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SÍNODO – IDENTIDADE | Editorial Voz de Lamego – 24 de julho

SÍNODO – IDENTIDADE

No dia 6 de outubro de 2016, o Papa anunciou o tema da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. De imediato foi elaborado o Documento Preparatório (com um questionário), publicado a 13 de Janeiro de 2017, juntamente com uma Carta aos Jovens, do Papa. Entre os dias 11 e 15 de setembro de 2017, em Roma, realizou-se um seminário internacional sobre a situação dos jovens no mundo de hoje. Mais recentemente (19-24 de março), também no Vaticano, com a presença de 300 jovens dos cinco continentes (cerca de 15 mil participaram através das redes sociais), teve lugar uma reunião pré-sinodal, concluída no Domingo de Ramos, com a entrega ao Santo Padre de um documento final.

O material recolhido nestas iniciativas foi vasto e foi sendo sintetizado para ser integrado no Instrumento de Trabalho agora divulgado e estruturado em três partes. A primeira, ligada ao verbo “reconhecer”, recolhe diferentes momentos de escuta da realidade e faz um ponto da situação dos jovens. A segunda, orientada pelo verbo “interpretar”, oferece chaves de leitura para as questões decisivas no discernimento sinodal. A terceira, cujo objectivo é “escolher”, recolhe elementos para ajudar os participantes sinodais a decidir.

Numa perspetiva geral, parece que o tema da identidade é transversal, com o objectivo de ajudar os jovens a encontrar um sentido para a vida e um lugar na sociedade. Isto é, chamar cada jovem à vocação, ao compromisso, à felicidade.

Diante da iniciativa eclesial, algumas vozes temem pela sua eficácia. Mais do que atrair os jovens como o mundo os trai, talvez fosse melhor perguntar o que é que a Igreja pode trazer de essencial e único aos jovens. Mais do que encontrar os jovens, deveríamos atraí-los.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/34, n.º 4471, 24 de julho de 2018

SÍNODO DOS JOVENS | Editorial Voz de Lamego | 10 de abril de 2018

SÍNODO DOS JOVENS

No próximo outono, a Igreja reunirá mais uma assembleia sinodal, em Roma, desta vez para olhar a realidade juvenil. Uma assembleia que, embora maioritariamente constituída por bispos, contará com jovens de todo o mundo, nomeadamente através dos contributos previamente enviados, e, sobretudo, com a presença do Espírito Santo.

Como sempre, o Papa convocou o Sínodo e definiu o tema. Depois da família, agora os jovens, assunto que motivou uma conversa entre o Papa e Thomas Leoncini, da qual surgiu o livro “Deus é jovem”, onde Francisco retoma algumas das suas.

E assim voltamos a ouvir certos apelos: “sair do sofá”, “assumir a vida”, “ir além da cultura do usar e deitar fora”, “falar com coragem”, “ser protagonista”, “sentir-se em casa quando se está na Igreja”, “participar na revolução da ternura”, “assumir o poder como um serviço”, “fazer e não apenas dizer”, “olhar os outros como uma grande família”…

Mas ouvimos também Francisco caracterizar o nosso tecido social como uma “sociedade desenraizada”, onde “o mundo virtual deixa os jovens voláteis”, em que se promove uma “cultura narcisista”, marcada pelo “pensamento único”, que dá “demasiada importância ao efémero” e cultiva uma “estética artificial”…

Como proposta, o Pontífice destaca a possibilidade de uma “filosofia da bofetada cultural” que promova a diferença, o encontro/diálogo entre gerações capaz de originar “velhos que sonham e jovens que profetizam” ou, ainda, o assumir da “artesanalidade” (fazer-se com criatividade)…

E já na parte final, quando questionado sobre a formação cultural dos jovens, sugere que esta articule três linguagens: “da cabeça”, “do coração” e “das mãos”. E sugere aos mais novos: “aprende o que ouves e faz”, “ouve o que pensas e faz”, “faz aquilo que pensas e escuta”.

A proximidade do Sínodo pode motivar esta e outras leituras e algumas das afirmações podem ajudar a pensar.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/19, n.º 4456, 10 de abril de 2018