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VIDA CONSAGRADA > Ano de gratidão, paixão e esperança

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Desde o I Domingo do Advento do presente ano litúrgico (30 de Novembro de 2014) e até ao Dia do Consagrado de 2016 (02 de Fevereiro), a Igreja vive o Ano da Vida Consagrada. Sabemos que todos os baptizados são consagrados ao Senhor, mas neste ano olhamos, sobretudo, para todos quantos se consagraram a Deus com os votos de pobreza, castidade e obediência. No nosso jornal, hoje e em muitas outras edições, queremos fazer eco desta iniciativa eclesial, dando graças a Deus por este dom, procurando apresentar e divulgar a realidade da Vida Consagrada na nossa diocese.

Os consagrados são um dom para a Igreja, mas também uma graça para a Humanidade: pela oração que continuamente dirigem ao Pai, pelo anúncio evangélico que transmitem e pelo testemunho que não cessam de protagonizar. E se dúvidas persistem bastará abrir os olhos e contemplar o percurso e os feitos de tantos e tantas que, animados por carismas recebidos, viveram “fazendo o bem”. E rapidamente concluiremos que o mundo ficaria mais pobre sem a sua oração, o seu apostolado e a sua caridade.

Contexto

Perto do fim de Novembro de 2013, no final de um encontro com os Superiores gerais, o Papa Francisco anuncia a sua intenção de dedicar 2015 à vida consagrada. Para esta decisão terão contribuído alguns factores:

– os 50 anos (2014) da Constituição Lumen Gentium (Sobre a Igreja) do Concílio Vaticano II, cujo capítulo VI é dedicado aos Religiosos;

– os 50 anos (2015) do Decreto Perfectae Caritatis, do mesmo concílio, sobre a Vida Religiosa;

– o facto de termos um Papa oriundo de uma família religiosa, também ele um consagrado;

– dar visibilidade a esta realidade eclesial, divulgando carismas e propondo estilos de vida actuais;

– o assinalar dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa d’Ávila;

– sublinhar a importância e o contributo da Vida Consagrada na evangelização sempre a fazer-se.

Uma solene vigília de oração presidida pelo Papa, na Praça de S. Pedro, no dia 29 de Novembro último marcou o início deste ano que ficará marcado por diversas iniciativas.

Contributos

Após o anúncio papal, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica publicou uma Carta, uma circular, no dia 02 de Fevereiro de 2014, intitulada “Alegrai-vos”. Ali se sublinha a importância do testemunho num tempo nem sempre fácil e numa sociedade nem sempre acolhedora, na certeza de que a alegria verdadeira vem de Deus e que o encontro com Ele anima e provoca movimento. Um testemunho e uma missão que passam, quase sempre, por “levar o sorriso de Deus” aos homens, promovendo uma proximidade que gera encontro e contribui para que o outro também se aproxime de Deus.

A mesma Congregação publicou uma segunda Carta, no dia 08 de Setembro de 2014, intitulada “Perscrutai. Aos Consagrados e Consagradas no caminho dos sinais de Deus”. Mais uma vez, o convite para escutar, porque só quem escuta é capaz, depois, de anunciar profeticamente, por palavras e em gestos, a fé que o anima e o Deus que o chama. E lembra a todos que a fraternidade é um “lugar teologal”, exemplificando com a parábola do Bom Samaritano que observa, se aproxima e cuida, exemplificando uma “paixão pela humanidade” que a ninguém deve ficar indiferente. Mas a Carta não deixa de ter presentes as dificuldades. Procurando animar os destinatários, recorda a viagem do Povo de Deus pelo deserto e as dificuldades do profeta Elias. Estes dois ícones bíblicos lembram a contínua presença de Deus junto do seu Povo, quer na nuvem quer na brisa, guiando, fortalecendo, alimentando…

Os bispos portugueses tornaram pública, no dia 13 de Novembro de 2014, uma Nota Pastoral sobre o Ano da Vida Consagrada, intitulada «Chamados a levar a todos o abraço de Deus», fórmulas de Oração dos Fiéis para todo o ano e outras sugestões a ter em conta em todas as dioceses e Institutos. Também se assumiu que o Ano do Consagrado terminará em Fevereiro de 2016 com uma grande Peregrinação Nacional a Fátima.

Na festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo, 21 de Novembro de 2014, o Papa Francisco endereçou uma Carta Apostólica “às pessoas consagradas para proclamação do Ano da Vida Consagrada.

Objectivos

Na referida Carta, o Papa apresenta três objectivos para o Ano da Vida Consagrada, que aqui se apresentam resumidamente e que motivarão, em breve, outros artigos:

– olhar com gratidão o passado, para contemplar a acção de Deus, recordar os inícios e o desenvolvimento histórico de cada família carismática;

– viver com paixão o presente, escutando o que o Espírito diz hoje à Igreja e fomentando a comunhão;

– abraçar com esperança o futuro, sem esconder as dificuldades, mas vigilantes e cheios de esperança n’Aquele em quem pusemos a confiança.

O Papa apresenta, em seguida, as suas expectativas quanto a esta iniciativa, ao mesmo tempo que apresenta os destinatários, o horizonte, do presente Ano.

Pe. Joaquim Dionísio, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4295, ano 85/08, de 6 de janeiro de 2015

ANO DA VIDA CONSAGRADA

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Visibilidade e reconhecimento a um estilo de vida cristão

A Igreja Católica começou, no passado sábado, a assinalar o Ano da Vida Consagrada, convocado pelo Papa Francisco, com uma vigília de oração em Roma, sob a presidência do responsável pelo setor na Cúria Romana, cardeal João Braz de Aviz. A iniciativa decorre nos 50 anos da publicação do decreto do Concílio Vaticano II sobre a Vida Consagrada, ‘Perfectae caritatis’, e foi explicada aos religiosos de todo o mundo pelo próprio Papa, através de uma carta apostólica publicada na sexta-feira.

O cardeal brasileiro D. João Braz de Aviz referiu à Rádio Vaticano que Francisco convida os consagrados da Igreja Católica a reforçarem a sua identidade de “discípulos de Jesus”, voltando à intuição dos “fundadores e fundadoras” das ordens e congregações, “com os olhos abertos ao diálogo com o mundo”.

O presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) encara a celebração do Ano da Vida Consagrada como uma hipótese dos consagrados e consagradas mostrarem à sociedade a força que continua a marcar a sua missão, mesmo no meio de muitos desafios e dificuldades.

De acordo com a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, da Santa Sé, a média de abandonos dentro das ordens religiosas e seculares é atualmente de 3 mil por ano. A falta de vocações, realça o padre Artur Teixeira, tem feito com que muitos olhem para a Vida Consagrada como uma “espécie” em “extinção” e deve sem dúvida “questionar profundamente” os religiosos e religiosas acerca da sua “fidelidade ao Evangelho”.

O padre David Sampaio, docente de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa, recorda, no dossier publicado na mais recente edição do Semanário ECCLESIA, que a Vida Consagrada é “uma forma de vida cristã que se reporta aos primeiros séculos do cristianismo”. Já o padre Manuel Morujão, jesuíta, refere na mesma publicação que “desde os começos da Igreja, houve homens e mulheres que, pela prática dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, procuraram seguir mais de perto a Cristo no seu estilo original de vida”. A irmã Maria de Fátima Magalhães, da Companhia de Santa Teresa de Jesus, escreve por sua vez que a Vida Consagrada “será sempre um dom, uma ‘boa notícia’ para a Igreja e para o mundo. O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, viu a sua vocação crescer dentro da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, onde fez os primeiros votos e foi mais tarde ordenado sacerdote a 12 de junho de 1977. Para o prelado natural de Trás-os-Montes, “ser consagrado é a realização de uma vocação batismal” e também “uma opção pessoal, em resposta a um apelo que se sente como cristão”.

“A Vida Consagrada não é muito falada. Nós falamos com crianças e elas não sabem o que é, quando na realidade a consagração é uma presença fundamental para a Igreja”, sublinha à Agência ECCLESIA o padre Miguel Ribeiro, missionário espiritano de 37 anos, religioso desde 2006.

O Papa Francisco propôs que a Igreja Católica vivesse um tempo, até 2 de fevereiro de 2016, em que a ação dos consagrados, religiosos e leigos consagrados, estivesse no centro, dando testemunho, “com diferentes carismas e espiritualidades”, de um trabalho realizado em prol de “uma sociedade mais justa e fraterna”.

Leiga consagrada, pelo Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Elizabete Puga reconhece que o serviço realizado por pessoas que “mantêm a sua profissão e estão inseridas na sociedade, vivendo os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência” causa estranheza.

Rosário Virgílio, presidente da CNISP (Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal), deseja que este ano “contribua para um maior conhecimento desta vocação”, a secularidade consagrada, e que se “deixe de identificar vida consagrada com a vida religiosa”.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014

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Abertura ANO DA VIDA CONSAGRADA | Mensagem do SANTO PADRE

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Papa apela a deixar o aconchego e ir às periferias

O Papa Francisco enviou uma vídeo-mensagem para os participantes da Vigília de Oração realizada na Basílica Santa Maria Maior na noite de sábado, 29, véspera da abertura do Ano da Vida Consagrada. Eis a íntegra da mensagem.

 “Queridos irmãos e irmãs,

Mesmo se distante fisicamente por motivo do meu serviço à Igreja universal, me sinto intimamente unido a todos os consagrados e às consagradas no início deste ano que quis fosse dedicado à vida consagrada.

Saúdo com afeto todos os membros da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e todos aqueles que estão presentes na Basílica Santa Maria Maior, sob o terno olhar da Bem-aventurada Virgem Maria Salus Populi Romani, para esta Vigília de Oração.

Com vocês saúdo também todos os consagrados e as consagradas que vivem e trabalham no mundo. Nesta ocasião as minhas primeiras palavras são de gratidão ao Senhor pelo dom precioso da vida consagrada à Igreja e ao mundo. Que este ano da Vida Consagrada seja uma ocasião para que todos os membros do povo de Deus agradeçam o Senhor, do qual provém todo bem, pelo dom da vida consagrada, valorizando-a de maneira conveniente. A vós, queridos irmãos e irmãs consagrados, vai igualmente a minha gratidão por aquilo que sois e fazem na Igreja e no mundo. Que este seja um “tempo forte” para celebrar com toda a Igreja o dom da vossa vocação e para reavivar a vossa missão profética.

Repito-vos também hoje o que vos disse outras vezes: « “Despertai o mundo” Despertai o mundo” ». Como? Colocando Cristo no centro de vossa existência. Sendo norma fundamental de vossa vida «seguir Cristo como é ensinado no Evangelho» (Perfectae caritatis, 2), a vida consagrada consiste essencialmente na adesão pessoal a Ele. Busquem, queridos consagrados, Cristo constantemente, busquem a sua Face, que Ele ocupe o centro de vossa vida de modo a serem transformadas em «memória viva do modo de existir e de agir de Jesus, como Verbo Encarnado diante do Pai e diante dos irmãos » (Vida consagrada, 22). Como o apóstolo Paulo, deixai-vos conquistar por Ele, assumam os seus sentimentos e a sua forma de vida (cfr ibid., 18); deixai-vos tocar pela sua mão, conduzir pela sua voz, apoiar pela sua graça (cfr ibid., 40).

Vida Consagrada

E com Cristo, partam sempre do Evangelho. Assumam-no como forma de vida e traduzam-no em gestos quotidianos marcados pela simplicidade e pela coerência, superando assim a tentação de transformá-lo em uma ideologia. O Evangelho conservará jovem a vossa vida e missão, e as tornará atuais e atraentes. Que o Evangelho seja o terreno sólido onde avançar com coragem. Chamados a ser «exegeses vivas» do Evangelho, seja este, queridos consagrados, o fundamento e a referência última de vossa vida e missão. Saiam de vossos aconchegos em direção às periferias do homem e da mulher de hoje! Por isto, deixai-vos encontrar por Cristo. O encontro com Ele vos impelirá ao encontro com os outros e vos levará em direção aos mais necessitados, aos mais pobres. Ides às periferias que aguardam a luz do Evangelho (cf. Evangelii gaudium, 20). Habitem as fronteiras. Isto vos exigirá vigilância para descobrir as novidades do Espírito; lucidez para reconhecer a complexidade das novas fronteiras; discernimento para identificar os limites e a maneira adequada de proceder; e imersão na realizade, “tocando a carne sofredora de Cristo no povo” (ibid.,24).

Queridos irmãos e irmãs: diante de vós se apresentam muitos desafios, mas eles existem para serem superados. “Sejamos realistas, mas sem perder a alegria, a audácia e a dedicação plena de esperança! Não deixemos que nos roubem a força missionária” (ibid., 109).

Que Maria, mulher em contemplação do mistério de Deus no mundo e na história, mãe diligente em ajudar com prontidão os outros (cfr Lc 1, 39) e por isto modelo de todo discípulo missionário, nos acompanhe neste Ano da Vida Consagrada que colocamos sob seu olhar materno.

A todos vocês participantes da Vigília de Oração na Santa Maria Maior e a todos os consagrados e as consagradas, concedo de coração a minha Bênção e vos peço, por favor, para rezarem por mim.

Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde”.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014

Vigília do Consagrado

2013.01.02 VigiliadoConsagrado

No próximo dia 02 de Fevereiro, o Secretariado Diocesano das Vocações em parceria com o Grupo de Jovens da Paróquia da Sé, na cidade de Lamego, promovem uma Vigília de Oração para assinalar o Dia do Consagrado.

«O estado de vida consagrada aparece como uma das maneiras de viver uma consagração «mais íntima», radicada no Baptismo e totalmente dedicada a Deus. Na vida consagrada, os fiéis propõem‑se, sob a moção do Espírito Santo, seguir Cristo mais de perto, entregar‑se a Deus amado acima de todas as coisas e, procurando a perfeição da caridade ao serviço do Reino, ser na Igreja sinal e anúncio da glória do mundo que há-de vir.» (Catecismo, 916)

O Sr. D. António Couto presidirá a esta Vigília de Oração, que visa promover um maior empenho e generosidade de todos os fiéis para corresponder ao chamamento de Cristo.