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Dia do Consagrado: entrevista ao Vigário dos Religiosos da Diocese de Lamego

In Voz de Lamego, 28.01.2014

No próximo dia 2 de fevereiro, a igreja celebra o Dia do Consagrado, sublinhando a presença e ação de todos quantos se consagraram ao Senhor e à sua igreja através de votos religiosos. A nossa Diocese conta com a presença orante e dinâmica de várias comunidades, ao mesmo tempo que foi espaço de crescimento para muitas vocações religiosas.

A este propósito, fomos ao encontro do Vigário Episcopal para os Religiosos e responsável pelo Departamento dos institutos da vida consagrada da nossa Diocese, P. José Fernando Saraiva Abrunhosa.

Voz de Lamego (VL):  Como vai ser vivido o Dia do Consagrado na nossa diocese?

Pe. José Abrunhosa (JA): O Dia do Consagrado na nossa diocese vai ter como ponto mais alto uma Eucaristia no dia 2 de Fevereiro, na igreja de São Francisco, às 17h30 para todos os religiosos e religiosas que vivem a sua missão e o seu carisma na Diocese. Como tem sido hábito nos últimos anos, tem-se procura celebrar este dia no contexto da vida paroquial, participando na eucaristia dominical de uma das paróquias da cidade de Lamego e testemunhando assim, pela renovação dos votos perante os cristãos leigos, a beleza do dom total de si à causa do Evangelho através da vivência e do testemunho dos conselhos evangélicos. Certamente que, ao longo desta semana, os cristãos das nossas comunidades paroquiais não deixarão de pedir ao Senhor da Messe que mande operários para a sua igreja. Além de se promover a oração pelas vocações, é premente que nos empenhemos, principalmente durante esta semana, numa catequese adequada nas nossas paróquias que torne operante a graça do surgir de vocações consagradas.

VL – No espaço Diocesano é visível e muito apreciada a presença e missão das comunidades religiosas. Quem são e onde se encontram?

JA – Embora, hoje, na nossa Diocese tenhamos algumas Comunidades Religiosas, estas já não têm a mesma presença expressiva de alguns anos atrás. Algumas casas fecharam. Algumas congregações religiosas deixaram a nossa diocese. Contudo, temos ainda um número significativo e operante de vocações consagradas na Diocese, na própria cidade de Lamego e em quatro arciprestados: Castro Daire, Meda, Armamar e Sernancelhe. Outras dioceses do nosso País e terras de missão “ad gentes” fruem ainda da fecundidade de muitas vocações religiosas oriundas das nossas paróquias. Há muitos Arciprestados de Lamego que foram e continuam a ser alfobre de vocações consagradas.

VL – As vocações religiosas não abundam e alguns Institutos e Congregações vão fechando casas. Como está a situação na nossa diocese?

JA – Todos nós ainda nos lembramos de um passado ainda recente em que, principalmente as religiosas, foram a espinha dorsal do serviço social, da educação, suporte da ação pastoral paroquial e cuidado social em muitas paróquias da nossa Igreja Local. A diminuição no número de consagradas teve um impacto muito penoso nestes campos e será muito difícil uma recuperação definitiva do que acontecia antes. Mesmo assim, devemos entender que as pessoas consagradas não representam apenas uma assistência material que se traduz pela quantidade de casas que possam existir na Diocese, mas independente do seu número, são sempre dons que enriquecem qualquer comunidade diocesana. Ainda há poucos meses, julgo que no mês de novembro de 2013, no encontro do Papa Francisco com os Superiores Gerais das Congregações Religiosas, ele nos lembrava que as vidas consagradas estão para “despertar” o mundo e que a vida consagrada é sempre uma presença profética na Igreja

VL – Como compreender e explicar esta diminuição de vocações religiosas?

JA – O convite de Jesus: “Vinde ver” (Jo 1, 39) permanece, ainda hoje, a regra de ouro da pastoral vocacional. Julgo que perdemos a capacidade de atrair novas vocações. Neste sentido, a crise de vocações é também acompanhada pela crise dos que chamam. A Paróquia deixou de ser o ponto referencial para uma verdadeira pastoral vocacional. Temos que investir mais energia na animação vocacional. Outros terrenos se abrem à animação vocacional: os espaços da cultura, o meio escolar, principalmente o universitário; uma pastoral da juventude que desperte o jovem também para a entrega generosa de si mesmo na missão da igreja; os grandes acontecimentos que reúnem multidões de jovens convocados pela fé, como as Jornadas Mundiais da Juventude… têm sido, nestes últimos anos, terrenos férteis de novas vocações religiosas e sacerdotais. Não podemos esquecer também que a época de crise e de incerteza que vivemos marcam igualmente a diminuição das vocações: a anemia evangélica que enferma a vida de tantos cristãos; a crise espiritual, e diria também a crise de fé; a cultura do provisório que descompromete a solidez de um projeto de vida, pois ninguém ousa mais comprometer-se por toda a vida; a mentalidade consumista que impede opções de vida ascética; a dificuldade de entender o celibato por amor e não como sinónimo de solidão; a cultura muito secularizada que molda grande aparte dos jovens das nossas paróquias; a dificuldade que alguns institutos e congregações em apresentar aos jovens o seu próprio carisma, são entre outras, razões da diminuição das vocações religiosas.

 VL – Neste contexto de crises de que acabou de falar, como promover um atracão vocacional sobre as novas gerações?

JA – Quando falamos sobre vocações, devemos pensar que não se trata exclusivamente de obra do homem e que também a fidelidade ao chamamento não é só empenho do homem: é sempre Deus que chama, desperta e robustece a vocação. O homem deve apenas acolhê-la com fidelidade e generosidade. Por isso devemos pedir sempre ao Senhor que mande mais vocações para a sua messe.

Contudo, esta crise de vocações coloca-nos o desafio de olhar para a frente e investir melhores energias na pastoral vocacional e não esquecer que a animação vocacional hoje depende muito de uma espiritualidade testemunhada e vivida na própria família, na paróquia, nos ambientes sociais e culturais. Cada comunidade de âmbito eclesial tem que se apresentar aos jovens como escola de verdadeira espiritualidade evangélica. Acredito que a própria qualidade espiritual da vida de muitos consagrados e consagradas pode intimar os jovens do nosso tempo, tantas vezes sequiosos de valores espirituais, a responder generosamente ao “ Vem e segue-me”(Mt 19, 21).

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