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Archive for Junho, 2019

Editorial da Voz de Lamego: Louvado sejas, Senhor!

Um dos documentos do Papa Francisco que mais surpreendeu, pela temática e pela urgência, e que continua a ser objeto de estudo, de reflexão e preocupação, dentro da Igreja, mas com boa aceitação em outros meios sociais e culturais, foi a Carta Encíclica Laudato si’, sobre o cuidado com a casa comum, casa de todos, que é o mundo que habitamos.

Já lá vão cinco anos. O Santo Padre parte da oração de São Francisco de Assis, que trata as diferentes criaturas como irmãs, num convite à fraternidade, estendida a toda a criação. “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras”.

Ao louvor de São Francisco, logo o Papa manifesta, nos primeiros números, a urgência em refletir e repensar comportamentos. “Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que «geme e sofre as dores do parto» (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos”.

A sensibilidade para o cuidado da natureza tem sido crescente. Ainda há pouco manifestações, por parte de estudantes, numa vintena de cidades portuguesas, lembrando que não há um planeta B. Dias dedicados à água, à terra, à árvore, ao ambiente… oportunidades para refletir na escassez de alguns recursos ou na exploração desenfreada (e egoísta) dos bens da terra. Pelas contas de alguns, nós consumimos até julho o que deveria chegar até ao fim do ano. Excesso de consumismo, sem esquecer que os nossos excessos não são compensados pela miséria de milhões de pessoas.

Ressalta na carta do Papa, e de demos nota na Voz de Lamego, aquando da sua publicação, a ecologia integral. O Papa não se posiciona em qualquer radicalismo extremista, partidarizando a defesa do ambiente, das plantas e dos animais, esquecendo as pessoas. O cuidado da casa contempla cuidado da pessoa, na defesa da vida, desde a gestação até à morte natural, a atenção ao grito dos pobres e ao desenvolvimento dos povos. De que adianta proteger o ambiente, se se matam as pessoas?!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/27, n.º 4514, 11 de junho de 2019

Colégio de Arciprestes – Reunião ordinária

No dia 31 de maio, teve lugar no Seminário de Lamego mais uma reunião ordinária do Colégio de Arciprestes, da diocese de Lamego. Presidida pelo bispo diocesano, D. António Couto, com a presença dos vigários gerais, da coordenação pastoral e dos arciprestes e vice-arciprestes da nossa diocese, a reunião teve início às 10h00, com a oração de Hora Intermédia, e terminou pelas 13h00, seguindo-se o almoço.

Dando cumprimento à pré-definida agenda de trabalhos, houve três assuntos que mereceram particular refleção, discussão e decisão. O primeiro tema em análise foi a verificação do estado de preparação do, já próximo, Dia da Família Diocesana, a realizar a 22 de junho, no Santuário de Santa Eufémia, na zona pastoral de Penedono. Expuseram-se um conjunto de decisões já tomadas acerca do programa do dia, da celebração Eucarística, da tarde recreativa e do envio. Distribuíram-se tarefas e pediu-se o máximo empenho de todos para o que ainda falta fazer, sobretudo no que toca à necessária divulgação, para que ninguém fique de fora por falta de informação.

O segundo assunto de maior relevância, na ordem dos trabalhos, foi a preparação do lema pastoral para o próximo ano. De acordo com o que já tinha ficado pensado e decidido no ano passado, o plano pastoral do ano 2019/2020 desenvolverá a temática da sinodalidade, como estado permanente da vida eclesial. Mantendo a lógica do ano passado, e seguindo as diretrizes da carta pastoral do nosso bispo, a proposta é de que o tema verse sobre a “Igreja em caminho e em comunhão” (Carta Pastoral 2018/19, nº1). A seguir agendaram-se já algumas datas de atividades diocesanas, que já vão sendo habituais ao longo dos últimos anos.

Por fim, o terceiro assunto puxado à discussão foi a análise da distribuição do clero diocesano, nos diferentes arciprestados. Os arciprestes e vice-arciprestes foram referenciando as situações mais críticas e anómalas, mencionando o caso de alguns sacerdotes que já não conseguem dar cumprimento normal à realização dos necessários trabalhos paroquiais. Alguns casos repetem-se, e foram já objeto de apreciação em anos anteriores, por este mesmo colégio. Outros são situações relativamente recentes.

Para terminar, o Senhor D. António agradeceu a presença, o empenho e o trabalho de todo. E reiterou a vontade de continuar a contar com todos neste serviço que foi pedido a cada um dos presentes.

Pe. Diamantino Alvaíde,  in Voz de Lamego, ano 89/26, n.º 4513, 2 de junho de 2019

Editorial Voz de Lamego: no Coração de Jesus

Maio é especialmente o mês de Maria, mas também outubro; junho, por sua vez, é o mês consagrado especialmente ao Coração de Jesus. Refira-se que festa em honra do Sagrado Coração é móvel e celebra-se oito dias depois do Corpo de Deus, na sexta-feira (dia da Crucifixão-morte de Jesus), seguindo-se, um dia depois, a Festa do Imaculado Coração de Maria. Bem vistas as coisas, é no Coração de Maria que pulsa e vem à vida o Coração de Jesus.

A devoção liga-se a dois momentos da vida de Jesus: à Última Ceia, quando o discípulo predileto se inclina sobre o peito (coração) de Jesus e na Cruz, quando do Seu lado (do Seu Coração) saiu sangue e água. O Corpo e o Coração. Jesus por inteiro. Totalmente oferecido para que tenhamos vida abundante (cf. Jo 10, 10). Cada instante na Sua vida nos revela o Amor de Deus.

É no amor de Jesus, no Seu coração, que nós nos acolhemos e nos reconhecemos como irmãos, como filhos de Deus. A fonte de todo o Amor é Deus. Deus é Amor. Jesus traz à humanidade este Amor. A Encarnação é já expressão real do amor de Deus por nós. Ama-nos de tal modo que Se faz um de nós, que assume a nossa fragilidade e a nossa finitude humanas. Na Sua morte na Cruz, de novo, o amor como resposta e como desafio. Com a Sua ressurreição e ascensão aos Céus, Jesus coloca a nossa natureza humana à direita de Deus Pai, coloca-nos para sempre no coração de Deus. Com efeito, é o coração que nos faz grandes. É o amor que nos torna pessoas. É pelo amor que nos aproximamos uns dos outros. É o amor que engrandece, dá sentido e sabor à nossa vida. É no amor que nos abrimos àqueles que se aproximam de nós. É pelo amor que reconhecemos a nossa pequenez, o que nos permite acolher o que o outro nos traz. No amor ninguém é autossuficiente. O amor envolve sempre mais que um: Deus e nós, eu e o outro

A 9 de junho de 2013, o Papa Francisco sublinhava que o Sagrado Coração de Jesus é a «máxima expressão humana do amor divino. A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual brotou a salvação para a humanidade inteira».

Maio é o mês do coração, tempo de medir as tensões e equilibrar a saúde. Junho é o mês do Coração de Jesus, tempo de calibrar a nossa vida com a do Divino Mestre.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/26, n.º 4513, 2 de junho de 2019