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Archive for the ‘Deus’ Category

Editorial da Voz de Lamego: A vida, a verdade, o amor e o bem

Portugal foi dos primeiros países a abolir a pena de morte e um dos primeiros a legalizar a eutanásia. Somos primeiros em muitas coisas, também na pobreza, nas desigualdades sociais e na corrupção.

Na passada sexta-feira, 29 de janeiro, em dias de tragédia nacional, o Parlamento português aprovou a lei que promove a eutanásia, invertendo o que é um direito inalienável, desde tempos imemoriáveis, remontando ao juramento de Hipócrates. A Declaração Universal dos Direitos Humanos consagra este direito, no Artigo 3.º: “Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” A Constituição da República Portuguesa, diz, no Artigo 24.º: “1. A vida humana é inviolável.”

A vida é um direito antes dos direitos. Sem vida não há direitos.

Antes de ser direito, a vida é dom. A origem da vida não me cabe nem a mim nem a ti. O controlo sobre a própria vida tornou-se um direito narcisista: a minha vida só a mim diz respeito, o meu corpo, o que faço, o que como, o que visto e o que compro. Ninguém tem nada a ver com isso. Curiosamente, a nossa dependência aos outros é incontornável, na alimentação, no vestuário, na habitação…

Atenção, não podemos e não devemos menosprezar o sofrimento de uma pessoa concreta, ou de uma família, e as situações limite que vive. Há situações em que parece não haver saída, tal o sofrimento, a angústia, a incerteza e o medo do futuro. Porém, a nossa opção é deixá-la decidir se vive ou se morre, se deixa viver ou se mata? Afastamo-nos da pessoa quando ela mais precisa de nós, quando sofre? Ou, decidimos estar do lado dessa pessoa, ou família, escutá-la, fazendo-lhe sentir que não vamos embora, que estamos ali para ela?

Ao Estado compete assegurar a igualdade de direitos e garanti-los, assegurar a todos o direito à vida, à justiça e à habitação, à educação e aos cuidados de saúde, à igualdade de oportunidades e à liberdade de opinião e de circulação. Não lhe cabe a tutela da vida humana. Hoje, o Estado responsabiliza-se por antecipar a morte a pedido; amanhã, o pedido poderá ser obrigatório, até para criar mais vagas nos hospitais e racionalizar os recursos humanos.

Tantos profissionais que gastam a vida para cuidar e salvar o máximo de vidas. É uma tragédia. Os incêndios de 2017 chocaram-nos! As mortes diárias por COVID-19 já ultrapassam as três centenas. A pressão sobre os hospitais é imensa!

Sinal do Parlamento: facilitar a morte! Uma pessoa está a sofrer? O Serviço Nacional de Saúde ajuda-a a morrer? E para quando o acesso universal a cuidados continuados e paliativos?

Absoluto só Deus. A vida é um valor supremo, referencial para outros valores que pressupõe e exige. Ora vejamos: Jesus morre por amor, para que tenhamos vida abundante.  O filósofo Sócrates morre pela verdade. Martin Luther King e Mahatma Gandhi morrem pela liberdade e igualdade Os Apóstolos e os mártires morrem pela fé. Há pessoas que morrem ou são sacrificadas por serem honestas. Santa Teresa de Calcutá preencheu a sua vida a cuidar dos mais pobres e abandonados.

Ninguém, pelo menos para já, é obrigado a recorrer à eutanásia. A nós, cristãos cabe-nos cuidar, dar razões da nossa fé e da nossa esperança, amar e servir, acompanhar, não desistir de ninguém, ninguém deixar para trás, testemunhar a beleza e o sentido da vida, do início ao fim, não escondendo as dificuldades do caminho.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 91/12, n.º 4594, 2 de fevereiro de 2021

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Falecimento do Padre Hermínio dos Santos | 1933-2020

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia Infinita, chamou à sua Presença o reverendo Padre Hermínio Bernardo dos Santos, antigo pároco de Samodães.

Nasceu a 12 de março de 1933, em Vila da Rua, concelho de Moimenta da Beira

Quando completou a instrução primária foi convidado pelo seu pároco para ser sacerdote e em 1945 entrou no Seminário Menor de Resende, seguindo para o Seminário Maior, três anos mais tarde, tendo terminado o curso filosófico, hoje equivalente ao 1.º ano do curso filosófico-teológico. Deixando, nessa ocasião o Seminário.

Viria a contrair matrimónio que durou quatro décadas, até à morte da esposa. Tiveram 10 filhos.

Foi funcionário dos correios, advogado e professor do ensino superior, mas o “chamamento do Senhor para trabalhar na Sua vinha” foi maior. Com a viuvez regressou ao Seminário, para completar os estudos superiores e ser ordenado sacerdote, o que viria a acontecer no 29 de julho de 2006, na Sé de Lamego. Tornou-se sacerdote aos 73 anos de idade.

Faleceu a 18 de abril de 2020, aos 87 anos de idade, no Lar Sacerdotal do Porto e foi sepultado no Domingo da Divina Misericórdia, 19 de abril, em Vila da Rua, seguindo as normas em vigor atualmente para os funerais.

O Senhor Bispo, D. António Couto, faz saber da sua oração e comunhão, agradecendo a Deus o dom da vida deste irmão sacerdote, com o todo o percurso de vida, na vivência do Matrimónio e na riqueza da paternidade, primeiro biológica e depois sacerdotal. Também em nome do presbitério de Lamego, D. António partilha este momento de sofrimento e luto, com os familiares mais diretos, mormente os seus descendentes e confia-o, na oração ao Deus da Vida, Aquele que ressuscitou Jesus Cristo, também a nós nos ressuscitará.

Que o Senhor lhe conceda o eterno descanso.

Celebração da Vigília Pascal – Sé de Lamego – 11 de abril de 2020

No sábado santo, 11 de abril, o Senhor Bispo, D. António, presidiu, na Sé de Lamego, à Vigília Pascal deste ano de 2020 em que nos encontramos confinados a nossas casas em virtude da pandemia do COVID 19. A Eucaristia foi transmitida, via Facebook na página da Diocese em colaboração estreita com a Rádio Clube de Lamego.

Celebração da Paixão do Senhor – Sé de Lamego – 10 de abril de 2020

Na sexta-feira santa, teve lugar, na Sé de Lamego, a celebração da Paixão do Senhor, presidida pelo nosso Bispo, D. António, e transmitida pela rádio e via Facebook, pelas páginas da Diocese de Lamego e da Paróquia da Sé, seguindo a emissão da Rádio Clube de Lamego.

Ceia do Senhor – Sé de Lamego – 9 de abril de 2020

Como expectável, a celebração do Tríduo Pascal foi muito diferente de anos anteriores, com igrejas praticamente vazias. Daí também a aposta na transmissão das celebrações para que mais pessoas pudessem sintonizar-se com os mistérios celebrados, ainda que afastados pelas circunstâncias do tempo presente.

Na quinta-feira santa, 9 de abril, a celebração da Ceia Pascal, presidida pelo nosso Bispo, D. António Couto, na Sé de Lamego, com transmissão nas páginas da Diocese e da Paróquia da Sé, em colaboração com a Rádio Clube de Lamego, que transmitiu via rádio e também em vídeo direto pela respetiva página no Facebook.

Falecimento do Padre José Tomás Borges | 1938-2020

O padre José Tomás Borges, era natural da Paróquia de Paus, na Zona Pastoral de Resende, onde nasceu a nasceu a 4 de julho de 1938,  em Paus e membro da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN), a que pertence também o nosso Bispo, e faleceu a 7 de abril, aos 81 anos de idade.

A SMBN recorda-o como “um homem muito delicado e respeitador; dialogante e com grande capacidade de escuta, pelo que era procurado por muita gente… Dedicou toda a sua vida à formação inteletual e espiritual. Amava profundamente a Sociedade Missionária da Boa Nova, como parcela da Igreja. Que o Senhor o receba na sua luz”.

Foi ordenado presbítero em Cucujães, a 28 de julho de 1963, tendo desempenhado a sua Missão no Seminário das Missões, em Maputo, Valadares e Tomar; foi vigário-geral da Sociedade Missionária de 1986 a 1990.

O Sr. Bispo de Lamego, D. António, em seu nome e do presbitério de Lamego, une-se na oração e na comunhão espiritual a todos os familiares e amigos, e à SMBN, na certeza, da fé, da ressurreição dos mortos, onde, um dia, todos nos encontraremos.

Falecimento da irmã do Padre Albano Cardoso

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia infinita, chamou a Si, à Sua morada eterna, a Sra. Dona Lourdes Cardoso, irmã do Padre Fernando Albano Cardoso, pároco Longa, da Granja do Tedo, de Vale de Figueira e de Nagosa.

O Senhor Bispo, D. António, em seu nome e do presbitério de Lamego, a que preside, manifesta as suas condolências à família e amigos, de forma particular ao Pe. Albano, sublinhando a comunhão espiritual na oração e na certeza da fé que nos garante a vida eterna, a ressurreição no Coração de Deus.

Face aos isolamento social, em virtude da pandemia, a presença física será diminuta, mas não a oração, não a comunhão, não a esperança da vida eterna.

Que o Deus de todo o bem a acolha calorosamente no Seu reino de glória, junto de Quem intercederá por nós, levando até Ele, Senhor nosso Deus, os nossos propósitos e intenções. E que os familiares sintam o aconchego de Deus e a ternura da Virgem Santa Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa.

Falecimento do Padre Frederico dos Anjos Martins | 1929-2020

O Senhor nosso Deus, Pai de Jesus e nosso Pai, Deus de bondade e de sabedoria, chamou para junto de Si, na morada eterna, o nosso o nosso irmão Padre Frederico dos Anjos Martins.

Era natural do Vilarouco, no concelho de São João da Pesqueira, onde nasceu no dia 13 de março de 1930. Completará 90 anos já na eternidade.

Foi ordenado sacerdote a 29 de junho de 1958.

Entre outras tarefas, foi pároco, durante muitos anos, de Valença do Douro e da Desejosa, no concelho de Tabuaço,  de Casais do Douro e de do Sarzedinho, no concelho de São João da Pesqueira, tendo, posteriormente, paroquiado Melcões, no concelho de Lamego. Ultimamente, as condições de saúde vinham-se a agravar.

O Senhor Bispo, D. António Couto, em nome do presbitério e da Diocese de Lamego, endereça as suas condolências a familiares e amigos, confiando o Pe. Frederico nas mãos de Deus, confiando na Sua Misericórdia infinita e na certeza da ressurreição e da vida eterna.

Celebrações

  • quinta-feira, 10h30 – Celebração da Eucaristia (com o corpo presente), na Igreja da Graça, em Lamego, sob a presidência de D. António Couto, Bispo de Lamego.

  • quinta-feira, 16h30 – Celebração da Eucaristia, no Vilarouco, sua terra natal, onde irá a sepultar no final das Exéquias sagradas.

Que o Senhor Deus lhe dê a recompensa dos justos.

 

(foto: D. António Couto e Pe. Frederico Martins,
por ocasião da Visita Pastoral a Melcões, a 25 de julho de 2015. Créditos: Voz de Lamego)

O meu olhar sobre Sabino Pinto de Almeida

Acabava de ouvir o pedido de escrever alguma coisa sobre o meu amigo e antigo colega Sabino Pinto de Almeida quando na redacção de Voz de Lamego caiu o artigo do nosso colaborador, Fábio Ribeiro, a falar do seu professor de Português, que ele foi.

Há muitos anos que, por dever de ofício em VL, leio as palavras do ilustre colaborador do nosso jornal, mas longe de mim estava o facto de ele ter sido aluno do Sabino; este perdoa-me que assim o trate, pois assim fiz sempre, desde que ele entrou no Seminário, foi ordenado sacerdote, trabalhou na pastoral diocesana e enveredou por outro caminho na vida que o esperava.

Mais novo do que eu, tinha, para mim e a seu favor, o facto de ser irmão do meu condiscípulo Manuel, falecido há pouco mais de um ano. Tendo trabalhado em paróquias distantes daquelas de que eu era o responsável, pouco sabia da sua actividade pastoral, mas o suficiente para me alegrar pela sua acção no trabalho de Igreja a que era chamado; a sua partida para o Seminário de Resende como Professor e outras actividades a que teria de se dedicar, se não foi para mim uma surpresa total, não deixou de ser para ele o reconhecimento de uma competência que havia de se tornar mais conhecida quando, tendo abandonado o Seminário, começou a enveredar pelo ensino nas Escolas oficiais. Haja em vista o artigo de Fábio Ribeiro sobre ele.

Surpresa, sim e grande, foi a sua «partida» para novo género de vida, fora do sacerdócio; não discuto razões, muito pensadas certamente, mas determinantes de uma decisão que ele tomou e que haveria de orientar o seu novo rumo, pensado e assumido, para a vida que continuava a esperá-lo.

Deixava a família sacerdotal para viver em família matrimonial, num momento difícil para a Igreja, opção tomada para um futuro que se pensava e era diferente. Para melhor? Cada um soube do primeiro sonho desfeito e do segundo que aparecia risonho; o sim ou o não dessa mudança teria de ser, era, a razão de ser de algo que se pensou e, depois, se realizou.

A vida separou-nos no espaço, no sonho, na vida. O vai-vém de um e do outro fez-nos andar fora do âmbito e caminho de vida, que não da amizade que nos unira; raríssimos se tornaram os encontros, que nem a vida em Lamego favoreceu; apenas as notícias, também cada vez mais raras, me diziam que o Sabino por aqui andava, por aqui trabalhava, por aqui vivia; se nunca perdi a amizade que nos unira, perdi os rastos de uma vida que, agora, nos separava. Porquê? Não o sei, para o afirmar.

Deixou o Sacerdócio ministerial, não deixou a sua fé, o seu «ser Igreja», os sacramentos que frequentava; isso sabia eu, isso continuava no horizonte cristão que continuou a norteá-lo na sua vida familiar e pessoal.

A doença apoderou-se do seu corpo; membro de uma família numerosa, esta pareceu e parece marcada por um sofrimento que se foi manifestando mais cedo ou mais tarde na vida de cada um; se razões não conheci para a sua vida no aspecto da saúde, lembro melhor o Manuel em Resende e Lamego, que algo, mas pouco, deixava entrever em dificuldades de saúde. E uma grande força de vontade parecia ser toda a razão para um futuro risonho.

Partiu o P.e Manuel, partiu o Sabino, como partiram outros irmãos e partiremos todos nós; o mundo não é nosso, nós não somos do mundo;

O que fomos e somos esteve e está nas mãos de Deus e com Ele partilhámos anseios e realizações; o Sabino assim o pensou, assim o realizou; desfez-se um sonho, encontrou-se uma outra realidade. Perante Deus, o sonho desapareceu; para além dele a recompensa de uma fé que nunca se perdeu e se viveu ao longo dos anos que o Senhor lhes deu na terra e, agora lhes concedeu para a eternidade. Assim o pensamos, assim o acreditamos pela misericórdia do Senhor, nosso Deus, pois como o P.e Vítor Feytor Pinto, podemos afirmar: «sei que do lado de lá, está a misericórdia de Deus».

Do teu amigo Pe. Armando Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 90/12, n.º 4547, 18 de fevereiro de 2020

D. Fernanda: uma vida a servir

No dia 22 de dezembro, faleceu a D. Maria Fernanda Souto Costa, aos 75 anos de idade. Natural de Vila Seca, Armamar, pertencia ao Instituto das Cooperadoras da Família. Viveu e cumpriu a sua vida e a sua missão em diferentes locais e serviços, mas uma boa parte foi vivida entre nós, em particular no Seminário, onde a sua presença discreta, orante, atenta e eficiente foi por todos sentida e testemunhada.

Durante trinta anos foi presença no nosso Seminário de Lamego, coordenando serviços, acolhendo quem ali se dirigia e atendendo a quantos telefonavam. Mas também na cidade, em diferentes circunstâncias, marcava presença, apesar de discreta.

Há quase dois anos despediu-se do Seminário, por causa da pouca saúde e foi viver para Coimbra, numa das casas do Instituto a que pertencia. Não partiu sem lágrimas e levou consigo muitas recordações, muitos rostos e vidas, a par de uma grande vontade de voltar. A verdade é que, sem o dizer claramente, sabia que dificilmente voltaria ao seu Seminário para continuar a acompanhar os “seus meninos”. Mas, apesar de longe e fisicamente debilitada, nunca deixou de se informar e interessar por todos. E, mais importante, não nos esquecia nas suas orações e por todos oferecia os seus sofrimentos.

Em setembro passado, após internamentos, exames e muitas consultas médicas, foi operada ao coração. A recuperação foi morosa e dolorosa, exigindo novos internamentos. Mas tudo parecia estar melhor e a recuperação era visível. A véspera da sua morte, 21 de dezembro, foi vivida com normalidade e, já de madrugada, ainda deu conta de que alguém fora ao seu quarto ver se estava bem. Perto das 8h, encontraram-na já sem vida.

O seu corpo ficou em câmara ardente na capela da casa onde agora vivia até à manhã de segunda-feira, dia 24, já que em Coimbra não se realizam funerais ao domingo.

Na assembleia que participou na Eucaristia exequial estavam os seus irmãos, cunhados e sobrinhos, um grande número de membros do Instituto, bem como o nosso seminarista mais velho, João Miguel Pereira, e seis sacerdotes da nossa diocese, Cón. José Manuel Melo, Pe. Leontino Alves, Pe. José Manuel Rebelo, Pe. Ângelo Santos, Pe. Joaquim Dionísio e Cón. João Carlos Morgado, que presidiu. Certamente que muitos outros gostariam de ter participado, demonstrando a gratidão devida a quem os serviu, mas a distância e as ocupações não o permitiram. O seu corpo foi sepultado no cemitério de St. António dos Olivais. Ler mais…