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Archive for the ‘Jesus Cristo’ Category

Falecimento da irmã do Padre Albano Cardoso

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia infinita, chamou a Si, à Sua morada eterna, a Sra. Dona Lourdes Cardoso, irmã do Padre Fernando Albano Cardoso, pároco Longa, da Granja do Tedo, de Vale de Figueira e de Nagosa.

O Senhor Bispo, D. António, em seu nome e do presbitério de Lamego, a que preside, manifesta as suas condolências à família e amigos, de forma particular ao Pe. Albano, sublinhando a comunhão espiritual na oração e na certeza da fé que nos garante a vida eterna, a ressurreição no Coração de Deus.

Face aos isolamento social, em virtude da pandemia, a presença física será diminuta, mas não a oração, não a comunhão, não a esperança da vida eterna.

Que o Deus de todo o bem a acolha calorosamente no Seu reino de glória, junto de Quem intercederá por nós, levando até Ele, Senhor nosso Deus, os nossos propósitos e intenções. E que os familiares sintam o aconchego de Deus e a ternura da Virgem Santa Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa.

 

 

Editorial da Voz de Lamego: vislumbra-se da Terra Prometida!

Na Quaresma, é-nos recordado a travessia do Povo de Israel e as suas tribulações pelo deserto. Quarenta horas, quarenta dias e quarenta noites, quaresma, quarentena! Quatrocentos anos pelo deserto, o tempo necessário para que uma geração dê lugar a outra, tempo de purgação, de extirpar pecado e as marcas da morte, da infinidade e da desconfiança.

A geração que entra na Terra Prometida não é a mesma que saiu do Egito, da escravidão, não é o povo que se voltou contra o seu Deus. Pelo caminho lento, duro, ziguezagueante, quase como a serpente que larga a pele para a substituir por outra, sinal de crescimento, assim uns vão passando o testemunho a outros, contando, de geração em geração, as maravilhas que o Senhor fez, apesar de todos os contratempos e desvios.

Também nós, que transcorremos o deserto, o isolamento social, uma quarentena, uma Quaresma mais longa e mais dura, não seremos os mesmos a entrar na Terra Prometida. Nem eu nem tu. Nem a sociedade. Nem a Igreja. Inevitavelmente seremos diferentes. Poderemos converter-nos ou tornar-nos cínicos. Converter-nos significará que o compromisso que assumimos como sociedade nesta crise se há solidificar na entreajuda. Cínicos, se a pandemia cristalizar os muros do medo, do egoísmo, da desconfiança e da indiferença. Nem tudo é branco ou preto, mas seja como for, como seres dotados de inteligência, no final teremos aprendido, amadurecido ou, pelo menos, envelhecido! Teremos aprendido a cuidar mais da higiene e uns dos outros e a saber que a ação individual tem implicações na sociedade. Muitas vezes ouvida, a expressão “estamos no mesmo barco” tornou-se por demais evidente. Levaremos tempo a esquecer que dependemos uns dos outros.

O Senhor Deus mostra a Moisés a terra da prometida e diz-Lhe: «Esta é a terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacob. Dá-la-ei à vossa descendência. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela» (Dt 34, 1-4). Moisés não chegou a pisar a Terra Prometida, mas a alegria da proximidade permitiu-lhe morrer em paz, na esperança que a verdadeira promessa a encontraria em Deus e que cumpriu com a missão na qual foi revestido: guiar o Povo à Terra Prometida. Uma geração nova, amadurecida pela dureza do deserto, pelas adversidades do caminho, pelas perdas sofridas, pela resiliência em avançar, entrará finalmente na Terra Prometida. O risco agora é esquecerem tudo quanto o Senhor fez por eles, pois não fizeram a experiência da escravidão e subsequente libertação, através da liderança de Moisés.

Dentro da Quaresma, como preparação para a Páscoa, empreendemos uma quarentena, um caminho duro, adverso, contagioso. Tal como a Quaresma nos há de conduzir à Páscoa, a nossa Terra Prometida, que é Jesus Ressuscitado, também tudo faremos para que a quarentena nos permita ressuscitar como sociedade, fortalecida pela pandemia, renovada pela solidariedade. Não é demais dizê-lo: estamos no mesmo barco! Todos contam. Não deixemos ninguém para trás. Dependemos uns dos outros. Façamos o que está ao nosso alcance. A tempestade ainda decorre, a bonança há de chegar. Que a oração desperte para a comunhão e que a sabedoria que nos vem de Deus nos faça caminho com os irmãos.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/17, n.º 4552, 24 de março de 2020

Editorial da Voz de Lamego: A vida em suspenso?

O momento ainda não é tanto de reflexão mas de luta, de compromisso com todos os que estão no terreno a ajudar a manter a vida da cidade, a salvar vidas, a cuidar dos mais frágeis. É tempo de todos facilitarmos a vida às autoridades sanitárias, aos que tomam medidas para proteger a população, aos profissionais de saúde e todos os que velam pela segurança pública, e a todos os que produzem e transportam bens essenciais.

O nosso compromisso como cidadãos e, por maioria de razão, como cristãos, é fazermos o melhor, não desistir dos outros, não deixar ninguém para trás, não excluir, gastar-nos uns pelos outros como fez Jesus. A quarentena de que tanto se fala remete-nos para a quaresma. A raiz das duas palavras é a mesma e ambas sugerem luta, caminho, esforço e sacrifício, na esperança de chegarmos à meta, à vida saudável, nova, salva, à Páscoa.

Antes da Páscoa, o deserto, o caminho, a montanha, o poço de Jacob! Antes da Páscoa, a Paixão, a oração e o sofrimento, a perseguição e o julgamento, a CRUZ. A Cruz não é ainda o final, mas já nos fala de amor, de entrega, de vida, de esperança, de futuro.

A partir da China, o COVID 19 propagou-se rapidamente pelo mundo. Portugal, de dia para dia, vê aumentar o número de infetados, não se sabendo quando será o pico de doentes e se o Serviço Nacional de Saúde, com a cooperação dos privados, terá capacidade para atender a todos os doentes. Isto vai piorar, importa não o esconder, mas há um rasto de esperança a anunciar: os primeiros contaminados estão curados e outros em casa a recuperar.

A Quaresma de 2020 tornou-se um caminho árduo, longo, duro! Olhando para a Cruz, no contexto desta pandemia, foquemo-nos nas duas dimensões, a vertical, a oração, pedindo a Deus que nos dê ânimo e sabedoria para o melhor caminho a percorrer, e assim também pelas autoridades e profissionais de saúde; a horizontal, cumprindo com conselhos e orientações que nos são dadas para minimizar a propagação do vírus, respeitando tempos e espaços, mas cuidando para que ninguém fique esquecido.

Com o avançar da pandemia, todos começamos a aguçar mais a consciência de que estamos no mesmo barco. Há momentos em que somos mais egoístas. Tantas vezes nos perdemos no provisório, acentuámos as diferenças e as conveniências, mas agora há algo mais importante, essencial, a promoção e a defesa da vida humana. Ainda há dias estávamos a falar de eutanásia e suicídio assistido, e agora é a vida que precisamos, todos, de cuidar, de proteger e de salvar. A pandemia faz-nos perceber melhor como temos de respeitar os outros e o seu espaço, mas sobretudo que somos parte de um todo, pertencemo-nos.

Eu e tu somos responsáveis. Responderemos uns pelos outros. Responderemos a Deus pelos irmãos que não ajudarmos.

A Páscoa há de estar mais à frente. Caminhemos!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/16, n.º 4551, 17 de março de 2020

Editorial Voz de Lamego: Levantai-vos! Vamos!

No ano 2022, Portugal vai receber as Jornadas Mundiais da Juventude. O tema geral está escolhido para que possam ser elaboradas também as catequeses de preparação. No dia 11 de fevereiro, foi assinada a Mensagem do Papa para a Jornada Mundial da Juventude deste ano. “O tema da JMJ de Lisboa será: «Maria levantou-Se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39). Nos dois anos que precedem o Encontro, pensei em refletir juntamente convosco sobre outros dois textos bíblicos: «Jovem, Eu te digo, levanta-te! (cf. Lc 7, 14)», em 2020, e «Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste! (cf. At 26, 16)», em 2021. Como podeis ver, o verbo comum aos três temas é levantar-se”.

“Igreja em saída” é uma expressão muito utilizada pelo atual Papa Francisco, sensibilidade já manifestada enquanto Cardeal em Buenos Aires: “É fundamental que os católicos – tanto os clérigos como os leigos – saiamos ao encontro das pessoas. Uma vez dizia-me um sacerdote muito sábio que estamos diante de uma situação totalmente oposta à da parábola do pastor, que tinha noventa e nove ovelhas no curral e foi procurar a ovelha perdida; nós temos uma no curral e noventa e nove que não vamos buscar”. Eleito a 13 de março de 2013, há 7 anos, o Santo Padre não cessa de desafiar-nos a sair, a tomar a iniciativa de ir ao encontro do outro. A Igreja tem de deixar de ser autorreferencial para levar Jesus às periferias existenciais. «Prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, caída num acidente, que uma Igreja doente por fechamento! Ide para fora, saí!». 

Em diversos momentos, o Papa tem convidado os jovens, a menos jovens, a levantar-se do sofá, a usar com equilíbrio as novas tecnologias, para que estas não sejam empecilho para o encontro pessoal com outros jovens e com pessoas mais velhas, e deixem espaço com o convívio, para o envolvimento em causas como a luta pela paz e pela justiça ou a proteção do meio ambiente.

No Evangelho, melhor, durante a sua vida pública, Jesus coloca-Se e coloca-nos em dinâmica de movimento. Com efeito, Jesus avança entre povoações, por aldeias e cidades, ficando o tempo necessário para se encontrar com as pessoas da localidade, curando os enfermos, expulsando os espíritos impuros, falando na sinagoga, em dia de sábado… Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, encontra-nos no caminho, junto ao poço de Jacob, na outra margem, ou a caminho de Emaús, e faz-nos avançar. “Vamos a outra parte, às povoações vizinhas, a fim de proclamar aí também, pois foi para isso que Eu saí”. (Mc 1, 38). Jesus vive em saída, de junto do Pai para junto de nós, e “saindo” do mundo, levar-nos-á ao Pai. Sigamo-l’O!

No monte da transfiguração, Jesus diz a Pedro, Tiago e João, a mim e a ti: Levantai-vos, não temais. No horto das Oliveiras, quando se aproximam as últimas horas, Jesus volta a despertar-nos da letargia: Levantai-vos! Vamos! (Mt 26, 46). Faça-se a Tua vontade! Não fujamos da Cruz, expressão de amor sem medida e de entrega, e logo chegaremos à Páscoa!

Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/15, n.º 4550, 10 de março de 2020

Falecimento do Padre Frederico dos Anjos Martins | 1929-2020

O Senhor nosso Deus, Pai de Jesus e nosso Pai, Deus de bondade e de sabedoria, chamou para junto de Si, na morada eterna, o nosso o nosso irmão Padre Frederico dos Anjos Martins.

Era natural do Vilarouco, no concelho de São João da Pesqueira, onde nasceu no dia 13 de março de 1930. Completará 90 anos já na eternidade.

Foi ordenado sacerdote a 29 de junho de 1958.

Entre outras tarefas, foi pároco, durante muitos anos, de Valença do Douro e da Desejosa, no concelho de Tabuaço,  de Casais do Douro e de do Sarzedinho, no concelho de São João da Pesqueira, tendo, posteriormente, paroquiado Melcões, no concelho de Lamego. Ultimamente, as condições de saúde vinham-se a agravar.

O Senhor Bispo, D. António Couto, em nome do presbitério e da Diocese de Lamego, endereça as suas condolências a familiares e amigos, confiando o Pe. Frederico nas mãos de Deus, confiando na Sua Misericórdia infinita e na certeza da ressurreição e da vida eterna.

Celebrações

  • quinta-feira, 10h30 – Celebração da Eucaristia (com o corpo presente), na Igreja da Graça, em Lamego, sob a presidência de D. António Couto, Bispo de Lamego.

  • quinta-feira, 16h30 – Celebração da Eucaristia, no Vilarouco, sua terra natal, onde irá a sepultar no final das Exéquias sagradas.

Que o Senhor Deus lhe dê a recompensa dos justos.

 

(foto: D. António Couto e Pe. Frederico Martins,
por ocasião da Visita Pastoral a Melcões, a 25 de julho de 2015. Créditos: Voz de Lamego)

Editorial Voz de Lamego: Com o olhar fixado na Páscoa

Não há cristão sem a Páscoa de Jesus, pois na Páscoa, Jesus regressa à comunidade, encontra os discípulos, reanima a pouca fé que tinham, cimenta a esperança que a Sua morte fez perigar, ilumina o passado, a história dos últimos três anos daqueles que O seguiram, mas também toda a história da humanidade. Mas, mais importante, faz-nos olhar para o alto, para a frente, para o futuro. Se Este Jesus ressuscitou, se está vivo no meio de nós, então não há lugar para a indecisão, para a indiferença, para o medo paralisante, pois Aquele que ressuscitou Jesus também nos há de ressuscitar a nós.

Agora entendemos, quando Jesus nos dizia: a vossa tristeza transformar-se-á em alegria, e será uma alegria tão grande que ninguém vo-la poderá tirar. É a Páscoa que nos faz agradecidos à história, aos nossos antepassados, aos nossos pais e a todos os que permitiram sermos hoje, a Deus que nos criou e que não nos deixará na mão. Não nos deixará desaparecer.

Então que fazer para ressuscitarmos? Seguir no encalço de Jesus, procurando, em tudo e em relação a todos, a mesma conduta: amar e cuidar, perdoar e servir, gastar a vida por inteiro para que inteira seja a vida que nos conduz a Deus. Se deixarmos de gastar a vida, pelos outros, estaremos a desperdiçá-la. Quando nas festas vinham os carrinhos de choque, comprávamos várias fichas que nos permitiam andar a conduzir a chocar contra os outros carrinhos. Se o tempo não chegava para gastarmos as fichas, arrecadávamo-las para outra ocasião, mas se, entretanto, os carrinhos iam embora, ficávamos com as fichas, desconsolados, tínhamos gastado o dinheiro e não tínhamos usufruído. Assim a vida que não se gasta, é desperdiçada.

Nesta quarta-feira entramos na Quaresma, aquele tempo triste, enfadonho, escuro, sem flores nem cores vivas, sem cânticos alegres nem aleluias. É curioso como nos colamos tanto à Quaresma que, por vezes, parece que não nos importaríamos de ficar na Quaresma mais umas semanas. Alguns ficam o ano todo em regime de Quaresma. Esta, porém, é provisória, passageira, são 40 dias (46 se contarmos também os Domingos, ainda que estes sejam assumidos como desconto para celebrarmos o Dia do Senhor, a Páscoa semanal e nos recordarmos que é a Páscoa que nos dá o impulso e nos atrai para Jesus, fazendo de nós discípulos missionários).

“Para tristezas… já basta a vida!” É uma expressão popular que expressa lamento e resignação, mas que podemos também entender como provocação. Cristo dir-nos-á, a cada dia a sua preocupação, o amanhã também terá a sua quota de preocupações. Nesta perspetiva, importa viver hoje, amar hoje, valorizar a vida hoje, cuidar dos outros hoje. Não temos outro dia. É hoje. A Quaresma deixa-nos entrever que a vida é caminho, com os seus escolhos e contrariedades, mas não deixa de ser caminho, um caminho que aponta a uma meta: à Páscoa, a Jesus. A Luz que desponta da Páscoa faz-nos caminhar seguros e garante que a vida vencerá. Porquanto temos de prosseguir, procurar vencer o que nos mata, os desencontros e o desamor, a indiferença, o comodismo e o egoísmo. Como nos convida a Palavra de Deus, e que o Papa faz desafio quaresmal: em nome de Cristo, deixemo-nos reconciliar com Deus!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/13, n.º 4548, 26 de fevereiro de 2020

O meu olhar sobre Sabino Pinto de Almeida

Acabava de ouvir o pedido de escrever alguma coisa sobre o meu amigo e antigo colega Sabino Pinto de Almeida quando na redacção de Voz de Lamego caiu o artigo do nosso colaborador, Fábio Ribeiro, a falar do seu professor de Português, que ele foi.

Há muitos anos que, por dever de ofício em VL, leio as palavras do ilustre colaborador do nosso jornal, mas longe de mim estava o facto de ele ter sido aluno do Sabino; este perdoa-me que assim o trate, pois assim fiz sempre, desde que ele entrou no Seminário, foi ordenado sacerdote, trabalhou na pastoral diocesana e enveredou por outro caminho na vida que o esperava.

Mais novo do que eu, tinha, para mim e a seu favor, o facto de ser irmão do meu condiscípulo Manuel, falecido há pouco mais de um ano. Tendo trabalhado em paróquias distantes daquelas de que eu era o responsável, pouco sabia da sua actividade pastoral, mas o suficiente para me alegrar pela sua acção no trabalho de Igreja a que era chamado; a sua partida para o Seminário de Resende como Professor e outras actividades a que teria de se dedicar, se não foi para mim uma surpresa total, não deixou de ser para ele o reconhecimento de uma competência que havia de se tornar mais conhecida quando, tendo abandonado o Seminário, começou a enveredar pelo ensino nas Escolas oficiais. Haja em vista o artigo de Fábio Ribeiro sobre ele.

Surpresa, sim e grande, foi a sua «partida» para novo género de vida, fora do sacerdócio; não discuto razões, muito pensadas certamente, mas determinantes de uma decisão que ele tomou e que haveria de orientar o seu novo rumo, pensado e assumido, para a vida que continuava a esperá-lo.

Deixava a família sacerdotal para viver em família matrimonial, num momento difícil para a Igreja, opção tomada para um futuro que se pensava e era diferente. Para melhor? Cada um soube do primeiro sonho desfeito e do segundo que aparecia risonho; o sim ou o não dessa mudança teria de ser, era, a razão de ser de algo que se pensou e, depois, se realizou.

A vida separou-nos no espaço, no sonho, na vida. O vai-vém de um e do outro fez-nos andar fora do âmbito e caminho de vida, que não da amizade que nos unira; raríssimos se tornaram os encontros, que nem a vida em Lamego favoreceu; apenas as notícias, também cada vez mais raras, me diziam que o Sabino por aqui andava, por aqui trabalhava, por aqui vivia; se nunca perdi a amizade que nos unira, perdi os rastos de uma vida que, agora, nos separava. Porquê? Não o sei, para o afirmar.

Deixou o Sacerdócio ministerial, não deixou a sua fé, o seu «ser Igreja», os sacramentos que frequentava; isso sabia eu, isso continuava no horizonte cristão que continuou a norteá-lo na sua vida familiar e pessoal.

A doença apoderou-se do seu corpo; membro de uma família numerosa, esta pareceu e parece marcada por um sofrimento que se foi manifestando mais cedo ou mais tarde na vida de cada um; se razões não conheci para a sua vida no aspecto da saúde, lembro melhor o Manuel em Resende e Lamego, que algo, mas pouco, deixava entrever em dificuldades de saúde. E uma grande força de vontade parecia ser toda a razão para um futuro risonho.

Partiu o P.e Manuel, partiu o Sabino, como partiram outros irmãos e partiremos todos nós; o mundo não é nosso, nós não somos do mundo;

O que fomos e somos esteve e está nas mãos de Deus e com Ele partilhámos anseios e realizações; o Sabino assim o pensou, assim o realizou; desfez-se um sonho, encontrou-se uma outra realidade. Perante Deus, o sonho desapareceu; para além dele a recompensa de uma fé que nunca se perdeu e se viveu ao longo dos anos que o Senhor lhes deu na terra e, agora lhes concedeu para a eternidade. Assim o pensamos, assim o acreditamos pela misericórdia do Senhor, nosso Deus, pois como o P.e Vítor Feytor Pinto, podemos afirmar: «sei que do lado de lá, está a misericórdia de Deus».

Do teu amigo Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 90/12, n.º 4547, 18 de fevereiro de 2020