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Entrevista Voz de Lamego: Presidente do Município da Mêda, Dr. Anselmo de Sousa

Retomamos o périplo pelos Municípios pelos quais se estende a Diocese de Lamego. Esta semana viajamos até à Mêda para ouvirmos o Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal, Dr. Anselmo Antunes de Sousa.

Natural de Cavernães, concelho de Viseu, cedo abraçou a Mêda como sua terra. De uma família dedicada a agricultura, chegou a estudar no Seminário Maior de Viseu. O destino acabaria por o levar para uma carreira profissional dedicada ao ensino. Nesta área assumiu cargos diversos para além da profissão professor. Foi membro do concelho diretivo do Agrupamento de Escolas de Mêda, e orientador de vários projetos educativos e estágios. Casado, pai de um filho, foi eleito vereador no Município de Mêda em 2009, acabando por ser eleito presidente 4 anos depois. Exerce o seu segundo mandato como presidente de câmara. Com uma forte dedicação à causa social e ao associativismo, assume igualmente o cargo de provedor da Santa Casa da Misericordia de Mêda, e integra ainda associações como os Bombeiros Voluntários de Mêda, o Sporting Clube de Mêda e diversas associações culturais e desportivas.

Voz de Lamego – A pandemia do novo coronavírus colocou-nos a todos em alerta. A resposta, como em tantas situações, passa pela intervenção local, em que o Presidente do Município tem um papel essencial, de coordenação e intervenção. Como tem vivido o concelho estes tempos? Principais necessidades e constrangimentos…

Anselmo Sousa – De facto, esta pandemia virou o nosso mundo ao contrário. Literalmente. De repente, todos fomos obrigados a rever as nossas prioridades. E os Municípios, enquanto instrumento da administração autónoma do Estado, pela sua proximidade junto das populações, e pela amplitude das suas atribuições, que vão desde a ação social à proteção civil, foram chamados a dar resposta imediata aos efeitos desta pandemia. No caso do concelho de Mêda, a situação viveu-se de forma ambígua. Os primeiros 10 meses da pandemia passaram de forma serena, com resultados muito satisfatórios. Tivemos alguns casos de COVID, mas sempre em cadeias de contágio devidamente identificadas. No período entre o natal e o ano novo, fomos atingidos de forma brutal, com diversos surtos que atingiram a comunidade de forma avassaladora. E assim, de repente, encontramo-nos com um dos maiores índices per capita de contágio do país.  Mas não baixamos os braços. Continuamos a focar a nossa ação em dar resposta às necessidades, focando-nos no principal: ajudar os que mais precisam. Assim, numa ação concertada com IPSS’s, Bombeiros, Juntas de Freguesia, Voluntários e outras forças vivas do concelho, foi possível dar resposta à altura do exigido. O impacto dos surtos nos lares de idosos foi particularmente exigente. Porque afetou utentes das instituições, funcionários, e suas famílias. Mas a nossa resposta foi eficaz. 

VL – O impacto económico foi certamente notado nas empresas e nas famílias. Que medidas foram implementadas pelo Município para acorrer às diferentes situações e para minimizar os prejuízos e as dificuldades sentidas?

Desde a primeira hora nos mantivemos atentos às necessidades impostas por esta situação. Nas mais variadas vertentes. A interrupção das aulas obrigou-nos a encetar esforços na aquisição de equipamento informático de forma a possibilitar aos alunos sem recursos o acesso a um ensino de qualidade. Ao nível do apoio às famílias, mantivemos a distribuição de refeições escolares ao domicílio para famílias carenciadas. Colocamos diversos programas em prática com vista ao auxílio a pessoas de mobilidade reduzida ou portadoras de doença crónica, entregando compras e medicamentos ao domicílio. E claro, por termos noção do impacto económico desta pandemia, implementamos um largo programa de apoio ao comércio e à restauração, apoiando financeiramente os pequenos negócios que tinham sido obrigados ao encerramento forçado da sua atividade.

VL – As IPSS´s de toda a região foram chamadas a prestar um apoio social decisivo à população, ao mesmo tempo que tiveram de cumprir apertadas medidas de segurança. Como foi a resposta das Instituições Sociais no Concelho? Que papel coube à Câmara?

Reforçamos o apoio às IPSS’s do concelho, uma vez que estas instituições são verdadeiros parceiros na prestação de serviços e no acompanhamento de pessoas com dificuldades. Este apoio teve a vertente financeira, com reforço do apoio monetário a estas instituições, de forma a fazerem face às necessidades emergentes, e teve a vertente de apoio logístico num amplo programa de distribuição de equipamentos de proteção individual por todas as instituições. Ao mesmo tempo, isentamos por um largo período todas as IPSS’s do pagamento de diversas taxas municipais. Tudo com o propósito de facilitar a atividade destes nossos parceiros, cujo papel na mitigação dos efeitos desta pandemia, tem sido da mais elevada importância. Pela proximidade que têm junto dos mais vulneráveis, principalmente dos mais idosos, uma estreita colaboração com as IPSS’s do nosso território é da mais elevada importância para o sucesso duma ação de resposta conjunta.

VL – O turismo, fundamental na nossa região, foi amplamente afetado, com um decréscimo acentuado no número de visitantes. A restauração, a hotelaria, pequenas empresas, produtos com a marca do Concelho, viram-se em grandes dificuldades. Foi adotada alguma medida especial para este setor e que expetativas tem para a atividade turística para o concelho em 2021?

O programa de apoio ao comércio e à restauração foi um primeiro passo dado pelo município, no propósito de mitigar os efeitos da pandemia neste sector, cuja importância no nosso desenvolvimento económico local é inegável. Este programa destaca-se pela sua ambição, principalmente se tivermos em conta as capacidades financeiras do nosso Município. Fizemos um esforço considerável para colocar estas medidas em prática, exigindo um esforço no nosso orçamento na ordem dos 300.000€. No entanto não queremos ficar por aqui. Neste momento estamos a estudar um reforço destas medidas de apoio, dedicadas ao sector da hotelaria e do alojamento local. Esperamos poder lançar este reforço em breve.

VL – Nesse sentido, ainda, como é que foi a coordenação das medidas a implementar entre o poder local, bem no interior do país, e os organismos centrais? E já agora, a inserção na CIM-BSE tem contribuído para uma resposta conjunta mais coordenada e eficiente?

As Comunidades Intermunicipais – principalmente na falta das tão badaladas, mas ainda inexistentes, regiões administrativas – acabam por se tornar numa espécie de unidades intermédias entre as autarquias locais e a administração central. No nosso caso, sempre prevaleceu um espírito solidário e de parceria com todos os municípios da CIM. No entanto, cada Município tem a sua realidade, as suas prioridades, os seus eixos estratégicos e a sua agenda própria. No que à resposta á pandemia diz respeito, cada município implementou as suas medidas, em função das suas capacidades e claro, conforme a sua vontade política. A CIM-BSE é um instrumento importante para a promoção de um trabalho em rede entre os municípios, em prol do desenvolvimento da região. Mas esta situação que o país atravessa, veio provar, mais uma vez, a importância do Poder Local. Principalmente nos territórios do Interior. Os Municípios e as Juntas de Freguesia foram instrumentos de combate à Pandemia, fundamentais no apoio às populações.

VL – A dinâmica dos municípios foi igualmente decisiva neste contexto. Mas, apesar dos constrangimentos, os projetos em curso continuaram. O que gostaria de ver concretizado até ao final deste mandato autárquico?

Exatamente. A vida continua, e a atividade municipal não para. Este ano revela-se bastante importante para nós. Existem diversos projetos já em execução, bem como outros em fase adiantada de implementação, que são conquistas que há muito o nosso território exigia. A nova Área de Acolhimento Empresarial, por exemplo, já se encontra a concurso. Um investimento de cerca de 2 milhões de euros que vem dar resposta a uma necessidade de longa data. Esta valência assumirá um papel importantíssimo no desenvolvimento do nosso tecido empresarial local em muito curto prazo. No sector do turismo, uma área tão importante para o nosso território, demos recentemente inicio à construção do Centro Interpretativo de Longroiva, dedicado ao tema da presença templária naquela aldeia do Alto Douro Vinhateiro. A barragem do regadio da Coriscada continua a ocupar um lugar central nas nossas pretensões. Principalmente pela importância que este investimento assumiria para o desenvolvimento agrícola do nosso concelho. Continuamos a batermo-nos pela sua concretização, num processo que sabemos difícil e moroso, mas do qual não desistimos.

VL – Para alguém que visita o concelho, como o apresentaria? Que caraterísticas distintivas tem este território, do ponto de vista económico e empresarial, cultural e patrimonial?

O nosso slogan é a nossa imagem de marca: Onde o Douro Encontra a Serra. Esta pequena frase congrega muito da nossa identidade. Somos um concelho orgulhoso no seu passado mas de olhos postos no futuro. Presamos por manter índices de qualidade de vida acima da média, que nos tornam num território convidativo para viver, visitar ou investir. A nossa riqueza, reflete-se na qualidade dos nossos produtos, com destaque para o vinho, mas não só, fruto da conjugação do trabalho do Homem e da Natureza. Temos Património e Cultura. Temos Gastronomia e Lazer.  Mas a nossa principal riqueza é a nossa gente. Gente de afetos, amiga e hospitaleira, herdeira de uma solidariedade ancestral, que se expressa diariamente na arte de bem receber quem nos visita.

VL – A população concelhia, a exemplo do que acontece em todo o interior português, envelhece e diminui. Que consequências se avizinham? Como contrariar o êxodo da população a que assistimos e favorecer a sua fixação entre nós? Como vê, a partir do lugar que ocupa, a situação do País? Tendo em conta também os tempos que se avizinham…

É do conhecimento comum que o nosso país possui esta inclinação para o litoral. As causas estão mais que dissecadas. O atual governo tem o mérito de ter trazido o futuro do interior do país para a frente do debate político. O que precisamos agora é de consistência. Porque não é em meia dúzia de anos que revertemos um problema que tem mais de um século. O problema da desertificação não é um problema do interior. É um problema do país! Como se reverte? Com políticas consistentes, persistentes, estruturantes e, muito importante, consensuais entre os principais decisores políticos. A criação do Ministério da Coesão Territorial foi um bom passo inicial. A capacidade da Ministra Ana Abrunhosa para liderar este ministério é, em meu entender, inquestionável. Mas precisamos de ganhar tração. O cenário é, como diz, preocupante. Mas, pessoalmente, recuso-me a baixar os braços. Temos de criar condições de fixação de pessoas. Que os jovens aqui constituam as suas famílias. Para isso, precisam de emprego. Para existir emprego tem de existir investimento, público e privado. São muitas variáveis numa equação complexa. Neste momento, ainda não estamos a viver os efeitos económicos desta pandemia. Os próximos anos serão difíceis. Manifesto alguma preocupação quando não vejo, por exemplo, no Plano de Recuperação e Resiliência, grande importância dedicada aos territórios de baixa densidade. Acredito que aqui residirá uma parte importante da resposta à crise. Pela preponderância de setores como a agricultara e o turismo por exemplo. Mas não só. Se há algo que a pandemia nos trouxe foi uma nova forma de encararmos o trabalho, e o nosso relacionamento com ele. Os nossos territórios serão destinos privilegiados para pessoas com possibilidade de trabalho à distância, bem como na criação de espaços de coworking, por exemplo. Haverá, a este nível uma nova realidade à qual convém estarmos atentos.

VL – A menos de um ano do fim do atual mandato autárquico, que balanço faz do trabalho realizado?

Tem sido um mandato atribulado. Metade ficará inevitavelmente marcado pela pandemia, e pelos desafios que nos colocou. Haverá ainda muito para fazer. Mas, analisando de uma forma global estes últimos anos tenho de congratular-me pelo trabalho realizado. Iniciamos projetos importantes. Efetuamos obras importantes para o concelho, com um investimento considerável. O balanço é manifestamente positivo. É com base nesse balanço que tomei a decisão de me apresentar novamente a eleições, e dessa forma me submeter, mais uma vez, ao julgamento democrático dos cidadãos.

VL – Que mensagem de esperança e de estímulo gostaria de transmitir aos seus munícipes para este novo ano?

Os tempos que atravessamos são difíceis. Não o nego. Quiçá mais difíceis que qualquer um de nós imaginaria há cerca de 1 ano atrás. Mas não podemos esmorecer. Os desafios atuais impõem resiliência e, acima de tudo, união. Tenho a certeza que superaremos mais este obstáculo, e que, não tarda, poderemos voltar a partilhar momentos de alegria e de fraterno convívio. Não posso terminar sem deixar a todos uma palavra de esperança no futuro.

in Voz de Lamego, ano 91/22, n.º 4604, 13 de abril de 2021

Editorial Voz de Lamego: Felizes os que acreditando veem

Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37), o sacerdote e o levita veem um homem caído por terra, morto ou quase morto. E o que fazem? Afastam-se para não ver, para não perderem tempo, para não se contaminarem, para não se meterem em problemas, tendo que justificar como encontraram aquele homem, o que lhe aconteceu, se viram ou se têm alguma coisa a ver com o sucedido. O ver bem implica tempo ou pelo menos atenção e compromisso.

O Bom Samaritano, por sua vez, vislumbra alguém que está maltratado, talvez moribundo ou, quem sabe, morto. Aproxima-se. Para quê? Para ver de perto, para ver bem! Para ver o que pode fazer. E faz. Vê em que condições foi deixado este homem, limpa-lhes as feridas, trata-o, coloca-o na sua montada, leva-o para a estalagem e assegura-se que cuidam bem dele. Porque viu, não os possíveis problemas futuros ou empecilhos, mas alguém a precisar de ajuda. Aproximou-se para ver melhor.

O essencial da vida é invisível aos olhos, é visível ao coração, como nos relembra Antoine de Saint-Exupéry, no Principezinho. O que é visível também é perecível. O que é duradouro, na maioria das vezes, não é tangível, não é manuseável, ainda que seja dessa forma, enquanto pessoas, que tudo se expresse, se traduza e se concretize.

No segundo Domingo da Páscoa e da Divina Misericórdia é-nos recordado a incredulidade de Tomé, desafiado a ver além do imediato e das “aparências”. Claro que os demais apóstolos também passaram por processo semelhante. Com efeito, também a eles Jesus lhes mostra as mãos e o lado, as marcas da Paixão. O Ressuscitado tinha aparecido a Maria Madalena, às mulheres, a Pedro, aos discípulos a caminho do campo, a caminho de Emaús, mas só depois de O verem, ali no meio, é que eles sancionam o que ouviram contar! Oito dias depois, Tomé, com a comunidade dos discípulos, tem a mesma oportunidade de ver Jesus.

A fé não é obscura, serve-se da racionalidade, leva-nos a ver mais longe e para lá do que é tangível, palpável, visível exteriormente. A fé ilumina as nossas escolhas, gera confiança. Só esta nos permite viver saudavelmente. Faz-nos acreditar nos outros, na vida, em Deus. Mobiliza-nos a rezar e a agir, mesmo sem vermos os frutos imediatos, envolve-nos na construção de um mundo fraterno e humano.

Jesus diz a Tomé, mas também te diz a ti e também me diz a mim: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 19-31).

Com Tomé aprendemos algo muito importante. Não é possível acreditar sem termos visto, sem fazermos a experiência de encontro com o Ressuscitado. Podem-nos falar d’Ele, dizer as coisas mais admiráveis, podemos vê-l’O como Alguém extraordinário, mas isso em nada altera a nossa vida. Mas se O vemos, se O descobrimos, se nos encontramos com Ele, então alguma coisa terá que mudar. A nossa vida nunca mais será a mesma.

Jesus mostra a Tomé, e a nós, que está visível pela fé no partir do pão (Reconheceram-n’O ao partir do pão. Fazei isto em Memória de Mim), na comunidade (quando dois ou três se reunirem em Meu nome, Eu estarei no meio deles); no serviço aos irmãos (O que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos é a Mim que o fazeis). Nas palavras a Tomé, podemos ouvir Jesus: quando virdes o meu lado, as minhas mãos, as minhas chagas, então sabereis que Eu vivo no meio de vós. Seremos felizes se O virmos no partir e no partilhar do pão, se O virmos e d’Ele cuidarmos nas feridas dos nossos irmãos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/22, n.º 4604, 13 de abril de 2021

Editorial Voz de Lamego: Aspirai às coisas do alto

Aspirar às coisas do alto

Cristo morreu! É o lamento de sexta-feira santa. Tudo está consumado.

Cristo voltou à vida, por dom maravilhoso do amor de Deus. É o anúncio prazeroso e feliz de Domingo!

O Amor de Deus em Jesus Cristo é mais forte que a morte. Páscoa é esta passagem da morte à vida, das trevas à luz, do medo à confiança, da dispersão à comunhão, da desolação ao encontro. A ressurreição não é um acontecimento banal, usual, é um acontecimento inaudito, novo, não é uma conquista humana, científica, é intervenção de Deus. Ainda procuramos palavras para descrever a ressurreição, o voltar à vida, não biológica, mas gloriosa. O importante mesmo é a alegre e boa notícia: Jesus está vivo, no meio de nós, e, a partir do meio, nos atrai para constituirmos família.

A boa notícia, a informação acerca de Jesus, não é para autocomprazimento, para regozijo pessoal ou para aumentar a cultura geral, mas é saber que se torna anúncio. Não há discípulos que não sejam apóstolos, que não sejam missionários. É como os dons, são dons enquanto estão ao serviço dos outros, de contrário serão teoria, hipóteses, possibilidades, mas não dons, não realidade. Não há tempo a perder. É AGORA!

Eis a alegria do Evangelho, a Boa Notícia: Cristo, Filho de Deus, está vivo, está no meio de nós. As trevas foram vencidas pela luz. O medo deu lugar à confiança. Da morte ressurgiu a vida. O Crucificado ressuscitou. O amor venceu o pecado e a desolação. Não podemos calar; não podemos esconder; não podemos abafar o grito de júbilo, não podemos encerrar tão intensa luz. O sepulcro fica para trás. É tempo de partir. É tempo de apregoar a Boa Notícia. Ele não está na morte, não está no túmulo. Ele está onde há vida. Ele é vida, nova, ressuscitada, gloriosa. Ele encontra-nos, ponhamo-nos a caminho. Ele precede-nos. Sigamo-l’O.

Uma grande alegria tende a espalhar-se, extravasa, não é possível guardar só para nós.

A Boa Notícia espalha-se, e os Apóstolos são surpreendidos por Jesus Ressuscitado. É agora que se tornam verdadeiramente apóstolos, missionários. Não deixam de ser discípulos – correriam o risco da dispersão e do engodo – mas vem ao de cima a missão evangelizadora. O titubeante Pedro, anuncia Jesus com alegria e convicção. É tempo de partir, de ir, de anunciar em toda a parte, de testemunhar. «Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d’Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

O desafio é que o nosso coração bata ao ritmo do coração de Jesus. Ele que era de condição divina, assumiu-nos na nossa fragilidade humana, na nossa finitude, para nos ensinar a viver na intimidade do Pai e na certeza que a vida se cumpre pelo amor que é mais forte do que a morte. Depois da Sua ressurreição/ascensão, cabe-nos exercitar a nossa identidade e a nossa pertença. “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória” (Col 3, 1-4)

O convite do Apóstolo é claro: afeiçoar-nos às coisas do alto, tomar as feições de Jesus, procurando imitá-l’O no amor e no serviço a cada pessoa que encontrarmos no nosso caminho, especialmente aos mais pequeninos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/21, n.º 4603, 6 de abril de 2021

Entrevista com o Sr. Presidente da Câmara Municipal Cinfães, Enf.º Armando Silva Mourisco

Esta semana, o nosso jornal foi até Cinfães, prosseguindo a entrevistar os Presidentes de Câmara que servem os concelhos que formam a nossa Diocese. Damos a apalavra ao excelentíssimo Dr. Armando Silva Mourisco, naquele que é o segundo mandato à frente deste município.

Natural de Souselo, enfermeiro, 51 anos, casado e tem três filhos. Foi Presidente da Junta de Freguesia de Souselo, entre janeiro 2002 a outubro de 2009; Presidente da Assembleia de Freguesia de Souselo de outubro de 2009 a outubro de 2013; Deputado Municipal, entre 2002 e 2013; Presidente da Câmara desde 2013. Foi Vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, de setembro de 2015 a novembro de 2017, tornando-se então a Presidente da Comunidade Intermunicipal entre 2017 e final de 2019. Foi Vice-presidente da Dólmen. É Presidente do Conselho Consultivo do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. Integra o conselho consultivo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras/Politécnico do Porto. Membro do conselho geral da Associação Nacional de Municípios. Membro do Conselho Geral da Agência Portuguesa do Ambiente.

Voz de Lamego – A pandemia do novo coronavírus colocou-nos a todos em alerta. A resposta, como em tantas situações, passa pela intervenção local, em que o Presidente do Município tem um papel essencial, de coordenação e intervenção. Como tem vivido o concelho estes tempos? Principais necessidades e constrangimentos…

Tempos difíceis, estranhos e de enorme preocupação. São tempos também de muita articulação, parcerias, trabalho de equipa com a saúde, forças de segurança e socorro, instituições particulares de solidariedade social e segurança social, escolas, entre outras.

A preocupação dominante prende-se com os mais frágeis- idosos e doentes crónicos, considerando que a mortalidade é claramente elevada nesses grupos.

VL – O impacto económico foi certamente notado nas empresas e nas famílias. Que medidas foram implementadas pelo Município para acorrer às diferentes situações e para minimizar os prejuízos e as dificuldades sentidas?

Foram criados mecanismos de apoio ás famílias, instituições e empresas.

Nas famílias mais carenciadas e afetadas pela pandemia, assim como aos alunos das nossas escolas atribuímos vales de compras de produtos alimentares e de higiene, apoio nos transportes, na aquisição de medicação, no pagamento de serviços essenciais (água, luz). Também reforçamos o apoio ao arrendamento.

Realizamos a aquisição de 200 computadores que entregamos ás escolas que por sua vez os disponibilizaram aos alunos mais carenciados, tendo em vista o ensino á distância.

Reforçamos os apoios financeiros ás instituições particulares de solidariedade social e bombeiros, para além do fornecimento de equipamentos de proteção individual.

Às empresas mais afetadas pela pandemia, com o objetivo da preservação do emprego, isentamos o pagamento das taxas e impostos municipais, apoiamos no pagamento da renda, luz, água e layoff, atribuímos apoios a fundo perdido por cada posto de trabalho, promovemos a aquisição de produtos no comércio local, entre outras medidas.

VL – As IPSS´s de toda a região foram chamadas a prestar um apoio social decisivo à população, ao mesmo tempo que tiveram de cumprir apertadas medidas de segurança. Como foi a resposta das Instituições Sociais no Concelho? Que papel coube à Câmara?

As IPSS desenvolvem um dos papéis mais importantes na sociedade. Fazem-no com zelo, dedicação e sentido de responsabilidade.

O trabalho neste tempo de pandemia tem sido heroico. Esforço redobrado e disponibilidade absoluta dos recursos humanos, que muito louvamos e um aumento enorme da despesa.

Sobretudo a tarefa dificílima de proteger os utentes.

Infelizmente muitas, apesar de todo o trabalho, foram vitimas de surtos, lamentavelmente com perda de vidas humanas.

O município esteve sempre em parceria e apoio – na atribuição de ajudas financeiras e matérias de proteção para fazer face ás necessidades, na disponibilização de recursos humanos, na formação, na disponibilização de espaços de acolhimento, entre outros.

VL – O turismo, fundamental na nossa região, foi amplamente afetado, com um decréscimo acentuado no número de visitantes. A restauração, a hotelaria, pequenas empresas, produtos com a marca do Concelho, viram-se em grandes dificuldades. Foi adotada alguma medida especial para este setor e que expetativas tem para a atividade turística para o concelho em 2021?

A primavera e Verão 2020 foi de procura turística no concelho. Assim se espera novamente em 2021. Apesar de ser limitado a estes períodos temporais sempre ajuda na manutenção da atividade.

Relativo aos apoios disponibilizados pelo município, para além da promoção turística e territorial, isentamos o pagamento das taxas e impostos municipais, apoiamos no pagamento da renda, luz, água e layoff, e promovemos descontos de 25% no alojamento, nos estabelecimentos aderentes, de forma a atrair mais visitantes.

VL – Nesse sentido, ainda, como é que foi a coordenação das medidas a implementar entre o poder local, bem no interior do país, e os organismos centrais? E já agora, desempenhando as funções de Presidente da CIM Tâmega e Sousa, em que medida esta tem contribuído para uma resposta conjunta mais coordenada e eficiente?

Penso que desde a criação do ministério da coesão territorial, e da aplicação de um conjunto de medidas de apoio especificas para o interior, que a articulação e o olhar para esse interior mudou significativamente.

Quanto às CIM tem sido fundamental na articulação de polticas supramunicipais e de uma visão integrada das respostas.

VL – A dinâmica dos municípios foi igualmente decisiva neste contexto. Mas, apesar dos constrangimentos, os projetos em curso continuaram. O que gostaria de ver concretizado até ao final deste mandato autárquico?

Em Cinfães existem um conjunto de investimentos em curso, quer na área da reabilitação urbana, no turismo, nas acessibilidades, na dinâmica empresarial fundamentais para o desenvolvimento económico e social e para a empregabilidade do concelho.

Esperamos que até final do mandato esses investimentos decorram sem alterações.

VL – Para alguém que visita o concelho, como o apresentaria? Que caraterísticas distintivas tem este território, do ponto de vista económico e empresarial, cultural e patrimonial?

Cinfães propõe uma comunhão total com a natureza. A paz e o sossego de uma região no seu estado de conservação mais puro, a tranquilidade e segurança a dois passos de grandes centros urbanos estão ao alcance de todos.

Cinfães é um destino naturalmente único. Entre o cimo da serra de Montemuro e a foz do Rio Paiva no Rio Douro, da montanha ao verde das margens dos rios, Cinfães está perto de tudo e longe do reboliço e stress do dia-a-dia.

Acresce a isto uma gastronomia fantástica, a cultura e tradições, o edificado românico existente e os sentimentos acolhedores das nossas gentes.

VL – A população concelhia, a exemplo do que acontece em todo o interior português, envelhece e diminui. Que consequências se avizinham? Como contrariar o êxodo da população a que assistimos e favorecer a sua fixação entre nós? Como vê, a partir do lugar que ocupa, a situação do País? Tendo em conta também os tempos que se avizinham…

É verdade que todo o país e toda a europa envelhece.

São os novos hábitos de viver, as dificuldades de estabelecer empregos permanentes e duradouros, que acontece cada vez mais tarde e que levam á formação da família também mais tarde.

O interior envelhece mais rápido, fica mais despovoado. Os jovens emigram, fruto dos salários mais atrativos no exterior.

Incentivos á natalidade, salários mais atrativos, políticas de incentivo fiscais ao povoamento dos territórios do interior, promoção do interior como territórios com atrativos de qualidade de vida são urgentes adotar. Assim como mudar estilos e mentalidades e que deve começar no ensino pré-primário.

VL – A menos de um ano do fim do atual mandato autárquico, que balanço faz do trabalho realizado?

Não é fácil ser juiz em causa própria, mas da minha parte avalio como muito positivo, de aumento da qualidade de vida do concelho, da imagem positiva e atrativa para o exterior. No entanto terão de ser os cinfanenses a avaliar a atuação da câmara.

VL – Que mensagem de esperança e de estímulo gostaria de transmitir aos seus munícipes para este novo ano?

De muita paciência, resistência e resiliência. Sabemos que os tempos se mantêm difíceis, mas temos de nos manter fortes e muito responsáveis. Só assim ultrapassaremos as dificuldades e estes tempos estranhos, de saudade e tantas vezes de sofrimento e dor.

Mas também uma mensagem de esperança e confiança num futuro melhor, porque ele existe!

in Voz de Lamego, ano 91/20, n.º 4602, 30 de março de 2021

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Editorial da Voz de Lamego: Como Maria, com o olhar fixo em Jesus

A alegria do Evangelho, a Boa Notícia, proclamada no primeiro dia da Semana, o Domingo de Páscoa, é que Cristo, Filho de Deus vivo, está no meio de nós. As trevas foram vencidas pela luz. O medo deu lugar à confiança. Da morte ressurgiu a vida. O Crucificado ressuscitou. O amor venceu o pecado e a desolação.

Estamos em plena Semana Santa. A liturgia destes dias faz-nos peregrinos do Calvário e da Cruz, do amor e da entrega de Jesus, da vida nova que vai surgir.

Antes da Páscoa, a sexta-feira santa. A sexta-feira só se percebe com a Luz que irradia do túmulo de Jesus. A Ressurreição surge depois da Cruz e faz-nos perceber que chegamos à vida quando a gastamos a favor dos outros.

Olhando para os discípulos, para Judas e para Pedro, para as mulheres, para Simão de Cirene, para Pilatos e autoridades judaicas, para uma multidão instigada pelos líderes religiosos, como é que nos vemos diante de Jesus? Se tivéssemos estado lá, naquela ocasião, poderíamos ser qualquer um. Fortalecidos pelo testemunho de muitos, pelo encontro com o Ressuscitado, pelo acolhimento de Jesus, vivo, nas comunidades que se fazem Igreja, Corpo de Cristo, por certo estamos mais preparados para Lhe responder.

Ao longo da história da Igreja, muitos foram testados na sua fé. A esta distância, seria fácil julgar aqueles que não tiveram a força suficiente para resistir às ameaças, à perseguição, à exclusão, à tortura. Perante tamanha violência, teremos que reconhecer que não sabemos se resistiríamos ou não. Mas muitos foram capazes de seguir Jesus até à Cruz, até à morte. Na atualidade, continua a haver muitos mártires, pessoas excluídas do emprego, da habitação, expulsas do seu país, a serem torturadas e mortas, mas ainda assim, a persistirem na fé cristã.

Jesus, no Horto das Oliveiras ou no Calvário, diante da violência que se aproxima e a que Se sujeita, confia no Pai. Faça-se o que Tu queres.

Com Maria aprendemos a responder ao projeto de Deus, acolhendo a Sua vida, deixando que Ele nos preencha com a Sua Graça. Mais visível ou mais discretamente, Maria está por perto de Jesus, gerando-O e dando-O ao mundo, nos primeiros passos, ensinando-O a falar e a andar, e a rezar, e, juntamente com São José, mostrando como é importante viver em família, respeitar as pessoas idosas, ajudar os vizinhos, participar dos momentos de festa e dos momentos de dor. Em Jerusalém, Maria e José colocam o Menino sob a proteção de Deus. Mais tarde, Maria participa na alegria das Bodas de Caná e intervém junto de Jesus. Durante a Sua vida pública, os evangelhos mostram-na preocupada com o que d’Ele se diz. Em tantas situações, percebe-se que Maria está com os discípulos e com outras mulheres. Também no caminho agreste, duro, pesado do Calvário, junto à cruz, de olhar firme e coração apertado, Ela permanece diante de Jesus, Filho de Deus, e Seu Filho muito amado. É Mãe que chora, por todas as mães que perdem os seus filhos, e, como discípula, acolhe a vontade de Deus. E qual a vontade de Deus? Que sejamos felizes, sabendo que a felicidade passa pelo amor, pela entrega confiante, pelo serviço aos irmãos, ainda que exija esforço, dedicação e sacrifícios. Quem se sujeita a amar, sujeita-se a padecer.

Fixemos o nosso olhar no de Jesus, permitindo que Ele nos guie da Cruz à eternidade, da morte à ressurreição, da sexta-feira da Paixão ao Domingo de Páscoa, das trevas à luz, da tristeza à alegria do reencontro, do desencanto à paz que Ele nos dá.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/20, n.º 4602, 30 de março de 2021

Monjas Dominicanas de Clausura: 50 Anos de Presença em Benguela

No dia 29 de março, comemorámos a abertura do Jubileu dos 50 anos da chegada das Monjas Dominicanas de Clausura a Benguela- Angola.

Foram 10 irmãs espanholas enviadas pela Serva de Deus, Madre Teresa Maria de Jesus Ortega OP do Mosteiro Madre de Dios” em Olmedo -Valladolid-Espanha, a pedido do primeiro bispo de Benguela, de feliz memória, D. Armando Amaral dos Santos

Partiram de Olmedo no dia 5 de março de 1972 para embarcar no “Príncipe Perfeito” desde Lisboa, rumo a Angola, e no dia de São José a 19 de março, pisaram o solo Benguelense no dia 29 do mesmo mês. Estas dez jovens Monjas cheias de ardor missionário, com desejo de doar as suas vidas nas terras angolanas, imediatamente começaram a dar frutos abundantes. No mesmo ano da sua chegada a Angola, depois de 4 meses, enviaram a primeira angolana a Espanha e, nos dois anos seguintes, outras cinco aspirantes. Muitas destas Irmãs já estão espalhadas por vários países, das quais também vieram 6 irmãs para reforçar a Comunidade das Monjas Dominicanas de Lamego do Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia, de acordo com as duas Federações.

Desde este cantinho do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, onde se encontra o Mosteiro, damos graças a Deus que nunca abandona aqueles que a Ele se querem consagrar e dar-Lhe glória. É com júbilo que recordamos este dia, pois nascemos daquele “tronco do Mosteiro da Mãe de Deus de Benguela”, e aqui estamos para fazermos uma nova história, unidas às nossas três irmãs que aqui já se encontravam e que nos acolheram com muita alegria, em união com o povo de Deus de Lamego, apoiadas sempre pelo nosso Bispo, D. António Couto, os Rvdos. Padres Pe. José Abrunhosa e Pe. João Carlos e, igualmente, outros sacerdotes a quem queremos agradecer todo o apoio espiritual. Unidos nesta ação de graças, pedimos a vossa oração pela nossa perseverança ao serviço de Deus e da Diocese.

Irmã Maria da Glória O.P.

D. António Francisco: “consagrou o coração ao serviço dos outros”

O Município de Lamego prestou na manhã desta sexta-feira, 19 de março, uma sentida homenagem a D. António Francisco dos Santos, cidadão Honorário do Município de Lamego, falecido em 2017, cuja vida e empenho pastoral marcou indelevelmente a vida desta cidade e das suas gentes.

A cerimónia decorreu, primeiro, na rotunda do Centro Escolar n.º 1, local onde foi construído um memorial evocativo da sua passagem por Lamego com a inscrição “Os pobres não podem esperar”, proferida aquando da sua apresentação como Bispo do Porto, sendo marca indelével do seu percurso de vida. Neste local, deverá ser erguida uma escultura em tributo a D. António, de Francisco Laranjo, reputado artista plástico lamecense. “Da terra, erguer-se-á uma aliança que simboliza alguém que nos marcou muito”, explica o autor.

Logo a seguir, realizou-se uma sessão simbólica com a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Lamego e de diversas personalidades relevantes da vida política e religiosa portuguesa, em representação de instituições e locais, que se cruzaram, em algum momento, na vida de D. António Francisco e que quiseram, deste modo, associar-se ao tributo público do Município de Lamego. Todos os testemunhos foram unânimes em recordar e enaltecer a sabedoria, a simplicidade e a generosidade de um “padre e de um Bispo com um grande coração”. “Será com este espírito de D. António que, nestes tempos de dor e sacrifício para todos, em maior ou menor grau, mas também já de esperança, que nos devemos congregar na reconstrução de um futuro promissor, sempre com a maior incidência nos mais carenciados e desfavorecidos, em prol do nosso bem-estar coletivo”, afirmou Ângelo Moura.

Presente nesta sessão pública de homenagem, D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa e vigário geral da Diocese do Porto à data do falecimento de D. António Francisco, sublinhou que o homenageado foi sempre “um Homem de raízes que consagrou todo o seu coração ao serviço dos outros”. “Foi um Homem do Amor de Deus e, por causa disso, amava os pobres”, elogiou D. António Couto, Bispo de Lamego.

Nascido em 1948 em Tendais, concelho de Cinfães, o pontífice frequentou os seminários de Resende e de Lamego (onde concluiu o Curso Superior de Teologia), tendo sido ordenado padre em 1972. Tornou-se bispo em 2005, na Sé de Lamego, tendo sido distinguido, nesse mesmo ano, com a Medalha de Ouro desta Cidade, a mais alta distinção concedida pelo Município. D. António Francisco dos Santos sucedeu a D. Manuel Clemente na liderança da diocese do Porto, em fevereiro de 2014, tendo anteriormente passado pela arquidiocese de Braga, como bispo auxiliar, e pela diocese de Aveiro, como bispo titular.

Ricardo Pereira, in Voz de Lamego, ano 91/19, n.º 4601, 23 de março de 2021

Delfina Adrega – A senhora biscoiteira do Bairro da Ponte

O primeiro instinto para melhor receber quem chega é remexer num pequeno saco plástico e estender depois a mão: “Tome lá uma cavaquinha!”. É assim, desde há mais de 40 anos, quando Maria Delfina Adrega se aventurou, sozinha, na cozinha lá de casa a confecionar o famoso Biscoito da Teixeira, que se transformou depois no conhecido cartão-de-visita da pequena banca que tem por hábito instalar, nos dias quentes, na “sala de visitas” da cidade de Lamego, a Av. Dr. Alfredo de Sousa. “Eu andava a cozer para as outras e a acartar para esta e para aquela, mas depois abri os olhos e também aprendi”, recorda. Natural da freguesia de Magueija, cedo desceu à cidade para viver no animado Bairro da Ponte, banhado pelo rio Balsemão, outrora alfobre de uma comunidade próspera, onde não faltavam moleiros, sapateiros, comerciantes e, claro, algumas biscoiteiras. Ainda hoje é aqui que se sente mais à vontade e continua a morar, embora lamente que “muita coisa” esteja a cair.

Maria Delfina começou tarde nas lides da doçaria. Apenas por volta dos 35 anos de idade. Nessa época, recorda, vendia menos. “Só fazia um bocadinho. Meia arroba ou uma arroba. Agora faz-se mais”. Para além de Lamego, chegou a vender noutras paragens em festas e romarias. “Adorava isso”. Era assim que garantia o sustento lá de casa. Teve seis filhos, enviuvou cedo, e precisou então de todo o ânimo e destreza para conciliar todas estas tarefas. “Sempre tive força para fazer tudo”. Agora, o peso da idade já não lhe permite amassar e cozer o biscoito no forno a lenha como antes. Foi uma filha que herdou a responsabilidade de dar forma ao Biscoito da Teixeira, fiel à receita de sempre: farinha, açúcar, sal e “muito limãozinho”.

Atrás da sua pequena banca, sob uma toalha imaculada, Maria Delfina ajeita cuidadosamente o sortido de produtos que adoça a boca de muitos lamecenses e turistas. Para além do Biscoito, também há cavacas do Porto, bolos podres, pães-de-ló e até rebuçados da Régua. Tudo fresco e doce, como convém, e que transformam este local todas as semanas num destino de peregrinação para os clientes fiéis. Problemas de saúde, decorrentes da diabetes, já não a deixam ver com a nitidez de antigamente. Pede, por isso, muitas vezes a quem chega que a ajudem a escolher as pequenas moedas para devolver o troco certo.

“Gostei sempre de estar aqui. Estou habituada. Se me tiram isto, então é que vou mais depressa embora”, explica. Para muitos turistas que calcorreiam pela primeira vez as imensas avenidas centrais de Lamego, em direção ao Santuário dos Remédios, é a D. Delfina quem lhes dá as boas-vindas. “Prove lá uma cavaquinha. Eu dou”, interpelando sempre quem passa.

Ricardo Pereira, in Voz de Lamego, ano 91/19, n.º 4601, 23 de março de 2021

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A relevância dos meios jornalísticos locais para os cidadãos

Do nosso colaborador, Fábio Ribeiro, professor e investigador na área das Comunicações Sociais:

“Estou neste momento a desenvolver um estudo sobre a forma como os cidadãos se relacionam com os meios de comunicação jornalísticos de âmbito local e regional. Será para publicar numa revista científica internacional, que estou a editar com um colega da Universidade Nova de Lisboa.

Seria possível colocar o inquérito deste estudo no site ou nas redes sociais ligadas à Voz de Lamego? Seria muito útil para obter o maior número de respostas possível. Como é lógico, os dados das respostas são anónimos e confidenciais e servem apenas para efeitos de tratamento estatístico e matemático.

O link do inquérito é este: http://www.lasics.uminho.pt/limesurvey/index.php/591135

O título do inquérito é: “A relevância dos meios jornalísticos locais para os cidadãos”.

Muito obrigado pela atenção.

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Conferência online com D. António Couto, bispo de Lamego

Livro de D. António Couto, publicado pela Pay«ulus

A PAULUS Editora organiza, na próxima quinta-feira, dia 25 de março, uma conferência com D. António Couto, bispo de Lamego, sobre a sua mais recente obra, «Do lado de cá da meia-noite», editado pela mesma editora.

A obra consta de seis ensaios, originais, que D. António Couto escreveu no contexto de pandemia, «ensaios que julgo significativos para ajudar a viver com esperança, e com esperança superar a crise pandémica que atravessamos», começa por escrever o prelado no início do livro, em jeito de enquadramento da obra.

Para o diretor editorial da PAULUS, estes encontros online são uma forma de «dar a conhecer a mais gente os conteúdos das nossas obras», oportunidade que este responsável diz ser «única», já que, com os constrangimentos em vigor devido à pandemia, a realização destas apresentações de forma presencial não é ainda possível.

A conversa virtual, que decorre a partir das 21h, no dia 25 de março, na página de Facebook da PAULUS Editora, vai ter ainda a presença do diretor editorial da PAULUS, Ir. Tiago Melo, e do jornalista da revista Família Cristã, Ricardo Perna.

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