Editorial da Voz de Lamego: Fraternidade, fonte de liberdade e igualdade

Esta é uma das expressões do nosso Bispo, na missa crismal, no dia 5 de outubro, e que deu tom e cor à sua homilia, partindo da recente Carta Encíclica do Papa Francisco “Fratelli Tutti”, todos irmãos.

A receção ao documento do Papa vai-se fazendo, dentro e fora do âmbito da Igreja, com diferentes sublinhados e, como sempre, algumas polarizações. Ao nosso jornal também vão chegando algumas reflexões que incidem ou partem desta Carta.

São Francisco de Assis desafia-nos a tratar como irmãos o Sol, o mar, o vento, os passarinhos, e irmão de todos, a começar pelos pequeninos, pobres, doentes, abandonados, descartados, dos últimos, pois essa foi a opção de Jesus, essa há de ser a opção preferencial dos cristãos. Diz o Papa, “a fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs”.

O nosso Bispo, na missa crismal e, no passado sábado, nas Jornadas Nacionais de Catequistas, sublinhou que a fraternidade é o sustentáculo da igualdade e da liberdade, sugerindo que ao tríptico da revolução francesa e do iluminismo deveria subtrair a fraternidade. E porquê? Porque se Deus foi retirado da equação, então não há como justificar, defender ou propor a fraternidade. Sem Deus, sem Pai, não há filhos! Se não temos um Pai comum, não podemos ser irmãos. A fraternidade supõe a filiação. Se não somos filhos, como é que poderemos ser irmãos, construir a fraternidade (comunidade de irmãos).

Claro que, sem fraternidade, a igualdade e a liberdade não têm um fundamento sólido, duradouro e definitivo. Com efeito, a fraternidade é o cimento da igualdade e da liberdade. Se não somos irmãos, porquê preocupar-nos com estranhos? Refira-se ainda assim que a sobrevivência do mundo depende de todos, o bem ou o mal que faço vai afetar o outro, vai decidir que o mundo é destruído ou se é contruído.

Do mesmo modo a liberdade. Se a liberdade se apoia em mim ou em ti, se se apoia nas normas de um país ou de uma ideologia, será uma liberdade a prazo, pois basta mudar a pessoa que tem mais poder para que também esta adquira outras feições. Sem a fraternidade, a lei do mais forte ganha terreno, manda quem pode.

“Como crentes, diz-nos o Papa, pensamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo á fraternidade” (272).

D. António, por sua vez, salienta que a raiz da fraternidade e essência da família é o amor eterno e verdadeiro. E o lugar humana onde se manifesta a fraternidade é a família. “Os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais, e são iguais não obstante as suas acentuadas diferenças; são iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito; são diferentes mas são iguais, são iguais não devido a isto que fazem, ao seu currículo e ao seu trabalho, mas devido ao amor dos seus pais, que os faz iguais, que os torna iguais”. E também em função do amor fontal de Deus Pai, somos filhos de Deus, filhos no Filho, é esse amor primeiro que que nos torna livres e iguais. Deus não tem netos nem sobrinhos. Somos todos irmãos, porque somos todos filhos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/46, n.º 4581, 27 de outubro de 2020

Peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro começa na quinta-feira

Porque muitas das iniciativas que a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) organizava não puderam decorrer por causa da pandemia de covid-19, e porque o apoio aos doentes e famílias está muito mais dependente do peditório nacional, a LPCC apela à generosidade dos portugueses para o peditório nacional que arranca na próxima quinta-feira, dia 29 de outubro, e termina na segunda-feira, 2 de novembro.

Os voluntários que em Moimenta da Beira andarão no terreno, cumprirão, como se impõe, todas as medidas de proteção de modo a impedir o contágio por causa da pandemia.

— 

Rui Bondoso

(Gabinete de Comunicação)
Câmara Municipal de Moimenta da Beira
www.cm-moimenta.pt

Editorial da Voz de Lamego: Stayaway Covid

Foi apresentado o Orçamento de Estado para o ano de 2021, num contexto difícil para Portugal e para o mundo, com um horizonte de futuro condicionado pela pandemia do novo coronavírus. Não me cabe a mim, nem é este o lugar para tal, discutir as virtualidades ou as limitações orçamentais. Há outros que o farão com muito mais fundamento, ainda que sempre prevaleça a janela de onde falam, refletem, discutem.

Entrou em vigor, na passada quinta-feira, 15 de outubro, o Estado de Calamidade. Duas medidas sobressaíram de imediato: o uso obrigatório de máscara nos espaços onde/quando não for possível manter a distância física de dois metros e a “obrigatoriedade” da aplicação “Stayaway Covid”. Instalei a referida aplicação logo que ficou disponível para o sistema operativo do meu telemóvel. Era uma recomendação. Poderá passar a ser uma obrigação, pelo menos no contexto escolar e profissional. Pensei que era mais difícil usar a máscara durante um dia inteiro, mas para meu espanto, afinal a aplicação pode pôr em causa a privacidade! E até, por momentos, deixámos de falar no Orçamento de Estado, uma ferramenta para as pessoas e famílias, para as empresas, com todas as incertezas quanto à evolução epidemiológica.

A aplicação, mesmo como recomendação, depende do bom uso da mesma, não isenta de outras responsabilidades e compromissos, como o distanciamento físico, o uso de máscara (em muitos contextos), a expressão dos afetos, os comportamentos em ambientes com algumas/muitas pessoas. A privacidade é um direito. Há pessoas que expõem as suas vidas ao segundo, o que estão a fazer, o que comem, o que vestem, que marcas usam, onde estão; opinam sobre tudo, sobre todos, valorizam as niquices e desvalorizam o que é essencial para os outros. Mas algo que é “imposto” para o bem de todos, faz esquecer que a nossa vida já está exposta de mil maneiras, que nos impõem valores, princípios e modas, através de leis, aprovadas quando ninguém está a ver, através de campanhas de des-informação, spots publicitários, direitos de antena, comentário nos órgãos de comunicação social. Como não evocar o episódio dos pais que acharam oportuno intervir na educação dos filhos, recusando o conteúdo de uma disciplina… e como logo se levantaram vozes, campanhas, acusações contra os pais por se oporem, pelo direito que têm a escolher a edução para os filhos, a um conteúdo específico…

Vem-me à lembrança outro episódio, este bíblico. O general Naaman é estimado pelo seu rei e pelo povo da Síria, é valente e robusto, mas tem lepra. Guiam-no até ao profeta Eliseu, que lhe manda dizer, por um mensageiro, que vá banhar-se sete vezes no rio Jordão. Começa a contestação: Porque é que Eliseu não se dignou recebê-lo pessoalmente? E porquê lavar-se no rio Jordão e não num rio do seu país? A resposta dos servos de Naaman é clarificadora: «Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse mandado uma coisa difícil, não a deveria fazer? Quanto mais, agora, ao dizer-te: ‘lava-te e ficarás curado’» (2Reis 5, 1-23). Difícil seria voltarmos a estar confinados em casa! Usar uma aplicação, para o bem de todos, quando usamos dezenas de aplicações que recolhem dados sobre os nossos gostos, lugares que visitamos, pessoas com quem nos cruzamos… e o OE lá vai sub-repticiamente sendo discutido, com aprovação garantida, faltando apenas saber que dividendos políticos vão ter os diferentes partidos… estamos a discutir a bola… uma aplicação… e enquanto os “lázaros” continuam a pelear por algumas migalhas que caem da mesa da opulência e da indiferença…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/45, n.º 4580, 20 de outubro de 2020

Depressão Bárbara: Município de Lamego apela a cuidados redobrados

O Município de Lamego alerta que a depressão “Bárbara” vai atingir Portugal a partir de hoje, pelo que as condições meteorológicas vão agravar-se, trazendo chuva intensa e ventos fortes que podem chegar aos 100 km/hora. 
Por esta razão, apela a todos os cidadãos que adotem cuidados redobrados nas próximas horas e especial atenção nas zonas com risco de cheias e inundações rápidas em meio urbano.

O Município de Lamego alerta também para o piso rodoviário escorregadio e a eventual formação de lençóis de água, danos em estruturas montadas ou suspensas, possibilidade de queda de ramos ou árvores e deslizamentos de terra.
Na sequência do mau tempo, aconselha também a adoção de uma condução defensiva e os automobilistas a ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atentos para a possibilidade de queda de ramos e árvores.
O distrito de Viseu estará sob aviso laranja entre as 18h de hoje e as 03 horas de terça-feira, devido à previsão de chuva forte e persistente e vento forte.
O Município de Lamego, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, estará a acompanhar em permanência o evoluir da situação. 

Ricardo Pereira
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Câmara Municipal de Lamego
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Editorial da Voz de Lamego: Eis-me aqui, envia-me

Este é o tema escolhido pelo Papa Francisco para sua Mensagem do Dia Mundial das Missões, no próximo domingo, 18 de outubro. (A mensagem encontra-se na página sete do jornal e na nossa página: http://www.diocese-lamego.pt).

O Senhor questiona: quem enviarei? «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8). É a resposta do Profeta Isaías, clarificador e resoluto, apesar do ambiente adverso.

O Santo Padre parte das tribulações e desafios que nos coloca a pandemia do covid-19, convocando-nos à esperança e ao compromisso solidário. A oração, diz-nos o Papa, abre-nos o coração aos outros, sintonizando-nos com o coração de Deus, que nos ama a todos. “Celebrar o Dia Mundial das Missões significa também reiterar que a oração, a reflexão e a ajuda material das vossas ofertas são oportunidades para participar ativamente na missão de Jesus na sua Igreja. A caridade manifestada nas coletas das celebrações litúrgicas do terceiro domingo de outubro tem por objetivo sustentar o trabalho missionário, realizado em meu nome pelas Obras Missionárias Pontifícias, que acodem às necessidades espirituais e materiais dos povos e das Igrejas de todo o mundo para a salvação de todos”.

Na cruz, Jesus realiza a Sua missão, revelando que Deus nos ama a todos e a cada um, pedindo-nos a disponibilidade para sermos enviados. “Por amor dos homens, Deus Pai enviou o Filho Jesus (cf. Jo 3, 16). Jesus é o Missionário do Pai: a sua Pessoa e a sua obra são, inteiramente, obediência à vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; 6, 38; 8, 12-30; Heb 10, 5-10). Por sua vez, Jesus – crucificado e ressuscitado por nós –, no Seu movimento de amor atrai-nos com o seu próprio Espírito, que anima a Igreja, torna-nos discípulos de Cristo e envia-nos em missão ao mundo e às nações”.

A missão deriva do amor de Deus. Deus, porque nos ama, é um Deus em movimento, em saída.

“Deus é sempre o primeiro a amar-nos e, com este amor, vem ao nosso encontro e chama-nos. A vida humana nasce do amor de Deus, cresce no amor e tende para o amor. Ninguém está excluído do amor de Deus e, no santo sacrifício de seu Filho Jesus na cruz, Deus venceu o pecado e a morte (cf. Rom 8, 31-39). Para Deus, o mal – incluindo o próprio pecado – torna-se um desafio para amar, e amar cada vez mais (cf. Mt 5, 38-48; Lc 23, 33-34). A Igreja, sacramento universal do amor de Deus pelo mundo, prolonga na história a missão de Jesus e envia-nos por toda a parte para que, através do nosso testemunho da fé e do anúncio do Evangelho, Deus continue a manifestar o seu amor e possa tocar e transformar corações, mentes, corpos, sociedades e culturas em todo o tempo e lugar”.

A concluir, parte da letra do Hino Outubro Missionário 2020, da Banda Jota: “Senhor… Envia-me a anunciar o Teu amor / Deixarei o meu egoísmo para partir / Serei um pedaço de Ti no outro / Serei um discípulo, irei servir / Uma mão cheia e aberta para dar / Serei um abraço a viver em missão / Procurarei o outro para Te encontrar / Deixarei que sejas Tu a viver em mim / SEREI UM SIM por dentro do Teu sim”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/44, n.º 4579, 13 de outubro de 2020

Filipe Sequeira: da rádio para o palco

Assim nasce uma estrela em tempos de pandemia

O jovem cantor e músico prepara o lançamento do seu primeiro álbum a solo, com a editora Vivadisco/ Vidisco. O sonho de trabalhar com o produtor José Carlos Monteiro, as metas, e o desafio de contornar a pandemia. A entrevista, exclusiva, com Filipe Sequeira para a Voz de Lamego! 

Entrevista conduzida por Andreia Gonçalves para a Voz de Lamego.

Andreia Gonçalves: Como é que no meio de uma pandemia decides gravar o teu primeiro álbum?

Nunca há uma altura certa para se gravar; no meu caso, aproveitei o momento, depois do artista Zezito, que neste momento é o meu padrinho musical, ter-me feito o convite para participar em duas músicas com ele, cresceu realmente um sonho antigo, e aí decidi gravar os meus temas originais, que por acaso calhou numa altura muito complicada.

O que nos vais trazer?

O “Filipe Sequeira” vai-nos trazer animação, boa disposição, alegria, melodias bastante dançantes, muito ritmo e energia. Tudo que é necessário para quando isto voltar a abrir, as pessoas se poderem divertir ao máximo ao som do “Filipe Sequeira” . E com ele, ninguém irá ficar indiferente.

Porquê o José Carlos Monteiro para teu produtor?

Sou muito suspeito para falar, mas a nível musical, e dentro do estilo que eu queria, o José Monteiro seria a pessoa ideal para produzir os meus temas. Para além de acompanhar praticamente todos os seus trabalhos. Será, sem dúvida, um dos maiores produtores em Portugal. E estou imensamente satisfeito em poder trabalhar com ele. Confesso que vamos apresentar um trabalho fantástico.

A escolha da editora foi pacífica?

Nesta altura do campeonato torna-se difícil escolher ou aceitarem o nosso trabalho numa editora. Ainda para mais para quem está a começar e lançar os seus primeiros singles. Felizmente da minha parte correu tudo bem e a Vivadisco / Vidisco aceitou trabalhar comigo. É sem dúvida uma editora incrível. E juntos iremos promover este meu primeiro trabalho.

Quando chegará o Álbum para que todos possamos ouvir?

Quanto ao Álbum não terá data certa, porque não faz muito sentido, estarmos a lançar um álbum quando não há mercado ou espetáculos para promover o trabalho. Vamos claro promover nas redes sociais, em rádios e em televisão ao longo dos tempos, mas o lançamento oficial do álbum irá ficar claramente para 2021.

Apostas em videoclipes para apresentar cada single. Como tem sido esta experiência?

O meu ponto de vista, qualquer aposta numa música nas plataformas digitais, precisamos de um vídeo para pudermos “prender” as pessoas a verem e a ouvirem o nosso tema, porque as pessoas tem curiosidade de ver o vídeo, para conhecerem a história, para verem melhor o artista, como se apresenta, a sua dinâmica, e ao mesmo tempo as pessoas começam a ficar com a música na cabeça, porque vão querer ver o vídeo até ao fim, e por vezes repetir. Estes dois últimos videoclipes que realizamos têm sido incríveis. O Sandro Camilo faz parte da equipa de realização que também tem sido incansável.

Nesse aspeto, eu vou tentar apresentar os meus temas sempre com um videoclipe, ideias para realizar são muitas e cada vez a ideia é prender mais as pessoas do outro lado, ao longo da nossa caminhada.

Quando irás as rádios e à TV promover?

O meu primeiro single, “rabo de saia” irá sair já na próxima sexta-feira, e o meu segundo single, “Essa mulher é uma brasa”, no dia 16 de outubro, e a partir daí vamos começar a pensar na promoção destes dois singles, que vão ser a minha aposta para este ano 2020. Juntamente com a minha editora e a minha promotora, vamos fazer uma rota para realizar as entrevistas em rádios, e depois promover os temas em televisão.

Afinal as épocas complicadas como vivemos faz-nos repensar e trazer novas coisas ao mundo.

Todas as épocas são complicadas, e quando se inicia uma carreira, pior ainda, mas a ideia é fazer as coisas com calma e tranquilidade, com tempo tudo é possível, basta pensarmos positivo. temos é que é saber viver e termos ideias novas para podermos entrar no mercado.

Deixo o convite a todos os lamecenses, para verem o meu primeiro videoclipe do “Rabo de saia” que foi gravado no Paraíso Douro, e partilharem na próxima sexta-feira, no YouTube ou na minha página oficial! E um agradecimento ao Jornal Voz de lamego por apoiar as pessoas da sua região!

in Voz de Lamego, ano 90/43, n.º 4578, 6 de outubro de 2020

Fratelli Tutti

Na memória de São Francisco de Assis, o Papa Francisco presenteou-nos com a nova carta encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social.

O primeiro capítulo retrata a sociedade atual: as novas formas de colonização cultural, a luta de interesses que coloca todos contra todos, a cultura do descarte de alimentos e de seres humanos, a injustiça de um modelo económico fundado no lucro, a cultura do conflito e do medo. O Papa Francisco faz ainda referência à tragédia que trespassa o nosso mundo, a pandemia do COVID-19, e a forma como desmascarou a nossa vulnerabilidade e a necessidade de pertença como irmãos; a falta de dignidade de que sofrem os migrantes e refugiados, entre muitos outros pontos interessantíssimos.

Numa das referências a São Francisco “escutou a voz de Deus, escutou a voz dos pobres, escutou a voz dos enfermos, escutou a voz da natureza. Transformou tudo isso num estilo de vida.” O Santo Padre sublinha que não devemos perder a capacidade de escuta!

Esta atitude de São Francisco consegue ser simples e complexa, antiga e tão atual, tão evidente, tão necessária no dia de hoje.

Não poderiam muitos males ser resolvidos e/ou minimizados se todos estivéssemos à escuta? Deus deu-nos dois ouvidos, mas insistimos em utilizar demasiado a única boca para debitar ideias e mais ideias. sem agir e sem perceber o que se passa em redor.

Não queremos ouvir para não ver, não sentir as dificuldades do outro. Se não tivermos conhecimento, não temos de fazer nada pelo outro, podemos continuar a nossa vida medíocre!

Parar e ouvir quem nos dirige a palavra é um sinal de respeito, mas mais ainda, quando ouvimos o silêncio e o sofrimento do outro, e da própria natureza. Quantas vezes nem paramos para nos ouvir a nós? Quantas vezes vivemos a correr iludidos num “mundo ideal”, que queremos mostrar aos outros, e não paramos para perceber quem somos, o que estamos aqui a fazer, e ter consciência de nós próprios?

Parar e ouvir! Simples! Mas nós, nem paramos, nem ouvimos. Parecia que estávamos a melhorar o nosso modo de ser com os acontecimentos da pandemia, mas rapidamente voltámos ao que éramos, quando é urgente viver um mundo novo, uma vida nova, e não voltar para o “normal doentio” a que estávamos presos, como diz o nosso Bispo na nova Carta Pastoral, ABRIR E SEMEAR SULCOS DE PAZ E ESPERANÇA.

É urgente viver em comunidade, como uma verdadeira comunidade! Nesse modo de viver, é imperativo saber escutar para poder ser ouvido! É urgente aprender a viver com fraternidade e amizade social, abrindo e semeando sulcos de paz e esperança.

Que possamos, brevemente, colher o fruto da nossa mudança, da nossa escuta.

Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 90/43, n.º 4578, 6 de outubro de 2020

Site da Catequese de Lamego

Use a aplicação do telemóvel para ler o código QR:

Apresentamos o novo site de apoio aos Catequistas da Diocese de Lamego. Se é catequista, por favor, visite e preencha o “Inquérito aos Catequistas”, para nos ajudar a ter um retrato mais real das necessidades dos catequistas da nossa Diocese, neste tempo de novos desafios!

Segue o link: https://catequeselamego.wixsite.com/inicio

Editorial da Voz de Lamego: Todos irmãos

“Fratelli tutti” é a terceira Carta Encíclica do Papa Francisco, assinada em Assis, no passado sábado, e disponibilizada neste domingo, 4 de outubro, dia em que a Igreja recorda a figura de São Francisco de Assis, de quem o Papa escolheu o nome para o seu pontificado e em quem se inspirou para escrever esta encíclica, de cariz social, tal como também se tinha inspirado para escrever a “Laudato Si’”, mais ambientada na ecologia.

Os pobres, os excluídos, as periferias geográficas mas sobretudo existenciais têm merecido uma atenção insistente no seu pontificado. No Conclave, que o elegeu como Papa, o primeiro a abraçá-lo, o Cardeal brasileiro Cláudio Hummes, confidenciou-lhe: não te esqueças dos pobres. Foi este desafio que levou o Papa argentino a escolher o nome de Francisco, sublinhando o despojamento do santo de Assis.

Uma sociedade onde há excluídos, onde há pobres, é uma sociedade desequilibrada, em tensão, com muito combustível para a revolta, para o conflito, para a explosão. O mundo técnico e científico fez avançar a humanidade, facilitando a vida das pessoas e das nações, tornando-nos vizinhos. Porém, como relembrou Bento XVI, (com os meios de comunicação social atuais) somos vizinhos, mas não irmãos. É a fraternidade e amizade (social) que o Papa Francisco pretende com esta encíclica e com todas as intervenções.

O título, como explica o Papa, foi retirado das “Admoestações” de São Francisco de Assis, Palavras “para se dirigir a todos os irmãos e irmãs e lhes propor uma forma de vida com sabor ao Evangelho” (1).

Como pano de fundo imediato, a pandemia do novo coronavírus e consequente Covid-19, que irrompeu de forma inesperada, precisamente quando o Santo Padre estava a escrever esta carta. A emergência sanitária acentuou muitas debilidades da sociedade. “A Covid-19 deixou a descoberto as nossas falsas seguranças. Por cima das várias respostas que deram os diferentes países, ficou evidente a incapacidade de agir em conjunto”.

No dia 27 de março, no momento extraordinário de oração, numa tarde carregada de nuvens, numa praça de São Pedro levemente iluminada e soberbamente deserta, ecoaram, pela rádio, pela televisão e pelas redes sociais, a oração e a palavras do Papa, realçando o facto de estarmos no mesmo barco, como fôramos surpreendidos pela tempestade, numa interpelação renovada a confiar no Senhor, mas igualmente a agir solidariamente, procurando que ninguém ficasse, que ninguém fique, para trás, esquecido, relegado pela origem ou pela condição social.

Passado este tempo, é fácil de ver que nem tudo correu bem, apesar de tantos que se esforçaram, que se esmeraram para cuidar das pessoas e salvar vidas. A fila dos excluídos continua a aumentar, os refugiados continuam a ver adiado o futuro, os países pobres continuam a depender das migalhas que caem da mesa dos ricos e sendo obrigados a seguir as políticas dos dadores.

Em contrapartida “é possível desejar um planeta que garanta terra, teto e trabalho para todos. Este é o verdadeiro caminho da paz, e não a estratégia insensata e míope de semear medo e desconfiança perante ameaças externas”.

A divulgação desta encíclica rapidamente se espalhou por todo o mundo. Cabe-nos agora fazer a sua receção, refletindo, como fazemos já na edição desta semana da Voz de Lamego, procurando torna-la consequente, fazendo com os desafios sejam concretizados e as “admoestações” não fiquem apenas no papel.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/43, n.º 4578, 6 de outubro de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Que a tua vida seja uma mensagem

Desafio proposto, na apresentação do Plano Pastoral Diocesano, no sábado passado, pelo nosso Bispo, D. António Couto, a toda a Diocese de Lamego. Quem teve a oportunidade de acompanhar a sua intervenção, ou quem posteriormente a visualizou, pôde constatar diversos sublinhados feitos pelo nosso Bispo, fazendo-nos ver um pouco do que é a sua Carta Pastoral para este ano de 2020-2021. Ficou-me na retina esta expressão: “A nossa vida tem de ser transformada em mensagem”, em mensagem de esperança. Todos somos mensageiros da esperança.

O lema escolhido para o novo ano pastoral, e que dá título à Carta Pastoral, é: Abrir e semear sulcos de paz e de esperança. Antes dos frutos, a sementeira. E para que as sementes possam “morrer”, caindo à terra, abrem-se os sulcos, para depois os cobrir de terra, protegendo a semente e permitindo-lhe enraizar-se e desabrochar. A sementeira exige trabalho e cansaço e, quantas vezes, suor e lágrimas, um certo grau de receio pelo que sucederá, mas simultaneamente a esperança que, a seu tempo, os frutos possam despontar.

A pandemia surpreendeu-nos a todos. Estamos a aprender a viver com a expansão do novo coronavírus, adaptando-nos, recriando momentos e encontros, salvaguardando, tanto quanto possível, o contágio, salvaguardando a saúde das pessoas. É o tempo de abrir sulcos e semear a paz e a esperança. Têm sido tempos duros e vão continuar a ser, sobretudo para aqueles que antes já viviam em grande dificuldade. Estamos no mesmo barco. Dependemos uns dos outros. Estamos comprometidos com todos. Como tem reforçado o Papa, nas suas intervenções, não esqueçamos os mais desfavorecidos, não os deixemos para trás. É tempo dos governos passarem das palavras e das promessas a atos concretos, na opção por minorar a pobreza, promovendo a inclusão, aplanando a desigualdade social. Para tal, é necessário, por exemplo, na questão da produção de uma vacina anti-covid, começar pelos mais pobres, pessoas e países.

Serve de referência à esperança, na adversidade, neste contexto pandémico, um belíssimo texto de Jeremias: “Que cesse o teu pranto, e cessem também as lágrimas dos teus olhos, pois há consolação para a tua dor: os teus filhos regressam do país do inimigo. Eis que os faço vir do país da meia-noite, reúno-os dos confins da terra, o cego e o aleijado, a mulher grávida e a que dá à luz, todos juntos, uma grande multidão que regressa. Regressam com as suas lágrimas, com os seus lamentos. Conduzi-los-ei às torrentes de água, por um caminho reto sem qualquer obstáculo…”» (Jr 31,15-16.8-9).

Regressam os teus filhos. Com lágrimas, mas regressam. Esperança. A aurora há de vir. Estamos para cá da meia-noite. Já estamos do lado de cá. Somos habitantes de uma esperança grande. Somos todos mensageiros da esperança. Transformemos as nossas vidas em mensagens. Façamos vincos, depois de escrevermos alguma coisa na folha em branco. Vincos porque escrevemos alguma coisa, vinco para enviar a outros a mensagem de esperança. Semeemos sulcos de paz e de esperança.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/42, n.º 4577, 29 de setembro de 2020