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Falecimento da irmã do Padre Albano Cardoso

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia infinita, chamou a Si, à Sua morada eterna, a Sra. Dona Lourdes Cardoso, irmã do Padre Fernando Albano Cardoso, pároco Longa, da Granja do Tedo, de Vale de Figueira e de Nagosa.

O Senhor Bispo, D. António, em seu nome e do presbitério de Lamego, a que preside, manifesta as suas condolências à família e amigos, de forma particular ao Pe. Albano, sublinhando a comunhão espiritual na oração e na certeza da fé que nos garante a vida eterna, a ressurreição no Coração de Deus.

Face aos isolamento social, em virtude da pandemia, a presença física será diminuta, mas não a oração, não a comunhão, não a esperança da vida eterna.

Que o Deus de todo o bem a acolha calorosamente no Seu reino de glória, junto de Quem intercederá por nós, levando até Ele, Senhor nosso Deus, os nossos propósitos e intenções. E que os familiares sintam o aconchego de Deus e a ternura da Virgem Santa Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa.

Editorial da Voz de Lamego: A vida em suspenso?

O momento ainda não é tanto de reflexão mas de luta, de compromisso com todos os que estão no terreno a ajudar a manter a vida da cidade, a salvar vidas, a cuidar dos mais frágeis. É tempo de todos facilitarmos a vida às autoridades sanitárias, aos que tomam medidas para proteger a população, aos profissionais de saúde e todos os que velam pela segurança pública, e a todos os que produzem e transportam bens essenciais.

O nosso compromisso como cidadãos e, por maioria de razão, como cristãos, é fazermos o melhor, não desistir dos outros, não deixar ninguém para trás, não excluir, gastar-nos uns pelos outros como fez Jesus. A quarentena de que tanto se fala remete-nos para a quaresma. A raiz das duas palavras é a mesma e ambas sugerem luta, caminho, esforço e sacrifício, na esperança de chegarmos à meta, à vida saudável, nova, salva, à Páscoa.

Antes da Páscoa, o deserto, o caminho, a montanha, o poço de Jacob! Antes da Páscoa, a Paixão, a oração e o sofrimento, a perseguição e o julgamento, a CRUZ. A Cruz não é ainda o final, mas já nos fala de amor, de entrega, de vida, de esperança, de futuro.

A partir da China, o COVID 19 propagou-se rapidamente pelo mundo. Portugal, de dia para dia, vê aumentar o número de infetados, não se sabendo quando será o pico de doentes e se o Serviço Nacional de Saúde, com a cooperação dos privados, terá capacidade para atender a todos os doentes. Isto vai piorar, importa não o esconder, mas há um rasto de esperança a anunciar: os primeiros contaminados estão curados e outros em casa a recuperar.

A Quaresma de 2020 tornou-se um caminho árduo, longo, duro! Olhando para a Cruz, no contexto desta pandemia, foquemo-nos nas duas dimensões, a vertical, a oração, pedindo a Deus que nos dê ânimo e sabedoria para o melhor caminho a percorrer, e assim também pelas autoridades e profissionais de saúde; a horizontal, cumprindo com conselhos e orientações que nos são dadas para minimizar a propagação do vírus, respeitando tempos e espaços, mas cuidando para que ninguém fique esquecido.

Com o avançar da pandemia, todos começamos a aguçar mais a consciência de que estamos no mesmo barco. Há momentos em que somos mais egoístas. Tantas vezes nos perdemos no provisório, acentuámos as diferenças e as conveniências, mas agora há algo mais importante, essencial, a promoção e a defesa da vida humana. Ainda há dias estávamos a falar de eutanásia e suicídio assistido, e agora é a vida que precisamos, todos, de cuidar, de proteger e de salvar. A pandemia faz-nos perceber melhor como temos de respeitar os outros e o seu espaço, mas sobretudo que somos parte de um todo, pertencemo-nos.

Eu e tu somos responsáveis. Responderemos uns pelos outros. Responderemos a Deus pelos irmãos que não ajudarmos.

A Páscoa há de estar mais à frente. Caminhemos!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/16, n.º 4551, 17 de março de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Deus ressuscita-nos das nossas cinzas

Na mitologia grega, e também noutras culturas, existia uma ave, a Fénix, que ao morrer entrava em autocombustão e ressurgia (ressuscitava) das cinzas. Um pássaro grande, semelhante à águia ou ao falcão, capaz transportar no seu dorso um animal do tamanho de um elefante. Duraria uns 500 anos, segundo uns, ou mesmo 97200 anos, segundo outros, antes de morrer em chamas. Pássaro colorido em tons de vermelho, roxo e amarelo, fazendo lembrar o sol ou o fogo, os olhos azuis a brilharem como safiras. Ressurge das cinzas ainda mais forte para um nova e longa vida. É símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual.

No início do cristianismo, a Fénix foi também associada a Cristo, morto e ressuscitado.

Mas esqueçamos por ora a fénix e voltemos o nosso olhar para Jesus. Novamente. Sempre. É Ele que nos traz aqui a estas páginas, para através delas sermos, também nós, eu e tu, portadores de uma Notícia, sempre Nova: Deus tanto nos ama que nos confia o Seu filho amado e, n’Ele, revela que este amor não tem limites, vai até à Cruz, gastando-se totalmente por nós. E um amor assim não perece, porque nos liga, nos faz permanecer, nos faz sobreviver às limitações. Jesus apresenta-Se no meio dos Seus, vivo, ressuscitado. É este o mistério maior da nossa fé, que em cada ano acentuamos solenizando, pela Páscoa, mas que nos faz viver como cristãos do Domingo, a Páscoa semanal na Eucaristia, traduzindo e concretizando o Domingo em todos os dias e circunstâncias. Somos filhos da Luz, da Ressurreição e da Vida nova que Cristo nos dá, fazendo-nos participantes da Sua vida divina, por ação do Espírito Santo.

Estamos dentro da Quaresma, como caminho que nos conduz à Páscoa. Um caminho que iniciou na Quarta-feira de cinzas, precisamente com a cerimónia da imposição das cinzas, um gesto significativo que nos irmana, pois somos filhos da mesma terra. Como nos recordava o Papa Francisco, na belíssima Homilia proferida em Quarta-feira de Cinzas, somos pó, pó da terra e ao pó havemos de voltar. O pó é nada! Mas somos pó amado por Deus. O Senhor insufla o sopro de vida neste pó e chama-nos à vida. “Somos um pó preciso, destinado a viver para sempre. Somos a terra sobre a qual Deus estendeu o Seu céu, o pó contém os Seus sonhos. Somos a esperança de Deus, o Seu tesouro, a Sua glória”.

Por outro lado, prosseguia o Santo Padre, “a cinza pousa nas nossas testas, para que, nos corações, se acenda o fogo do amor. Com efeito, somos cidadãos do céu”. Há muita poeira que teremos que sacudir, muito pó que destrói, que aniquila e desumaniza! Não esqueçamos as nossas raízes, a nossa identidade. “Somos cidadãos do Céu. E o amor a Deus e ao próximo é o passaporte para o Céu; é o nosso passaporte”. O fogo do amor de Deus há de consumir a cinza do nosso pecado. “Deixemo-nos reconciliar, para viver como filhos amados, pecadores perdoados, doentes curados, viandantes acompanhados. Para amar, deixemo-nos amar; deixemo-nos erguer, para caminhar rumo à meta – à Páscoa. Teremos a alegria de descobrir que Deus nos ressuscita das nossas cinzas”. E aqui termina o mito, aqui vislumbra-se o amor de Deus que nos ressuscita!

Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/14, n.º 4549, 3 de março de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Razões da nossa esperança

Vivemos em democracia. Somos, aparentemente, comandados pela maioria. Muitas vezes por uma maioria silenciosa, indiferente, ao jeito de Pilatos, demitida ou desiludida. Em cada eleição, a abstenção ganha terreno. Os deputados da Assembleia da República são eleitos por metade do país, a outra metade não quer saber, ou não acredita, ou sente-se defraudado, ou não entrevê que quem venha possa fazer melhor a favor dos mais desprotegidos. Claro que os eleitos têm a legitimidade para legislar, mas com o avançar do tempo vamos verificando que os programas de governo que são propostos não são exatamente os que são cumpridos. Nas eleições seguintes, aumenta a abstenção ou aumenta da representatividade dos partidos extremistas.

Somos responsáveis uns pelos outros. Em nome da liberdade e da autonomia, abdicamos da responsabilidade que nos une, nos irmana, nos familiariza. No Principezinho faz-se essa acentuação: somos responsáveis por aqueles que cativamos! Talvez tenhamos necessidade e urgência de cativar, de criar laços, de nos tornarmos mais dependentes uns dos outros, reconhecendo a nossa indigência e a verdade que nos humaniza. Quando desistimos dos outros, por mais trabalho que nos possam dar, e todos os relacionamentos exigem persistência, cuidado, atenção, dedicação, perdemos um pouco de nós. Pertencemo-nos uns aos outros. Quando uma relação falha, quando alguém parte porque não lhe demos o tempo que precisava e merecia, quando desistimos por cansaço, por indiferença ou por medo (medo de sofrermos ou de vermos sofrer), ficamos mais pobres e menos humanos.

A Assembleia da República, em nome do Estado, vai optar por dar “mais liberdade” para desistir, para matar dentro da legalidade. A Eutanásia, dizem-nos, é uma opção pessoal, isto é, individual, em que cada um pode abdicar de viver. Se é uma questão pessoal, da liberdade de cada um, então porque há de o Estado legislar e intrometer-se nesse desejo e/ou decisão e, com isso, “obrigue” outros a serem carrascos. Por outro lado, é inequívoco que esta lei será aprovada sub-repticiamente. À direita ou à esquerda, não ouvimos qualquer referência à eutanásia na última campanha eleitoral. O assunto tinha sido discutido na Assembleia da República, em 2018, mas, não tendo sido aprovada a despenalização/liberalização/obrigação da eutanásia – morte ativamente provocada no paciente, a pedido do próprio, pelos familiares ou por decisão de um médico – caberia ser amplamente discutida e claramente proposta na campanha eleitoral que antecedeu a composição do atual parlamento. Alguns contratos têm letras miudinhas e isso é feito propositadamente para aproveitar a distração! E todos nós já fomos enganados em situações similares (venderam-nos banha de cobra). Engraçado! Há disponibilidade de meios e de médicos para a morte assistida e faltam tantos meios e tantos médicos para atenderem os doentes. Ainda há dias na Urgência de Lamego faleceu um paciente por falta de médicos para fazerem face a tantos pedidos!

Um bloco que quer acabar com o privado, na Educação e na Saúde, e obrigar, agora, os privados a praticarem a eutanásia… em nome da liberdade!

Com a aprovação da eutanásia, do suicídio com ajuda de médicos, a nossa responsabilidade, como cidadãos, como crentes e/ou cristãos é continuar a cuidar, sem desistir nunca, dando razões da nossa fé e da nossa esperança, apostando na companhia, na proximidade, pedindo a Deus o discernimento para sermos melhores cuidadores e a força para lidarmos com o nosso sofrimento e com o sofrimento daqueles que Deus coloca à nossa beira e por quem somos responsáveis.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/12, n.º 4547, 18 de fevereiro de 2020

Adeus a um Mestre: o Professor Sabino Pinto Almeida

Gosto demasiado de palavras. Tenho um respeito tão grande por este património tão nosso, que me incomodam os erros gramaticais, orais, de sintaxe. Deus e eu sabemos o quanto me arrepia quando me perguntam “o que é que tu fizestes? Como é que soubestes?”. É uma mania pessoal que até se reflete no meu modo de ser. Tudo isto foi genuinamente plantado em mim por uma pessoa que nos deixou recentemente, em Lamego: o Professor Sabino Pinto Almeida.

Natural de Panchorra, perto de Resende, o Professor Sabino esteve 10 anos na Escola Secundária da Sé, até se reformar em 2005. Foi meu Professor de Português durante seis anos, até ao 12.º ano. Uma época memorável.

Quem o conhecia, sabia perfeitamente que o Professor Sabino despertava alguma curiosidade: a voz grave, o bigode cuidadosamente aparado que escondia o lábio superior, a pouca facilidade em sorrir, a mala preta, clássica, que agarrava pesarosamente sempre que se dirigia para a sala de aula, enquanto olhava para o chão, faziam dele uma figura que impunha respeito e autoridade. Medo. No entanto, nada neste estilo imponente significava arrogância ou desprezo pelos alunos. Havia, isso sim, uma exigência inegociável pelo estudo. Pelo compromisso de aprender. O respeito pela nossa língua, o português. Por isso, só tínhamos duas opções: gostar dele ou temer sempre que o nome dele aparecia.

Com ele, fui apresentado a O’Neill. Detestei. Com ele tive vontade de desistir mal li os versos “As Armas e os Barões Assinalados/Que da Ocidental Praia Lusitana”, de Camões. Também foi com o Professor Sabino que discuti por que raio a casa do Ramalhete era tão espetacular que demorava para aí umas 30 páginas a descrevê-la? Foi através dele que me apaixonei pela escrita leve e encantadora de Jorge Amado. Que aprendi a gostar do olhar descritivo, atento (jornalístico?) de Almeida Garrett. Fiquei sempre intrigado com a opinião dele sobre Saramago, um nome pouco falado nas aulas. Fernando Pessoa, não, era consensual. Acho que ele era mais Alberto Caeiro, o guardador de rebanhos. Eu sempre gostei mais do futurismo de Álvaro de Campos. E como ele adorava Urbano Tavares Rodrigues?

Ainda assim, não foram seis anos de aprendizagens feitas ao sabor dos “gostos”. É graças ao Professor Sabino que ainda hoje retenho autênticas lições de humildade. Certo dia, defendi que a palavra “cobarde” também poderia ser escrita com “v”. Ele duvidou; fixou-me, saiu porta fora e a sala colapsou. Que teria feito eu? Dez minutos depois, regressa, naquele estilo de caminhar pausado e metódico, com um dicionário, e diz-me: “você tem razão”. Ou então numa das famosas “idas ao quadro”, em que ele me mandou analisar um poema em frente a toda a turma. Um autêntico momento de tensão. “Para onde se dirige o sujeito poético, senhor Fábio?”. Respondi totalmente ao lado. “Para um sítio que eu cá sei vai o senhor!”. Foi a coisa mais azeda que me disse. E ainda assim, a mais certeira. Não me tinha preparado como deve ser para o texto.

Com ele aprendi a fazer do dicionário uma companhia diária. Ter dúvidas é sinónimo de inteligência. O respeito pela nossa língua é matéria de responsabilidade, de honrar gente que veio antes de nós e nos deixou esta herança. Um dia quando me perguntarem o que é um Professor, saberei colocar Sabino como sinónimo. Ainda que saiba a pouco, só posso pensar: obrigado por tudo, Professor Sabino.

Fábio Ribeiro, in Voz de Lamego, ano 90/11, n.º 4546, 11 de fevereiro de 2020

Editorial da Voz de Lamego: Eutanásia, suicídio ou homicídio?

A 20 de fevereiro celebra-se a memória litúrgica de duas crianças que fazem parte do imaginário, da vida, da história e da identidade do país, Jacinta e Francisco. No mesmo dia, os nossos representantes eleitos vão pronunciar-se contra um dos valores da sociedade, da civilização e dos direitos humanos fundamentais: em que condições se pode facilitar a morte?

Sem vida não há direitos, não há civilização, não haverá sociedade.

Deixaremos de poder confiar nos profissionais de saúde, pois podem decidir matar-nos quando acharem que já não temos autonomia suficiente ou se o prejuízo para as finanças públicas estiver a ultrapassar as expectativas. Talvez também não possamos confiar nos nossos familiares que, por cansaço ou para receberem alguns proventos mais cedo, podem decidir que a nossa vida já não tem valor. Num momento podemos ser nós a pedir que nos matem, e a seguir podem matar-nos sem nos pedir a opinião, como vai sendo na Bélgica e na Holanda.

A questão do aborto permite que os pais (e a sociedade) relativizem o direito à vida. A criança será um estorvo, as condições socioeconómicas são desfavoráveis, não é o momento certo ou porque pode colocar em causa a progressão na carreira! Já há defensores do infanticídio: a criança quando nasce tem a mesma consciência do que o feto, logo se não agradar aos pais, estes podem decidir matá-la, e tudo dentro da lei.

Não se combatem as condições socioeconómicas, combate-se a vida. Sem menosprezar situações de aflição, de desespero e dúvida, de sofrimento… teremos que apostar mais na prevenção, na educação, na proteção e ajuda às pessoas e às famílias. Numa sociedade que definha e envelhece, as políticas de natalidade talvez mereçam muito mais que reflexão… A acérrima defesa dos animais contrasta, muito, com a defesa e promoção da vida humana.

O Papa Francisco tem reiteradamente falado numa cultura de descarte. Dispensamos todos os que nos incomodam, afastamo-los da nossa vista, os pobres, os doentes, os idosos, as pessoas portadoras de deficiência; passeamos os cães, mas não temos tempo para os pais ou para os filhos. A democracia dá lugar à egolatria. Todos somos livres e iguais… desde que os meus interesses sejam caucionados. Veja-se a liberdade de expressão nos livres! À primeira dificuldade, não fazemos caminho, desistimos das pessoas e descartámo-las.

Eu decido! Eu mando! Conta o que me beneficiar! Mais liberdade, mais autonomia! Independência total face aos outros e ao mundo. No dizer de D. António Couto, um “eu” sem pai nem mãe, sem irmãos e sem filhos, sem Deus, sem raízes e sem chão, sem céu nem Providência, sem vínculos nem pertenças. Vazio total. O Iluminismo, em nome da razão, dispensou tudo o que poderia ser limitação à minha liberdade, ao meu pensamento, à minha ação. Eu sou a medida de todas as coisas!

Os pobres serão os primeiros a ser legalmente eutanasiados. Em Auschwitz foram os judeus, os velhos, os aleijados, os que não podiam trabalhar… agora serão novamente os “velhos”, os aleijados e os que não têm acesso (tão fácil) aos cuidados de saúde, e que não podem escolher os médicos ou as instituições de saúde que desejam. Na Holanda daqui a nada estarão disponíveis comprimidos para morrer para as pessoas a partir dos 70 anos, basta que estejam cansados de viver! Nem precisam de “responder”, de refletir, de solicitar alguma opinião.

“A pessoa tem o direito de acabar com a sua vida, chama-se suicídio, não tem o direito de me convocar para esse suicídio, porque aí passa a ser homicídio” (Henrique Raposo, RR).

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/11, n.º 4546, 11 de fevereiro de 2020

Editorial Voz de Lamego: Um Menino que é bênção e luz

Quando uma criança nasce é uma bênção, enche a casa e a família, traz luz e brilho ao lar, enriquece a Igreja e a sociedade, torna viável o futuro da humanidade e possibilita que este mundo seja habitável e possa ser admirado pela beleza com que foi criado por Deus e transformado pela ação humana.

Uma criança que nasce deveria ser uma bênção luminosa.

Mas nem sempre é assim.

Há crianças cujo nascimento acentua desgraças, escuridão e treva, ruturas e pobrezas.

Há crianças que nunca chegarão a nascer, porque incomodariam os pais, seriam mais uma fonte de despesa, de preocupação, de desgaste.

Há um ror de situações problemáticas. Devemos colocá-las na nossa oração e confiá-las ao carinho misericordioso de Deus que é Pai e Mãe (João Paulo I).

Há muitas situações que merecem a nossa atenção, pois são provocação ao nosso compromisso social e político. E temos tantas formas de o fazer: os meios de comunicação social, as redes sociais, o voto, as campanhas a favor da vida, os debates e reflexões públicas, as campanhas de solidariedade (não apenas neste tempo, mas ao longo de todos os segundos do ano) que beneficiarão as pessoas mais frágeis, as instituições que apoiam mães solteiras ou vítimas de violência doméstica, que acolhem crianças desprotegidas ou famílias desgovernadas, dispondo de tempo para o voluntariado e contribuindo com generosidade e, sem recorrer nunca às coscuvilhice, procurar intervir em situações de violência, verbal, física e emocional, maus tratos ou descuido com crianças mas também com pessoas idosas, situações de injustiça e pobreza. Há santos à porta mas, sem o sabermos, por distração ou por pressas nos nossos nadas, também há pobres que precisam de ajuda ou de voz, ou de carinho ou de palavras amigas.

Estamos a ficar velhos. O lugar dos idosos há de ser valorizado, pela sabedoria a comunicar aos mais novos e à sociedade e porque, em todo o caso, estamos cá por eles, porque foi através deles que Deus nos deu a vida.

Estamos a ficar velhos. Sobretudo nas terras do interior e nos países ocidentais. Muitos dos problemas económico-financeiros têm a ver com a falta de crianças e jovens. A população está a morrer, está envelhecida e não se renova. As pessoas que estão em “idade ativa” são cada vez menos em relação às gerações anteriores, além da esperança média de vida ter aumentado muito.

Estamos a ficar velhos. Estamos a morrer. Mas Aquele Menino vem para nos dar vida e vida em abundância (Jo 10, 10). O Papa Francisco tem alertado para um género de egoísmo que nos conduz à morte, a preferência por investir num animal doméstico ao invés de um filho. Até agora, muitos casais tinham apenas um filho, agora há casais que não estão para isso!

Há muitos ponderáveis, mas talvez seja tempo de pensar mais nas pessoas e fazer com que as percentagens económicas sejam para combater desigualdades, criar oportunidades, erradicar a pobreza, proteger a vida, o ambiente.

Ainda não morrermos, ainda há esperança. Que o Deus Menino seja Luz, Bênção e Vida. Santo Natal.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/04, n.º 4539, 17 de dezembro de 2019

Falecimento da Irmã do Pe. Manuel Abrunhosa

Na Sua infinita e benevolente Misericórdia, o Senhor da Vida chamou à Sua presença, no regresso à Casa Paterna, a irmã do reverendo Padre Manuel Adelino Abrunhosa, Pároco in solidum de Santo Adrião de Cabaços e São João Baptista de Moimenta da Beira; Administrador Paroquial do Santíssimo Salvador de Pereiros, de Santa Catarina de Valongo dos Azeites e de São Bartolomeu de Vilarouco; Assistente da Ação Católica, a senhora D. Aida Abrunhosa.

O Senhor Bispo, em seu nome e do presbitério da Diocese de Lamego, a que preside, manifesta as maiores condolências, unindo-se em oração com os familiares, especialmente com o Padre Manuel Abrunhosa, e, na oração, confia esta nossa irmã ao amor de Deus, na eternidade, na esperança da ressurreição em Cristo Jesus.

Funeral na terça-feira, 22 de outubro, em Poço do Canto, pelas 14h30.

Deus lhe conceda o prémio dos justos.

Faleceu Frei Arnaldo Taveira de Araújo, OFM Sacerdote Franciscano

No dia 8 de outubro de 2019, pelas 7h30, no Hospital de Vila Real, faleceu o Frei Arnaldo Taveira de Araújo. Tinha 90 anos de idade, 71 de profissão religiosa e 64 de sacerdócio.

Está depositado em câmara ardente na Igreja do Convento de São Francisco em Lamego, onde foi celebrada Eucaristia pelas 18h00 de hoje (8 de outubro de 2019)

Amanhã, pelas 11h30, serão celebradas Solenes Exéquias de corpo presente, presididas pelo Senhor D. António Couto, Bispo Diocesano, com a presença do Ministro Provincial e dos irmãos. Seguirá, após a Missa, para Calvelo sua terra natal, onde será celebrada Eucaristia às 17h00 e sepultado no cemitério local.

Arnaldo Taveira de Araújo

Nasceu em Calvelo, Ponte de Lima, a 7 de fevereiro de 1929, filho de Manuel José de Araújo e de Maria Virgínia Taveira; tomou hábito a 7 de setembro de 1947, fez a profissão temporária a 8 de setembro de 1948 e a profissão solene a 7 de setembro de 1951 e recebeu a ordenação sacerdotal a 29 de junho de 1955.

No terceiro ano de Teologia, com o Guardião e Reitor do Seminário da Luz, P. José do Nascimento Barreira, ajudou na recuperação da igreja de Telheiras (Lisboa), que se tinha transformado numa carpintaria. Foi o despertar da sua vocação pastoral. Na igreja de Nossa Senhora das Portas do Céu de Telheiras havia de celebrar a Missa Nova a 3de julho de 1955. Após um ano de Pastoral no convento de Varatojo, foi enviado em missão, em final de 1956, para Moçambique e foi colocado na Missão de João Belo (Xai-Xai) a 21 de dezembro de 1956. Em 1961, foi transferido para Mavila (Missão de Santo António de Zavala). Em meados de 1962 foi colocado como Pároco em Santo António da Polana (Lourenço Marques/Maputo). Por ocasião da inauguração da igreja, a 13 de junho de 1963, manifestando uma grande sensibilidade musical e humana, criou o grupo coral dos Pequenos Cantores da Polana, e em 1964 introduziu na paróquia o Escutismo católico.

Após a independência de Moçambique, em 1975, voltou para Portugal. Chegou na véspera do Natal. Em março de 1976, foi colocado na Paróquia da Pontinha, com residência no Seminário da Luz. Em 1979, também na Pontinha, criou um novo Grupo Coral de Pequenos Cantores. Em 1995 foi transferido para Vila Real como Pároco da paróquia de São Pedro.

 

Publicações

Em 2001 publicou “Memórias da Paróquia de São Pedro de Vila Real”. Além de historiar o serviço pastoral dos franciscanos na Paróquia de São Pedro (100 anos ininterruptos), e de Santo António da Araucária, a partir de 15 de dezembro de 1995 até hoje, referiu em particular a criação da Fraternidade Franciscana de Vila Real, que aconteceu em 23 de Maio de 1916, bem como a entrega, à Fraternidade, dos cuidados pastorais da mesma Paróquia, primeiro ao Fr. Domingos Gonçalves Sanches, como Encarregado, a 13 de junho de 1917 e, depois, como pároco, a 3 de janeiro de 1918.

Por ocasião dos 8 séculos de presença franciscana em Portugal e 500 anos da presença dos Franciscanos em Vila Real, Frei Arnaldo Taveira de Araújo brindou-nos com uma publicação sobre a “Vida e ação dos Franciscanos em Vila Real”.

Em 2018 publicou a História dos Franciscanos em Lamego “Vida e ação dos Franciscanos em Lamego” pelos 100 anos de presença na Igreja de São Francisco e um pequeno livro com o título Igreja de São Francisco em Lamego (visita guiada à Igreja de São Francisco, Lamego).

 

Em 30 de setembro de 2013 foi transferido da Fraternidade de Vila Real para a de Lamego, onde viveu e trabalhou até ao fim dos seus dias.

O Senhor lhe dê o eterno descanso.

 

Lisboa, Cúria Provincial, 8 de outubro de 2019

Falecimento do Padre Henrique Paulo da Fonseca | 1936-2019

Padre Henrique Paulo da Fonseca nasceu a 22 de abril de 1936, na paróquia de Santa Margarida de Póvoa de Penela. Filho de Luís Manuel da Fonseca e Maria Rosa Martins, foi criado no seio de uma família cristã junto com mais 9 irmãos.

Depois de completar a instrução primária da sua terra natal, fez a sua formação sacerdotal nos seminários diocesanos de Lamego, Seminário Menor Resende e Seminário Maior de Lamego.

Foi ordenado sacerdote na capela do Semanário Maior de Lamego, a 15 de agosto de 1959, pelas mãos do Bispo de Lamego, D. João da Silva Campos Neves, junto com mais 6 colegas de curso.

Em setembro de 1959 foi nomeado pároco das paróquias de Horta do Douro e Numão, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, e posteriormente da paróquia dos Pereiros, do concelho de São João da Pesqueira. Paroquiou também temporariamente a paróquia de Custóias, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, e de Vilarouco, no concelho de São João da Pesqueira.

Nestas paróquias do Alto-Douro vinhateiro ofereceu e gastou a sua vida sacerdotal, como pastor e pároco, junto dos seus paroquianos ao longo de 54 anos.

Foi o grande responsável pela construção da nova igreja paroquial da Horta do Douro, cuja primeira pedra foi benzida a 10 de março de 1976 e sagrada pelo bispo de Lamego D. António de Castro Xavier Monteiro, a 15 de agosto de 1984 e das construções das residências paroquiais da Horta e de Numão.

O papa Bento XVI, no ano de 2009, ano das suas bodas de ouro sacerdotais, nomeou-o Monsenhor com o título de Capelão de Sua Santidade.

Jubilou-se das funções paroquiais em setembro de 2013, regressando para a sua terra natal, para junto da sua família onde colaborou na vida paroquial.

Acompanhou-o sempre a sua irmã Utília de Nazaré Sousa Fonseca, que com ele viveu o seu sacerdócio até aos momentos finais da sua vida.

Faleceu no dia de 10 de agosto 2019, no Centro Pastoral da diocese de Viseu, onde viveu o último ano da sua vida com a idade 84 anos.

Exéquias…

O seu corpo estará em câmara ardente na Capela do Centro Pastoral de Viseu, a partir das 15 horas.

Amanhã, a partir das 13 horas, estará em câmara ardente na Igreja da Paróquia de Numão, onde será celebrada Eucaristia de corpo presente, pelas 16 horas. No final, o seu corpo será levado para a sua terra natal, Póvoa de Penela.

Ficará em câmara ardente na Igreja Matriz, onde, pelas 20 horas, será celebrada Eucaristia de corpo presente.

A Eucaristia exequial será na próxima segunda-feira, pelas 11 horas, presidida pelo bispo da Diocese de Lamego, D. António Couto, indo a sepultar no jazigo da família no cemitério da Paróquia de Póvoa de Penela.

Paz à sua alma.

Pe. Luciano Moreira