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Archive for the ‘Notícias’ Category

32 anos da Rádio Clube de Lamego – Entrevista com Júlio Coelho

A Rádio Clube de Lamego celebrou o 32º aniversário, no dia 22 de maio.

 “Quando era aluno aqui do liceu de Lamego colaborava com, na altura jornal paroquial, Varanda do Douro, o pároco da região bateu-me à porta para eu começar a escrever com regularidade para o jornal. Todas as semanas mandava um artigo para publicação”

Júlio Coelho afirma que “o bichinho da comunicação” nunca o abandonou e acabou por ser o fundador e diretor da rádio, já lá vão 32 anos. Aquando da fundação, em 1989, estava Portugal a iniciar um processo evolutivo. Por esta altura eram grandes as mudanças quer na política, quer na sociedade e na economia, um processo que marcou as rádios locais, sem deixar a Rádio Clube de Lamego de fora. Nesta época eram muitas as rádios que emitiam clandestinamente, aqui surgiu o grande impulso dos rádios piratas, no entanto a Rádio Clube de Lamego já era uma rádio legal.

“A rádio tinha um programa denominado como “Serões da aldeia”, que foi o ponto revolucionário. Ainda não existiam novelas nem outros programas para as populações das aldeias, e nós, todas as quintas-feiras deslocávamo-nos a essas mesmas aldeias, normalmente às juntas de freguesia, para passarmos os serões com a população, população essa que, religiosamente, sintonizava o 97.0 para ter a nossa companhia nas noites de quinta-feira. “

A Rádio é descrita por quem lá trabalha como uma rádio de companhia e sobrevivência. Um meio de comunicação local que dá voz aos ouvintes desde 1989. O diretor é Júlio Coelho e para os mais antigos ouvintes ele era quem tinha “a voz de rádio”. Situada em Lamego esta é uma das rádios mais conhecida no Interior Norte português.

“A rádio tem vindo a crescer de ano para ano, não há dúvida nenhuma, muito por causa dos ouvintes e dos nossos anunciantes. Eles são os principais obreiros deste projeto de rádio do qual a cidade de Lamego se orgulha”.

A Rádio Clube de Lamego nunca se ficou apenas por ares lamecenses, considerando-se a rádio do Douro, Trás-os-Montes e Beiras, tendo ainda feito a cobertura de vários eventos no estrangeiro.

O ainda diretor da rádio contou à Voz de Lamego que em 1995, a Rádio clube de Lamego marcou presença no Parc des princes, em Paris. “O que motivou a nossa ida a terras francesas foi a cobertura do jogo entre Sporting Clube de Lamego e os Lusitanos de Saint-Maur, que antecedeu ao encontro grande, SL Benfica VS FC Porto, a contar para a supertaça”.

Atualmente, continuam a sair do país para fazer a cobertura de vários eventos como a Expourense, um evento ligado à gastronomia realizado, como o próprio nome indica, em Ourense, uma cidade no noroeste de Espanha.

Júlio Coelho mostrou também ter boas perspetivas quanto ao futuro da rádio: “Queremos continuar a ser aquilo que temos sido até agora, queremos ser um veículo transmissor de notícias, tudo para trazer a informação para os cidadãos Lamecenses. Vamos continuar a estar atentos a tudo o que se passa na região com o mesmo rigor que sempre marcou a rádio, e que colocou a mesma ao nível a que se encontra, com a credibilidade que tem, e também com a aceitação que tem por parte das autarquias, das populações e por parte das instituições.

1.       Quais seriam os principais capítulos da sua autobiografia?

Preocupação com o bem-estar da família e sociedade

2.       Se pudesse dominar uma habilidade, qual seria?

Futebol

3.       Quem é a sua maior inspiração?

Nossa Senhora dos Remédios/ Santo João Paulo II

4.       Se todos os trabalhos pagassem exatamente o mesmo, qual seria o seu?

Camionista de longo curso

5.       Uma aventura que gostasse de viver?

Salto de Paraquedas

6.       O que mais toma o seu tempo?

Agricultura e vinicultura

7.       Qual foi a melhor coisa que lhe aconteceu na vida?

Ter conhecido a minha mulher

8.       Quem o conhece melhor?

Mulher e filhos

9.       Mudaria alguma coisa em si?

Ter ainda mais atenção à sociedade de forma a conseguir ajudar os mais desfavorecidos

10.   Maior desejo?

Fim desta pandemia/ Fim das guerras e conflitos

in Voz de Lamego, ano 91/28, n.º 4610, 25 de maio de 2021

D. António Francisco: “consagrou o coração ao serviço dos outros”

O Município de Lamego prestou na manhã desta sexta-feira, 19 de março, uma sentida homenagem a D. António Francisco dos Santos, cidadão Honorário do Município de Lamego, falecido em 2017, cuja vida e empenho pastoral marcou indelevelmente a vida desta cidade e das suas gentes.

A cerimónia decorreu, primeiro, na rotunda do Centro Escolar n.º 1, local onde foi construído um memorial evocativo da sua passagem por Lamego com a inscrição “Os pobres não podem esperar”, proferida aquando da sua apresentação como Bispo do Porto, sendo marca indelével do seu percurso de vida. Neste local, deverá ser erguida uma escultura em tributo a D. António, de Francisco Laranjo, reputado artista plástico lamecense. “Da terra, erguer-se-á uma aliança que simboliza alguém que nos marcou muito”, explica o autor.

Logo a seguir, realizou-se uma sessão simbólica com a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Lamego e de diversas personalidades relevantes da vida política e religiosa portuguesa, em representação de instituições e locais, que se cruzaram, em algum momento, na vida de D. António Francisco e que quiseram, deste modo, associar-se ao tributo público do Município de Lamego. Todos os testemunhos foram unânimes em recordar e enaltecer a sabedoria, a simplicidade e a generosidade de um “padre e de um Bispo com um grande coração”. “Será com este espírito de D. António que, nestes tempos de dor e sacrifício para todos, em maior ou menor grau, mas também já de esperança, que nos devemos congregar na reconstrução de um futuro promissor, sempre com a maior incidência nos mais carenciados e desfavorecidos, em prol do nosso bem-estar coletivo”, afirmou Ângelo Moura.

Presente nesta sessão pública de homenagem, D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa e vigário geral da Diocese do Porto à data do falecimento de D. António Francisco, sublinhou que o homenageado foi sempre “um Homem de raízes que consagrou todo o seu coração ao serviço dos outros”. “Foi um Homem do Amor de Deus e, por causa disso, amava os pobres”, elogiou D. António Couto, Bispo de Lamego.

Nascido em 1948 em Tendais, concelho de Cinfães, o pontífice frequentou os seminários de Resende e de Lamego (onde concluiu o Curso Superior de Teologia), tendo sido ordenado padre em 1972. Tornou-se bispo em 2005, na Sé de Lamego, tendo sido distinguido, nesse mesmo ano, com a Medalha de Ouro desta Cidade, a mais alta distinção concedida pelo Município. D. António Francisco dos Santos sucedeu a D. Manuel Clemente na liderança da diocese do Porto, em fevereiro de 2014, tendo anteriormente passado pela arquidiocese de Braga, como bispo auxiliar, e pela diocese de Aveiro, como bispo titular.

Ricardo Pereira, in Voz de Lamego, ano 91/19, n.º 4601, 23 de março de 2021

Delfina Adrega – A senhora biscoiteira do Bairro da Ponte

O primeiro instinto para melhor receber quem chega é remexer num pequeno saco plástico e estender depois a mão: “Tome lá uma cavaquinha!”. É assim, desde há mais de 40 anos, quando Maria Delfina Adrega se aventurou, sozinha, na cozinha lá de casa a confecionar o famoso Biscoito da Teixeira, que se transformou depois no conhecido cartão-de-visita da pequena banca que tem por hábito instalar, nos dias quentes, na “sala de visitas” da cidade de Lamego, a Av. Dr. Alfredo de Sousa. “Eu andava a cozer para as outras e a acartar para esta e para aquela, mas depois abri os olhos e também aprendi”, recorda. Natural da freguesia de Magueija, cedo desceu à cidade para viver no animado Bairro da Ponte, banhado pelo rio Balsemão, outrora alfobre de uma comunidade próspera, onde não faltavam moleiros, sapateiros, comerciantes e, claro, algumas biscoiteiras. Ainda hoje é aqui que se sente mais à vontade e continua a morar, embora lamente que “muita coisa” esteja a cair.

Maria Delfina começou tarde nas lides da doçaria. Apenas por volta dos 35 anos de idade. Nessa época, recorda, vendia menos. “Só fazia um bocadinho. Meia arroba ou uma arroba. Agora faz-se mais”. Para além de Lamego, chegou a vender noutras paragens em festas e romarias. “Adorava isso”. Era assim que garantia o sustento lá de casa. Teve seis filhos, enviuvou cedo, e precisou então de todo o ânimo e destreza para conciliar todas estas tarefas. “Sempre tive força para fazer tudo”. Agora, o peso da idade já não lhe permite amassar e cozer o biscoito no forno a lenha como antes. Foi uma filha que herdou a responsabilidade de dar forma ao Biscoito da Teixeira, fiel à receita de sempre: farinha, açúcar, sal e “muito limãozinho”.

Atrás da sua pequena banca, sob uma toalha imaculada, Maria Delfina ajeita cuidadosamente o sortido de produtos que adoça a boca de muitos lamecenses e turistas. Para além do Biscoito, também há cavacas do Porto, bolos podres, pães-de-ló e até rebuçados da Régua. Tudo fresco e doce, como convém, e que transformam este local todas as semanas num destino de peregrinação para os clientes fiéis. Problemas de saúde, decorrentes da diabetes, já não a deixam ver com a nitidez de antigamente. Pede, por isso, muitas vezes a quem chega que a ajudem a escolher as pequenas moedas para devolver o troco certo.

“Gostei sempre de estar aqui. Estou habituada. Se me tiram isto, então é que vou mais depressa embora”, explica. Para muitos turistas que calcorreiam pela primeira vez as imensas avenidas centrais de Lamego, em direção ao Santuário dos Remédios, é a D. Delfina quem lhes dá as boas-vindas. “Prove lá uma cavaquinha. Eu dou”, interpelando sempre quem passa.

Ricardo Pereira, in Voz de Lamego, ano 91/19, n.º 4601, 23 de março de 2021

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Conferência online com D. António Couto, bispo de Lamego

Livro de D. António Couto, publicado pela Pay«ulus

A PAULUS Editora organiza, na próxima quinta-feira, dia 25 de março, uma conferência com D. António Couto, bispo de Lamego, sobre a sua mais recente obra, «Do lado de cá da meia-noite», editado pela mesma editora.

A obra consta de seis ensaios, originais, que D. António Couto escreveu no contexto de pandemia, «ensaios que julgo significativos para ajudar a viver com esperança, e com esperança superar a crise pandémica que atravessamos», começa por escrever o prelado no início do livro, em jeito de enquadramento da obra.

Para o diretor editorial da PAULUS, estes encontros online são uma forma de «dar a conhecer a mais gente os conteúdos das nossas obras», oportunidade que este responsável diz ser «única», já que, com os constrangimentos em vigor devido à pandemia, a realização destas apresentações de forma presencial não é ainda possível.

A conversa virtual, que decorre a partir das 21h, no dia 25 de março, na página de Facebook da PAULUS Editora, vai ter ainda a presença do diretor editorial da PAULUS, Ir. Tiago Melo, e do jornalista da revista Família Cristã, Ricardo Perna.

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Peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro começa na quinta-feira

Porque muitas das iniciativas que a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) organizava não puderam decorrer por causa da pandemia de covid-19, e porque o apoio aos doentes e famílias está muito mais dependente do peditório nacional, a LPCC apela à generosidade dos portugueses para o peditório nacional que arranca na próxima quinta-feira, dia 29 de outubro, e termina na segunda-feira, 2 de novembro.

Os voluntários que em Moimenta da Beira andarão no terreno, cumprirão, como se impõe, todas as medidas de proteção de modo a impedir o contágio por causa da pandemia.

— 

Rui Bondoso

(Gabinete de Comunicação)
Câmara Municipal de Moimenta da Beira
www.cm-moimenta.pt

Depressão Bárbara: Município de Lamego apela a cuidados redobrados

O Município de Lamego alerta que a depressão “Bárbara” vai atingir Portugal a partir de hoje, pelo que as condições meteorológicas vão agravar-se, trazendo chuva intensa e ventos fortes que podem chegar aos 100 km/hora. 
Por esta razão, apela a todos os cidadãos que adotem cuidados redobrados nas próximas horas e especial atenção nas zonas com risco de cheias e inundações rápidas em meio urbano.

O Município de Lamego alerta também para o piso rodoviário escorregadio e a eventual formação de lençóis de água, danos em estruturas montadas ou suspensas, possibilidade de queda de ramos ou árvores e deslizamentos de terra.
Na sequência do mau tempo, aconselha também a adoção de uma condução defensiva e os automobilistas a ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atentos para a possibilidade de queda de ramos e árvores.
O distrito de Viseu estará sob aviso laranja entre as 18h de hoje e as 03 horas de terça-feira, devido à previsão de chuva forte e persistente e vento forte.
O Município de Lamego, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, estará a acompanhar em permanência o evoluir da situação. 

Ricardo Pereira
Gabinete de Comunicação: ricardo.pereira@cm-lamego.pt
Câmara Municipal de Lamego
Av. Padre Alfredo Pinto Teixeira • 5100-150 Lamego
+351 254 609 600 • +351 969 528 766
geral@cm-lamego.pthttp://www.cm-lamego.pt
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A revolução liberal duzentos anos depois

No dia em que se assinalam 200 anos da revolução liberal, 24 de agosto, crónica do reverendo Pe. Joaquim Correia Duarte:

Muitos de nós conhecemos, na cidade do Porto, o “Campo 24 de Agosto”.

O nome pretende recordar e lembrar um dos grandes acontecimentos que marcaram para sempre a nossa história coletiva: a revolução liberal de 24 de Agosto de 1820.

O local, que antes se chamou Mijavelhas, Poço das Patas e Campo Grande, só foi batizado com este nome por edital da Câmara, em 1 de agosto de 1860.

Não foi aí que eclodiu a citada revolta, mas sim no Campo de Santo Ovídeo, hoje Praça da República.

Foi nesse dia e neste último local que a guarnição militar do Porto, doutrinada e impelida pelo Sinédrio, desembainhou as espadas e apontou os mosquetes, para proclamar extinto o antigo regime, absolutista, e implantado o novo regime, constitucional.

Pretendia-se ultrapassar a situação de um país pobre e devastado pelas invasões francesas, excluir da gestão do reino o domínio da Inglaterra na pessoa do General Beresford, fazer regressar a Portugal o rei ausente no Brasil, implementar no país o regime saído da revolução francesa, assentando teoricamente na igualdade de direitos de todos os cidadãos, na separação e na divisão de poderes – legislativo, executivo e judiciário – e tornando a lei, já não a vontade do soberano como no despotismo esclarecido, mas o resultado da vontade do povo, declarada e expressa pelos seus representantes nas Cortes.

Essa mudança de regime, que veio trazer a Portugal tantos oportunismos, tantos sofrimentos, tantas divisões e perseguições partidárias, tantos expatriados, e tantos prejuízos (basta referir a guerra civil que dividiu os portugueses ao longo de tantos anos, a extinção das ordens religiosas e a partilha dos seus bens pelos apaniguados do novo regime) trouxe também consigo as primeiras eleições para a escolha dos deputados às Cortes, em 1821, e a elaboração da primeira Constituição, no ano seguinte.

Por detrás de toda esta mudança, estavam as doutrinas iluministas do último quartel do século XVIII defendidas e propaladas pela maçonaria, e as ideias jacobinas trazidas pelas invasões francesas, difundidas entre os novos intelectuais em pasquins volantes, e discutidas nos cafés e nos botequins de vilas e cidades.

A presidir a tudo isto, e a mobilizar as tropas sem as quais nada lhes seria possível, estava o Sinédrio: um grupo de doze burgueses portuenses, a cujo movimento se aliaram alguns comandantes militares do norte, e ainda, D. Frei Francisco de São Luís, que veio a ser mais tarde patriarca de Lisboa, mais conhecido por Cardeal Saraiva.

Entre esses doze burgueses, havia um resendense, Manuel Borges Carneiro, de seu nome.

Nascido na Casa das Cotas, em Cimo de Resende, em 2 de novembro de 1774 e batizado na igreja da paróquia em 17 do mesmo mês, formou-se em Cânones em Coimbra e vivia no Porto nessa ocasião, já que, no início de 1820, fora nomeado Juiz Desembargador da Comarca da Relação do Porto.

Foi ele um dos grandes mentores da revolução liberal e também um dos grandes redatores da primeira Constituição Portuguesa, votada nas Cortes em 1821 e aprovada com a data de 23 de setembro de 1822.

Borges Carneiro era um dos deputados mais escutados nas assembleias das Cortes.

Um escritor italiano no exílio, presente em alguns debates, escreveu sobre ele: “Depois de Fernandes Tomás, levantou-se um orador mais alto em estatura do que ele, pouco rápido a falar, mas impetuoso, quase irresistível nas ideias. Ouvi então murmurar nas galerias o nome de Borges Carneiro. Esse deputado entusiasma frequentemente o auditório, porque as suas moções são sempre ousadas e vêm ao encontro das paixões populares”.

Infelizmente, o homem acabou por morrer cedo, e mal.

Com a ascensão de D. Miguel ao trono, foi preso em Lisboa em 15 de Agosto de 1828 e acabou por morrer de peste na Torre do Castelo de S. Julião da Barra cinco anos depois, apenas com 59 anos de vida, tendo sido sepultado na esplanada do mesmo castelo, como se de um simples animal se tratasse.

São assim as revoluções.

São assim as glórias deste mundo.

Passados duzentos anos, continua a haver na sociedade portuguesa integralistas, legitimistas, monárquicos e republicanos do coração.

O que importa é que todos nos respeitemos, que o país progrida, que todos vejam reconhecidos os seus direitos, que a ninguém falte o necessário, e que todos sejamos felizes.

Música: Vidas suspensas pela pandemia

Por Andreia Gonçalves

A música é a arte que inspira o mundo. E neste momento estamos privados de festas e romarias, de concertos e arraiais. A vida de muitos está suspensa e é por isso que o :Voz de Lamego foi perceber o que vai na alma das vozes daqueles que fariam das festas o seu sustento financeiro e realização pessoal até ao final do verão.

Tiago Sousa – vocalista

Vocalista dos “Império Douro”, músico e um dos fundadores dos “Guitarras D’ouro”.

Tudo parou mas eu consegui tirar pontos positivos mesmo dentro deste problema todo, tive tempo para compor, escrever, dedicar-me mais a fazer originais, também aproveitar pra estudar mais um pouco a guitarra.

Mas como é óbvio sinto falta do palco. Todo este cenário deixa- me um pouco triste, porque a música é uma arte que transporta muito sentimento para as pessoas quer na alegria quer na tristeza. E este tempo sem haver concertos deixa um vazio enorme.

Com as devidas regras e se toda a gente se proteger, corretamente, penso que as coisas poderão começar, novamente, a curto prazo, a andar. Não sabemos como vai ser o futuro mas temos de manter a esperança.

Márcio Pereira – cantor

Nos meses de março e abril a media seria de 13 concertos agendados. E de um dia para o outro a pandemia COVID-19 cancelou todos eles sem sequer estarmos à espera. Numa questão de horas, dias estes cancelamos propagaram-se para maio, junho, julho, agosto. E assim se perdeu a esperança de qualquer tipo de trabalho na área da música nesta época que se adivinhava tao rica na minha carreira.

Inicialmente a sensação foi de calma como se de umas ferias se tratasse. Mas rapidamente o sentimento passou a desespero. Tanto pela falta de dinheiro como por falta de trabalho, pois não se sabe quando poderei voltar á minha rotina normal.

No entanto foram saindo leis que nos dão alternativas ou soluções (dizem eles) mas não deixa de ser uma luz ao fundo do túnel. O segredo? Não desistir, persistir e acima de tudo readaptarmo-nos à nova realidade da forma mais profissional possível.  O futuro? É a questão mais incerta que tenho neste momento. Tudo pode acontecer como não acontecer.

Filipe Sequeira – Cantor, vocalista kmusic e locutor de rádio

A pandemia veio prejudicar completamente o meio artístico. Um ano que prometia ser dos melhores, mas do dia pra noite, conseguiu ser dos piores. Ficamos todos sem trabalho, investimentos que ficaram sem efeitos, e tudo o que preparamos para este ano foi em vão.

Mesmo com todas essas dificuldades, eu continuei a trabalhar, e 2020, será dos anos especiais. Já me encontro em estúdio, com o José Carlos Monteiro, a gravar os meus primeiros singles. Com parceria do Zezito, onde já lançamos dois temas em conjunto, até um deles, gravamos um vídeo-clip na cidade de lamego.

Não será a pandemia que me irá assustar, porque tenho esperança, que para o ano, podermos voltar aos palcos e mostrar a nossa boa disposição. E dar ao público o carinho que nos merece. Sempre foi assim, e continuará a ser. Até porque a esperança é sempre a última a morrer.

Fábio Abrunhosa – Banda SPS – técnico de som

Depois que começou esta pandemia, vi tudo a ser adiado, todos os espetáculos que tinha.  Mas com o passar do tempo, os espetáculos foram mesmo, cancelados, é claro não sabia quando isto acabaria….

Em termos financeiros, aquele extra que estava à espera e que já tinha destino, desapareceu.

Depois há́ a outra parte que é não pode mos estar juntos, pois tivemos muito tempo em confinamento.

Agora já́ é um bocadinho diferente.

A vida “artística”, não é só́ espetáculos!

É o convívio, o publico, a adrenalina, a confusão, a pressa para ter tudo pronto.

E que agora não se sente há́, sensivelmente, 4 meses.

Rúben Rodrigues – Empresário e técnico de som Grupo Arkádia

De facto, fora os espetáculos que representam 60% a 80% do meu suporte financeiro tenho um pequeno espaço comercial ligado, também, à música…  Resumindo, em poucas palavras, fui afetado em 100%.

Pois, não há espetáculos, não há vendas, não há “som” para fazer, parei completamente, sendo empresário em nome individual, nem ajudas sequer foi possível ou existem sequer.

 Com esta pandemia fiquei sem espetáculos e sem vendas, pois não se consegue vender nem instrumentos nem acessórios não havendo “música”… é isto reduzido ao que estamos neste momento a passar.

Contudo sempre com esperança que dias melhores virão e que o mais breve possível se consiga recompor tudo…

in Voz de Lamego, ano 90/33, n.º 4568, 14 de julho de 2020

Dia Mundial da Saúde da Mulher

No Dia Mundial da Saúde da Mulher, que se assinala no próximo dia 28 de maio, a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) relembra a prevalência da dor crónica nas mulheres que, apesar dos elevados números, permanecem subdiagnosticadas e sem tratamento adequado às suas necessidades.

Na Europa e em Portugal verifica-se que a dor crónica é mais prevalente no sexo feminino. Isto deve-se, sobretudo, ao facto de estar associada a condições ou doenças que são mais frequentes nas mulheres que advém da própria gravidez ou desencadeadas por infeções ou outras doenças.

“Neste Dia Mundial da Saúde da Mulher é fundamental compreender que existe uma necessidade urgente no acesso ao tratamento e gestão da dor das mulheres para que estas possam melhor a sua saúde e qualidade de vida”, afirma Dra. Ana Pedro, Presidente da APED.

Entre os tipos de dor que afetam o género feminino e que têm um impacto significativo na sua qualidade de vida, destaca-se a dor ginecológica, uma dor sentida na região pélvica ou sacrolombar, cuja intensidade, duração e localização é variável de pessoa para pessoa e que é um dos motivos mais frequentes das consultas ginecológicas.

Esta pode caracterizar-se por dor pélvica crónica, dismenorreia, doença inflamatória pélvica e síndrome pré-menstrual.

•           A dor pélvica afeta mais as mulheres do que os homens porque o organismo destas está sujeito a mais alterações, como mudanças hormonais cíclicas, alterações durante a gravidez, o stress psicossocial, outras modificações durante e depois da gravidez e os ajustes que ocorrem durante a menopausa.

•           A dismenorreia, por sua vez, afeta entre 16 a 91% das mulheres férteis e é uma dor pélvica mais intensa do que o mal-estar que acontece habitualmente durante a menstruação.

•           A doença inflamatória pélvica ocorre quando microrganismos patogénicos, habitualmente de transmissão sexual, atravessam as barreiras naturais da vagina e o colo do útero e chegam à cavidade uterina, causando endometrite (infeção do endométrio), salpingite (infeção das trompas de Falópio) e abcessos tubo-ováricos.

•           A síndrome pré-menstrual afeta entre 30 a 40% das mulheres em idade reprodutiva e ocorrem na segunda metade do ciclo menstrual, ou seja, 14 dias antes da menstruação.

Também na gravidez, o corpo da mulher passa por muitas alterações físicas e, consequentemente, podem ocorrer dores localizadas ou generalizadas, que aparecem e desaparecem, ou que podem persistir ao longo de toda a gestação. A maioria destas dores são fisiológicas e surgem na sequência da própria gravidez. Mas outras dores podem ser patológicas e desencadeadas por infeções ou doenças causadas, ou não, pela gravidez. As dores mais habituais são as cefaleias, dor na parte inferior do abdómen ou virilhas, dor de costas, dor e mal-estar nas pernas e nos pés, dor mamária e dor uterina.

A fibromialgia, em que 80 a 90% dos casos diagnosticados são mulheres, a lombalgia, a artrite reumatoide, a osteoartrose, a disfunção da articulação temporomandibular e as cefaleias são também muito prevalentes na população feminina.

Sobre a APED

A Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) tem como objetivos promover o estudo, o ensino e a divulgação dos mecanismos fisiopatológicos, meios de prevenção, diagnóstico e terapêutica da dor em Portugal, de acordo com os parâmetros estabelecidos pela International Association for the Study of Pain e pela Organização Mundial de Saúde. Para mais informações: www.aped-dor.org.

Para mais informações, contacte:

ATREVIA Lisboa

Tel. 21 324 02 27 | M. 914 027 303; 914 027 327

Maria João Serra, mmoreira@atrevia.com

Carina Monteiro, cmonteiro@atrevia.com

Marta Ribeiro, mribeiro@atrevia.com

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