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Archive for the ‘Jesus Cristo’ Category

Editorial: Quando Jesus passar, eu quero estar no meu lugar

Estar no nosso lugar, título da canção do Pe. Zezinho, não é estar parado, à espera, com os braços cruzados, deixando que a vida se cumpra, que o mundo melhore, que o tempo seja favorável para nos comprometermos uns com os outros. Estar no meu lugar, estarmos no nosso lugar, implica movimento, empenho, compromisso com a nossa condição de cristãos, seguindo Jesus e imitando-O.

A descansar ou a trabalhar, na escola ou em casa, estar no meu lugar significa dar o melhor de mim, vivendo, em prol dos outros.

A vida de Jesus, como a nossa, é feita de encontros, e desencontros! O anúncio da Boa Nova é essencial e faz-se de palavras e gestos, de abraços e de obras. Na vida de Jesus há lugar para todos. Queiramos nós!

Quando Jesus passava, João Batista estava a batizar! No seu lugar, portanto! E Jesus, identificando-Se connosco, fez-Se batizar (cf. Mt 3, 13-17). “Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos” e chamou-os: “Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens”. Depois viu outros dois irmãos e também os chamou (cf. Mt 4, 18-22). E eles seguiram-n’O. Estavam no lugar certo para que Jesus os encontrasse! E, passando palavra, outros se juntam a Jesus.

Os encontros multiplicam-se. Jesus vai ao encontro da pessoa ou deixa-se encontrar! Nicodemos interpela-O (cf. Jo 3, 1-21), com o desejo de viver inflamado por aquele amor. No Poço de Jericó, a Samaritana está no que pensava ser o seu lugar, a tirar água do poço, mas depois percebe que talvez o seu lugar seja outro e que a sua vida pode ser saciada com outra água (cf. Jo 4, 1- 41).

São Mateus, Levi, está na banca a cobrar impostos. Aparentemente está onde deve estar e é aí que Jesus, ao passar, o provoca: Segue-Me (cf. Mt 9, 9-13). Zaqueu, por sua vez, procura ver Jesus que atravessava a cidade de Jericó. Chefe de publicanos, deixa o seu lugar para se aproximar e ver Jesus. Na verdade, é Jesus quem o vê e o desafia a sair do seu lugar para O acolher em sua casa e na sua vida (cf. Lc 19, 1-10).

Quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego de nascença, à beira do caminho, chama por Ele. Jesus devolve-lhe a vista, fortalece a sua fé e o cego, que agora vê, segue-O. O encontro com Jesus leva-o por outros caminhos!

Em lugares desaconselhados, talvez, algumas mulheres encontram-se com Jesus! No meio da multidão, uma mulher, com um fluxo de sangue, fá-l’O parar, expondo-se, sujeitando-se ao escárnio, mas logo é acolhida e salva por Ele (cf. Mc 5, 25-34); para os lados de Tiro e de Sídon, uma mulher, cananeia, grita por compaixão e Jesus atende-a (cf. Mt 15, 21-28); perto da cidade de Naim, uma viúva, que vai a enterrar o seu filho único, é encontrada por Ele que lhe devolve o seu bem mais precioso (cf. Lc 7, 11-17); em casa de Simão, um reconhecido fariseu, uma mulher, deslocada do seu lugar, lava-Lhe os pés com as suas lágrimas, enxuga-lhos e derrama sobre Ele um perfume de alto preço, e obtém o perdão dos seus muitos pecados (cf. Lc 7, 26-50); mulher apanhada em flagrante adultério é levada a Jesus para que Ele a condene, num desfecho em que Jesus, perdoando-a, lhe diz para prosseguir por outros lugares (cf. 8. 1- 11)!

Junto à Cruz, no lugar que devem estar, Maria, sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria de Magdala, e o discípulo amado (cf. Jo 19, 25-27). Mas também o bom ladrão está no lugar certo para ser salvo por Jesus e passar a outro lugar: hoje estarás comigo no Paraíso (cf. Lc 39-43)! E nós, já nos colocamos a jeito para que Jesus passe na nossa vida?

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/03, n.º 4634, 24 de novembro de 2021

Editorial Voz de Lamego: As maravilhas de uma vida plena

Por estes dias, assistimos a um extraordinário exercício de passa-culpas em relação ao chumbo do Orçamento de Estado (OE). Curiosamente, diga-se, que o debate foi pouco clarificador, centrando-se prolixamente a sopesar dividendos de uma anunciada crise política, justificando as opções partidárias e encontrando a culpa (nos outros) pelo chumbo do mesmo.

Deixamos o debate político-partidária para quem tem essa missão, obrigação e esse mandato, mas fica a sensação, em todo o processo, que não se pensou no interesse do país, mas no acautelar das mais valias partidárias em futuras eleições, fossem imediatas, que parece que todos os partidos queriam, e igualmente que ninguém admite ter querido, fosse no futuro, cumprindo o calendário normal.

Depois do chumbo do OE, continuaram as acusações, desculpas, justificações, passa-culpas e a campanha eleitoral regressou em pleno. Até, pasme-se, ouvimos sugestões de que os mesmos poderiam fazer outro orçamento (se no entender de quem o fez, este era o melhor orçamento, como fazer uma segunda versão? Um segundo orçamento seria pior que o primeiro ou se havia possibilidade de melhorar o atual, num hipotético novo orçamento, bastava aprovar o atual e melhorá-lo onde fosse possível!) e depois logo se veria se um orçamento travestido teria possibilidades de aprovação ou se seria novamente chumbado pelos mesmos que chumbaram este! Empurrava-se o problema? Mudava o orçamento (seria incompetência do governo) ou mudava o voto de algum partido (seria incoerência)? Adiante…

Na iminência da dissolução da Assembleia da República, regressou a pressa em discutir a “eutanásia”, ganhando, agora, prioridade sobre o OE e sobre o país. Imaginamos o exercício intelectual (que nos parece desonesto): fomos eleitos, temos o aval do povo para decidirmos o que quisermos, vamos fazê-lo rapidamente, antes que o Parlamento seja dissolvido e a seguir não nos elejam para fazer o que nos propusemos fazer! Independentemente dos argumentos político-partidários que possam usar-se para concretizar a lei, esta pressa contraria a democracia, pois limita o debate, apressa uma solução com medo de quê os mesmos que os elegeram [os atuais deputados] não voltem a escolhê-los novamente. Tivemos mais que tempo, contávamos continuar a ter, mas já que no-lo vão tirar, vamos gastar o que temos, a desbaratar, até para mostrar que afinal tínhamos ideias e projetos! Num contexto diferente, mas que ilustra estas situações, a parábola de Jesus sobre o administrador infiel, que, ao ser despedido e para se salvaguardar, encontra forma de compensar os devedores do seu patrão, para que eles lhe assegurem um futuro promissor (cf. Lc 16, 1-8).

Tão engraçado: em março o Presidente da República vetou o decreto de legalização da morte medicamente assistida. Ainda será possível gerar maiorias para esta iniciativa! Toca a despachar, pois a seguir, se a composição do parlamento se alterar, recorreriam a outro expediente, ao referendo, caso não conseguissem, então, fazer aprovar essas alterações, e não seria tão certo! Curioso! Poderiam ter aproveitado o tempo para promover medidas de combate à pobreza, à melhoria dos cuidados de saúde, preparando investimentos nos cuidados continuados e paliativos, no acesso dos mais desfavorecidos à cultura, à educação (nos dois confinamentos, as crianças, adolescentes e jovens do interior foram os mais penalizados, por falta de meios, ou acesso tardio aos mesmos, ou por falta de Internet fiável), a refletir e sobretudo implementar medidas de combate à exclusão social, ao abandono escolar, às desigualdades sociais, ao repovoamento do território, a melhorar serviços de resposta social, melhorando a vida dos mais idosos, criando, tanto quanto possível, mais oportunidades de sociabilização e inclusão, apostando a sério no apoio à natalidade e à infância… Como dizia Confúcio, “Porquê, preocupar-nos com a morte? A vida tem tantas coisas que temos de resolver primeiro…”.

Relembra, para nos fixarmos no debate, o médico Luís Paulino Pereira (in Vida Plena, da Paulus Editora): “não é justo, nem razoável, nem aceitável do ponto de vista moral, que para acabar com o sofrimento se acabe também com a vida de um ser humano”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/49, n.º 4631, 3 de novembro de 2021

Editorial Voz de Lamego: Levantai-vos! Vamos! Caminhemos juntos!

O tema escolhido pelo nosso Bispo e proposto a toda a Diocese de Lamego – Levantai-vos! Vamos! (Mt 26, 46) – coloca-nos em pleno mistério pascal. Depois da Ceia, no Jardim das Oliveiras, Jesus ora, uma e outra vez, para que Se faça a vontade do Pai, apesar do sofrimento que se entrevê, aquela hora tenebrosa que se vislumbra e que Ele sente na pele, no corpo, na alma. Os discípulos adormecem. É noite! Jesus desperta-os, uma e outra vez, e finalmente chama-os.

Ele está com eles, Ele está sempre connosco. Não estamos sós, não caminhamos sozinhos. O chamamento é claro: Levantai-vos! Vamos. Mesmo quando Jesus nos diz: Ide, é um “ide” em que Ele vai connosco. Ide, eu estarei convosco até ao fim dos tempos!

Após a ressurreição, ainda não inteiramente anunciada, no caminho de Emaús, Jesus faz-Se ouvir e faz-Se ver. Iam dois discípulos, desanimados, cabisbaixos, quase a murmurar, desencantados com o que tinha sucedido naqueles dias. Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Perceber-se-á que Ele é o caminho. Eles regressavam para se refugiar em casa; Jesus anuncia-Se, caminha com eles, entra com eles em casa e senta-Se com eles à mesa e, depois da bênção e da distribuição do pão, deixam de O ver. (cf. Lc 24, 13-35). Quando deixam de O ver, exteriormente, já Jesus os habita interiormente! Já não necessitam dos olhos físicos, mas do coração e, por conseguinte, a noite deixa de amedrontar, pois logo se levantam e regressam a Jerusalém, à comunidade dos discípulos.

Um Plano Pastoral aponta metas e vivências, faz-nos assentar os pés no chão para que aos ideais juntemos momentos, instantes, celebrações, encontros, tempos de oração e de reflexão, de formação e convívio. Não é possível traduzir a vida, o amor, se não por gestos, abraços, comunicação, sorrisos, pelas lágrimas e pelas palavras, na entreajuda, na prática das obras de misericórdia (corporais e espirituais), no respirar das bem-aventuranças, na atualização concreta dos Dez Mandamentos, sintetizados e explicitados no mandamento novo do amor: amais-vos uns aos outros como Eu vos amei.

A Diocese não é uma ilha, como o não são as paróquias, os movimentos, as associações, departamentos, serviços ou comissões. Estamos inseridos num país, a Igreja em Portugal, e no mundo, a Igreja Universal, procurando que haja valores, princípios, orientações e até linhas programáticas comuns. A este propósito vale a pena relembrar que estamos em Sínodo, convocado pelo Papa Francisco e inaugurado no fim de semana de 9 e 10 de outubro, no Vaticano, e na maioria das dioceses do mundo, no dia 17 de outubro.

O Sínodo dos Bispos 2021-2023 é um caminho que nos convida a todos, na escuta e no diálogo, na oração e na reflexão, para que, chegados a outubro de 2023, o caminho que percorremos em conjunto, com as dúvidas e interrogações levantadas, com as propostas e orientações sugeridas, possam ser debatidas, para que: o que a todos diz respeito seja por todos rezado e refletido. O tema do Sínodo: “Por uma Igreja Sinodal, comunhão, participação, missão”. Concluía o Pe. Diamantino Alvaíde, na admonição inicial, na Eucaristia de abertura do Sínodo, na Sé de Lamego: “Para uma Igreja sinodal: o Papa Francisco conta com a nossa comunhão; a Igreja espera a nossa participação, e Deus pede a nossa missão”.

No ano de 2023, realizar-se-ão as Jornadas Mundiais da Juventude, em Portugal, com o centro em Lisboa. O lema escolhido pelo Papa: «Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39) está, de algum modo presente no lema pastoral da nossa diocese. Por sua vez, o Movimento da Mensagem de Fátima servir-se-á de um lema semelhante: “Levanta-te! És testemunha do que viste!”

Levantemo-nos! Vamos! Jesus vai connosco!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/48, n.º 4630, 27 de outubro de 2021

Falecimento do Pai do Pe. Rui Borges

No último sábado, 2 de outubro, o Senhor do tempo e da eternidade, Deus da Vida e da Amizade, chamou a Si o Sr. Acácio Alves Pinto Ribeiro, pai do reverendo Pe. Rui Manuel Borges, pároco de Caria e do Carregal, na Zona Pastoral de Moimenta da Beira.

Em comunhão e em nome do presbitério da nossa diocese de Lamego, o Senhor Bispo, D. António Couto, endereça ao Pe. Rui, à família e aos amigos, as condolências, comungando da dor e da fé, desta esperança que nos abre a mente, o coração e a vida para Deus que é Pai e nos ama desde sempre e para sempre. Ele que nos chamou à vida, no Seu infinito amor, não nos abandona em nenhum momento da nossa existência, nem no final biológico/histórico. Com efeito, é este o mistério da nossa fé: a morte, em Jesus Cristo, dá lugar à vida plena e definitiva, com a ressurreição um vida nova e definitiva. Aquele que ressuscitou Jesus Cristo também nos ressuscitará a nós.

Celebrações Exequiais:

  • Domingo, 3 de outubro, pelas 15h00: Eucaristia na Igreja Paroquial de Caria;
  • segunda-feira, 4 de outubro, pelas 15h00: Eucaristia Exequial e funeral, na Igreja Paroquial da Penajóia, em Molães.

Rezemos pelo Sr. Acácio, que Deus acolhe no Seu coração de Pai, e pela família para que encontrem na fé e na Palavra de Deus, a esperança na vida eterna e na ressurreição dos mortos em Cristo Jesus.

Editorial Voz de Lamego: Não seja assim entre vós

A mãe dos filhos de Zebedeu, Tiago e João (cf. Mt 20, 20-28) pede a Jesus para que os filhos sejam colocados um à direita e outro à esquerda no Reino que há de vir. O pedido da mãe, justificável, ou dos próprios, como aparece no evangelho de São Marcos (10, 35-45), visa um lugar privilegiado de poder e estatuto. É um lugar a pedido e não por competência ou prévio esforço e merecimento!

Avançamos um pouco e verificamos que este pedido é comum aos outros discípulos, também eles desejam o melhor lugar. Não importa que competências lhes sejam reconhecidas, o decisivo é o lugar de destaque querem ocupar. Um pouco antes, Jesus tinha-lhes dito que a discussão entre eles não fazia sentido, pois quem quisesse ser o primeiro teria que ser o último e o servo de todos. Depois deste pedido, reacendem-se os ânimos e a disputas sobre qual é o maior, sobre qual poderá suceder a Jesus Cristo ou ocupar o cargo mais relevante.

Novamente, Jesus lhes assenta o estômago, mostrando que o discipulado passa pelo serviço, pelo cuidado aos irmãos, passa por perder a vida, por gastar a vida a favor dos outros.

Diz-lhes Jesus: “Sabeis os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo”. E conclui Jesus, dizendo que “também o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão” (Mt 20-25-28).

O país foi a votos, escolhendo os governantes que lhe são mais próximos. As próximas eleições, como se disse destas, vão ser as mais importantes e decisivas! E, na verdade, as eleições são sempre importantíssimas e as escolhas que fazemos vão marcar os meses e anos seguintes. As decisões que os governantes tomarem, boas ou más, vão-nos ajudar ou prejudicar, vão criar mais igualdade ou mais desigualdade, vão dividir mais o povo ou promover o bem comum. No Domingo à noite, todos saíram vencedores! Ou pelo menos aqueles que escolheram os seus governantes e todos os que se propuserem assumir mandatos para os quais foram ou poderiam ter sido eleitos. A política é uma arte, mas também um serviço à causa pública, ao bem comum, procurando que todos, mas especialmente os mais desfavorecidos (económica, social, culturalmente), se sintam escutados e encontrem respostas aos seus direitos! E se há direitos a exigir é porque há deveres a cumprir.

Depois das eleições, vamos dar as mãos! Ou talvez não!

Vamos esquecer o que foi dito no calor do momento! Ou talvez não seja fácil esquecer o que se disse, mesmo que tenha sido num instante de maior entusiasmo e menor consciência! Alguns perdem-se e esquecem quem são e quais os valores que os trouxeram ao lugar em que se encontram. Quando a discussão versou a vida pessoal e o caráter dos candidatos… será mesmo possível dar as mãos?

Se o propósito é o bem de todos, então todos devem deitar mãos à obra para prosseguir com todos os projetos defensáveis, exequíveis e benéficos para a comunidade! E talvez até seja bom, justo e honesto ver as propostas que os outros adversários apresentaram…

É tão fácil dizer estas coisas!

É tão mais difícil executá-las.

Não seja assim entre vós! Na comunidade cristã também surgem disputas e, por vezes, não é possível dirimir contendas e contentar tantos egos! O desafio de Jesus é para a comunidade dos seus discípulos, mas como se percebe, também para aqueles que se propõem servir o povo! Servir! Não servir-se! Foram eleitos para servir, para fazerem da política uma arte!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/44, n.º 4626, 29 de setembro de 2021

Editorial: Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo

“Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1, 38). Em resposta ao chamamento divino, Maria apresenta-se pronta a servir, a esvaziar-se de si para se encher de Deus.

Ninguém é neutro ou imparcial. Na linguagem, na biologia, na psicologia, há tendência de excluir palavras que signifiquem opção, escolha, diferença, optando pelo neutro, pelo insosso, pelo indiferente e indistinto, colocando tudo no mesmo patamar, tudo relativizando. O curioso é que esta pretensa neutralidade irrompe (sobretudo) de grupos, movimentos, associações ideologicamente extremistas, excludentes de outras opiniões, à procura de provocar ruturas. A tolerância não tem a ver com indiferença, mas com aceitação do outro e de respeito pelas suas convicções.

Um dia destes ouviremos alguém a dizer que “de passagem” ouviu estas palavras de Maria e a Sua escolha e dirá que não se compreende como ainda são proclamadas na Eucaristia!

“As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor… como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos”.

No 21.º Domingo do Tempo Comum (ano B), escutámos um texto da missiva de São Paulo aos Efésios (5, 21-32). Não damos a mesma atenção a todas as leituras, até porque já as conhecemos! A Palavra de Deus deve ser escutada e não apenas ouvida. Daí a recomendação, sempre urgente, da formação cristã. Por outro lado, o desafio a que as leituras de Domingo se leiam previamente, durante a semana, e algum comentário que ajude a perceber o contexto e ajude a visualizar melhor a forma de viver a Palavra de Deus na atualidade.

Este pedaço de texto foi partilhado e comentado como escandaloso, advogando a distração dos cristãos ou a suposta perpetuação da discriminação das mulheres em relação aos maridos. Atente-se: a leitura começava assim: “Irmãos: Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo”. É uma mensagem firme e inequívoca que a todos implica, o cristão não pode senão amar ao jeito de Jesus. O apóstolo volta-se então para as esposas. Obviamente que o texto tem o seu contexto e o autor sagrado, ainda que inspirado por Deus, inserido na comunidade crente que reflete, acolhe e amadurece a Palavra transmitida e colocada por escrito, não é um robot que reproduz um ditado, mas um ser humano com um vocabulário específico e sujeito às coordenadas culturais e religiosas. Os textos de Paulo não são iguais aos de Pedro ou de Tiago.

A leitura continua. “Maridos: amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela”. Há uma ligação, um mistério, que une Cristo e a Igreja! A Igreja vive, serve e testemunha Jesus Cristo que, primeiramente, amou e Se entregou por ela.

O essencial é amar ao jeito do Mestre gastando a própria vida a favor dos demais. Cristo amou e entregou-Se pela Igreja. É o modelo do amor para os casais, mas igualmente para toda a Igreja, para cada batizado. Submetei-vos uns aos outros, colocai o outro em primeiro lugar, servi-o e amai-o, em Cristo, que veio, não para ser servido, mas para servir e dar a vida por nós. A “submissão” entende-se, habitualmente, como subjugação ao outro, situação de dependência e de escravidão, e até de humilhação desumana. Na lógica do Evangelho, contudo, prevalece a submissão por amor, voluntária, como escolha. A Vida, diz Jesus, ninguém ma tira, Sou Eu que a ofereço. Ele que era de condição divina, não se valeu da Sua igualdade com Deus, mas humilhou-Se a Si mesmo e tornou-Se obediente até à morte. Não há maior submissão do que esta. Sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza, despojado de todo o poder e majestade, revestido somente de amor, de compaixão e de ternura.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/40, n.º 4622, 1 de setembro de 2021

Editorial Voz de Lamego: Atrás de quem corremos?

Num dos últimos números da revista “Audácia” encontrei uma história narrada pelos Padres do Deserto e ponto de partida para Susana Vilas Boas falar de discernimento vocacional.

Comecemos pela história:

“Um homem passeia-se com o jovem filho levando o seu cão de caça. A um dado momento, o cão avista um coelho branco no meio do bosque. Como está treinado – e é impulso natural dos cães – o cão começa a correr atrás do coelho, enquanto ladra freneticamente para dar o alerta da sua perseguição. No mesmo bosque – e vindos da mesma aldeia – outros cães, ao ouvirem o primeiro ladrar, começam a ladrar e a correr como ele. Após alguns minutos de corrida, desencorajados e cansados, os cães vão abandonando a perseguição e só o primeiro permanece atrás do coelho até o conseguir apanhar. Chegados a este ponto, o jovem rapaz – não habituado às andanças da caça – pergunta ao pai: «Paizinho, porque é que todos abandonaram a perseguição menos o nosso cão?» O pai respondeu-lhe: «Ora aqui está uma grande lição de vida: os outros cães corriam e ladravam por verem outros cães a correr e a ladrar. Com o nosso cão era diferente. Ele sabia a razão pela qual estava a correr e a ladrar – ele viu o coelho! Na nossa vida acontece o mesmo, se corremos por ver correr, a nenhum lado chegamos. Mas, se “virmos o coelho” e pusermos pés ao caminho, será duro, mas nada nos fará desistir sem alcançar os nossos objetivos».

Como cristãos, tem-no-lo dito o Papa Francisco recorrentemente, não podemos ser cópias, que vão atrás das últimas modas, seguem os “influencers” das redes sociais, vivendo uma vida maquilhada de rótulos, maiorias, opinião geral, que não nos realiza e em que nada nos diferencia dos demais. “Maria vai com as outras!” O cristão tem de ser original. Esta originalidade remete-nos, em primeiro lugar, à origem, a Deus, a Jesus Cristo. Como seres humanos somos também seres miméticos; desde crianças aprendemos a imitar, crescemos e amadurecemos olhando, vendo e depois fazendo. Mesmo que quiséssemos, não nos criamos / não nos inventamos a nós mesmos. E não somos ilhas isoladas! Rodeados de familiares, amigos e colegas crescemos conjuntamente, testamos os limites e as fronteiras. A educação também passa por aqui, por apresentar referências, balizas, orientação, valores! A criança não é um baldio que se deixe ao deus-dará, mas dão-se-lhe as ferramentas para discernir, para saber o que é bem e mal, responsabilizando-a progressivamente pelas suas ações, mas não a substituindo. Tarefa difícil, mas nobre.

Desafia-nos São Paulo: sede meus imitadores como eu sou imitador de Cristo. O paradigma continua a ser Jesus Cristo, mas pessoas próximas e concretas podem ajudar-nos a perceber o que nos sintoniza da nossa origem e o que desvirtua a nossa identidade cristã.

Uns séculos depois, São Paulo VI dir-nos-á: «O homem contemporâneo escuta com maior boa vontade as testemunhas do que os mestres ou se escuta os mestres é porque são testemunhas» (EN 19), desafiando-nos a viver de tal forma que os outros possam ver em nós o Evangelho de Jesus, não apenas pelo que dizemos, mas sobretudo, e antes de mais, pelo que somos, pelo que fazemos.

A cada momento teremos que discernir as nossas escolhas e caminhos. Cabe-nos verificar se estamos a “correr” por Cristo ou àqueles que nos rodeiam. É uma tarefa essencial, pois só a intimidade com Cristo nos faz prevalecer na fé e persistir na configuração ao Seu Evangelho, encarnado no tempo e na história, experimentado em Igreja. Chegámos a Jesus através da família, da Igreja, no ambiente em que nascemos e crescemos, mas só o encontro pessoal com Ele nos motiva a permanecer e a inundarmos a nossa vida com a Sua ternura.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/39, n.º 4621, 25 de agosto de 2021

Editorial Voz de Lamego: Não te reconheço!

É uma expressão popular que ouvimos muitas vezes sobretudo quando a outra pessoa nos surpreende positiva ou negativamente ou, então, quando vemos que ela não reage da forma como estávamos à espera que reagisse perante uma adversidade. Neste tempo de pandemia, ouvimos muitas expressões semelhantes, pois nem sempre reconhecemos imediatamente as pessoas com máscara. Já nos aconteceu, talvez a todos, cumprimentar uma pessoa, trocar algumas palavras e ficarmos a refletir quem seria tal pessoa!

É bem conhecida a expressão de Jesus a Filipe: há tanto tempo que estou convosco e não me conheces? (Jo 14, 7-14). Na parábola do Juízo Final (cf. Mt 25, 31-46), aqueles que são benditos a entrar no Reino ficam surpreendidos e questionam quando é que realizaram o bem. A resposta do Rei é concludente: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes”. O Rei reconhece-os e acolhe-os porque também eles O reconheceram no cuidado aos irmãos. Em sentido contrário, são malditos (não-reconhecidos) aqueles que não O reconheceram nos irmãos: “Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (cf. Mt 25, 31-46).

A mesma expressividade na parábola das 10 Virgens, 5 prudentes e 5 insensatas. Como o noivo se demorasse, as virgens foram adormecendo. As sensatas levaram azeite de reserva, as insensatas não se precaveram. Quando o noivo se aproxima, as insensatas apressam-se a ir comprar mais azeite, mas quando regressam a porta está fechada. “Em verdade vos digo: Não vos conheço” (Mt 25, 1-13).

A pessoa enquanto tal é um mistério que nunca se expõe nem é exposta totalmente. Pelos perfis digitais, a pessoa diz e esconde muito do que é. Um amigo, um familiar, um colega de trabalho, pode parecer que se conhece bem, mas de repente…

Na Sinagoga de Nazaré, os amigos de Jesus acharam que O “conheciam” demasiado bem. Ele é o Filho de Maria e de José, o Carpinteiro. Conhecem os parentes e as ligações à comunidade, mas são surpreendidos pelas Suas palavras, pelos prodígios realizados e pela fama que, entretanto, tinha granjeado em outras terras.

Obviamente é bom e salutar que nos conheçamos e tenhamos consciência de que conhecemos bastante bem os nossos amigos e familiares, pois é sinal de proximidade, atenção e afeto. Conhecer bem pode, positivamente, ajudar a responder às necessidades, anseios e questões levantadas por eles. Negativamente, quando diminuímos a atenção e o cuidado, porque conhecemos, porque as reações são sempre as mesmas e assim as respostas também serão. Como exemplo paradigmático: casais que na conquista e no namoro procuram ser reciprocamente atenciosos, ouvintes, compreensivos… com o tempo deixam de surpreender e já não se centram tanto nas necessidades do outro mas mais nos gostos próprios…

Com ou sem máscara, com ou sem pandemia, a verdade é que deixamos de reconhecer algumas pessoas, positiva e negativamente, pelo que eram e por aquilo em que se tornaram. No tempo, somos sempre os mesmos, mas, simultaneamente, é bom e desejável que cresçamos, amadurecendo, aprendendo, como nos diz São Paulo, até à estatura de Cristo (cf. Ef 4, 13-15). O drama é quando crescemos e ficamos da nossa própria estatura, tornando-nos como Zaqueu antes de encontrar Jesus e se deixar ver por Ele (cf. Lc 19, 1-10). Zaqueu era um homem de vistas curtas e de pequena estatura, preocupado com os seus bolsos e com o seu umbigo, mas pelo caminho encontrou-se com aquele Mestre sábio e bom. Pôs-se em movimento, em bicos de pés, subiu a uma árvore… para descer da sua prepotência e sobranceria e caminhar ao lado de Jesus, acolhendo-o em sua casa e na sua vida.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/34, n.º 4616, 7 de julho de 2021

Editorial Voz de Lamego: Quando foi que nos perdemos?

Poderás ser tu a ovelha perdida? Ou serei eu?

Será que ainda estamos no caminho certo? Seguimos com os outros! Mas continuamos a seguir Jesus ou apenas um esqueleto de tradições e obrigações? É a fé que nos anima ou pesa-nos a falta de alegria e de festa? Alguém caminha em sentido contrário! Ou fui eu que me enganei na direção? Ou foste tu que te perdeste no caminho?

Onde ou quando se terá perdido Judas?

Não sabemos. Era um dos apóstolos mais próximos de Jesus. A ele foi confiada a administração dos parcos bens, a bolsa comum. Alguns insistem que era corrupto, ainda que os dados dos Evangelhos não permitam tal juízo. Há vários estudiosos que sustentam que não foi a falta de fé ou a avareza que o conduziram ao descalabro, mas uma fé enviusada, demasiado zelo e demasiada pressa. Uma fé infantil que quis obrigar Jesus a agir como “Deus”, com milagres e poder. Faltou-lhe clareza e confiança. Não foi capaz de dar o salto. Como ninguém pode dizer que ele se condenou, há quem diga que o próprio suicídio foi uma forma (extrema e doentia) de apressar o encontro com Jesus na eternidade. Nalgum momento queimou os fusíveis e perdeu a direção!

Pedro também se perdeu no caminho! Não conheço esse homem, não sei quem é, nunca o vi mais gordo, não sei onde pendura o pote! Do mesmo jeito, os demais apóstolos fogem, com medo, e mantêm-se à distância, como observadores, neutros, amorfos, indiferentes! Como cristãos, alguns de nós assumimos a mesma postura, ficamos na nossa zona de conforto até ver onde param as modas!

Por ocasião dos 12 anos de Jesus, Maria e José levam-n’O ao Templo, para cumprirem a tradição.  Ele assume a Sua adultez diante dos doutores da Lei e dos sacerdotes do Templo. A partir de então, Jesus pode ler em público a Escritura Sagrada, podendo propor alguma meditação. No regresso a casa, no final do primeiro dia de viagem, Maria e José apercebem-se que Jesus não se encontra na caravana! Hoje, esta aparente perda abriria telejornais e espalhar-se-ia rapidamente pelas redes sociais, uns culpando os pais por falta de cuidado e de responsabilidade; outros, diriam que Jesus era demasiado arisco e que se tinha perdido em consequência das suas traquinices (e óbvia falta de educação!). Seja como for, Maria e José, quando se apercebem que Jesus não regressou para a ceia, partem a buscá-l’O entre parentes e amigos. E voltam atrás. Não descansam até que O encontram. Não adianta correr se não sabes onde vais (Amália Rodrigues)!

João Batista aponta Jesus aos seus discípulos que, doravante, seguem o Messias de Deus. Voltando-se Jesus, pergunta-lhes: a quem buscais? Eles por sua vez, questionam-n’O: onde moras? Vinde ver, diz-lhes Jesus. Eles foram e ficaram com Jesus.

Já as mulheres, no primeiro dia da semana, vão ao sepulcro, com o fito de embalsamar o corpo de Jesus, pois não tiveram tempo de o fazer ao cair da tarde de sexta, quando se iniciava o dia sagrado de sábado. O anjo diz-lhes: «Sei que buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado; não está aqui, ressuscitou… Ide depressa dizer aos Seus discípulos: ‘Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia. Lá O vereis’» (Mt 28, 5-7).

É importante seguir Jesus, ver onde mora, como vive! Ele mora, como canta a Ir Maria Amélia, em tua casa, no teu coração, na tua rua, no teu vizinho. Pior do que nos perdermos e/ou perdermos Jesus é não nos apercebermos que Jesus já não segue na nossa barca! Quando foi que nos perdermos? Sempre que esvaziámos a alegria da fé e a alma do Evangelho…

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/33, n.º 4615, 30 de junho de 2021

Editorial Voz de Lamego: Popularidade dos santos

Estamos em plena época dos santos populares. Com o desejo da praia, das férias e do convívio, da descontração e do descanso, ombreiam as festas populares que se iniciam em junho com os afamados “santos populares”. Se são populares, são do povo! O povo identifica-se com eles! Calma! Talvez não se identifique com os santos, mas com as festas e tradições a eles associadas!

Se olharmos para figuras populares, um artista, um cantor, um futebolista, como Cristiano Ronaldo ou Messi, têm seguidores nas redes sociais, aos milhares, ou milhões, e onde se deslocam há centenas ou milhares de fãs que querem ver, tirar uma foto, um selfie, solicitar um autógrafo, pedir a camisola! Quantos pais colocam aos filhos os nomes dos seus heróis/ídolos? Quantas jovens querem ser como Cristiano Ronaldo?

Passemos então à popularidade de Santo António, de São João e de São Pedro!

São João Batista era de facto bastante popular, atraía multidões, batizava centenas de pessoas, conduzia à conversão muitas pessoas, desafiando à não violência, à justiça social e à partilha, ao cumprimento dos mandamentos. A popularidade de São João Batista custou-lhe a vida. Herodes, a pedido da bela filha de Herodíade, mandou cortar-lhe a cabeça. Alguém quer imitar São João Batista? Outra característica de João é a humildade, não das palavras, mas na atitude, apontando para Jesus Cristo. É Ele, é Ele que deve crescer e eu diminuir… nem sou digno de Lhe desatar as correias das sandálias!

E Pedro, aquele apóstolo simples, titubeante e impulsivo que segue Jesus, quereremos imitá-lo? Deixou tudo para seguir Jesus! Se calhar pensou que largava uma vida sacrificada e dura por uma vida mais faustosa e tranquila. Essa foi uma das suas tentações, tal como a de outros discípulos. Quando vê que as coisas estão complicadas, assusta-se e nega Jesus: não tem nada a ver com Ele, não quer ser identificado com Jesus Cristo! E com os outros discípulos, mantém-se à distância de segurança! Depois da ressurreição e das aparições de Jesus, Pedro transfigura-se e torna-se um convicto pregador. Mais tarde será morto por ser cristão. Algum de nós quer seguir as pisadas de Pedro? Não estamos a falar do facto de ter sido o primeiro Papa, mas de ter sido mártir e antes um indisciplinado apóstolo!

E que dizer de Santo António? Sim, é um dos santos bem populares. De família nobre, renunciou a uma vida faustosa para se tornar monge. Depois de ordenado sacerdote dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, escolhe (ou melhor, é escolhido por Deus para) outro caminho, faz-se monge franciscano, assumindo a pobreza dos frades e a ânsia de se tornar mártir missionário em África, mas também aí Deus lhe muda o destino e virá a tornar-se um grande pregador, com centenas de pessoas a ir ao seu encontro para o ouvirem. Por outro lado, passa horas a confessar e realiza, em nome de Deus, muitos milagres. Esta parte dos milagres até que nos dava jeito! Mas o verdadeiro milagre é o da conversão. A fé move montanhas. Deus realiza os milagres através de crentes, cuja fé está amadurecida e fundada na oração e na intimidade com o Senhor. Prontos para sermos como Santo António? Seguros nos bens que temos ou no risco de tudo colocarmos em Deus?

Se fizéssemos uma sondagem sobre popularidade… talvez São João, São Pedro e Santo António não figurassem nas primeiras cem opções! Obviamente que as festas populares são importantes, referidas a estes ou outros santos. É também oportunidade para os conhecermos melhor. Por outro lado, a santidade, como cristãos, está sempre no horizonte. Cabe-nos acolher a santidade de Deus que em Cristo Se manifesta amor e compaixão.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/31, n.º 4613, 16 de junho de 2021