Arquivo

Archive for the ‘Vocações’ Category

Editorial da Voz de Lamego: participantes do sacerdócio de Cristo

A palavra sacerdócio anda ligada, inevitavelmente, aos bispos e aos padres e, claro, antes disso, a Jesus Cristo, Sacerdote por excelência, pois em Si mesmo coabita a humanidade e a divindade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O sacerdote santifica, une, consagra, eleva a humanidade para Deus. Ora Jesus, traz-nos Deus e, morrendo e ressuscitando, leva a nossa humanidade para junto do Pai. Não há santificação maior, Jesus, Deus encarnado, Deus humanado, é totalmente (com)sagrado. Eu e o Pai somos Um. Eu n’Ele e Ele em Mim. Faço o que vi fazer a Meu Pai. Digo e que Me mandou dizer. Mediação única: ninguém vai ao Pai senão por Mim. Eu Sou o Caminho!

Durante a Última Ceia, na primeira Eucaristia, Jesus instituiu o sacerdócio: Fazei isto em Memória de Mim. Dentre os Seus discípulos, Jesus escolheu 12, para os preparar para uma missão específica e lhes confiar a Sua Igreja, o Seu Corpo, a Sua Vida. Isto é o Meu Corpo… Isto é o Meu sangue entregue foi vós… para a salvação de todos. Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura, fazei discípulos de todas as nações, quem acreditar e for batizado será salvo.

A morte de Jesus traz a dispersão, o medo e o desencanto. A Sua ressurreição devolve a alegria, a esperança e a fé, e reúne o grupo dos 12, melhor dos 11, uma vez que Judas se precipitara entregando Jesus, traindo-O, na pressa de fazer as coisas à sua maneira. Para que o grupo fique completo, segundo a eleição do próprio Jesus, que havia designado 12, simbolicamente representando a humanidade inteira para serem enviados a todo o mundo. Matias foi o eleito!

O número 12 era simbólico, pois para chegar ao mundo inteiro seriam precisos outros colaboradores. Os sucessores dos Apóstolos, os Bispos, escolheram anciãos, presbíteros para servirem as comunidades que iam surgindo, no anúncio da Palavra, na santificação da vida. Também o aparecimento do diaconado, serviço aos mais pobres daquele tempo, os órfãos e as viúvas, para que ninguém e nenhuma dimensão da vida ficasse desamparada.

Quase parece perfeito… e acabado! Tudo resolvido! Com mais calma. A Igreja não são os Bispos, os padres e os diáconos, somos todos. Todos fomos consagrados. Jesus morreu e ressuscitou por todos, por mim e por ti. Somos novas criaturas, participamos da santidade de Jesus, somos membros do Seu corpo. Cabe-nos, a cada de nós, transparecer a santidade de Cristo para todos! Todos participamos do sacerdócio de Cristo, ainda que em diferentes ministérios e serviços, mas para o bem do único Corpo de Cristo.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/30, n.º 4517, 2 de julho de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Promessa e Risco

No próximo dia 12 de maio, ocorrerá o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Oportunidade, mais uma, para refletirmos sobre a nossa vocação e, refletindo, nos unirmos “em oração pedindo ao Senhor que nos faça descobrir o seu projeto de amor para a nossa vida, e que nos dê a coragem de arriscar no caminho que Ele, desde sempre, pensou para nós”.

O Papa Francisco, na sua mensagem para este dia, conclui com este desafio à oração e à disponibilidade para acolhermos o projeto de Deus.

O lema diocesano compromete-nos com o chamamento. A Igreja de Lamego é chamada e cada diocesano, cada cristão é chamado pelo Senhor a uma vida santa, feliz, luminosa. Deus não nos chama para nos controlar, nos escravizar, para exigir de nós algo que nos dificulte a vida. Chama-nos a “entrar num grande projeto, do qual nos quer tornar participantes, apresentando-nos o horizonte dum mar mais amplo e duma pesca superabundante”. O chamamento parte de um encontro. Jesus encontra Simão e André a remendar as redes e lança-lhes o desafio. A vocação dá-se num encontro. A deles e a nossa. Os dois irmãos aprenderam as dificuldades da pesca (e da vida). Há dias de pesca abundante e outros dias em que regressam sem terem pescado nada. A pesca milagrosa, diz o Papa, é a forma de Deus nos fazer descobrir que nos chama à grandeza. A nossa “vida não deve ficar presa nas redes do sem-sentido e daquilo que anestesia o coração… A vocação é um convite a não ficar parado na praia com as redes na mão, mas a seguir Jesus pelo caminho que Ele pensou para nós, para a nossa felicidade e para o bem daqueles que nos rodeiam”.

A primeira vocação decorre do batismo. É universal. É para todos os batizados: configurar a própria vida à vida nova que recebemos pela água e sobretudo pelo Espírito Santo, a vida nova de Cristo, para que, como novas criaturas, possamos transparecer a Sua bondade e ternura. Na vida de todos os dias. Em toda a parte, em todas as situações e circunstâncias. Darmos o melhor de nós mesmos, levarmos Deus aos outros. Encontrarmos Deus nos outros. A vida cristã é o nosso primeiro compromisso vocacional, em comunidade, na Igreja, onde nos inserimos pela participação sacramental. “A Igreja é nossa Mãe; por isso devemos amá-la, mesmo quando vislumbramos no seu rosto as rugas da fragilidade e do pecado, e devemos contribuir para a tornar cada vez mais bela e luminosa, para que possa ser um testemunho do amor de Deus no mundo”.

E dentro da vida cristã surgem vocações específicas com a promessa de bem, de amor e de justiça e que nos impele à arriscar, porque sabemos que Ele segue connosco.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/21, n.º 4508, 30 de abril de 2019

DIA DOS NAMORADOS – 14 de fevereiro de 2019

MENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DO LAICADO E FAMÍLIA PARA O DIA DOS NAMORADOS

Há encontros que marcam a vida. O namoro pode proporcionar um conjunto de momentos fundadores de uma relação para toda a vida e pela qual se dá a vida. A relação entre namorados é, por si mesma, dinâmica, pois trata-se desde o princípio, de uma tríplice descoberta: Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós?

Conhecermo-nos é muito mais do que apreender as características de cada um, pois a vida é muito mais do que a nossa psicologia e a nossa biologia. A relação acontece com beleza e profundidade, quando partilhamos escolhas, sonhos e projetos. Só poderemos caminhar, se seguirmos pelo mesmo caminho e resolvermos juntos as dificuldades das encruzilhadas que vamos encontrando na vida.

O tempo do namoro é decisivo, porque leva à descoberta da beleza do amor pela dádiva da vida, por isso, requer tempo, delicadeza e seriedade, que geram confiança, estima e respeito. É, por isso, que o Papa Francisco nos lembra que “aprender a amar alguém não é algo que se improvisa”. 

Neste sentido, preocupa-nos a crescente violência no namoro porque compromete um projeto familiar alicerçado no verdadeiro amor.

Neste “Dia dos Namorados”, festejado sob a invocação de São Valentim, um santo da península itálica, do século III, que, segundo a tradição, teria apoiado os jovens com vocação ao matrimónio a casarem-se, contra as ordens imperiais, que os queria livres para funções militares, a Igreja saúda-vos e acompanha-vos com esperança, pois conta convosco para a constituição de novas famílias fortes na fé, na alegria e no amor fecundo, na certeza que é assim que Deus vos sonha e deseja contar convosco, pois “não há maior amor do que dar a vida pelo amigo”.

Editorial VL: Permanecer junto de Jesus para O testemunhar

new-testament-footage-screenshots-1433371-wallpaper

Hoje é connosco, permanecer junto a Jesus, escutá-l’O, apreender a Sua mensagem e captá-la para o nosso tempo e para as circunstâncias atuais. Só poderemos partir para O testemunhar, para O transparecer, para anunciar a Sua Palavra, se permanecermos ligados, sintonizados, identificados com Ele. Quando mais próximos, mais aptos a IR e anunciar a Boa Nova a toda a criatura. Nisto consiste precisamente o sermos discípulos missionários. Não é possível separar as águas. Só os discípulos são missionários. Só sendo missionários permanecemos como discípulos.

Olhemos então para Jesus: nas palavras como na vida, apresenta-Se dócil, próximo, a favor dos mais desfavorecidos e da integração de todos no Reino de Deus, repudiando as injustiças, a sobranceria, as invejas e os ódios, promovendo o serviço, o amor e o perdão, contando connosco, comigo e contigo. Cada pessoa conta. Cada um de nós é assumido como irmão, filho bem-amado do Pai. Jesus não vem para derrubar o bem que existe, mas para desfazer os muros da incompreensão, do egoísmo, da intolerância, da violência, e contruir pontes, laços de entreajuda, de comunhão e de fraternidade.

Só O podemos anunciar se estivermos unidos a Ele como os ramos estão unidos à videira.

Dentro da Semana dos Seminários, a temática – Formar discípulos missionários –, como expectável, sincroniza-os com o Ano Missionário, vivido em Portugal, mas também com a dinâmica diocesana expressa no lema pastoral “Igreja de Lamego, chamada e enviada em missão”.

A mensagem do nosso Bispo, D. António Couto, por um lado, e a do João Miguel, por outro, ajudam-nos a refletir num compromisso pessoal, familiar e comunitário.

Já ouvimos, por certo, falar muitas vezes em “discípulos missionários”. É uma expressão muito querida ao Papa Francisco, pois foi na América Latina que começou a ser usada (com insistência). No Documento Final de Aparecida, cujo relator principal foi precisamente o Cardeal Jorge Mario Bergoglio (futuro Papa Francisco) a expressão é consagrada em definitivo. A mensagem inicial do Papa Bento XVI deixa claro que não é possível separar os discípulos dos missionários, nem na terminologia nem na vida. A perspetiva dos Bispos latino-americanos é que evangelizadores e evangelizados têm de coincidir. Todos os batizados são missionários. Mas também todos os missionários são discípulos. Não pode e não deve ser de outra maneira. Aqueles que são evangelizados tornam-se, a partir desse momento, evangelizadores. É a condição de todo o cristão, de todo o seguidor de Jesus.

Formar seminaristas, e cada cristão, é formar discípulos missionários. Seria errado pensar que um padre, quando é ordenado, deixa de ser discípulo. Não, também ele será sempre discípulo de Jesus e das pessoas a quem é enviado. Deixará de ser evangelizador, missionário, no momento em que se esquecer de ser discípulo, permanecendo perto de Jesus.

Pe. Manuel Gonçalves,

in Voz de Lamego, ano 88/48, n.º 4485, 13 de novembro de 2018

VOCAÇÃO E SERVIÇO | Editorial Voz de Lamego | 26 de junho de 2018

VOCAÇÃO E SERVIÇO

A Igreja de Lamego prepara-se para a ordenação sacerdotal do Diác. Vítor Carreira. A notícia enche-nos de alegria, porque todo o padre é um dom do amor de Deus ao mundo.

E se é verdade que as ordenações têm diminuído, acompanhando o declínio populacional e religioso, também é verdade que, nos nossos dias, continuam a existir jovens que se comprometem a seguir Jesus Cristo, tornando-se padres. Deus não cessa de chamar para o serviço na Messe, mas o ruído e a dispersão dificultam a escuta e colocam entraves ao compromisso para seguir e servir.

Porque é que, mais de dois mil anos depois, há homens que deixam tudo para seguir Jesus nesta vocação? No fundo, o que é um padre? Isto porque, a visão do Padre como um celibatário, um desencantando com o mundo ou alguém muito ocupado, é redutora.

O Padre é um homem chamado, escolhido por Cristo para servir na Igreja. Um chamamento (vocação) que é aspiração pessoal para seguir Cristo e que cresce e se consolida com a oração. Mas também um chamamento da Igreja que, pela voz de um amigo, familiar, padre e do bispo, autentifica a aspiração interior. O rito da ordenação começa sempre com o chamamento. E só livre e responsavelmente se pode responder.

O Padre é um apaixonado, por Deus e pelos outros. Descobre que Jesus está na sua vida, apesar de ter consciência de que não é melhor que ninguém, e procura descobrir e concretizar, todos os dias, o mistério da sua vocação, amparado e acompanhado por todos quantos seguem Jesus.

O Padre vive no mundo e caminha com um povo, numa cultura e numa história, mas pertence a Deus para continuar a missão de Cristo Salvador e Misericordioso.

Rogando a Deus pelo Vítor, felicitamo-lo e desejamos-lhe uma vivência plena e apaixonada da missão sacerdotal.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/30, n.º 4467, 26 de junho de 2018

Jornada Vocacional na Paróquia de São Martinho de Mouros

No passado domingo, segundo do advento, a comunidade do Seminário deslocou-se até à paróquia de S. Martinho de Mouros (Resende), paróquia do nosso colega José Miguel onde foi tema desse dia a Vocação.

A primeira Eucaristia foi às 08:00h da manhã na igreja matriz onde presidiu o pároco, padre Excelso Ferreira. A segunda foi às 10:30h, presidida pelo mesmo, desta vez na capela do Senhor Do Calvário.

Tivemos em ambas as eucaristias o prazer de ouvir o testemunho vocacional do João Patrício e da Irmã Kelly.

De seguida fomos com o padre Excelso distribuir a Sagrada Comunhão ao lar, onde visitámos os idosos de várias localidades. Fomos depois almoçar na residência paroquial onde fomos muitíssimo bem acolhidos pelo padre Excelso e onde almoçámos também na companhia do padre Vasco, pároco de Barrô.

Depois de tudo isto partimos novamente para o seminário de Lamego.

Agradecemos com muita estima a disponibilidade do sr. Padre Excelso em nos ter recebido com amabilidade e também a toda a gente de S. Martinho que nos acolheu de forma muito amiga, sincera e humilde.

 

Celestino Ribeiro, 9.º ano,

in Voz de Lamego, ano 87/54, n.º 4440, 12 de dezembro de 2017

Dia da Diaconocracia

“Exulta de alegria Igreja de Lamego” (D. António Couto). No passado dia 26 de novembro foi um dia cheio para a nossa Diocese de Lamego, pois convergiu nesse domingo três celebrações: a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, o dia da Catedral e a Ordenação Diaconal. Nesse domingo a Igreja celebrou a diaconocracia, o poder do serviço, foi esta realeza inédita que Jesus instituiu o reino do Rei-Trespassado, o rei segundo o dizer de D. António Couto que “reina a partir de dentro”. Sendo o momento propício para a nossa Diocese de Lamego, ser enriquecida com ministério diaconal conferido a Vítor Manuel Teixeira Carreira, filho de Dionísia Cardoso Teixeira Carreira e de Manuel Matias Carreira, membro da comunidade paroquial de Nossa Senhora da Piedade de Queimadela (Armamar). D. António Couto exortou o Vítor para ter sempre presente esta forma de reinar de Jesus através da mansidão e do serviço. Também celebrou-se a dedicação da Catedral que ocorreu a 20 de novembro (1776), mas que habitualmente é “diferido” para o domingo do Cristo-Rei.

Ao Diácono Vítor desejamos as melhores felicidades e pedimos a intercessão de S. Sebastião e St. Agostinho, nossos padroeiros diocesanos, diante de Jesus Rei-Trespassado pelos bons frutos do seu ministério diaconal. Por fim, neste domingo cheio a nossa Diocese exultou de alegria.

Pe. Ângelo Santos, DDPV, in Voz de Lamego, ano 87/52, n.º 4438, 28 de novembro de 2017