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Archive for 13/05/2015

49.º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS: comunicar a família

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A partir do II Concílio do Vaticano (1962-1965), cujo cinquentenário do encerramento se assinala este ano, os católicos foram convidados a participar numa jornada dedicada às comunicações que, entre nós, acontece no domingo da Ascensão. Para este acontecimento, no dia 24 de Janeiro, festa litúrgica de S. Francisco de Sales (patrono dos jornalistas), a Santa Sé publica uma mensagem para esse dia.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais assinala-se no Domingo da Ascenção e tem por objectivo divulgar os meios de comunicação ao nível das paróquias, das dioceses e dos serviços da Igreja católica. No decorrer desta jornada, os católicos são convidados a descobrir tais meios, a rezar por aqueles que se ocupam dos mesmos e a contribuir para a sua preservação.

Em cada época, a Igreja soube utilizar os meios disponíveis para responder aos desafios sempre novos de comunicar o Evangelho. Por isso, a Igreja utiliza os meios atuais: sítios internet, blogues, mensagens, boletins e jornais diocesanos e paroquiais, revistas de congregações e movimentos, cartazes, rádio, televisão, editoras. E para adaptar a comunicação às mudanças originadas pelas novas tecnologias, a Igreja também tem necessidade de formar os seus responsáveis. Neste particular, a nossa diocese deveria investir em tal formação, atendendo a que o que vai fazendo é fruto de muito amadorismo e muita boa vontade. Mas talvez não chegue!

Mensagem para 2015

Para este 49.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa dirigiu-nos uma mensagem, intitulada “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. O tema recorda e aponta para a próxima Assembleia sinodal, dedicada à realidade familiar, reafirmando que “a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista”.

Uma nota do Conselho pontifício para as comunicações sociais explica que se a informação diária narra as dificuldades da família, o contexto cultural não ajuda a compreender o quanto a família é um bem. “As relações no seio da comunidade familiar desenvolvem-se ensinando a gratuidade e a dignidade pessoal. Esta fonte única traduz-se no acolhimento, no encontro e diálogo, na disponibilidade generosa e serviço desinteressado, na profunda solidariedade. Como comunicar hoje, a uma humanidade ferida e decepcionada, que o amor entre um homem e uma mulher é algo de bom? Como fazer compreender às crianças que elas são o dom mais precioso? Como aquecer o coração de uma sociedade provada por tantas decepções e encorajá-la a recomeçar? Como afirmar que a família é o primeiro lugar onde se experimenta a beleza da vida, a alegria do amor, a gratuidade do dom, a consolação do perdão oferecido e recebido, meio onde se começa a encontrar o outro?”.

Por isso, continua aquele Conselho, “A Igreja deve explicar, novamente, como a família é um grande dom, bom e belo, onde a gratuidade do amor entre os esposos se vive, abrindo as portas para o futuro, para a vida”.

O Papa Francisco, que assina a Mensagem, lembra-nos que “A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.”

O nosso jornal

O plano pastoral da nossa diocese tem por lema Ide e construi com mais amor a Família de Deus, endereçando um convite a todos e propondo uma missão para a qual ninguém está dispensado. Também aqui os meios de comunicação nos podem ajudar, na medida em que nos permitem “compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível”.

Apesar de limitados, os meios de comunicação da nossa diocese são uma realidade a preservar, atendendo a que contribuem para a edificação de uma “rede” que aproxima, corresponsabiliza, convoca, motiva e ajuda a avançar. Uma vasta missão que se mantém graças à colaboração de muitos e que se pode aperfeiçoar com a participação de todos.

A nossa homenagem a todos quantos, por esta diocese fora, se esforçam por bem utilizar os meios disponíveis para transmitirem o Evangelho e contribuírem para a formação e informação de todos.

Há algumas semanas decidimos enviar um exemplar do nosso jornal para todas as paróquias da diocese que ainda não eram assinantes. O objectivo seria conseguir concretizar tal assinatura e possibilitando a sua leitura a um maior número de fiéis das nossas paróquias. Aqui fica o apelo e o convite aos nossos sacerdotes e demais responsáveis paroquiais, para que divulguem o nosso jornal e participem na sua continuidade, quer enviando notícias, quer lendo e apelando à existência de novas assinaturas. Passa por aqui, também, a ajuda para preservar o que é nosso e o contributo para, divulgando factos de hoje, assegurarmos a memória de amanhã.

JD, in Voz de Lamego, n.º 4313, ano 85/26, de 12 de maio de 2015

DISCERNIR E OBEDECER | Editorial Voz de Lamego | 12 de maio

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Vivemos, de 10 a 17 de maio, a SEMANA DA VIDA, sob o tema “Vida com Dignidade. Opção pelos mais fracos”. É o tema de capa, com outras temáticas relevantes. Chamada de atenção para a XXX Jornada Diocesana da Juventude, para as Comemorações do Dia de Portugal, a 10 de junho, na cidade de Lamego. Reflexões, testemunhos, notícias. Pistas de reflexão para o próximo domingo, com as respetivas leituras; no Ano de Vida Consagrada, destaque nesta edição para as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição; o apoio aos peregrinos de Fátima; as Visitas Pastorais de D. António Couto às paróquias de Lalim e de Samodães. Nota de destaque também para ao Dia Mundial das Comunicações, no próximo dia 17 de maio (cai todos os anos na Solenidade da Ascensão do Senhor), que merece uma reflexão específica sobre o tema, sublinhando a mensagem do Papa, “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”, e os meios de comunicação social na Diocese, com especial relevância para o nosso Jornal Voz de Lamego, num apelo renovado para paróquias e diocesanos…

Como habitualmente, no blogue que assume o mesmo nome do Jornal da Diocese de Lamego, e que todas as semanas publica um ou outro texto da edição escrita, facultamos, primeiramente o Editorial do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio:

DISCERNIR E OBEDECER

A Constituição pastoral “A Igreja no mundo atual” (Gaudium et spes = GS), no seu n.º 16, afirma que “o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer”. Nessa passagem, cuja leitura valerá a pena fazer, acrescenta-se que tal lei foi escrita pelo próprio Deus no coração do homem e que a dignidade deste “está em obedecer-lhe”.

O dom de Deus habita todo o homem, conferindo-lhe capacidades para discernir e obedecer ao que a consciência lhe dita. Por isso, todos são chamados a fazer o bem. É verdade que, às vezes, se erra, mas ninguém perde a dignidade por causa de um erro assumido e ultrapassado.

Por outro lado, e porque o homem tem capacidades para questionar e decidir, a obediência não pode ser cega. Isto é, uma obediência não crítica, que não levanta questões para se situar historicamente, nem sequer é obediência. E, infelizmente vamos testemunhando situações onde o fanatismo e o fundamentalismo impossibilitam um questionamento que, a realizar-se, evitaria guerras, perseguições, execuções…

Ao percorrermos a história encontramos referências a líderes que se destacaram negativamente pelas ideias e atitudes protagonizadas, mas espanta-nos, sobretudo, o cego seguidismo de muitos. A verdadeira obediência deve ser antecedida por um exercício da inteligência que procura compreender e por um acatar da responsabilidade que não se delega.

A fidelidade à consciência, esse “santuário do homem”, une todos “no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social” (GS 16).

O diálogo e a reciprocidade da ajuda podem contribuir para conhecer e viver em consciente e livre responsabilidade, libertando de arbitrariedades nocivas e contribuindo para o reconhecer e fixar de valores humanos que defendem a vida e elevam o homem.

in Voz de Lamego, n.º 4313, ano 85/26, de 12 de maio de 2015