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Posts Tagged ‘Semana dos Seminários’

Assembleia do Clero: Padre – pequeno pontífice para servir

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O Seminário Maior acolheu algumas dezenas de sacerdotes da diocese de Lamego, na manhã do último sábado, dia 14 de novembro, para a realização de mais uma Assembleia do Clero. O nosso bispo, D. António Couto, presidiu ao encontro que contou com o Superior Provincial da Companhia de Jesus em Portugal, Padre José Frazão, para apresentar o tema “O Padre e o entusiasmo na evangelização”.

A Assembleia, inicialmente prevista para os inícios de outubro, sofreu algum atraso por causa da disponibilidade do conferencista. A mudança da data e o facto de se ter realizado a um sábado poderá justificar algumas ausências, mas a espera valeu a pena, a julgar pela satisfação dos presentes, motivada pela actualidade e profundidade do tema abordado, que alguns já tinham ouvido durante o recente Simpósio do Clero, em Fátima.

Após a oração de Hora Intermédia, D. António Couto saudou todos os presentes, sublinhou a pertinência do encontro e apresentou sucintamente o conferencista. O actual Provincial dos Jesuítas é natural de uma aldeia vizinha de Leiria, onde nasceu em 1970. A sua ordenação sacerdotal aconteceu em 2004 e o seu doutoramento em Teologia Fundamental foi conseguido na Universidade Gregoriana, em Roma. Com vários livros publicados e já traduzidos noutras línguas, a sua presença tem sido habitual em diversas iniciativas eclesiais realizadas no nosso país. Durante o percurso de formação vivido em Portugal percorreu algumas terras da nossa diocese, pelo que foi um reencontrar de paisagens conhecidas.

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Testemunha da Graça

De maneira suave, mas incisiva, apresentou o tema proposto, apoiando-se nas notas preparadas. Partindo do tempo presente, afirmou que os nossos tempos pedem entusiasmo e inteligência para ver, ao mesmo tempo que exigem linguagens novas para comunicar e uma grande paixão dos pastores pelos fiéis.

A falta de entusiasmo é também resultado de uma relevância eclesial que se perdeu, de uma imagem de Igreja que já não volta. Porque o entusiasmo não é apenas um tema respeitante à interioridade de cada um, uma questão anímica, mas também o resultado de uma leitura da realidade eclesial que pode fazer-se.

Mas o entusiasmo não pode ser visto como ferramenta exterior, resultado de um esforço de marketing, algo postiço, um estar acima da realidade, uma patetice alegre ou uma alegria compulsiva. Neste âmbito deve ser visto como algo que brota de um interior vivificado, do reatar da ligação vital ao Outro, como fruto do espírito, fruto de uma vida real tocada pela graça.

O padre deve ser testemunha da graça que salva, porque também ele é salvo e o seu entusiasmo traduz-se na autenticidade que demonstra.

E concluía: o ministério sacerdotal não pode ser fecundo sem uma pertença existencial a Cristo. A pertença ontológica precisa ser concretizada numa pertença existencial, como se o nosso sacramento precisasse de ser realizado. E deixou a pergunta: será que os fiéis leigos nos vêem como vidas reais de crentes tocados pela graça? Porque o padre não pode ser menos que crente que faz caminho, sujeito às situações e dificuldades que o caminhar histórico acarreta.

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O espírito da bênção

Apoiando-se num pequeno livro a sair em breve na nossa língua (AO), falou também do sacramento da ordem como fonte de bênção, entendendo esta como força tocante da graça, capaz de provocar proximidade e alegria neste tempo descristianizado. Tal como Jesus fazia: encontrava-se com pessoas reais que transforma.

Neste sentido, importa que o padre avalie os seus gestos e palavras para verificar se é sinal de bênção fecunda que toca pela força da graça.

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O sacerdócio à luz da bênção

À luz desta realidade da bênção, o sacerdócio não pode ser assumido e vivido com traços de autoritarismo, paternalismo ou moralismo; não pode desvirtuar-se o dom recebido. Pelo contrário, o sacerdote deve revelar autoridade através do serviço prestado, ser “pequeno pontífice” entre desavindos, mundos separados e sem vida, promover a autonomia dos outros, acompanhar ritmos de fé diferentes existentes na comunidade e cultivar a virtude da fidelidade na paciência.

O pastor à luz da bênção

À luz da bênção, o pastor não é dono nem senhor, mas servo que acompanha, observa e respeita o ritmo de cada um. E nem sempre será fácil ser pastor real de ovelhas reais, que conhece as suas ovelhas, sem projectar modos e manias. Uma paixão real pela vida das pessoas

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O rito à luz da bênção

Nem sempre os fiéis percebem a celebração em que participam e nem sempre o será por culpa sua. Nesse sentido, a liturgia não pode ser entendida como uma espécie de “engenharia mecânica, onde o postiço pode estar presente, mas onde não se vislumbra a graça como bênção. Da mesma forma, um “devocionismo parado”, demasiado extático, que esconde a dimensão corpórea do rito deve ser evitado. No fundo, pretende-se realizar o amor em gestos, onde não basta dizer o que está a acontecer, mas é preciso que se mostre. Por outro lado, o rito também não pode ser prejudicado por uma certa “pirotecnia de efeitos especiais”, marcada por exageros emotivos, destinada a uma sensibilidade imediata que não deixa marcas. Por último, também as excessivas explicações e palavreado perturbam a vital e necessária escuta.

Estilo eclesial

Na parte final da palestra, algumas notas sobre o estilo eclesial para o ministério sacerdotal.

Em primeiro lugar, a competência humana. O padre não pode ser um teórico que discorre sobre realidades tão humanas como a alegria, a oração, o luto ou a família, por exemplo. Isso permite evitar gestos e palavras vividos mecanicamente, impossibilitando que a realidade o toque. É preciso sentir o que se faz e diz, saber sentir o que o outro sente e contrariar a rotina. Isso consegue-se, também, pelo contacto com a humanidade.

Depois, uma competência espiritual. O padre deve ser um místico, na medida em que se compreende diante de Deus, mas também um mistagógico, para saber acompanhar os outros. A sua competência gestual e representativa é importante, mas tudo começa antes, na sua relação com o divino. Nesse sentido, hábitos regulares como a oração ou o silêncio devem fazer parte do seu dia a dia.

Após intervalo e antes do almoço que encerrou o encontro, o Pe. Frazão disponibilizou-se para um diálogo com os presentes, proporcionando esclarecimentos e pontos de vista que ajudaram a aprofundar o tema exposto.

JDin Voz de Lamego, ano 85/51, n.º 4338, 17 de novembro

Semana dos Seminários | 8 a 15 de novembro

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De 8 a 15 de Novembro vivemos a Semana dos Seminários!

Atualmente somos 2 seminaristas no 6ºAno da nossa Diocese e o plano anual contempla uma preparação para o Diaconado e Sacerdócio assente no estudo, oração e vida comunitária de segunda a sexta e os estágios pastorais aos fins-de-semana.

Sabemos e sentimos que o Seminário é o coração da Diocese, mas nesta semana especial conseguimos constatar isso de maneira mais concreta e vivê-lo de forma mais intensa.

No dia 8 tivemos a alegria de participar na Ordenação Diaconal de um condiscípulo nosso da Diocese de Viana do Castelo. Aproveitando esta deslocação às terras minhotas passamos a segunda-feira com os amigos do Seminário Interdiocesano de São José, terminando o dia com a celebração da Eucaristia onde, devido a um encontro sacerdotal, estiveram presentes alguns sacerdotes da nossa diocese, de Bragança-Miranda, da Guarda e de Viseu. É sempre edificante ver que os tempos de seminário marcaram os nossos sacerdotes e que quando é possível se reencontram com alegria para recordar, conviver, etc.

No dia seguinte retomamos o horário habitual no Seminário Maior de Lamego mas com a particularidade de o Pe. João Carlos, professor da disciplina de História da Diocese, nos ter proporcionado uma aula “in loco” no Mosteiro de Salzedas e no Recião.

Uma outra atividade que marcou esta nossa semana foi a visita a alguns padres… em vez de os convidarmos para virem até à nossa casa, este ano decidimos ir até eles e estar com as suas comunidades. Na terça-feira, juntamente com o Sr. Reitor Padre Dionísio, fomos até Moimenta (Cinfães) e estivemos com o Sr. Padre Fabrício, na quarta-feira rumamos até às Monteiras para celebrar a Eucaristia e jantarmos com o Sr. Padre Valentim e na quinta-feira tivemos como destino a Paróquia de São Pedro de Castro-Daire onde fomos muito bem recebidos pelo Sr. Padre Carlos Caria.

Rapidamente chegamos ao dia 13… e porque estamos num mês dedicado à oração pelos defuntos, acolhemos no nosso seminário vários amigos e familiares para rezarmos pelos nossos bem-feitores já falecidos e por todos aqueles que por alguma razão estiveram ligados a nós e a esta casa mas que já partiram. Houve tempo para a oração, para o encontro e para a partilha de umas castanhas: também foi dia de Magusto.

O fim-de-semana foi intenso! Recebemos os diversos sacerdotes da diocese para a Assembleia do Clero e a partir da tarde de sábado rumamos às paróquias de estágio onde aproveitamos para falar aos grupos de jovens e às crianças da catequese daquilo que é o seminário.

No entanto, o momento alto de toda esta semana foi a Vigília de Oração pelos Seminários que se realizou na Paróquia de Lazarim de onde é natural o meu condiscípulo Diogo Rodrigues. Diante do Santíssimo… o Bispo da Diocese, sacerdotes, seminaristas de Resende e de Lamego, jovens de alguns grupos de outras paróquias, várias consagradas e paroquianos pediram-Lhe trabalhadores para esta vinha plantada à beira Douro.

Em nome dos seminaristas agradeço a todos pela oração que fazem por nós ao longo de todo o ano, pelo testemunho, pela disponibilidade para nos acolher nas vossas comunidades, pela amizade solidária e solícita!

Fomos olhados com Misericórdia! Levantados… Chamados… Não caminhamos sozinhos mas a vosso lado.

Luís Rafael Azevedo, Seminarista do 6.º Ano, Vila da Ponte

in Voz de Lamego, ano 85/51, n.º 4338, 17 de novembro

Semana dos Seminários 2015: à conversa com Diogo Rodrigues

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No âmbito da Semana dos Seminários que estamos a viver, aqui deixamos algumas palavras de um dos nossos finalistas, o Diogo Rodrigues, seminarista do VI Ano e natural da paróquia de Lazarim, mais concretamente do lugar de Mazes.

  1. Na última etapa da tua caminhada, um breve balanço do que foi o teu percurso no Seminário.

O meu percurso de Seminário, não tem por assim dizer nada de especial, a não ser nos dias de hoje: entrei para o Seminário de Resende em 2005 para o 7º Ano com 12 anos, e aí passei 6 anos. Ao terminar o 12º Ano entrei neste Seminário Maior, em 2010. Ou seja, desde que saí da minha terra com 12 anos onde tinha frequentado a Telescola, não estudei nem vivi em mais lado nenhum a não ser no Seminário. Claro que o Seminário como a vida, tem sempre os seus «altos e baixos», mas com certeza que nos deixa sempre marcas…

  1. Durante dois anos frequentastes o Seminário interdiocesano, em Braga. Como viveste essa experiência?

A experiência em Braga foi bastante enriquecedora. Ao início foi uma descoberta, mesmo no modo de viver com as dioceses que formam o Seminário e com quem já contactávamos em Viseu, mas que era só no tempo lectivo.  Depois porque o ambiente da Faculdade de Teologia é muito diferente do ambiente vivido no Instituto. Nele travamos conhecimento com muito mais pessoas, algumas que nem sequer seguem o percurso de Seminário, e depois pessoas até de um país e de uma cultura diferente. Claro que a experiência de viver em Seminário Interdiocesano ensina-nos muito, porque experimentamos a verdadeira comunhão eclesial que comporta realidades diferentes, pois há um contacto não só com os seminaristas de outras dioceses a tempo inteiro, mas também com outros sacerdotes e até mesmo com os senhores Bispos. Por outro lado o facto de não estarmos na nossa Diocese não nos pode levar a esquecer a nossa realidade e as nossas raízes. E penso que desde o início é necessário incutir nos jovens que vêm para o Seminário, e que ingressam no Seminário Interdiocesano, o amor pela sua Igreja diocesana.

  1. Perante a diminuição de seminaristas, como conseguir “chamar” para o Seminário?

Penso que o chamamento para o Seminário passa pelo testemunho que possamos dar enquanto Igreja, de que Cristo continua a chamar. Isto pode concretizar-se em levar a presença do Seminário (por exemplo, através de ações da Pastoral Vocacional) a todas as pessoas, e, sobretudo, que as comunidades sintam que o Seminário também é delas e que se lembrem sempre que o Seminário continua aberto.  É certo que o “alvo” de uma Pastoral vocacional são os jovens, mas também todos devemos ter consciência de que devemos pedir ao Senhor da Messe que envie operários para a sua Messe.

  1. Olhando para diante, para a missão que se abre e te espera, que perspectivas acalentas?

A perspetivas levam-me a crer que devo sempre confiar no Senhor. Que me devo consciencializar que eu sou apenas um mero instrumento nas mãos de Deus e que tenho de ser dócil à sua Palavra. O que me reconforta é que o Senhor nunca nos abandona, mesmo nas horas mais escuras e situações mais difíceis. Embora, hoje tudo nos pareca mais difícil devido a tantos fatores (sobretudo a diminuição de pessoas nas Paróquias), devemos confiar sempre na providência de Deus.

in Voz de Lamego, ano 85/50, n.º 4337, 10 de novembro

Semana dos Seminários 2015: testemunho vocacional

Testemunho Vocacional Vitor Carreira II

Ainda hoje me questiono acerca do porquê de ter ido para o Seminário. Certamente que haveriam pessoas com maiores qualidades que as minhas. Porquê ser eu o escolhido? É certo que Deus não chama os melhores, mas sim os que Ele precisa.

Tudo começou no ano de 2004 com uma conversa que tive com o meu pároco, Pe. José Filipe Ribeiro. No final da Eucaristia Dominical, este lançou-me um convite para ir passar um fim-de-semana ao Seminário de Resende. Nesta altura tinha eu 10 anos e nunca ninguém me tinha falado do Seminário. Desta forma, deixei o meu pároco sem resposta.

Quando cheguei a casa questionei a minha mãe acerca do Seminário. Então ela referiu que era uma casa onde viviam rapazes da minha idade e que no fundo faziam tudo o que eu fazia na minha família. Claro, com algumas particularidades, tais como momentos de oração comunitários, responsabilidades a nível escolar, nos trabalhos da quinta e eram aqueles que se preparavam para um dia serem sacerdotes, se esta fosse a vontade de Deus.

Aceitei o desafio. Depois de comunicar a minha decisão ao meu pároco dirigi-me ao Seminário menor de Resende para o primeiro encontro de pré-Seminário. Depois de lá estar não queria mais nada para a minha vida a não ser ir viver para o Seminário. Queria ser um rapaz como todos aqueles que lá viviam.

Depois de ter ido ao Seminário mais dois fins-de-semana, matriculei-me no 7.º ano e no dia 19 de setembro de 2005 entrei no Seminário.

Como era de imaginar, os primeiros tempos são sempre bastante difíceis, sobretudo devido à separação da família e amigos, mas sempre tive como lema a expressão que está na parede da capela do Seminário de Resende: “Vem e Segue-Me”(Mt.5, 27). Este chamamento que Jesus fez aos seus discípulos continua hoje a fazê-lo a todos nós e a mim particularmente fez-me caminhar com mais confiança ao longo destes anos todos.

Apesar de terem surgido algumas dificuldades, com a ajuda da equipa formadora doSeminário, dos amigos, e sempre com a ajuda e proteção de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira desse Seminário, ultrapassei tudo. Com o passar do tempo fui percebendo que o Seminário era como que uma família para mim. E assim passaram 7 anos.

O final do 12ºano foi muito marcado por algumas dúvidas. Muitas vezes me questionava: E agora? Que vou eu fazer? Mas de uma coisa tinha a certeza: sempre tive a ideia de continuar a estudar. Então com o passar do tempo senti algo a chamar-me de novo, que me fez tomar uma decisão. Depois de 2 encontros de pré-Seminário, no dia 26 de setembro de 2011 entrei para o Seminário Maior de Lamego para o 1ºano do curso de Teologia.

Neste momento estou no 5.º ano, a terminar o meu percurso no Seminário Maior Interdiocesano de São José, em Braga. Ao olhar para estes 11 anos que passaram “vejo-me obrigado” a agradecer. Agradecer a todos aqueles que confiaram em mim: aos meus párocos (Pe. José Filipe Ribeiro, Pe. Leontino Alves e Cón. José Manuel Melo) que me acompanharam ao longo de todo este percurso, às equipas formadoras de ambos os Seminários e sobretudo à minha família e amigos que nunca deixaram que me faltasse alguma coisa.

Deixo ainda uma palavra para todos os jovens que possivelmente venham a ler este texto: não tenhais medo de seguir Jesus Cristo. Sede fiéis a vós mesmos. E por que não experimentar passar um fim-de-semana no Seminário? Os discípulos também não conheciam Jesus e no entanto seguiram-n’O. Que todos saibamos em cada dia renovar o nosso “SIM”, tal como Maria, e também responder ao convite que Jesus fez aos seus discípulos e que ainda hoje faz a todos nós: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens” (Mt. 4, 19).

Vítor Teixeira Carreira, V ano, in Voz de Lamego, ano 85/50, n.º 4337, 10 de novembro

Reitor do Seminário Maior sobre a vivência da Semana dos Seminários

seminario-Missa (1280x719)SEMANA DOS SEMINÁRIOS: Servidores da alegria do Evangelho

De 9 a 16 deste mês, por todo país, se olhou para as casas de formação dos futuros sacerdotes da Igreja. E a nossa diocese de Lamego também o fez com alegria, gratidão, generosidade e com muita oração. Vivemos, nesses dias, a Semana dos Seminários.

Pagelas, cartazes e envelopes haviam sido distribuídos pelas nossas comunidades cristãs, para facultar imagens e palavras que facilitassem a oração e motivassem a uma comunhão e proximidade com estas realidades diocesanas. E foi isso que aconteceu, com a participação activa e sempre presente dos nossos párocos. Que a bênção do Senhor a todos, fiéis e párocos, recompense pelo bem que fazem em prol dos nossos Seminários. Não apenas nesta semana, mas ao longo de todo o ano.

Tempo de gratidão

Ao longo do ano, são diversas as vezes em que o nosso bispo vem ao Seminário Maior. Mas a vinda durante esta semana é diferente, já que em D. António Couto visualizamos toda uma diocese que se ocupa e preocupa com a caminhada dos nossos seminaristas e com a missão dos formadores que os acompanham. E é sempre motivador, para quem avança na formação, ter perto o Pastor que, ao longo dos anos, vai ordenar e enviar em missão os que agora encontra em formação.

Mas esta vinda é também oportunidade para celebrar a gratidão, não apenas ao Senhor que dá a vida, mas também perante a memória de todos quantos estiveram ligados aos nossos Seminários: benfeitores, funcionários, seminaristas, professores, formadores e bispos. E foi assim que aconteceu, mais uma vez, na Eucaristia de sexta-feira, dia 14, com a presença de diversos sacerdotes, de religiosas, do Presidente da Asel e de alguns familiares. No decorrer da celebração, o nosso seminarista João Nogueira, do I Ano e natural de Freigil, Resende, recebeu a sua alva (túnica), para marcar o início da sua caminhada.

Na refeição fraterna que se seguiu não faltaram as castanhas.

Tempo de oração

As pagelas distribuídas continham imagens com os nossos seminaristas, de Resende e Lamego, mas também tinha a oração, a nível nacional, para estes dias. Sabemos que nas paróquias, em família, individualmente ou em grupo, se rezou diariamente esta oração. Bem hajam.

Ao princípio da noite de sábado, dia 15, um numeroso grupo encheu a espaçosa igreja paroquial da paróquia de Santíssimo Salvador de Penajóia, no arciprestado de Lamego. Uma escolha que fica a dever-se ao facto de um dos candidatos à ordenação diaconal ser natural daquela terra.

A Vigília de Oração, vivida em ambiente sereno e presidida por Mons. Joaquim Dias Rebelo, nosso Vigário Geral, proporcionou a escuta da Palavra de Deus, de algumas passagens da Exortação do papa Francisco, do testemunho do Fabrício e do Valentim, mas também de cânticos apropriados e bem interpretados pelo grupo coral de Penajóia. A bênção do Santíssimo sacramento encerrou a celebração.

Em seguida, o pároco, Padre José Fernando, convidou todos para a sua residência paroquial, onde umas mesas repletas de coisas boas esperavam os participantes, contribuindo para o convívio entre todos. Para lá das gentes de Penajóia, também um numeroso grupo vindo de Ferreiros, terra natural do Valentim, alguns jovens de Penude e vários sacerdotes.

Aqui fica uma palavra de agradecimento à paróquia de Penajóia que, animada e guiada pelo Padre José Fernando, nos acolheu, connosco rezou e com todos foi generosa.

O Reitor, Pe. Joaquim Dionísio

in VOZ DE LAMEGO,  n.º 4289, ano 84/51, de 18 de novembro de 2014.

7 Seminaristas maiores | breve testemunho

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“A minha entrada no seminário é o início de um novo caminho. Um caminho que tem como objetivo de destino o sacerdócio, no serviço a Deus e a Sua Igreja. Nesse caminho não estou sozinho. Comigo caminham outros que como eu procuram o trilho certo para a felicidade, Jesus Cristo. Juntos, formamos uma família. Somos todos irmãos, apoiamo-nos uns aos outros perante as dificuldades e alegrarmo-nos sempre que a tristeza se tenta apoderar da alma. O trabalho é árduo e o caminho é longo, mas a grandeza do amor de Deus por nós é a nossa energia”.

João Pereira, I Ano | Freigil-Resende

“Tempo de Seminário é também, para além de muitas outras disposições, tempo de agradecer ao Senhor. Agradecer por aquilo que nos deu sem que nós lho tenhamos pedido, nomeadamente a vocação e agradecer por tudo aquilo que tantas vezes não nos dá, ainda que nós lho peçamos

Diogo Martinho, III Ano | Cotelo-Gosende

“A família é, sem dúvida, um dos pilares fundamentais para a caminhada do seminarista rumo ao sacerdócio. É a família, que mesmo longe (em termos físicos) está sempre presente nos nossos corações, por meio da oração. É com a força de Deus, dos amigos e da família que todos os dias renovo o meu “sim” e o que me leva a seguir o percurso indicado por Ele”.

Vítor Carreira, IV Ano | Queimadela

“O Seminário, na sua vivência não difere da primeira comunidade dos discípulos. Continua a ser não só um lugar de procura, um eco do primeiro encontro dos primeiros discípulos: «Mestre, onde moras?», mas também a resposta ao convite de Jesus para O seguir, caminhando com Ele ao encontro da humanidade. De facto, é através da oração, do estudo e das atividades pastorais, que o seminarista se prepara para se configurar com Cristo, Bom Pastor”.

Diogo Rodrigues, V Ano | Mases-Lazarim

“Um seminarista é um “desafiado” por Deus. Chamado para O seguir, enviado para Amar! Não deixemos de desafiar com as nossas palavras e atitudes aqueles com quem nos cruzamos. Padre? Porque não?”

Luís Rafael Azevedo, V Ano | Vila da Ponte

“Tem confiança, levanta-te Ele chama-te” (Mc 10, 49). Esta provocação feita ao cego Bartimeu conduziu que ele deixasse a beira do caminho para passar a fazer parte do caminho com Ele e com alegria “levantou-se de um salto e foi ter com Jesus” (Mc 10, 50). Tenhamos a mesma ousadia de Bartimeu”.

Ângelo, VI Ano | Vila Nova Souto D`El-Rei

“A Paróquia é a grande escola da família da fé. É através da simplicidade das pessoas que se manifesta a alegria do Evangelho. Agradeço a todas as paróquias que nos têm acolhido e ensinado a viver na humildade e no Amor”.

Joel, VI Ano | Granjal

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4288, ano 84/50, de 11 de novembro de 2014.

Seminários 2014 | SERVIDORES DA ALEGRIA DO EVANGELHO

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Estamos a viver a Semana dos Seminários, de 09 a 16 de Novembro, no nosso país. Uma oportunidade para os fiéis olharem mais atentamente para estas casas, centros de formação e acompanhamento vocacional, rezarem por todos quantos ali vivem e crescem, rogando ao Senhor pelas vocações sacerdotais, e contribuírem para a sua continuidade, nomeadamente através do ofertório das Missas do dia 16.

Na nossa diocese de Lamego existem dois seminários: o Menor, Seminário de Nossa Senhora de Lourdes, em Resende, e o Maior, Seminário Jesus, Maria e Ana, em Lamego. Por causa da formação académica, os nossos seminaristas maiores (7) integram o Seminário interdiocesano de S. José, em Braga, juntamente com os seminaristas de Bragança (5), Guarda (3) e Viseu (5).

 

Casas de formação

Os seminários, casas para a formação dos futuros padres, apareceram na história após o Concílio de Trento, quando a Igreja reconheceu a necessidade de formar devidamente os seus pastores, tendo em vista o desafio que a Reforma representava. Ao longo destes séculos, em casas próprias ou emprestadas, adaptadas ou construídas de raiz, maiores ou menores, com mais ou menos comodidades, os seminários foram cumprindo a sua missão de acolher, acompanhar, formar e enviar padres para animar pastoralmente as comunidades cristãs.

Os seminários formaram muitos jovens para o sacerdócio, mas também contribuíram para a formação de muitos homens que, não chegando à ordenação presbiteral, aqui receberam ensinamentos, valores e princípios que os ajudaram a singrar na vida. A este propósito, é gratificante participar nos encontros de antigos seminaristas e testemunhar a gratidão, a saudade e a alegria de tantos e tantos que, embora longe, não deixam de reconhecer ao seminário importante papel na sua formação. Quantas gerações não tiveram a oportunidade de obter uma educação de qualidade nos seminários?

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Casas menos cheias

Tal como ontem, os seminários da nossa diocese cumprem a missão para que nasceram, apesar dos seminaristas serem em menor número. Nos anos anteriores e imediatamente posteriores ao Concílio Vaticano II viveu-se uma “época de abundância”, com os seminários repletos de jovens candidatos ao sacerdócio. A maioria dos seminaristas era composta por crianças ou adolescentes, provenientes da cultura de cristandade dominante. Esta impregnava os âmbitos sociais, familiares e educacionais, que são os espaços mais incisivos para a socialização dos valores religiosos. O discernimento acontecia, muitas vezes, “depois de entrar” na instituição. Para ingressar era suficiente “querer ser padre”. Só depois se esclarecia e se confirmava tal desejo.

A partir de meados dos anos 80 e 90 há um decréscimo de seminaristas e rapidamente os seminários se transformam em casas com poucos residentes. Algumas explicações podem surgir para a escassez: baixa natalidade, outras possibilidades de formação, mudanças sociais, declínio da dimensão religiosa…

Os responsáveis pela formação nos seminários que, em tempos de abundância se ocupavam em escrutinar os candidatos, tornam-se agora promotores da vocação.

Importante semear

A nossa sociedade caracteriza-se por uma grande centralidade do homem e este aparece como um ser sem vocação. Uma situação que afecta todos, não apenas as diocese sem sacerdotes ou os institutos sem consagrados. O grande desafio é criar uma cultura da vocação, não apenas para encher os seminários, mas para ajudar a encontrar um sentido para a vida. E isso pode conseguir-se com um trabalho conjunto, na pastoral da Igreja, no dia a dia da diocese, mudando mentalidades e práticas. Mais do que técnicas de recrutamento, importa testemunhar e convidar.

A imagem do semeador está presente, animando e orientando todos na missão de semear, desafiando a esperança de quem gostaria de ver frutos rapidamente e em abundância. Um processo lento que exige perseverança.

Alegria e esperança

A nossa diocese, com as suas 223 paróquias, conta com um presbitério empenhado e generoso que se esforça por servir os fiéis das comunidades cristãs que lhe estão confiadas. Cada um dos nossos sacerdotes é uma graça para a Igreja e para esta porção do Povo de Deus. Nos últimos 10 anos foram ordenados 22 sacerdotes em Lamego. Podem não ser muitos, mas são uma graça e serão, também estes, a contribuir para novas vocações.

A pastoral vocacional não se entende nem plenamente se concretiza sem a presença e acção dos nossos párocos que, localmente, melhor conhecem e mais rapidamente chamam, convidam e motivam a trabalhar na Messe do Senhor. Zelar pelas vocações sacerdotais é também acto de semear para um futuro que já começou. A nossa diocese vai tendo os padres que necessita porque sempre foi tendo párocos vocacionalmente empenhados.

Acreditamos na Providência divina e confiamos na Sua promessa de que a Igreja sempre terá os pastores de que precisa. Mas sabemos também o quanto a acção da Igreja (oração, convite, discernimento, grupos, retiros, diálogo, acolhimento…) é importante para que o plano de Deus se concretize. Por isso, a todos renovamos o convite para continuarem a colaborar.

 

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4288, ano 84/50, de 11 de novembro de 2014.

ESCUTAR E RESPONDER |Editorial Voz de Lamego | 11 de novembro

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Depois da primeira página, partilhamos agora o EDITORIAL, no qual do Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, relaciona a escuta com a vocação, e com a resposta ao chamamento de Deus.

Muitos motivos de interesse para ler a Voz de Lamego, e oportunidades para aprender, refletir, meditar, envolver-se na missão evangelizadora da Igreja.

ESCUTAR E RESPONDER

Entre os cinco sentidos, dizem que os ocidentais privilegiam a visão. Habituamo-nos a contemplar para descrever, a olhar para repousar, a admirar para sentir, a encontrar na paisagem o que retratar na pintura ou relatar na escrita. Para nós, ver é fazer parte da paisagem e contemplar é saborear a vida. Dizem que os orientais privilegiam o ouvido.

Daqui se percebe a nossa maior facilidade em falar, apresentar, descrever… e o sacrifício que representa, às vezes, ter que ouvir. Quantos mestres não há que se deleitam quando são ouvidos, mas que não escondem o desconforto quando têm que ouvir?

Ouvir custa! Seja porque o conteúdo é repetitivo, pouco atractivo ou apresentado com deficiências; seja porque não há empatia com o interlocutor; seja porque não partilhamos pontos de vista semelhantes; seja porque nos corrigem ou provocam…

Escutar exige esforço e demonstra respeito. E não basta dizer que é importante fazê-lo ou escrever muito sobre o assunto; é fundamental exercitar (pastoral do acolhimento e da escuta). A começar na família: um pai ou uma mãe que não saibam ouvir não conhecem verdadeiramente os seus filhos. Da mesma forma, um pároco diante dos seus fiéis ou um bispo perante os diocesanos…

É fundamental ouvir para obedecer (a mesma raiz latina). Nem sempre obedecemos – cumprir responsavelmente um dever ou desempenhar uma missão – porque não ouvimos.

Por último, sabemos como é essencial ouvir para escutar Deus: na Palavra, na oração, nos irmãos, na consciência, na natureza…

Na Semana dos Seminários que estamos a viver é importante valorizar o “ouvir”. A crise de vocações sacerdotais de que se fala pode ser reflexo da indisponibilidade para ouvir. Porque é preciso escutar para responder. Mas não será isso que acontece em tantas situações da vida, uma crise de escuta?

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4288, ano 84/50, de 11 de novembro de 2014.

VOZ DE LAMEGO | primeira página | DESTAQUES

Primeira página do Jornal da Diocese, VOZ DE LAMEGO. Em Semana dos Seminários, o destaque não poderia deixar de ser os nosssos Seminários. No interior desta edição, a chegar a casa dos assinantes ou disponível nas bancas habituais, a mensagem de D. António Couto, breve testemunho dos seminaristas maiores, um texto de fundo sobre o seminário, a sua razão de ser, concretizando na nossa Diocese, texto de um seminarista menor sobre a pastoral vocacional. Para abrir o apetite, eis a primeira página:

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Semana dos Seminários | SERVIDORES DA ALEGRIA DO EVANGELHO

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Aproxima-se a Semana dos Seminários, que decorrerá de 9 a 16 de novembro de 2014, em todo o Portugal. D. Virgílio do Nascimento, responsável pela Comissão Episcopal das Vocações e dos Ministérios, propõe-nos a seguinte Mensagem:

A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (Papa Francisco, Evangelii gaudium, 1).

Nesta Semana dos Seminários de 2014, reafi rmamos a nossa certeza de que o caminho da Igreja é o caminho da alegria do Evangelho, ou seja, o caminho de Cristo, que transforma as dores da humanidade, a tristeza, o desespero e a morte, em nova aurora de vida, de esperança e de alegria.

Reafirmamos que o caminho da evangelização do mundo passa pelo testemunho de vida de muitas pessoas, famílias e comunidades, que se sentem felizes por estar fundadas em Cristo. Do mesmo modo, assumimos que a via mais segura para o cultivo das vocações sacerdotais entre os jovens, exige que todos nós, cristãos, vivamos e testemunhemos a alegria do encontro com o Evangelho.

Rezamos pelos nossos Seminários, para que sejam escolas de formação dos futuros padres, servidores da alegria do Evangelho.

  1. Padre, discípulo com os discípulos

Ontem, como hoje, a Igreja e o Mundo reclamam padres que sejam homens de Deus, cheios do Evangelho no coração e na vida, apaixonados por Jesus Cristo, discípulos disponíveis para seguir o Mestre. Ler mais…