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Archive for Dezembro, 2014

Papa FRANCISCO > 15 DOENÇAS para um exame de consciência

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Quinze doenças e tentações para um exame de consciência

Papa à Cúria

O Papa Francisco recebeu em audiência na Sala Clementina os membros da Curia Romana para os tradicionais votos de Boas Festas. No seu discurso o Santo Padre referiu as quinze doenças da Cúria, convidando todos a pedirem perdão a Deus que “nasce na pobreza da gruta de Belém para nos ensinar o poder da humildade”. A Igreja não pode viver sem ter uma relação vital, pessoal e autêntica com Cristo.

O Papa pede um verdadeiro exame de consciência na preparação do Natal. Ao apontar estas quinze doenças ou tentações, o Papa Francisco esclarece que não dizem respeito apenas à Cúria Romana mas são um perigo para qualquer cristão, diocese, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial. Falando em “catálogo das doenças”, na esteira dos padres do deserto, o Papa passou a apresentar as quinze doenças ou tentações:

Sentir-se imortal ou indispensável. “Uma Cúria que não faz auto-crítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”;

Martalismo (de Marta, a doença do excesso de trabalho). Os que trabalham sem usufruírem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação;

A mentalidade dura. Quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papéis, deixando de ser “homens de Deus”;

A excessiva planificação. “Quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo;

Má coordenação. Quando se perde a comunhão e o “corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade”;

O Alzheimer espiritual. Esquecer a história do encontro com Deus. Perda da memória com o Senhor. Criam muros e são escravos de ídolos;

Rivalidade e vã glória. Quando o objetivo da vida são as honrarias. Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo;

Esquizofrenia existencial. “Vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que licenciaturas e títulos académicos não podem preencher”. Burocratismo e distância da realidade. Uma vida paralela.

Mexericos. Nunca é demais falar desta doença. Podem ser homicidas a sangue frio. “É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas”. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos;

Cortejar os chefes. Carreirismo e oportunismo. “Vivem o serviço pensando unicamente naquilo que devem obter e não no que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores;

Indiferença perante os outros. “Quando se esconde o que se sabe. Quando, por ciúme, se sente alegria em ver a queda dos outros em vez de os ajudar a levantar”;

Cara fúnebre. Para ser sérios é preciso ser duros e arrogantes. “A severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança”. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”;

Acumular bens materiais. “Quando o apóstolo tentar preencher uma vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para se sentir seguro”;

Círculos fechados. Viver em grupinhos. Inicia com boas intenções mas faz cair em escândalos;

O lucro mundano e exibicionismo. “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”.

O Papa Francisco concluiu o seu discurso recordando ter lido uma vez que “os sacerdotes são como os aviões: só são notícia quando caiem…“. “Esta frase” – observou o Papa – “é muito verdadeira porque delineia a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal. Um só sacerdote que cai pode causar muito mal a todo o Corpo da Igreja“.

  in VOZ DE LAMEGO, n.º 4294, ano 84/56, de 23 de dezembro de 2014

O NATAL DO ZÉ DA LAVRA | Conto de Natal

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Era filho único.

Quando andava nos dez anos, ao voltar da escola, viu a mãe estendida no chão do quarto, esvaída em sangue, e já morta.

O pai, procurado pela guarda republicana, apareceu mais tarde, também morto, numa curva do Cabrum, preso a uns arbustos.

Na sequência de suspeitas e ciúmes, e depois de ralhos e maus-tratos, o pai dera um tiro na mulher, fugira desarvorado para o ribeiro, e afogara-se no poço dito “sem fundo”.

Acolhido em casa do tio Afonso e da esposa Madalena, em Mariares, aí se refugiou e aí passou a viver.

Pobres em recursos e incapazes de afetos, depressa o mandaram para o Douro, para as quintas dos ingleses.

Ia às vindimas, vinha aos Santos; ia às azenhas, voltava ao Natal.

Lá na quinta, dormia no palhuço do cardenho, comia broa com sardinha, e trabalhava todo o dia, de sol a sol. Mas a mulher do caseiro, conhecedora da má sorte do mocinho, acarinhava-o como filho, dava-lhe bons conselhos, e o rapaz pôde aprender com ela como é bom amar, e como é bonito ser bom.

Não era assim em casa dos tios. Aí, beijava-se pouco e ralhava-se muito.

Num certo Natal, o Zé da Lavra, em vez de ir para os tios, foi parar a casa do “Ceguinho”.

O “Ceguinho”, invisual de nascença, vivia só e sem família, sem carinho nem conforto. Chegado do Douro, o Zé abraçou o velhinho, ajuntou a lenha, acendeu o lume e, pouco depois, já as batatas ferviam e o bacalhau cheirava. Duma tosca e velha mesa ao lado, chegava o delicado odor do arroz doce e o gostoso sabor do alho e do vinagre.

Comida a Ceia, o velhinho disse ao moço:

– Zé, este foi o melhor Natal da minha vida! Sempre passei esta noite sozinho! Como hei-de eu agradecer-te, meu filho?

– Muito simplesmente, senhor Francisco. Com um abraço. Abraços, foi coisa que nunca tive! Foi coisa que nunca me deram!

Concretizado o abraço, rezaram a oração de ação de graças, louvaram a Bondade de Deus por ter nascido, e ficaram até ao meio da noite a jogar pinhões e rapas e a cantar os dois, velhos cânticos de Natal.

No dia seguinte, a conselho do velhinho, o Zé subiu a velha calçada da aldeia pintada de neve e escorregadia do gelo, e foi à Santa Missa de Natal à igrejinha do lugar.

Ao ver aquela gente boa, fiel, alegre e simples, a cantar e a rezar a glória de Deus, a bondade de Jesus, o silêncio de José, e a beleza da Virgem -Mãe, o moço não se conteve, cantou e rezou também, e sentiu-se verdadeiramente feliz!

Chegado o momento apropriado, integrou-se acanhado e tímido na fila que ia beijar o Menino. Ao beijá-LO, viu os Seus olhos sorrir-lhe, e ouviu-O dizer-lhe assim, com voz terna, infantil e divinal:

– Parabéns, José! Feliz Natal para ti e para o “Ceguinho”!

– Feliz Natal para todos os que sabem adorar, louvar, amar, agradecer e cantar!

 Pe. J. Correia Duarte,  in VOZ DE LAMEGO, n.º 4294, ano 84/56, de 23 de dezembro de 2014

NATAL 2014: Mensagem de D. António José da Rocha Couto

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NÓS OS DOIS

Desde que sei

Que sou como um fiozinho de erva

Que de manhã reverdece e à tarde seca,

Que aprendi a suportar o peso

Do milagre.

Hoje tudo é mais claro

Tudo é mais nítido.

Mas no tempo em que os pinheiros

Eram altos

E os meus olhos de um verde cristalino,

No tempo em que o tempo

Era incandescente

E fazia carrancas ao destino,

Aí, oh meu país inocente

E pequenino,

Era eu que era mais divino

Ou era Deus que era mais menino?

  1. Sim. Enquanto tu descias a este chão de pó, e afanosamente o modelavas (Génesis 2,7), eu subia em sonhos a escada de Jacob (Génesis 28,12), e às escondidas, comia o teu céu de pão-de-ló. Deslumbramento teu no sótão deste chão, quando, no lusco-fusco da vidraça, descobriste o meu pião enrolado na baraça. Deslumbramento meu, quando, distraído, brincava no teu céu, e quase escorregava pelo firmamento.
  1. Valeu-me então um anjo que estava de passagem, e me deu a mão. Percebi depois que regressava do jardim do éden (Génesis 2,8), de regar a tua plantação (Isaías 61,3). Contou-me tudo. Falou-me de Abraão, de um rio que abriste no deserto (Isaías 43,19), da avenida florida que atravessa o mar a céu aberto (Sabedoria 19,7), da estrada traçada no deserto onde habitualmente andas a pé (Isaías 35,8), e sobretudo das flores que fizeste florescer em Nazaré (de natsar, florescer).
  1. Fomos depois os dois até Jerusalém, e vimos-te a escolher no ribeiro manso as pedras trabalhadas na torrente (1 Samuel 17,40). Olhavas para elas demoradamente em tuas mãos deitadas, e só depois as adornavas com tinta cor de rímel (Isaías 54,11), e as sentavas carinhosamente à tua mesa, em tua casa, onde ardia e não se consumia uma sarça acesa (Êxodo 3,2).
  1. Juntaram-se, entretanto, a nós milhares de anjos deslumbrados. Pus-me todo atento e parabólico, e pude ver o vento que o seu bater de asas produzia, e vi ainda que é essa energia que alumia as casas, muito mais do que qualquer rede de alta tensão ou parque eólico. Foi então que o anjo que comigo viajava me indicou um caminho hiperbólico (1 Coríntios 12,31).
  1. Entrei nesse caminho. Mas rapidamente vi que não ia sozinho. Ias tu, Senhor, comigo. Chamava-se amor esse caminho aberto no deserto (Atos 8,26). Confesso que nunca tinha estado tão perto da água viva e tão perdido no meio do sentido (Atos 8,36). Tão refém deste Deus nascido em Belém.
  1. Meu irmão de Dezembro, levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia.

Desejo a todos os meus irmãos, sacerdotes, diáconos, consagrados/as e fiéis leigos, doentes, idosos, jovens e crianças da nossa Diocese de Lamego e da inteira Igreja de Cristo, um Santo Natal com Jesus e um Novo Ano cheio das Suas maravilhas. E vamos todos construir com mais amor a família de Deus.

Vem, Senhor Jesus. Bate à nossa porta.

+ António, vosso bispo e irmão

Festa de Natal no Seminário Maior de Lamego

Seminario-ministérios

Seminário Maior de Lamego | Ceia de Natal

Na passada sexta-feira, dia 19 de dezembro, ocorreu no Seminário Maior de Lamego a Ceia de Natal de/para toda a família.

Depois da chegada de Braga, do último dia de aulas, às 18:30h celebramos a Eucaristia, presidida pelo nosso bispo, D. António Couto. Nesta celebração teve lugar a instituição de ministérios a alguns dos nossos seminaristas: no ministério de Leitor o Diogo André Costa Rodrigues, natural da paróquia de Lazarim, e o Luís Rafael Teles Azevedo, natural da paróquia de Vila da Ponte; no ministério de Acólito o Ângelo Fernando Gregório Ramos Santos, natural da paróquia de Vila Nova de Souto d’El-Rei, e o Joel Pedro Silva Valente, natural da paróquia do Granjal.

Durante a homilia, o nosso bispo, referiu que o leitor é aquele que tem como função ler e viver a Palavra de Deus, para assim viver sempre nas mãos de Deus, Ele que é “figura” para a vida de todos. Do mesmo modo, apontou também que o acólito é aquele que é instituído para servir ao altar. Este servir, nas palavras de D. António Couto, é servir Deus e os irmãos, é andar à volta de Deus, na sua presença, para que sejamos uma bênção para todos os irmãos.

Terminada a Eucaristia seguiu-se o jantar de Natal, onde as batatas e o bacalhau não faltaram. Este jantar é sempre momento de alegria e convívio, não só com as famílias, mas também para com as congregações religiosas da cidade e outros convidados, que neste dia não querem deixar de estar presentes. No fim do jantar ainda houve tempo para nos deleitarmos sobre alguns cânticos e poemas de Natal.

Foi, sem dúvida, um dia bastante rico. Aos novos instituídos, que o Senhor abençoe, proteja e dê coragem a todos, para que possam chegar com mais confiança e ânimo ao sacerdócio.

Vítor Carreira, IV Ano,  in VOZ DE LAMEGO, n.º 4294, ano 84/56, de 23 de dezembro de 2014

Festa de Natal no Seminário Menor de Resende

Festa de ResendeChama…

O mundo vai rodando,

Não para de girar.

Os dias e os anos vão passando.

As estações sempre a mudar.

 

Uma nova luz surge

No seio do frio invernal:

Uma chama que arde forte

E viva vai aumentando,

No primeiro Natal.

 

Mas os anos vão passando

E os tempos mudando.

E as gerações se transformam.

 

E o amor enfraquece…

Sofre…

Morre…

Já não aquece.

 

Então a luz a Terra contempla

O seu tormento se dilata,

Pois a escuridão a envolvera

E, assim, aos poucos a mata.

 

Mas, então, chega a clara noite

Em que nasce o Salvador:

Os corações se abrem

E partilham o amor.

 

A tristeza passa a alegria,

A ofensa a perdão.

A luz se deflagra

E acaba a escuridão.

 

Mas o mundo vai rodando,

E não para de girar.

Os dias e anos vão passando.

As gerações sempre a mudar.

 

E a chama eternamente pena.

Todo o tempo a diminui…

Apenas nesse Nascimento

Se, intensamente, restitui.

 

Só neste dia o mundo se abre

E se deixa entregar à luz…

Só neste dia o amor é mais forte…

Só neste dia o bem o conduz…

 

O tempo nunca vai parar.

A luz sempre vai arder

E mais intensa se tornará,

Se no coração se atear,

E para sempre aí queimar,

Em todo o humano ser.

Ilídio M. C. Ferreira, Seminarista do Seminário de Resende,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4294, ano 84/56, de 23 de dezembro de 2014

NATAL, DOM DE DEUS | Editorial Voz de Lamego | 23 de dezembro

VL_23_dezembro_2014Em vésperas de Natal, a edição desta semana da Voz de Lamego, como expectável, é dedicado especialmente ao Natal, nas reflexões propostas, na divulgação de notícias e de eventos. No entanto, outros motivos de relevo, como a Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial da Paz, a participação de D. António Couto nas Ceias de Natal do Seminário Maior de Lamego e do Seminário Menor de Resende; a instituição de ministérios.

Também o Editorial nos fala de Natal, como Dom do amor de Deus.  Natal uma festa que não conhece fronteiras:

NATAL, DOM DE DEUS

Somos testemunhas da alegria que o nascimento de uma criança suscita numa família. Diante da maravilha que é a vida, tudo ganha um sentido novo e festivo. A atenção dispensada ao novo pequeno ser, tão frágil e o mais belo do mundo, é contínua. E o amor que a sua chegada fez aparecer no coração de todos é acompanhado por uma enorme alegria.

Com a criança que nasce, a nova vida que os seus pais vivem chama-se, de verdade, “esperança”. Não a esperança motivada pelos maus momentos que fazem acreditar em melhores dias. Nem a esperança motivada pela tristeza que nos invade e nos leva a esperar uma eventual felicidade. Aqui trata-se de uma esperança que faz viver aqueles pais e demais familiares o “hoje” de maneira plena.

Com um nascimento, tudo adquire um sentido belo e pleno. E os que rodeiam o novo ser comprometem-se totalmente, aqui e agora, com o que nasce. A criança mobiliza o amor, a atenção, a alegria. Com ela, a esperança verdadeira nasceu.

Eis o mistério do Natal!

A história de Israel é orientada para a vinda do Messias, esperado com paciência e ardor. O Natal é o fim dessa espera, a concretização de uma promessa num hoje que se vive com alegria. O menino que contemplamos na simplicidade e pobreza do presépio mostra-nos que Ele não quer rivalizar com outros bens. Ele é a verdadeira esperança. Com ele vem uma nova vida!

Natal é a festa de uma numerosa família que não conhece fronteiras, espaços ou tempos. Uma família sempre em construção, tais sãos os muros que separam os homens. Uma família que se constrói a partir do acolhimento do amor de Deus, dom concedido a todos pela incarnação do Verbo.

 in VOZ DE LAMEGO, n.º 4294, ano 84/56, de 23 de dezembro de 2014

Sugestão de Leitura | novo livro de D. António Couto > ano B

SUGESTÃO DE LEITURA DA VOZ DE LAMEGO:

 

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O nosso bispo, D. António Couto, oferece-nos mais uma ajuda para melhor compreendermos os textos bíblicos que escutamos semanalmente. Dando continuidade ao trabalho já publicado para o Ano A, eis que um novo livro chega para nos acompanhar neste Ano B, que estamos a viver desde o primeiro domingo do Advento.

Tal como afirma o próprio autor, na introdução, trata-se de um contributo para “aqueles que gostam de saborear os textos bíblicos que a Liturgia nos oferece”.

A mesma introdução alude ainda ao aparecimento próximo de um livrinho para melhor conhecermos e compreendermos o evangelista deste ano, “Introdução ao Evangelho segundo Marcos” e que, juntamente com este, formará um todo.

Título: Quando Ele nos abre as Escrituras domingo após domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário Ano B.

Autor: D. António Couto

Edição: Paulus Editora

Tamanho: 215 x 145 mm, 399 p.

Preço: 20 euros

 in VOZ DE LAMEGO, n.º 4293, ano 84/55, de 16 de dezembro de 2014