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Falecimento da Irmã do Padre Joaquim Silvestre

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia, Deus connosco, chamou à Sua morada eterna a Sra. D. Teodolina Silvestre, irmã do reverendo Pe. Joaquim Manuel Silvestre, Capelão do Lar das Filhas de São Camilo.

O Sr. Bispo, D. António, em seu nome e do presbitério de Lamego, une-se em oração ao Sr. Padre Silvestre, familiares e amigos, em comunhão de sentimentos, confiando que esta nossa irmã, morrendo em Cristo, com Cristo ressuscitará para Deus.

Rezemos pela D. Teodolina, agradecendo a Deus o dom da sua vida, na esperança firme da sua ressurreição em Cristo, nossa vida e nossa paz. E que o conforto da oração e da Palavra de Deus conforte a família e os amigos.

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Aniversário natalício de D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito de Lamego

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Hoje, dia 11 de Setembro, o Senhor D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, Bispo Emérito de Lamego, celebra o seu aniversário natalício.

Nasceu em Prados de Cima, freguesia de Vila da Rua, concelho de Moimenta da Beira, Arciprestado de Moimenta da Beira, Sernancelhe e Tabuaço, no ano de 1935, completando 80 anos de idade.

Entrou para o Seminário de Resende em 1946 e foi ordenado, no dia 15 de agosto de 1958, ano em que morreu o Papa Pio XII. Celebrou os 50 anos de Sacerdócio no dia 15 de agosto de 2008. Depois da Ordenação foi estudar para Roma.

Concluídos os estudos em História da Igreja, regressou à Diocese de Lamego, concretamente ao Seminário Maior, sendo professor e integrando-se na Equipa Formadora, vindo a assumir a responsabilidade do Seminário. Entretanto, assumiu outras missões, como Vigário Geral Adjunto e Vigário Geral da Diocese. Durante algum tempo foi pároco de Sande (Lamego).

Foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga e a sua ordenação Episcopal, na Sé Catedral de Lamego, foi no dia 20 de janeiro de 1996, dia de S. Sebastião, Padroeiro de Lamego.

Depois da morte de D. Américo Couto de Oliveira, Bispo antecessor, viria a assumir a responsabilidade da Diocese, tomando posse no dia 19 de março de 2000. No dia 8 de julho de 2000, seria ordenado o primeiro padre, na Diocese, pelas suas mãos, e que é o Pároco de Tabuaço, Pe. Manuel Gonçalves.

Parabéns D. Jacinto e que a Senhora dos Remédios, a Senhora da Lapa, a Senhora da Conceição, a Senhora da Assunção, a Mãe de Jesus Cristo, continue a velar pelo seu ministério sacerdotal e episcopal.

Atualmente a residir na cidade de Lamego, é Bispo Emérito deste nossa Diocese, desde o dia 29 de janeiro de 2012, dia da tomada de posse de D. António Couto, como Bispo de Lamego.

Editorial Voz de Lamego: Humano, mais humano

O filósofo Nietzsche, na lógica do super-homem, defende o “humano, demasiado humano”, ir além do humano. Josep Maria Esquirol propõe a filosofia da proximidade, “humano, mais humano”, na procura, não de ir além da humanidade, mas ir ao mais profundo.

São João Paulo II, na sua primeira Carta Encíclica, Redemptor Hominis (O Redentor do Homem), acentua a máxima da Gaudium et Spes (22): Jesus Cristo revela o homem ao homem. «Na realidade, só no mistério do Verbo Encarnado se esclarece verdadeiramente o mistério do homem. Adão, de facto, o primeiro homem, era figura do futuro (Rom 5, 14), isto é, de Cristo Senhor. Cristo, que é o novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu Amor, revela também plenamente o homem ao mesmo homem e descobre-lhe a sua vocação sublime». E depois, ainda: «Imagem de Deus invisível (Col 1, 15), Ele é o homem perfeito, que restitui aos filhos de Adão a semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Já que n’Ele a natureza humana foi assumida, sem ter sido destruída, por isso mesmo também em nosso benefício, ela foi elevada a uma dignidade sublime. Porque, pela sua Encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos de homem, pensou com uma mente de homem, agiu com uma vontade de homem e amou com um coração de homem. Nascendo da Virgem Maria, Ele tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado». Ele, o Redentor do homem» (RH 8).

É uma perspetiva que parte da fé e nos remete para o Evangelho da Encarnação. Jesus faz-Se um de nós, assume a nossa condição humana, a nossa fragilidade e finitude, mas também nos humaniza. Ele não vem para Se sobrepor ou para aniquilar a humanidade, revelando um caminho alternativo. Não. Ele ajuda-nos a perceber que quanto mais humanos formos mais perto estamos de nos reconhecermos como irmãos.

Diz-nos, por sua vez, Fyodor Dostoevky, “O Homem é um mistério, deve ser desvendado. E se então levar uma vida inteira, não digas que é um desperdício de tempo. Eu estou preocupado com este mistério porque quero ser um ser humano”.

Jesus encarna, assume-nos por inteiro, caminha connosco, ajuda-nos a perceber o caminho para chegar a Deus. Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim (Jo 14, 6-14). Abaixa-Se para nos elevar com Ele, o que passa pela ternura e pela bondade, pelo amor e pelo serviço, pela verdade e pela justiça, pela humildade e inclusão, pela compaixão e pelo perdão, pela caridade fraterna e pela transformação do mundo, para que seja casa de todos e para todos. Não se trata de desumanizar ou superar a humanidade, trata-se de aprofundar o que nos humaniza, nos aproxima uns dos outros, e nos liga a Deus e aos irmãos.

Esquirol propõe, nesta obra, publicada em Portugal pelas Paulinas Editora, uma filosofia sem luxos e intrinsecamente pobre, “ao serviço da ação e da orientação da vida. Que a reflexão sobre a vida deve intensifica-la. E que a reflexão sobre o mal deve ajudar a combatê-lo. Que uma boa teoria deve ser, em si mesma, gesto e ação”.

O título do livro surge do diálogo ininterrupto com Nietzsche. Mas, contraponto, “ser mais humano não significa ir para lá do humano”. O mais importante não é o que se encontra mais longe, mas o mais profundo. “Uma civilização mais humana leva-nos a fazer do mundo um lar e não a abandonar o lar para dominar o mundo; que uma cultura mais humana não é uma cultura timorata nem niilista, mas aquela que sabe que não existe força intensada que se conjuga com o sentido. Na debilidade, no humano, na vulnerabilidade…, neste demasiado que, na verdade, é um mais, lateja a pulsação da verdade”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/38, n.º 4669, 10 de agosto de 2022

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Editorial Voz de Lamego: A ganância do padeiro

A ganância prende-nos às coisas e afasta-nos das pessoas, da vida. A ganância e a avareza.

Por um lado, aspirar a algo mais e melhor é defensável, saudável e justo. E sobretudo quando conseguimos pensar em nós e nos outros. Já dizia o filósofo, que o homem ultrapassa infinitamente o homem (Blaise Pascal), na ambição de ser mais, de melhorar sempre, de alcançar novos objetivos, de transformar o mundo, fazendo que seja casa de todos e para todos.

Adam Smith apresenta o sistema económico a partir da ganância do padeiro, parafraseado por D. Tolentino Mendonça: “Devemos o nosso pão fresco não ao altruísmo do padeiro, mas à sua ganância. É graças à ambição do ganho, que os bens de que precisamos chegam às prateleiras dos supermercados… Esse dado é, de resto, comummente aceite. O facto que hoje se coloca, sempre com maior urgência, é, porém, de outra natureza. Claro que não perde validade a justa expectativa de que a atividade laboral produza o seu lucro, mas o que se coloca às nossas sociedades é a questão da sua capacidade para resolver, ainda que de modo não completamente perfeito, os desequilíbrios que elas próprias geram e que ameaçam a sua preservação… A difícil situação atual mostra-nos, sem margem para hesitações, como se tornou urgente e vital introduzir alternativas de fundo num campo que é económico e financeiros, mas também é humano e civilizacional…”

Por outro lado, como sói dizer-se, tudo o que é em excesso acaba por descambar, tornando-se destrutivo. É ditado bem antigo: a virtude está no meio; nem oito nem oitenta; nem tanto à terra nem tanto ao mar; com conta, peso e medida. O justo equilíbrio, qual fiel da balança, não será fácil de alcançar. Há uma fórmula: o amor! A compaixão. O colocar o outro antes! Se todos procedermos do mesmo modo, o modo de Jesus, então todos seremos beneficiários e beneméritos uns dos outros.

A conversão nunca é de fora para dentro. É sempre interior, espiritual, pessoal. É conhecida a história de um pai com muito trabalho para fazer e que tinha de cuidar do filho, sempre muito ativo. Entrega-lhe um conjunto de peças para completar o mundo (puzzle). Julgou o pai que, durante um bom pedaço, o filho estaria entretido. Instantes depois, o filho aparece com o mapa do mundo completo. O pai, boquiaberto com tanta rapidez, pergunta-lhe como é que fez para ser tão rápido. Bom, respondeu o filho, por detrás estava a figura de um homem, construí o homem e o mundo ficou construído também. A lição é que não se pode mudar o mundo sem mudar pessoas. Do mesmo modo, a conversão, a mudança de vida, passa pela vontade, pela decisão firme, interior, em caminhar em determinada direção. Claro que o ambiente também pode ser facilitador. Na lógica de Ortega Y Gasset, o homem é ele e as suas circunstâncias.

Jesus, no seu ministério missionário, desafia cada um de nós a gastarmo-nos a favor dos outros, a darmos-lhe de comer, a curá-los, a renunciar a si, para que os outros sejam salvos, a servir, tal como Ele que veio para servir e dar a vida por todos. A interpelação de Jesus é, antes de mais, melhor, sempre, para mim. Para ti. Para nós. Nunca para o outro! Não se pode impor a salvação, não se pode impingir o projeto do reino de Deus preconizado por Jesus.

Alguém do meio da multidão, ouvimos hoje no Evangelho, diz a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». A resposta de Jesus não se faz esperar e é elucidativa: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?». A propósito, diz o santo Padre: “Acumular bens materiais não é suficiente para viver bem, porque, diz Jesus, a vida não depende do que se possui (Lc 12, 15). Em vez disso, depende de bons relacionamentos: com Deus, com os outros, e também com aqueles que têm menos”.

Deus não se intromete na nossa responsabilidade humana. Não somos marionetas. Sabemos o caminho? A primeira opção, é avançar, seguir! Sabendo que o caminho nos conduz a Deus e nos salva, então, sim, poderemos chamar os outros, desafiá-los, deixar que a nossa vida transpareça a salvação que nos é dada por Jesus Cristo. Não pedimos a Deus para que faça o que nos compete fazer.

A avareza faz-nos perder o melhor da vida, a alegria da partilha, do trabalho honesto, da comunhão com os outros nos dias de chuva e nos dias de sol. Claro que Deus dá-nos o pão nosso de cada dia, contando com o nosso trabalho e na certeza que o pão que pedimos e trabalhamos também nos compromete com a partilha e com a comunhão com quem não pode trabalhar.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/37, n.º 4668, 3 de agosto de 2022

Pe. Inocêncio António Dias Fernandes | 1945-2022

O Senhor Deus, Pai de bondade infinita, chamou à Sua presença eterna, a 23 de julho, do corrente ano de 2022, o nosso irmão, Pe. Inocêncio António Dias, aos 77 anos. Viveu os últimos tempos marcado pelo cancro e pelos diversos tratamentos. Natural de Paipenela, no concelho da Mêda, nasceu a 4 de julho de 1945. Filho de Luís Augusto Fernandes e de Maria Isabel Dias da Cruz.

Foi ordenado diácono, na Capela do Seminário de Lamego, a 4 de novembro de 1968 e sacerdote, na Sé Catedral, pelas mãos do então Bispo da Diocese, D. João da Silva Campos Neves, a 31 de julho de 1969.

Tendo frequentado os dois seminários, o menor e o maior, depois de ordenado foi nomeado pároco de Lazarim e Meijinhos, a 15 de outubro de 1969; a 12 de janeiro de 1991, foi nomeado administrador paroquial de Lalim; a 4 de outubro de 2000, foi nomeado pároco de Bigorne e do Mezio, e a 16 de outubro de 2003, foi nomeado pároco de Melcões, no Arciprestado de Lamego.

D. António Couto, e com ele todo o presbitério diocesano, manifesta a suas condolências a familiares e amigos, agradece a sua vida e o seu ministério sacerdotal, confia-o nas mãos de Deus e à Sua misericórdia infinita, certo da ressurreição dos mortos e da vida eterna

A celebração de Missa, de corpo presente, será nesta Domingo, 24 de julho, pelas 18h30, em Meijinhos, presidida pelo nosso Bispo D. António. No final da Eucaristia, irá a sepultar no cemitério local.

Antes, pelas 16h00, haverá também Missa na Igreja da Graça.

Deus lhe dê o descanso eterno.

Editorial Voz de Lamego: Apressadamente ao encontro de Isabel

O tema escolhido pelo Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude, a viver em Portugal, de 1 a 6 de agosto de 2023, remete-nos para a Visitação de Nossa Senhora à sua prima santa Isabel: «Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39). Logo depois da anunciação, Maria põe-se a caminho, sem calcular dificuldades, sem se prender às comodidades de ficar.

No próximo Domingo, 24 de julho, comemora-se o II Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, em véspera da memória litúrgica dos avós maternos de Jesus, são Joaquim e santa Ana. Como tema para esta jornada, o santo Padre escolheu a perícope de um salmo (92, 15): “Dão fruto mesmo na velhice”. É constante a preocupação do Papa em alertar para o descarte a que são entregues muitos idosos, sendo esse um dos dramas, e dos pecados, que impedem uma efetiva fraternidade e, ao mesmo tempo, a sadia convivência de gerações, interdependentes, e que poderiam beneficiar das riquezas e do saber uns dos outros. Queiramos ou não, o que somos, o que temos, a evolução científica e tecnológica, a mobilidade, a globalização informática, deve-se a gerações do passado, cuja inteligência e sabedoria foram colocadas ao serviço da transformação da sociedade. Uns mais altruisticamente, outros mais egoisticamente, mas, ainda assim, a eles se deve o caminho percorrido e as portas e avenidas que nos permitem prosseguir. Claro que o caminho também gerou acidentes e também abriu portas que facilitam a destruição massiva da criação. Está (também) nas nossas mãos acolher e potenciar as descobertas, invenções, criações que tornam mais leve a cruz de muitos.

Vale a pena recuperar a mensagem do Papa Francisco: “Muitas pessoas têm medo da velhice. Consideram-na uma espécie de doença, com a qual é melhor evitar qualquer tipo de contacto: os idosos não nos dizem respeito – pensam elas – e é conveniente que estejam o mais longe possível, talvez juntos uns com os outros, em estruturas que cuidem deles e nos livrem da obrigação de nos ocuparmos das suas penas. É a «cultura do descarte»: aquela mentalidade que, enquanto nos faz sentir diversos dos mais frágeis e alheios à sua fragilidade, permite-nos imaginar caminhos separados entre «nós» e «eles». Mas, na realidade, uma vida longa – ensina a Sagrada Escritura – é uma bênção, e os idosos não são proscritos de quem se deve estar à larga, mas sinais vivos da benevolência de Deus que efunde a vida em abundância. Bendita a casa que guarda um ancião! Bendita a família que honra os seus avós!”

Na sua tese de doutoramento, “A presença de Deus nos caminhos dos homens”, o Pe. Diamantino Alvaíde aponta para uma pastoral integral, em que as iniciativas pastorais abarquem as diferentes gerações. “Desde o mais velho ao mais novo, desde o mais afastado ao mais incluído. A intergeracionalidade e o trabalho em rede, entre pessoas e estruturas pastorais são, talvez, a urgência mais gritante da nossa realidade eclesial”.

Na cena da Visitação, Maria vai apressadamente ao encontro de Isabel para lhe levar Jesus, para lhe comunicar a Boa Nova que transporta consigo. Nossa Senhora prontifica-se para auxiliar Isabel, mulher de idade avançada, cuja gravidez, não prevista e fora de tempo, pode envolver maiores dificuldades. O nosso Bispo acentua, não tanto a ajuda, mas a “evangelização”. Para ajudar, familiares e vizinhos; Maria apressa-se para levar o anúncio alegre da Boa Notícia que acolhe no seu ventre.

Aqui se inserta a pastoral integral e sinodal, o Evangelho destina-se a todos, também aos menos jovens. Mas não basta que os idosos sejam destinatários da pastoral, é imperioso que tenham voz ativa, contribuam com sugestões e sejam envolvidos em todo o processo. Na peregrinação dos símbolos da JMJ, diga-se, meritoriamente, tem-se procurado que todos sejam incluídos, e daí a visita a Lares e centros de dia, a escolas e estabelecimentos prisionais. É, pelo menos, um bom sinal. Que ninguém fique esquecido!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/36, n.º 4667, 20 de julho de 2022

Falecimento do Diácono Luís Cardoso

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia, chamou à eternidade do Diácono Permanente, Luís Cardoso, natural de São Martinho de Mouros, Resende, onde nasceu a 5 de março de 1938, vindo a falecer aos 84 anos, a 14 de julho de 2022. Foi ordenado diácono em 28 de julho de 2001, colaborando em diversas paróquias de Cinfães e de Resende.

A celebração das Exéquias está marcada para sábado, pelas 10h00, na Igreja Matriz de São Martinho de Mouros, seguindo-se o funeral no cemitério local.

D. António Couto, Bispo de Lamego, em seu nome e do presbitério e diocese de Lamego, endereça as suas condolências à família e amigos, confiando na misericórdia benevolente de Deus para Quem e em Quem todos vivem.

Confiamos a Deus o reverendo Diácono Luís Cardoso.

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Editorial Voz de Lamego: A vida, a vinha e a paciência do agricultor

Lançar as sementes à terra… plantar a vinha… exige uma grande dose de confiança e de paciência. Os frutos não são imediatos. A vinha, os vegetais e legumes, e muitas árvores de fruta, levam muitos anos a dar fruto. A cultura depende da incerteza do clima. A falta de chuva em alguns períodos do ano pode ser devastadora para certas produções, o trigo, as batatas, a vinha, a azeitona, para as árvores de fruto, para vegetais e legumes. Quando se semeia ou planta, há uma expectativa muito grande em que o ciclo das estações do ano cumpra com a tradição. Quantas vezes é precisa a água, chuva, e vem sol e seca? Ou na estação do sol e do calor, vem chuva, trovoada e granizo?

Cada ano, o agricultor, no tempo certo, volta a semear, a plantar, a cuidar dos campos e das árvores! Se a produção foi proveitosa no ano anterior, espera que no novo ano haja ainda melhor produção, em quantidade, qualidade e preço de venda. Se o ano foi mau, a preocupação por um ano bom aumenta e também os cuidados. Numa época de maior religiosidade (popular), as comunidades renuíam-se para pedir a chuva, mesmo não sendo possível em simultâneo o sol na eira e a chuva no nabal. O Missal continua a subsidiar, e bem, estas preces. Pela chuva: “Senhor nosso Deus, em quem vivemos, nos movemos e existimos, concedei-nos a chuva necessária, para que, ajudados pelos bens da terra, aspiremos, com mais confiança aos bens do céu”. Mas, logo a seguir, também a oração pelo bom tempo, que se pressupõe, tempo menos chuvoso e/ou menos tempestuoso: “Deus eterno e todo-poderoso, que nos purificais com as provações, e, com o vosso perdão, nos salvais, concedei-nos tempo sereno e favorável, a fim de podermos usar os benefícios da vossa bondade para vossa glória e nossa salvação”.

A vinha, como a agricultura em geral, exige um trabalho contínuo, na atenção a todos os fatores, ao clima, às pragas, ao solo… Nem tudo depende do agricultor (viticultor). Também assim a vida, nem tudo depende de nós. Há fatores externos e internos que nos escapam, por mais que gostássemos de ter um controlo total e permanente sobre tudo o que nos diz respeito.

Por ocasião da plantação da vinha, as vides plantadas são regadas, para criarem raízes e se agarrarem à terra. Precisam de água e de terra, mas também crescem e se desenvolvem na adversidade, na terra pedregosa, nos socalcos do Douro!

Quando as vides ganham raízes, o viticultor deixa de as regar. Não há uma regra única, pois em tempos de grande seca é possível, e talvez necessário, regar as vinhas e há quem tenha sistemas de rega. Porém, dizem alguns entendidos, deve evitar-se a rega e deixar que as raízes se esforcem por encontrar água e/ou humidade. Se se regam, as videiras tornam-se preguiçosas, e as raízes, em vez de se enraizarem em fundura, tenderão a fixar-se mais à superfície.

É um paralelismo incrível com a vida humana! Os seres humanos, contudo, são os seres vivos mais dependentes, ao longo de toda a vida, também nos inícios. Na atualidade, esta dependência é também querida e acentuada pelos pais, pelo cuidado e proteção constante, evitando todas as variáveis ou tentando controlá-las. Resulta do amor (e também da posse?) dos pais pelos filhos. O desejo, sincero e defensável, de proteger os filhos de toda a dor e sofrimento, e das contrariedades da vida. Porém, tal como em relação às videiras, é necessário que as crianças e os adolescentes não sejam substituídos nas suas buscas e aprendam a enfrentar as adversidades, pois nem sempre os pais estarão por perto, e precisam de ganhar defesas. É curioso, como os pediatras, e os especialistas em geral, defendem que as crianças não sejam colocadas numa redoma de vidro, mas, pelo contrário, sejam “expostas” à terra, a ambientes menos “saudáveis”, no convívio com outras crianças, para irem ganhando defesas para o futuro…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/35, n.º 4666, 13 de julho de 2022

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Editorial Voz de Lamego: A vida, a vinha e o vinho (generoso)

A diocese de Lamego é território de bons vinhos, não estivéssemos numa das regiões demarcadas mais antigas e mais conhecidas. Vinho generoso (tratado, fino, do Porto), que deu fama à região, mas também vinhos de mesa, brancos e tintos, vinho espumante. O pão não pode faltar à mesa dos portugueses, nem o vinho pode faltar às festas de verão, e das outras estações do ano, a casamentos e batizados, a aniversários. Mesmo com a proliferação de outras bebidas, o vinho continua a ser como que a base para as festas dos adultos!

Na Bíblia, a vida futura (o reino de Deus) é comparada a um banquete: “Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos” (Is 25, 6).

No Evangelho de São João, o início da vida pública de Jesus acontece nas Bodas de Caná. Maria, Sua Mãe, é convidada. Jesus e os discípulos também estão entre os convidados. A determinada altura, Maria dá-se conta que está a faltar um dos ingredientes indispensáveis para a festa, e vai dizê-lo a Jesus: “Não têm vinho”. Na aparente relutância de Jesus, a confiança de Maria que vai ter com os serventes e lhes diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Jesus manda que encham de água seis talhas, destinadas à purificação dos judeus, e manda que distribuam… a água transformada em vinho (Jo 2, 1-12). E o vinho é de primeira apanha! É possível fazer vinho sem uvas, mas não sem água! A qualidade e a abundância do vinho, fruto da bênção e da ação de Jesus é também antecipação e sinal de outra transformação: o vinho que se transformará no Seu sangue, abundância da vida nova e da Sua presença entre nós ao longo do tempo.

Que tem a ver o vinho com a vida? Muito! Além de nos convocar para a festa e para a partilha, ajuda-nos a perceber as relações entre as pessoas, também no seio dos casais, das famílias e da comunidade. A não ser alguém já “viciado”, a bebida é um convite à confraternização, à cumplicidade. A bebida desinibe e, não sendo em excesso, coloca as pessoas mais à vontade. Sendo vinho generoso, a amadurecer num pipo, precisa da vigilância do “vinhateiro”, que vai acrescentando mais vinho para não correr o risco de um dia encontrar o pipo seco! Assim, na vida, precisamos de ir acrescentando momentos, celebrações, encontros, amizade, para não ficarmos perdidos, sozinhos, a definhar! Precisamos dos outros e da sua companhia!

Por outro lado, quando o vinho, sobretudo em garrafa ou garrafão, é agitado, é necessário deixar que assente. A vida também precisa de tempos de repouso, paragem, reflexão, para que a turbulência (e as dificuldades) de momento não ofusquem a serenidade, o sentido e a confiança no futuro e nas pessoas. E, tal como vinho, a vida também precisa de respirar. Respirar e expirar o odor de Cristo, o sopro do Espírito.

A imagem da vinha está também muito presente na Sagrada Escritura. Isaías narra o cântico de amor à vinha, que é a casa de Israel, com todos os cuidados que Deus teve com ela: lavrou-a, limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas, protegeu-a, erguendo uma torre ao centro e um lagar, vedou-a. O natural é que viesse a dar uvas, mas só deu agraços (cf. Is 5,1-7; Sl 79). Jesus utiliza a mesma imagem para falar do Reino de Deus.

O relacionamento num casal, na família, na comunidade, com os amigos precisa de ser cuidado em todo o tempo… é como a vinha, logo que acaba a vindima começa um novo ciclo: a poda e a empa, o despampar, a atenção ao “choro” das vides, às doenças que podem acontecer, ao clima, aos vários tratamentos, a poda em verde, tirando alguns ramos que não interessam e, posteriormente, cortar alguns cachos em excesso, potenciando a qualidade dos que ficam. Na vida precisamos deste cuidado permanente, para que o decorrer do tempo e as dificuldades não destruam o amadurecer do fruto…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/34, n.º 4665, 6 de julho de 2022

Editorial Voz de Lamego: Caim e Abel, irmãos nossos

«Onde está o teu irmão Abel?» Deus questiona Caim pelo seu irmão e responsabiliza-o. A resposta de Caim preocupa: «Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?» Na verdade, é uma resposta que continuamos a dar ou a viver. O tempo que atravessamos traz-nos muitas histórias (reais) de indiferença, desprezo, exclusão, violência, conflito.

Deus chama à razão Caim: «A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 8ss). Caim sujeita-se às consequências dos seus atos, do seu mau proceder, contudo, Deus marca-o com um sinal para que ninguém lhe faça mal. A história de Caim e de Abel é uma história de infortúnio, mas também de esperança e de compromisso.

A história dos dois irmãos traz duas conceções de vida antagónicas: a vida das “cidades”, sedentária, e a vida do campo, nómada. As duas formas de vida estão presentes no povo de Israel. Alguns defendem que o povo não se deve fixar, mas estar sempre em deslocação, lembrando que Abraão é um “arameu errante”, sem-terra. Outros, pelo contrário, sustentam a ideia de uma terra, dada por Deus em herança, ao seu povo, cumprindo a Sua promessa. O relato de Caim e Abel faz a opção clara pela “errância” do povo, predominando o pastoreio em vez a agricultura. Esta fixa-se na terra. Aquela avança de terra em terra.

Olhando para a história da humanidade de todos os tempos, verifica-se que a violência gratuita, os fratricídios (irmãos que matam irmãos) são frequentes: povos que se aniquilam, irmãos que guerreiam pela herança, que se matam por ciúmes e inveja, umas vezes por um pedaço de terra, outras vezes por uma ninharia. Ainda que possa haver sempre o ideal da reconciliação.

A guerra imposta pela Rússia à Ucrânia é mais um episódio infeliz como a desconfiança e o medo, o egoísmo e prepotência, conduzem à violência, à imposição de ideais e vontades, recorrendo ao poderio militar. A história de Caim e Abel assume e faz-nos visualizar a realidade histórica.

Mas, infelizmente, histórias de violência familiar repetem-se todos os dias. Fomos surpreendidos pela morte de uma menina com três anos, em Setúbal. À posteriori podem ver-se descuidos, desatenções, demissões. A família, que deveria ser espaço seguro, de vivência do amor, de cuidado e proteção, afinal não garantiu a vida desta menina. Muitas pessoas se juntaram para “julgar”, condenando, movidas pela revolta em relação a uma situação que não deveria ter acontecido. Mas onde estávamos antes de acontecer mais esta desgraça? Onde estavam os vizinhos, a família, os amigos? Onde estavam os que vieram depois?

Na história bíblica há um rasto de esperança. Apesar da infidelidade humana, Deus acredita, Deus aposta no homem. Caim matou o irmão. Deus reafirma, e a fé também, o mandamento: “Não matarás”. Quando alguém é morto, o “normal” é a vingança, a morte do agressor. Porém, se a justiça é necessária, a vingança é dispensável, pois só gera mais violência e não suprime a perda nem a ofensa. Caim é marcado com o sinal de Deus que impede que outros possam agir de forma violenta sobre ele. É uma história de amor e de salvação. Deus quer o nosso bem, mesmo quando e apesar de nos desviarmos do bem.

Caim permanecerá como uma figura do lado mais obscuro que há em nós, mas em simultâneo na certeza que a descoberta de Deus nos conduz à salvação.

Vale a pena registar e mastigar as palavras de são Paulo: «Pelo amor, fazei-vos servos uns dos outros. É que toda a Lei se cumpre plenamente nesta única palavra: ‘Ama o teu próximo como a ti mesmo’. Mas, se vos mordeis e devorais uns aos outros, cuidado, não sejais consumidos uns pelos outros» (Gál 5, 14-15).

Quando a guerra, a violência, os conflitos estão distantes, sossegamos porque não é (ainda) connosco! Mas, mais longe ou mais perto, os outros dizem-nos respeito e o que fazem ou deixam de fazer afeta-nos, se não mais cedo, mais à frente. Como cristãos, esta consciência deve ser ainda mais viva, pertencemo-nos, somos responsáveis pelos outros.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/33, n.º 4664, 29 de junho de 2022