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Archive for the ‘Opinião’ Category

Fábio Ribeiro: Pela defesa do ambiente (e da Greta)

Certamente terá visto muitas vezes nas notícias uma rapariga de ar pacato e tranquilo, com tranças Heidi, esbranquiçada e com uma certa fragilidade aparente. Quando ela fala, o mundo parece invadir-se de um certo deleite, embora uma grande fatia de pessoas esteja mais interessada em bater na menina. Do que fala ela afinal? De ambiente, de salvar o planeta. Só disto.

O nome dela é Greta Thunberg, tem 16 anos e é sueca. Saltou para as bocas do mundo porque criou um movimento chamado “Sextas-feiras pelo futuro”, em que jovens suecos, liderados por Greta, faltam às aulas no último dia da semana, e protestam contra as políticas que não incluem o meio ambiente nas preocupações governativas. É, de facto, um movimento um pouco estranho, é verdade, mas não tem nada de negativo, aparentemente.

Entretanto esta ativista, que chegou a Lisboa na semana passada vinda de barco desde os EUA, tem sido alvo de uma intensa polarização – ou seja: há quem a ame e troque juras de amor com ela; há quem veja nela todo o ódio do mundo e o exagero de uma “não questão” como o clima. Estive muito atento às reações dos políticos e basicamente vi duas marcas muito claras: a esquerda a aplaudir e endeusar Greta; a direita a troçar, menorizar e quase pisar todo o trabalho desta miúda. Como se, em matéria de ambiente, ser-se de esquerda ou direita fosse fundamental.

É um autêntico disparate o destaque que os meios de comunicação social têm dado a Greta. Efetivamente ela não diz nada de novo. Zero. Ela é apenas uma voz. Há várias décadas que existem diversas personalidades que apoiam o clima nesse destaque muito pessoal. É por ser miúda? É porque devia estar a estudar em vez de andar em greve? É mesmo isso o fundamental?

Greta tem endurecido o discurso. Falou em políticos que “lhe roubaram os sonhos”, fala num clima ambiental que depende do “patriarcado”. Parece que, por vezes, ela estica a corda, por alguma razão que possa ter. Efetivamente, toda a campanha de ódio perante alguém que pretende apenas colocar a preocupação ambiental na agenda pública, com ações concretas, tem sido miserável. Nesta procura pela próxima heroína do Mundo, patrocinada pelos média, assiste-se a esta novela do sofá, gritando contra a televisão: “esta Greta é mesmo a maior!” ou “raio de miúda, com aquelas tranças de menina mimada e rica… sabe lá ela o que é vida?”. Depois levantamo-nos e fazemos um chá. E a vida continua.

Fábio Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 90/03, n.º 4538, 10 de dezembro de 2019

Editorial Voz de Lamego: De Greta Thunberg à ecologia integral

Por estes dias a questão do ambiente tem preenchido páginas e páginas de jornais, têm-se multiplicado as partilhas, os comentários, têm-se extremado posições, colocando-nos na lógica mais tradicional da contraposição, da exclusão e do fundamentalismo. Porém, a questão ecológica não pode deixar de estar presente no quotidiano. Mais que os intervenientes, importa, a meu ver, a mensagem veiculada.

Os holofotes têm estado direcionados para Greta, jovem sueca, de 16 anos. As suas intervenções na Suécia, na ONU, em Lisboa, na manifestação de Madrid, têm permitido que a questão ambiental não saia das primeiras páginas, dos telejornais, das redes sociais. Saliente-se, desde logo, o aproveitamento político, quando as suas palavras insistem na falta de vontade política em alterar a pegada ecológica. Veja-se que líderes partidários estiveram na chegada a Lisboa. E a propósito, veja-se também quem interveio na manifestação das forças de segurança. De um lado o PAN, do outro lado o CHEGA.

Por outro lado, outra visão, mais trumpista (os EUA, com Ronald Trump, não têm qualquer interesse em respeitar acordos que restrinjam a poluição atmosférica ou a utilização exaustiva de recursos naturais, desde que momentaneamente a indústria americana se sobreponha e abafe qualquer concorrência), defende que a natureza, por si só, é autorregenrativa e, portanto, não é necessário fazer correções no caminho que se está a trilhar. Neste sentido, ataca-se a mensageira.

Greta Thunberg também me pareceu burguesa e exageradamente revoltada. Com os comentários e reflexões que fui lendo e escutando, e vendo algumas das suas intervenções equilibradas, como em Lisboa, apercebi-me que seria mais relevante a mensagem que veicula, mas também os debates que tem provocado.

É importante ler também e escutar os que não concordam com Greta e com outros movimentos mais verdes, se é que de verdes têm alguma coisa. Como em tudo na vida, os extremismos, os excessos e os exclusivismos precisam de ser purificados. Como não lembrar quando um reitor proibiu a carne de vaca na universidade! Será que ele se desloca a pé? Medidas de propaganda por si só, me parece, não surtem efeito, quando muito acentuam fanatismos. Só porque acho que a comida vegetariana é mais saudável, terei o direito de obrigar os outros a serem vegetarianos? O equilíbrio, o bom senso, a quantidade, como alguém dizia. Há tantas formas de nos comprometermos com o ambiente.

Mas não basta ser defensores do ambiente, se continuarmos a criar fossos e muros entre ricos e pobres, a descartar os mais frágeis, a eliminar os que não têm voz ou não têm força suficiente, a excluir os que professam outra ideologia ou outra fé. A ecologia, no dizer do Papa Francisco, terá de ser integral, abrangendo todo o homem e o homem todo. Há países em que é crime destruir as “ovas”, mas é legal o aborto ou a eutanásia, a pedido, em qualquer situação ou por qualquer motivo!

Para quê termos uma bela floresta se não tivermos pessoas que a contemplem?

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/03, n.º 4538, 10 de dezembro de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Dai-lhes vós mesmos de comer

No próximo Domingo, 17 de novembro, viveremos o 3.º Dia Mundial do Pobre, proposta do Papa Francisco que se vai impondo paulatinamente. Teve alguns críticos, dentro e fora da Igreja, por uma compreensão superficial e errónea do que se pretenderia, a começar pela formulação da comemoração, pois poderia entender-se que se estava a cristalizar, a elogiar e a justificar a pobreza. Uma coisa é defender a pobreza como opção que envolve humildade, despojamento e serviço ao próximo, e que obviamente, também pode incluir a produção de riqueza para promover o emprego e a disponibilidade de bens para mais pessoas; outra coisa é a resignação diante da pobreza imposta, a miséria a que milhões de pessoas estão sujeitas. “O compromisso dos cristãos, na vida ordinária de cada dia, não consiste apenas em iniciativas de assistência que, embora louváveis e necessárias, devem tender a aumentar em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade”.

A propósito, a Madre Teresa de Calcutá era acusada de não pensar e não defender uma política de erradicação da pobreza na medida em que apostava na resposta imediata e concreta às situações que iam surgindo. Com o tempo, ficou claro que as políticas são importantes, e sobretudo quando têm efeitos práticos, mas não se pode virar as costas à situações do dia-a-dia. Enquanto se espera pela implementação das medidas as pessoas morrerem à fome e ao frio… O assistencialismo pode ser provisório, mas não pode ser desculpa para não ajudar, fazendo já o que é necessário e possível.

O Papa Francisco tem deixado claro o princípio da subsidiariedade: não deixar para os outros o que posso fazer, envolvendo outros em questões mais complexas, não deixar para amanhã o que posso resolver hoje. Incentivar o Estado e as estruturas centrais a resolver problemas mais complexos e crónicos, de forma sustentada, mas mantendo-nos, a mim e a ti, comprometidos com a pessoa que está à nossa beira. Com efeito, em diversas ocasiões, o Papa tem sido contundente em relação a governos e estruturas centrais, à política e economia, para um envolvimento mais efetivo e rápido ao grito dos pobres, dos desfavorecidos, daqueles que continuam a viver nas periferias existenciais. Os pobres clamam. Deus ouve a sua voz. Quem se recusa a escutar o grito dos excluídos, tapa os ouvidos, o coração, a Deus. Como não lembrar a expressão papal: “esta economia mata” ao colocar o foco nas percentagens de desenvolvimento e produtividade, nas estatísticas, nos ganhos das bolsas de valor, ainda que à custa dos pobres, pessoas e povos.

Na mensagem para esta terceira jornada o Papa não pode ser mais claro: “A numerosos grupos de pessoas, a crise económica não lhes impediu um enriquecimento tanto mais anómalo quando confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas e a quem falta o necessário, acabando por vezes humilhados e explorados… Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/47, n.º 4534, 12 de novembro de 2019

Dia dos Santos ou Halloween?

Conhecer para compreender e poder discernir

As festividades associadas à denominação de Halloween são simples brincadeiras, ou melhor, simples pretextos lúdicos? Será isto que a maioria das pessoas pensa sobre esta efeméride também conhecida por «Dia das Bruxas»?

O livro, “Halloween – a travessura do Diabo” – é o resultado do trabalho de investigação sobre este tema a que se dedicou Aldo Buonaiuto, o qual pode contribuir para um melhor conhecimento do contexto histórico, desde o seu surgimento até à actualidade.

Através de uma séria pesquisa, o autor defende um poderoso argumento que prova estarmos em presença de um reavivar de cultos pagãos, de origem europeia e não americana, como comummente se admite e que agora, a pretexto da festividade do Dia de Todos os Santos e dos fiéis defuntos de origem cristã, se pretende reimplantar, por reinterpretação simbólica, essas ancestrais celebrações, aproveitando-se da ausência de conhecimentos religiosos como consequência da secularização das últimas décadas e pelas novas e ditas «suaves e propiciadoras» correntes espiritualistas do New Age.

Esclarecendo a faceta incógnita do Halloween e das práticas maléficas a que este fenómeno está ligado, sobretudo de modo inconsciente para muitos que nele participam, o autor conduz-nos de forma simples e esclarecedora, pelos meandros das suas origens até à magia da doçura ou travessura, nos dias de hoje.

“A festa das abóboras é, na realidade, uma festa para abóboras ocas. A travessura do demónio é doçura mortal para a alma”.

Miguel Ataíde, in Voz de Lamego, ano 89/44, n.º 4531, 22 de outubro de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Quando as pessoas são boas, são felizes

É uma expressão feliz de Dorothy Day e que assume o mandamento novo do amor por inteiro. Amar como Jesus amou, sem tréguas, sem reservas, sem condições prévias, não em função do que pode falhar, mas com o propósito de salvar, remir, fazer o bem, ajudar, reunir, construir. Só Deus basta (Santa Teresa de Ávila). Só o amor, ao jeito de Jesus, basta. Ama e faz o que quiseres (Santo Agostinho), porque amando farás não o que é melhor para ti e te garanta o futuro, mas o melhor para os outros, construindo o futuro.

“O caminho mais seguro para encontrar Deus, para encontrar o bem, é através dos irmãos”. É urgente a síntese entre “culto, cultura e cultivo”. Um compromisso que abranja a educação, a transformação da sociedade, passando pela conversão pessoal, e o empenho concreto e real no cuidado da criação, sem secundarizar a solidariedade com todos, no serviço aos mais pobres. Cultivar a inteligência e cultivar a terra, para que esta, produzindo em abundância, sem a exploração excessiva, possa beneficiar a todos e não apenas os mais ricos, povos e pessoas, desperdiçando uns enquanto outros vivem à míngua, mendigando as migalhas que caem da mesa dos magnatas ou rebuscando as lixeiras mais imundas.

“Nós e todos os homens temos um coração grande e generoso com o qual podemos amar a Deus… vendo Cristo nos outros, amando o Cristo que vemos nos outros. Mais do que isso, ter fé em Cristo nos outros sem poder vê-l’O”. Felizes aqueles que acreditam sem terem visto. “Tudo o que fizerdes ao mais pequenos dos meus irmãos é a Mim que o fazeis”. Por mais voltas que demos, amar a Deus só é possível se eu e tu, se nós nos empenharmos em fazer o bem aos outros, em praticar as obras de misericórdia, pondo em marcha as bem-aventuranças, pensando, não em mudar o mundo inteiro e chegar aos confins da terra, mas na pessoa que está ao meu lado, na minha rua, na minha aldeia, vila ou cidade. É louvável querer mudar o mundo inteiro e predispor-se a partir para longe, para lugares onde a ajuda é, ou parece ser, mais preciosa. Mas, esse propósito tem o mérito de ser apenas isso, um propósito: gostava de… se tivesse mais tempo… se tivesse a vida organizada… se não tivesse filhos… se…

Os propósitos assomam uma bondade inicial. Mas, como vemos, muitas vezes ficam na condicional, como possibilidades em aberto. Assim é nas nossas comunidades também. Hoje… este ano… agora… não me é possível… quem sabe amanhã… daqui a dois ou três anos! É o início do caminho, mas há sempre caminho a fazer-se, não me comprometo aqui, mas ali faço-me presente, não vou para a Cochinchina mas tenho um vizinho que precisa que lhe vá buscar o pão, um familiar que posso escutar por alguns minutos, um pai ou uma mãe que preciso de abraçar, um doente que precisa de desabafar, um idoso que precisa de perceber aquela carta ou aquela fatura…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/44, n.º 4531, 22 de outubro de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Educação: insistir, contrariar, resistir

O programa “À Roda da Alimentação”, da RTP 1, conduzido por Catarina Furtado, no dia 7 de setembro, começava, como habitualmente, com uma pergunta e três hipóteses: “Quantas vezes devemos insistir com os bebés até que aceitem um novo sabor? 9, 10 ou 11 vezes?” A resposta foi dada no final do programa: 11 vezes.

Na base da questão, a preocupação: como conseguir que as nossas crianças tenham uma alimentação equilibrada e variada? Sabe-se da guerra que os pais têm para que os filhos comam determinados alimentos que considerem saudável e necessário. Para ajudar a responder, o Pediatra Paulo Oom. O importante é não desistir de insistir. O ser humano foi condicionado para gostar de alimentos doces (saudáveis, com calorias… para caçar) e rejeitar os alimentos amargos (associados a alimentos que podiam matar). Então temos que contrariar esta tendência. No máximo, aos seis meses, a criança tem que começar a comer os alimentos, se possível não começar pelos doces, por exemplo, cereais, mas por legumes, como a sopa. A comida passada é facilmente aceite pela criança, mas não quando deteta um grãozito… há uma fase, 8 a 10 meses, se a criança for treinada a outras texturas e consistências, mais sólidas, com pedaços, vai-se repercutir nos anos seguintes, vai querer experimentar coisas novas… a “dieta” para a criança terá que ser para a família toda, o exercício físico, as regras de alimentação… tem que haver o exemplo dos pais… É muito importante que a criança, a crescer, saiba quais as linhas vermelhas que não pode ultrapassar, aquilo que não é inegociável… é suposto que todos comam de todos os grupos alimentares… Quando a criança aumenta de peso nos primeiros dois anos vai ter uma relação direta da sua tendência para o excesso de peso e para a obesidade na adolescência…. O problema não é da criança, é da família e da comunidade em que está inserida, como a escola. Imaginação e criatividade na apresentação dos alimentos. A atividade física é sempre importante.

Educar um filho, uma criança, não é fácil. Os dias que correm apresentam muitas referências, valores, alternativas. Antes, a referência era a família, a Igreja, a escola. Hoje a escola é a primeira e quase única referência. As crianças passam grande parte do tempo dentro de quatro paredes, dentro do espaço confinado da escola. Diga-se em abono da verdade, que hoje em dia há uma maior consciência da envolvência comunitária na vida escolar e académica.

Outra pergunta que se coloca com frequência: orientar as crianças, ter uma ação mais “invasiva”, ou deixar andar, não contrariar as crianças, procurar respeitar os seus gostos e as suas inclinações. Há escolas em que os alunos escolhem as disciplinas que querem, os horários que lhes convém e os espaços em que querem estar… Mas queiramos ou não, não deixa de haver orientação. Os pais serão os primeiros responsáveis pela educação dos filhos e cabe dar-lhes as ferramentas e indicar-lhes o que consideram o melhor caminho. Quando chegar o tempo, os filhos decidirão que caminho seguir…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/43, n.º 4530, 15 de outubro de 2019

Editorial Voz de Lamego: A cultura do encontro na educação

Mais um ano escolar! Mais oportunidades de encontro, de amadurecimento, de crescimento. Mais um ano de diálogo, de compromisso e de desafio.

Para quem entra pela primeira vez, a escola pode assustar. Será mais difícil para os pais do que para as crianças, sobretudo nos meios maiores. Separar-se dos filhos, confiá-los a outras pessoas, colocá-los num meio estranho, provoca ansiedade e medo. Será que o filho/a se vai adaptar? Como vai lidar com os outros? Como é que cuidarão dele/a?

Para quem regressa, se as coisas correram mal, pode acentuar-se a animosidade para com a escola e para com pessoas que fazem a escola. Se correram bem, haverá possibilidades de ainda correrem melhor. Reencontro de amigos, regresso a um ambiente que se tornou familiar e que se converteu na segunda ou, até mesmo, na primeira casa.

O gosto pela aprendizagem será sempre um estímulo. Por essa razão hoje se fala tanto em “motivação”. Tantas as ofertas, as propostas, que a escola aparece como estorvo ou enfado! Sem secundarizar o efeito das redes sociais! Em todos os ambientes, o telemóvel tornou-se uma necessidade patológica: desligar, colocar em silêncio, arrumar na mochila, para não haver a tentação de ver se há notificações… Para muitos é um drama!

A escola absorve-nos cada vez mais. Parece que a vida toda se resolve à volta da escola. Positiva e negativamente. Positivamente quando é inclusiva, quando é promotora da cultura, da comunidade, da partilha e da solidariedade, quando ajuda à integração das pessoas, preparando-as para a vida, para o mercado do trabalho, mas sempre e sobretudo para que aqueles que, num tempo são mais “aprendizes”, se tornem verdadeiramente autores de uma sociedade mais justa e fraterna, num mundo mais saudável. Negativamente, quando a seleção e a competividade, levadas ao extremo, servem para excluir, criando muros entre bons e maus. Premeie-se o mérito, mas sem esquecer a pessoa, o seu contexto familiar e social, as suas dificuldades e potencialidades e/ou as suas insuficiências, procurando não deixar ninguém para trás. Não é fácil. É um desafio para toda a comunidade educativa (que inclui a escola, a família, o ambiente geográfico e social, os parceiros, empresas e autarquias, Igreja, associações e movimentos).

Servindo-nos das palavras do Papa Francisco, a escola tem o grave dever de promover a cultura do encontro, na inclusão e respeito das diferenças. Diz o Papa: é preciso “cooperar para formar jovens abertos e que se interessam pela realidade que os circunda, capazes de cuidado e ternura… estimular nos alunos a abertura ao outro como rosto, como pessoa, como irmão e irmã que deve ser conhecido e respeitado, com a sua história, as suas qualidades e defeitos, riquezas e limites”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/39, n.º 4526, 18 de setembro de 2019