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JUBILEU DA MISERICÓRDIA: dar de beber

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No nosso meio não existe deserto e a água corre livremente em muitos locais, contrastando com outras regiões do mundo onde a água é escassa e obriga a um esforço diário para ser encontrada, transportada e conservada. Estamos tão habituados a dela usufruir que nem sempre temos consciência do bem que é abrir uma torneira e ver correr a água que sacia, lava e refresca!

A água é um bem essencial que, na nossa região, está disponível. Exceptuam-se aqui, talvez, as pessoas sem água no domicílio ou aquelas que, sem essa comodidade, também já não têm forças físicas que lhes permitam ir à fonte. Neste caso, é preciso levar-lhes tudo, também a água.

Mas há regiões do mundo onde a água é um bem escasso que tende a ser motivo de conflito e de sofrimento. A escassa quantidade obriga a racionamento e a fraca qualidade pode causar doenças graves: morre-se por falta de água ou por falta de qualidade desta. Mas os conflitos pela sua posse podem ser, também, ocasião de morte.

Assim, vivendo nós num tempo e num espaço onde a água (ainda) é um bem acessível, como compreender e aplicar hoje a obra de misericórdia “dar de beber a quem tem sede”? O que será, hoje, “acalmar a sede” a alguém?

Para início de conversa, e porque se trata de um bem essencial que tende a escassear, talvez possamos acordar que cumprir esta obra de misericórdia passa, antes de mais, por não desperdiçar a água que a natureza nos faculta e cuidar bem dela e do meio ambiente que a preserva. Muito antes das campanhas ecologistas a comunicação social divulga já o Criador convidada o homem e a mulher a serem responsáveis diante da natureza que lhes oferecia: “O Senhor Deus levou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar” (Gn 2, 15). Leia-se, a este propósito, o que o Papa Francisco escreveu na Encíclica “Louvado sejas. Sobre o cuidado da casa comum” (Laudato Si).

Depois, talvez possamos falar da sede de ser valorizado, de ser ouvido, de ser reconhecido na sua dignidade, de ser respeitado, de ser tido em conta… Como alguém oportunamente recordou, “há pessoas que vivem a solidão com uma dor tão profunda e intensa que é como se lhes faltasse a água”. Há homens e mulheres ignorados, a quem ninguém escuta ou toma a sério. Quantas vezes bastará um olhar atento e fraterno, sem juízos precipitados, para acalmar a sede de quem se habituou a ser “invisível”!

Por outro lado, dar de beber pode ser compreendido, ainda, como um “dar alívio” a quem está angustiado. Neste caso, a sede pode ser sinónimo de aflição, secura interior, insatisfação que importa interpretar e saciar… Quantas vezes uma palavra, um gesto, um pouco de paciência, de “tempo perdido” não contribuem para o alívio alheio e para um recuperar da serenidade e do ânimo!

A cada um a possibilidade de interpretar e concretizar esta obra de misericórdia. Mas todos concluiremos que “dar de beber” é um modo de entender a própria existência e a água que se derrama para saciar o outro é um belo símbolo da misericórdia.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/17, n.º 4354, 15 de março de 2016

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