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Posts Tagged ‘Viagem Apostólica’

Horários da Peregrinação de Francisco a Fátima

Francisco passa 22 horas em Portugal, com três celebrações na Cova da Iria, encontros privados com autoridades políticas e bispos católicos.

O Vaticano divulgou hoje o programa oficial da “peregrinação” do Papa Francisco a Portugal, nos dias 12 e 13 de maio, por ocasião do Centenário das Aparições.

A viagem vai começar às 14h00 de Roma (menos uma em Lisboa), no aeroporto de Fiumicino, seguindo o voo papal para a Base Aérea de Monte Real, onde tem chegada previstas para as 16h20 locais.

Ainda em Monte Real decorre a cerimónia de boas-vindas e, às 16h35, um encontro privado com o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa.

Às 16h55, Francisco vai fazer uma visita à Capela da Base Aérea, onde rezaram Paulo VI (1967) e João Paulo II (1991). Ler mais…

ENCONTRO ECUMÉNICO | Editorial Voz de Lamego | 16 de fevereiro

12/02/2016- Havana, Cuba- Encuentro de Francisco y Kirill en La Habana. Foto: Ismael Francisco/ Cubadebate

Havana, Cuba – Encontro de Francisco e Kirill

A edição desta semana da Voz de Lamego é publicada no decorrer da Viagem Apostólica do Papa Francisco ao México, tendo feito escala em Cuba, onde se encontrou com o Patriarca ortodoxo Cirilo, de Moscovo. É a partir deste encontro que o Pe. Joaquim Dionísio reflete connosc

o sobre o ecumenismo, com a força primeira na oração, respondendo à própria oração de Jesus: “Que todos sejam Um”.

Muitos outros motivos há para ler o Jornal da Diocese de Lamego, notícias da diocese, encontros de formação, festa do Seminário de Resende, a vivência do Ano de Vida Consagrada na Diocese, mensagem da Presidente da Cáritas Diocesana de Lamego para a Semana Nacional Cáritas, entrada dos novos párocos de Sernancelhe e Sarzeda; notícias da Diocese e da Região, e diferentes reflexões. Boa leitura e continuação de boa semana.

ENCONTRO ECUMÉNICO

A ilha de Cuba foi o local escolhido para um encontro histórico e ecuménico entre o Papa Francisco e o Patriarca ortodoxo Cirilo, de Moscovo. O Espírito continua a surpreender quando o homem se deixa surpreender!

A oração do Senhor pela unidade dos seus discípulos não privou estes da liberdade e de opções contrárias à unidade querida. Já S. Paulo condenava as divisões na comunidade cristã de Corinto e são vários os relatos de cismas ao longo da história da Igreja, alguns causados por heresias e outros por questões disciplinares (desobediência). Quem não se lembra do cisma provocado pelos seguidores de Mons. Lefebvre ao recusarem as reformas do concílio Vaticano II?

Apesar da excomunhão mútua (Roma e Constantinopola) ter acontecido em 1054, a verdade é que a separação foi consequência de um processo que se arrastou por vários séculos. O imperador Justiniano (527-565) organizou a Igreja em cinco “patriarcados”: Roma, Constantinopola, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Mas já antes, no termo do Concílio de Calcedónia (451), se haviam reconhecido à Igreja de Constantinopola os mesmos direitos que à Igreja de Roma, num decreto que o Papa nunca ratificou. Mas a liturgia e o direito evoluíram de modo diferente entre gregos e latinos, a que se juntaram algumas questões teológicas (filioque) e outras mais terrenas (políticas). A ideia de separação foi crescendo e consumou-se com o Patriarca Miguel Cerulário.

O afastamento cresceu e a própria Igreja do Oriente se desmembrou em Igrejas autocéfalas (russa, sérvia, grega, búlgara…), não reconhecendo nenhuma delas outra autoridade senão a do seu chefe. E foi com o Patriarca de uma destas Igrejas, a da Rússia que o Papa se encontrou.

O encontro permite manter viva a esperança de uma unidade possível e desejada, obedecendo ao Senhor: “Que todos sejam um”.

in Voz de Lamego, ano 86/13, n.º 4350, 16 de fevereiro de 2016

Papa Francisco: Ódio e violência em nome de Deus

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Quase a terminar a sua viagem, o Papa Francisco encontrou-se com a comunidade muçulmana, na Mesquita Central de Koudoukou, em Bangui, República Centro Africana. O Papa sublinhou as ligações de fraternidade que unem cristãos e muçulmanos e o empenho a que são chamados para se comportarem como tais. Na verdade, “sabemos bem que as violências que abalaram recentemente o vosso país não se fundavam em motivos propriamente religiosos, antes pelo contrário, quem afirma crer em Deus deve ser também um homem ou uma mulher de paz, e na RCA cristãos, muçulmanos e membros das religiões tradicionais viveram juntos, em paz, durante muitos anos”, disse Francisco, tendo também acrescentado: “Por isso, devemos permanecer unidos, para que cesse toda e qualquer acção que, dum lado e doutro, desfigura o Rosto de Deus e, no fundo, visa defender, por todos os meios, interesses particulares em detrimento do bem comum. Juntos, digamos não ao ódio, à vingança, à violência, especialmente aquela que é perpetrada em nome duma religião ou de Deus. Deus é paz”.

O Papa recordou depois o importante papel dos líderes religiosos cristãos e muçulmanos nestes momentos difíceis para restabelecer a harmonia e a fraternidade entre todos, e citou em particular os gestos de solidariedade que cristãos e muçulmanos tiveram para com os seus compatriotas, mesmo de outras confissões religiosas, durante a crise no País. E em vista às próximas eleições o Papa disse esperar que elas possam dar ao país responsáveis que saibam unir os centro-africanos, tornando-se assim símbolos da unidade da nação em vez de representantes duma facção.

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Resistir à guerra e à divisão

Foi depois da Missa na Catedral de Bangui e da Solene Abertura da Porta Santa da Catedral, com a qual foi inaugurado o Jubileu da Misericórdia na República Centro-Africana que o Papa deu início à Vigília de Oração com os jovens na noite de domingo, dia 29. O Santo Padre, antes de confessar alguns jovens disse-lhes: “A estrada que vos é proposta neste momento difícil de guerra e divisão é a estrada da resistência. Fugir dos desafios da vida jamais é uma solução. É preciso resistir, ter a coragem para resistir e lutar pelo bem! Quem foge, não tem coragem de dar vida”.

Como podemos resistir? – perguntou. “Antes de tudo: a oração. A oração é poderosa. A oração vence o mal. A oração aproxima-nos de Deus que é Todo-Poderoso. Em segundo lugar: trabalhar pela paz. A paz não é um documento que se assina e fica na gaveta. A paz faz-se todos os dias. A paz é um trabalho de artesãos, faz-se com as mãos. Faz-se com a própria vida. Não odiar, jamais! Se alguém te faz mal, procure perdoar. Nada de ódio. Muito perdão. Digamos juntos, nada de ódio, muito perdão!”. Ao dizer que estava muito contente por poder encontrar os jovens, Francisco finalizou: “Hoje abrimos esta Porta, isto significa a Porta da Misericórdia de Deus. Confiem em Deus, porque ele é misericordioso. Ele é amor. Ele é capaz de dar a vocês a paz”.

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Divisão é contrária à vontade de Deus

Na tarde de domingo, o Papa foi à Faculdade de Teologia Evangélica da capital da República Centro-Africana, onde encontrou as comunidades evangélicas do país. Francisco incentivou os presentes a continuarem o trabalho e a evangelização num país duramente provado e citou o “ecumenismo de sangue” que une todos os cristãos. Nesse ponto, o Pontífice reiterou mais uma vez que “a divisão dos cristãos é contrária à vontade de Deus”.

“Deus não faz diferença entre aqueles que sofrem. Com frequência, tenho designado isto como o ecumenismo do sangue. Todas as nossas comunidades, sem distinção, sofrem com a injustiça e o ódio cego que o diabo desencadeia… Queridos amigos, a divisão dos cristãos é um escândalo, porque contrária, antes de mais nada, à vontade do Senhor. Mas é também um escândalo perante tanto ódio e tanta violência que dilaceram a humanidade, perante tantas contradições que levantam ao Evangelho de Cristo. Por isso, com apreço pelo espírito de respeito mútuo e colaboração que existe entre os cristãos do seu país, encorajo todos a avançar por este caminho num serviço comum da caridade. É um testemunho prestado a Cristo, que constrói a unidade.

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Igreja não pode viver de memória

A Igreja em Uganda não pode viver de “renda”, deve seguir dando testemunho e ser fiel à memória dos mártires do passado. Esse foi um dos principais apelos que o Papa fez no seu último discurso em Campala, durante o encontro com os religiosos, na catedral da capital ugandense, na noite de sábado, dia 28.

Francisco dividiu sua reflexão em três pontos. Em primeiro lugar, exortou aos religiosos que peçam a graça da memória: “O principal inimigo da memória é o esquecimento, mas não é o mais perigoso. O inimigo mais perigoso da memória é se acostumar a herdar os bens dos maiores. A Igreja em Uganda não pode se acostumar à longínqua recordação dos mártires. Mártir significa testemunho”, destacou o Pontífice. Contudo, para serem testemunhas, o Papa advertiu que é preciso ter fidelidade. “Fidelidade significa fazer o que fizeram os que vieram antes: ser missionários”. Enfatizando que não falava somente aos sacerdotes, mas também aos religiosos, o Papa quis destacar a questão da missionariedade. Por fim, Francisco evocou a oração: “memória significa fidelidade, e fidelidade que somente é possível com a oração. “Oração também significa humilhação, disse o Pontífice. “Se um sacerdote deixa de rezar ou reza pouco, porque diz que tem muito trabalho, já começou a perder a memória e já começou a perder a fidelidade”, alertou Francisco.

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Unidade, dignidade e trabalho

Na República Centro-Africana, na presença das Autoridades e do Corpo Diplomático e diante da Chefe de Estado da Transição, Francisco expressou o seu desejo pelo sucesso das próximas eleições para que o país possa “empreender serenamente uma nova fase da sua história”.

“É como peregrino de paz que venho, e apóstolo de esperança que me apresento. Por isso mesmo, me congratulo com os esforços feitos pelas várias Autoridades nacionais e internacionais, a começar pela Senhora Chefe de Estado da Transição, para guiar o país nesta fase… Para iluminar o horizonte, temos o lema da República Centro-Africana, que reflete a esperança dos pioneiros e o sonho dos pais fundadores: «Unidade – Dignidade – Trabalho». Hoje, mais do que ontem, esta trilogia exprime as aspirações de cada centro-africano e constitui, consequentemente, uma bússola segura para as Autoridades, que têm o dever de guiar os destinos do país. Unidade, dignidade, trabalho! Três palavras densas de significado, cada uma das quais representa seja um canteiro de obras seja um programa nunca concluído, um compromisso a executar constantemente.

Unidade. Um valor fulcral para a harmonia dos povos. Trata-se de viver e construir a partir da maravilhosa diversidade do mundo circundante, evitando a tentação do medo do outro, de quem não nos é familiar, de quem não pertence ao nosso grupo étnico, às nossas opções políticas ou à nossa confissão religiosa. A unidade na diversidade é um desafio constante, que requer criatividade, generosidade, abnegação e respeito pelo outro.

Dignidade. É precisamente este valor moral – sinónimo de honestidade, lealdade, garbo e honra – que caracteriza os homens e mulheres conscientes tanto dos seus direitos como dos seus deveres e que os leva ao respeito mútuo.

Trabalho. É pelo trabalho que podeis melhorar a vida das vossas famílias. São Paulo disse: «Não compete aos filhos entesourar para os pais, mas sim aos pais para os filhos» (2 Cor 12, 14). O esforço dos pais exprime o seu amor pelos filhos. E também vós, centro-africanos, podeis melhorar esta terra maravilhosa, explorando sensatamente os seus abundantes recursos”.

in Voz de Lamego, ano 85/53, n.º 4340, 1 de dezembro

CAMINHO E DIÁLOGO | Editorial da Voz de Lamego | 1 de dezembro

epa05044215 A handout image released by the L'Osservatore Romano press service on 27 November 2015 shows Pope Francis with children during his visit in Nairobi, Kenya, 27 November 2015. Pope Francis is on a six-day African topur that will take him to Kenya, Uganda and the Repulic of Central Africa from 25 to 30 November. (ATTENTION EDITORS: Editorial use only in connection with reporting on the events depicted in the image) EPA/OSSERVATORE ROMANO / HANDOUT HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

A edição desta semana da Voz de Lamego parte da Viagem Apostólica do Papa Francisco à África Central, onde abriu a primeira Porta Santa. O editorial, proposta de reflexão do Diretor, Pe. Joaquim Dionísio parte da Viagem do Papa a África para sublinhar que em muitas regiões do mundo a Igreja é como que um Hospital de campanha, caminhando com os mais pobres. Francisco tem pautado as suas intervenções em diferentes contextos pelo desafio constante da Igreja sair para as periferias ao encontro dos mais pobres.

CAMINHO E DIÁLOGO

Por estes dias, longe do mediatismo europeu e da agenda do hemisfério norte, o Papa Francisco visitou três países africanos: Quénia, Uganda e República Centro Africana. O “homem vestido de branco”, que não chegou para dominar, condenar ou explorar, mas que não esconde o desejo de ir às periferias e se caracteriza pela simplicidade e franqueza, deixou apelos de paz àquelas gentes e renovados convites ao diálogo e ao perdão.

Apesar de discreta e numericamente pouco expressiva em alguns destes países, a presença da Igreja é sinónimo de “hospital de campanha” que caminha com os mais pobres e desfavorecidos, no meio de perseguições e da instabilidade.

A viagem papal não foi imposta pelo tamanho das comunidades católicas, mas pelo desejo de confirmar na fé e de apelar à “força das palavras contra as palavras da força”, levando uma mensagem de paz, de reconciliação e de esperança a países que continuam a ser vítimas de guerras internas e a adiarem a unidade nacional. Há um caminho diferente que torna possível o perdão, a convivência, o respeito pelas diferenças, a integração, o crescimento…

O continente africano continua marcado por lutas étnicas e guerras fratricidas, tantas vezes entre conterrâneos, onde a vontade de dominar e de impor se sobrepõe ao valor e à dignidade da vida humana. Por culpa própria ou por influências nefastas de vizinhos e de interesses instalados, a democracia continua adiada e o poder tarda em ser legitimado pela vontade livre do povo.

Num tempo em que os acontecimentos e as preocupações do norte marcam, e bem, a agenda mundial, a missão da Igreja, pela presença e voz do Papa, passa também pelo dizer aos africanos que podem e devem fazer mais e melhor.

in Voz de Lamego, ano 85/53, n.º 4340, 1 de dezembro

PAPA FRANCISCO e o convite a abrir-se aos milagres do amor

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Na homilia proferida na Missa do encerramento do VIII Encontro Mundial das Famílias, em Filadélfia, no domingo passado, na qual participaram mais de um milhão de fiéis, o Papa exortou os cristãos e as famílias, em particular, a abrirem-se aos milagres do amor, acreditando na ação de Deus que “ultrapassa a burocracia” e os “círculos restritos” e quer que “todos os seus filhos tomem parte na festa do Evangelho”.

O Santo Padre afirmou que Jesus nos diz para não colocarmos obstáculos ao que é bom, mas, pelo contrário, devemos ajudar a crescer. E essa é a “obra do Espírito”, viver a santidade e a felicidade dos pequenos gestos: b“São gestos de mãe, de avó, de pai, de avô, de filho. São gestos de ternura, de afeto, de compaixão. Gestos, como o prato quente de quem espera para jantar, como o café da manhã de quem sabe acompanhar o levantar na alvorada. São gestos familiares. É a bênção antes de dormir, e o abraço ao regressar duma jornada de trabalho. O amor exprime-se em pequenas coisas, na atenção mínima ao quotidiano e que fazem com que a vida tenha sempre sabor de casa. A fé cresce, quando é vivida e plasmada pelo amor. Por isso, as nossas famílias, as nossas casas são autênticas igrejas domésticas: são o lugar ideal onde a fé se torna vida e a vida cresce na fé.”

“Quem dera que cada um de nós se abrisse aos milagres do amor a bem de todas as famílias do mundo, para assim podermos superar o escândalo dum amor mesquinho e desconfiado, fechado em si mesmo, sem paciência com os outros! Deixo-vos uma pergunta: “Na minha casa grita-se ou fala-se com amor e ternura? É uma boa maneira para medir o nosso amor.”

Reintegração moral e social

Após o encontro com os Bispos que participam do VIII Encontro Mundial das Famílias em Filadélfia, provenientes de diversos países, o Santo Padre visitou a Prisão Curram-Fromhold, a maior de Filadélfia, com quase dois mil e 800 detidos. O Papa foi recebido pelos responsáveis da penitenciária e pelo capelão, que o acompanharam até o salão, onde estavam reunidos 100 detidos.

O Papa disse visitar aquela prisão como pastor, mas sobretudo como irmão, para rezar com eles e encorajá-los. Por isso, citou a passagem evangélica do lava-pés, um nobre gesto de serviço, de humildade, de vida. Jesus procura curar as nossas feridas, as nossas chagas, a nossa solidão. Ele vem ao nosso encontro para nos dar a vida, a dignidade de filhos de Deus, a fé e a esperança. Na nossa vida, continuou o Pontífice, precisamos sempre de ser purificados e encorajados. Neste período de detenção, de modo particular, é necessária uma mão que ajude a reintegração social, desejada por todos: reclusos, famílias, funcionários, políticas sociais e educativas. Uma reintegração que beneficia e eleva o nível moral de todos. E concluiu: “Quero encorajá-los a manter esta atitude entre vocês e entre todas as pessoas, que de alguma maneira fazem parte deste Instituto. Sejam artífices de oportunidades, artífices de novos caminhos. Todos temos que ser purificados. Despertemo-nos para a solidariedade. Fixemos os olhos em Jesus que nos lava os pés: Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Que a força do seu amor e da sua Ressurreição seja sempre um meio para a vida nova”.

É bom ter sonhos e lutar por eles

Francisco visitou, na sexta-feira, a escola Nossa Senhora Rainha dos Anjos, no bairro do Harlem, em Nova Iorque. Quase 300 crianças receberam o Papa Francisco, que fez um breve discurso. Ao chegar, o Papa brincou: “peço desculpas se ‘roubo’ alguns minutos da aula”. A maioria dos alunos é de filhos de imigrantes latino-americanos e de afro-americanos. “Explicaram-me que uma das bonitas características desta escola – e deste trabalho – é que alguns alunos vieram de outros lugares, até mesmo de outros países”, disse Francisco ao incentivar a vida da grande família que se forma na escola. Ao recordar o reverendo Martin Luther King, cujo nome identifica uma rua próxima à escola, o Papa lembrou da frase imortalizada pelo pastor evangélico: “Eu tenho um sonho”. E concluiu: É bom ter sonhos e lutar por eles. Onde há sonhos, há alegria, aí sempre está Jesus, sempre”.

Superar crise ambiental e social

Depois do histórico discurso no Congresso dos Estados Unidos, em Washington, na sexta-feira o Papa Francisco cumpriu mais uma etapa marcante desta sua viagem ao discursar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Diante de mais de 170 chefes de Estado e de governo, do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, o Pontífice definiu a sua visita como uma continuação daquelas realizadas por seus predecessores: Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. Francisco reconheceu o esforço das Nações Unidas em dar uma resposta jurídica e política às complexas situações mundiais. “Apesar de serem muitos os problemas graves por resolver, todavia é seguro e evidente que, se faltasse toda esta atividade internacional, a humanidade poderia não ter sobrevivido ao uso descontrolado das suas próprias potencialidades”, constatou o Papa.

O Pontífice falou ainda dos órgãos com capacidade executiva real, como o Conselho de Segurança e Organismos Financeiros Internacionais. Estes, todavia, devem velar pelo desenvolvimento sustentável dos países, e não sufocá-los com sistemas de crédito que levam as populações a maior pobreza, exclusão e dependência. “Dar a cada um o que lhe é devido, segundo a definição clássica de justiça, significa que nenhum indivíduo ou grupo humano se pode considerar omnipotente, autorizado a pisar a dignidade e os direitos dos outros indivíduos ou dos grupos sociais.”

Todo o discurso de Francisco foi inspirado nas reflexões propostas em sua Encíclica Laudato si. O Papa reforçou dois direitos: o direito à existência da natureza e os direitos da pessoa humana. “Qualquer dano ao meio ambiente é um dano à humanidade. (…) O abuso e a destruição do meio ambiente aparecem associados com um processo ininterrupto de exclusão. Na verdade, uma ambição egoísta e ilimitada de poder e bem-estar material leva tanto a abusar dos meios materiais disponíveis, como a excluir os fracos e os menos hábeis. A exclusão económica e social é uma negação total da fraternidade humana e um atentado gravíssimo aos direitos humanos e ao ambiente.”

As mulheres na vida da Igreja

É certo que a Igreja nos Estados Unidos tem dado muita atenção à catequese e à educação, mas permanece de pé o desafio de construir alicerces sólidos e promover um sentido de colaboração e responsabilidade compartilhada quando se programa o futuro das paróquias e instituições. E sem descurar a autoridade espiritual, há que valorizar todos os dons que o Espírito concede à Igreja – insistiu Francisco, dizendo que, de modo particular,  isto “significa valorizar a contribuição imensa que as mulheres, leigas e consagradas, deram e continuam a dar à vida das nossas comunidades”.

in Voz de Lamego, ano 85/44, n.º 4331, 29 de setembro

Papa FRANCISCO quer proposta positiva sobre a família e o matrimónio

El papa Francisco habla en el Encuentro Mundial de Familias, en Filadelfia, el sábado 26 de septiembre de 2015. (Foto AP/Matt Rourke, Pool)

Encontro das famílias

O Papa pediu, em Filadélfia, um discurso católico mais centrado na proposta positiva sobre a família, em particular junto dos jovens, que vivem num “medo inconsciente” do matrimónio e da vida conjugal. “Enganar-nos-íamos se interpretássemos a desafeição, que a cultura do mundo atual tem pelo matrimónio e a família, só em termos de puro e simples egoísmo. Há muitos que adiam o matrimónio à espera das condições ideais de bem-estar e, entretanto, a vida é consumida, sem sabor”, afirmou, num encontro com cerca de 300 bispos católicos que participam no 8.º Encontro Mundial das Famílias (EMF), na capela do Seminário de São Carlos Borromeu, em Filadélfia.

A uma semana de dar início a uma nova assembleia do Sínodo dos Bispos, Francisco pediu que os responsáveis católicos concentrem energias “não tanto para explicar uma vez e outra os defeitos da condição atual e os valores do cristianismo”, mas como sobretudo para “convidar com audácia os jovens a ser ousados na opção do matrimónio e da família”.

O Papa admitiu que a cultura contemporânea “empurra e convence os jovens a não formar uma família”, seja por falta de meios, seja por excesso de recursos e comodismo. “A cultura atual parece incentivar as pessoas para entrarem na dinâmica de não se prender a nada nem a ninguém. Não confiar, nem fiar-se”, acrescentou.

Francisco alertou para a tendência, também a nível religioso, de “correr atrás da última tendência”, assumindo que vive um “difícil período de transição”, por causa da “profunda transformação do contexto atual, que incide sobre a cultura social – e lamentavelmente também legal – dos laços familiares”, atingindo crentes e não-crentes. “Indo atrás do que «me agrada», olhando ao aumento do número de «seguidores» numa rede social qualquer, as pessoas seguem a proposta oferecida por esta sociedade contemporânea. Uma solidão com medo do compromisso, numa busca frenética de sentir-se reconhecido”, assinalou.

Face a uma cultura que adquiriu uma “dinâmica competitiva” e transformou a sociedade numa “imensa vitrina multicultural, atenta apenas aos gostos de alguns «consumidores»”, a Igreja não pode “condenar” os jovens por terem crescido neste contexto. “Devemos anematizá-los porque vivem neste mundo? Será necessário ouvirem da boca dos seus pastores frases como estas: «dantes era melhor», «o mundo está um desastre e, se continuar assim, não sabemos como iremos acabar»?”, questionou.

O Papa disse que este discurso de lamento “parece um tango argentino”, desafiando os bispos a, pelo contrário, “procurar, acompanhar, erguer, curar as feridas” dos dias de hoje. “Atrevo-me a dizer que uma das principais pobrezas ou raízes de muitas situações contemporâneas é a solidão radical a que se vêem forçadas muitas pessoas”, insistiu.

Francisco recordou que, sem famílias, a Igreja não existiria, elogiando todos os que, mesmo nas mais “duras provas”, honram as suas promessas e guardam a fé. “Deus nos conceda o dom de uma nova proximidade entre a família e a Igreja. A família é o nosso aliado, a nossa janela aberta para o mundo, a evidência duma bênção irrevogável de Deus”, concluiu o Papa.

in Voz de Lamego, ano 85/44, n.º 4331, 29 de setembro