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Archive for the ‘Mensagem’ Category

COVID-19 – Nota sobre velórios e funerais

Informação complementar enviada pela Vigararia Geral da Diocese de Lamego aos sacerdotes:

Recordamos uma vez mais aos sacerdotes que devem seguir as determinações da Conferencia Episcopal Portuguesa (CEP), nomeadamente na suspensão das Eucaristias com a participação (física) do Povo.

Quanto aos funerais:

  • devem realizar-se sem a celebração da missa;
  • a celebração deve restringir-se aos familiares;
  • evitar contacto físico na apresentação de condolências;
  • evite-se o velório nas casas particulares e nas capelas mortuárias pouco arejadas;
  • a título excecional podem usar-se as igrejas para os velórios, permitindo assim manter as distâncias de segurança entre as pessoas;
  • as urnas devem manter-se sempre fechadas.

Os Sacerdotes, na celebração privada da Eucaristia, não deixem de rezar pelos vivos e defuntos, implorando a Esperança Divina para esta Quaresma particularmente dolorosa.

 

Vigararia Geral da Diocese de Lamego

Editorial da Voz de Lamego: Dai-lhes vós mesmos de comer

No próximo Domingo, 17 de novembro, viveremos o 3.º Dia Mundial do Pobre, proposta do Papa Francisco que se vai impondo paulatinamente. Teve alguns críticos, dentro e fora da Igreja, por uma compreensão superficial e errónea do que se pretenderia, a começar pela formulação da comemoração, pois poderia entender-se que se estava a cristalizar, a elogiar e a justificar a pobreza. Uma coisa é defender a pobreza como opção que envolve humildade, despojamento e serviço ao próximo, e que obviamente, também pode incluir a produção de riqueza para promover o emprego e a disponibilidade de bens para mais pessoas; outra coisa é a resignação diante da pobreza imposta, a miséria a que milhões de pessoas estão sujeitas. “O compromisso dos cristãos, na vida ordinária de cada dia, não consiste apenas em iniciativas de assistência que, embora louváveis e necessárias, devem tender a aumentar em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade”.

A propósito, a Madre Teresa de Calcutá era acusada de não pensar e não defender uma política de erradicação da pobreza na medida em que apostava na resposta imediata e concreta às situações que iam surgindo. Com o tempo, ficou claro que as políticas são importantes, e sobretudo quando têm efeitos práticos, mas não se pode virar as costas à situações do dia-a-dia. Enquanto se espera pela implementação das medidas as pessoas morrerem à fome e ao frio… O assistencialismo pode ser provisório, mas não pode ser desculpa para não ajudar, fazendo já o que é necessário e possível.

O Papa Francisco tem deixado claro o princípio da subsidiariedade: não deixar para os outros o que posso fazer, envolvendo outros em questões mais complexas, não deixar para amanhã o que posso resolver hoje. Incentivar o Estado e as estruturas centrais a resolver problemas mais complexos e crónicos, de forma sustentada, mas mantendo-nos, a mim e a ti, comprometidos com a pessoa que está à nossa beira. Com efeito, em diversas ocasiões, o Papa tem sido contundente em relação a governos e estruturas centrais, à política e economia, para um envolvimento mais efetivo e rápido ao grito dos pobres, dos desfavorecidos, daqueles que continuam a viver nas periferias existenciais. Os pobres clamam. Deus ouve a sua voz. Quem se recusa a escutar o grito dos excluídos, tapa os ouvidos, o coração, a Deus. Como não lembrar a expressão papal: “esta economia mata” ao colocar o foco nas percentagens de desenvolvimento e produtividade, nas estatísticas, nos ganhos das bolsas de valor, ainda que à custa dos pobres, pessoas e povos.

Na mensagem para esta terceira jornada o Papa não pode ser mais claro: “A numerosos grupos de pessoas, a crise económica não lhes impediu um enriquecimento tanto mais anómalo quando confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas e a quem falta o necessário, acabando por vezes humilhados e explorados… Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/47, n.º 4534, 12 de novembro de 2019

Mensagem do Papa para Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

«Deus viu que era coisa boa» (Gn 1, 25). Ao início da Bíblia, o olhar de Deus pousa-se ternamente sobre a criação. Desde a terra habitável até às águas que sustentam a vida, desde as árvores que dão fruto até aos animais que povoam a casa comum, tudo é benquisto aos olhos de Deus, que oferece a criação ao homem como dom precioso que deve guardar.

Desgraçadamente, a resposta humana ao dom recebido foi marcada pelo pecado, pelo fechamento na própria autonomia, pela avidez de possuir e explorar. Egoísmos e interesses fizeram deste lugar de encontro e partilha, que é a criação, um palco de rivalidades e confrontos. Assim, colocou-se em perigo o próprio ambiente: coisa boa aos olhos de Deus, torna-se coisa explorável nas mãos humanas. A degradação aumentou nas últimas décadas: a poluição constante, o uso incessante de combustíveis fósseis, a exploração agrícola intensiva, a prática de abater as florestas… estão a elevar as temperaturas globais para níveis preocupantes. O aumento da intensidade e frequência de fenómenos meteorológicos extremos e a desertificação do solo estão a colocar à prova os mais vulneráveis entre nós. A dissolução dos glaciares, a escassez de água, o menosprezo das bacias hidrográficas e a considerável presença de plástico e microplástico nos oceanos são factos igualmente preocupantes, que confirmam a urgência de intervenções não mais adiáveis. Criamos uma emergência climática, que ameaça gravemente a natureza e a vida, inclusive a nossa.

Na raiz de tudo, o fato de termos esquecido quem somos: criaturas à imagem de Deus (cf. Gn1, 26-27), chamadas a habitar como irmãos e irmãs a mesma casa comum. Não fomos criados para ser indivíduos que se assenhoreiam; fomos pensados e queridos no centro duma rede da vida constituída por milhões de espécies, amorosamente unidas por nosso intermédio ao Criador. É hora de redescobrir a nossa vocação de filhos de Deus, irmãos entre nós, guardiões da criação. É tempo de arrepender-se e converter-se, de voltar às raízes: somos as criaturas prediletas de Deus, que, na sua bondade, nos chama a amar a vida e a vivê-la em comunhão, conectados com a criação.

Por isso, convido veementemente os fiéis a dedicar-se à oração neste tempo que, partindo duma iniciativa oportunamente nascida em campo ecuménico, se configurou como Tempo da Criação: um período de oração mais intensa e de ação em benefício da casa comum, que tem início em 1 de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, e termina a 4 de outubro, memória de São Francisco de Assis. É ocasião para nos sentirmos ainda mais unidos aos irmãos e irmãs das várias confissões cristãs. Penso de modo particular nos fiéis ortodoxos que celebram, desde há trinta anos, este Dia de Oração. Sintamo-nos em sintonia profunda também com os homens e mulheres de boa vontade, conjuntamente chamados, no contexto da crise ecológica que tem a ver com todos, a promover a salvaguarda da rede da vida, de que fazemos parte.

Este é o tempo para voltar a habituarmo-nos a rezar imersos na natureza, onde espontaneamente nasce a gratidão a Deus criador. Dizia São Boaventura, cantor da sabedoria franciscana, que a criação é o primeiro «livro» que Deus abriu diante dos nossos olhos, para que, admirando a sua ordenada e maravilhosa variedade, fôssemos levados a amar e louvar o Criador (cf. Breviloquium, II, 5.11). Neste livro, cada criatura foi-nos dada como uma «palavra de Deus» (cf. Commentarius in librum Ecclesiastes, I, 2). No silêncio e na oração, podemos escutar a voz sinfónica da criação, que nos exorta a sair dos nossos fechamentos autorreferenciais, descobrindo-nos envolvidos pela ternura do Pai e felizes por partilhar os dons recebidos. Neste sentido, podemos dizer que a criação, rede da vida, lugar de encontro com o Senhor e entre nós, é «a rede social de Deus» (Francisco, Discurso às guias e aos escuteiros da Europa, 3 de agosto de 2019). Isto leva-nos a erguer um cântico de louvor cósmico ao Criador, como ensina a Escritura: «tudo o que germina na terra bendiga o Senhor; a Ele, a glória e o louvor eternamente!» (Dn 3, 76).

Este é o tempo para refletir sobre os nossos estilos de vida, verificando como muitas vezes são levianas e danosas as nossas decisões diárias em termos de comida, consumo, deslocação, utilização da água, da energia e de muitos bens materiais. Em demasia, nos estamos assenhoreando da criação. Optemos por mudar, assumir estilos de vida mais simples e respeitadores! É hora de abandonar a dependência dos combustíveis fósseis, empreendendo rápida e decididamente transições para formas de energia limpa e de economia sustentável e circular. E não esqueçamos de ouvir as populações indígenas, cuja sabedoria secular nos pode ensinar a viver melhor a relação com o meio ambiente.

Este é o tempo de empreender ações proféticas. Muitos jovens estão a fazer-se ouvir em todo o mundo, invocando decisões corajosas. Sentem-se dececionados com as demasiadas promessas não cumpridas, com compromissos assumidos e depois transcurados por interesses e conveniências parciais. Os jovens lembram-nos que a terra não é um bem para se dissipar, mas herança a transmitir; lembram-nos que esperar no amanhã não se reduz a um belo sentimento, mas é um dever que requer ações concretas hoje. A eles, devemos respostas verdadeiras, não palavras vazias; factos, não ilusões.

As nossas orações e os nossos apelos visam sobretudo sensibilizar os responsáveis políticos e civis. Penso de modo particular nos Governos que se vão reunir nos próximos meses para reiterar compromissos decisivos que orientem o planeta para a vida, em vez de o lançar para a morte. Vêm-me à mente as palavras que Moisés proclamou ao povo como uma espécie de testamento espiritual, antes de entrar na Terra Prometida: «Escolhe a vida para viveres, tu e a tua descendência» (Dt 30, 19). São palavras proféticas, que poderemos aplicar a nós mesmos e à situação da nossa terra. Escolhamos a vida! Digamos não à avidez de consumos e aos delírios de omnipotência, caminhos de morte; tomemos percursos clarividentes, feitos de renúncias responsáveis hoje para garantir perspetivas de vida amanhã. Não cedamos às lógicas perversas dos lucros fáceis; pensemos no futuro de todos!

Neste sentido, reveste-se de particular importância a iminente Cúpula das Nações Unidas para a Ação Climática, durante a qual os Governos deverão mostrar vontade política de acelerar, drasticamente, as medidas para se alcançar o mais rápido possível o nível zero de emissões de gases com efeito estufa e conter o aumento médio da temperatura global em 1,5°C relativamente aos níveis pré-industriais, em consonância com os objetivos do Acordo de Paris. Além disso, no próximo mês de outubro, a Amazónia – cuja integridade encontra-se gravemente ameaçada – estará no centro da atenção duma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos. Aproveitemos estas oportunidades para responder ao clamor dos pobres e da terra!

Cada fiel cristão, cada membro da família humana pode contribuir para tecer, como um fio subtil mas único e indispensável, a rede da vida que a todos abraça. Sintamo-nos implicados e responsáveis por tomar a peito, com a oração e o compromisso, o cuidado da criação. Deus, amante da vida (cf. Sb 11, 26), nos dê a coragem de realizar o bem, sem esperar que sejam outros a começar, sem esperar que seja demasiado tarde.

Vaticano, 1 de setembro de 2019.

Papa Francisco

Editorial da Voz de Lamego: Sem vida não há futuro

Parece ser uma daquelas charadas que vamos ouvindo. À primeira vista é uma verdade insofismável, aceitável por todos, ponto de partida para outras discussões, direitos e garantias. Obviamente que sem vida não há futuro, pois é a vida (vegetal, animal, humana) que garante o presente, mas também o futuro. Onde existe a morte não há futuro. Onde não existe fecundidade não há futuro. Onde as relações são destrutivas não há futuro. Onde as pessoas vivem numa cultura de morte, egocêntrica, agredindo-se, matando-se, manipulando, espezinhando o outro, não há futuro. Não há futuro se não formos capazes de acolher, defender, amar, promover a vida. A vida é o substrato, o fundamento e a razão de ser para haver leis que procuram proteger a sociedade, especialmente os mais frágeis!

Vivemos num mundo de contrastes! Paradoxos. Extremismos! Se não vejamos. A ciência e a tecnologia, a medicina, os meios de comunicação social, tornaram a vida mais fácil, aproximando-nos ou facilitando a proximidade das pessoas, apostando na qualidade de vida, na cura de doenças ou evitando-as, prevenindo, tornando mais cómoda a vida e mais democrático o acesso aos alimentos, à cultura, aos cuidados médicos.

O reverso da medalha: facilidade com que se tira uma vida, se manipulam as pessoas, se negoceia a saúde, os órgãos humanos, traficando-os, como a riqueza é concentrada, muitas vezes à custa da corrupção, nas mãos de uns poucos. Há países africanos (e infelizmente não apenas africanos) em que só as famílias dos que estão no poder vivem com a dignidade dos seres humanos, com excesso de recursos, que são retirados a quem mais precisa.

Aproxima-se a Semana da Vida, de 12 a 19 de maio, na terceira semana de maio, por opção do Episcopado Português, que em 1994 a instituiu, respondendo ao apelo do Papa João Paulo II.

O tema proposto para este ano: Há vida, há futuro.

No guião enviado aos párocos e às paróquias encontra-se o enquadramento nas palavras do Santo Padre: “A nossa identidade não é o bilhete de identidade que temos: a nossa identidade tem raízes e, ouvindo os idosos, nós encontramos as nossas raízes, como a árvore, que tem as próprias raízes para crescer, florescer e dar fruto. Se cortares as raízes da árvore, ela não crescerá, não produzirá frutos e talvez morra. Há uma poesia — eu disse-o muitas vezes — uma poesia argentina de um dos nossos grandes poetas, Bernárdez, que reza assim: «O que a árvore tem de florido, deriva daquilo que ela tem de enterrado». Mas não se deve ir às raízes para se fechar ali, como um conservador fechado, não”.

A cultura do descarte e da indiferença destroem o presente e o futuro. Este só é possível com a cultura da vida e do encontro.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/22, n.º 4509, 7 de maio de 2019

DIA DOS NAMORADOS – 14 de fevereiro de 2019

MENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DO LAICADO E FAMÍLIA PARA O DIA DOS NAMORADOS

Há encontros que marcam a vida. O namoro pode proporcionar um conjunto de momentos fundadores de uma relação para toda a vida e pela qual se dá a vida. A relação entre namorados é, por si mesma, dinâmica, pois trata-se desde o princípio, de uma tríplice descoberta: Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós?

Conhecermo-nos é muito mais do que apreender as características de cada um, pois a vida é muito mais do que a nossa psicologia e a nossa biologia. A relação acontece com beleza e profundidade, quando partilhamos escolhas, sonhos e projetos. Só poderemos caminhar, se seguirmos pelo mesmo caminho e resolvermos juntos as dificuldades das encruzilhadas que vamos encontrando na vida.

O tempo do namoro é decisivo, porque leva à descoberta da beleza do amor pela dádiva da vida, por isso, requer tempo, delicadeza e seriedade, que geram confiança, estima e respeito. É, por isso, que o Papa Francisco nos lembra que “aprender a amar alguém não é algo que se improvisa”. 

Neste sentido, preocupa-nos a crescente violência no namoro porque compromete um projeto familiar alicerçado no verdadeiro amor.

Neste “Dia dos Namorados”, festejado sob a invocação de São Valentim, um santo da península itálica, do século III, que, segundo a tradição, teria apoiado os jovens com vocação ao matrimónio a casarem-se, contra as ordens imperiais, que os queria livres para funções militares, a Igreja saúda-vos e acompanha-vos com esperança, pois conta convosco para a constituição de novas famílias fortes na fé, na alegria e no amor fecundo, na certeza que é assim que Deus vos sonha e deseja contar convosco, pois “não há maior amor do que dar a vida pelo amigo”.

EUTANÁSIA – VIDA | Editorial Voz de Lamego | 8 de maio de 2018

EUTANÁSIA – VIDA

Entre os dias 13 e 20, ligando as solenidades da Ascensão e do Pentecostes, viveremos a Semana da Vida. O tema escolhido, “Eutanásia… o que está em jogo?”, não é alheio ao debate já iniciado por quem anseia aprovar legislação favorável.

Eutanásia poderá traduzir-se por “boa morte” e ser compreendida como um acto médico que provoca intencionalmente a morte de um paciente com a finalidade de lhe aliviar o sofrimento, seja agindo com esse fim (eutanásia activa), seja abstendo-se de agir (eutanásia passiva).

Os seus defensores dirão sempre que a possibilidade legal não obriga a quem pensa de maneira contrária e não deixarão de sublinhar a liberdade individual.

Os que pensam de maneira contrária rejeitarão tais medidas legislativas e condenarão tais práticas, referindo-se-lhe como um homicídio e propondo a existência de cuidados paliativos acessíveis a todos.

Trata-se de evitar o “dever de matar” quando alguém propõe o “direito de morrer”, valorizando todas as vidas, também as que estão marcadas pela doença, pela deficiência ou pela idade. Porque a dignidade do ser humano se assegura com a vida e não com a morte. Por isso, enveredar por esta via pode apenas significar que a sociedade se demite de tratar os seus.

E se o médico se enganar no diagnóstico? A eutanásia poderá ou não fragilizar o doente e abalar a sua confiança nos hospitais? Um doente, um idoso ou limitado físico tenderá a ver-se como um fardo para alguém? Haverá tentações economicistas? Irão os cuidados paliativos ser incrementados ou deixarão de ser a primeira opção? Que consequências para a sociedade?

Há uns anos, “morrer com dignidade” seria ter acesso aos cuidados paliativos; hoje será um pedido de morte. Ao mesmo tempo que se cultiva a beleza, a festa, o corpo ou a eterna juventude, temos dificuldade em aceitar a fraqueza e a fragilidade.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/23, n.º 44589, 8 de maio de 2018

ALEGRIA E SAUDAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 20-03-2018

ALEGRIA E SAUDAÇÃO

Alguns meses depois da morte de D. António Francisco dos Santos, a diocese do Porto conheceu, na passada quinta-feira, 15 de março, o nome do seu novo bispo, D. Manuel Linda, e ouviu-o comprometer-se em favor de todos, a começar pelos mais desfavorecidos. E se é verdade que estas mensagens de saudação são devida e atempadamente pensadas, não deixam de revelar opções, caminhos e prioridades de quem as assina e assim se compromete.

O nome do bispo do Ordinariato Castrense já aparecera na habitual lista de prováveis que a comunicação social sempre divulga quando estão implicadas as maiores dioceses. Meio ano depois, a escolha foi revelada, a normalidade tende a instalar-se e as conversas sobre possíveis mudanças cessaram.

O nosso jornal, a exemplo de tantas vozes que se fizeram ouvir para saudar o novo bispo do Porto, felicita o escolhido e alegra-se por ver mais um filho desta diocese de Lamego assumir tão importante missão. Com efeito, D. Manuel Linda é natural de Paus, Resende, e frequentou os nossos Seminários diocesanos, saindo depois para a diocese de Vila Real, onde viria a concluir o seu curso e a ser ordenado sacerdote.

A um bispo oriundo do nosso presbitério sucede agora um bispo natural da nossa diocese. O mérito é inteiramente dele, mas não podemos deixar de celebrar esta escolha e de nos associarmos a todos quantos, nesta hora, o felicitam e lhe asseguram, em todo o tempo, a oração pela missão agora assumida.

A diocese do Porto, extensa, diversificada e densamente habitada (um quinto da população portuguesa) será sempre sinónimo de grande exigência para a missão episcopal. Para isso, e a par das capacidades pessoais e da experiência acumulada, não faltarão, certamente, a D. Manuel Linda, a acção do Espírito, as ajudas e os meios para o caminho.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/16, n.º 4453, 20 de março de 2018

VOCAÇÃO MATERNA | Editorial Voz de Lamego | 6 de fevereiro de 2018

VOCAÇÃO MATERNA

Na Mensagem para o Dia Mundial do Doente que viveremos no próximo domingo, o Papa Francisco recorda que a Igreja foi cumprindo, ao longo dos séculos, a sua vocação materna para com as pessoas necessitadas e doentes. E convida a não esquecer essa história e essa dedicação, apelando à sua continuidade.

Falar em “vocação materna” é referir uma presença que faz bem, um agir que protege e eleva. Porque a mãe é sempre sinónimo de amor, dedicação, sacrifício, vida…

É verdade que não basta contemplar, extasiados, um tempo que já foi ou deixar de estar atento e actuar, aqui e agora, desculpando-se com o muito que se fez. A fidelidade à missão exige continuidade.

No entanto, nem sempre nos livramos da tentativa de afastar a Igreja de determinados espaços ou serviços, resultado de uma memória curta e selectiva ou, então, em nome de uma laicidade que, tantas vezes, descamba em laicismo.

À nossa volta, em instituições ligadas à Igreja, quanto bem não é concretizado, todos os dias, em favor de doentes, idosos, crianças, jovens, necessitados? Quantas obras não nasceram e quantos postos de trabalho não foram criados, graças ao entusiasmo e perseverança de gente inspirada no Evangelho e apoiada pela Igreja? Quanta não continuam a ter o seu lugar, a sua dignidade e a sua vez graças à acção eclesial?

A Igreja, através dos seus membros, continua a testemunhar essa “vocação materna” para com os mais necessitados e doentes, mesmo quando a sua acção é pouco divulgada ou quando alguns pretendem remete-la ao silêncio ou controlar a sua presença em favor do bem comum.

A memória é fundamental à Igreja para se manter fiel.

Mas a memória da sociedade que beneficia daquela presença e acção também não deve ser apagada, sob pena de cair na ingratidão.

Pe. Joaquim Dionísio,

in Voz de Lamego, ano 88/10, n.º 4447, 6 de fevereiro de 2018

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Pobre 2017

(XXXIII Domingo do Tempo Comum – 19 de novembro de 2017)

 

  1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).

Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade. Ler mais…

Mensagem de D. António Couto para a Semana dos Seminários 2017

 

  1. Acabados de sair da celebração do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, mas sem perder de vista a figura tutelar de Maria, eis-nos já outra vez à entrada da Semana dos Seminários que, neste ano da graça de 2017, se celebra de 12 a 19 de novembro, e surge subordinada ao tema «Fazei o que Ele vos disser».
  1. Trata-se de um dizer de Mãe atenta, da Mãe de Jesus que, no decurso das bodas de Caná e numa situação de falta de vinho, que afetaria negativamente o andamento da festa, indica aos serventes (diákonoi), isto é, aos discípulos de ontem e de hoje, a quem devem estar atentos, para quem devem olhar, a quem devem escutar, que ordens devem cumprir. É claro que ela fala para os discípulos, mas aponta para Jesus, em quem devem pôr toda a atenção, porque é Ele que tem a solução para aquele problema e para todos os problemas.
  1. Estava lá a «Mãe de Jesus», a quem Jesus trata por «Mulher», para a vincular à Mulher da esperança, esposa de Deus e mãe dos filhos de Deus, que atravessa em contraluz a Escritura inteira. E estavam lá também «seis talhas», grandes e vazias, que representam o velho judaísmo e os seus rituais de purificação, tudo vazio, à espera do tempo novo da realização da esperança. Mãe e Mulher da esperança, talhas vazias, mas que, por ordem de Jesus, os serventes, os discípulos, encherão de esperança até ao cimo, até transbordar. É delas que, dando cumprimento às ordens novas de Jesus, jorrará o vinho novo e bom, até agora guardado para nós. Tempo novo e pleno do Amor de Deus, que manda agora servir o banquete de carnes suculentas e vinhos deliciosos, já anunciado em Isaías 25,6. É claro que o «chefe-se-mesa», que representa o velho e vazio judaísmo não podia compreender «de onde» vinha este vinho novo. Nem o noivo antigo. A quem se dirige. Só o sabem o Noivo novo, que é Jesus, e os seus discípulos ou serventes.
  1. Aí está então o banquete Novo, Bom e Último do Reino de Deus, com o Vinho Bom e Último, até agora guardado na esperança, e que é agora cuidadosamente servido. É sabido que a tradição judaica descrevia com muito vinho o tempo da vinda do Messias, referindo que, nesse tempo, cada videira teria mil ramos, cada ramo mil cachos, cada cacho mil bagos, cada bago daria 460 litros de vinho! Que saber e sabor é o nosso? Sabemos e saboreamos a Alegria do Banquete nupcial? Servimos para servir este Amor, esta Alegria? Não esqueçamos que é este o «terceiro Dia!» (João 2,1), que agrafa esta Alegria à Alegria nova da Ressurreição ao «terceiro Dia», «sinal» para a Glória e para a Fé (João 2,11). E os serventes são os discípulos, cuja missão é servir esta Alegria.
  1. É para preparar estes serventes ou discípulos que servem os nossos Seminários. E esta semana, de 12 a 19 de novembro, serve para voltarmos os nossos corações para os nossos Seminários, e para pedirmos ao nosso bom Deus, Senhor do banquete e do vinho novo da Alegria, e a Jesus, o Noivo novo, que faz jorrar o vinho novo e bom, e a Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, que olhem para os nossos seminaristas com particular desvelo, e os «arrastem com carinho» (cf. Jeremias 31,3; João 6,44) pela vida fora.
  1. Os nossos seminaristas frequentam, de momento, o Seminário de Lamego e o Seminário Interdiocesano de S. José, sediado em Braga, para possibilitar aos nossos Seminaristas poder frequentar a Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
  1. Lembro ainda que estão a decorrer obras no nosso Seminário de Lamego, para podermos também transformar alguns dos seus espaços numa casa aberta e acolhedora, capaz de oferecer aos fiéis leigos da nossa Diocese mais e melhores tempos de formação, convívio e oração.
  1. Enquanto erguemos o nosso coração em oração até este Pai bom misericordioso, levando até ao coração de Deus os nossos seminaristas, peçamos-lhe também, com insistência, por intercessão de Maria, nossa Mãe sempre atenta, que «arraste» outros jovens para os nossos Seminários, para que amanhã não nos faltem os sacerdotes de que necessitamos para servir da melhor maneira o vinho nova da Alegria ao Povo de Deus da nossa Diocese de Lamego e da Igreja inteira.
  1. Peço, então, uma vez mais que, sendo generosos na oração, o sejamos também na dádiva de nós próprios, concretizada no ofertório de Domingo, dia 19, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários que, neste tempo, servem, não apenas os seminaristas, mas também os fiéis leigos. Isto é, servem o Povo de Deus.

 

Que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.

Lamego, 1 de novembro de 2017, Solenidade de Todos os Santos

+ António, vosso bispo e irmão