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Archive for Janeiro, 2016

SALMOS DA MISERICÓRDIA

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Neste Ano da Misericórdia, o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização preparou e publicou uma pequena colecção de livros para ajudar à vivência deste jubileu. Um dos livrinhos (135 p.) tem por título “Os Salmos da Misericórdia”. Após uma breve apresentação, são apresentados, de forma simples e didáctica, dez salmos. O objectivo é ajudar a compreender estes poemas e divulgar a sua recitação. Porque, tal como ali se pode ler, “O Saltério é, na verdade, a voz de Deus transformada em oração dos homens quando estão na sua presença, sabendo necessitarem do seu amor” (p. 5).

Se pegarmos na Bíblia e a abrirmos no Antigo Testamento lá encontraremos o Livro dos Salmos que nos oferece um conjunto de 150 poemas. Na Igreja, os ministros ordenados assumem o dever de os recitar ao longo do dia (Liturgia das Horas), embora já muitos fiéis leigos os recitem, por exemplo de manhã (Laudes) ou à tarde (Vésperas). E rezamo-los também nas nossas Eucaristias, logo após a primeira leitura.

Aqui ficam os dez salmos atrás referidos.

Sl 25 – uma súplica individual, onde aquele que reza se sente atormentado pelos inimigos e se dirige confiadamente a Deus para que o livre dessa situação;

Sl 41 – súplica de um doente que se dirige ao Senhor para que o livre da enfermidade, certo de que a sua oração será atendida;

Sl 42 e Sl 43 – o salmista encontra-se afastado da face de Deus e por isso a sua alma se consome e o seu interior está desgastado… O silêncio de Deus incomoda e inquieta, mas a certeza da presença do Senhor anima-o para o tempo que virá;

Sl 51 – um dos salmos mais conhecidos, que a Igreja reza todas as sextas-feiras (Laudes), também referido como “Miserere”. O pecado é assumido e confessado e o orante pede perdão e purificação. Invocando o pleno perdão divino, apela ao amor misericordioso de Deus;

Sl 57 – súplica dirigida a Deus, colocada nos lábios do rei David, testemunhando os sentimentos de angústia e de confiança;

Sl 92 – exemplo de um hino que convida ao louvor, desenvolve os motivos do louvor e convida ao reconhecimento diante da rectidão de Deus;

Sl 103 – hino de louvor ao Senhor, onde a alma humana é convidada a bendizer o Senhor, num louvor que nunca terminará;

Sl 119 – o salmo mais longo do Saltério, uma lamentação que apresenta o tema da perseguição dos inimigos;

Sl 136 – hino de acção de graças utilizado nas grandes festas, com um ritmo litânico que repete o refrão “é eterna a sua bondade” por cada momento da salvação (criação, redenção, dom da terra).

Porque não, ao longo deste ano, desenvolver este gosto por rezar a Deus com os Salmos e integrar a sua recitação nos diversos momentos de oração individual, familiar ou comunitária?

Como escreveu o nosso bispo, D. António Couto, “Os Salmos são para cantar com toda a intensidade… para entregarmos a Deus a nossa alegria, mas também o ódio que nos habita. Rezar é entregar tudo a Deus” (O Livro dos Salmos, p. 5).

JD, in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

NOSSA SENHORA DA LAPA | Santuário Mariano

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O culto de Nossa Senhora da Lapa remonta ao século XV, mais concretamente a 1498, quando uma pastorinha de nome Joana e muda de nascença, divisou Nossa Senhora por entre as fendas de dois enormes penedos que são um verdadeiro hino ao granito, penedias que continuam intactas e estão dentro do atual Santuário.

Os enormes penedos quase se tocam na parte mais funda e pela sua fenda, tão estreita, dificilmente passa uma pessoa de cada vez, dizendo-se até que ninguém passa se estiver em pecado.

Foi precisamente aqui que Nossa Senhora apareceu à pastora Joana e o milagre expandiu-se de pronto, tanto que não tardou o culto a Nossa Senhora da Lapa assim venerada por ter aparecido debaixo da Lapa.

A construção do Santuário propriamente dito iniciou-se no século XVI por impulso dos Jesuítas, tendo terminado as obras no século XVII.

O Santuário é um tesouro riquíssimo, tendo obras de arte de valor incalculável.

Neste apontamento, necessariamente breve, é imperioso destacar o altar mais antigo: o MENINO JESUS da Lapa. No interior da gruta vemos o altar da Senhora da Lapa, altar muito lindo, adornado com um frontal de prata lavrada. O Presépio da escola de Machado de Castro, deixa-nos encantados ao vê-lo. A capela do Santíssimo Sacramento revela o retábulo de talha dourada.

São magníficos os quadros referentes à morte de São José, Senhora da boa morte, o altar de Santo António, de Jesus crucificado.

A Lapa foi, durante cerca de quatrocentos anos, o mais importante Santuário de Portugal. A partir deste Santuário multiplicaram-se muitos outros lugares de culto a Nossa Senhora da Lapa em todo o território português. Reis de Portugal vinham venerar Nossa Senhora da Lapa e oferecer-lhe presentes valiosos.

A Lapa chegou a ser vila, concelho e condado. O Santuário é vivo coração da Beira desde tempos imemoriais. Urge, de novo, pô-lo no lugar a que tem direito. São inúmeros os testemunhos de milagres concedidos por intercessão da Virgem da Lapa. O seu culto está enraizado em todo o mundo, com especial predominância no Brasil, afirmando-se que Nossa Senhora da Aparecida é uma redundância da Nossa Senhora da Lapa.

É de referência também o chamado Colégio construído pelos Jesuítas.

Em 1994, o atual Reitor do Santuário, reverendo Padre José Alves de Amorim, iniciou no Colégio obras de restauro a fim de o Colégio poder ser utilizado como apoio aos peregrinos.

As obras de restauro são efectivamente de grande vulto e foram executadas a rigor por especialistas competentes, dando ao Colégio verdadeira funcionalidade. Honra seja feita ao ilustre e dedicado Reitor.

O Santuário da Lapa tem de ser alargado no seu território para albergar todos os devotos que aqui se concentram.

O Santuário da Lapa, bem como o Colégio e os anexos envolventes foram construídos na serra do mesmo nome: a Serra da Lapa, que nela nasce o rio Vouga e desagua em Aveiro. Com a nascente do rio, torna-se este local mais aprazível, com várias fontes, nomeadamente a fonte dos Clérigos, com água pura e abundante para dessedentar todos os peregrinos.

Faço votos para que o Santuário de Nossa Senhora da Lapa tenha no Jornal Voz de Lamego um verdadeiro púlpito a apregoar a excelência de tão sagrado lugar, onde a Virgem seja lembrada, venerada, amada pelos séculos dos séculos.

Nuno de Santa Maria Pascoal,  in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

Consagrados | Renovação dos Votos religiosos

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Integrada na Semana do Consagrado – que, neste ano, decorrerá de 26 de Janeiro a 2 de Fevereiro -, no próximo domingo, dia 31 de Janeiro, o Senhor Bispo D. António Couto, presidirá à Eucaristia das 11h30, na Sé de Lamego. Nesta Eucaristia, os consagrados da Diocese presentes renovarão os seus votos religiosos e serão chamados a colaborar especialmente na animação da liturgia.

Todas as pessoas estão convidadas a participar nesta celebração, dando graças ao Senhor pelo dom que este chamamento de especial entrega ao Senhor é, para todas as vocações, de apelo de seguimento de Jesus segundo ao conselhos evangélicos de pobreza generosa, de castidade segundo o estado de vida e de obediência à vontade do Senhor nos caminhos deste mundo.

No final deste Ano da Vida Consagrada, a Igreja de Lamego pede ao Senhor por todos os consagrados para que renovem sempre o seu entusiasmo por Cristo, pela Igreja e pelo mundo, e por todas as famílias e paróquias, para que sejam verdadeiros espaços em que as crianças e jovens a quem Deus chama a uma vida de consagração total possam desabrochar e dizer um SIM sem reservas ao Senhor.

Irmã Teresa Maria de Frias, Serva de Nossa Senhora de Fátima,

secretária da CIRP diocesana,

in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

Somos o Povo de Deus | Festa da Catequese

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A noção de Igreja como sendo o conjunto dos Filhos de Deus é uma noção pouco presente na nossa mente; só assim se justifica o pouco cuidado que muitos de nós tem em cuidar e acarinhar a “nossa Igreja”, estando presente, colaborando, sendo assíduo ás celebrações, etc. Como se a Igreja fosse responsabilidade de “outros” e meu apenas o usufruto (quando me conviesse, claro).

Desde o início da catequese a ideia de Povo de Deus formado por todos os cristãos, todos irmãos e iguais aos olhos do Senhor é gradualmente incutida nas crianças ; todos diferentes, cada um com as suas virtudes, as suas manias, os seus defeitos, as seus características , mas assim feitos por Deus e desse modo devendo ser aceites como são pelos irmãos, com carinho, tolerância, união, amor e entreajuda.

É este Povo que se aceita e acolhe o Outro, que se une para orar na Casa de Deus, que forma a Igreja.

A Casa de Deus, o edifício, é muito bonito, propenso á reflexão e á oração, mas é apenas uma igreja (propositadamente com minúscula); é um símbolo, não é o essencial. O essencial é quem a preenche, és tu, sou eu, somos todos os enchemos os seus bancos, os que prendem o olhar no altar, os que elevam as suas preces ao Senhor.

É este conceito que os meninos e meninas do 5º ano festejaram este domingo, assumindo o compromisso de serem Igreja com toda a comunidade, e, num gesto simbólico, colocando a sua fotografia numa representação gráfica de uma igreja como prova da sua vontade de estar presente na vida paroquial, junto dos seus irmãos.

Testemunhado por pais e familiares e por toda a comunidade presente, deram exemplo a muitos que talvez possam repensar o seu empenhamento e reforçaram a vontade de quem já participa.

As crianças da catequese foram a assistência mais entusiasmada, mais curiosa e mais participativa, prova de que sentem como seu qualquer evento protagonizado pelos seus colegas e têm já a noção de Família em Cristo.

É esta unidade a base da Igreja que estamos a construir todos os dias.

IM, in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

CAMINHAR JUNTOS | CONSELHO DIOCESANO DE PASTORAL

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  1. Na manhã do último sábado, dia 23, na Casa de São José (Lamego) e com a presença de D. António Couto, reuniu o Conselho Diocesano de Pastoral. Apesar das ausências, algumas justificadas, o encontro decorreu de forma serena e profícua, cumprindo a agenda previamente enviada aos respectivos membros, oriundos das diversas realidades diocesanas. A sinodalidade eclesial é um bem que dinamiza as comunidades, responsabilizando e favorecendo a participação, tornando possível a visão da Igreja como um “nós” onde cada baptizado é sujeito.
  1. Após a oração inicial e a aprovação da acta da reunião anterior, os conselheiros foram convidados a partilhar experiências, impressões e conclusões quanto à forma como tem decorrido o ano pastoral. Uma partilha que identificou diferenças de ritmo, mas que sublinhou, com alegria e gratidão, o caminho já percorrido, as dinâmicas que tendem a implantar-se e uma maior participação dos fiéis leigos na vida diária das comunidades, dos grupos e movimentos. Apontaram também a necessidade de melhorar a articulação entre todos, nomeadamente através de uma comunicação e partilha mais atempadas e generalizadas.
  1. A evangelização é a finalidade primeira de toda a acção pastoral e responsabilidade partilhada por todos os baptizados, tal como se afirma no lema pastoral deste ano: “Ide e fazei da casa de meu Pai Casa de Oração e de Misericórdia”. Um percurso nem sempre isento de dificuldades, mas onde semear continua a ser urgente, nomeadamente através do testemunho, da proximidade e da atenção a todos. É verdade que há desafios novos, nomeadamente trazidos pela linguagem, pela indiferença ou demissão da família no acompanhamento e vivência da fé. Mas o Mestre manda lançar as redes e a diocese vai cumprindo a missão.
  1. O diálogo prosseguiu depois com a partilha de sugestões, mais concretamente sobre a vivência do Ano da Misericórdia em curso e sobre a preparação do Dia da Família diocesana, marcado para o Santuário de Nossa Senhora da Lapa, para o dia 25 de Junho.
  1. Assumindo e louvando o muito que se vai fazendo em algumas paróquias, zonas e arciprestados, foi sugestão generalizada a aposta na formação, nomeadamente no campo da oração. Será por aqui, onde os párocos assumem particular responsabilidade, que uma melhor compreensão da fé poderá conduzir a um compromisso e testemunho mais visíveis e duradouros.
  1. O Coordenador da Pastoral, Cón. José Manuel Melo, reforçou o convite para o encontro de formação/oração para colaboradores paroquiais, a realizar no próximo dia 13 de fevereiro, em três locais da diocese. E anunciou também o envio de material de apoio a todas as paróquias tendo em vista a vivência da fé em família durante a Quaresma que se aproxima (10 de fevereiro).
  1. O nosso bispo encerrou o encontro congratulando-se com a presença de todos, agradecendo o contributo de cada um e motivando a uma continuidade fiel e criativa na vivência e testemunho do Evangelho. Salientou, ainda, a necessidade de repensar a composição deste órgão consultivo, de forma a alargar a visão da realidade diocesana.

A próxima reunião deste Conselho acontecerá no próximo dia 28 de Maio.

J.D., in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

Jornadas de Formação | Clero de Lamego

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Nos dias 18 e 19 de janeiro, o presbitério de Lamego viveu um tempo de formação, na Casa de São José, em Lamego, tendo como intervenientes D. António Couto, Bispo de Lamego, e o Pe. Jorge Carneiro, sacerdote Jesuíta.

Presentes 46 sacerdotes (incluindo dois seminaristas, o Diogo e o Rafael). Como tema de fundo o Lema Pastoral da Diocese: Ide e fazei da Casa de Meu Pai Casa de Oração e de Misericórdia.

Deus reza em nós a Sua misericórdia

A primeira intervenção coube a D. António Couto. Partiu dos Salmos para sublinhar a Misericórdia de Deus como um dos Seus atributos essenciais.

“Deus é só e sempre amor… e sobre esse amor assenta tudo”. O amor, porém, é pensado. Pode ser uma escolha que vou solidificando. A misericórdia de Deus é visceral, está mais do lado do instinto. Quando surge uma situação é necessário agir, resolver, sem pensar.

Na parábola do Bom Samaritano – sublinhou D. António – o sacerdote e o levita viram aquele homem violentamente espancado pelos salteadores e não fizeram nada, pensaram nas consequências, na lei, na impureza cultual. O Samaritano, com efeito, não pensou, agiu, aproximou-se, tratou-lhe as feridas, levou-o para a estalagem e dispensou uma elevada quantia para que tratassem bem dele.

É o agir de Jesus. Vê a multidão e comove-Se, logo a alimentará com a palavra e com o pão. Quando a viúva acompanha o seu filho único ao túmulo, Jesus aproxima-Se, comove-Se, e levanta-o e devolve-o à mãe. Jesus faz o que faz sem pensar. Também a Parábola do Filho Pródigo revela esta misericórdia que está antes do pensar. O Pai vê o filho desavindo e corre ao seu encontro, abraça-o e faz-lhe uma festa.

Deus é Misericórdia que nos acolhe e nos reza: “Que a minha vontade seja que a minha misericórdia possa vencer a minha ira e a minha misericórdia possa prevalecer sobre os outros meus atributos” (Talmude). A oração de Deus é a misericórdia.

Em Êxodo 34, 6-7, Deus expõe-Se, prometendo a Moisés fazer passar toda a Sua bondade e beleza. E passou diante de Moisés. Não passar é mau. Passar é bom.

Deus proclama-Se, expõe-Se a nós, rezando, com doçura e estremecimento. Expõe-Se por escrito, como Jesus está exposto/escrito na Cruz (Rom 3, 25). É um Deus que faz graça e faz misericórdia. A misericórdia remete-nos para o ventre materno, onde se gera a vida, único sítio no mundo onde duas vidas convivem e cuja ligação permanece. É uma linguagem concreta e muito viva. Deus tem um ventre maternal. Um olhar maternal.

Identidade e missão sacerdotal a partir de Cristo

Após a intervenção de D. António e do intervalo, o saber e o testemunho do Pe. Carlos Carneiro, sacerdote Jesuíta, presentemente na Diocese do Porto.

Como ponto de partida: “Toda a vida do sacerdote é vida sacerdotal”.

A identidade do sacerdote terá de ser procurada em Jesus Cristo. N’Ele tudo é sacerdócio. O que pensa, o que reza, o que diz, o que faz. E é neste tempo que somos chamados a exercer o nosso sacerdócio; retirados de entre os homens, constituídos a favor dos homens. Citando a Presbyterorum Ordinis, o Pe. Carlos deixou claro que “não pode haver um padre que não seja bondoso”, ainda que sejamos ordenados com os nossos defeitos.

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É Deus que devemos anunciar e testemunhar.  Agora somos Pão. Somos Sangue. A nossa existência é um ofertório, “é para salvar, para dar saúde”. Somos a transparência de Cristo. Ele é o alicerce do meu sacerdócio. Ensinar, santificar e governar, é um todo do sacerdócio, do pastor. O pastor precisa do pastor e não apenas do rebanho.

Jesus foi crucificado voltado para nós e não de costas para nós. Não está zangado com o mundo. Está perto do Pai, é a transparência do Pai, a santificação do Pai para o mundo. A minha doutrina não é minha, é do Pai. Assim também nós em relação em Jesus Cristo. “Eu sou a boca e o coração de Cristo…”. Vamos sendo Cristo, gradualmente.

O cristianismo é um laboratório humano

Jesus vive. Ressuscitou. “Se Jesus não ressuscitou não faz sentido falar em Igreja. O cristianismo é muito mais que um humanismo”. Rezar serviria para quê? Se tirares Cristo, a Igreja não tem sentido. Jesus é a Casa da Oração e da Misericórdia. E a Igreja sê-lo-á se partir de Cristo. A Matriz da Igreja é Cristo ressuscitado.

 Jesus comungou a realidade. Qual é o lugar de Jesus? É a cruz, é a manjedoura… a pobreza é a Sua casa, o seu sofá, é ali que Ele vai ser reconhecido!

“A nossa missão é salvar, esperar, acolher, anunciar, aconselhar. O nosso tempo é o tempo de Deus”. Jesus não maltrata ninguém. Todas as pessoas têm direito pelo menos à bênção. O Confessionário é lugar de acolhimento, de misericórdia. “O santo é um pecador que não desiste”. Deus não desiste de ninguém. Há mais de 2 mil anos que a Igreja canta: Eterna é a Sua misericórdia (Sl 136). A misericórdia é para ser cantada e oferecida.

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A Casa da Oração torna-se casa de Misericórdia

A Igreja é a Casa do Perdão. O sacerdote ocupa os dois lugares: penitente e perdoador. “Igreja é o clube dos pecadores – quando vou à confissão sinto que vou ao estaleiro”.

Segundo João Paulo II, “o Lava-pés… é uma epifania, Deus desce e ajusta-Se à condição do pecador”. Esta é a justiça de Deus – ajustamento à condição do pecador. Perdoado o pecado, deixa de ser meu, passa a ser de Deus.

“Quando estamos em Deus estamos em casa… Deus responde ao pecado com o perdão”. O pecado não dura para sempre. “Não há pecador sem futuro, nem santo sem passado… A justiça de Deus é o seu perdão (cf. Sl 51/50)” (Papa Francisco). Poderemos então afirmar que “a misericórdia é a teimosia de Deus. Deus é teimoso na bondade e no perdão. Deus não pode não perdoar. O pecado de Deus seria Ele não perdoar. A mácula da Igreja é não perdoar…”. No início da Igreja está um traidor (Pedro) e um perseguidor (Paulo). Deus ajusta-se a nós.

“Jesus foi um homem comovido: Casa de oração que Se transformou em Casa de Misericórdia”.

Em jeito de conclusão…

No final, o Senhor Pro Vigário Geral, em nome do Sr. Bispo e dos sacerdotes, agradeceu a presença do Pe. Carlos Carneiro, pelas suas palavras e pelo testemunho que perpassou nas suas reflexões, dando exemplos concretos da sua vida como sacerdote católico – “gosto muito de ser católico. Não quero outros óculos que não estes… ser católico”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016

ANO DOS CONSAGRADOS | Editorial Voz de Lamego | 26 de janeiro

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A Edição da Voz de Lamego, na semana dos Consagrados, 26 de Janeiro a 2 de Fevereiro, dá destaque, a partir da primeira página, ao Ano de Vida Consagrada. Também o Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, centra o Editorial no ano dos consagrados, sublinhando que o tempo de semear continua.

Há outros temas de interesse, entre os quais se pode destacar a celebração do Padroeiro da Diocese, São Sebastião, no passado dia 20 de janeiro, na Sé de Lamego, disponibilizando-se a HOMILIA de D. ANTÓNIO COUTO, e as Jornadas do Clero nos dias 18 e 19 de janeiro, que tiveram como conferentes o nosso Bispo e o Pe. Carlos Carneiro, sacerdote Jesuíta.

ANO DOS CONSAGRADOS

Aproxima-se o encerramento do Ano da Vida Consagrada convocado pelo Papa Francisco e proposto aos Consagrados como oportunidade para “olhar com gratidão o passado”, “viver com paixão o presente” e “abraçar com esperança o futuro”.

Na nossa diocese, com uma presença cada vez mais reduzida, os Consagrados viveram tal itinerário com alegria, não apenas nos encontros que protagonizaram ou na divulgação dos respectivos carismas, mas sobretudo pelo empenho com que participam na vida diocesana. A sua presença e serviço, tantas vezes discretos, são sempre apreciados e vistos como sinal do Senhor atento e disponível.

Num tempo marcado pelo secularismo, onde a cultura dominante tem a marca da cristofobia e do anti-católico, rejeitando a dimensão social da fé, os Consagrados são um sinal de Deus e representam a geografia da oração, do apostolado e da caridade, participando na edificação da Igreja e na concretização da sua missão evangelizadora.

Os Consagrados protagonizam uma grande liberdade pessoal, afastando-se de ideologias dominantes e optando por uma vida que não está em voga, sem aplausos. Mas é, certamente, uma forma bela de viver a vida “escondida com Cristo em Deus” (Col 3,3), de ser “sal e luz do mundo” (Mt 5, 13-16) e de encarnar o espírito das bem-aventuranças.

A história ilustra bem a fidelidade criativa dos Consagrados diante de vicissitudes e circunstâncias nem sempre favoráveis. Tal como ontem, também hoje lhes é pedida uma resposta diante dos desafios que se colocam. Com humildade, sem fórmulas mágicas, o importante é não cair em pessimismos contagiosos ou em ilusões triunfalistas. A todos anima a certeza de que Deus não abandona a Sua Igreja.

Termina o Ano da Vida Consagrada. Mais do que balanços, importa a consciência do dever cumprido. O tempo de semear continua.

in Voz de Lamego, ano 86/10, n.º 4347, 26 de janeiro de 2016