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Archive for the ‘Mensagem’ Category

Editorial da Voz de Lamego: Sem vida não há futuro

Parece ser uma daquelas charadas que vamos ouvindo. À primeira vista é uma verdade insofismável, aceitável por todos, ponto de partida para outras discussões, direitos e garantias. Obviamente que sem vida não há futuro, pois é a vida (vegetal, animal, humana) que garante o presente, mas também o futuro. Onde existe a morte não há futuro. Onde não existe fecundidade não há futuro. Onde as relações são destrutivas não há futuro. Onde as pessoas vivem numa cultura de morte, egocêntrica, agredindo-se, matando-se, manipulando, espezinhando o outro, não há futuro. Não há futuro se não formos capazes de acolher, defender, amar, promover a vida. A vida é o substrato, o fundamento e a razão de ser para haver leis que procuram proteger a sociedade, especialmente os mais frágeis!

Vivemos num mundo de contrastes! Paradoxos. Extremismos! Se não vejamos. A ciência e a tecnologia, a medicina, os meios de comunicação social, tornaram a vida mais fácil, aproximando-nos ou facilitando a proximidade das pessoas, apostando na qualidade de vida, na cura de doenças ou evitando-as, prevenindo, tornando mais cómoda a vida e mais democrático o acesso aos alimentos, à cultura, aos cuidados médicos.

O reverso da medalha: facilidade com que se tira uma vida, se manipulam as pessoas, se negoceia a saúde, os órgãos humanos, traficando-os, como a riqueza é concentrada, muitas vezes à custa da corrupção, nas mãos de uns poucos. Há países africanos (e infelizmente não apenas africanos) em que só as famílias dos que estão no poder vivem com a dignidade dos seres humanos, com excesso de recursos, que são retirados a quem mais precisa.

Aproxima-se a Semana da Vida, de 12 a 19 de maio, na terceira semana de maio, por opção do Episcopado Português, que em 1994 a instituiu, respondendo ao apelo do Papa João Paulo II.

O tema proposto para este ano: Há vida, há futuro.

No guião enviado aos párocos e às paróquias encontra-se o enquadramento nas palavras do Santo Padre: “A nossa identidade não é o bilhete de identidade que temos: a nossa identidade tem raízes e, ouvindo os idosos, nós encontramos as nossas raízes, como a árvore, que tem as próprias raízes para crescer, florescer e dar fruto. Se cortares as raízes da árvore, ela não crescerá, não produzirá frutos e talvez morra. Há uma poesia — eu disse-o muitas vezes — uma poesia argentina de um dos nossos grandes poetas, Bernárdez, que reza assim: «O que a árvore tem de florido, deriva daquilo que ela tem de enterrado». Mas não se deve ir às raízes para se fechar ali, como um conservador fechado, não”.

A cultura do descarte e da indiferença destroem o presente e o futuro. Este só é possível com a cultura da vida e do encontro.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/22, n.º 4509, 7 de maio de 2019

DIA DOS NAMORADOS – 14 de fevereiro de 2019

MENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DO LAICADO E FAMÍLIA PARA O DIA DOS NAMORADOS

Há encontros que marcam a vida. O namoro pode proporcionar um conjunto de momentos fundadores de uma relação para toda a vida e pela qual se dá a vida. A relação entre namorados é, por si mesma, dinâmica, pois trata-se desde o princípio, de uma tríplice descoberta: Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós?

Conhecermo-nos é muito mais do que apreender as características de cada um, pois a vida é muito mais do que a nossa psicologia e a nossa biologia. A relação acontece com beleza e profundidade, quando partilhamos escolhas, sonhos e projetos. Só poderemos caminhar, se seguirmos pelo mesmo caminho e resolvermos juntos as dificuldades das encruzilhadas que vamos encontrando na vida.

O tempo do namoro é decisivo, porque leva à descoberta da beleza do amor pela dádiva da vida, por isso, requer tempo, delicadeza e seriedade, que geram confiança, estima e respeito. É, por isso, que o Papa Francisco nos lembra que “aprender a amar alguém não é algo que se improvisa”. 

Neste sentido, preocupa-nos a crescente violência no namoro porque compromete um projeto familiar alicerçado no verdadeiro amor.

Neste “Dia dos Namorados”, festejado sob a invocação de São Valentim, um santo da península itálica, do século III, que, segundo a tradição, teria apoiado os jovens com vocação ao matrimónio a casarem-se, contra as ordens imperiais, que os queria livres para funções militares, a Igreja saúda-vos e acompanha-vos com esperança, pois conta convosco para a constituição de novas famílias fortes na fé, na alegria e no amor fecundo, na certeza que é assim que Deus vos sonha e deseja contar convosco, pois “não há maior amor do que dar a vida pelo amigo”.

EUTANÁSIA – VIDA | Editorial Voz de Lamego | 8 de maio de 2018

EUTANÁSIA – VIDA

Entre os dias 13 e 20, ligando as solenidades da Ascensão e do Pentecostes, viveremos a Semana da Vida. O tema escolhido, “Eutanásia… o que está em jogo?”, não é alheio ao debate já iniciado por quem anseia aprovar legislação favorável.

Eutanásia poderá traduzir-se por “boa morte” e ser compreendida como um acto médico que provoca intencionalmente a morte de um paciente com a finalidade de lhe aliviar o sofrimento, seja agindo com esse fim (eutanásia activa), seja abstendo-se de agir (eutanásia passiva).

Os seus defensores dirão sempre que a possibilidade legal não obriga a quem pensa de maneira contrária e não deixarão de sublinhar a liberdade individual.

Os que pensam de maneira contrária rejeitarão tais medidas legislativas e condenarão tais práticas, referindo-se-lhe como um homicídio e propondo a existência de cuidados paliativos acessíveis a todos.

Trata-se de evitar o “dever de matar” quando alguém propõe o “direito de morrer”, valorizando todas as vidas, também as que estão marcadas pela doença, pela deficiência ou pela idade. Porque a dignidade do ser humano se assegura com a vida e não com a morte. Por isso, enveredar por esta via pode apenas significar que a sociedade se demite de tratar os seus.

E se o médico se enganar no diagnóstico? A eutanásia poderá ou não fragilizar o doente e abalar a sua confiança nos hospitais? Um doente, um idoso ou limitado físico tenderá a ver-se como um fardo para alguém? Haverá tentações economicistas? Irão os cuidados paliativos ser incrementados ou deixarão de ser a primeira opção? Que consequências para a sociedade?

Há uns anos, “morrer com dignidade” seria ter acesso aos cuidados paliativos; hoje será um pedido de morte. Ao mesmo tempo que se cultiva a beleza, a festa, o corpo ou a eterna juventude, temos dificuldade em aceitar a fraqueza e a fragilidade.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/23, n.º 44589, 8 de maio de 2018

ALEGRIA E SAUDAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 20-03-2018

ALEGRIA E SAUDAÇÃO

Alguns meses depois da morte de D. António Francisco dos Santos, a diocese do Porto conheceu, na passada quinta-feira, 15 de março, o nome do seu novo bispo, D. Manuel Linda, e ouviu-o comprometer-se em favor de todos, a começar pelos mais desfavorecidos. E se é verdade que estas mensagens de saudação são devida e atempadamente pensadas, não deixam de revelar opções, caminhos e prioridades de quem as assina e assim se compromete.

O nome do bispo do Ordinariato Castrense já aparecera na habitual lista de prováveis que a comunicação social sempre divulga quando estão implicadas as maiores dioceses. Meio ano depois, a escolha foi revelada, a normalidade tende a instalar-se e as conversas sobre possíveis mudanças cessaram.

O nosso jornal, a exemplo de tantas vozes que se fizeram ouvir para saudar o novo bispo do Porto, felicita o escolhido e alegra-se por ver mais um filho desta diocese de Lamego assumir tão importante missão. Com efeito, D. Manuel Linda é natural de Paus, Resende, e frequentou os nossos Seminários diocesanos, saindo depois para a diocese de Vila Real, onde viria a concluir o seu curso e a ser ordenado sacerdote.

A um bispo oriundo do nosso presbitério sucede agora um bispo natural da nossa diocese. O mérito é inteiramente dele, mas não podemos deixar de celebrar esta escolha e de nos associarmos a todos quantos, nesta hora, o felicitam e lhe asseguram, em todo o tempo, a oração pela missão agora assumida.

A diocese do Porto, extensa, diversificada e densamente habitada (um quinto da população portuguesa) será sempre sinónimo de grande exigência para a missão episcopal. Para isso, e a par das capacidades pessoais e da experiência acumulada, não faltarão, certamente, a D. Manuel Linda, a acção do Espírito, as ajudas e os meios para o caminho.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/16, n.º 4453, 20 de março de 2018

VOCAÇÃO MATERNA | Editorial Voz de Lamego | 6 de fevereiro de 2018

VOCAÇÃO MATERNA

Na Mensagem para o Dia Mundial do Doente que viveremos no próximo domingo, o Papa Francisco recorda que a Igreja foi cumprindo, ao longo dos séculos, a sua vocação materna para com as pessoas necessitadas e doentes. E convida a não esquecer essa história e essa dedicação, apelando à sua continuidade.

Falar em “vocação materna” é referir uma presença que faz bem, um agir que protege e eleva. Porque a mãe é sempre sinónimo de amor, dedicação, sacrifício, vida…

É verdade que não basta contemplar, extasiados, um tempo que já foi ou deixar de estar atento e actuar, aqui e agora, desculpando-se com o muito que se fez. A fidelidade à missão exige continuidade.

No entanto, nem sempre nos livramos da tentativa de afastar a Igreja de determinados espaços ou serviços, resultado de uma memória curta e selectiva ou, então, em nome de uma laicidade que, tantas vezes, descamba em laicismo.

À nossa volta, em instituições ligadas à Igreja, quanto bem não é concretizado, todos os dias, em favor de doentes, idosos, crianças, jovens, necessitados? Quantas obras não nasceram e quantos postos de trabalho não foram criados, graças ao entusiasmo e perseverança de gente inspirada no Evangelho e apoiada pela Igreja? Quanta não continuam a ter o seu lugar, a sua dignidade e a sua vez graças à acção eclesial?

A Igreja, através dos seus membros, continua a testemunhar essa “vocação materna” para com os mais necessitados e doentes, mesmo quando a sua acção é pouco divulgada ou quando alguns pretendem remete-la ao silêncio ou controlar a sua presença em favor do bem comum.

A memória é fundamental à Igreja para se manter fiel.

Mas a memória da sociedade que beneficia daquela presença e acção também não deve ser apagada, sob pena de cair na ingratidão.

Pe. Joaquim Dionísio,

in Voz de Lamego, ano 88/10, n.º 4447, 6 de fevereiro de 2018

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Pobre 2017

(XXXIII Domingo do Tempo Comum – 19 de novembro de 2017)

 

  1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).

Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade. Ler mais…

Mensagem de D. António Couto para a Semana dos Seminários 2017

 

  1. Acabados de sair da celebração do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, mas sem perder de vista a figura tutelar de Maria, eis-nos já outra vez à entrada da Semana dos Seminários que, neste ano da graça de 2017, se celebra de 12 a 19 de novembro, e surge subordinada ao tema «Fazei o que Ele vos disser».
  1. Trata-se de um dizer de Mãe atenta, da Mãe de Jesus que, no decurso das bodas de Caná e numa situação de falta de vinho, que afetaria negativamente o andamento da festa, indica aos serventes (diákonoi), isto é, aos discípulos de ontem e de hoje, a quem devem estar atentos, para quem devem olhar, a quem devem escutar, que ordens devem cumprir. É claro que ela fala para os discípulos, mas aponta para Jesus, em quem devem pôr toda a atenção, porque é Ele que tem a solução para aquele problema e para todos os problemas.
  1. Estava lá a «Mãe de Jesus», a quem Jesus trata por «Mulher», para a vincular à Mulher da esperança, esposa de Deus e mãe dos filhos de Deus, que atravessa em contraluz a Escritura inteira. E estavam lá também «seis talhas», grandes e vazias, que representam o velho judaísmo e os seus rituais de purificação, tudo vazio, à espera do tempo novo da realização da esperança. Mãe e Mulher da esperança, talhas vazias, mas que, por ordem de Jesus, os serventes, os discípulos, encherão de esperança até ao cimo, até transbordar. É delas que, dando cumprimento às ordens novas de Jesus, jorrará o vinho novo e bom, até agora guardado para nós. Tempo novo e pleno do Amor de Deus, que manda agora servir o banquete de carnes suculentas e vinhos deliciosos, já anunciado em Isaías 25,6. É claro que o «chefe-se-mesa», que representa o velho e vazio judaísmo não podia compreender «de onde» vinha este vinho novo. Nem o noivo antigo. A quem se dirige. Só o sabem o Noivo novo, que é Jesus, e os seus discípulos ou serventes.
  1. Aí está então o banquete Novo, Bom e Último do Reino de Deus, com o Vinho Bom e Último, até agora guardado na esperança, e que é agora cuidadosamente servido. É sabido que a tradição judaica descrevia com muito vinho o tempo da vinda do Messias, referindo que, nesse tempo, cada videira teria mil ramos, cada ramo mil cachos, cada cacho mil bagos, cada bago daria 460 litros de vinho! Que saber e sabor é o nosso? Sabemos e saboreamos a Alegria do Banquete nupcial? Servimos para servir este Amor, esta Alegria? Não esqueçamos que é este o «terceiro Dia!» (João 2,1), que agrafa esta Alegria à Alegria nova da Ressurreição ao «terceiro Dia», «sinal» para a Glória e para a Fé (João 2,11). E os serventes são os discípulos, cuja missão é servir esta Alegria.
  1. É para preparar estes serventes ou discípulos que servem os nossos Seminários. E esta semana, de 12 a 19 de novembro, serve para voltarmos os nossos corações para os nossos Seminários, e para pedirmos ao nosso bom Deus, Senhor do banquete e do vinho novo da Alegria, e a Jesus, o Noivo novo, que faz jorrar o vinho novo e bom, e a Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, que olhem para os nossos seminaristas com particular desvelo, e os «arrastem com carinho» (cf. Jeremias 31,3; João 6,44) pela vida fora.
  1. Os nossos seminaristas frequentam, de momento, o Seminário de Lamego e o Seminário Interdiocesano de S. José, sediado em Braga, para possibilitar aos nossos Seminaristas poder frequentar a Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
  1. Lembro ainda que estão a decorrer obras no nosso Seminário de Lamego, para podermos também transformar alguns dos seus espaços numa casa aberta e acolhedora, capaz de oferecer aos fiéis leigos da nossa Diocese mais e melhores tempos de formação, convívio e oração.
  1. Enquanto erguemos o nosso coração em oração até este Pai bom misericordioso, levando até ao coração de Deus os nossos seminaristas, peçamos-lhe também, com insistência, por intercessão de Maria, nossa Mãe sempre atenta, que «arraste» outros jovens para os nossos Seminários, para que amanhã não nos faltem os sacerdotes de que necessitamos para servir da melhor maneira o vinho nova da Alegria ao Povo de Deus da nossa Diocese de Lamego e da Igreja inteira.
  1. Peço, então, uma vez mais que, sendo generosos na oração, o sejamos também na dádiva de nós próprios, concretizada no ofertório de Domingo, dia 19, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários que, neste tempo, servem, não apenas os seminaristas, mas também os fiéis leigos. Isto é, servem o Povo de Deus.

 

Que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.

Lamego, 1 de novembro de 2017, Solenidade de Todos os Santos

+ António, vosso bispo e irmão