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Archive for Janeiro, 2015

Ano da Vida Consagrada… na nossa Diocese

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Ao longo deste Ano da Vida Consagrada, todo o povo cristão é convidado a tomar consciência deste dom que é a Vida Consagrada para a Igreja e o mundo. Presente em formas tradicionais ou novas, esta Vida habita o coração da Igreja e é um elemento essencial na sua missão. Por isso, todos os cristãos estão convidados a conhecer melhor tal vida, apreciando a sua missão e dando graças por tal dom.

A nossa diocese tem a graça de poder contar com uma presença numerosa e diversificada de consagrados, presentes em vários locais diocesanos e assumindo uma missão que é comum, servir a Igreja de Cristo.

O nosso jornal já se ofereceu para divulgar imagens e palavras das diferentes “famílias religiosas” presentes na nossa diocese, dando a conhecer fundadores, carismas, comunidades, serviços, presenças e missão entre nós.

Aproveitando o Ano que estamos a viver, renovamos o convite à participação de todos. Entretanto, publicamos hoje os nomes das comunidades e institutos presentes na diocese.

  • Irmãs Dominicanas Contemplativas – Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia
  • Congregação da Divina Providência e Sagrada Família
  • Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição
  • Filhas de São Camilo
  • Dominicanas de Santa Catarina de Sena
  • Missionárias do Precioso Sangue
  • Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus
  • Religiosas do Amor de Deus (Lamego)
  • Servas de Nossa Senhora de Fátima
  • Priorado de Nossa Senhora da Assunção – Beneditinos
  • Igreja de São Francisco (Ordem dos Frades Menores) – Franciscanos
  • Instituto das Cooperadoras da Família
  • Servos e Servas do Coração de Maria de Jesus
  • Instituto Secular de Filiação Cordimariana
  • Auxiliares do Apostolado

JD, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4298, ano 85/11, de 20 de janeiro de 2015

Início das VISITAS PASTORAIS no Arciprestado de Lamego

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No dia 25 de Janeiro, pelas 16 horas, ocorreu mais um evento de preparação das Visitas Pastorais às paróquias do Arciprestado de Lamego. Reuniram-se os membros dos Conselhos Pastorais Paroquiais e do Conselho Pastoral Arciprestal, no anfiteatro do Museu Diocesano, para participarem numa conferência de D. António Couto, Bispo de Lamego sobre “Visitas Pastorais”. O Arcipreste de Lamego, Pe. Joaquim Assunção, começou por saudar os presentes, cerca de oito dezenas de membros destes Conselhos, com uma palavra de introdução alusiva à natureza e finalidade desta actividade arciprestal, a decorrer entre Fevereiro e Julho de 2015.

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A visita pastoral é uma das formas, corroborada pela experiência de séculos, com a qual o Bispo mantém contactos pessoais com o povo de Deus, reavivando as energias das comunidades cristãs e dos intervenientes na missão da Igreja, encorajando e chamando todos os fiéis à renovação da fé e da vida cristã bem como a uma actividade apostólica eficaz e de acordo com as exigências atuais”.

Em seguida, o sr. Bispo, proferiu uma bela e rica alocução, citando o Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos, e diversas passagens bíblicas do Novo Testamento, para explicitar o sentido da palavra “visita”. “A Visita Pastoral é um acontecimento de graça que, de algum modo, reflete aquela tão especial visita com a qual o Supremo Pastor (1 Pedro 5,4) Jesus Cristo, visitou e redimiu o seu povo (Lucas 1, 68) (n.º220)”.

Fez notar ainda que a palavra “bispo”, no texto grego, desenha um olhar de cima para baixo, mas que não é um olhar de superioridade mas antes “um olhar maternal e paternal, um olhar de graça”. Nesta ordem de ideias, mais adiante afirmou: “Pondo as coisas neste grau de beleza e de exigência, a mim com vosso bispo, compete-me através da visita pastoral, ser no meio de vós a transparência pura de Jesus Cristo, e encher de mais amor e alegria a família de Deus espalhada pelas 24 Paróquias deste Arciprestado de Lamego”.

Com a sala do museu diocesano a transbordar, e perante uma assembleia recheada de muitos fiéis leigos, a representar as suas Paróquias, dirigiu-se-lhes de modo particular nestes termos: “Quero que esta Visita pastoral sirva também para vos dizer que vós sois protagonistas da Evangelização, e que a vossa missão de evangelizadores é necessária e fundamental para a renovação do tecido reticular da nossa Diocese de Lamego, toda unida e reunida à volta de Jesus Cristo”.

Terminada a Conferência, os participantes dirigiram-se ao Centro Social e Paroquial da Sé, para um frugal lanche/convívio. Terminou a jornada com a Eucaristia na Sé Catedral, presidida por D. António Couto e concelebrada pelos sacerdotes do Arciprestado, que contou com a numerosa participação destes membros dos Conselhos de Pastoral, a assinalar, deste modo, o início oficial das Visitas Pastorais no Arciprestado de Lamego.

Pe. Joaquim Assunção Ferreira, Arcipreste

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4298, ano 85/11, de 20 de janeiro de 2015

Castro Daire |> Nova capela dedicada a São Paulo

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No passado dia 25, Festa da Conversão de São Paulo, foi dedicada uma capela no Lugar dos Braços da paróquia de São Pedro de Castro Daire ao Apóstolo dos Gentios.

Nas palavras do pároco, P. Carlos Caria, “este era um desejo já amadurecido há muito tempo. Sentimos a necessidade deste lugar, para ser um fator de congregação. Quase todos os lugares pertencentes a esta paróquia possuem um lugar de culto para a celebração habitual de cada domingo, ou para a congregação em dias festivos”. O lugar dos Braços divide-se em Braços de Cá e de Lá e segundo o sacerdote “ a construção da capela procurará ser um fator de aproximação entre as pessoas deste lugar, e um espaço de interpelação para o sagrado e para a comunhão com a paróquia. Pensou-se no orago São Paulo, por ser celebrado no mesmo dia do padroeiro São Pedro e assim permitir a comunhão festiva, possibilitando a realização de celebração na capela noutros dias, como a Conversão de São Paulo, e de São aos Coríntios é a expressão ‘Formamos um só corpo em Cristo Jesus….’ Linguagem com muita atualidade para o referido Lugar.”

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A nova capela tem como patrono São Paulo e duas imagens colaterais, Nossa Senhora do Carmo e São João Paulo II e o estilo da construção é muito próximo das capelas tradicionais que existem nesta paróquia, de formato retangular, com alvenaria aparente nas portas, janelas, cumes, esquinas e base e uma pequena sineira na face lateral. Ainda segundo o P. Caria “não se ensaiaram projetos mais ousados de arquitetura contemporânea, por se pensar ser contraproducente na pretendida identificação das pessoas com o Lugar Sagrado.”

A celebração teve início às 15h30, com a bênção da porta e do interior da capela, a que se seguiu a celebração da Eucaristia. As imagens de São Paulo, Nossa Senhora do Carmo e São João Paulo II, haviam sido benzidas e depois já expostas ao culto, junto ao Altar, na Eucaristia Dominical das 10:45 horas, na Igreja Matriz de Castro Daire.

Segundo Jaime Ferreira o engenheiro responsável do projeto “foi uma Celebração com uma dignidade e comunhão desconcertantes. Ouviu-se a voz de Deus, proclamada, concelebrada, dignamente solenizada pela Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Castro Daire e participada por mais de duas centenas de Cristãos, dos Braços e doutros lugares da Paróquia, que assim quiseram marcar a comunhão desta Igreja que todos formamos em Cristo Jesus. O ‘som do silêncio que ouvi no exterior, as palavras amigas e de gratidão que todos partilhamos, muito diz desta obra, que muitos ansiavam há longos anos, mas que as circunstâncias e a vontade dos homens, apenas agora permitiu concretizar.”

A celebração foi presidida pelo P. João Carlos Morgado, em representação do nosso Bispo e concelebrada por quatro sacerdotes ligados à paróquia. O presidente da celebração sublinhou que a edificação desta capela é exemplo de “uma Igreja que vem à periferia para nos atrair para o centro. Uma capela construída no único povo da nossa paróquia que não tinha um lugar de culto, não para nos separar, mas para nos aproximar mais da igreja paroquial, da unidade da Igreja e da comunhão com Cristo ”. Agradeceu o empenho do pároco e de todos os que se empenharam com o seu contributo material e espiritual, nomeadamente através da novena preparatória sugerida pelo Pe. Caria a toda a paróquia.

No fim todos puderam visitar, contemplar e fazer as primeiras orações no novo templo, ouvir algumas belas peças musicais executadas pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Castro Daire e retemperar forças com um lanche primorosamente preparado pelas mordomas da capela.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4298, ano 85/11, de 20 de janeiro de 2015

RETIRO |> Agentes Pastorais Paroquiais

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Tal como estava previsto no calendário pastoral para o corrente ano de 2015,  realizou-se o retiro para agentes pastorais da diocese de Lamego, na Casa de São José, onde cerca de sessenta leigos de diversas paróquias, tiveram oportunidade de fazer um  maior aprofundamento da sua vivência da fé.

A parte da manhã foi preenchida com a adoração ao Santíssimo, de uma forma inovadora, não só pela escolha das orações extraídas de textos bíblicos apropriados, mas simultaneamente pelo seu conteúdo catequético, conducentes a uma interiorização e meditação profundas a que ninguém pode ficar alheio.

Os textos escolhidos, a sua apresentação em prospetos entregues a todos os presentes e as leituras feitas por pessoas, alietoriamente escolhidas, denotam um trabalho preparatório,  intenso e de excelente qualidade, que calou fundo no coração dos que tiveram o privilégio de participar nesta acto de adoração que, ao fim de três horas, dava a impressão de ter durado apenas alguns minutos.

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Da parte da tarde, foram explicitadas algumas passagens da Encíclica Evangelii Gaudium, com incidência nas tentações dos agentes pastorais, pelos Sacerdotes Padre João Carlos e Cónego José Melo que, nas suas alocuções, provocaram os presentes para um diálogo profícuo que produziram intervenções com interesse para os leigos comprometidos.

O retiro terminou com a Eucaristia presidida pela Sr. Bispo D. António Couto que, na homilia, não deixou de referir a obrigação dos leigos participarem na ação pastoral comunitária e de levarem Cristo ao âmago da sociedade  onde estão inseridos.

José Luís Morais, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4298, ano 85/11, de 20 de janeiro de 2015

Homilia de D. António Couto na Tomada de Posse

NAN_7599(foto: Kymagem)

       «Eis que faço novas todas as coisas» (Apocalipse 21,5), diz Deus. De tal modo novas, diz Deus, que ninguém pode dizer: «Já o sabia» (Isaías 48,7).

       Eis então Jesus a entrar com os seus discípulos em Cafarnaum, na sinagoga deles, e ensinava e ordenava tudo de forma nova. Tão nova que inutilizava todas as comparações e catalogações. Não era membro de nenhuma confraria, academia, partido, ordem profissional ou instituição, que à partida lhe conferisse algum crédito, alguma autoridade. Nenhum crédito, nenhum currículo, nenhum diploma, o precedia. A sua autoridade começava ali, no próprio acto de dizer ou de fazer. E as pessoas de Cafarnaum foram tomadas de tanto espanto, que tiveram de constatar logo ali que saía dos seus lábios e das suas mãos um mundo novo, belo e bom, ordenado segundo as pautas da Criação. Um vendaval manso de graça e de bondade encheu Cafarnaum, e transvazava como um perfume novo de amor e de louvor por toda a região da Galileia e da missão. Saltava à vista que Cafarnaum não podia conter ou reter tamanha vaga de perfume e lume novo.

       As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que diziam os escribas, e como diziam os escribas. Não eram senão repetidores, talvez mesmo apenas repetentes de pesadas e cansadas doutrinas que se arrastavam na torrente de uma velha e gasta tradição. Os escribas diziam, diziam, diziam, recitavam o vazio (Salmo 2,1), compraziam-se na sua própria boca, nas suas próprias palavras (Salmo 49,14), e nada, nada, nada acontecia: nenhum calafrio na alma, nenhum rio nascia no deserto, ninguém estremecia ou renascia. Mas Jesus começou a falar, e as pessoas de Cafarnaum sentem um frémito, um estremecimento novo (Isaías 66,2 e 5), assalta-as uma comovida emoção, uma lágrima de alegria lhes acaricia o coração. Era como se acabassem de escutar aquela palavra única que há tanto tempo se procura, palavra criadora que nos vai direitinha ao coração, a ternura de quem leva uma criança pela mão!

        As pessoas de Cafarnaum sabiam bem o que eram, e como se faziam os exorcismos. Estavam muito em voga naquele tempo. Eram longos, estranhos, complicados, cheios de fórmulas mágicas e ritos esotéricos. Mas Jesus diz uma palavra criadora: «Cala-te e sai desse homem», e tudo fica de imediato resolvido!

       Abre-se um debate. O primeiro de muitos que o Evangelho de Marcos vai abrir. «O que é isto?», perguntam as pessoas de Cafarnaum, que nunca tinham visto tanto e tão novo e tão prodigioso ensinamento.

       Mas é apenas o começo da jornada deste maravilhoso ANUNCIADOR do Evangelho de Deus (Marcos 1,14). Logo a abrir o seu Evangelho, Marcos ensina-nos que a jornada iniciada naquele primeiro sábado em Cafarnaum salta os clichés habituais, e vai de madrugada a madrugada, de modo a deixar já bem à vista aquela outra sempre primeira madrugada da Ressurreição! Jesus começa de manhã na sinagoga; caminha depois 30 metros para sul, e entra, pelo meio-dia, na casa de Pedro e levanta da febre para o serviço do Evangelho a sogra de Pedro; à tardinha, já sol- posto, primeiro dia da semana, toda a cidade de Cafarnaum está reunida diante da porta daquela casa, para ouvir Jesus e ver curados por Ele os seus doentes; de madrugada, muito cedo, Jesus sai sozinho para rezar, e os discípulos correm a procurá-lo para o trazer de volta a Cafarnaum, pois, dizem eles, todas as pessoas o querem ver e ter. Ninguém o quer perder.

       Desconcertante reviravolta. Jesus diz aos seus discípulos atónitos: «VAMOS a outros lugares, às aldeias vizinhas, para que TAMBÉM ali ANUNCIE (kêrýssô) o Evangelho» (Marcos 1,38). Com este grávido dizer, Jesus deixa claro que ANUNCIAR o Evangelho enche por completo o seu programa e o seu caminho. Com aquele «vamos» [«vamos a outros lugares»], Jesus desinstala e agrafa a si os seus discípulos para este trabalho de ANÚNCIO do Evangelho seja a quem for, seja onde for. Com aquele «também» inclusivo [«para que também ali anuncie o Evangelho»], Jesus classifica como ANÚNCIO do Evangelho todos os afazeres da inteira jornada de Cafarnaum: ensinar, libertar, acolher, curar, recriar: é esta a toada do ANÚNCIO do Evangelho. ANUNCIAR (kêrýssô) é então o afazer de Jesus. E qual é a primeira nota que soa quando Jesus se diz com o verbo

       ANUNCIAR? É, sem dúvida, a sua completa vinculação ao Pai, de quem é o arauto, o mensageiro, o ANUNCIADOR. Pura transparência do Pai, de quem diz e faz o que ouviu dizer (João 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e viu fazer (João 5,19; 17,4). Recebendo todo o amor fontal do Pai, bebendo da torrente cristalina do amor fontal do Pai (Salmo 110,7; cf. 1 Reis 17,4), Jesus, o Filho, é pura transparência do Pai, e pode, com toda a verdade dizer a Filipe: Filipe, «quem me vê, vê o Pai» (João 14,9). É mesmo aqui que reside a sua verdadeira AUTORIDADE e a verdadeira NOVIDADE do seu MODO novo de dizer e de fazer, que se chama ANUNCIAR.

       A primeira nota de todo o ANUNCIADOR ou Arauto ou Mensageiro não assenta na capacidade deste, mas na sua fidelidade Àquele que lhe confia a mensagem que deve anunciar. É em Seu nome que diz o que diz, que diz como diz. No Enviado é o Rosto do Enviante que se deve ver em contra-luz ou filigrana pura. No Enviado ou Mensageiro ou Anunciador é verdadeiramente Deus que visita o seu povo.

       Pertinho de Deus, cheio de Deus, Jesus leva Deus aos seus irmãos. É esta a Autoridade de Jesus. Ele é o profeta «como Moisés», mais do que Moisés, com a boca repleta das palavras de Deus (Deuteronómio 18,18). E não só a boca, mas também as mãos e o coração. Bem diferente dos escribas e dos falsos profetas e do povo rebelde no deserto. Estes dispensam a Palavra de Deus. O que querem ter na boca é pão e carne. O que recolheu menos, no deserto, diz-nos o extraordinário relato do Livro dos Números 11,31-35, recolheu 4500 kg de carne de codorniz. E começaram a meter a carne à boca com tamanha avidez, que morreram de náusea. Foram encontrados mortos, ainda com a carne entre os dentes, por mastigar (Números 11,33). Vê-se que é urgente libertar o coração, as mãos, a boca. Vive-se da Palavra. Morre-se de náusea.

        Caríssimos irmãos mais pequeninos, jovens amigos, caríssimos pais, caríssimos idosos e doentes, caríssimos catequistas, acólitos, leitores, cooperadores na missão da evangelização e da caridade, ilustres autoridades, caríssimos seminaristas, caríssimos religiosos e religiosas, caríssimos diáconos e sacerdotes, Senhores Bispos, Senhor D. Jacinto, Senhor Núncio Apostólico, Senhor Cardeal Patriarca, e todos vós que comigo pisais hoje este chão de generoso vinho e de amendoeiras em flor.

       Numa página sublime do Livro dos Números (17,17-26), Deus ordena a Moisés que recolha as varas de comando dos chefes das doze tribos de Israel, para, de entre eles, escolher um que exerça o sacerdócio em Israel. Em cada vara foi escrito o nome da respectiva tribo. Por ordem de Deus, o nome de Levi foi substituído pelo de Aarão. As doze varas foram colocadas, ao entardecer, na presença de Deus, na Tenda do Encontro. Na manhã seguinte, todos puderam ver que da vara de Aarão tinham desabrochado folhas verdes, flores em botão, flores abertas e frutos maduros (Números 17,23). Dos frutos é dito o nome: amêndoas! Vara de amendoeira em flor e fruto, que, por ordem de Deus, ficará para sempre na sua presença, diante do Propiciatório (cf. Hebreus 9,4), entre Deus e o povo, para impedir que o pecado do povo chegue a Deus, e para facilitar que o perdão de Deus chegue ao povo. Já ninguém estranhará agora que o candelabro (menôrah) que, noite e dia,/ ardia/ na presença de Deus, estivesse ornamentado com flores de amendoeira (Êxodo 25,31-35; 37,20-22). E também já ninguém estranhará que a tradição judaica tardia refira que a vara do Messias havia de ser de madeira… de amendoeira.

       Aí estão as coordenadas exactas do lugar do sacerdote e do bispo: entre Deus e o povo. Mais concretamente: pertinho de Deus, mas de um Deus que faz carícias ao seu povo, um Deus que ama e que perdoa; pertinho do povo, o suficiente para lhe entregar esta carícia de Deus.

       Queridos filhos e irmãos, pais e mães que Deus me deu nesta dorida e querida Diocese de Lamego. Quero muito ver o vosso rosto. Já sabeis que trago notícias de Deus. E que conto muito com cada um de vós, para levar a todos os lugares e a todas as pessoas desta bela Diocese este vendaval de graça e de bondade que um dia Jesus desencadeou em Cafarnaum.

       Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

+ António Couto, Bispo de Lamego

(A homilia, deste dia, encontra-se também no blogue de D. António: Mesa de Palavras.

D. António Couto |> Pequena Biografia do nosso Bispo

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D. António José da Rocha Couto:

Data Nascimento: 18 de Abril de 1952. Naturalidade: Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses, Porto Ordenação Sacerdotal: 3 de Dezembro de 1980, em Cucujães. Nomeação episcopal: 6 de Julho de 2007, para Bispo Auxiliar de Braga.Ordenação Episcopal: 23 de Setembro de 2007, no Seminário das Missões, Cucujães, Oliveira de Azeméis.

Nomeação para Bispo de Lamego: 19 de Novembro de 2011.

       Foi nomeado pelo Papa Bento XVI como Bispo titular da Diocese de Lamego, sucedendo a D. Jacinto Botelho, que aguardava há mais de um ano pela nomeação do seus Sucessor à frente dos destinos da Diocese.

       A 2 de Outubro de 1963 entrou no Seminário de Tomar, da Sociedade Portuguesa das Missões Ultramarinas, hoje Sociedade Missionária da Boa Nova.

       Recebeu a ordenação sacerdotal em Cucujães, em 3 de Dezembro de 1980.

       Os primeiros anos de sacerdócio foram vividos no Seminário de Tomar, acompanhando os alunos do 11.º e 12.º anos. No ano lectivo de 1981-1982 foi Professor de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola de Santa Maria do Olival, em Tomar.

       Em 1982 fez o curso de Capelães Militares, na Academia Militar, e foi nomeado capelão militar do Batalhão de Serviço de Material, do Entroncamento, e, pouco depois, também da Escola Prática de Engenharia, de Tancos.

       Transferiu-se depois para Roma, para a Pontifícia Universidade Urbaniana, onde, em 1986, obteve a licenciatura canónica em Teologia Bíblica. Na mesma Universidade obteve, em 1989, o respectivo Doutoramento, depois da permanência de cerca de um ano em Jerusalém, no Studium Biblicum Franciscanum.

       No ano lectivo de 1989-1990 foi professor de Sagrada Escritura no Seminário Maior de Luanda.

Regressou então a Portugal, e foi colocado no Seminário da Boa Nova, de Valadares, com o encargo da formação dos estudantes de teologia.

       É professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, núcleo do Porto, desde o ano lectivo de 1990-1991. De 1996 a 2002 foi Reitor do Seminário do Seminário da Boa Nova, de Valadares. Foi também Vigário Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) de 1999 a 2002, ano em que foi eleito Superior Geral da mesma Sociedade Missionária da Boa Nova, cargo que ocupou até à data da sua Ordenação Episcopal, em 23 de Setembro de 2007.

       A SMBN é composta por sacerdotes diocesanos e leigos que se consagram à evangelização. Surgida em Portugal em 1930, dedica-se à evangelização ad gentes em Moçambique (desde 1937), Angola (desde 1970), Brasil (desde 1970), Zâmbia (desde 1980) e Japão (desde 1998).

       Em 2004, João Paulo II nomeou-o membro da Congregação para a Evangelização dos Povos.

       D. António Couto é colaborador do Programa ECCLESIA (RTP2), da Igreja Católica, tendo colaborado regularmente desde 2003, na sua qualidade de biblista.

     É autor dos seguintes livros: Até um dia (poemas) 1987; Raízes histórico-culturais da Vila Boa do Bispo (1988); A Aliança do Sinai como núcleo lógico-teológico central do Antigo Testamento (tese de doutoramento), 1990; Como uma dádiva. Caminhos de antropologia bíblica, 2002 (2.ª edição revista em 2005); Pentateuco. Caminho da vida agraciada, 2003 (2.ª edição revista, 2005); Estação de Natal (2012); Vejo um ramo de amendoeira (2012); O livro do Génesis (2013); A nossa Páscoa (2013); Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo após Domingo. Ano A (2013); Introdução ao Evangelho de São Mateus (2014). E também autor de inúmeros artigos em enciclopédias, colectâneas e revistas.

       É também presença habitual na Internet. Exemplo disso é o concorrido blogue MESA DE PALAVRAS: aqui, onde propõe as diversas reflexões dominicais.

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Brasão Episcopal de D. António Couto

É este o brasão de D. António José da Rocha Couto, Bispo de Lamego.

Armas episcopais de  D. COUTO

       Predomina o verde, com besante de ouro no ponto de honra, carregado de uma flor de amendoeira, à cor branca natural. Filactéria inferior de prata, debruada a verde com a legenda em vermelho: Vejo um ramo de amendoeira.

O ornato superior feito com a cruz a rematar a elipse e o chapéu preto de seda de copa redonda e abas direitas, forrado de ver, com cordões de seis nós de cada lado.

As armas procuravam mostrar a nobreza e a ascendência de quem as possuía. Aqui trata-se sobretudo de um programa de vida e um grito de esperança.

O verde exprime a esperança, dirigida aos humildes e oprimidos, num mundo muito instável, em que os mais débeis são os mais sacrificados e/ou esquecidos.

O besante de ouro, cuja simbologia aponta para a fidelidade ao rei até à morte, aqui fidelidade a Deus e ao seu povo.

O círculo central pode ainda ser interpretado como referência à divindade, mas também ao cosmos e ao mundo.

A flor de amendoeira exprime esperança, mesmo em situações adversas e desfavoráveis. Em pleno inverno, brota a flor de amendoeira, num misto de cor, alegria e festa.