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Sínodo dos Bispos: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional

Bispos portugueses no colégio português2Durante o mês de outubro, mais concretamente entre os dias 3 e 28, reuniu-se em Roma a XV Assembleia Geral Ordinária dos Bispos com a intenção de refletir sobre como a fé cristã pode ser vivida pelos jovens de hoje, olhando-os como elementos ativos da vida da Igreja.

Um dos princípios deste Sínodo ficou marcado pela necessidade de conhecer a voz dos jovens e as suas diferentes experiências, pelo qual o Sínodo não teve o seu início real no dia 3 de outubro, mas começou há algum tempo atrás quando os jovens de todo mundo foram chamados a responder a um questionário onde davam a conhecer os seus problemas, dificuldades e esperanças. Por outro lado, o Sínodo contou também com 43 jovens de todo o mundo para poderem participar nos trabalhos de reflexão e dar a conhecer de viva voz o caminho que estes desejam para a vida da Igreja.

Este Sínodo não foi apenas um evento, mas um elemento de todo um processo que continuará com a aplicação e elaboração das propostas pastorais adequadas a cada realidade.

Foi assim que, ao longo destes dias, nesta minha presença em Roma, tive a oportunidade de seguir de mais perto todo o trabalho e reflexão que decorria na sala sinodal, até porque para além de ter participado no encontro com os jovens que o Papa Francisco realizou no dia 6, marcado por testemunhos de fé muito fortes de jovens que encontraram na Igreja Católica e no seu testemunho a oportunidade de se aproximarem de Deus, foi possível conhecer alguns ecos dos trabalhos por meio dos três Bispos e três jovens que ao longo deste período ficaram hospedados no Pontifício Colégio Português em Roma.

Umas dessas referências que nos chegou foi o ambiente de família e proximidade que se viveu ao longo desta assembleia. De facto, o Santo Padre teve o cuidado de acolher todos os membros: Bispos, auditores, peritos e jovens para que todos se sentissem bem e assim pudessem refletir e decidir por alguns caminhos para a Igreja jovens cada vez mais se abre à multiculturalidade global.

Uma das conclusões partilhada foi a necessidade de uma mudança de mentalidade que passa por um novo olhar para os jovens. De facto, hoje os jovens não podem ser olhados e julgados como elementos distantes da vida da Igreja. Eles são batizados, percorreram o caminho da catequese, viveram os sacramentos. Assim, se eles se afastaram foi porque alguma coisa não correu bem nesse processo e é preciso ir ao encontro deles para saber o que se passou, passar tempo com eles para os conhecer, sem preconceitos ou imagens passadas da juventude, ajudando-os a construir o seu caminho com a experiência da fé e vida comunitária e não com pregações.

Naturalmente, todo este processo será cheio de dificuldades e exigirá muito tempo, pois não existem fórmulas feitas para que tudo resulte porque cada realidade é uma realidade, mas com tempo, à imagem do tempo que Jesus passou com os seus Apóstolos, integrar os jovens tornando-os elementos ativos da vida da Igreja.

Uma das grandes dificuldades que se encontra é o perigo da tentação de se querer uma Igreja perfeita, mas esse não é o caminho, não porque não se deseje a perfeição, mas porque muitas vezes não abrimos a possibilidade de integrar aqueles que à luz do nosso juízo nos parece que vão falhar.

Com efeito, um dos caminhos que certamente o documento final do Sínodo nos vai abrir é o caminho do acompanhamento iluminado pelo discernimento. Todos temos a responsabilidade de acompanhar o outro dando-lhe confiança e esperança num processo que os ajude a encontrar o seu próprio caminho e não fazendo o caminho por eles.

É também nesta atenção de acompanhamento e discernimento que a dimensão da pastoral vocacional se colocará como proposta de vida enquadrada na experiência de vida, pois a vocação manifesta o caminho que cada um faz na sua vida tendo como meta a santidade, podendo esta passar pelo matrimónio, pelo sacerdócio ou pela vida consagrada.

Esperamos agora pelo texto final com as suas conclusões de modo a que este processo seja orientado para uma experiência cada vez mais participativa dos jovens na Igreja e que todos sejam capazes de estar à altura da exigência evangélica à qual Jesus Cristo nos chamou: de O seguir e O anunciar a todos sem exceção.

Pe. Miguel Peixoto, Sacerdote de Lamego a estudar em Roma

in Voz de Lamego, ano 88/46, n.º 4483, 30 de outubro de 2018

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