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Posts Tagged ‘Sagrado Coração de Jesus’

Editorial Voz de Lamego: no Coração de Jesus

Maio é especialmente o mês de Maria, mas também outubro; junho, por sua vez, é o mês consagrado especialmente ao Coração de Jesus. Refira-se que festa em honra do Sagrado Coração é móvel e celebra-se oito dias depois do Corpo de Deus, na sexta-feira (dia da Crucifixão-morte de Jesus), seguindo-se, um dia depois, a Festa do Imaculado Coração de Maria. Bem vistas as coisas, é no Coração de Maria que pulsa e vem à vida o Coração de Jesus.

A devoção liga-se a dois momentos da vida de Jesus: à Última Ceia, quando o discípulo predileto se inclina sobre o peito (coração) de Jesus e na Cruz, quando do Seu lado (do Seu Coração) saiu sangue e água. O Corpo e o Coração. Jesus por inteiro. Totalmente oferecido para que tenhamos vida abundante (cf. Jo 10, 10). Cada instante na Sua vida nos revela o Amor de Deus.

É no amor de Jesus, no Seu coração, que nós nos acolhemos e nos reconhecemos como irmãos, como filhos de Deus. A fonte de todo o Amor é Deus. Deus é Amor. Jesus traz à humanidade este Amor. A Encarnação é já expressão real do amor de Deus por nós. Ama-nos de tal modo que Se faz um de nós, que assume a nossa fragilidade e a nossa finitude humanas. Na Sua morte na Cruz, de novo, o amor como resposta e como desafio. Com a Sua ressurreição e ascensão aos Céus, Jesus coloca a nossa natureza humana à direita de Deus Pai, coloca-nos para sempre no coração de Deus. Com efeito, é o coração que nos faz grandes. É o amor que nos torna pessoas. É pelo amor que nos aproximamos uns dos outros. É o amor que engrandece, dá sentido e sabor à nossa vida. É no amor que nos abrimos àqueles que se aproximam de nós. É pelo amor que reconhecemos a nossa pequenez, o que nos permite acolher o que o outro nos traz. No amor ninguém é autossuficiente. O amor envolve sempre mais que um: Deus e nós, eu e o outro

A 9 de junho de 2013, o Papa Francisco sublinhava que o Sagrado Coração de Jesus é a «máxima expressão humana do amor divino. A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual brotou a salvação para a humanidade inteira».

Maio é o mês do coração, tempo de medir as tensões e equilibrar a saúde. Junho é o mês do Coração de Jesus, tempo de calibrar a nossa vida com a do Divino Mestre.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/26, n.º 4513, 2 de junho de 2019

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus na Sé de Lamego

Deus é amor. O amor é de Deus. O amor vem de Deus.

Coração de Jesus

No dia 23 deste mês, a Igreja viveu a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o que habitualmente acontece na sexta-feira após a oitava do Corpo de Deus. O nosso bispo presidiu à Eucaristia celebrada, na Sé, às 18h30, bem como à consagração de todos os diocesanos ao Coração de Jesus.

A preparação desta festa, na paróquia da Sé, é particularmente assumida e vivida, pelos Associados do Apostolado da Oração, com um tríodo eucarístico. Ao longo desse tempo, o ritmo é marcado pelas celebrações eucarísticas, pela adoração ao Senhor, pela oportunidade de Reconciliação, pela escuta da Palavra e pela presença de um pregador convidado. Este ano esteve presente o Padre José Miguel Loureiro, a quem o pároco, Cón. José Ferreira, agradeceu no final.
D. António Couto, acompanhado por D. Jacinto Botelho e por um grupo de fiéis que não enchia a Sé, presidiu, às 18h, à adoração eucarística e à Bênção do Santíssimo Sacramento, encerrando o referido tríodo preparatório.
Mas, antes da bênção e como habitualmente, consagrou toda a diocese ao amor misericordioso e sempre atento do Coração de Jesus a quem pediu graças e protecção.
Na homilia da Eucaristia que se seguiu, o nosso bispo convidou todos a perderem-se no refúgio do Coração de Jesus, a alegrarem-se e a darem graças ao Amor celebrado, uma presença sempre vida e sublime, ao mesmo tempo que recordava a jaculatória tantas vezes repetida: “Sagrado Coração de Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso”.
Recordando a história recente desta festa e das protagonistas que incentivaram à sua vivência, D. António sublinhou as afirmações do Apóstolo João, que não se cansou de dizer o quanto o Amor de Deus é primeiro e como está sempre onde é preciso: “Deus é Amor. O Amor é de Deus. O Amor vem de Deus”. E convidou a imitarmos Deus: a estar primeiro e a imitar o amor solícito de Jesus.
E responder a um amor assim exigirá a atenção aos mais fracos e pobres, os socialmente esquecidos.

União Eucarística

No final da homilia e antes da profissão de fé, a assembleia testemunhou a presença e o compromisso de novos membros da União Eucarística Reparadora. A todos foi proferida uma breve nota histórica e, logo de seguida, se procedeu ao chamamento dos novos membros que, em uníssono, assumiram o seu compromisso de adorar o Senhor e de levar até ao Senhor todos quantos mais precisam. Foi distribuída uma insígnia, benzida pelo presidente da celebração, que os novos associados colocaram ao pescoço.
Este movimento eclesial foi fundado por um bispo espanhol na primeira metade do século passado, Manuel Gonzalez (falecido em 1940), recentemente canonizado, e era também conhecido como “Marias dos Sacrários-Calvários”.
O objectivo primeiro desta obra é promover a adoração e o aperfeiçoamento espiritual de quantos a assumem, nomeadamente através da visita regular aos sacrários e ao Senhor que ali está e nunca deixa de escutar as súplicas e os louvores dos seus amigos visitantes. Como escreveu o seu fundador, trata-se de “procurar a agradável e fiel companhia ao abandono mais injusto, mais cruel, mais transcendente de todos os abandonos – o do Coração de Jesus nos seus Sacrários”.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/33, n.º 4418, 27 de junho 2017

Devoção ao Coração de Jesus: origem na Sagrada Escritura

A devoção ao Sagrado Coração, de um modo visível, aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: no gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a Última Ceia (cf. Jo 13,23); e, na cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).

Num acontecimento, temos o consolo de Cristo pela dor na véspera de Sua morte. No outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade. Esses dois exemplos do Evangelho ajudam-nos a entender o apelo de Jesus feito, em 1675, a Santa Margarida Maria Alacoque: “Eis este coração que tanto tem amado os homens. Não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma festa especial para honrar o Meu coração, comungando, neste dia, e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares. Prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino amor sobre os que tributem essa divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

João Paulo II sempre cultivou essa devoção e sempre a incentivou a todos que desejam crescer na amizade com Jesus. Em 1980, no dia do Sagrado Coração, ele afirmou: “Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do mistério do Coração de Cristo. Quero, hoje, dirigir, juntamente convosco, o olhar dos nossos corações para o mistério desse coração. Ele falou-me desde a minha juventude. A cada ano, volto a esse mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”

Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:

1.ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;

2.ª Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;
3.ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;

4.ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;

5.ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”;

6.ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;

7.ª Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”;

8.ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”;

9.ª Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;

10.ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;

11.ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;

12.ª Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

in Voz de Lamego, ano 87/32, n.º 4417, 20 de junho 2017

APOSTOLADO DE ORAÇÃO | Editorial Voz de Lamego | 20 de junho

Em destaque nesta edição, entre as várias notícias e reflexões, a Solenidade do Corpo de Deus na cidade de Lamego e a Peregrinação Diocesana ao Santuário de Fátima no Dia da Família Diocesana. O nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, faz outro sublinhado, a celebração da solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

APOSTOLADO DE ORAÇÃO

O calendário litúrgico convida os católicos a celebrarem, no próximo dia 23, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus como momento singular de um mês totalmente dedicado a esta devoção.

E falar do “coração de Jesus” é mais do que recordar ensinamentos e práticas eclesiais ou as visões de Sta. Margarida Maria Alacoque (1675), em Paray-le-Monial, França. Trata-se de tomar consciência do amor de Deus, realidade divina que todos abraça e centro para onde tudo converge.

A Igreja contempla o coração do Salvador da humanidade e deixa-se guiar até ao mais profundo do mistério de amor, onde se encontram o homem e Deus. E a devoção ao Sagrado Coração convida a fixar a atenção sobre este coração amoroso, compassivo e misericordioso que revela a essência de Deus. E facilmente percebemos a estreita ligação entre o Sagrado Coração e a Eucaristia.

O Evangelho insiste no olhar sobre a compaixão de Deus diante da nossa fragilidade. E não se trata apenas da nossa ligação ao pecado e à confissão. A misericórdia divina ultrapassa a dimensão do pecado e recorda-nos continuamente que o convite “Sede misericordiosos” retoma o grande mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

Uma palavra também para as Associações do Apostolado da Oração, presentes em tantas das nossas paróquias e que, de forma discreta e eficiente, promovem e alimentam redes de oração e de proximidade entre os seus membros e o mundo.

Num tempo em que a eficiência é enaltecida e continuamente medida pelos resultados visíveis, o Apostolado da Oração convida à confiança e à esperança, valorizando o compromisso pessoal e o acto de semear pelo bem de todos.

Talvez o mundo e a Igreja não vejam o bem diariamente semeado pelos Associados do AO, mas testemunham as graças que continuamente o Coração de Jesus lhes concede.

in Voz de Lamego, ano 87/32, n.º 4417, 20 de junho 2017

RELIGIÃO DO POVO | Editorial Voz de Lamego | 31 de maio de 2016

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A abrir o Jornal Diocesano, Voz de Lamego, a Peregrinação Arciprestal ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, lembrando-nos que outras peregrinações marianas marcam, em particular, o penúltimo e último domingos de maio, um pouco poro todo o lado, realizadas em paróquias ou conjuntamente nas zonas pastorais.

O Editorial do Pe. Joaquim Dionínio lança-nos para o mês seguinte e para uma das devoções populares enraizadas nas nossas paróquias, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, cuja solenidade se celebra na próxima sexta-feira, 3 de junho, com uma palavra de agradecimento e incentivo para os zeladores das Associações do Apostolado de Oração…

RELIGIÃO DO POVO 

O ritmo pastoral das nossas paróquias continua a ser marcado, também, pela piedade popular ou, no dizer de Paulo VI, pela “religião do povo”.

Apesar de nem sempre considerada, a verdade é que esta religiosidade “manifesta uma sede de Deus que só os simples e os pobres podem conhecer; torna capazes de generosidade e de sacrifício até ao heroísmo, quando se trata de manifestar a fé; comporta um sentido apurado dos atributos profundos de Deus: a paternidade, a providência, a presença amorosa e constante; gera atitudes interiores raramente observadas noutro lugar no mesmo nível: paciência, sentido da cruz na vida diária, desapego, abertura aos outros, devoção” (EN 48).

Neste mês de Junho, assume particular destaque a devoção ao Coração de Jesus, possibilitando a todos “uma atitude de fundo feita de conversão e reparação, de amor e gratidão, de empenhamento apostólico e de consagração a Cristo e à sua obra salvífica” (Directório sobre a piedade popular e a Liturgia 172).

Em pleno Jubileu da Misericórdia, tal devoção permite contemplar a universalidade, a gratuidade e a proximidade do amor de Cristo. Porque o Coração do Salvador é ponto de encontro, refúgio que abriga e fonte que sacia.

Por outro lado, contemplar e celebrar o amor de Cristo é comprometer-se com Ele, assumindo a sua pessoa e a sua palavra como norma de conduta, dando testemunho.

Às vezes, coisas simples e aparentemente datadas (ultrapassadas) podem revelar-se como oportunidade de encontro e meio para chegar mais longe. Vem isto a propósito das Associações do Apostolado de Oração e da “rede” que Zeladores e Associados podem ajudar a manter numa comunidade paroquial.

A nossa homenagem e gratidão a tantos Zeladores que, mensalmente e com o pretexto de distribuírem a “folhinha”, contribuem para tornar mais visível a proximidade e mais efectiva a comunhão eclesial.

in Voz de Lamego, ano 86/26, n.º 4365, 31 de maio de 2016

Homilia de D. António Couto na festa do Sagrado Coração de Jesus

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(Imagem de Arquivo)

CORAÇÃO PARA SEMPRE ABERTO

  1. Passa hoje, no calendário litúrgico desta sexta-feira, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que assinala a presença viva, próxima e intensa de um amor sublime e de uma esperança nova, refletida no rosto, no coração e no horizonte de cada ser humano. Esse horizonte novo brota do coração aberto de Jesus Cristo, fogo ardente de amor e de sentido que enche de luz os nossos passos, tantas vezes andados na penumbra e no escuro. São Paulo diz bem aos cristãos de Éfeso que, antes de terem sido encontrados por Jesus Cristo, viviam «sem esperança e sem Deus no mundo» (Efésios 2,12). A questão, entenda-se bem, já não é apenas viver sem Deus, no desconhecimento (agnôsía) de Deus. É viver sem Deus no mundo, no meio de nós, pertinho de nós, connosco. Sim, se repararmos bem, sem a presença de Deus no mundo, também a nossa habitação fica desabitada, uma espécie de câmara escura, e fica sem sentido a nossa vida. Sem Deus no mundo, pode haver apenas pequenas e inúteis deduções, como quem deduz o céu da terra ou o Último do penúltimo.
  1. Com Deus no mundo, muda tudo. É o céu que desce à terra, é o Último que enche de sentido o penúltimo. Fica habitada a nossa habitação, e um sentido novo rebenta o nosso escuro duro. Sim, o coração aberto do Deus humanado enche-nos de luz e de esperança. Enche-nos de Jesus, de cujo lado aberto saiu sangue e água (João 19,34): o sangue do Cordeiro que assinala as umbreiras das nossas casas (Êxodo 12,22-23) e lava as nossas túnicas brancas (Apocalipse 7,14); a água, que é o Espírito Santo, que vem para nós da humanidade crucificada e glorificada de Jesus, e alumia a nossa inteligência e o nosso coração de filhos, ensinando-nos a dizer: Ab-ba! Do lado aberto do primeiro Adam adormecido nasceu Eva (Génesis 2,21-22). Do lado aberto do novo e último Adam adormecido nasce a Igreja!
  1. Aí está então, amados irmãos e irmãs, o mistério por Deus dado a conhecer e a amar (Efésios 3,8-19) (o conhecimento incha; só o amor edifica), a fonte da nossa vida verdadeira, as nossas habitações (êthos) habitadas de sentido, os nossos hábitos (éthos) luminosos e branqueados. Habitação diz-se, na língua grega, êthos. A habitação é a casa, é a Igreja, a Casa bela habitada por filhos e irmãos. Hábito diz-se éthos, de onde vem «ética», que é a norma para viver na Casa, é o amor e a alegria de que os filhos e irmãos, que vivem na Casa, devem andar sempre revestidos. Habitação e hábito! Oh admirável mundo novo, belo e sublime, que Deus não se cansa de oferecer aos seus filhos amados.
  1. Veja-se outra vez este admirável solilóquio divino, que o Livro de Oseias hoje nos oferece. Diz Deus: «Quando Israel era um menino, Eu o amei. Fui Eu que ensinei a andar Efraim, que os tomei nos meus braços, mas não conheceram que era Eu que cuidava deles! Com vínculos humanos Eu os atraía. Com laços de amor, Eu era para eles como os que erguem uma criancinha de peito contra a sua face, e me debruçava sobre ela para lhe dar de comer» (Oseias 11,1-4).
  1. Um Deus maternalmente debruçado sobre nós. A tão admirável amor condescendente, só podemos responder com adoração e contemplação, dizendo com São Paulo: «Àquele, cujo amor, agindo em nós, é capaz de fazer muito mais, infinitamente mais do que possamos pedir ou conceber, a Ele seja dada a glória na Igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Ámen» (Efésios 3,20-21).
  1. Sagrado Coração de Jesus, fazei o nosso coração semelhante ao vosso, neste dia belo e luminoso em que consagramos ao vosso Coração para sempre aberto a nossa Diocese de Lamego, as suas crianças, jovens, adultos e velhinhos.

Lamego, 12 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

+ António, vosso bispo e irmão

Publicada na Voz de Lamego, n.º 4318, ano 85/31, de 16 de junho de 2015

Admissão às ordens sacras – O pequenino da Escritura

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Platão afirmou que “Deus não se mistura com os homens”, ou seja, Deus encontrava-se na Sua transcendência permanecendo alheio à oração, às alegrias e aos sofrimentos das mulheres e dos homens. Na verdade a solução para esta falácia platónica encontramo-la na devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

O mês de junho é dedicado especialmente a esta devoção, uma devoção que segundo o Cardeal Carlo Maria Martini tem como finalidade chamar “atenção para a centralidade do amor de Deus como a chave da história da salvação”. Neste sentido no passado dia 27 de junho na Igreja Catedral de Lamego procedeu-se a celebração da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, presidida pelo D. António Couto. D. António Couto na explanação da passagem do Evangelho de S. Mateus 11,25-30 chamou atenção para os dois movimentos operados por Jesus, isto é, Jesus primeiro volta-Se para Deus, para logo de seguida voltar-Se para nós. No entanto, esta preocupação com o “bem-querer do Pai” só pode ser realizada por Jesus, porque segundo D. António Couto “o pequenino da Escritura é Jesus”. Jesus é o pequenino de Deus, porque toda a Sua vida foi dedicada ao serviço, e no ensinamento e vivência do único mandamento, o mandamento do amor, em contrapartida da vivência dos 613 mandamentos dos judeus.

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Neste ano esta celebração teve a participação das comunidades do Seminário Maior de Lamego e do Seminário Interdiocesano de Braga, no acompanhamento de dois seminaristas de Lamego que realizaram mais uma etapa da sua caminhada vocacional. Os seminaristas Diogo André Costa Rodrigues (Lazarim) e Luís Rafael Teles Azevedo (Vila da Ponte) ambos do IVº ano foram admitidos as ordens sacras, assumindo “o propósito de caminhar até ao diaconado e presbiterado” nas palavras de D. António Couto.

Por fim, D. António Couto desafiou os cristãos a despojarem “das suas grandezas” para assumirem “o pequeno caminho da perfeição”, caminhando no seguinte tom, “servir é amar e amar é servir”.

Ângelo Santos, Seminário Maior de Lamego,

in Voz de Lamego, 1 de julho de 2014, n.º 4271