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Falecimento do Pe. Manuel Pinto Almeida

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia Infinita, chamou à Sua presença, na eternidade, o Pe. Manuel Pinto Almeida.

Natural da Panchorra, concelho de Resende, onde nasceu em 3 de dezembro de 1938. Foi ordenado sacerdote a 15 de agosto de 1961. Foi durante alguns anos responsável da Casa de São José, onde passou os últimos meses agora em regime de Lar, mas igualmente sob a tutela da Diocese de Lamego.

Na segunda-feira será celebrada Missa Exequial na Igreja da Graça, em Lamego, pelas 11h00, e seguirá para a Panchorra, onde será celebrada também Eucaristia com o corpo presente, sendo sepultado no cemitério local.

O Senhor Bispo, D. António Couto, em comunhão com todo o presbitério e com a Diocese de Lamego, manifesta aos familiares e amigos do Pe. Manuel as suas condolências, agradecendo o dom da sua vida e da sua vocação e ministério sacerdotais, confiando-o nas mãos de Deus Pai, Senhor da Vida e da Morte.

Que Deus lhe conceda o eterno descanso.

Editorial Voz de Lamego: a vida a partir do fim

O futuro a Deus pertence. Podemos vislumbrar o dia de amanhã, com a incerteza, o mistério e a surpresa que é sempre o futuro, mas a nossa vida daqui a 10 anos, ou daqui a 20, 30, 40 anos, a partir da nossa morte, do nosso fim biológico/terreno (ou mesmo a partir da eternidade de Deus) torna-se uma tarefa árdua, mas não deixa de ser uma provocação.

Num retiro do Seminário, o D. João Evangelista Salvador, então sacerdote da Diocese de Coimbra e atual Bispo de Angra, ao testemunhar o dom da sua vocação, as dúvidas e incertezas, e o que o levou em definitivo a avançar foi uma conversa com um irmão que o convidou a ver-se no futuro e a olhar a vida desde o fim. O mesmo exercício nos foi proposto. Chegado ao fim da vida, ao olhar para trás, o que gostaria de ter sido, o que gostaria de ter feito, que escolhas teria realizado. Ver-se a partir de Deus, do Definitivo, do Eterno, olhar através dos olhos de Deus, para toda a vida passada (ainda por viver). Chegou à conclusão, vendo a partir do fim, que gostava de viver numa lógica de Infinito, as realidades últimas. Todas as escolhas humanas são dignas, cada pessoa há de seguir o caminho que mais o aproxima de Deus. Ele sentiu que a vida que mais o colocava nas realidades últimas, era a opção pelo sacerdócio ordenado.

São Francisco de Borja acompanhou o corpo de D. Isabel de Portugal para a sepultura real, em Granada. A rainha era adulada por uma beleza inigualável, mas na morte, diante do cadáver, já em decomposição, ficou chocado com algo comum a todos as pessoas: a degradação física e a fealdade da morte biológica. Decidiu “não servir nunca mais a um senhor que pudesse morrer”. Viria a tornar-se santo. Olhou a vida a partir do fim, neste caso, o fim terreno e mortal da Imperatriz Isabel.

Este era o Editorial pensado para esta semana, semana em que o Senhor da Vida chamou a Si a minha querida Mãe e, obviamente, também isso me faz olhar a vida a partir do fim duma forma mais emotiva, sabendo que o tempo vai deixando pelo caminho pessoas que fazem parte da nossa vida, confiando-as ao verdadeiro e eterno Fim, para que se tornem ainda mais próximas. Oportunidade também, neste espaço, para agradecer a oração, a amizade e a comunhão de todos os quiseram fazer-se próximos e que confiaram a minha Mãe à Mãe do Céu. Que o Deus do Fim e de todos os começos e recomeços nos conceda a alegria e a paz, a luz e o amor, e nos faça amar os que Ele ama infinitamente e servi-los de todo o coração.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/01, n.º 4487, 27 de novembro de 2018

Editorial Voz de Lamego: Mês das almas, da ressurreição e da vida

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As nossas comunidades cristãs continuam a cadenciar o tempo, dias e meses, com dedicações especiais, mês do Sagrado Coração de Jesus e mês de Maria, mês do Rosário e das Missões, novenas aos padroeiros, à Imaculada Conceição e ao Menino Jesus. Em novembro, a dedicação começa nos santos e situa-nos de imediato nos nossos familiares e amigos que já partiram para a Casa do Pai, onde repousam, glorificando a Deus, em alegria plena e definitiva e para onde um dia também nós seremos levados.

A memória agradecida compromete-nos com os nossos antepassados. Há que viver bem o tempo presente e fazer com que valha a pena o que nos deixaram em herança, sobretudo o que nos ensinaram a ser.

Para alguns, o cemitério é o definitivo, a última morada. Pronto, acabou. Não há mais nada a fazer. Se tivesses vivido antes! Aproveitemos enquanto há tempo, depois a escuridão, a morte, o esquecimento para sempre. As palavras, contudo, parecem ser uma fuga, um apelo, um desejo de que não seja verdade o que verbalizam, esperança que haja ainda alguma coisa, a oportunidade para um novo encontro. Mesmo para aqueles em que prevalecem as dúvidas, o cemitério é um desafio, uma provocação, para aproveitar o tempo para o que lhes faz bem e os faz sentir ligados aos outros, amanhã pode ser tarde!

Há animais de estimação que voltam aos lugares onde foram “mimados” pelos donos, alguns deitam-se durante horas e dias onde sentem o cheiro do dono. Há mesmo alguns animais que definham com a morte dos donos e acabam também por morrer! Então, voltar ao cemitério, ainda que por um dia ao longo do ano, faz-nos sentir agradecidos por aqueles que nos fizeram bem e que marcaram a nossa vida.

Para nós cristãos, porém, há de prevalecer a esperança na vida eterna, a fé na ressurreição dos mortos, a certeza de que os que morrem em Cristo, com Cristo ressuscitarão. Aliás, já fomos introduzidos na ressurreição de Jesus pelo Batismo. Na água e no Espírito Santo, tornámo-nos novas criaturas, partícipes da vida divina. Cabe-nos, ao longo da nossa vida, fazer transparecer a beleza e a bondade de Deus, para que não estranhemos o momento em que tivermos de nos encontrar em definitivo com Jesus Cristo. Por conseguinte, o mês das almas, a Eucaristia pelas almas do Purgatório, pregões ou padre-nossos, responsos, remetem-nos para a ressurreição, a de Cristo e a nossa, para a vida que será eterna, mas que inicia já, no serviço aos irmãos.

Numa das comunidades que me está confiada, Pinheiros, a Visita Pascal também se faz no Cemitério, rezando por aqueles cujo corpo ali foi depositado, partilhando o anúncio da ressurreição de Jesus, professando a fé que se encontram vivos e ressuscitados junto de Deus.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 88/47, n.º 4484, 6 de novembro de 2018

Falecimento da Mãe do Pe. Carlos Carvalho

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Senhor da vida e da morte, Deus chamou à Sua presença a Sra. D. Ermelinda de Jesus Rodrigues, Mãe do reverendo Pe. Carlos Manuel Rodrigues de Carvalho, Pároco de Antas (São Miguel), de Aveloso (Nossa Senhora do Pranto), da Beselga (Santa Cruz), de Ourozinho (Senhora da Assunção), de Prova (São João Baptista), de Seixo (Santa Maria Madalena) e de Sernancelhe (São João Baptista).

O Senhor Bispo de Lamego, D. António Couto, em nome do Presbitério de Lamego que encabeça e da Diocese de Lamego a que preside no pastoreio, manifesta a comunhão com o reverendo Padre Carlos e com os restantes familiares e amigos, confiando a D. Ermelinda à misericórdia benevolente de Deus Pai.

O funeral realizar-se-á no sábado, 13 de outubro, pelas 10h30, na Igreja Paroquial do Souto.

Unimo-nos em oração ao Pe. Carlos e, com  fé na ressurreição, confiamo-la a Deus na eternidade.

Falecimento do Padre Manuel Augusto da Costa Pinto

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia Infinita, chamou à Sua presença, o nosso irmão sacerdote Pe. Manuel Costa Pinto.

Nasceu a 7 de maio de 1928.

Foi ordenado Sacerdote a 22 de dezembro de 1964.

O Senhor Bispo, D. António Couto, em comunhão com o seu presbitério e com toda a Diocese de Lamego, reza ao Senhor por este irmão sacerdote, agradecendo a Deus o dom da sua vida e do seu ministério sacerdotal, na esperança da sua ressurreição em Cristo Jesus, até àquele dia em que também nós seremos chamados para a Sua morada eterna.

Aos familiares e amigos, a comunhão na dor, na oração e na fé.

A celebração da Santa Missa, de corpo de presente, é neste Domingo, pelas 17h00 na Igreja Matriz de Cetos, Zona Pastoral de Castro Daire.

Que o Deus da Vida lhe conceda a vida eterna.

RELEVÂNCIA E PRESENÇA | Editorial Voz de Lamego | 5 de junho de 2018

RELEVÂNCIA E PRESENÇA

A recente votação parlamentar “adiou” a legalização da eutanásia, já que os seus promotores não descansarão enquanto não puderem inscrever mais esse “avanço” na legislação portuguesa. Tal como na questão do aborto, o tema voltará à ordem do dia e os “arautos do progresso” inscreverão mais essa página na história lusa.

A este propósito, e a par dos defensores de tal prática, muitas foram os portugueses que se fizeram ouvir apelando ao “não”. E se noutros tempos caberia, maioritariamente, aos bispos e padres tal apelo, a verdade é que se ouviram outras vozes e se viram outros rostos nas manifestações concretizadas. O facto mostra que a Igreja cresceu, dando vez e voz a quem não é ministro ordenado, proporcionando aos fiéis leigos afirmarem-se como sujeitos.

Num tempo marcado pelo fim da cristandade e consequente perda de relevância da Igreja no debate público, saúda-se e sublinha-se a aparição de vozes formadas e informadas que enriquecem o debate e, de alguma forma, podem colmatar a ausência da hierarquia, tantas vezes ignorada pelos grandes meios de comunicação.

A Igreja sabe e assume que a perda de relevância no debate, a ausência do convite ou a invisibilidade a que, involuntariamente, é muitas vezes votada em nada diminuem a sua determinação em permanecer fiel ao Senhor, cumprindo a missão de anunciar o Evangelho, servir a humanidade e ser “sacramento de salvação”.

Porque enquanto a Igreja estiver disponível para servir, acolher, escutar, ocupar-se dos mais frágeis, marcar presença nos lugares não cobiçados… a Igreja permanecerá.

É verdade que a Igreja pode ter perdido a relevância de outros tempos, mas para ser fiel Àquele que a fez nascer será sempre mais importante estar presente, promovendo e defendendo a dignidade de todos.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/27, n.º 4464, 5 de junho de 2018

EUTANÁSIA – PSEUDO-AVANÇO | Editorial Voz de Lamego | 29 de maio

EUTANÁSIA – PSEUDO-AVANÇO

Os deputados eleitos pelos portugueses para os representarem na Assembleia da República discutem e votam, hoje, propostas legislativas destinadas a legalizar a prática da eutanásia, assumida  como prioridade por alguns desses eleitos.

A sociedade actual lida mal com a velhice, esconde a morte e detesta estar dependente e perder a autonomia. A idade provoca limitações físicas e a perda de faculdades, as rugas não poderão ser continuamente disfarçadas e a eficiência deixará a desejar. Como continuar a viver numa sociedade que privilegia o individualismo e a eficácia? Como aparecer com as marcas da idade quando o aspecto físico é tão valorizado? Em que alturas da vida ou em que circunstâncias uma vida perde dignidade?

Por outro lado, o culto da liberdade individual (autonomia que não tolera a presença do Outro) leva a querer deixar a cada um a decisão de antecipar a morte. Mas poderá alguém gravemente doente ou afectivamente abandonado ser totalmente livre para antecipar o fim?

Certamente que ninguém poderá ser obrigado a solicitar tal acto, mesmo que legalmente possível, e que os profissionais de saúde poderão evocar reservas de consciência. Mas, como noutras vezes, não faltarão pedidos para morrer nem voluntários para satisfazer tais vontades.

Opiniões contra e a favor têm sido expressas por muitas pessoas, com toda a legitimidade. Como crentes, sabemos que a vida é um dom recebido e que em todos os momentos da vida não estamos sós, porque estamos na mão de Deus. Assim, viver a vida toda é louvar o seu Criador e assumi-la em todos os momentos um acto de gratidão e fidelidade.

Desconhecendo o desfecho da votação, mas esperando que tal iniciativa não venha a ter sucesso, será, no entanto, de esperar que os seus proponentes não desistirão facilmente e tudo farão para concluir mais um “pseudo-avanço civilizacional”.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/26, n.º 44592, 29 de maio de 2018