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DIGNIDADE DOS TRABALHADORES | Editorial Voz de Lamego

DIGNIDADE DOS TRABALHADORES

A exemplo do que acontece noutros países, também os portugueses param para viver a festa dos trabalhadores, no primeiro dia de Maio, recordando as lutas sociais e a repressão sangrenta que nesse dia, em 1886, aconteceu nos EUA.

A Igreja não poderia deixar de participar nesta jornada. Por isso, em 1955, Pio XII instituiu a festa de S. José Operário, convidando à dignificação do trabalho e de todos os trabalhadores, bem como à contemplação de José, aquele a quem Deus confiou Jesus.

E José nem será uma referência se atendermos apenas à performance do trabalho por muitos defendida: o mais rápido, o mais forte, o que ultrapassa os outros. Na carpintaria de Nazaré estamos longe do culto da competitividade, dos objectivos sobre-humanos, da idolatria da carreira, do êxito profissional a todo o custo… Isso levaria apenas ao stress ou às intermináveis horas suplementares nem sempre pagas, com as consequências negativas desse modo de vida profissional: famílias abandonadas, ausência face aos filhos, desgaste e perda de saúde, depressões… Uma carreira profissional merecerá tais sacrifícios? No fim, o que fica?

Os evangelhos dizem pouca coisa sobre José e, ele próprio, nada diz. Mas adivinhamos facilmente que ele faz o seu trabalho, sem correrias, obcecado com o sucesso ou o lucro. José é um trabalhador comum, “um bom pai de família”, no que isso tem de mais simples. Educou Jesus, ensinou-lhe a sua profissão, proporcionou-lhe uma existência tranquila, não particularmente rica, mas não necessariamente pobre. Um modelo pacífico e acessível, muito longe do culto da performance dos tempos modernos.

A idolatria do trabalho é a antítese do trabalho tal como o exemplifica S. José. O trabalho é alegria e sofrimento, serviço da comunidade e aproximação de Deus: eis o que podemos aprender na escola de Nazaré.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/21, n.º 44587, 24 de abril de 2018

PROXIMIDADE – AUTORIDADE | Editorial Voz de Lamego | 13-03-2018

PROXIMIDADE – AUTORIDADE

Na próxima segunda-feira, dia 19, evocamos a figura de S. José, patrono da Igreja universal, e celebramos o Dia do Pai, atendendo a que José foi o escolhido por Deus para guiar o Filho segundo a carne, na caminhada da Sua humanidade.

A propósito, os bispos portugueses dirigiram uma mensagem de saudação a todos os pais, enaltecendo a sua missão e agradecendo todo o empenho na tarefa, nem sempre fácil, de educadores. E apontam a proximidade como forma de concretizarem a missão com doçura e firmeza. Porque é preciso estar perto para escutar, ver, ajudar, acompanhar, ensinar, corrigir, testemunhar…

A figura do pai é desconsiderada em certos ambientes, originando uma crise que abrange jovens criados em famílias monoparentais e em lares divididos, e que é motivada por pais ausentes, desqualificados, que se comportam como “irmãos mais velhos” e descartam a figura de autoridade, mas também pela diversidade de referências paternas (o que gera, o que educa, o que abandonou, o que adopta) e a erosão de tantos casamentos. E como a paternidade tem um efeito cumulativo de uma geração à outra, quem não teve um verdadeiro pai terá mais dificuldade em assumir-se na missão paterna.

A missão do pai é fazer viver, crescer, iniciar. O pai não é um “especialista” nem a paternidade uma profissão que assenta numa técnica, mas um caminhar juntos que se aprende e se realiza no tempo, por osmose (pelo exemplo), transmitindo uma arte de viver.

E toda a paternidade se funda sobre um princípio educativo que é o da autoridade. Mas uma autoridade de serviço, muito mais que um abuso de poder ou realidade castradora.

A paternidade é uma passagem de testemunho. O mundo precisa de ser guiado pelo exemplo.

Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, ano 88/15, n.º 4452, 13 de março de 2018

Solenidade de São José no Seminário Maior de Lamego

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Na passada sexta-feira, dia 18 de março, a comunidade do Seminário Maior de Lamego celebrou, embora vespertinamente, a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria.

Na Eucaristia, presidida pelo nosso bispo, D. António Couto, estiveram presentes os párocos dos seminaristas, os orientadores dos estágios pastorais, algumas irmãs religiosas, assim como os familiares dos mesmos seminaristas.

Na homilia, o nosso bispo referiu-se a São José como a “figura grande da Escritura e da Igreja”, um homem simples, sábio, justo, silencioso e ao mesmo tempo atento à Palavra.

A partir do Evangelho escutado neste dia (relato da perda de Jesus no Templo – Lc. 2, 41-51a), o nosso bispo afirmou que na nossa vida sempre que nos dermos conta que deixamos Jesus para trás, ou seja sempre que não andar na nossa caravana, tenhamos a coragem de voltar e, tal como José e Maria, ir ao seu encontro.

Ainda nesta celebração, o nosso colega Diogo Martinho, do IV ano de Teologia, foi admitido às Sagradas Ordens. D. António Couto deu graças a Deus pelo dom da vida deste nosso amigo, aproveitando para lembrar, não só o nosso Seminário Maior de Lamego, mas também o Seminário Interdiocesano de São José, em Braga. O nosso bispo apontou ainda que tal como São José foi considerado o homem justo, também a nossa vida deve ser pautada por esta justiça de Deus, assim como na nossa vida, a nossa ocupação deve estar voltada para as coisas de Deus, nosso Pai.

Terminada a Eucaristia seguiu-se o jantar, momento de alegria, de convívio e de partilha entre famílias.

Vítor Teixeira Carreira, 5º Ano, in Voz de Lamego, ano 86/18, n.º 4355, 22 de março de 2016

ELOQUÊNCIA DISCRETA | Editorial Voz de Lamego | 15 de março

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Em vésperas da Solenidade de São José, a Voz de Lamego assinala, pondo em destaque na primeira página, a figura de São José. O editorial, do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor do Jornal Diocesano, faz-nos olhar atentamente para São José, Patrono da Igreja Católica, cuja discrição não é apagamento mas serviço.

ELOQUÊNCIA DISCRETA

No próximo sábado, 19 de março, o calendário litúrgico recorda São José, o pai adoptivo de Jesus, a quem Pio IX declarou Patrono da Igreja católica, em 1870.

Apesar de silencioso nos evangelhos, José é a figura discreta que prega com a vida e se torna eloquente pela forma fiel com que cumpriu a sua missão até ao fim.

São José, a quem a escuta fiel e atenta permite obedecer, percorre um caminho de santificação a partir do quotidiano, praticando o que é comum, simples, autêntico. Mas, como escreveu João Paulo II, “esse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o ‘justo’ (Mt 1, 19)” (A figura de S. José na vida de Cristo e da Igreja, n.º17).

Por isso, falar de José é fazer referência ao crente que se disponibiliza para servir e seguir a Deus, obedecendo e cumprindo a sua missão. Mas é também tornar presente o pai atento e solícito, o marido presente e dedicado, o profissional cumpridor e competente.

Num tempo em é necessário gritar ou protagonizar atitudes menos próprias para ser notícia, José permanece uma referência: não precisa de ruído para ser ouvido, de cartazes provocadores para ser notado, de gestos impróprios para mostrar que existe. Mas está lá, cumpre e “desaparece de cena” sem nos avisar, quando todos os olhares estão voltados para Jesus.

A nossa admiração e estima por todos quantos, como S. José, de forma discreta e eficiente, tornam a vida dos outros mais fácil e alegre, o convívio mais agradável, o trabalho menos árduo, o lar mais acolhedor, a família mais unida, a simplicidade mais visível… Sem lutas, agressões, bicos de pés e sem se julgarem insubstituíveis.

in Voz de Lamego, ano 86/17, n.º 4354, 15 de março de 2016