Grande entrevista Voz de Lamego com Manuel Joaquim Porfírio

Lurdes e Manuel Joaquim Porfírio começaram, em 1982, com um pequeno estabelecimento de venda e transformação de carnes. Nessa altura, apenas produziam salpicão, moira, chouriça e presunto, produtos que, ainda hoje, continuam a ser de referência, e os preferidos dos consumidores, fruto da sua consolidada e reconhecida qualidade. Esta notoriedade foi alcançada através da total dedicação, e elevada experiência, em todos estes anos de trabalho

O Voz de Lamego foi até Lalim para conhecer um pouco da história de sucesso dos proprietários e fundadores da Fumeiros Porfírios, Lda., Lurdes e Manuel Porfírio. A entrevista realizada a Manuel Porfírio permiti-nos conhecer a história das suas vidas e que levou ao sucesso que conhecemos hoje.

“Desde cedo que trabalhei com carnes. O meu pai trabalhava na mesma área, ou seja, o bichinho passou para mim também, o que fez com que em 1978, com 18 anos, começasse a trabalhar por conta própria.”

O primeiro talho foi licenciado já a trabalhar por conta própria contando sempre com o apoio da família que, para o empreendedor, é a base de tudo.

“Em 1982 casei-me. Foi esta união que me levou ao sucesso que tenho hoje. A minha esposa ao terceiro dia depois do casamento já fazia fumeiro, ela dedicou-se completamente a este negócio.

Em 1983, comecei a comercializar para o Pão de Açúcar, em Alcântara, no entanto tive de deixar de o fazer porque ainda não havia licenciamento para tal”.

Os proprietários sempre tiveram espírito de trabalho e de inovação o que o faz ter o sucesso que tem hoje.  Ao lado de um grande homem, caminha sempre uma grande mulher, por isso a sua postura resiliente é um dos pilares dos Fumeiros Porfírios.

Com o aumento da procura fez com que a produção feita num pequeno estabelecimento, em Lalim e registado como “casa Rita”, que advém do pai de Manuel Porfírio, Joaquim da Rita, deixasse de satisfazer os pedidos dos clientes. Como resultado, em 1988 a empresa mudou-se para instalações industriais de maior dimensão, em Mondim.

Com esta mudança, que permitiu o aumento da produção, a 6 de janeiro de 1993 surgiu a empresa como a conhecemos hoje, Fumeiros Porfírios, Lda. Este novo espaço tinha como finalidade a produção e comercialização para o Pão de Açúcar.

Em 1995 inauguraram uma nova unidade fabril em Lalim que permitiu o fornecimento de grandes superfícies, onde o Pingo Doce e Makro desempenharam um papel importante.

Conta o empresário em tom de comédia e orgulhoso – “Ofereci salpicões para a inauguração das 20 lojas Pingo Doce e assim começou uma boa relação de negócios”.

“Chegámos a pensar que era demais e perguntava-me do porquê de uma fábrica tão grande”, admite o Sr. Porfírio.

A atitude que trabalha o sucesso continuava e, passados dois anos, a fábrica já era pequena e a produção estava constantemente a esgotar.

A fábrica em questão, “fábrica antiga” como carinhosamente a denomina, no início tinha autorização para transformar 80 porcos por semana e, nesses dois anos, o público já pedia mais do que isso.

O aparecimento da Makro como cliente foi uma vantagem muito grande para o desenvolvimento do negócio.

“Quando a Macro se implementou em Portugal, nós não fomos contactados pela Macro. Foi o Dr. Mário Rui, um elemento da empresa, que me contactou. veio a Lamego, pedindo para eu me reunir com ele. Passado um mês estávamos a fornecer esta empresa como ainda hoje o fazemos”.

Manuel Joaquim conta-nos ainda que a parceria com o Pingo Doce os levou a outros patamares, descrevendo o início deste negócio com o “trampolim” da empresa.

“O início de um sucesso maior foi, em todos os sentidos, o contacto com a rede de supermercados Pingo Doce. A exigência deles obrigou-me a modernizar, ainda que tenha continuado com o produto tradicional. Outras exigências têm a ver com a higiene e segurança alimentar, muito mais prementes. Temos auditorias todos os anos, mais do que uma, se for necessário. As exigências ajudam a melhorar a qualidade, permitindo que os nossos produtos chegassem mais longe.

Se não fosse o Pingo Doce, se não fossem as grandes superfícies, hoje não estaríamos no patamar que estamos. A exigência deles ajudou-nos bastante, permitiu-nos desenvolver a empresa, aumentando a rapidez na entrega do produto e a segurança alimentar”.

Para conseguirem responder a estas novas exigências, procederam, em 2009, ao aumento das instalações.

Apesar de todo o sucesso da Fumeiros Porfírios, Lda, Manuel Joaquim, não esquece a região e os estabelecimentos menores. O mercado tradicional representa agora 70% dos negócios da empresa e são de extrema importância para o sucesso da empresa.

A empresa conta já com três talhos, o primeiro foi em Lalim, a menina dos olhos de Manuel, o segundo em Tarouca e o terceiro em Lamego. O empresário não pára e conta já com um minimercado no mesmo espaço do talho sediado em Lamego e o de Tarouca está para breve, adianta.

Quando questionado sobre uma história que o tenha marcado durante toda esta jornada, Manuel Joaquim partilhou com a Voz de Lamego uma das curiosidades do início da empresa, quando a marca ainda não era reconhecida.

 “No início parei muitas vezes a chorar, sozinho. Eu oferecia os meus produtos para começarem a serem comercializados e ouvi muitas vezes que não o iriam comercializar porque era uma marca que ninguém conhecia e que não iriam lucrar com isso. Hoje, muitos deles são nossos clientes. Passados dez anos, foram eles a contactar-nos e a pedir para comercializar o nosso produto. Mas no início, o que mais me magoou foi ouvir um não através daquelas palavras”. Mas nem todas as lágrimas, nem todas rejeições levaram os empresários a desistir. Lutaram sempre e conseguiram chegar onde ninguém imaginava.

Este não foi o único relato acerca do início difícil. Manuel e Lurdes investiram cinco mil contos (vinte e cinco mil euros) e, passado um ano, garante que deviam o dobro ao banco, mas passados quatro anos já estavam a iniciar as obras do primeiro talho. “Eu perdi aqui cinco mil contos, e eles estão cá. Foi aqui que os perdi e é aqui que os vou encontrar”.

Apesar de todo o sucesso e das dificuldades superadas o proprietário admite ter ainda alguns objetivos e ambições. De todo o material que produz afirma ter um favorito, o presunto e é com essa peça que quer chegar a novas marcas.

A qualidade leva tempo.
Acreditamos no que é bom. No que se fazia antigamente, sem cópias. Apurámos esta arte até aos dias de hoje e levámos até à sua mesa o sabor intenso da charcutaria fumada, perfeita para juntar amigos e família. As nossas carnes são trabalhadas à mão, uma a uma. Para todos e para cada um. São criteriosamente escolhidas e envolvidas em temperos tradicionais para ganharem forma e serem dadas ao tempo. Sem pressas.

O novo projeto já está para ser iniciado, apesar de já ter sofrido inúmeras obras, vão agora dar início a mais uma etapa de obras na “fábrica velha” e, dentro de um ano conta em ter um aumento de mais de 30/40% no fabrico do presunto. Atualmente, os Fumeiros Porfírios produzem cerca de 35 mil presuntos anualmente e a ambição é chegar às 50 mil unidades em 2022.

Além de conhecer bem a palavra sucesso, no mundo empresarial, também conhece a palavra sucesso relativamente ao ambiente familiar, sucesso que afirma ser fulcral para que tudo esteja bem e continue a crescer como empresa.

“Para ser um negócio de sucesso, primeiro tem de haver seriedade, transparência e a vontade trabalhar, esse é o ponto número um para trabalharem connosco, tanto fornecedores como clientes. Esta empresa andou dez ou quinze anos a evoluir muito lentamente. Tenho quatro filhos e eu queria formar os meus quatro filhos porque sabia que seriam uma mais valia para nós. Felizmente isso aconteceu.

Eu e a minha esposa nunca parámos, gastámos muitas horas, muito tempo delicado à família. Todas as semanas havia a rotina de ir levar os filhos ao Porto, Viseu e Coimbra e às sextas-feiras a fazer o mesmo trajeto na recolha.

Sabia que se eles, os meus filhos quisessem, com eles esta empresa teria um arranque mais forte.

Esta fábrica nova que já está a trabalhar a 100% ficou em quase 4 milhões de euros e só nasceu porque os nossos filhos estão cá e são eles que são uma mais valia agora”.

Além do ambiente familiar e de entreajuda que Manuel Joaquim adota no dia-a-dia com os seus colaborados também acaba por ajudar os seus conterrâneos a ter um “ganha-pão”.

O proprietário possui vários hectares com o fim de criar gado, mas devido à imensa procura do mercado, acaba por ter vários fornecedores portugueses e para alguns produtos, fornecedores residentes na terra ou terras vizinhas.

“Claro que o produto não vem logo com o máximo de qualidade. No início acabei por não usar o produto, no entanto, fui aconselhando os criadores, para uma produção de qualidade e em quantidade. Todos eles têm as melhores das intenções e isso é percetível. São uma peça bastante importante para os Fumeiros Porfírios. Havia pessoas que já não criavam gado há muitos anos e agora são meus fornecedores assíduos e tenho o compromisso de lhes comprar o gado todo”.

Mais do que uma grande empresa, estamos a falar de pessoas muito humanas. Cada vez que a empresa cresce, tenta envolver nesse sucesso todos os seus colaboradores.

Ao longo deste percurso, os empresários conseguiram ultrapassar os diferentes obstáculos e, em 2018, inauguraram mais uma nova e moderna fábrica. Esperam assim, chegar a novos horizontes e atingir novos objetivos, quiçá criar novas oportunidades.

A nossa promessa:
a Fumeiros Porfírios tem como visão o respeito pelas origens, o orgulho na tradição transmontana e a promessa de proteger um saber artesanal que está na origem de carnes fumadas com características singulares.

Lurdes e Manuel Joaquim Porfírio começaram, em 1982, com um pequeno estabelecimento de venda e transformação de carnes. Nessa altura, apenas produziam salpicão, moira, chouriça e presunto, produtos que, ainda hoje, continuam a ser de referência, e os preferidos dos consumidores, fruto da sua consolidada e reconhecida qualidade. Esta notoriedade foi alcançada através da total dedicação, e elevada experiência, em todos estes anos de trabalho.

in Voz de Lamego, ano 91/42, n.º 4624, 15 de setembro de 2021

Editorial Voz de Lamego: rumo a um nós cada vez maior

Este é o lema escolhido pelo Papa Francisco para o 107.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que se comemora no próximo Domingo, 26 de setembro. Logo a abrir o santo Padre retoma as palavras da carta encíclica Fratelli tutti (todos irmãos): «Passada a crise sanitária, a pior reação seria cair ainda mais num consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. No fim, oxalá já não existam “os outros”, mas apenas um “nós”» (n. 35). Daí a escolha do tema: «Rumo a um nós cada vez maior», indicando claramente um horizonte para o nosso caminho comum neste mundo.

Os últimos países visitados pelo Papa, Hungria e Eslováquia, foram mais uma oportunidade, nas intervenções e nos gestos, para sublinhar a importância de acolher os outros, no diálogo ecuménico e inter-religioso, na criação de espaço físico e afetivo para receber migrantes e refugiados. A Hungria, na verdade, é um dos países que não recebe refugiados, numa política de fechamento. Na homilia da Eucaristia de encerramento do Congresso Eucarístico Internacional, o Papa sublinhou, sem reticências: “Deixemos que Jesus, Pão vivo, cure os nossos fechamentos e nos abra à partilha: nos cure da nossa rigidez e de nos fecharmos em nós mesmos, nos livre da escravidão paralisante da defesa da nossa imagem e nos inspire a segui-l’O para onde Ele nos quer conduzir. E não para onde quero eu”.

A mudança de regime no Afeganistão provocou nova onda de refugiados. Muitos foram os que abandonaram o país com medo de ser amordaçados, presos, mortos. Uns por motivos políticos, outros por terem colaborado com o anterior governo e/ou com as forças internacionais, além das mulheres que estudaram e entraram no mercado de trabalho. Nesta semana, Portugal acolheu mais oitenta afegãos, na maioria atletas da equipa de futebol feminino e seus familiares, perfazendo cento e setenta oito refugiados afegãos em território nacional.

A Bíblia está preenchida de saídas, fugas, refúgio, expulsão e perseguição. O segundo livro da Bíblia tem precisamente o título de “Êxodo”, saída, narrando a opressão que os judeus sofreram no Egito, para onde emigraram à procura de melhores condições de vida, ao tempo do patriarca José. Este episódio é narrado no livro que abre a Bíblia, Génesis, e que coloca também em evidência a itinerância de Abraão que, chamado por Deus, sai da sua terra e fixa em Canaã.

Com efeito, o Povo da Aliança tornou-se emigrante no Egito. Moisés liderará o êxodo, a libertação da escravidão para a terra da promessa. Séculos mais tarde, o povo será forçado a sair do seu território num exílio que constituiu uma enorme provação à fé e à identidade nacional.

No próximo Domingo, o Evangelho faz-nos questionar a nossa pertença e o grau de abertura aos outros. Os apóstolos encontram um homem a expulsar demónios em nome de Jesus e procuram impedi-lo porque não fazia parte do grupo. A resposta de Jesus é clarificadora: “Não o proibais… Quem não é contra nós é por nós” (Mc 9, 38-48). Os apóstolos querem tomar posse do nome de Jesus e fechar o círculo, para que ninguém entre! Jesus tem ideias diferentes: para fazer o bem não é preciso um rótulo. O Espírito de Deus sopra onde quer.

Diz-nos o Santo Padre: “Na realidade, estamos todos no mesmo barco e somos chamados a empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira. Por isso aproveito a ocasião deste Dia Mundial para lançar um duplo apelo a caminharmos juntos rumo a um nós cada vez maior, dirigindo-me em primeiro lugar aos fiéis católicos e depois a todos os homens e mulheres da terra”.

No mesmo barco, mas infelizmente o número de excluídos continua a aumentar. Veja-se a questão da vacinação nos países desenvolvimentos e países terceiro-mundistas!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/43, n.º 4625, 22 de setembro de 2021

Rumo a um NÓS cada vez maior

Editorial: Antes de Jerusalém, encontrar-nos-emos no Egito

Ponhamo-nos a caminho!

Se ainda estivermos na praça pública, ociosos, a ver o comboio passar e o Sol a levantar-Se, ergamo-nos, prontos para sair, para ir, para partir, já se vislumbra a cidade, já floresce a amendoeira, é tempo de esperança, o inverno já não apagará a nossa a chama, o fogo que nos arde no peito. Ergamo-nos, a salvação está a chegar, o dia a despontar, e a paz, finalmente pode voltar a desassossegar o meu e o teu coração! Esta paz que nem sempre o mundo nos dá, mas sempre Jesus nos traz e que nos queima a alma, nos inquieta o coração, nos faz ver que o outro está à espera, à espera que lhe levemos um pouco de calor, de sol e de amor.

Parece que vivemos embotados na neblina que não deixa o Sol surgir, pela madrugada, ou faz com que os dias anoiteçam muito mais cedo! Não é, ainda, novembro, mas quantos de nós sentirão os dias cada vez mais pequenos e as noites cada vez mais tenebrosas. A cada boa notícia, surge uma dúzia de más notícias, que geram dúvida, receio, recuo!

Chegaremos a Jerusalém, mas temos um longo caminho a percorrer, um caminho que é do tamanho da nossa vida, da nossa história, do tempo que Deus nos dá. Estamos a viver o Ano de São José! Se calhar, já nem nos lembrávamos! São José, o Pai de Jesus, Aquele que custodia a vida de Maria e de Jesus. Cuida, proporciona casa, tona-se suporte para a Mãe e para o Filho, em Belém e em Nazaré, no Egito e nas ruas de Jerusalém. Quarenta dias depois do nascimento, José leva Jesus e Maria ao Templo. O Menino é apresentado ao Senhor Deus, colocado sob a Sua proteção. Maria completa os dias de Purificação. Pode, doravante, participar novamente eventos públicos e religiosos.

Não muito tempo depois, José faz como o seu antepassado, o Patriarca José, Filho de Jacob. As semelhanças são curiosas, até no nome dos respetivos pais: Jacob. O primeiro José foi vendido como escravo. Com o passar dos anos, será ele a garantir a salvação do seu povo que recorre ao Egito em tempo de fome. Mais tarde, o povo tornar-se-á escravo e Moisés conduzi-lo-á, em nome de Deus, de regresso à terra prometida (onde corre leite e mel).

Perante a ameaça que recai sobre o Menino Jesus, a Sagrada Família põe-se em fuga, em direção ao Egito, onde ficará até que Deus lhe dê sinais de que é seguro regressar a Belém. Entre os sinais que Deus dá e e interpretação (prática) de José, fixam-se em Nazaré. O Egito serve os tempos conturbados, de emigração e refúgio. Um pouco a época atual. Porém, a nossa pátria não é aqui. E o facto de sabermos que Jerusalém nos espera, faz com que não desanimemos, mas também que não nos prendamos em demasia. Jerusalém está-nos na retina! E no coração. Muitas vezes teremos que descer ao Egito, mas sempre que isso acontecer, Deus acompanha-nos, vela para que não nos percamos e não nos falte a luz e a esperança para regressarmos.

«Enquanto o país não descontou os seus sábados, esteve num sábado contínuo, durante todo o tempo da sua desolação, até que se completaram setenta anos» (2 Cr 36,14-16). É uma página da Sagrada Escritura que faz uma leitura religiosa da adversidade, não já em jeito de lamento, mas de esperança e gratidão por saber que, em todo o tempo, Deus não afastou o Seu favor.

Quando São José desceu ao Egito e lá permaneceu, viveu na fidelidade ao que Deus lhe revelou em sonhos, partiu apressadamente, sabendo que regressaria. Mas não partiu sozinho! Levou a família, deixou-se guiar por Deus.

Façamos o mesmo, a caminho do Egito, na estadia e no regresso à cidade de David, permaneçamos unidos, e não deixemos que nos roubem a esperança que nos vem de Deus.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/42, n.º 4624, 15 de setembro de 2021

Editorial Voz de Lamego: aos pés de Nossa Senhora

@Hermínio Lopes / @ Voz de Lamego

A edição desta semana do nosso jornal diocesano assinala-se pela Festa e Romaria de Nossa Senhora dos Remédios, fixada na Natividade de Maria.

O nascimento de um bebé, na cultura semita como em muitas outras culturas, é uma bênção para a família, antes de mais, e para a povoação. Se atendermos aos Censos 2021 e para a percentagem de natalidade talvez percebamos o quanto estamos a precisar que esta aumente exponencialmente, pelo menos na Europa, muito em Portugal e, por maioria de razão, no interior Norte. A diocese de Lamego, e as 223 paróquias que a constituem, tem vindo a juntar ao envelhecimento populacional a desertificação, além da emigração que continua também em alta. A diminuição de pessoas na maioria das paróquias levava-nos a pensar que saíam das aldeias para as vilas e cidades, mas nos últimos anos também as sedes dos concelhos têm vindo a perder residentes.

A comemoração litúrgica dos santos está fixada, habitualmente, no dia da morte, o “dies natalis”, nascimento para a eternidade. Mas como os dias do ano se vão preenchendo, alguns têm o dia da comemoração nos dias próximos ao da morte ou a assinalar algum momento importante das suas vidas, a conversão ou o início de uma missão. Alguns santos Papas são comemorados no dia em que iniciaram o pontificado. De Jesus e de Nossa Senhora assinalam-se diversas solenidades, festas, comemorações, mais universais ou mais nacionais, mais regionais ou mais locais. De referir que também de São João Batista se celebra o nascimento (24 de junho) e o martírio (29 de agosto).

A maioria das pessoas comemora o aniversário natalício, mas também outras datas festivas. O Papa Francisco tem insistido para que se comemore o Batismo, dia em que nos tornamos novas criaturas pela água e pelo Espírito.

O aniversário é um instante, mas pode ser oportunidade para agradecer a vida, para refletir sobre o caminho percorrido, para avaliar a direção em que se vive. No caso dos santos, é uma belíssima ocasião para confrontarmos a vivência da nossa fé e a nossa configuração a Jesus Cristo. Os santos, amigos de Jesus, fazem-nos sentir mais próximos d’Ele e deixam ver que é possível viver a fé em situações díspares e em circunstâncias diversas. O padroeiro/patrono de uma paróquia, de uma Igreja ou de uma profissão, de uma aldeia, de uma cidade ou de um país obriga-nos, no mínimo, a pensar as razões para ter sido escolhido um e não outro. Na dinâmica cristã, não apenas a raiz história e a tradição, mas aquilo que, hoje, aqui e agora, nos diz esta festa, este santo. Vejamos então o convite que nos faz Maria na celebração do Seu nascimento e na evocação de Senhora dos Remédios.

O Santuário de Nossa Senhora está situado sobre a cidade de Lamego, no monte de Santo Estêvão, com um escadório que nos traz ao chão (propriamente dito) da cidade ou desta nos faz subir, degrau a degrau, até ao cimo, ao lugar em que se venera a Mãe de Deus e nossa Mãe, para Lhe pedirmos auxílio e proteção, para que seja remédio para os nossos achaques, sejam eles corporais ou espirituais.

Desde o início do cristianismo que os discípulos de Jesus, os cristãos, souberam acolher Maria de uma forma muito carinhosa, pois é esse também o mandato de Jesus: eis aí a Tua Mãe… A partir daquela hora, o discípulo recebeu-A em sua casa. Cada discípulo. Levamo-l’A para a nossa casa, para a nossa vida, colocamo-nos, como a cidade de Lamego diante do Santuário, aos Seus pés, para escutar a Sua oração, para rezarmos com Ela, para nos deixarmos contagiar por Ela, a cheia de Graça, para com Ela aprendermos a gerar Jesus, a amar e anunciar o filho de Deus ao mundo inteiro, comunicando alegria e apressando-nos a levá-l’O a todos, pela voz e pela vida.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/41, n.º 4623, 8 de setembro de 2021

Editorial: Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo

“Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1, 38). Em resposta ao chamamento divino, Maria apresenta-se pronta a servir, a esvaziar-se de si para se encher de Deus.

Ninguém é neutro ou imparcial. Na linguagem, na biologia, na psicologia, há tendência de excluir palavras que signifiquem opção, escolha, diferença, optando pelo neutro, pelo insosso, pelo indiferente e indistinto, colocando tudo no mesmo patamar, tudo relativizando. O curioso é que esta pretensa neutralidade irrompe (sobretudo) de grupos, movimentos, associações ideologicamente extremistas, excludentes de outras opiniões, à procura de provocar ruturas. A tolerância não tem a ver com indiferença, mas com aceitação do outro e de respeito pelas suas convicções.

Um dia destes ouviremos alguém a dizer que “de passagem” ouviu estas palavras de Maria e a Sua escolha e dirá que não se compreende como ainda são proclamadas na Eucaristia!

“As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor… como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos”.

No 21.º Domingo do Tempo Comum (ano B), escutámos um texto da missiva de São Paulo aos Efésios (5, 21-32). Não damos a mesma atenção a todas as leituras, até porque já as conhecemos! A Palavra de Deus deve ser escutada e não apenas ouvida. Daí a recomendação, sempre urgente, da formação cristã. Por outro lado, o desafio a que as leituras de Domingo se leiam previamente, durante a semana, e algum comentário que ajude a perceber o contexto e ajude a visualizar melhor a forma de viver a Palavra de Deus na atualidade.

Este pedaço de texto foi partilhado e comentado como escandaloso, advogando a distração dos cristãos ou a suposta perpetuação da discriminação das mulheres em relação aos maridos. Atente-se: a leitura começava assim: “Irmãos: Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo”. É uma mensagem firme e inequívoca que a todos implica, o cristão não pode senão amar ao jeito de Jesus. O apóstolo volta-se então para as esposas. Obviamente que o texto tem o seu contexto e o autor sagrado, ainda que inspirado por Deus, inserido na comunidade crente que reflete, acolhe e amadurece a Palavra transmitida e colocada por escrito, não é um robot que reproduz um ditado, mas um ser humano com um vocabulário específico e sujeito às coordenadas culturais e religiosas. Os textos de Paulo não são iguais aos de Pedro ou de Tiago.

A leitura continua. “Maridos: amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela”. Há uma ligação, um mistério, que une Cristo e a Igreja! A Igreja vive, serve e testemunha Jesus Cristo que, primeiramente, amou e Se entregou por ela.

O essencial é amar ao jeito do Mestre gastando a própria vida a favor dos demais. Cristo amou e entregou-Se pela Igreja. É o modelo do amor para os casais, mas igualmente para toda a Igreja, para cada batizado. Submetei-vos uns aos outros, colocai o outro em primeiro lugar, servi-o e amai-o, em Cristo, que veio, não para ser servido, mas para servir e dar a vida por nós. A “submissão” entende-se, habitualmente, como subjugação ao outro, situação de dependência e de escravidão, e até de humilhação desumana. Na lógica do Evangelho, contudo, prevalece a submissão por amor, voluntária, como escolha. A Vida, diz Jesus, ninguém ma tira, Sou Eu que a ofereço. Ele que era de condição divina, não se valeu da Sua igualdade com Deus, mas humilhou-Se a Si mesmo e tornou-Se obediente até à morte. Não há maior submissão do que esta. Sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza, despojado de todo o poder e majestade, revestido somente de amor, de compaixão e de ternura.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/40, n.º 4622, 1 de setembro de 2021

Editorial Voz de Lamego: Atrás de quem corremos?

Num dos últimos números da revista “Audácia” encontrei uma história narrada pelos Padres do Deserto e ponto de partida para Susana Vilas Boas falar de discernimento vocacional.

Comecemos pela história:

“Um homem passeia-se com o jovem filho levando o seu cão de caça. A um dado momento, o cão avista um coelho branco no meio do bosque. Como está treinado – e é impulso natural dos cães – o cão começa a correr atrás do coelho, enquanto ladra freneticamente para dar o alerta da sua perseguição. No mesmo bosque – e vindos da mesma aldeia – outros cães, ao ouvirem o primeiro ladrar, começam a ladrar e a correr como ele. Após alguns minutos de corrida, desencorajados e cansados, os cães vão abandonando a perseguição e só o primeiro permanece atrás do coelho até o conseguir apanhar. Chegados a este ponto, o jovem rapaz – não habituado às andanças da caça – pergunta ao pai: «Paizinho, porque é que todos abandonaram a perseguição menos o nosso cão?» O pai respondeu-lhe: «Ora aqui está uma grande lição de vida: os outros cães corriam e ladravam por verem outros cães a correr e a ladrar. Com o nosso cão era diferente. Ele sabia a razão pela qual estava a correr e a ladrar – ele viu o coelho! Na nossa vida acontece o mesmo, se corremos por ver correr, a nenhum lado chegamos. Mas, se “virmos o coelho” e pusermos pés ao caminho, será duro, mas nada nos fará desistir sem alcançar os nossos objetivos».

Como cristãos, tem-no-lo dito o Papa Francisco recorrentemente, não podemos ser cópias, que vão atrás das últimas modas, seguem os “influencers” das redes sociais, vivendo uma vida maquilhada de rótulos, maiorias, opinião geral, que não nos realiza e em que nada nos diferencia dos demais. “Maria vai com as outras!” O cristão tem de ser original. Esta originalidade remete-nos, em primeiro lugar, à origem, a Deus, a Jesus Cristo. Como seres humanos somos também seres miméticos; desde crianças aprendemos a imitar, crescemos e amadurecemos olhando, vendo e depois fazendo. Mesmo que quiséssemos, não nos criamos / não nos inventamos a nós mesmos. E não somos ilhas isoladas! Rodeados de familiares, amigos e colegas crescemos conjuntamente, testamos os limites e as fronteiras. A educação também passa por aqui, por apresentar referências, balizas, orientação, valores! A criança não é um baldio que se deixe ao deus-dará, mas dão-se-lhe as ferramentas para discernir, para saber o que é bem e mal, responsabilizando-a progressivamente pelas suas ações, mas não a substituindo. Tarefa difícil, mas nobre.

Desafia-nos São Paulo: sede meus imitadores como eu sou imitador de Cristo. O paradigma continua a ser Jesus Cristo, mas pessoas próximas e concretas podem ajudar-nos a perceber o que nos sintoniza da nossa origem e o que desvirtua a nossa identidade cristã.

Uns séculos depois, São Paulo VI dir-nos-á: «O homem contemporâneo escuta com maior boa vontade as testemunhas do que os mestres ou se escuta os mestres é porque são testemunhas» (EN 19), desafiando-nos a viver de tal forma que os outros possam ver em nós o Evangelho de Jesus, não apenas pelo que dizemos, mas sobretudo, e antes de mais, pelo que somos, pelo que fazemos.

A cada momento teremos que discernir as nossas escolhas e caminhos. Cabe-nos verificar se estamos a “correr” por Cristo ou àqueles que nos rodeiam. É uma tarefa essencial, pois só a intimidade com Cristo nos faz prevalecer na fé e persistir na configuração ao Seu Evangelho, encarnado no tempo e na história, experimentado em Igreja. Chegámos a Jesus através da família, da Igreja, no ambiente em que nascemos e crescemos, mas só o encontro pessoal com Ele nos motiva a permanecer e a inundarmos a nossa vida com a Sua ternura.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/39, n.º 4621, 25 de agosto de 2021

Entrevista com o Pároco de Penude, Pe. Adriano Cardoso

A Voz de Lamego foi até Penude para conhecer o projeto presidido pelo Padre Adriano, como pároco, à frente de uma das paróquias maiores da diocese, de um centro social paroquial que começou a funcionar há 10 anos (27 de julho de 2011), e a criação de uma vacaria. O Padre Adriano Cardoso contou-nos como tudo surgiu e a importância que dá à comunidade; cada passo dado é a pensar na mesma.

O que o levou a seguir a vocação?

O ambiente familiar, a forma como fui educado levou a que seguisse a vocação de padre. Comecei com uma longa etapa em Castro Daire com uma grande equipa, um projeto que me acrescentou muito, mas, ao fim de 25 anos, optei por mudar de paróquia, procurando novos desafios.

Penude era uma terra que tinha uma certa sedução, e recuando a 1996, tinha muita população e bons padres. Um grande padre que a população não esquece é o Sr. Padre Borges, depois disso, de 1978 até 1996, esteve cá o Sr. Padre Germano, um padre mais doce, mais suave. A minha vontade de me mudar para Penude surgiu muito pela ideia que tinha da terra, uma paróquia com fortes raízes religiosas, com uma prática cristã acentuada. Quando aqui cheguei o objetivo era inovar mentalidades, transformar e mexer com a comunidade.

Passados 25 anos, nota-se essa diferença?

Acho que sim, no entanto não consegui alcançar todos os objetivos que queria. A emigração aumentou bastante, os jovens, a maioria do sexo masculino, opta muito por sair do país e, mais recentemente, também os do sexo feminino, diminuindo assim a população residente.

De que modo a pandemia condicionou a paróquia de Penude?

A visão que temos da paróquia não é necessariamente a mesma. A dispensa da missa dominical é um dos exemplos. Com estas dificuldades também conseguimos tirar coisas boas como a notoriedade da fidelidade de muitos. Temos vindo a assistir a grandes mudanças, as paróquias estão totalmente diferentes na relação com a religião e com o padre.

Para lidar com as pessoas temos de respeitar o espaço de cada um, a liberdade, a construção, a opinião e a participação. Embora, hoje, se fale muito da igreja com uma base de construção laical, como esperamos todos, acho que ainda estamos longe porque, de algum modo, as pessoas ainda não falam com o à vontade que deviam nas reuniões para casamentos e batizados.

Tem vindo a notar, de certa forma, um afastamento da comunidade?

Eu acho que não, a aderência é praticamente a mesma, no entanto estes dois anos serviram para manifestar a autenticidade de muita outra gente que vai ultrapassando tudo, não abdicando da prática religiosa.

Uma novidade importante disto tudo é que as pessoas passaram de uma prática religiosa por legalismo, por obrigação, para a prática religiosa brotar como uma necessidade interior.

Há 25 anos, quando chegou a Penude, a prática religiosa passava de geração em geração, os avós passavam aos pais e netos e os pais faziam questão de manter esses costumes no seio familiar. Sentem que isso, hoje, ainda acontece?

Os avós, sem dúvida. Agora, a faixa etária dos pais, é a que mais emigra e dos mais novos, poucos são os que vão ficar cá na terra. O aspeto religioso tem de ter uma fibra interior, há uma volta que tem de se dar.

Estamos a chegar a uma atitude de maior verdade daquilo que somos. A religião já não é tão passada por gerações, vem do interior de cada um.

Temos de acreditar na verdade da igreja e Jesus Cristo. A felicidade das pessoas está, antes de mais nada, no conseguirem ser aquilo que desejam interiormente e não propriamente em ser a capa social e obrigatoriedade, há outro espaço de realização e identificação.

Tem outras ocupações para além da igreja?

Já tive, já fui professor. Procurei sempre ter uma autonomia de vida em relação à comunidade, isto é, ter sempre uma profissão de onde vem a estabilidade do meu viver, do meu presente e também garantir o futuro com a minha reforma. Vivi sempre de uma profissão paralela.

Como surgiu a ideia da vacaria? Que contratempos e vantagens dá à comunidade?

Candidatámo-nos a um programa a nível nacional. Este projeto tinha um valor de um milhão e quinhentos mil euros, mas só nos financiavam seiscentos e cinquenta mil. Para conseguir seguir com o projeto tínhamos de arranjar forma de arrecadar o resto do dinheiro.

Os proprietários destes terrenos, terrenos baldios, tinham acabado de fazer um contrato com as eólicas, contrato de aluguer destes mesmos terrenos em que, durante trinta anos, iriam receber umas rendas que corresponderiam a, mais ou menos, um milhão e duzentos mil euros.

Com isto, eu reuni a comunidade, apresentei a proposta aos donos dos terrenos, apresentei o projeto, ao que, a comunidade votou favoravelmente. Assim nasceu este projeto em prol da comunidade.

O objetivo aqui é também retribuir à comunidade o seu gesto, fazendo com que os baldios de Penude ganhem dinâmica e também dar dinheiro, trabalho, desenvolvimento e também limpeza.

Havia a opção de reflorestação e da criação de gado. A reflorestação iria acrescentar pouco a Penude, ao longo de trinta anos não iria acrescentar nada à comunidade, correndo ainda o risco de os incêndios acabarem com todo o projeto e, no caso de correr bem, quem beneficiaria com isso seria o estado. Aqui o objetivo é o bem-estar da comunidade.

Este gado, é gado arouquês. No passado, em Penude, haviam mil ou mais vacas, cada família tinha três ou quatro. Volto a referir, isto é tudo pela comunidade.

Já gastámos mais de um milhão de euros no projeto, estamos ainda a pagar três ordenados anuais, o que resulta em despesas na ordem dos sessenta mil. Com a alimentação do gado e as restantes contas, resulta numa despesa de cento e vinte anuais e nós, por enquanto não atingimos esse valor em receitas.

Tudo começou com quarenta vacas e todos os machos são vendidos, isto quer dizer que, há um crescimento lento, todos os anos aumentamos o número de vacas em vinte ou trinta. Este ano já temos cento e vinte vacas, daqui a dois anos já teremos, eventualmente, cento e cinquenta. Temos licença parta ter duzentas e três, assim que atingirmos esse número, se ainda for eu a presidir o projeto, vou tentar ir para as quatrocentas.

Tudo isto é um processo, com cento e cinquenta vacas vamos conseguir cobrir os gatos anuais e, depois, com o aumentar do número de gado, vamos fazer deste projeto, um projeto rentável.

in Voz de Lamego, ano 91/38, n.º 4620, 4 de agosto de 2021

Entrevista com o Dr. Miguel Mota, Presidente da ESTGL

Dr. Miguel Mota, presidente da ESTGL, o polo académico de Lamego, conta-nos, um pouco mais sobre o polo universitário. Politécnico, situado bem no centro de Lamego, todos os anos traz novas caras à cidade, caras que, acabam esta fase do seu percurso académico com uma costela lamecense.

No final de mais um ano letivo é hora de analisar o que correu bem e ver o que se pode melhorar, sempre a pensar no melhor para os alunos. Em setembro começa mais um ano, 2021/2022 e o Dr. Miguel Mota conta-nos um pouco de tudo.

1 – Como começou esta caminhada e o que o levou a estar aqui, como presidente da ESTGL?

Foi no ano de 2008 que, como Professor Assistente Convidado, comecei a lecionar unidades curriculares na área de Matemática na ESTGL.

Encarei, à data, essa oportunidade como mais uma experiência profissional que, com toda a sinceridade, pensei ser temporária. A minha paixão pela academia, enquanto estudante, voltou a ser despertada e prendeu-me à ESTGL de corpo e alma, levando-me a fazer o doutoramento em Gestão para prosseguir a carreira de docente do Ensino Superior. Desempenhei, ao longo desta última década, vários cargos na Instituição nomeadamente: Diretor de Curso, Diretor de Departa mento, Coordenador do Empreendedorismo, membro do Conselho Técnico Científico,

Presidente do Conselho Pedagógico e membro do Conselho Académico do IPV. Em outubro de 2019 tomei posse como Presidente da Escola e, já neste ano, como elemento do Conselho Geral do IPV.

2 – Quais as licenciaturas que a ESTGL disponibiliza?

A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego iniciou as suas atividades no ano letivo de 2000/2001 com as licenciaturas de Gestão e Informática e Gestão Turística, Cultural e Patrimonial, sendo a oferta formativa para 2021/2022 assente em três grandes áreas, as tecnologias, a área social e a gestão, compostas por 7 Cursos Técnicos Superiores Profissionais, 6 Licenciaturas e 2 Mestrados. A ESTGL oferece os seguintes CTeSP: Informática Industrial; Intervenção Social e Comunitária; Gestão Comercial e Vendas; Integração de Sistemas e Serviços de Telecomunicações; Assessoria e Comunicação Organizacional; Enoturismo; Tecnologias e Programação de Sistemas de Informação. Oferecemos, também, as seguintes licenciaturas: Gestão e Informática; Gestão Turística, Cultural e Patrimonial; Engenharia Informática e Telecomunicações; Serviço Social –regime diurno; Serviço Social – regime Pós-Laboral; Secretariado de Administração. Atualmente temos dois mestrados disponíveis o de Gestão de Organizações Sociais e de Gestão do Património Cultural e Desenvolvimento Local. A estreita ligação empresarial permite uma adaptação da oferta formativa às necessidades das organizações e dos negócios, da qual resulta uma constante inovação de programas e de metodologias de ensino ativo e de desenvolvimento profissional. Paralelamente à aprendizagem teórica, nas licenciaturas, desenvolvemos as competências transversais necessárias para um primeiro contacto com o mercado de trabalho ou para que os alunos prossigam os seus estudos.

Nos mestrados, preparamos profissionais especializados, por áreas funcionais vitais na Região. A ESTGL conta, este ano letivo, com cerca de 700 alunos provenientes de todo o território nacional e, também, alunos internacionais.

3 – Quais serão os desafios futuros para a ESTGL?

O principal desafio é o de projetar a ESTGL no território, implementando dinâmicas que permitam transmitir à comunidade que a Instituição é de todos e existe para servir as populações. O trabalho que temos desenvolvido pretende afirmar esta escola como uma escola de ensino politécnico de referência da região do Douro, desde Cinfães até Vila Nova de Foz Côa. Pretende-se que todos os concelhos, deste território sintam a ESTGL como a SUA ESCOLA de Ensino Superior. Na atual sociedade do conhecimento e perante um mercado altamente concorrencial e competitivo, a avaliação e classificação dos estabelecimentos de ensino superior é um imperativo a curto prazo, determinado pela capacidade de captação de estudantes, pela qualidade dos seus cursos, pela internacionalização e pela sua produção científica. A internacionalização é, de facto, uma aposta institucional, com a ligação a organizações e a instituições de ensino superior em Salamanca, em Ávila, em Valladolid, em Vigo, etc. Apesar trabalharmos principalmente com Espanha, neste momento, estamos a alargar e a estabelecer novas parcerias com a Bélgica, Polónia, Suíça e Lituânia.

As parcerias internacionais são, sem dúvida, uma exigência a nível académico, mas para nós é fundamental este estabelecimento de parcerias, assim como para os nossos alunos. A ESTGL, relativamente à sua oferta formativa, está a trabalhar, em cooperação com os seus parceiros (públicos e privados), na criação de novas formações em todas as nossas áreas de intervenção.

Na área das tecnologias, analisando o mercado e as necessidades dos nossos parceiros, criamos um novo Mestrado e um CTESP em parceria com a SOFTINSA. Este último vai ter a sua primeira edição já este ano letivo de 2021/2022, sendo uma inovação no que diz respeito às metodologias de ensino e aos apoios aos alunos.

Na área do turismo, a comunidade tem lançado vários desafios à nossa ESTGL que nos têm permitido ajudar a potenciar o desenvolvimento turístico regional através do Nosso Património. Destes de safios destacamos: A Rota das Catedrais (em fase de implementação pela CCDR-n e que inicia em Santiago de Compostela passando por Braga, Porto e a termina na nossa Sé de Lamego), A promoção do Távora-Varosa, O Caminho de Santiago (com duas rotas a passar pelo nosso território) e, por último, destacamos um trabalho, recentemente termina do, a Rota do Românico (cuja apresentação se realizou no dia 12 de julho). As novas for mações nesta área passam por pós-graduações direcionadas para a região do Douro e para o Turismo Gastronómico, sendo esta última um projeto a articular com a Escola de Hotelaria do Douro. A área Social continua a ser uma forte aposta da escola, com a licenciatura em Serviço Social, o CTESP de Intervenção Social e Comunitária, estando a preparar-nos para novas ofertas formativas nas Ciências Sociais e Humanas. Na área da Gestão continuamos a apostar nas formações existentes e a desenvolver novas, nomeadamente, mestrados, licenciaturas cuja lecionação esperamos iniciar no ano letivo 2022-23. Sendo uma região muito assente nos Serviços, será importante criar sinergias neste setor através de formação especializada.

O investimento na Investigação é uma prioridade. O investimento em atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) torna-se cada vez mais importante e essencial em instituições de ensino superior, assumindo-se como um complemento essencial à for mação, promovendo a criação de novos saberes científicos e tecnológicos, com potencial de transferência para a sociedade em geral. A aposta em projetos desenvolvidos por estudantes e docentes é uma premissa fundamental. Paralelamente à atividade letiva, a ESTGL deseja incrementar a organização de eventos de divulgação da escola, entre outros de carácter científico e pedagógico, destinados aos seus estudantes e à comunidade envolvente. Pretendemos, igualmente, continuar a promover iniciativas de índole cultural e o envolvimento da escola em ações culturais e sociais.

4 – Nesta situação pandémica, certamente surgiram novas dificuldades que obrigaram a inovar ou moldar os métodos de ensino. Como se adaptaram?

Efetivamente a situação pandémica obrigou um esforço suplementar por parte de todos, docentes, não docentes e alunos, a quem não podemos deixar de agradecer. A passagem de um regime presencial para o regime não presencial, numa primeira fase, implicou a necessidade de adaptação a novas metodologias de ensino, com recurso às novas tecnologias que muitos não dominavam (docentes e alunos). No entanto, este esforço foi conseguido, apesar das dificuldades. O retorno gradual às atividades letivas presenciais e os planos de contingência foram muito bem-sucedidos dada a colaboração de toda a comunidade.

5 – O polo universitário de Lamego está um pouco distante da sede do instituto politécnico de Viseu, considera que se sente mais a academia e que o facto de serem menos alunos permite uma maior proximidade com os mesmos?

Efetivamente a Família ESTGL, como é designada, carateriza-se pela proximidade entre estudantes, estudantes e docentes, estudantes e pessoal não docente. Esta situação facilita muito o processo ensino-aprendizagem pois permite ao estudante o acompanhamento contínuo dos conteúdos lecionados com um contacto direto com o território e as necessidades dos parceiros. No entanto, a proximidade com Viseu tem sido uma constante com o crescente empenho numa Instituição colaborativa e envolvente.

6 – Como são as relações com os restantes polos do instituto politécnico de Viseu?

O Instituto Politécnico de Viseu é composto por cinco unidades orgânicas que se complementam e que estão em plena sintonia.

O trabalho atual passa pela criação de sinergias e de ofertas formativas transversais, com um objetivo comum de afirmar o Instituto (Educação, Formação, Transferência do conhecimento) no Território. A relação entre as escolas do instituto é salutar.

7 – Lamego é uma cidade pequena, considera esse fator benéfico para que haja o espírito de entreajuda entre as várias instituições locais?

A ESTGL, ao localizar-se numa cidade interior, de pequena dimensão, efetivamente beneficia com este facto, pois torna-se dinamizadora do desenvolvimento deste território, em estreita colaboração com os atores regionais. Importa não esquecer que a ESTGL está localizada numa Comunidade Intermunicipal, CIM Douro, que conta com cerca de 200.000 habitantes e mui tas empresas e organizações. Todos, em conjunto, desempenham um papel fundamental na região, pelo que a entreajuda é fundamental para Lamego e o Douro se projetarem e afirmarem cada vez mais o seu Património (material e imaterial) no país e no mundo. Sabemos que os territórios de baixa densidade são persistentes e mais resilientes. A ESTGL, faz parte desta rede de persistência.

8 – Há muitos estudantes que deixam a sua terra para estudar em Lamego e uma integração rápida pode ser crucial para o sucesso académico. De que forma a ESTGL facilita a integração dos alunos?

A integração dos estudantes é fundamental para o sucesso académico. Lamego propicia essa situação, nomeadamente o saber receber próprio da região, a proximidade existente, todas as dinâmicas criadas para acolhimento dos novos estudantes, quer pela Associação de Estudantes, quer pelo projeto Mentores em Ação que está em fase de implementação e que ajuda neste processo de inclusão. A integração numa escola de menor dimensão é facilitada pela proximidade entre alunos, discentes e docentes e discentes e funcionários. Há muita familiaridade.

9 – Chegamos agora ao fim de mais um ano letivo, fazendo uma análise do mesmo, com certeza que há mais pontos positivos do que negativos. O que há a melhorar e o que se pode aprender com o ano transato?

A consciência das nossas limitações é algo fundamental para nos superarmos, ano após ano. O ano transato foi mais um ano marcado pela COVID-19, marcado pelo distanciamento físico que nos levou a pensar que a razão da nossa existência são os nossos alunos e que, independentemente das dificuldades é a eles que temos que chegar, são sempre a nossa prioridade. Assim, a afirmação da ESTGL no território nacional e internacional é algo prioritário para nós trabalharmos. Irmos ao encontro das necessidades do território, dos empregadores, … de forma a conseguirmos que os nossos estudantes tenham possibilidade de um futuro promissor é o nosso objetivo principal.

10 – Gostaria de deixar uma mensagem aos estudantes que estão perto de ingressar no ensino superior? Porque deveriam optar por estudar na ESTGL?

Basta dizer que a Família ESTGL está de braços abertos para vos receber. Efetivamente, possuímos uma diversidade de formações, em estreita relação com a região, permitindo um ensino prático de referência e com níveis de empregabilidade superiores a 85%.

Em Lamego os estudantes encontrarão segurança, convívio, uma receção muito pessoal numa cidade histórica inserida numa região ímpar- Douro. Estamos a trabalhar para são de escola de excelência.

Falecimento da Mãe do Pe. Agostinho Ramalho

Deus, Senhor do tempo e da história, na Sua infinita sabedoria e bondade, chamou a Si, para a Sua morada eterna, a Sra. D. Maria Nazaré Ramalho Matança, mãe do Pe. Agostinho Ramalho, pároco de Lalim, Lazarim e Cepões, no Arciprestado de Lamego.

O Sr. Bispo, D. António Couto, em comunhão e em nome do Presbitério de Lamego, manifesta o seu pesar ao reverendo Pe. Agostinho, aos seus familiares e amigos, confiado, na oração e na fé, na ressurreição dos mortos e na vida eterna. A comunhão de sentimentos, remete para a esperança na vida em Deus, no tempo e na eternidade e, assim, agradecendo a Deus por todo o bem operado nesta e através desta nossa irmã, confia que, na glória de Deus, continuará a rezar pelo seu filho, pela sua família e toda a família cristã.

A celebração das Exéquias realizar-se-ão em Bigorne, na Igreja Paroquial, pelas 18h00, seguindo-se o sepultamento no cemitério local.

Deus lhe conceda a vida eterna e à família e amigos a esperança da imortalidade.

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