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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Editorial Voz de Lamego: dilatar o horizonte familiar

“A minha Mãe e os meus irmãos são estes: os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8, 21). A resposta de Jesus obriga a alargar o horizonte da família além dos laços sanguíneos. Jesus há de repreender os seus discípulos por quererem proibir um homem de expulsar demónios em Seu nome, porque não faziam parte do grupo! Os discípulos querem ter o exclusivo de Jesus. “Não o impeçais… quem não é contra nós, é a nosso favor” (Mc 9, 38-41).

Um dos assuntos do dia, nos meios de comunicação social, tem sido o nepotismo governamental. Claro que não é este nem o tempo nem o espaço para discutir a questão (pelo menos politicamente). Têm-se esgrimido argumentos e razões. Parece que mudam as cores, mas as práticas são idênticas, em maior ou menor proporção. Amigos e familiares vão tendo as portas escancaradas para assumirem cargos de responsabilidade, acompanhados por remunerações significativas. É possível que alguns tenham competência e façam um bom trabalho, mas haverá outros que só acedem a esses lugar pela amizade ou pelo parentesco. Não é exclusivo nem deste governo, nem do governo central. Também localmente isso acontece.

Mas cabe-nos perguntar? E como agiríamos nós? Estando num cargo de decisão e tendo que empregar, nomear ou escolher alguém para um lugar, quem escolheríamos? Um familiar? Um amigo? Um estranho? Alguém de quem não gostássemos muito? Optaríamos por uma pessoa da nossa confiança ou a pessoa mais competente para a tarefa a desempenhar?

Num momento de reflexão, a RFM (Rádio do Grupo Renascença), levantava precisamente esta questão. Aproveitando a oportunidade criada por esta polémica, importa interrogar-nos: como é que agimos nos grupos e movimentos eclesiais? “Nós amamos aqueles que são nossos, que são como nós, que se parecem connosco, que pensam como nós. Nós amamos os que nos amam e são bons para nós. Nós amamos aqueles que nos divertem e no lisonjeiam” (Cardeal O’Malley. Ver sugestão de leitura ao lado).

Quando uma pessoa é do nosso grupo, facilmente a elogiamos ou ao trabalho que realiza. Se pertence a outro grupo (eclesial), se não está no meu rol de amigos ou família, o que faz é só para se exibir ou não faz nada de jeito. Por certo, temos pessoas com as quais podemos contar e a quem podemos recorrer, sabendo que não nos vão deixar na mão. Mas seremos suficientemente criativos e despojados para confiarmos noutras pessoas, chamarmos mais gente, desafiarmos aqueles que vêm só esporadicamente?!

O desafio do Mestre da Vida é claro: ide por todo o mundo, fazei discípulos de todas as nações. Amai os vossos inimigos. O desafio do Papa Francisco é perentório: Igreja em saída, cristãos como o Bom Pastor em busca das ovelhas perdidas, preferência pelas periferias (existenciais).

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/19, n.º 4505, 9 de abril de 2019

Editorial Voz de Lamego: A Igreja de Francisco

Antes de mais, quero dizer com alegria: o Papa Francisco é o meu Papa. E para enunciar as suas qualidades não preciso de contrapor a outro Papa, canonizando um e diabolizando outro. Creio que os detratores de um são sensivelmente os detratores do outro, ou pelo menos, aqueles que mais pedras colocam no seu caminho, pois a predisposição para se servir da Igreja não desaparece. Quando muito poderiam estar sonolentos, saciados, refastelados, a serem servidos. Outro tempo, algumas mudanças, e, como no tempo de Cristo, os adormecidos começam a acordar, a ver que não têm o lugar seguro, ou que o testemunho os expõe perante as pessoas, perante o mundo, pois a distância na postura não deixa margens para dúvidas.

Eleito uns dias antes (13 de março), o Papa Francisco dava início ao seu pontificado a 19 de março de 2013, há 6 anos, Solenidade de São José, colocando o seu pontificado sob o protetorado do Padroeiro Universal da Igreja.

Os primeiros dias do seu pontificado ficaram marcados pelas suas palavras no início do conclave que viriam a elegê-lo como 266.º Papa da Igreja, defendendo que a Igreja deveria ser Igreja em saída, e não autorreferencial. Uma Igreja lunar que reflete a luz de Cristo e não a luz própria e, como Ele, ir em busca das 99 ovelhas que andam arredias, ir às preferiras (também geográficas, mas sobretudo) existenciais. Prefiro, diria várias vezes o Papa argentino, uma Igreja acidentada por sair que uma Igreja adoentada por ficar!

Nem de Apolo nem de Paulo nem de Pedro, a Igreja de Francisco é a Igreja de Jesus Cristo, o Bom Pastor que toma sobre si o cuidado de todo o rebanho, como servo dos servos de Deus, com a responsabilidade de guiar o caminho de todos, como candeia que vai à frente a iluminar o caminho, e vem atrás para dar ânimo às ovelhas perdidas, desgarradas, desencontradas.

É conhecido o episódio em que Francisco de Assis percebe a voz de Deus: reconstrói a minha Igreja. Francisco de Assis levou a sério esta inspiração. Mais importante que as estruturas e os meios, ainda que importantes, terão de ser as pessoas. Uma Igreja pobre, imitando Cristo, para os pobres.

Como o próprio já o referiu, a simplicidade não significa ingenuidade. O Papa está ciente que audiências gerais com alguns homens poderosos não passam de charme, mas não pode deixar de anunciar a todos o Evangelho de Jesus Cristo: a ternura e a compaixão, o perdão e a justiça, a misericórdia e o amor, o serviço e cuidado sobretudo aos mais frágeis, sem excluir ninguém, optando pelas pontes ao invés dos muros, escolhendo a verdade e a justiça ao invés da hipocrisia e a da acomodação.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/16, n.º 4502, 19 de março de 2019

Editorial da Voz de Lamego: São José, Padroeiro Universal da Igreja

O Santo Padre tem, nos seus aposentos, na Casa de Santa Marta, uma imagem de São José a dormir. Completam-se amanhã, 13 de março, 6 anos da Sua eleição para Papa. O Papa argentino marcou o início do seu pontificado para a solenidade de São José, a 19 de março, que caiu a uma terça-feira, tal como em 2019. Dessa forma, quis assinalar a importância de São José na vida de Jesus e de Maria, e na vida da Igreja.

Na parte inferior do seu brasão episcopal, atualizado para brasão papal, “estão a estrela e a flor de nardo. A estrela, segundo a antiga tradição heráldica, simboliza a Virgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja; a flor de nardo indica são José, padroeiro da Igreja universal. Com efeito, na tradição iconográfica hispânica, São José é representado com um ramo de nardo na mão. Colocando estas imagens no seu brasão, o Papa pretendeu expressar a sua devoção particular à Virgem Santíssima e a são José”.

Na imagem que mandou vir da Argentina, São José dorme, sonha, escuta Deus, vigia a Igreja. Quando tem que tomar alguma decisão importante, o Papa coloca um papelinho debaixo da imagem, pedindo a solicitude de São José. E, assim, quando chega a altura de decidir, sabe que está bem orientado.

No Evangelho, São José não aparece muitas vezes. E não conhecemos que palavras poderá ter proferido. Mas não é de estranhar, pois o Evangelho refere-se a Jesus Cristo, fundamentalmente à Sua paixão redentora a desembocar na Páscoa. Ele é o centro e o ponto de onde irradia toda a missão. Os apóstolos surgem ligados a Ele, como os ramos da videira à respetiva cepa. Maria, Sua Mãe, aparece em alguns momentos, sempre referida a Jessu. Tendo-Lhe sobrevivido, acompanhando-O até ao Calvário, permanecendo junto à Cruz, é óbvio que a visibilidade de Maria é mais notória, sendo que também a Sua missão é diferente. Contudo, há dados significativos em relação a São José que importa sublinhar e imitar.

Extrapolando um pouco, quando Jesus fala do Pai, da Sua bondade e da Sua misericórdia, da Sua ternura e do Seu amor, certamente que se inspira no Seu Pai adotivo, São José. Na perda e encontro de Jesus no Templo, Maria dá-nos conta da preocupação comum, sua e do esposo (cf. Lc 2, 41-51). Antes, no quadro do nascimento de Jesus (cf. Mt 1, 18-24), revela-se a sua sensatez: tomando consciência da gravidez de Maria, sem que tivesse convivido com Ela, decide repudiá-la em segredo, evitando difamá-la e açambarcando com a responsabilidade. Mas Deus, através do sonho, desafio-o a fazer mais, a ser cuidador de Maria e Jesus, protegendo-os com o seu nome e com a sua vida.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/15, n.º 4501, 12 de março de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Arrependimento e perdão

Iniciamos o tempo santo da Quaresma, através da qual nos preparamos para celebrar o mistério maior da nossa fé, a Páscoa do Senhor, tomando consciência do Amor com que Deus Se manifestou em Cristo para nossa salvação. “De Páscoa em Páscoa, diz-nos o Papa Francisco, na Sua mensagem para esta Quaresma, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo”.

Valerá a pena ler as mensagens do Papa e do nosso Bispo para esta Quaresma. Em todo o caso, gostaria de refletir convosco alguns dos pontos com que Francisco quer ajudar-nos a viver melhor este tempo de graça. Com efeito, diz o Papa, “a celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 14) é dom inestimável da misericórdia de Deus”.

A mensagem pontifícia parte da Carta aos Romanos (8, 19): “A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus”. O papa, uma vez mais, envolve toda a criação na vivência do mistério pascal. A mensagem foi assinada a 4 de outubro, festa litúrgica de São Francisco de Assis, que estendeu a fraternidade à natureza, aos animais, ao Sol e à Lua. São Paulo, por sua vez, ressalva que toda a criação beneficia da redenção operada por Jesus Cristo. O ser humano que vive como filho de Deus e se deixa guiar pelo Espírito Santo multiplicará na criação os frutos da graça recebida.

Pelo contrário, “quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como muito bem nos apraz… Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais”.

É necessário de passar da morte à vida e, partindo da consciência do pecado, predispormo-nos a acolher a santidade que nos é dada em Cristo. É preciso assumirmo-nos como filhos de Deus, “nova criação”, impelidos para este “parto” através da conversão, em que toda a criação é chamada a sair “da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21). Cabe-nos “fazer Páscoa” e “o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal”. Jejuar, orar e dar esmola, predispõe-nos a amar a Deus, no cuidado dos irmãos e da criação inteira.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/14, n.º 4500, 5 de março de 2019

Editorial Voz de Lamego: passar do Like ao Ámen

Foi publicada, no dia 24 de janeiro, memória litúrgica de São Francisco de Sales, Padroeiro dos Jornalistas, a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se comemora no domingo anterior à Solenidade de Pentecostes, isto é, na Solenidade da Ascensão do Senhor, este ano a 2 de junho. O tema já tinha sido divulgado a 29 de setembro de 2018: “Somos membros uns dos outros (Ef 4,25) – Das comunidades de redes sociais à comunidade”.

As redes sociais podem roubar-nos à família, aos amigos, à sociedade e à Igreja. A comodidade do sofá, com o mundo acessível num pequeno ecrã, as relações à distância, o sério risco de se estarmos tão perto e não haver comunicação autêntica! «Enquanto a sociedade se torna mais globalizada, faz-nos vizinhos mas não nos faz irmãos» (Bento XVI, Caritas in Veritate).

Quem lê as mensagens do Papa Francisco, discursos, intervenções, homilias, ou o escuta (bem diferente das muitas palavras que lhe são atribuídas mas que muitas vezes nem sequer respeitam o seu pensamento), está habituado à utilização de imagens bem atuais e que permitem focar-nos em alguns pontos essenciais. A temática da mensagem já é sugestiva: somos membros uns dos outros! Um olhar rápido pela mensagem e pela ressonância que os meios de comunicação social fizeram da mesma e salta à vista o último subtítulo: “Do like ao ámen”. E se o “ámen” pode remeter-nos mais para o passado, ou para o intimismo religioso, o “like” está disponível para todos, crianças, adolescentes, jovens, adultos (e muitos idosos), todos prontos a “likear” publicações, esperando receber muitos “likes” nas próprias publicações e partilhas.

O Papa Francisco começa por sublinhar que a Internet é uma mais-valia, que bem aproveitada pode, efetivamente, tornar-nos mais próximos e mais disponíveis para ir ao encontro dos mais desfavorecidos. Mas também aponta os riscos, como o cyberbullying, no qual, segundo as estatísticas, um em cada quatro adolescentes está envolvido.

A rede, continua o Papa, “funciona graças à comparticipação de todos os elementos”. A metáfora da rede lembra a comunidade: “Uma comunidade é tanto mais forte quanto mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis”. Sermos membros uns dos outros deve conduzir-nos à verdade e à comunhão, fortalecendo o mesmo Corpo que integramos.

E o Papa conclui: “Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «ámen» com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros”.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/09, n.º 4495, 29 de janeiro de 2019

Editorial Voz de Lamego: Para que todos sejam um

Este pedido integra a Oração Sacerdotal de Jesus (Jo 17). Quando se aproxima a hora em que vai ser entregue, julgado e morto, quando se aproxima o tempo de passar deste mundo para a eternidade, Jesus dirige a Sua súplica ao Pai. É parte essencial do Seu testamento (espiritual), segundo o evangelho joanino. “Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em nós e o mundo creia que Tu Me enviaste”.

A prece de Jesus transparece a unidade também numa perspetiva de testemunho e de fé.

No nosso tempo, as divisões sociais, políticas, culturais são evidentes, mas também as cisões motivadas pelas religiões. No cristianismo, ainda ao tempo da formação do Novo Testamento, encontramos a disputa entre São Pedro e São Paulo, motivando o que muitos consideram o Concílio de Jerusalém (Atos 15). Neste encontro de apóstolos e discípulos sobrevém o diálogo, o amadurecimento da fé e um salto na interpretação do Evangelho de Jesus. Novos contextos e a necessidade de encarnar o Evangelho como Cristo encarnou para habitar entre nós.

Para haver conflito basta haver duas pessoas! Por mais que estas consigam sincronizar nos pensamentos, nos gestos, nos gostos, haverá momentos de tensão, de discordância, de amuos e incompreensões ou desatenções. Esses momentos podem ser oportunidade de crescimento, salto qualitativo na relação, mas podem provocar afastamentos e ruturas mais definitivas.

A Igreja, constituída por pessoas, tem sofrido, ao longo do tempo, cismas, divisões, disputas. No século XI (1054), o cristianismo sofre a primeira grande divisão, com a Igreja Católica, a Ocidente, em comunhão com o Papa, e a Igreja Ortodoxa, sob o pastoreio dos Patriarcas. No século XVI, nova grande divisão, com a Igreja Protestante nos seus vários rostos e diferentes identidades, por um lado, e a Igreja Católica, por outro.

Construir leva muito tempo, destruir pode ser um instante, reconstruir, quando se trata de pessoas, pode levar uma eternidade.

Vivemos a Semana (Oitavário) de Oração pela Unidade dos Cristãos (18 a 25 de janeiro), procurando responder à súplica de Jesus, para que todos sejam um, na certeza que só assim poderemos testemunhar com luminosidade a fé que nos une enquanto cristãos. Têm sido dados passos importantes. Encontros de oração em comum. Movimentos que refletem e promovem esta unidade, como a Comunidade de Taizé ou os Focolares; assinatura de declarações em que as diferentes Igrejas se reconhecem mutuamente e abrindo portas ao diálogo, ao compromisso pela paz, pela justiça, no empenho social a favor dos mais pobres, dos refugiados, dos migrantes.

É importante não esquecer a necessidade de todos nos convertermos (constantemente) a Jesus Cristo na certeza que quanto mais perto estivermos de Jesus mais perto vamos estar uns dos outros, individual e comunitariamente.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/08, n.º 4494, 22 de janeiro de 2019

Editorial Voz de Lamego: São Sebastião, nosso Padroeiro

No dia 20 de janeiro celebraremos a Solenidade do Mártir São Sebastião, Padroeiro Principal da Diocese de Lamego. Ainda que seja uma figura dos primeiros tempos da Igreja, sendo o Padroeiro, continua (deve continuar) a ser uma referência para a Igreja que vive em Lamego.

Por certo que todos já tivemos oportunidade de verificar a existência de imagens de São Sebastião nas nossas paróquias, em estátuas, telas e pinturas, nas Igrejas, com altares próprios, e capelas que lhe são dedicadas. É Padroeiro de uma dúzia de paróquias da Diocese: Baldos, Bigorne, Casais do Douro, Castainço, Granja, Granja Nova, Penso, Pereiro, Touro, Vila Chã da Beira, Vila Nova de Paiva, Vila Nova de Souto d’El Rei (Arneirós).

Escolhemos alguém para padrinho/madrinha (de Batismo, de Crisma, na vida universitária) porque nos pode ajudar ou a quem queremos imitar. Assim o Patrono de uma comunidade: alguém que nos inspira a viver o Evangelho e que nos mostra Jesus Cristo com as suas escolhas.

A vida de São Sebastião, naquilo que a tradição assimilou e transmitiu, é um exemplo como a fé ajuda a ultrapassar os obstáculos da vida e como o cristão se pode santificar nas mais diversas profissões e/ou ocupações. Mais forte que tudo é o amor a Deus.

Descendente de uma família nobre, terá nascido em Narbona, sul de França, em meados do século III. Segundo a maioria dos estudiosos, os seus pais eram de Milão, onde cresceu até se mudar para Roma. Em nome da religião enveredou por uma carreira militar, a fim de defender os cristãos numa época de grande perseguição à Igreja. Era estimado pela bondade e nobreza e respeitado por todos. De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz. O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Animava os condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo. Cada novo mártir que surgia tornava-se um alento e um desafio para Sebastião. Foi denunciado por Fabiano, então Governador Romano. Diocleciano acusou-o de ingratidão. Foi cravado por flechas, até o julgarem morto. A iconografia é muito plástica a seu respeito, inconfundível. São Sebastião é representado com o corpo pejado com várias setas, e surge preso a um tronco de árvore.

Entretanto uma jovem, de nome Irene (santa Irene?) passou e verificou que ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Ainda não completamente restabelecido, voltou junto do imperador para defender os cristãos, condenando-lhe a impiedade e injustiça. Diocleciano mandou que fosse chicoteado até à morte e depois deitado à Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O corpo foi recuperado e sepultado nas catacumbas da Via Ápia.

Faleceu a 20 de janeiro de 288, ou 300. Logo após o seu martírio começou a ser venerado como santo.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/07, n.º 4493, 15 de janeiro de 2019