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Mensagem de D. António Couto para a Semana dos Seminários 2016

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MOVIDOS PELA MISERICÓRDIA DE DEUS

Com o jubileu da misericórdia ainda sobre a mesa, e com a figura maternal de Maria já a entrar-nos em casa com a celebração do centenário das Aparições em Fátima, eis-nos outra vez à entrada da Semana das Vocações e dos Seminários, que neste ano da graça de 2016 acontece de 06 a 13 de novembro, subordinada ao tema «Movidos pela misericórdia de Deus»

A raiz, o tronco, os ramos, as folhas, as flores e os frutos da temática desta Semana assentam no chão da conhecida «parábola da misericórdia» de Lucas 15, 1-32, que põe em destaque a figura de um Pai que se desfaz em misericórdia, e que corre ao encontro dos seus filhos pecadores, abraça-os e beija-os, sem nos fazer nenhuma advertência, nenhuma condição, apenas perdão, não dito, mas em ação, pura misericórdia envolvente, ao ritmo da comoção instintiva das suas entranhas maternais, fazendo irromper dentro de nós um vulcão de amor, tudo para lá daquelas situações em que simplesmente nos vêm as lágrimas aos olhos.

É-nos pedido, então, neste Semana, que ergamos o nosso coração em oração até este Pai misericordioso, para que «arraste com carinho» (cf. Jeremias 31,3; João 6,44) os seminaristas que frequentam os nossos Seminários de Resende, Lamego e Interdiocesano de S. José, sediado em Braga, para possibilitar aos nossos Seminaristas frequentar a Faculdade de Teologia da Universidade Católica.

Enquanto erguemos o nosso coração em oração até este Pai misericordioso, levando até ao coração de Deus os nossos Seminaristas, peçamos-lhe também, com insistência que «arraste» outros jovens para os nossos Seminários, para que amanhã não nos faltem sacerdotes de que necessitamos para servir da melhor maneira o Povo de Deus da nossa Diocese de Lamego e da Igreja inteira.

Peço, então, uma vez mais que, sendo generosos na oração, o sejamos também na dádiva de nós próprios, concretizada no Ofertório de Domingo, dia 13, que será destinado, na sua inteireza, para as necessidades dos nossos Seminários.

Que Deus nos abençoe e guarde em cada dia, e faça frutificar o labor dos nossos Seminários.

Lamego, 1 de novembro de 2016, Solenidade de Todos os Santos

+ António, vosso bispo e irmão

SEMANA DOS SEMINÁRIOS | Editorial Voz de Lamego | 8 de novembro

 

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Vivemos a Semana dos Seminários. O Diretor da Voz de Lamego, Pe. Joaquim Dionísio, escolheu esta temática para o Editorial da edição desta semana, onde se podem encontrar outros temas como, por exemplo, a Visita Pastoral de D. António à Paróquia do Touro, ou a Formação de Catequistas no Arciprestado de Lamego, ou o Conselho Diocesano do Movimento da Mensagem de Fátima, ou a apresentação do Plano de Pastoral do triénio 2017/2020 na Paróquia de Santa Maria de Almacave.

Par abrir a leitura, o Editorial:

Estamos a viver, de 06 a 13 de novembro e a nível nacional, a Semana dos Seminários, sob o mote “Movidos pela Misericórdia de Deus”.

Assumindo o Jubileu em curso e destacando a importância da misericórdia no desenvolvimento das vocações, esta semana quer sublinhar os seminários como lugares onde os jovens aprendem “a misericórdia do Pai” para depois se poderem entregar “ao serviço dos outros”.

Na nossa diocese, apesar de contarem com muitos menos seminaristas, continuam abertos o Seminário Menor de Nossa Senhora de Lourdes, em Resende, e o Seminário Maior Jesus, Maria e Ana, em Lamego. Por questões académicas, Lamego é parte integrante, juntamente com Bragança, Guarda e Viseu, do Seminário Maior Interdiocesano de S. José, em Braga.

Como habitualmente, nesta semana apela-se à oração e à partilha, mas não pode descuidar-se o convite à participação na pastoral vocacional. Porque todos podem velar pelas vocações sacerdotais, não apenas rezando ou oferecendo dádivas, mas também pelo testemunho, pelo questionamento, pela escuta e pelo convite.

Ao escutarmos o testemunho vocacional dos sacerdotes, certamente os ouviremos referir pessoas e factos que os influenciaram no despertar da sua vocação e no assumir da sua decisão: familiares, sacerdotes de passagem, párocos, catequistas, vida de algum santo, professores, retiros, convívios, iniciativas pastorais, encontros de formação, etc. E vemos então como o Senhor da Messe se serve também de nós para se manifestar, convidar, provocar, acompanhar…

Se é verdade que o organograma diocesano refere responsáveis pela animação vocacional, a verdade é que esta sempre beneficiará da palavra, do testemunho e da proximidade de todos.

A crise de respostas não pode ser fruto da ausência de convites.

in Voz de Lamego, ano 86/50, n.º 4386, 8 de novembro de 2016

Semana dos Seminários: MOVIDOS PELA MISERICÓRDIA DE DEUS

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“Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado”

Deus é misericórdia

Celebramos este ano a Semana dos Seminários durante o Jubileu da Misericórdia. Este facto ajuda-nos a compreender com mais clareza qual a origem de todas as vocações na Igreja, qual a fonte da vocação sacerdotal: Deus, rico de misericórdia.

As três parábolas do Evangelho de S. Lucas, no capítulo XV, da dracma perdida, da ovelha perdida e do filho perdido ou do filho pródigo, mostram-nos a alegria do reencontro do pai, rico de misericórdia, com aquilo que perdera. De um modo extraordinário vemos a alegria do pai que reencontra o filho perdido, caído na desgraça, que desceu às portas da morte. Tinha de fazer uma festa, pois o filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado. Ler mais…

Assembleia do Clero: Padre – pequeno pontífice para servir

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O Seminário Maior acolheu algumas dezenas de sacerdotes da diocese de Lamego, na manhã do último sábado, dia 14 de novembro, para a realização de mais uma Assembleia do Clero. O nosso bispo, D. António Couto, presidiu ao encontro que contou com o Superior Provincial da Companhia de Jesus em Portugal, Padre José Frazão, para apresentar o tema “O Padre e o entusiasmo na evangelização”.

A Assembleia, inicialmente prevista para os inícios de outubro, sofreu algum atraso por causa da disponibilidade do conferencista. A mudança da data e o facto de se ter realizado a um sábado poderá justificar algumas ausências, mas a espera valeu a pena, a julgar pela satisfação dos presentes, motivada pela actualidade e profundidade do tema abordado, que alguns já tinham ouvido durante o recente Simpósio do Clero, em Fátima.

Após a oração de Hora Intermédia, D. António Couto saudou todos os presentes, sublinhou a pertinência do encontro e apresentou sucintamente o conferencista. O actual Provincial dos Jesuítas é natural de uma aldeia vizinha de Leiria, onde nasceu em 1970. A sua ordenação sacerdotal aconteceu em 2004 e o seu doutoramento em Teologia Fundamental foi conseguido na Universidade Gregoriana, em Roma. Com vários livros publicados e já traduzidos noutras línguas, a sua presença tem sido habitual em diversas iniciativas eclesiais realizadas no nosso país. Durante o percurso de formação vivido em Portugal percorreu algumas terras da nossa diocese, pelo que foi um reencontrar de paisagens conhecidas.

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Testemunha da Graça

De maneira suave, mas incisiva, apresentou o tema proposto, apoiando-se nas notas preparadas. Partindo do tempo presente, afirmou que os nossos tempos pedem entusiasmo e inteligência para ver, ao mesmo tempo que exigem linguagens novas para comunicar e uma grande paixão dos pastores pelos fiéis.

A falta de entusiasmo é também resultado de uma relevância eclesial que se perdeu, de uma imagem de Igreja que já não volta. Porque o entusiasmo não é apenas um tema respeitante à interioridade de cada um, uma questão anímica, mas também o resultado de uma leitura da realidade eclesial que pode fazer-se.

Mas o entusiasmo não pode ser visto como ferramenta exterior, resultado de um esforço de marketing, algo postiço, um estar acima da realidade, uma patetice alegre ou uma alegria compulsiva. Neste âmbito deve ser visto como algo que brota de um interior vivificado, do reatar da ligação vital ao Outro, como fruto do espírito, fruto de uma vida real tocada pela graça.

O padre deve ser testemunha da graça que salva, porque também ele é salvo e o seu entusiasmo traduz-se na autenticidade que demonstra.

E concluía: o ministério sacerdotal não pode ser fecundo sem uma pertença existencial a Cristo. A pertença ontológica precisa ser concretizada numa pertença existencial, como se o nosso sacramento precisasse de ser realizado. E deixou a pergunta: será que os fiéis leigos nos vêem como vidas reais de crentes tocados pela graça? Porque o padre não pode ser menos que crente que faz caminho, sujeito às situações e dificuldades que o caminhar histórico acarreta.

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O espírito da bênção

Apoiando-se num pequeno livro a sair em breve na nossa língua (AO), falou também do sacramento da ordem como fonte de bênção, entendendo esta como força tocante da graça, capaz de provocar proximidade e alegria neste tempo descristianizado. Tal como Jesus fazia: encontrava-se com pessoas reais que transforma.

Neste sentido, importa que o padre avalie os seus gestos e palavras para verificar se é sinal de bênção fecunda que toca pela força da graça.

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O sacerdócio à luz da bênção

À luz desta realidade da bênção, o sacerdócio não pode ser assumido e vivido com traços de autoritarismo, paternalismo ou moralismo; não pode desvirtuar-se o dom recebido. Pelo contrário, o sacerdote deve revelar autoridade através do serviço prestado, ser “pequeno pontífice” entre desavindos, mundos separados e sem vida, promover a autonomia dos outros, acompanhar ritmos de fé diferentes existentes na comunidade e cultivar a virtude da fidelidade na paciência.

O pastor à luz da bênção

À luz da bênção, o pastor não é dono nem senhor, mas servo que acompanha, observa e respeita o ritmo de cada um. E nem sempre será fácil ser pastor real de ovelhas reais, que conhece as suas ovelhas, sem projectar modos e manias. Uma paixão real pela vida das pessoas

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O rito à luz da bênção

Nem sempre os fiéis percebem a celebração em que participam e nem sempre o será por culpa sua. Nesse sentido, a liturgia não pode ser entendida como uma espécie de “engenharia mecânica, onde o postiço pode estar presente, mas onde não se vislumbra a graça como bênção. Da mesma forma, um “devocionismo parado”, demasiado extático, que esconde a dimensão corpórea do rito deve ser evitado. No fundo, pretende-se realizar o amor em gestos, onde não basta dizer o que está a acontecer, mas é preciso que se mostre. Por outro lado, o rito também não pode ser prejudicado por uma certa “pirotecnia de efeitos especiais”, marcada por exageros emotivos, destinada a uma sensibilidade imediata que não deixa marcas. Por último, também as excessivas explicações e palavreado perturbam a vital e necessária escuta.

Estilo eclesial

Na parte final da palestra, algumas notas sobre o estilo eclesial para o ministério sacerdotal.

Em primeiro lugar, a competência humana. O padre não pode ser um teórico que discorre sobre realidades tão humanas como a alegria, a oração, o luto ou a família, por exemplo. Isso permite evitar gestos e palavras vividos mecanicamente, impossibilitando que a realidade o toque. É preciso sentir o que se faz e diz, saber sentir o que o outro sente e contrariar a rotina. Isso consegue-se, também, pelo contacto com a humanidade.

Depois, uma competência espiritual. O padre deve ser um místico, na medida em que se compreende diante de Deus, mas também um mistagógico, para saber acompanhar os outros. A sua competência gestual e representativa é importante, mas tudo começa antes, na sua relação com o divino. Nesse sentido, hábitos regulares como a oração ou o silêncio devem fazer parte do seu dia a dia.

Após intervalo e antes do almoço que encerrou o encontro, o Pe. Frazão disponibilizou-se para um diálogo com os presentes, proporcionando esclarecimentos e pontos de vista que ajudaram a aprofundar o tema exposto.

JDin Voz de Lamego, ano 85/51, n.º 4338, 17 de novembro

Semana dos Seminários | 8 a 15 de novembro

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De 8 a 15 de Novembro vivemos a Semana dos Seminários!

Atualmente somos 2 seminaristas no 6ºAno da nossa Diocese e o plano anual contempla uma preparação para o Diaconado e Sacerdócio assente no estudo, oração e vida comunitária de segunda a sexta e os estágios pastorais aos fins-de-semana.

Sabemos e sentimos que o Seminário é o coração da Diocese, mas nesta semana especial conseguimos constatar isso de maneira mais concreta e vivê-lo de forma mais intensa.

No dia 8 tivemos a alegria de participar na Ordenação Diaconal de um condiscípulo nosso da Diocese de Viana do Castelo. Aproveitando esta deslocação às terras minhotas passamos a segunda-feira com os amigos do Seminário Interdiocesano de São José, terminando o dia com a celebração da Eucaristia onde, devido a um encontro sacerdotal, estiveram presentes alguns sacerdotes da nossa diocese, de Bragança-Miranda, da Guarda e de Viseu. É sempre edificante ver que os tempos de seminário marcaram os nossos sacerdotes e que quando é possível se reencontram com alegria para recordar, conviver, etc.

No dia seguinte retomamos o horário habitual no Seminário Maior de Lamego mas com a particularidade de o Pe. João Carlos, professor da disciplina de História da Diocese, nos ter proporcionado uma aula “in loco” no Mosteiro de Salzedas e no Recião.

Uma outra atividade que marcou esta nossa semana foi a visita a alguns padres… em vez de os convidarmos para virem até à nossa casa, este ano decidimos ir até eles e estar com as suas comunidades. Na terça-feira, juntamente com o Sr. Reitor Padre Dionísio, fomos até Moimenta (Cinfães) e estivemos com o Sr. Padre Fabrício, na quarta-feira rumamos até às Monteiras para celebrar a Eucaristia e jantarmos com o Sr. Padre Valentim e na quinta-feira tivemos como destino a Paróquia de São Pedro de Castro-Daire onde fomos muito bem recebidos pelo Sr. Padre Carlos Caria.

Rapidamente chegamos ao dia 13… e porque estamos num mês dedicado à oração pelos defuntos, acolhemos no nosso seminário vários amigos e familiares para rezarmos pelos nossos bem-feitores já falecidos e por todos aqueles que por alguma razão estiveram ligados a nós e a esta casa mas que já partiram. Houve tempo para a oração, para o encontro e para a partilha de umas castanhas: também foi dia de Magusto.

O fim-de-semana foi intenso! Recebemos os diversos sacerdotes da diocese para a Assembleia do Clero e a partir da tarde de sábado rumamos às paróquias de estágio onde aproveitamos para falar aos grupos de jovens e às crianças da catequese daquilo que é o seminário.

No entanto, o momento alto de toda esta semana foi a Vigília de Oração pelos Seminários que se realizou na Paróquia de Lazarim de onde é natural o meu condiscípulo Diogo Rodrigues. Diante do Santíssimo… o Bispo da Diocese, sacerdotes, seminaristas de Resende e de Lamego, jovens de alguns grupos de outras paróquias, várias consagradas e paroquianos pediram-Lhe trabalhadores para esta vinha plantada à beira Douro.

Em nome dos seminaristas agradeço a todos pela oração que fazem por nós ao longo de todo o ano, pelo testemunho, pela disponibilidade para nos acolher nas vossas comunidades, pela amizade solidária e solícita!

Fomos olhados com Misericórdia! Levantados… Chamados… Não caminhamos sozinhos mas a vosso lado.

Luís Rafael Azevedo, Seminarista do 6.º Ano, Vila da Ponte

in Voz de Lamego, ano 85/51, n.º 4338, 17 de novembro

Semana dos Seminários 2015: à conversa com Diogo Rodrigues

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No âmbito da Semana dos Seminários que estamos a viver, aqui deixamos algumas palavras de um dos nossos finalistas, o Diogo Rodrigues, seminarista do VI Ano e natural da paróquia de Lazarim, mais concretamente do lugar de Mazes.

  1. Na última etapa da tua caminhada, um breve balanço do que foi o teu percurso no Seminário.

O meu percurso de Seminário, não tem por assim dizer nada de especial, a não ser nos dias de hoje: entrei para o Seminário de Resende em 2005 para o 7º Ano com 12 anos, e aí passei 6 anos. Ao terminar o 12º Ano entrei neste Seminário Maior, em 2010. Ou seja, desde que saí da minha terra com 12 anos onde tinha frequentado a Telescola, não estudei nem vivi em mais lado nenhum a não ser no Seminário. Claro que o Seminário como a vida, tem sempre os seus «altos e baixos», mas com certeza que nos deixa sempre marcas…

  1. Durante dois anos frequentastes o Seminário interdiocesano, em Braga. Como viveste essa experiência?

A experiência em Braga foi bastante enriquecedora. Ao início foi uma descoberta, mesmo no modo de viver com as dioceses que formam o Seminário e com quem já contactávamos em Viseu, mas que era só no tempo lectivo.  Depois porque o ambiente da Faculdade de Teologia é muito diferente do ambiente vivido no Instituto. Nele travamos conhecimento com muito mais pessoas, algumas que nem sequer seguem o percurso de Seminário, e depois pessoas até de um país e de uma cultura diferente. Claro que a experiência de viver em Seminário Interdiocesano ensina-nos muito, porque experimentamos a verdadeira comunhão eclesial que comporta realidades diferentes, pois há um contacto não só com os seminaristas de outras dioceses a tempo inteiro, mas também com outros sacerdotes e até mesmo com os senhores Bispos. Por outro lado o facto de não estarmos na nossa Diocese não nos pode levar a esquecer a nossa realidade e as nossas raízes. E penso que desde o início é necessário incutir nos jovens que vêm para o Seminário, e que ingressam no Seminário Interdiocesano, o amor pela sua Igreja diocesana.

  1. Perante a diminuição de seminaristas, como conseguir “chamar” para o Seminário?

Penso que o chamamento para o Seminário passa pelo testemunho que possamos dar enquanto Igreja, de que Cristo continua a chamar. Isto pode concretizar-se em levar a presença do Seminário (por exemplo, através de ações da Pastoral Vocacional) a todas as pessoas, e, sobretudo, que as comunidades sintam que o Seminário também é delas e que se lembrem sempre que o Seminário continua aberto.  É certo que o “alvo” de uma Pastoral vocacional são os jovens, mas também todos devemos ter consciência de que devemos pedir ao Senhor da Messe que envie operários para a sua Messe.

  1. Olhando para diante, para a missão que se abre e te espera, que perspectivas acalentas?

A perspetivas levam-me a crer que devo sempre confiar no Senhor. Que me devo consciencializar que eu sou apenas um mero instrumento nas mãos de Deus e que tenho de ser dócil à sua Palavra. O que me reconforta é que o Senhor nunca nos abandona, mesmo nas horas mais escuras e situações mais difíceis. Embora, hoje tudo nos pareca mais difícil devido a tantos fatores (sobretudo a diminuição de pessoas nas Paróquias), devemos confiar sempre na providência de Deus.

in Voz de Lamego, ano 85/50, n.º 4337, 10 de novembro

Semana dos Seminários 2015: testemunho vocacional

Testemunho Vocacional Vitor Carreira II

Ainda hoje me questiono acerca do porquê de ter ido para o Seminário. Certamente que haveriam pessoas com maiores qualidades que as minhas. Porquê ser eu o escolhido? É certo que Deus não chama os melhores, mas sim os que Ele precisa.

Tudo começou no ano de 2004 com uma conversa que tive com o meu pároco, Pe. José Filipe Ribeiro. No final da Eucaristia Dominical, este lançou-me um convite para ir passar um fim-de-semana ao Seminário de Resende. Nesta altura tinha eu 10 anos e nunca ninguém me tinha falado do Seminário. Desta forma, deixei o meu pároco sem resposta.

Quando cheguei a casa questionei a minha mãe acerca do Seminário. Então ela referiu que era uma casa onde viviam rapazes da minha idade e que no fundo faziam tudo o que eu fazia na minha família. Claro, com algumas particularidades, tais como momentos de oração comunitários, responsabilidades a nível escolar, nos trabalhos da quinta e eram aqueles que se preparavam para um dia serem sacerdotes, se esta fosse a vontade de Deus.

Aceitei o desafio. Depois de comunicar a minha decisão ao meu pároco dirigi-me ao Seminário menor de Resende para o primeiro encontro de pré-Seminário. Depois de lá estar não queria mais nada para a minha vida a não ser ir viver para o Seminário. Queria ser um rapaz como todos aqueles que lá viviam.

Depois de ter ido ao Seminário mais dois fins-de-semana, matriculei-me no 7.º ano e no dia 19 de setembro de 2005 entrei no Seminário.

Como era de imaginar, os primeiros tempos são sempre bastante difíceis, sobretudo devido à separação da família e amigos, mas sempre tive como lema a expressão que está na parede da capela do Seminário de Resende: “Vem e Segue-Me”(Mt.5, 27). Este chamamento que Jesus fez aos seus discípulos continua hoje a fazê-lo a todos nós e a mim particularmente fez-me caminhar com mais confiança ao longo destes anos todos.

Apesar de terem surgido algumas dificuldades, com a ajuda da equipa formadora doSeminário, dos amigos, e sempre com a ajuda e proteção de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira desse Seminário, ultrapassei tudo. Com o passar do tempo fui percebendo que o Seminário era como que uma família para mim. E assim passaram 7 anos.

O final do 12ºano foi muito marcado por algumas dúvidas. Muitas vezes me questionava: E agora? Que vou eu fazer? Mas de uma coisa tinha a certeza: sempre tive a ideia de continuar a estudar. Então com o passar do tempo senti algo a chamar-me de novo, que me fez tomar uma decisão. Depois de 2 encontros de pré-Seminário, no dia 26 de setembro de 2011 entrei para o Seminário Maior de Lamego para o 1ºano do curso de Teologia.

Neste momento estou no 5.º ano, a terminar o meu percurso no Seminário Maior Interdiocesano de São José, em Braga. Ao olhar para estes 11 anos que passaram “vejo-me obrigado” a agradecer. Agradecer a todos aqueles que confiaram em mim: aos meus párocos (Pe. José Filipe Ribeiro, Pe. Leontino Alves e Cón. José Manuel Melo) que me acompanharam ao longo de todo este percurso, às equipas formadoras de ambos os Seminários e sobretudo à minha família e amigos que nunca deixaram que me faltasse alguma coisa.

Deixo ainda uma palavra para todos os jovens que possivelmente venham a ler este texto: não tenhais medo de seguir Jesus Cristo. Sede fiéis a vós mesmos. E por que não experimentar passar um fim-de-semana no Seminário? Os discípulos também não conheciam Jesus e no entanto seguiram-n’O. Que todos saibamos em cada dia renovar o nosso “SIM”, tal como Maria, e também responder ao convite que Jesus fez aos seus discípulos e que ainda hoje faz a todos nós: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens” (Mt. 4, 19).

Vítor Teixeira Carreira, V ano, in Voz de Lamego, ano 85/50, n.º 4337, 10 de novembro