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Posts Tagged ‘Taizé’

Taizé, um caminho de confiança e alegria

Escrever sobre o que se vivencia em Taizé durante uma semana não é uma tarefa fácil, pois, por um lado, a dimensão e a intensidade do que lá se experiencia não consegue nunca ser traduzida por palavras, faladas ou escritas, e, por outro lado, as expectativas, os anseios, e em consequência, a própria vivência da peregrinação, são tão pessoais que se corre o risco de se apresentar uma visão com um tom demasiado subjetivo no qual nem todos os participantes se revejam. Mas esse é um risco que se corre sempre que comunicamos, seja sobre que assunto for.

Ao partir para Taizé, muitos procuram fazer uma pausa no louco frenesim do mundo, “recarregar baterias” como se costuma dizer, procurar forças renovadas para enfrentar os desafios, ou buscar algo de novo. E também há quem vá em busca de respostas, em momentos difíceis do seu caminho, de como continuar a viver em meio ao sofrimento, até se é possível voltar a amar, ou procure reconfortar a sua fé. Depois de ter vivido Taizé e falado com tantos que lá estiveram, serão raros aqueles que não encontraram nenhuma destas coisas, senão mesmo todas. Julgo que vários aspetos evidentes da dinâmica que se vive em Taizé concorrem para que assim seja, e acho que todos aqueles que lá estiveram os reconhecerão. Ler mais…

Paróquia de Almacave – Peregrinação a Taizé

«Penso que, desde a minha juventude, nunca perdi a intuição de que uma vida em comunidade pode ser um sinal de que Deus é amor. Só Amor. Pouco a pouco, crescia em mim a convicção de que era essencial criar uma comunidade (…) onde a bondade do coração e a simplicidade estivessem no centro de tudo», disse um dia o Irmão Roger, fundador da comunidade de Taizé. Falo de uma pequena aldeia, situada no sudoeste de França, onde todas as semanas se reúnem milhares de pessoas oriundas de mais de 100 países. É uma comunidade ecuménica, que alberga tanto católicos como protestantes e ortodoxos. Porém, todos são convidados a entrar.

É uma grande “colmeia”, cheia de “abelhinhas” dispostas a dar um pouco do seu esforço em prol da comunidade e abertas a acolher a Cristo e aos outros, e a assumir um estilo de vida humilde. Todos dão. Todos recebem. É um perfeito jogo de partilha entre irmãos de culturas e línguas diferentes. Ir a Taizé significa ser convidado a uma procura de comunhão com Deus através de orações comunitárias, de cânticos, do silêncio, da meditação pessoal e da partilha. Também somos convidados à comunhão com os irmãos/monges que vivem em Taizé e fazem desta comunidade a sua casa, e que, por três vezes durante o dia, partilham as suas orações com todas as pessoas da comunidade. Ler mais…

Paróquia de Almacave | Oração pela Paz na Síria

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Vigília de Oração pela paz na Síria

Uma noite calma. Uma cidade segura. Uma igreja, a Igreja de Almacave, a transbordar de uma energia contagiante, a energia que irradia de Jesus Cristo e que a todos irmana no mesmo Amor, o Amor ao Senhor e o Amor a todos aqueles que são nossos irmãos em Deus. Muitos jovens, um numeroso grupo de jovens, o Grupo Almacave Jovem, a que se uniram outros jovens vindos de outras Paróquias. Quiseram estar juntos, unidos na oração, rezando por todos os que sofrem por causa da guerra, em especial na Síria. Na sua segurança, na sua comodidade, unindo-se ao apelo do Papa Francisco, estes jovens não esquecem aqueles que não podem ter noite calmas nem seguras, pela intromissão permanente da guerra e dos horrores que a mesma traz à vida daqueles a quem a mesma é imposta. Sabem que só Deus poderá penetrar no coração dos homens, em especial daqueles que têm responsabilidades na condução das nações e dos povos, para que “olhem para o outro como um irmão e assumam com coragem e decisão o caminho do encontro e da negociação”. Nas preces da comunidade orante, não foram esquecidos os refugiados, em especial as crianças, para que o Senhor faça com que “os governos do mundo saibam olhar com misericórdia este povo torturado”. Os jovens saíram confiantes de que Deus, na sua infinita bondade e misericórdia, atenderá as orações de toda a Igreja e fará descer sobre a Síria a paz, de que tanto precisa. “Dá a paz Deus, dá a paz ò Cristo aos nossos dias”

Esta Vigília de Oração pela paz na Síria seguiu o ritmo da Oração de Taizé. É um tempo de oração, de muito recolhimento, de leitura bíblica, de meditação, de preces, em que os cânticos, repetidos para penetrar profundamente na mente e no coração, assumem o fio condutor na procura de Deus e dos caminhos da nossa vida para Ele. A Oração de Taizé é da responsabilidade do Grupo Almacave Jovem.

Este Encontro acontece todos os meses, no terceiro sábado, a partir das vinte e trinta horas. A Paróquia de Almacave e o Grupo Almacave Jovem convidam à participação de todos na Oração de Taizé.

M.R., in Voz de Lamego, ano 86/43, n.º 4379, 20 de setembro de 2016

TAIZÉ, UM OÁSIS DE PAZ E MISERICÓRDIA

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Em Taizé, tal como se acolhem jovens com idades entre os 15 e os 29 anos, também é possível acolher adultos com mais de 30 anos de idade. Contudo, devido ao grande número de jovens e às condições muito simples de acolhimento que são oferecidas,

os adultos podem participar individualmente ou como casal, levando os seus filhos, ou então em pequenos grupos organizados com o máximo de 7 pessoas. Neste ano em que se celebra a XXXI Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia (Polónia), e pelo facto de um grupo dos nossos jovens participar neste grade acontecimento jubilar para a juventude de todo o mundo, a Paróquia de Almacave organizou a peregrinação anual a Taizé de 31 de julho a 7 de agosto apenas com um grupo de adultos da comunidade paroquial.

Porquê esta aventura de peregrinar até Taizé?

Ir a Taizé é ser acolhido por uma comunidade ecuménica marcada por duas aspirações: avançar numa vida de comunhão com Deus através da oração e assumir a responsabilidade de ser fermento de paz, de confiança e de misericórdia no nosso meio e no mundo em que vivemos. Em Taizé, a oração comunitária, os cânticos, o silêncio e a meditação pessoal podem ajudar a redescobrir e aprofundar a presença de Deus na nossa vida e a encontrar uma paz interior, uma nova razão de viver ou de acreditar profundamente que é possível, um dia, tornar o nosso mundo mais fraterno, sem medos e mais belo para os outros, tal como o sonhou o Irmão Roger, fundador desta comunidade Ecuménica.

Estar em Taizé é fazer a experiência de uma vida simples e pobre, partilhada com os outros sem preconceitos sociais.   A partir daqui, esquecemos um mundo repleto de stress, futilidades e de temores, e encontramos uma comunidade que nos transmite uma paz espiritual difícil de antever. Estar em Taizé é estar num mundo à parte, sem isolamentos. As pessoas que encontramos, sejam de outros países, de outras culturas ou de diferentes confissões religiosas conseguem sempre transmitir alegria, tranquilidade, esperança, fé, paz e simplicidade. Ao contrário do que seria de esperar, a vida em Taizé não é monótona: as orações comunitárias três vezes ao dia são indispensáveis, as reflexões da palavra são enriquecedoras e o trabalho de voluntariado tem sempre a marca do servir o outro. Regressamos sempre à nossa Paróquia com vontade de sermos semeadores da paz e da simplicidade que ali vivemos e recebemos. Mas também com um desejo enorme de voltar a beber da Fonte da Vida que jorra em Taizé.

FS, in Voz de Lamego, ano 86/37, n.º 4373, 26 de julho de 2016

Paróquia de Resende: Partilhar a fé, o testemunho e a oração

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No passado dia 16 de abril, o grupo Almacave Jovem juntou-se a alguns dos jovens da paróquia de Resende para partilharem e mostrarem um pouco das atividades que fazem na sua paróquia.

O início de tarde começou com uma visita ao lar de idosos; fomos percorrendo as diversas salas e cantando algumas músicas. A experiência foi incrível, o brilho nos olhos daqueles idosos era notório. Era como se tivessem recebido um grande presente; alguns choravam quando nos viam chegar, acredito que fosse de alegria; a alegria de saber que estávamos ali para os visitar e para animar um bocadinho o seu dia. Foi um momento marcante para todos nós. É tão bom quando um simples sorriso compensa todo o esforço. A visita foi curta, pois havia tantas salinhas a visitar que apenas podíamos cantar uma ou duas músicas em cada uma delas, mas ficou a vontade de repetir a atividade. Seguiu-se uma eucaristia animada pelos jovens na capela do lar de idosos, assim como a missa das crianças da catequese, na Igreja de Santíssimo Salvador.

Pelas 21:30 teve início a Oração de Taizé, uma oração completamente nova na nossa comunidade, e como tal a ajuda do grupo Almacave Jovem foi, mais uma vez, imprescindível. Esta oração contou com cânticos, em português e outras línguas, assim como leituras da bíblia e momentos de silêncio. Nesta oração, também, participaram os grupos de jovens de São Martinho de Mouros e de Barrô, para além da participação da comunidade em geral.

A experiencia foi marcante, no fim da oração todos nós nos sentimos mais em paz e tranquilidade. É muito bom ver que é possível juntar jovens, todos com vontade de aproximar os seus corações de Deus.

Eliana Loureiro, Gotas d’Orvalho – Grupo de Jovens de Resende

in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

A simplicidade na oração em Taizé

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Em Taizé, três vezes por dia interrompem-se as diferentes atividades que ocupam os jovens: o trabalho, as reflexões bíblicas, as partilhas em pequenos grupos, o convívio. Os sinos chamam para a oração. Centenas, por vezes milhares de jovens dos mais diversos países dirigem-se à igreja e juntam-se aos irmãos da nossa Comunidade para rezar juntos.

Cânticos curtos, várias vezes repetidos, que procuram dizer em poucas palavras uma realidade fundamental facilmente assimilável. Depois, a leitura bíblica é feita em várias línguas. No centro de cada oração, o silêncio de alguns minutos é um momento único de encontro pessoal com Deus

Entre irmãos, ficamos frequentemente surpreendidos ao ver como os jovens participam nestas orações e depois as prologam ao serão, por vezes durante várias horas, em silêncio ou apoiados pelos cânticos meditativos. E os próprios jovens dizem-se muitas vezes espantados ao constatar o tempo que passam em oração em Taizé! Quando perguntamos aos grupos que encontramos no final de uma semana em Taizé o que mais os marcou, é raro a resposta não mencionar a oração.

Muitos dos que visitam a nossa colina dizem que em Taizé «se sentem em casa», que é como um porto seguro onde podem vir mesmo em momentos agitados. É impressionante ouvir estas mesmas expressões na boca de uma jovem professora lituana, de um jovem desempregado espanhol, de uma alemã estudante de teologia luterana, de uma estudante de enfermagem na Ucrânia ou de um informático húngaro. Ou ainda na boca de jovens africanos, latino-americanos e asiáticos que vêm a Taizé enviados pelas suas Igrejas, para passar três meses como voluntários durante o Verão

Será que podemos concluir que em Taizé nos esforçamos para nos adaptar aos jovens? Talvez, em certo sentido. Durante toda a sua vida, o irmão Roger procurou acolher e compreender aquilo que podia impedir alguém de confiar em Deus. Um dos primeiros irmãos da Comunidade, o irmão François, escreveu um artigo pouco depois da morte do irmão Roger onde dizia:

«O irmão Roger procurou sempre pôr-se no lugar dos jovens. O seu temperamento ajudava-o nesse sentido. Ele sentia e compreendia as coisas como eles. Ele pressentia facilmente o que era incompreensível para os jovens. (…) Ao ouvir o irmão Roger falar aos jovens, eu pensava muitas vezes na atitude missionária de São Paulo. Nas suas cartas, São Paulo adaptava o vocabulário aos destinatários, que eram extremamente diferentes uns dos outros, e integrava algumas expressões deles, com a única preocupação de poder ser compreendido. Uma elasticidade de espírito destas não é um sinal de fraqueza ou de temperamento versátil. Provém do facto do essencial ser mais firme do que tudo o resto.» («La Croix», 2 de Setembro de 2005.

No entanto, o irmão Roger não costumava falar em querer adaptar-se. Falava de simplificar. Muitas pessoas diziam que ele tinha uma linguagem que passava bem junto dos jovens. Mas ele não falava como eles. Nos seus textos, encontramos constantemente palavras bíblicas como «misericórdia», «compaixão», «comunhão»… Palavras que até parecem pouco acessíveis aos jovens. Apesar disso, surpreendentemente, na boca do irmão Roger, com as suas frases simples, os jovens não se assustavam com este tipo de vocabulário. No fundo, o irmão Roger conseguia dizer-lhes com simplicidade alguns aspectos exigentes da Fé cristã. Um pouco como nas parábolas do Evangelho, ele adaptava-se sem se adaptar. Falar com parábolas não é dizer tudo, mas deixar antever que há algo para aprofundar. Desta forma, sem compreenderem sempre tudo, os jovens percebem que há caminho a percorrer e algo mais a descobrir. É uma linguagem que não os desconcerta, mas que deixar espaço para avançar.

O irmão Roger procurava continuamente simplificar, tanto a forma de viver como a forma de se expressar. O melhor exemplo desse desejo de simplificação é talvez a nossa oração comunitária. Também nessa área, o irmão Roger deu um salto gigante: transformou pacientemente a oração, deixando de lado elementos que não são essenciais e que criam bloqueios inúteis. E tentou colocar nela tudo o que uma pessoa dos nossos tempos lá procura para aprofundar a confiança em Deus. Tornou contemplativa a própria oração comunitária.

A nossa forma de rezar, com cânticos simples e meditativos, teve a sua origem na vontade de tornar uma experiência interior acessível aos grandes números de jovens que nos visitam. Não que tudo tenha sido adaptado para a juventude. Os cânticos de Taizé não são propriamente feitos com músicas que se possam dizer «jovens». São cânticos profundamente enraizados na tradição contemplativa: através da letra, que vem frequentemente dos Salmos, da longa tradição de oração cantada que começou nas primeiras assembleias de Israel; e através do seu carácter meditativo e mesmo repetitivo. No fundo, no início a Comunidade cantava Salmos e hoje continua a fazer isso mesmo. Mas em vez de cantar todo o Salmo, ficamos só com um versículo, que meditamos juntos, deixando-o ecoar em nós e encontrar experiências que podem ser iluminadas.

Por isso não se trata verdadeiramente de uma adaptação, é preciso ir mais longe. O que toca os jovens em Taizé talvez seja o facto deles perceberem que nos esforçamos por tornar o mais simples possível a expressão da Fé, sem no entanto a nivelarmos ou a adocicarmos. Eles sentem, por vezes de forma emotiva e atingidos no mais profundo de si mesmos, que a oração que lhes é proposta não é a tradução na linguagem deles de uma realidade que lhes é estrangeira. É antes um convite a viver uma procura que os faz avançar e que, pondo na boca deles palavras de outros tempos, os obriga suavemente a saírem de si mesmos, libertando-os para novos horizontes.

Talvez os jovens sintam que, como Comunidade, ao termos em conta na liturgia a presença deles, procuramos alargar a nossa própria estrada, alargando a todos a intimidade que desejamos viver em Deus.

Para terminar, sublinho ainda dois aspetos da simplicidade que talvez ajudem a nossa oração a ser acessível, atraente e acolhedora para muitos jovens. Por um lado, ela não esmaga caminhos de Fé que podem ser muito tímidos e revelam até uma certa fragilidade. Por outro, centrando-se naquilo que é essencial, ela permite dar lugar à diversidade na expressão da Fé sem que cada detalhe seja motivo de discórdia. Hoje, para muitos jovens, a procura de unidade na diversidade não pode ser descuidada.

Irmão David, da Comunidade de Taizé, in Voz de Lamego, ano 85/39, n.º 4326, 25 de agosto