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Archive for the ‘Igreja’ Category

Monjas Dominicanas de Clausura: 50 Anos de Presença em Benguela

No dia 29 de março, comemorámos a abertura do Jubileu dos 50 anos da chegada das Monjas Dominicanas de Clausura a Benguela- Angola.

Foram 10 irmãs espanholas enviadas pela Serva de Deus, Madre Teresa Maria de Jesus Ortega OP do Mosteiro Madre de Dios” em Olmedo -Valladolid-Espanha, a pedido do primeiro bispo de Benguela, de feliz memória, D. Armando Amaral dos Santos

Partiram de Olmedo no dia 5 de março de 1972 para embarcar no “Príncipe Perfeito” desde Lisboa, rumo a Angola, e no dia de São José a 19 de março, pisaram o solo Benguelense no dia 29 do mesmo mês. Estas dez jovens Monjas cheias de ardor missionário, com desejo de doar as suas vidas nas terras angolanas, imediatamente começaram a dar frutos abundantes. No mesmo ano da sua chegada a Angola, depois de 4 meses, enviaram a primeira angolana a Espanha e, nos dois anos seguintes, outras cinco aspirantes. Muitas destas Irmãs já estão espalhadas por vários países, das quais também vieram 6 irmãs para reforçar a Comunidade das Monjas Dominicanas de Lamego do Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia, de acordo com as duas Federações.

Desde este cantinho do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, onde se encontra o Mosteiro, damos graças a Deus que nunca abandona aqueles que a Ele se querem consagrar e dar-Lhe glória. É com júbilo que recordamos este dia, pois nascemos daquele “tronco do Mosteiro da Mãe de Deus de Benguela”, e aqui estamos para fazermos uma nova história, unidas às nossas três irmãs que aqui já se encontravam e que nos acolheram com muita alegria, em união com o povo de Deus de Lamego, apoiadas sempre pelo nosso Bispo, D. António Couto, os Rvdos. Padres Pe. José Abrunhosa e Pe. João Carlos e, igualmente, outros sacerdotes a quem queremos agradecer todo o apoio espiritual. Unidos nesta ação de graças, pedimos a vossa oração pela nossa perseverança ao serviço de Deus e da Diocese.

Irmã Maria da Glória O.P.

D. António Francisco: “consagrou o coração ao serviço dos outros”

O Município de Lamego prestou na manhã desta sexta-feira, 19 de março, uma sentida homenagem a D. António Francisco dos Santos, cidadão Honorário do Município de Lamego, falecido em 2017, cuja vida e empenho pastoral marcou indelevelmente a vida desta cidade e das suas gentes.

A cerimónia decorreu, primeiro, na rotunda do Centro Escolar n.º 1, local onde foi construído um memorial evocativo da sua passagem por Lamego com a inscrição “Os pobres não podem esperar”, proferida aquando da sua apresentação como Bispo do Porto, sendo marca indelével do seu percurso de vida. Neste local, deverá ser erguida uma escultura em tributo a D. António, de Francisco Laranjo, reputado artista plástico lamecense. “Da terra, erguer-se-á uma aliança que simboliza alguém que nos marcou muito”, explica o autor.

Logo a seguir, realizou-se uma sessão simbólica com a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Lamego e de diversas personalidades relevantes da vida política e religiosa portuguesa, em representação de instituições e locais, que se cruzaram, em algum momento, na vida de D. António Francisco e que quiseram, deste modo, associar-se ao tributo público do Município de Lamego. Todos os testemunhos foram unânimes em recordar e enaltecer a sabedoria, a simplicidade e a generosidade de um “padre e de um Bispo com um grande coração”. “Será com este espírito de D. António que, nestes tempos de dor e sacrifício para todos, em maior ou menor grau, mas também já de esperança, que nos devemos congregar na reconstrução de um futuro promissor, sempre com a maior incidência nos mais carenciados e desfavorecidos, em prol do nosso bem-estar coletivo”, afirmou Ângelo Moura.

Presente nesta sessão pública de homenagem, D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa e vigário geral da Diocese do Porto à data do falecimento de D. António Francisco, sublinhou que o homenageado foi sempre “um Homem de raízes que consagrou todo o seu coração ao serviço dos outros”. “Foi um Homem do Amor de Deus e, por causa disso, amava os pobres”, elogiou D. António Couto, Bispo de Lamego.

Nascido em 1948 em Tendais, concelho de Cinfães, o pontífice frequentou os seminários de Resende e de Lamego (onde concluiu o Curso Superior de Teologia), tendo sido ordenado padre em 1972. Tornou-se bispo em 2005, na Sé de Lamego, tendo sido distinguido, nesse mesmo ano, com a Medalha de Ouro desta Cidade, a mais alta distinção concedida pelo Município. D. António Francisco dos Santos sucedeu a D. Manuel Clemente na liderança da diocese do Porto, em fevereiro de 2014, tendo anteriormente passado pela arquidiocese de Braga, como bispo auxiliar, e pela diocese de Aveiro, como bispo titular.

Ricardo Pereira, in Voz de Lamego, ano 91/19, n.º 4601, 23 de março de 2021

Editorial da Voz de Lamego: Ao encontro de Abraão, da bênção e da paz

Por estes dias, de 5 a 8 de março, o Papa Francisco saiu, novamente, do Vaticano e deslocou-se ao Iraque, numa Viagem histórica, desejada por João Paulo II, mas só possível no pontificado atual. Tendo em conta o contexto sempre inseguro do Médio Oriente, tornou-se uma viagem com cuidados redobrados, acrescendo a isso o facto de estarmos a atravessar uma pandemia. Prevaleceu a vontade do Santo Padre e de todos quantos se empenharam nesta missão. Onde o Papa vai, vai com ele Jesus e o Evangelho, e uma mensagem de paz, de fraternidade e de bênção.

Um dos locais emblemáticos é a cidade de Ur, na Caldeia, atual Iraque, onde Abraão nasceu e viveu e de onde partiu para Canaã, respondendo ao chamamento de Deus. A figura de Abraão é incontornável para as três religiões (abraâmicas) monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Abraão é considerado o Pai da fé, por ter sido o primeiro, segundo a Bíblia, a acreditar num Deus único e pessoal. É uma herança comum. Há muitas mensagens e práticas que diferenciam os crentes das três grandes religiões, mas também há muitos pontos de contacto: a fé num Deus único, criador do Universo; o Patriarca Abraão, como pai na fé.

Abraão mostra que a prioridade da sua vida é Deus. Responde à Sua voz. Deixa a casa paterna, a pátria, sem saber para onde o Deus o guia, mas parte em total obediência e confiando totalmente no Senhor. Quando Deus lhe pede, como holocausto, o sacrifício do seu filho Isaac, Abraão, embora triste, porque era o filho da sua velhice, e que deveria perpetuar o nome e a descendência, não hesita, oferece-o a Deus. Se foi Deus quem lho concedeu, é a Deus que pertence.

Com Abraão, aprendemos que diante de Deus somos iguais. Não temos certificado de posse nem dos filhos, nem dos pais, nem do marido ou da esposa. Somos iguais. Somos filhos d’Ele, logo irmãos uns dos outros. Não temos direitos sobre os outros. Só Deus é Deus, só a Ele Lhe pertencemos realmente. E, porque Lhe pertencemos, não podemos ser escravizados nem instrumentalizados pelos outros e, da nossa parte, não podemos espezinhar ou desprezar os irmãos, porque o que fizermos ao mais pequeno dos irmãos é a Ele que o fazemos.

Nem sequer a terra é nossa. Deus chama Abraão, promete-lhe uma descendência e uma terra. Mas tal como a descendência, também a terra que lhe é confiada não tem um certificado de posse, mas para cuidar e para que também a terra seja refúgio e sustento da sua descendência e de todos os povos. «Abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar… na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra». A voz de Deus faz-se ouvir: «Não levantes a mão contra o menino, não lhe faças mal algum». Não matarás. Não levantarás a mão contra o teu irmão. Foi o pecado de Caim, o ciúme e a inveja, que levaram ao fratricídio, que destrói a fraternidade. A mensagem que o Papa levou ao Iraque, com ênfase a partir de Ur, é o da fraternidade. Somos irmãos. Somos filhos de Abraão na fé. Professamos a fé no mesmo Deus único e criador. A religião não pode ser fratricida. “Da terra do nosso pai Abraão, afirmamos que Deus é misericordioso e que a ofensa mais blasfema é profanar o seu nome odiando o irmão. Hostilidade, extremismo e violência não nascem dum ânimo religioso: são traições da religião. O Céu não se cansou da terra: Deus ama cada povo, cada uma das suas filhas e cada um dos seus filhos! Nunca nos cansemos de olhar para o céu, de olhar para estas estrelas… O sonho de Deus: que a família humana se torne hospitaleira e acolhedora para com todos os seus filhos; que, olhando o mesmo céu, caminhe em paz sobre a mesma terra”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/17, n.º 4599, 9 de março de 2021

Editorial da Voz de Lamego: Gastar as solas dos sapatos

Provocante desafio do Papa Francisco na mensagem para o 55.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (disponível: www.diocese-lamego.pt), comemorado na Solenidade da Ascensão do Senhor ao Céu, este ano a 16 de maio, e divulgada na memória litúrgica de São Francisco de Sales, a 24 de janeiro.

O tema é clarividente: «‘Vem e verás’ (Jo 1, 46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são». Com efeito, “para poder contar a verdade da vida que se faz história (cf. Mensagem do 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2020), é necessário sair da presunção cómoda do «já sabido» e mover-se, ir ver, estar com as pessoas, ouvi-las, recolher as sugestões da realidade, que nunca deixará de nos surpreender em algum dos seus aspetos”.

“Jornais de fotocópia” é outra expressão forte do Papa que alerta para o risco de se fazerem jornais, noticiários de televisão, rádio e websites substancialmente iguais, feitos diante de um ecrã, sem ir ao encontro de pessoas e de acontecimentos, secundarizando as entrevistas e a investigação, numa troca de informação pré-fabricada, autorreferencial. O contraponto é sair e ir ao encontro das pessoas, procurar as suas histórias, ver em primeira mão, olhos nos olhos, sem filtros.

É fundamental promover a cultura do encontro, gastar as solas dos sapatos, pôr-se a caminho. Ir e ver. Vinde e vede (Jo 1, 39), diz Jesus àqueles que O querem conhecer. “A fé cristã começa assim; e comunica-se assim: com um conhecimento direto, nascido da experiência, e não por ouvir dizer”.

O desafio é comunicar, encontrando as pessoas onde estão, como são, conhecê-las no concreto, com os seus sofrimentos e com os seus sonhos e projetos. Paulo de Tarso, diz-nos o Papa, se vivesse no nosso tempo usaria o e-mail e as redes sociais para comunicar, mas atrai os seus contemporâneos pela sua fé, esperança e caridade.

A palavra é importante, Jesus é a Palavra de Deus que encarna, fazendo-Se um de nós e deixando-Se ver, ouvir e tocar. Com Ele, a comunicação faz-se pelas palavras, mas é essencial o olhar, o tom de voz, os gestos, o toque, a carícia. Na comunicação nada substitui o encontro pessoal, o ir e ver, experimentar, contar as histórias concretas, sublinhar as histórias positivas. É crucial também neste tempo da pandemia, verificar as expetativas e a realidade da vacinação e da cura nas aldeias tão recônditas da Ásia, América Latina e África. Ir e ver e não apenas observar à distância sem conferir a veracidade das notícias que nos vendem. Os mais indigentes correm o sério risco de ficar novamente esquecidos, na vacinação e nos apoios.

“Todos somos responsáveis pela comunicação que fazemos, pelas informações que damos, pelo controlo que podemos conjuntamente exercer sobre as notícias falsas, desmascarando-as. Todos estamos chamados a ser testemunhas da verdade: a ir, ver e partilhar”.

A oração do Papa, a finalizar a Sua Mensagem:

“Senhor, ensinai-nos a sair de nós mesmos, / e partir à procura da verdade. / Ensinai-nos a ir e ver, / ensinai-nos a ouvir, / a não cultivar preconceitos, / a não tirar conclusões precipitadas. / Ensinai-nos a ir aonde não vai ninguém, / a reservar tempo para compreender, / a prestar atenção ao essencial, / a não nos distrairmos com o supérfluo, / a distinguir entre a aparência enganadora e a verdade. / Concedei-nos a graça de reconhecer as vossas moradas no mundo / e a honestidade de contar o que vimos”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/11, n.º 4593, 26 de janeiro de 2021

Semente de esperança!…

Mensagem do Departamento Nacional da Pastoral Familiar por ocasião da Festa da Sagrada Família, 2020

Ao observar e contemplar a Sagrada Família de Nazaré, esta aparece como testemunho, exemplo e inspiração para todas as famílias, sobretudo para as famílias cristãs. 

 Em tempo de pandemia, tempo de incertezas e sofrimentos, a Família de

Nazaré é fonte de conforto e de coragem, sobrepondo-se aos medos que nos paralisam e nos impedem de acolhermos a novidade do Deus que mergulha na história da humanidade. Ela manifesta uma renovada esperança e convida-nos a sermos portadores da Boa Nova que veio até

nós pela encarnação do Verbo de Deus. 

A Sagrada Família de Nazaré, é escola de virtudes, vivendo a fidelidade a

Deus no seu quotidiano mostram a bondade de coração, a esperança sempre nova, a alegria de se sentirem amados, a responsabilidade da sua missão, o sentido e a prática da justiça e da paz. As virtudes da Sagrada Família fazem-nos olhar com confiança e expectativa de que a comunidade humana e cristã se constrói no amor generoso, humilde e simples. Nas nossas lutas e inquietações, nas dificuldades e desalentos a Sagrada família surge como uma oportunidade de graça e de confiança, para percebermos a vida

como uma missão e crescermos em coesão familiar. 

A Sagrada família interpela as nossas famílias de hoje a uma vida de paz, de serviço,

de acolhimento, de entrega, de escuta dos necessitados, de se questionarem perante os desafios diários, de não fugirem às dúvidas que invadem os seus lares. Só à luz da Sagrada Família é possível que a novidade do evangelho inunde o coração das famílias e busquem a beleza do encontro de uns com os outros, de modo que cada membro se sinta participante da construção da “igreja doméstica”. Cada membro da família é um tesouro para os outros, é algo de maravilhoso, é uma riqueza sem medidas, porque todos se amam e fazem da sua vida um dom, ao jeito de Jesus Maria e José. 

Está nas mãos das famílias uma extraordinária missão! Cultivar a paciência e infundir esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Carta a S. José.

Todas as famílias experimentam, com certeza, que não são perfeitas, mas podem aperfeiçoarem-se cada vez mais no amor transformador, o mesmo é dizer, desejarem a santidade. As fraquezas e fragilidades fazem parte da realidade humana, no entanto, o Senhor não nos condena, mas sim acolhe-nos, abraça-nos, ampara-nos, perdoa-nos. A Verdade apresenta-se-nos sempre como o Pai misericordioso da parábola (cf. Lc 15, 1132): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, organiza uma festa para nós, dando como motivo que «este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado». (cf. Lc 15, 24). Carta a S. José.

Que a Sagrada Família seja, para cada família, proteção e auxílio e que a paz e entendimento sejam o projeto de toda a existência, para que juntos caminhemos em busca da concórdia e do bem da humanidade.

Editorial da Voz de Lamego: São José, com coração de Pai

São José está estreitamente ligado à economia da salvação. No passado dia 8 de dezembro, completaram-se 150 anos da proclamação de São José como Padroeiro da Igreja Católica, feita pelo Beato Pio IX, em 8 de dezembro de 1870. Face a esta efeméride, o Papa Francisco convocou um ano para refletir especialmente sobre São José e o seu papel na vida da Igreja e dos cristãos, como exemplo de um homem simples e discreto. Ele passaria ao lado dos grandes títulos de jornais, tal como tantos homens e mulheres que no anonimato transformaram e continuam a transformar o mundo com o seu compromisso, optando pelo bem e pela verdade, prosseguindo a justiça e a paz, no serviço aos irmãos e no cuidado para com os mais desfavorecidos.

Ao convocar o Ano de São José (de 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021), o Papa brindou-nos com uma Carta Apostólica, Patris Corde (Com o coração de Pai), enquadrando a importância de São José, como Pai adotivo de Jesus, esposo da Virgem Maria, Padroeiro dos operários, invocado para uma tranquila e boa morte, confiando-nos à Sua intercessão nas contrariedades da vida, imitando-O na delicadeza, na fidelidade à vontade de Deus, na escuta atenta do Senhor, no cuidado decidido de Jesus e de Nossa Senhora.

“Os meus antecessores aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para realçar ainda mais o seu papel central na história da salvação: o Beato Pio IX declarou-o «Padroeiro da Igreja Católica», o Venerável Pio XII apresentou-o como «Padroeiro dos operários»; e São João Paulo II, como «Guardião do Redentor». O povo invoca-o como «padroeiro da boa morte»”.

“Na parte inferior [do brasão do Papa Francisco], estão a estrela e a flor de nardo. A estrela, segundo a antiga tradição heráldica, simboliza a Virgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja; a flor de nardo indica são José, padroeiro da Igreja universal. Com efeito, na tradição iconográfica hispânica, são José é representado com um ramo de nardo na mão. Colocando estas imagens no seu brasão, o Papa pretendeu expressar a sua devoção particular à Virgem Santíssima e a São José”.

O Santo Padre iniciou o pontificado no dia de São José, a 19 de março de 2013. Por outro lado, tem uma imagem de São José a dormir e, como já explicou, quando tem um problema ou dificuldade escreve num papelinho e coloca debaixo da imagem, para que São José sonhe e reze por essa dificuldade.

Nesta Carta Apostólica, o Papa apresenta, de forma mais sistematizada, as suas reflexões sobre São José, meditadas ao longo do tempo. A partir de vários títulos, apresenta-nos São José e desafia-nos a imitá-l’O: Pai amado; Pai de ternura; Pai na obediência; Pai no acolhimento; Pai com coragem criativa; Pai trabalhador, e Pai na sombra.

“A grandeza de São José consiste no facto de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4). Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13)”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/06, n.º 4588, 15 de dezembro de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Fraternidade, fonte de liberdade e igualdade

Esta é uma das expressões do nosso Bispo, na missa crismal, no dia 5 de outubro, e que deu tom e cor à sua homilia, partindo da recente Carta Encíclica do Papa Francisco “Fratelli Tutti”, todos irmãos.

A receção ao documento do Papa vai-se fazendo, dentro e fora do âmbito da Igreja, com diferentes sublinhados e, como sempre, algumas polarizações. Ao nosso jornal também vão chegando algumas reflexões que incidem ou partem desta Carta.

São Francisco de Assis desafia-nos a tratar como irmãos o Sol, o mar, o vento, os passarinhos, e irmão de todos, a começar pelos pequeninos, pobres, doentes, abandonados, descartados, dos últimos, pois essa foi a opção de Jesus, essa há de ser a opção preferencial dos cristãos. Diz o Papa, “a fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs”.

O nosso Bispo, na missa crismal e, no passado sábado, nas Jornadas Nacionais de Catequistas, sublinhou que a fraternidade é o sustentáculo da igualdade e da liberdade, sugerindo que ao tríptico da revolução francesa e do iluminismo deveria subtrair a fraternidade. E porquê? Porque se Deus foi retirado da equação, então não há como justificar, defender ou propor a fraternidade. Sem Deus, sem Pai, não há filhos! Se não temos um Pai comum, não podemos ser irmãos. A fraternidade supõe a filiação. Se não somos filhos, como é que poderemos ser irmãos, construir a fraternidade (comunidade de irmãos).

Claro que, sem fraternidade, a igualdade e a liberdade não têm um fundamento sólido, duradouro e definitivo. Com efeito, a fraternidade é o cimento da igualdade e da liberdade. Se não somos irmãos, porquê preocupar-nos com estranhos? Refira-se ainda assim que a sobrevivência do mundo depende de todos, o bem ou o mal que faço vai afetar o outro, vai decidir que o mundo é destruído ou se é contruído.

Do mesmo modo a liberdade. Se a liberdade se apoia em mim ou em ti, se se apoia nas normas de um país ou de uma ideologia, será uma liberdade a prazo, pois basta mudar a pessoa que tem mais poder para que também esta adquira outras feições. Sem a fraternidade, a lei do mais forte ganha terreno, manda quem pode.

“Como crentes, diz-nos o Papa, pensamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo á fraternidade” (272).

D. António, por sua vez, salienta que a raiz da fraternidade e essência da família é o amor eterno e verdadeiro. E o lugar humana onde se manifesta a fraternidade é a família. “Os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais, e são iguais não obstante as suas acentuadas diferenças; são iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito; são diferentes mas são iguais, são iguais não devido a isto que fazem, ao seu currículo e ao seu trabalho, mas devido ao amor dos seus pais, que os faz iguais, que os torna iguais”. E também em função do amor fontal de Deus Pai, somos filhos de Deus, filhos no Filho, é esse amor primeiro que que nos torna livres e iguais. Deus não tem netos nem sobrinhos. Somos todos irmãos, porque somos todos filhos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/46, n.º 4581, 27 de outubro de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Eis-me aqui, envia-me

Este é o tema escolhido pelo Papa Francisco para sua Mensagem do Dia Mundial das Missões, no próximo domingo, 18 de outubro. (A mensagem encontra-se na página sete do jornal e na nossa página: http://www.diocese-lamego.pt).

O Senhor questiona: quem enviarei? «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6, 8). É a resposta do Profeta Isaías, clarificador e resoluto, apesar do ambiente adverso.

O Santo Padre parte das tribulações e desafios que nos coloca a pandemia do covid-19, convocando-nos à esperança e ao compromisso solidário. A oração, diz-nos o Papa, abre-nos o coração aos outros, sintonizando-nos com o coração de Deus, que nos ama a todos. “Celebrar o Dia Mundial das Missões significa também reiterar que a oração, a reflexão e a ajuda material das vossas ofertas são oportunidades para participar ativamente na missão de Jesus na sua Igreja. A caridade manifestada nas coletas das celebrações litúrgicas do terceiro domingo de outubro tem por objetivo sustentar o trabalho missionário, realizado em meu nome pelas Obras Missionárias Pontifícias, que acodem às necessidades espirituais e materiais dos povos e das Igrejas de todo o mundo para a salvação de todos”.

Na cruz, Jesus realiza a Sua missão, revelando que Deus nos ama a todos e a cada um, pedindo-nos a disponibilidade para sermos enviados. “Por amor dos homens, Deus Pai enviou o Filho Jesus (cf. Jo 3, 16). Jesus é o Missionário do Pai: a sua Pessoa e a sua obra são, inteiramente, obediência à vontade do Pai (cf. Jo 4, 34; 6, 38; 8, 12-30; Heb 10, 5-10). Por sua vez, Jesus – crucificado e ressuscitado por nós –, no Seu movimento de amor atrai-nos com o seu próprio Espírito, que anima a Igreja, torna-nos discípulos de Cristo e envia-nos em missão ao mundo e às nações”.

A missão deriva do amor de Deus. Deus, porque nos ama, é um Deus em movimento, em saída.

“Deus é sempre o primeiro a amar-nos e, com este amor, vem ao nosso encontro e chama-nos. A vida humana nasce do amor de Deus, cresce no amor e tende para o amor. Ninguém está excluído do amor de Deus e, no santo sacrifício de seu Filho Jesus na cruz, Deus venceu o pecado e a morte (cf. Rom 8, 31-39). Para Deus, o mal – incluindo o próprio pecado – torna-se um desafio para amar, e amar cada vez mais (cf. Mt 5, 38-48; Lc 23, 33-34). A Igreja, sacramento universal do amor de Deus pelo mundo, prolonga na história a missão de Jesus e envia-nos por toda a parte para que, através do nosso testemunho da fé e do anúncio do Evangelho, Deus continue a manifestar o seu amor e possa tocar e transformar corações, mentes, corpos, sociedades e culturas em todo o tempo e lugar”.

A concluir, parte da letra do Hino Outubro Missionário 2020, da Banda Jota: “Senhor… Envia-me a anunciar o Teu amor / Deixarei o meu egoísmo para partir / Serei um pedaço de Ti no outro / Serei um discípulo, irei servir / Uma mão cheia e aberta para dar / Serei um abraço a viver em missão / Procurarei o outro para Te encontrar / Deixarei que sejas Tu a viver em mim / SEREI UM SIM por dentro do Teu sim”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/44, n.º 4579, 13 de outubro de 2020

Fratelli Tutti

Na memória de São Francisco de Assis, o Papa Francisco presenteou-nos com a nova carta encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social.

O primeiro capítulo retrata a sociedade atual: as novas formas de colonização cultural, a luta de interesses que coloca todos contra todos, a cultura do descarte de alimentos e de seres humanos, a injustiça de um modelo económico fundado no lucro, a cultura do conflito e do medo. O Papa Francisco faz ainda referência à tragédia que trespassa o nosso mundo, a pandemia do COVID-19, e a forma como desmascarou a nossa vulnerabilidade e a necessidade de pertença como irmãos; a falta de dignidade de que sofrem os migrantes e refugiados, entre muitos outros pontos interessantíssimos.

Numa das referências a São Francisco “escutou a voz de Deus, escutou a voz dos pobres, escutou a voz dos enfermos, escutou a voz da natureza. Transformou tudo isso num estilo de vida.” O Santo Padre sublinha que não devemos perder a capacidade de escuta!

Esta atitude de São Francisco consegue ser simples e complexa, antiga e tão atual, tão evidente, tão necessária no dia de hoje.

Não poderiam muitos males ser resolvidos e/ou minimizados se todos estivéssemos à escuta? Deus deu-nos dois ouvidos, mas insistimos em utilizar demasiado a única boca para debitar ideias e mais ideias. sem agir e sem perceber o que se passa em redor.

Não queremos ouvir para não ver, não sentir as dificuldades do outro. Se não tivermos conhecimento, não temos de fazer nada pelo outro, podemos continuar a nossa vida medíocre!

Parar e ouvir quem nos dirige a palavra é um sinal de respeito, mas mais ainda, quando ouvimos o silêncio e o sofrimento do outro, e da própria natureza. Quantas vezes nem paramos para nos ouvir a nós? Quantas vezes vivemos a correr iludidos num “mundo ideal”, que queremos mostrar aos outros, e não paramos para perceber quem somos, o que estamos aqui a fazer, e ter consciência de nós próprios?

Parar e ouvir! Simples! Mas nós, nem paramos, nem ouvimos. Parecia que estávamos a melhorar o nosso modo de ser com os acontecimentos da pandemia, mas rapidamente voltámos ao que éramos, quando é urgente viver um mundo novo, uma vida nova, e não voltar para o “normal doentio” a que estávamos presos, como diz o nosso Bispo na nova Carta Pastoral, ABRIR E SEMEAR SULCOS DE PAZ E ESPERANÇA.

É urgente viver em comunidade, como uma verdadeira comunidade! Nesse modo de viver, é imperativo saber escutar para poder ser ouvido! É urgente aprender a viver com fraternidade e amizade social, abrindo e semeando sulcos de paz e esperança.

Que possamos, brevemente, colher o fruto da nossa mudança, da nossa escuta.

Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 90/43, n.º 4578, 6 de outubro de 2020

Apresentação do Plano Pastoral Diocesano 2020-2021