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Archive for the ‘Ano Pastoral’ Category

Editorial da Voz de Lamego: Igreja sinodal e conciliar

O Deus revelado em Jesus Cristo é Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Um só Deus e três Pessoas distintas. É um mistério que se desvela em Cristo como comunhão de vida e de amor; paradigma, fonte e inspiração para a Igreja, modelada à imagem da Santíssima Trindade, acolhendo a diversidade de povos, línguas e nações, congregando-as como Povo de Deus, como Corpo de Cristo. Nestas duas imagens, Povo e Corpo, já temos a origem, divina, e a prevalência comunitária, mas inclusiva, dos seus membros. Um povo é constituído por pessoas, mas simultaneamente dá-lhes identidade, é este povo (de Deus) e não outro. Um corpo, do mesmo modo, é constituído por vários membros, distintos, mas que integram e formam o todo.

A Igreja em Lamego vai ser desafiada a caminhar em comunhão, numa perspetiva sinodal.

A palavra “sínodo”, de origem grega, é composta de duas palavras, “syn”, que significa “juntos”, e “hodos”, que significa “estrada ou caminho”. Pode entender-se como reunião ou assembleia (Igreja), valorizando-se mais a reflexão ou mais o caminho. Mas será sempre na perspetiva de nos pormos a “caminhar juntos”, procurando acolher a vontade de Deus na realidade atual, indo ao encontro daqueles que estão em situação mais frágil.

Sobretudo depois do Concílio Vaticano II, e com o Papa Paulo VI, foi dada relevância aos sínodos, instrumentos de auscultação sobre uma temática atual, preocupações e desafios, ou sobre a vida eclesial em determinado território (dioceses ou regiões do mundo), mais locais ou sob a presidência do Papa, no Vaticano. O concílio, por sua vez, é mais abrangente. Concílio provém do latim “concilium” e significa reunião, assembleia. Sínodo e Concílio são, como se vê, termos muito idênticos, ainda que a abrangência seja diferente. Há, a propósito, três tipos de concílios: provinciais, plenários e ecuménicos. Os mais conhecidos são os ecuménicos ou universais. São reconhecidos 21, sendo o primeiro o de Niceia, realizado no ano de 325, e o último o do Vaticano II, nos anos de 1962-1965. O concílio ecuménico reúne bispos do mundo inteiro, sob a autoridade do Bispo de Roma, o Papa. Acentua-se a colegialidade apostólica, entre os Bispos, como no início da Igreja com os 12 Apóstolos.

Logo nos primórdios da Igreja realiza-se o que foi considerado o primeiro concílio da Igreja, a assembleia dos Apóstolos, em Jerusalém. Paulo e Barnabé fazem chegar aos Doze uma discussão havida na Igreja de Antioquia sobre a forma de acolher os pagãos, predispondo-se a refletir com os Apóstolos e a regressarem com as decisões aí tomadas.

Mas já antes os Apóstolos se tinham reunido com comunidade para tomar decisões, como a escolha do Apóstolo que substitui Judas Iscariotes no grupo dos Doze ou a criação dos sete diáconos.  Vislumbre da sinodalidade da Igreja, que procura perscrutar os sinais dos tempos, colocando-se à escuta do Espírito Santo.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/37, n.º 4524, 3 de setembro de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Em caminho e em comunhão

O caminho faz-se caminhando. Pouco importa ter intenção de caminhar, dizer que se gosta e se vai caminhar se não se der um primeiro passo. É a vida. Pode custar a começar. Mas sem o primeiro não há o segundo passo, nem o terceiro passo.

Alguns ficam no início, outros à beira do caminho, outros voltam para trás, outros perdem-se e seguem por atalhos. O caminho é sempre mais fácil quando não vamos sozinhos. Um anima o outro, com uma palavra, uma provocação, um sorriso ou pegando pela mão ou, quem sabe, como o bom pastor, levando aos ombros. Agora ajudo eu. A seguir sou ajudado!

Jesus, para nós cristãos, é o próprio Caminho. “Eu Sou o caminho, a Verdade e a Vida”. Só por Ele vamos ao Pai. Se, por um lado, Ele vem em busca das ovelhas perdidas, por outro lado é o alimento e o alento, é o caminho, é por Ele e com Ele que prosseguimos.

A Igreja em saída não é uma descoberta do Papa Francisco – pese embora o mérito e a intuição com que tem desafiado os cristãos –, a Igreja em saída deriva de Jesus e da Sua missão. Ele sai, vem do Altíssimo, ao nosso encontro. E sai tanto que Se faz um de nós para connosco caminhar. A Sua vida pública é marcada pelo caminhar por aldeias e cidades para anunciar o Evangelho. Cedo se percebe que não é um excêntrico como, por exemplo, João Batista. Jesus não Se isola, a não ser para os momentos de oração e intimidade com o Pai, pelo contrário, rodeia-Se de pessoas, dos apóstolos, dos discípulos e das mulheres que os acompanham, como discípulas e ajudando, por certo, na logística das deslocações.

Vai à sinagoga ou acolhe as multidões. Sente necessidade de ir a outros lugares para se encontrar com pessoas. O mandato que nos deixa é explícito: ide e fazei discípulos. Caminho e comunhão. Anúncio do Evangelho e formação de comunidades que vivam a experiência da fé, a prática da caridade, marcados pela esperança que abarca a humanidade, a história e o tempo até à eternidade.

Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, Eu estou no meio deles (Mt 20, 18). Estarei convosco até ao fim dos tempos. Eu e o Pai somos Um. “Não peço apenas por estes, mas também por aqueles que acreditam em Mim, por meio da sua palavra: para que todos sejam um; tal como Tu, Pai estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em nós” (Jo 17, 20-21).

O compromisso missionário visa a construção da fraternidade cristã. Um só Pastor, um só rebanho.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/35, n.º 4523, 27 de agosto de 2019

Editorial Voz de Lamego: Igreja em comunhão

Prefiro uma Igreja acidentada por sair, que uma Igreja “raquítica” por permanecer encerrada por medo ou por comodismo. São palavras do Papa Francisco que nos ajudaram a refletir sobre o lema pastoral da Diocese de Lamego para 2019/2020: “Igreja em caminho. Igreja em comunhão”. Enquanto esperamos pela Carta Pastoral do nosso Bispo, a apresentar a 28 de setembro, partiremos novamente das palavras do Santo Padre para refletirmos sobre a acentuação sinodal da Igreja.

Não basta partir! Partimos para levar Jesus, para dar Jesus aos outros, para transparecer Jesus, para, como Ele, cuidarmos dos mais frágeis. Não vamos sós. Não vamos em nosso nome. Mas em nome da comunidade, em nome da Igreja. Acentuação lunar da Igreja que reflete Jesus, a verdadeira Luz, assim como a Lua reflete a luz do Sol. Como membros da Igreja, também nós havemos de refletir a Vida de Jesus.

Em muitas das suas intervenções, o Papa junta dois vocábulos: caminhar e juntos. Não basta caminhar, mas caminhar juntos, inseridos na comunidade. Esta, à imagem da Santíssima Trindade, faz-nos avançar, ajuda-nos a não nos fecharmos sobre nós e não nos iludirmos com as nossas verdades! Juntos, apoiamo-nos, ajudamos a transportar a cruz uns dos outros. Pertencemo-nos, somos responsáveis pelos outros e eles por nós. Em Jesus, acentua-se a irmandade/fraternidade. Ele vem como Filho (de Deus) e logo Se assume como (nosso) Irmão. “Meu e Vosso Pai”. A oração que nos ensina é preenchida pela primeira invocação: Pai-nosso. Não Pai meu ou Pai teu, mas nosso. Colocamo-nos sob a mesma paternidade, assumimos a mesma filiação. Não é possível viver Cristo sem a comunidade, sem a Igreja, pois esta é o Seu Corpo, é no Corpo de Cristo que nos reconhecemos como irmãos uns dos outros e como filhos do mesmo Pai do Céu.

Outra das insistências do Papa é precisamente a construção da civilização do amor. Expressão muito cara aos seus Predecessores. Para isso, a aposta terá que ser na cultura do diálogo e do encontro, na opção pela ternura e pelo amor. E, como é óbvio, o encontro dá-se entre pessoas que se colocam em situação de igualdade e, de preferência, em situação de pertença mútua. Assim o diálogo, assim o amor. Vive-se. Partilha-se. Enriquece-se em comunidade, em família.

Jesus chama 12 Apóstolos que simbolicamente representam todo o povo. Ou chama e envia 72 discípulos, chama discípulos de todas as nações para os enviar a todas as nações. Vão dois a dois. Partem da comunidade e seguem ligados à comunidade. Não vão sós. Individualmente. Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, Eu estarei no meio deles. Sós, podemos equivocar-nos, perder-nos no caminho, desanimar…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/34, n.º 4522, 20 de agosto de 2019

Editorial da Voz de Lamego: A Igreja em caminho

O caminho da Igreja em Lamego é Jesus e em Jesus cada uma das pessoas que vive ou que visita o território que se estende de Cinfães a Foz Côa, de Castro Daire a São João da Pesqueira, de Vila Nova de Paiva a Armamar, integrando 14 concelhos, 6 arciprestados. Como sublinhou o concílio Vaticano II, o caminho da Igreja é o homem (GS 22).

E neste caminho, a nossa diocese desafia-nos a refletirmos durante três anos sobre a identidade, a realidade, a vocação e a missão da Igreja. O primeiro ano, 2018-2019, sob a dinâmica vocacional e missionária – Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão –; o segundo ano sob a dinâmica sinodal – Igreja em caminho e em comunhão –, e o terceiro ano em abordagem da realidade mais concreta da Igreja peregrina no chão da nossa diocese.

De Cristo fluem rios de água viva, que geram vida e nos alimentam, dando sentido aos nossos dias, sentido além do tempo e da história, da nossa fragilidade e finitude. A água parada, estagnada, acabará por se tornar salubre, inquinada, imprópria para consumo, deixará de ser lugar de vida e onde nenhuma vida sobrevirá, a não ser que seja oxigenada pela terra… assim a vida da Igreja e a nossa vida.

A determinada altura Jesus diz aos Seus discípulos: vamos a outros lugares, anunciar o Evangelho, foi para isso que Eu vim ao mundo. Com efeito, os Evangelhos mostram que Jesus não se fixa num lugar específico, a não ser em Nazaré durante mais de 30 anos, tempo de enraizamento, em que Jesus, num ambiente familiar, aprende o valor da família, da amizade, da solidariedade entre vizinhos que se ajudam e se protegem mutuamente, o valor do trabalho honesto e o sacrifício de quem trabalha a terra e com esforço  sobrevive, pagando os elevados impostos que pesam sobre a maioria dos judeus, vivam em Nazaré ou vivam em Belém. A vida pública de Jesus é tempo de sementeira, é necessário lançar mãos ao arado e espalhar sementes de amor, de perdão e de esperança, de paz e de justiça.

No último conclave, o então Cardeal Bergoglio, que viria a ser eleito Papa (Francisco), fixava o caminho da Igreja – sair ao encontro dos mais frágeis, indo às periferias geográficas, mas sobretudo existenciais. Nos dias que se seguiram à Sua eleição, esta seria uma das palavras mais usadas. Uma Igreja a caminhar, em saída, comprometida com as periferias, em dinâmica missionária. Um Igreja lunar, disponível para comunicar a Luz do Sol, Jesus Cristo e como Ele, Bom Pastor, indo em busca das ovelhas perdidas.

 

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/34, n.º 4521, 13 de agosto de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Chamados e enviados… sempre

O ano pastoral está a chegar ao seu final. A Diocese de Lamego, em conformidade com o ano extraordinário missionário, de outubro a outubro, de 2018 a 2019, procurou, conjugando com a proposta do nosso Bispo para um triénio dedicado à Igreja, acentuar a nossa condição de vocacionados e enviados, podendo ser traduzido por uma expressão que amadureceu na América Latina, de onde é originário o Papa Francisco: discípulos missionários.

Tivemos a oportunidade, em diversos encontros, formativos ou celebrativos, de nos debruçarmos sobre o discipulado, sobre a nossa vocação. Com efeito, desde o seio materno, ou, numa expressão do Bento XVI, desde sempre, no pensamento de Deus, que somos chamados à vida, à felicidade, concretizável na santidade que nos humaniza e nos irmana.

O encontro com a alegria, o encontro com Jesus leva inevitavelmente à partilha, ao testemunho, ao anúncio. Tal como o amor de Deus implica o amor ao próximo, pois não é possível amar a Deus sem, em consequência, amar o(s) que Ele ama, também não é possível aproximar-se de Jesus, experimentar a alegria do encontro, a vocação, sem redundar em festa a necessitar de ser comunicada a todos os que vamos encontrando. Da reflexão, importa adequar a vida toda, a minha e a tua vida, a vida em comunidade, para viver em dinâmica missionária. Todos, tudo e sempre em missão.

Ao longo do Evangelho, Jesus explicita o chamamento, envolvendo as nações de toda a terra e, por conseguinte, o envio de 72 discípulos (símbolo dos povos de toda a terra) a todos os lugares.

De entre os discípulos, Jesus escolherá 12, a quem deu o nome de Apóstolos, para que fossem mais próximos e assumissem uma responsabilidade maior. Os discípulos vêm de diferentes proveniências, sobretudo de classes mais pobres, da Judeia e da Galileia. Entre eles existem laços familiares (André e Simão, Tiago e João), laços de amizade, laços profissionais, ou nenhum tipo de laço. O critério parece ser apenas um: despojamento, pobreza, disponibilidade para amar e para servir, e para partir. Haveria também Tiago, o irmão do Senhor, portanto parente de Jesus. Curiosamente, os familiares de sangue aparecem pouco, a não ser para O levarem para casa, por se dizer que Ele estaria tresloucado. Todavia, os que seguem Jesus hão de estar disponíveis para servir, não para se servir, e para irem por todo o mundo anunciar o Evangelho, rompendo com as fronteiras familiares e nacionalistas. Amar até os inimigos. Samaritanos, pecadores, publicanos, cananeus, gregos, homens ou mulheres. Ir às periferias, como tem apelado o Papa Francisco.

A Igreja de Lamego também no próximo ano, e nos seguintes, é chamada e enviada em missão.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/32, n.º 4519, 16 de julho de 2019

Colégio de Arciprestes – Reunião ordinária

No dia 31 de maio, teve lugar no Seminário de Lamego mais uma reunião ordinária do Colégio de Arciprestes, da diocese de Lamego. Presidida pelo bispo diocesano, D. António Couto, com a presença dos vigários gerais, da coordenação pastoral e dos arciprestes e vice-arciprestes da nossa diocese, a reunião teve início às 10h00, com a oração de Hora Intermédia, e terminou pelas 13h00, seguindo-se o almoço.

Dando cumprimento à pré-definida agenda de trabalhos, houve três assuntos que mereceram particular refleção, discussão e decisão. O primeiro tema em análise foi a verificação do estado de preparação do, já próximo, Dia da Família Diocesana, a realizar a 22 de junho, no Santuário de Santa Eufémia, na zona pastoral de Penedono. Expuseram-se um conjunto de decisões já tomadas acerca do programa do dia, da celebração Eucarística, da tarde recreativa e do envio. Distribuíram-se tarefas e pediu-se o máximo empenho de todos para o que ainda falta fazer, sobretudo no que toca à necessária divulgação, para que ninguém fique de fora por falta de informação.

O segundo assunto de maior relevância, na ordem dos trabalhos, foi a preparação do lema pastoral para o próximo ano. De acordo com o que já tinha ficado pensado e decidido no ano passado, o plano pastoral do ano 2019/2020 desenvolverá a temática da sinodalidade, como estado permanente da vida eclesial. Mantendo a lógica do ano passado, e seguindo as diretrizes da carta pastoral do nosso bispo, a proposta é de que o tema verse sobre a “Igreja em caminho e em comunhão” (Carta Pastoral 2018/19, nº1). A seguir agendaram-se já algumas datas de atividades diocesanas, que já vão sendo habituais ao longo dos últimos anos.

Por fim, o terceiro assunto puxado à discussão foi a análise da distribuição do clero diocesano, nos diferentes arciprestados. Os arciprestes e vice-arciprestes foram referenciando as situações mais críticas e anómalas, mencionando o caso de alguns sacerdotes que já não conseguem dar cumprimento normal à realização dos necessários trabalhos paroquiais. Alguns casos repetem-se, e foram já objeto de apreciação em anos anteriores, por este mesmo colégio. Outros são situações relativamente recentes.

Para terminar, o Senhor D. António agradeceu a presença, o empenho e o trabalho de todo. E reiterou a vontade de continuar a contar com todos neste serviço que foi pedido a cada um dos presentes.

Pe. Diamantino Alvaíde,  in Voz de Lamego, ano 89/26, n.º 4513, 2 de junho de 2019

Editorial Voz de Lamego: Luz que recria o mundo

Nestes dias não faltam belíssimas reflexões sobre a Páscoa. A Voz de Lamego eco de algumas. Um dos momentos mais marcantes destes dias é a Vigília Pascal, pelos sinais e símbolos que nos fazem visualizar a história da salvação, com particular incidência no mistério da entrega confiante de Jesus ao Pai, por nós.

Luz, palavra, água e pão. A celebração inicia com a bênção do Lume Novo. A nossa Luz, sempre nova, é Jesus, morto e ressuscitado. Na Encíclica Lumen Fidei, em sintonia com Bento XVI, o Papa Francisco sublinha que a fé é sobretudo luz, ainda que haja momentos de grande sofrimento, em que a dúvida assola e a confiança fica abalada. Com efeito, “a fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho… o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, é que a nossa sociedade pode encontrar alicerces sólidos e duradouros” (n.º 57). As trevas podem ser imensas, mas basta a luz de um fósforo, de um isqueiro ou de um telemóvel, para nos conseguirmos mexer e avançar confiantes.

Há momentos que precisamos de uma palavra amiga, mas talvez precisemos de quem nos escute. Não resolve os nossos problemas, mas conforta-nos saber que alguém nos escuta e tenta compreender-nos. Para que as palavras não sejam vazias, a urgência da escuta. Nesta noite santíssima escutámos longamente a Palavra de Deus, perscrutamos a presença de Deus na história que nos encaminha para Jesus. A Quem iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna!

Água para o caminho. Quem bebe desta água, não volta a ter sede. Eu Sou a água viva. Tantas vezes em que um pouco de água fresca é o suficiente para equilibrar o nosso organismo, para tranquilizar a nossa sede, para nos dar forças para continuar a caminhar. A bênção da água, na Vigília Pascal, faz-nos recordar a água em que fomos batizados, a água que nos renova, tornando-nos novas criaturas. Senhor, dá-nos sempre dessa água! Um pouco de pão e de água. Eu Sou o Pão da vida. O Pão que Eu hei de dar é a Minha Carne. É um verdadeiro milagre Deus fazer-Se um de nós. Verdadeiro milagre que a morte seja superada pela vida, pela ressurreição. Milagre grandioso, que Jesus Se converta em Pão para se tornar alimento de muitos. Isto é o Meu Corpo, tomai e comei. É o Meu sangue, tomai e bebei!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/21, n.º 4507, 23 de abril de 2019