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SANTIDADE – SIM| Editorial Voz de Lamego | 27 de outubro de 2015

Santidade_Sim

No último Domingo, 25 de outubro, encerrou a XIV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, pelo que a edição da Voz de Lamego desta semana não poderia deixar de fazer eco do acontecimento bem como a mensagem vincada no mesmo, na preocupação comum de valorizar a família.

Por outro lado, e sintonizando com a solenidade do Todos os Santos, aí está também o Editorial do pe, Joaquim Dionísio para que a santidade seja o jeito normal de realizar a vida.

SANTIDADE – SIM

O texto “Retrato de Mónica” faz parte do livro “Contos Exemplares”, da escritora Sophia de Mello Breyner. Com a mestria que todos lhe reconhecem, a autora descreve o ser e o agir de alguém que tudo faz para ter sucesso e influência social, imune ao vazio que a habita e cega à futilidade que alimenta, seleccionando contactos, mantendo aparências e promovendo iniciativas que lhe dão visibilidade.

Mas para atingir tal “sucesso” – escreve a autora – teve que “renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade”. À poesia só precisou de dizer não uma vez e o amor, após algumas recusas, deixou de aparecer. “Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias”.

A vocação comum de homens e mulheres é a santidade, entendida como fruto de uma humanidade plenamente assumida, resultado das opções e decisões de todos os dias, soma do sim ao Senhor, aos irmãos e ao mundo. Não é um acaso ou uma herança, mas resulta de um caminho consciente e responsável que não se cumpre sem sacrifício. Porque o bem, a verdade e a justiça dão trabalho!

Dizer não à santidade será, então, viver sem sentimentos, calcular egoisticamente os percursos e calar a consciência que alerta, corrige e denuncia, deixando de lado valores e princípios que elevam, aproximam e dignificam.

No próximo domingo celebramos a festa de Todos os Santos, a oportunidade para louvar e recordar todos quantos, com esforço e perseverança, disseram sim à vida e ao Seu Autor.

Eis uma ocasião propícia para repensar opções e percursos, aceitando o convite à santidade que chega diariamente. O sim será exigente, mas mais realizador que o cansativo não!

in Voz de Lamego, ano 85/48, n.º 4335, 27 de outubro

SANTIDADE E LIBERDADE | Editorial Voz de Lamego | 4 de novembro

santidade_liberdadeUm dos temas de fundo desta edição da Voz de Lamego, de 4 de novembro, e destaque de primeira página, é a Família, com entrevista ao responsável da Comissão Diocesana da Família, Pe. Carlos Lopes. Porém, e, como já nos habitou, o Jornal da Diocese traz até nós um conjunto de reflexões, sobre a vida, a felicidade, as comunicações sociais, a Igreja, o mundo atual… Sendo um semanário regionalista e que abrange o território da Diocese de Lamego, notícias do que vai acontecendo ou do que vai acontecer, em diferentes lugares, com acontecimentos variados, como o Encerramento do Serviço Serviço de Atendimento Permanente (SAP), no Centro de Saúde de Resende, e a consequente e urgente contestação; a formação de catequistas para o próximo sábado, no Seminário Maior de Lamego; iniciativas no projeto + Ser; Tarouca em promoção do Aeroporto Sá Carneiro no Porto; balanço da festa da castanha, em Armamar; os Forais de Sernancelhe; e muitos outros motivos de interesse na região e na diocese.

Como habitualmente, sugerimos que a leitura se inicie com o EDITORIAL proposto pelo Diretor do Jornal, Pe. Joaquim Dionísio, esta semana relacionando a santidade e a liberdade:

SANTIDADE E LIBERDADE

Afirmar que a santidade é fruto da liberdade pode incomodar quem vê a santidade como negação de si mesmo para agradar ao Outro e contempla a liberdade como o direito de fazer e dizer sem depender de ninguém. Nesse sentido, a liberdade será entendida como ausência de obrigações e responsabilidades, isto é, uma liberdade de. Tal liberdade facilmente resvala para a libertinagem.

A liberdade de que aqui se fala, condição fundamental para a santidade, é a liberdade de quem sabe que aos direitos correspondem deveres: cidadania, fraternidade, responsabilidade social… Trata-se, então, de uma liberdade para.

A liberdade concretiza-se na vida de todos os dias, nas relações humanas, correndo riscos, assumindo limites, valores e princípios. A sua falta faz-nos pensar na escravidão ou na impossibilidade de movimentos ou da livre expressão, tal como escreveu Dostoiévsky: “Quando ouço gritar ‘liberdade’ venho à janela ver quem vai preso”.

Para o cristão, a liberdade é dom que Deus dá ao homem para lhe permitir caminhar no amor. Uma presença que não oprime, esmaga ou destrói a subjectividade. Por isso, Paulo escreve: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou”. Fomos libertos para sermos livres. E é esta liberdade que deve ser santificada diariamente. Como? Assumindo-a com responsabilidade.

A liberdade assume-se, plenamente, como obediência, como disponibilidade para seguir fazendo o bem. Quanto mais praticamos o bem, concretizando o amor, mais livres somos. Por isso, Lutero, que tanto se preocupou com a questão da liberdade, é capaz de exclamar: “o cristão é um ser absolutamente livre e a ninguém sujeito; o cristão é servo de tudo e a todos sujeito”.

Jesus é a expressão máxima do homem livre que obedece, porque ama.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4287, ano 84/49, de 4 de novembro de 2014.

Solenidade de TODOS OS SANTOS | Santidade | 1 de novembro

todos-os-santos-e-santasNeste sábado louvamos o Criador por todos quantos, antes de nós, viveram responsavelmente a sua vida, em plena liberdade. Homens e mulheres que, apesar de limites confessados e de percursos nem sempre isentos de dúvidas ou quedas, percorreram a vida de forma exemplar e são um testemunho a ter em conta. A Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos.

A santidade não está na moda. Nunca esteve. E falar dessa vocação a que todos os baptizados são chamados pode não motivar muito os ouvintes e leitores. Mas é a verdade: somos todos convidados a ser santos, a esforçarmo-nos por ser santos. Tal como nos esforçamos por saber algo ou a conseguir alguma coisa. E nada se consegue sem esforço. Porque a santidade não é um acaso, fruto de intenções, de discursos ou de fugas, mas o resultado de uma procura e a consequência de muitas escolhas acertadas e de opções correctas.

Alguém disse, com humor, gostar muito do trabalho e que seria capaz de estar horas e horas a olhar para ele. A santidade dá trabalho, mas não resulta apenas da contemplação. Até porque, entre os nossos pecados, talvez tenhamos que confessar sempre o da omissão. Quem quer ser santo? A resposta deveria vir, em uníssono, da boca de todos os baptizados. Sabemos que não é assim. Confiantes na misericórdia de Deus, acreditamos que a multidão dos santos é incontável. O que nos dá esperança de chegar lá, apesar dos muitos limites.

Festa de todos

No primeiro dia de Novembro a Igreja honra a imensa multidão dos que foram vivas e luminosas testemunhas de Cristo. Se um certo número de entre eles foi oficialmente reconhecido, concluindo um procedimento chamado “canonização”, e nos foram dados como modelos, a Igreja sabe bem que muitos outros viveram igualmente na fidelidade ao Evangelho e ao serviço dos irmãos. Por isso, nesta festa, celebramos todos, conhecidos ou desconhecidos.

Mas a festa serve também para nos recordar que todos somos chamados à santidade, por caminhos diferentes, às vezes surpreendentes ou não esperados, mas acessíveis. Porque a santidade não é uma via reservada a uma elite: diz respeito a todos os que escolhem seguir Cristo.

Por outro lado, a vida dos santos constitui uma verdadeira catequese, viva e próxima de nós. Mostra-nos a actualidade da Boa Nova e a presença actuante do Espírito Santo entre os homens. Testemunhas do amor de Deus, estes homens e mulheres são nossos próximos pelo seu caminhar – não se tornaram santos do dia para a noite – pelas suas dúvidas, pelos seus questionamentos, pela sua humanidade.

Santidade como meta

O texto das Bem Aventuranças, lido nesta festa, diz-nos que a santidade é fruto do acolhimento da Palavra de Deus, da fidelidade e da confiança n’Ele, mas também da bondade, justiça, amor, perdão e paz (cf. Mt 5, 1-12). E a multidão dos baptizados de todas as raças, de todas as línguas, de todas as nações, que são filhos adoptivos pela graça divina e participam na vida trinitária, é anónima aos olhos dos homens. Só Deus a conhece, Ele que a todos chamou.

Desde o século IV que a Igreja síria consagrava um dia para festejar todos os mártires, já que o seu número se tornara tão grande que impossibilitava a comemoração individual. Três séculos mais tarde, num esforço para cristianizar as festas pagãs, o Papa Bonifácio IV transformava um templo romano dedicado aos deuses, o Panteão, numa igreja consagrada a todos os santos. O costume expandiu-se no ocidente, mas cada Igreja festejava em datas diferentes, até ao ano 835, quando é fixada no primeiro dia de Novembro.

Como escreveu S. Bernardo: “É do nosso interesse, não do interesse dos santos, que honremos a sua memória. Pensar neles, é uma forma de os ver. Com isso, somos transportados espiritualmente para a Terra dos Viventes”.

Procura e não acaso

Ao longo da Revelação bíblica, Deus dá-se a conhecer não somente como Deus criador, vivo e verdadeiro, ao qual se deve render culto com sacrifícios santos, mas mais ainda como Aquele que ama os homens, que os livra do mal e lhes oferece a possibilidade de viverem em aliança com Ele.

Ao longo deste caminhar na Aliança, aparece a inconstância dos homens e a sua recusa em amar, o seu pecado. É a estes homens fracos e por vezes rebeldes que Deus oferece a sua própria santidade como caminho de felicidade: “Vós sereis santos, porque eu sou santo” (Lev 19, 2).

Tornar-se santo não é fazer coisas para Deus ou em seu nome, mas tornar-se semelhante a Ele, ser participantes da vida de Deus (cf. 2 Pd 1, 4) que é Amor e Luz. Ser santo é então uma maneira nova de ser, enraizado no amor, iluminado pela Palavra de Deus, e que se traduz pelo dom de si mesmo para o serviço de Deus e do próximo: “Procurai imitar Deus, como filhos bem amados, a exemplo de Cristo que vos amou e se entregou por vós” (Ef 5, 1).

Jesus Cristo é “o Santo de Deus” (Jo 4, 34), perfeita imagem de Deus na nossa humanidade. Ele é o modelo que nos é proposto e o próprio caminho da santidade. É por Ele, único mediador entre Deus e os homens, que comunicamos com Deus, o Pai, no Espírito de amor.

Tornar-se santo é percorrer um caminho de transformação profunda, vivendo a “vida nova dos filhos de Deus”, pela prática das virtudes cristãs e humanas. Dito de outra forma, protagonizar comportamentos habituais, a partir do coração, na fé em Jesus Salvador, na esperança fiel de Deus e suas promessas de vida, no amor de Deus, a si mesmo e ao próximo, na justiça, na franqueza, na sobriedade, na luta contra o mal, etc.

Vocação comum

O Concílio Vaticano II relançou este apelo de Deus para participarmos na sua santidade: é a vocação comum de todos os fiéis de Cristo e que os coloca em pé de igualdade, homens e mulheres, desde o Papa até ao mais pequeno dos baptizados. Um convite único que não está reservado aos cristãos, mas que estes assumem a missão de anunciar a todos os homens e mulheres, porque a alegria ou se partilha ou não está completa.

Entre os cristãos, alguns – mesmo crianças – gozam de uma grande consideração pelo testemunho de santidade que deram até ao fim das suas vidas, às vezes pelo martírio, mas mais frequentemente pela sua total fidelidade ao quotidiano. A sua reputação de santidade manifesta-se no povo cristão pela estima dedicada ao seu exemplo, mas também pela oração que lhe é confiada junto de Deus e pelas respostas ou graças que lhes são atribuídas. A sua vida cristã é tomada como exemplo, considerados como irmãos mais velhos na fé, chegados a bom porto depois das dificuldades desta vida, mas que continuam próximos de nós e nos assistem com a sua intercessão.

 

in Voz de Lamego, 28 de outubro de 2014, n.º 4286, ano 84/48

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BEATO PAULO VI: A IGREJA AO SERVIÇO DA HUMANIDADE

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No passado domingo, em Roma, a Igreja beatificou o Papa Paulo VI. Sucedendo a João XXIII, que convocara o último Concílio, coube a Paulo VI conclui-lo e, mais difícil ainda, pô-lo em prática. Para muitos dos nossos leitores, este Papa é recordado com alegria, lembrando a sua vinda a Fátima (1967) ou as suas viagens (esteve nos cinco continentes). Outros o recordarão como alguém que, depois das expectativas decorrentes da novidade conciliar, protagonizou ensinamentos e decisões que pareceram anular tal abertura.

Homem do mundo

Todos nós olhamos para as viagens papais como algo normal, mas é importante dizer que Paulo VI foi o primeiro Papa a apanhar o avião para ir ao encontro do mundo. A audácia papal permitiu-lhe olhar o mundo tal como era realmente e não apenas a partir da Igreja. Um mundo que se transforma continuamente e que se apresenta com as suas conquistas, os seus riscos e as suas oportunidades.

Entre os gestos de Paulo VI, destaque para a sua visita às Nações Unidas. Em pleno Concílio, num tempo em que as viagens eram mais cansativas e demoradas, apanha o avião em Roma e, numa viagem relâmpago, vai até aos Estados Unidos da América e permanece 13 horas em Nova Iorque, discursando para o mundo na Assembleia das Nações Unidas. Uma breve presença marcada por um discurso ouvido com atenção e que serviu, também, para apresentar a Igreja como instituição “perita em humanidade”, companheira na caminhada, não apenas para estipular regras, mas também para partilhar os debates, os diálogos e as dificuldades da transformação do mundo.

A acção de Paulo VI pretende mostrar uma Igreja que não se limita a pregar uma espiritualidade desincarnada, mas implicada nas transformações da sociedade. Como uma instância de diálogo e não uma instância dominadora que julga, em diálogo e, em certa medida, ao serviço do mundo.

Homem do diálogo

Um dos seus conselheiros, o filósofo francês Jean Guitton, aconselhou a escrever uma Encíclica sobre a “verdade”, mas Paulo VI ofereceu ao mundo, no dia 06 de Agosto de 1964, a Encíclica “Ecclesiam Suam”, onde o Papa mostra uma Igreja que aprofunda a consciência que tem de si mesma e uma Igreja que se oferece ao mundo no diálogo.

Diante de um mundo que se afastava de Deus e da fé, encara a abertura da Igreja como forma de se aproximar dos que não crêem e dos que não confiam no discurso eclesial. E é esta mesma disposição para o diálogo e para a importância de saber estar no mundo que marca o último grande documento conciliar, a constituição Gaudium et Spes.

Neste particular, será importante também referir o singular encontro de Paulo VI com o Patriarca Atenágoras, em Jerusalém, há 50 anos. Uma data assinalada pelo Papa Francisco na sua recente viagem a Israel. Em perspectiva, o diálogo ecuménico, procurando reencontrar a unidade eclesial perdida e sempre desejada.

O espírito contestatário do Maio de 68 que, entretanto, chega a todo o lado exigiu-lhe perseverança, mas também decisões difíceis, nem sempre bem acolhidas. Os que com ele conviveram mais de perto dizem que sofreu por não ter sido compreendido, ao testemunhar as derivas, as caricaturas até, da abertura da Igreja diante do mundo.

Homem do concílio

Eleito quando o Concílio já tinha concretizado a sua primeira sessão, foi grande o seu papel na concretização e conclusão do mesmo. Morrera aquele que o convocara e instalara- se um certo desânimo perante o ritmo e a aparente indecisão quanto ao rumo a seguir. O aparecimento de Paulo VI imprime novo ardor e as suas orientações revelam-se preponderantes para o avançar e concluir dos trabalhos conciliares.

Todos são unânimes em aceitar a grande influência de Paulo VI em documentos conciliares fundamentais como são Lumen Gentium e, em particular, Gaudium et Spes. Este último mostra o compromisso da Igreja na sociedade, num diálogo desejado e permanente, e é, certamente, muito devedor da acção e ensinamento de Paulo VI, cuja visão sobre o assunto já havia sido apresentada na sua primeira encíclica.

Não restam dúvidas de que o concílio, reunião de todos os bispos, foi inspirado e assistido pelo Espírito, mas também sabemos como é fundamental a abertura humana para que o divino se manifeste e d’Ele seja instrumento. Num encontro com tão grande diversidade de personalidades, culturas e sensibilidades há um mesmo Espírito, mas há também necessidade de estabelecer linhas de actuação e consensos. Porque a história desta reunião magna não se resume aos dezasseis documentos aprovados e difundidos. Há também uma história intelectual dos bispos presentes, marcados por uma mentalidade e por uma formação bastante clássicas e que, graças ao contributo de especialistas e teólogos, se alterou e caminhou de encontro a uma sociedade em mudança.

in VOZ DE LAMEGO, 21 de outubro de 2014, n.º 4285, ano 84/47

INTELIGÊNCIA E HUMOR | Editorial Voz de Lamego | 21-10-2014

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Decorrida a 3.ª Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, de 5 a 19 de outubro, dedicado à temática da família, o Jornal da Diocese faz eco deste encontro de debate, reflexão, diálogo. Na conclusão do Sínodo, a beatificação do papa Paulo VI, com a presença do Papa Emérito Bento XVI a concelebrar com o Papa Francisco, repetindo o gesto da canonização de outros dois antecessores, João XXIII e João Paulo II, no passado dia 27 de abril. A figura de Paulo VI é outro dos destaques desta edição da Voz de Lamego.

Além dos diversos temas de reflexão/opinião, a informação de diversos eventos, na Diocese de Lamego (por exemplo: Dedicação da Igreja de Leomil; Vigília Missionária, em Castro Daire; o arranque da catequese em diferentes paróquias; os alunos inscritos em EMRC por concelhos) e na região que baliza a Diocese (por exemplo: a desfolhada em Magueija; o prémio Manuel Coutinho, entregue no Museu de Lamego; Lamego em promoção no aeroporto Sá Carneiro).

O editorial desta semana centra-se em Santa Teresa de Jesus/Santa Teresa d’Ávila, na sua inteligência e bom humor. Por ocasião do V centenário do seu nascimento, oportunidade de redescobrir os seus textos mas sobretudo acolher o testemunho de santidade. O subtítulo do editorial poderia ser a última frase desta reflexão: “A inteligência aproxima da realidade e o humor não afasta de Deus”.

INTELIGÊNCIA E HUMOR

 

Até 15 de Outubro de 2015 assinala-se o V Centenário do nascimento de Sta. Teresa de Ávila, grande reformadora da Ordem Carmelita (fundou 32 conventos e reformou outros tantos) e mística singular que a Igreja declarou Doutora, em 1970, atendendo à profundidade dos seus escritos espirituais; a primeira mulher a receber tal título.

Oportunidade para nos (re)aproximarmos dos seus textos, contemplarmos a sua vida e meditarmos em tão marcante testemunho. Com o seu ardor missionário contribuiu para a vida e a santificação da Igreja no país vizinho, mais do que a Inquisição de então. E na oração encontrou sempre Aquele que lhe deu forças para avançar e vencer as dificuldades do percurso. E foram muitas.

Nesta breve referência, dois traços desta figura ímpar: a inteligência prática e o humor.

Membro de uma Igreja convidada pelo concílio de Trento a renovar-se / santificar-se, atenta à realidade vivida na sua comunidade religiosa e disponível para participar na obra de Deus, avança e decide reformar a sua Ordem. Tem consciência de que Deus espera algo de si e promove a união de esforços para avançar: a partir da sua casa, da sua família religiosa. A inteligência prática permite-lhe concretizar uma intuição, propor caminhos novos e manter-se resoluta, apesar de se confessar falível.

Por outro lado, a santidade, fruto da seriedade com que se assume a vida, não impede um sadio humor que traduz confiança filial em Deus, revela serenidade interior e aproxima dos irmãos. Um dia alguém a terá provocado: “Madre, dizem que sois bonita, inteligente e santa. Que dizeis de vós mesma?” E Teresa respondeu: “Bonita, vê-se bem. Inteligente, penso que nunca fui tonta. E santa, a veremos, assim Deus o queira.”

A inteligência aproxima da realidade e o humor não afasta de Deus.

 

Pe. Joaquim Dionísio, VOZ DE LAMEGO, 21 de outubro de 2014, n.º 4285, ano 84/47