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CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES | Fátima e João Paulo II

Tal como referido na semana anterior, um dos Papas que mais de perto meditou a “mensagem de Fátima” foi João Paulo II (1978-2005), visitando o Santuário português por três vezes: 1982, 1991 e 2000. A sua ligação a Fátima intensificou-se após o atentado que sofreu no dia 13 de Maio de 1981, em Roma, e ao facto de ter atribuído a Nossa Senhora a graça de sobreviver. No ano seguinte veio a Fátima agradecer.

A devoção mariana do Papa S. João Paulo II era algo que sempre o acompanhara na vida. Quando foi nomeado bispo escolheu, para as suas armas episcopais, a letra M junto à cruz e a expressão “Totus Tuus”, como sinal de total entrega a Maria. E com frequência o então bispo e cardeal de Cracóvia era visto no Santuário da Virgem Negra de Czestochowa, a Rainha da Polónia.

Os esforços do Papa em cumprir todas as indicações que a Virgem deixou aos pastorinhos tiveram o seu ponto alto no acto de consagração que realizou em Roma, a 25 de Março de 1984, em união com todos os bispos do mundo. No dia seguinte, João Paulo II entrega ao Bispo de Leiria, D. Alberto Cosme do Amaral, uma pequena caixa com “um presente para Nossa Senhora”. Era a bala que tinha atravessado o corpo do Papa e que está hoje encastoada no topo da coroa que Nossa Senhora.

No ano seguinte à consagração realizada em Roma, Gorbatchev é eleito na URSS e dá-se início à “Perestroika”. Dez anos após o atentado, João Paulo II volta a Fátima para agradecer à Virgem: o muro de Berlim já não existe e os países de Leste abriam-se à democracia. Neste contexto, o Papa vem a Fátima “a fim de agradecer a Nossa Senhora a protecção dada à Igreja nestes anos, que registaram rápidas e profundas transformações sociais, permitindo abrirem-se novas esperanças para vários povos oprimidos por ideologias ateias que impediram a prática da sua fé.”

Na audiência de 15 de Maio de 1991, logo após a visita a Portugal afirma: “Considero todo este decénio como dom gratuito que, de modo especial, devo à Providência divina. Foi-me concedido particularmente como um dever, para que ainda pudesse servir a Igreja, exercendo o ministério de Pedro.” Nessa audiência geral, dirigindo-se aos polacos, afirma: “há dez anos fui introduzido na experiência de Fátima vivida pela Igreja. Isto aconteceu na tarde do dia 13 de Maio: o atentado à vida do Papa. (…) Sei que a vida, a mim concedida de novo há dez anos, foi-me dada pela misericordiosa Providência de Deus. Não esqueçamos as grandes obras de Deus”.
No ano 2000, a propósito da beatificação de Francisco e Jacinta, João Paulo II, marcado pela doença e limitações físicas, volta a Portugal para chamar a atenção do mundo inteiro para a exemplaridade dos dois Pastorinhos. E é nesse contexto que autoriza a divulgação da terceira parte do “segredo de Fátima”, de que já aqui se falou.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/23, n.º 4408, 18 de abril de 2017

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