamente a notícia que se segue e que aqui reproduzimos a partir da edição escrita:

ImagemViver para servir

Há notícias que passam despercebidas da grande maioria e que são completamente ignoradas pelos grandes meios de comunicação. Neste caso, destaque para o trabalho missionário de um sacerdote-cirurgião por terras de Moçambique.

O sacerdote e cirurgião Aldo Marchesini, missionário italiano em Moçambique, foi distinguido pelas Nações Unidas com o ‘World Population Award’, destinado a premiar o trabalho por melhores condições de saúde das populações. A entrega do prémio decorreu no último dia 12, em Nova Iorque.

“Viver com os mais pobres é uma experiência extraordinária, porque pouco a pouco se compreender, como dizia Jesus, que os sábios e inteligentes não conseguem perceber os segredos do mundo, abertos, pelo contrário, aos pequenos e pobres”, referiu o religioso dehoniano.

A ONU destaca o trabalho do missionário na área da obstetrícia, sem nunca ter deixado Moçambique durante a guerra civil, na qual foi “raptado e preso várias vezes”. O padre Aldo Marchesini trabalha em Moçambique há mais de 40 anos, onde se tem dedicado ao tema da população e à assistência médica aos doentes nos hospitais por onde tem desenvolvido a sua atividade profissional.

A província portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) recorda que o sacerdote é seropositivo, tendo sido infetado com o Vírus da Imunodeficiência Humana ao operar a uma mulher seropositiva que estava a dar à luz. “O facto de ser seropositivo não o afasta das missões: em vez de ficar em Itália a cuidar da sua saúde, preferiu regressar a Moçambique e, junto dos colegas, enfermeiros e doentes, mostrar que é possível combater esta terrível doença que mata milhares de pessoas em Moçambique e no mundo inteiro”, destacam os religiosos portugueses.

in Voz de Lamego, 24 de junho de 2014, ano 84/32, n.º 4270

Olfacto e Fidelidade – Editorial Voz de Lamego – 24/06

Imagem

Aí está mais uma edição do Jornal Diocesano, VOZ DE LAMEGO, com a variedade de temas, reflexões, notícias, eventos.

Na edição desta semana, destaque para a celebração da Solenidade do Corpo de Deus, na cidade de Lamego, sob a presidência do sr. Bispo, D. António Couto, cuja HOMILIA é reproduzida na íntegra. Outro dos temas desenvolvidos, são os 25 anos de Padre, nesta edição do Pe. João António, Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Mas há muitos outros motivos de interesse, não apenas curiosidades, mas sobretudo pelas propostas de reflexão, numa visão humanista e cristã.

Ambientando todo o jornal, o Editorial do seu Diretor, Pe. Joaquim Dionísio:

OLFACTO E FIDELIDADE

A propósito da presença e missão do bispo, o n.º 31 da Exortação “A alegria do Evangelho”, do Papa Francisco, dá orientações: às vezes deve ir à frente para “indicar a estrada e sustentar a esperança”, outras manter-se simplesmente no meio “com a sua proximidade simples e misericordiosa” e, por fim, atrás do povo para “ajudar aqueles que se atrasaram”. Mas, a propósito desta última localização, acrescenta que o “rebanho possui olfacto para encontrar novas estradas”.

Interpela esta última afirmação: o pastor deve seguir o rebanho? E se este toma a direcção errada? E se as “novas estradas” não coincidem com o projecto evangélico?

O olfacto é um dos sentidos que possuímos e percebemos a intenção do Papa: há intuições que merecem ser tidas em conta e todos os baptizados podem contribuir para a sua existência. E como se traduz esta realidade no concreto de uma comunidade, de um povo, de uma diocese? Que condições existem, são proporcionadas, para que o olfacto do rebanho se exercite, desbrave caminhos e arraste os outros?

O Papa convocou um Sínodo sobre a família para o Outono deste ano, algumas dioceses lusas estão em caminhada sinodal e vozes há que se levantam para outras o fazerem também. Esta é uma forma de cumprir o que o Papa sugere; haverá outras. O importante é não perder de vista a possibilidade de incluir mais fiéis na escolha e fixação dos possíveis caminhos. E tudo, sempre, para concretizar a Igreja, aqui e agora, anunciando e seguindo Cristo ressuscitado.

No fundo, todos precisamos de um olfacto apurado para discernir, encontrar novos percursos sem sermos infiéis aos antigos. Porque a criatividade não se entende longe da fidelidade.

in Voz de Lamego, 24 de junho de 2014, ano 84/32, n.º 4270

Homilia de D. António Couto no Corpo de Deus, Sé Catedral

O PÃO QUE JESUS É E DÁ

 

Imagem

1. A passagem do Evangelho que tivemos a graça de escutar neste Dia Grande do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo é João 6,51-58. Esta passagem integra o imenso Capítulo sexto do Evangelho de S. João que, entre os versículos 25 e 59, se apresenta ritmado pelo esquema «pergunta-resposta». São cinco perguntas e cinco respostas. As perguntas saem da boca de uma «multidão» não identificada ou dos «judeus»; as respostas saem sempre da boca de Jesus.

2. Curiosamente, a passagem do Evangelho que hoje foi proclamada e escutada abre, no versículo 51, com a quarta resposta de Jesus à quarta pergunta dos «judeus», que tinha sido formulada atrás no versículo 42. A pergunta soava assim: «Não é este, Jesus, o filho de José, de quem conhecemos o pai e a mãe? Como é que diz agora: “Eu desci do céu”?» (João 6,42). A esta pergunta, Jesus responde afirmando a sua verdadeira identidade: «Eu sou o pão vivo que desceu do céu (…), pão que é a minha carne, que eu darei para a vida do mundo» (João 6,51).

3. Esta resposta de Jesus, afirmando a sua identidade reveste-se de grande importância para o Dia de hoje, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Na verdade, a resposta de Jesus contém todos os elementos que hoje importa considerar: «Eu sou o pão que desceu do céu», «esse pão é a minha carne», e «dará a vida». Mas depois desta resposta, que abre o texto de hoje, surge logo outra pergunta, que é a quinta, também colocada na boca dos judeus, e que vem no seguimento lógico da quarta resposta de Jesus, que acabámos de ouvir. A quinta pergunta soa assim: «Como pode este dar-nos a sua carne (sárx) a comer?» (João 6,52).

4. Na sua resposta, que preenche o resto do texto de hoje (João 6,53-58), Jesus fala de vida nova, e, por isso, também de alimento novo, consentâneo com essa vida nova. Esclarecedor, nesse sentido, é que o verbo «comer» apareça conjugado com «carne» (sárx), João 6,52.53.54.56), com «pão» (ártos) (João 6,51.58) e «comigo» (me) [«o que me come»] (João 6,57). Fica claro que «comer o pão descido do céu» é «comer a carne do Filho do Homem», e que as duas expressões são equivalentes de «comer a pessoa» de Jesus, a sua identidade, o seu modo de viver. Só assim, a vida verdadeira, a vida eterna, entra em nós e transforma a nossa vida, configurando-a com a de Jesus. Uma nova possibilidade entra na história humana. Tudo o que fica para trás, toda a história humana passada, pode resumir-se no maná, «que os vossos pais comeram, e morreram» (João 6,49.58a). Sim, o maná aparece em referência apenas com a vida terrena, e não tem nenhuma eficácia para além da morte. Ao contrário, o pão que Jesus é e dá não serve de sustento à vida terrena, e tão-pouco livra da morte: até o próprio Jesus morreu! Mas o pão que Jesus é dá a vida eterna (João 6,58b). Vem ainda à tona o tema grande da pertença mútua e permanente: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele» (João 6,56). É a melhor e a mais realista tradução da nossa comunhão eucarística. Até o verbo «comer» ganha nesta passagem particular sabor e realismo. De facto, habitualmente, para dizer «comer», é usado o verbo grego esthíô. Todavia, em João 6,54.56.57.58, é usado um verbo «comer» muito mais forte, o verbo trôgô [= trincar, mastigar]. De forma significativa, este verbo só é usado nas passagens atrás assinaladas e em João 13,18, no contexto da ceia da Páscoa. Vida nova e eterna, ressuscitada. Comunhão e intimidade entre Deus e a Humanidade. Por isso e para isso, Jesus se fez um de nós, descendo ao nosso mundo, e dando-se completamente a nós, dando-nos a sua vida.

5. «Interroga a velha terra: responder-te-á sempre com o pão e o vinho». Estas palavras de Paul Claudel traduzem bem a nossa Eucaristia. Os sinais do pão e do vinho não mostram apenas o alimento físico, importante e indispensável, mas também estão presentes quando queremos manifestar a nossa comunhão na alegria (dias festivos) e na dor (veja-se a sua partilha em rituais fúnebres). Este segundo aspeto presente nos sinais do pão e do vinho é também um importante alimento da nossa vida. É o que Moisés diz com energia ao povo de Israel reunido na planície de Moab: «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus» (Deuteronómio 8,3). Palavra, comunicação, comunhão, intimidade.

Ler mais…

Falecimento da Mãe do Pe. Albano Cardoso

ImagemDepois de uma longa jornada, vivendo, lutando, amando, sofrendo, cuja doença se foi agravando ultimamente, o Senhor chamou a Si, no dia 21 de junho, D. Aida Cardoso, Mãe do reverendo Pe. Fernando Albano Cardoso, pároco de Longa, Granja do Tedo, Vale de Figueira, na Zona Pastoral de Tabuaço, e Nagosa, na Zona Pastoral de Moimenta da Beira, paróquias pertencentes ao Arciprestado de Moimenta, Sernancelhe e Tabuaço, nesta nossa Diocese de Lamego.

O Funeral será em Vila Nova de Gaia, em São Félix da Marinha, na manhã de segunda-feira, pelas 11h00, presidido pelo Bispo da Diocese, D. António Couto.

Ao reverendo Pe. Albano, e aos seus familiares, manifestamos solidariedade nesta ocasião de sofrimento e luta, na certeza da misericórdia de Deus, que guardará a sua Mãe, até ao dia em que todos estaremos em Cristo, na eternidade de Deus.

Iniciativas de Oração e reflexão – em outra voz, na Voz de Fátima

Imagem

“Em Lamego, na Casa de São José, nos dias 22 e 23 de maio, realizou-se o Retiro dos Mensageiros de Nossa Senhora de Fátima (MMF), orientado pelo assistente diocesano de Braga, padre Alberto Fonseca…

Cumpriu-se todo o programa proposto, incluindo a Santa Missa nos dois dias bem como a Adoração a Jesus Sacramentado e um momento para o Sacramento da Penitência.

Participaram cerca de oitenta pessoas e estivemos sempre acompanhados pelo novo assistente diocesano de Lamego, padre Vasco Pedrinho”.

Notícia: Voz de Fátima, n.º 1101, de 13 de junho de 2014

Verdade e Caridade – Editorial da Voz de Lamego

Imagem

Através deste blogue, a chamada de atenção para um texto, uma notícia, uma reflexão, do Jornal Diocesano Voz de Lamego, que sai às terças-feiras. O Editorial, da responsabilidade do seu Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, dá o tom para cada uma das edições. Esta semana, dois pólos importantes no compromisso cristão: a verdade e a caridade.

VERDADE E CARIDADE:

A verdade, que somos convidados a seguir e a viver, precisa da companhia da caridade. Porque a liberdade, que eleva e proporciona caminhos de perfeição, não nos livra do risco do erro e da perdição. Separar ou promover a separação entre verdade e caridade pode não ser o melhor.

A história, antiga e recente, mostra-nos que uma verdade sem sentimento pode provocar sofrimento. Quantas vezes, até na vida da Igreja, a defesa da verdade não chegou ao extremo de tirar a vida ao que foi julgado e condenado por defender uma suposta mentira? Nos nossos dias, não se dizem defensores da verdade todos os fundamentalismos?

Por outro lado, protagonizar uma caridade (atenção e cuidado pelo outro) que não se esforça por denunciar o erro e corrigir o que está mal pode contribuir para a manutenção de situações que não libertam nem elevam.

Assim, é nosso dever articular a verdade com a caridade. Porque uma verdade sem sentimento pode destruir um percurso e impossibilitar um recomeço. Mas uma caridade que não procure apurar a verdade pode contribuir para a preservação do erro e das causas que o provocam.

Em Jesus Cristo, na sua pessoa e na sua missão, contemplamos a verdade que se aproxima para fazer ver, convidar e elevar, mas também a caridade que corrige, ampara e avança. A verdade que liberta tem por companhia a caridade que condena o erro, mas possibilita vida àquele que falha.

A Igreja, “perita em humanidade”, não cessa de anunciar e convidar o mundo para a verdade, partilhando uma mensagem de libertação e condenando tudo quanto atenta contra a dignidade humana.

A verdade é humanizada pela caridade e a caridade é exponenciada pela verdade.

Na edição escrita do Jornal Voz de Lamego têm acesso ao que de mais importante se passa no espaço da Diocese de Lamego, a nível eclesial, mas também cultural, social, na abertura ao país e ao mundo. São diversos também os textos de reflexão: comentários às leituras do domingo seguinte, o que vai acontecer na Igreja e no mundo, apanhado das intervenções do papa Francisco, ressonância da Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa, e Peregrinação Nacional das Crianças a Fátima, a agenda episcopal, entrevistas, desta semana ao Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lamego, Mensagem de D. António Couto para a celebração do Corpo de Deus.

Voz de Lamego, 17 de junho de 2014, número 4269, ano 84/30

Categorias:Editorial, Opinião Etiquetas:, ,

Ecos da Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa

Imagem

No passado dia 10 de Junho, um elevado número de Paróquias, sacerdotes e, sobretudo, peregrinos, quer da Diocese de Lamego, quer de outras Dioceses, peregrinaram ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa.

Esta peregrinação foi precedida por uma Novena de preparação que, este ano, foi orientada pelo Rev. Pe. António Jorge Giroto, Pároco in solidum de Alvite, Leomil e Sever e Vice-Arcipreste de Moimenta da Beira-Sernancelhe-Tabuaço.

No dia da peregrinação, a partir do início da manhã, muitas Paróquias, algumas das quais acompanhadas pelo respectivo Pároco, iniciaram as suas procissões de oração e rogação, com a respectiva Cruz Paroquial e bandeiras, em direção ao Santuário.

Pelas 11h30, teve início a procissão de entrada da Solene Eucaristia, presidida por Sua Exc.ª Rev.ª, o Sr. D. António Couto, Bispo de Lamego que, saindo do Santuário, se dirigiu para o recinto onde iria ser celebrada a Santa Missa.

No início da celebração, o Rev. Pe. José Amorim, Reitor do Santuário, saudou os peregrinos e explicou que

“esta peregrinação teve início em tempos recuados quando uma praga que afectou os castanheiros desta vasta região, a qual só foi debelada depois que os agricultores se uniram em oração a Nossa Senhora da Lapa. A partir de então, os mesmos agricultores fizeram a promessa de aqui virem anualmente agradecer, em procissões penitenciais, como ainda hoje se continua a observar”

Ler mais…