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Encontro dos Sacerdotes mais jovens na Paróquia de Numão

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A paróquia de Numão, na zona pastoral de Vila Nova de Foz Côa, foi o espaço escolhido para mais um encontro dos sacerdotes mais jovens da nossa diocese. Depois de em fevereiro último se terem reunido no Seminário Maior, com a presença de D. António Couto, desta vez viajaram até terras do Alto Douro, onde foram acolhidos pelo Padre António Júlio, que também integra o grupo dos ordenados nos últimos anos.

A deslocalização dos encontros permite visitar outras terras, conhecer novas realidades diocesanas e testemunhar, junto das populações locais, a comunhão fraterna e sacerdotal entre todos. Apesar de algumas “baixas”, cumpriu-se o programa e viveu-se alegremente as horas ali passadas.

O encontro iniciou-se na igreja paroquial de Numão, onde o P. António Júlio nos dirigiu algumas palavras e, em seguida, presidiu à Hora Intermédia. Este jovem sacerdote, ordenado há quase três anos, natural do Pocinho, V.N. de Foz Côa, é pároco de mais algumas paróquias vizinhas e, quando nomeado para estas terras, decidiu viver em Numão, sucedendo a Mons. Henrique Paulo que por aqui viveu a sua missão durante cinquenta anos.

Depois fomos até à residência paroquial e juntámo-nos no salão, habitualmente utilizado para a catequese e outros encontros paroquiais. Como sempre, o diálogo foi franco e abrangente, em virtude da partilha feita e das comuns preocupações, acompanhados de umas amêndoas que ainda se colhem por aquelas terras, apesar da vinha estar a ganhar terreno.

Apesar do tempo ameaçar chuva, fomos visitar a Vila amuralhada de Numão, classificada como Monumento Nacional desde 1910, situada a poucas centenas de metros e testemunha da grandiosidade de outrora desta zona. O espaço está aberto a todos, a visita é gratuita e é merecedor de uma paragem para contemplar, admirar e descansar.

Após algumas fotografias, que alguns já fizeram circular pelos meios habituais, fomos almoçar ali perto, a um restaurante em Vale da Teja, lugar pertencente à freguesia da Horta. Depois cada um partiu para as suas terras, levando já consigo a data do próximo encontro, 05 de Julho.

Resta deixar aqui uma palavra de gratidão ao nosso anfitrião, P. António Júlio, pela maneira fraterna como nos recebeu, bem como aos seus paroquianos com quem nos cruzámos. Apesar de cada vez mais desertificadas, as nossas paróquias continuam a ser espaços onde é agradável viver e conviver.

JD, in Voz de Lamego, ano 86/22, n.º 4359, 19 de abril de 2016

D. José Traquina orienta Retiro do Clero

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Como agendado no Plano Pastoral Diocesano, de 6 a 9 de janeiro, realiza-se, na Casa de Retiros de São José, o retiro para os sacerdotes e será orientado pelo Senhor D. José Traquina, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa. O Departamento para a Vida e Ministérios dos Sacerdotes, em missiva enviada ao clero de Lamego, agradecendo desde já a disponibilidade do orientador, convidava os sacerdotes, sobretudo os mais jovens, a uma participação mais alargada.

Nos últimos anos tem-se verificado que há mais sacerdotes jovens a participar no retiro anual, reconhecendo também a multiplicação dos encargos pastorais dos sacerdotes. Por esta razão, sublinha a Carta aos Sacerdotes, “Precisamente porque trabalhamos mais, precisamos de descansar mais, de rezar mais e de nos entreajudarmos mais. O retiro é um tempo privilegiado de encontro com Deus e um espaço de comunhão presbiteral. É um tempo do Espírito Santo, o motor de toda a ação pastoral”.

“Nós cuidamos da vinha do Senhor, mas é Deus quem dá o crescimento e faz germinar os frutos. Centrarmos a nossa ação pastoral em Cristo ajuda-nos a evitar uma malsã autorreferência e constitui um testemunho para o Povo de Deus que seguirá mais facilmente as propostas de formação espiritual que lhe propomos se sentir que essa é uma prioridade em primeiro lugar para nós”

D. José Augusto Traquina Maria nasceu a 21 de janeiro de 1954, em Évora de Alcobaça, (Patriarcado de Lisboa), e foi ordenado padre a 30 de junho de 1985.É Mestre em Teologia Pastoral pela Universidade Católica Portuguesa, e esteve vários anos ligado à preparação dos candidatos ao sacerdócio, tendo feito parte da equipa formadora do Seminário de Almada e do Pré-Seminário de Lisboa. Na última década, esteve ligado pastoralmente à comunidade católica de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica. Em 2011 foi designado Vigário da Vara da Vigararia III da cidade de Lisboa, missão que acumulou com o trabalho de diretor espiritual do Seminário Maior de Cristo Rei do Olivais e com a coordenação do Conselho Presbiteral de Lisboa. (Biografia e foto: Agência Ecclesia).

O retiro terá a sua conclusão com a celebração da Santa Missa, no final da manhão do dia nove, presidida pelo Bispo da nossa mui nobre Diocese de Lamego, D. António José da Rocha Couto.

Rezemos, sacerdotes, religiosos e leigos, pelos bons frutos deste retiro.

Bodas de Prata Sacerdotais | Pe. JOSÉ AUGUSTO MARQUES

Pe. JOSÉ AUGUSTO DE ALMEIDA MARQUES

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A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para a frente”. Soren Kierkergaard

A nossa vida, sendo um dom inestimável de Deus, deve ser vivida permanentemente como resposta agradecida a esse dom. A melhor forma de corresponder ao dom é doando-se e gastar a vida como uma dádiva de amor e serviço. Acordar todas as manhãs e poder contemplar a beleza da criação que Deus coloca nas nossas mãos é uma graça, mas poder sentir-se como parte integrante desta vida e colaborador com o Criador nesta obra é um dom que nunca conseguiremos agradecer plenamente.

Esta realidade coloca diante de nós dois olhares que se cruzam, se interligam e se complementam… é forçoso olhar para trás e reconhecer as marcas do passado que vão fazendo a nossa história… mas é também imperioso olhar para a frente e continuar a projetar o amanhã como um serviço à vida feito de pequenas sementes que irão gerar vida nova. Se nem sempre somos capazes de ter esta atitude de sentir que “presente” é dádiva do ontem para concretização no amanhã, há certamente momentos em que nós sentimos mais de perto a necessidade deste duplo olhar que nos faz sentir vivos, mergulhados numa história que dá sentido ao hoje da nossa existência e nos faz olhar o mais além como espaço de realização para a continuidade da nossa história.

Hoje vivo mais de perto uma dessas oportunidades ao celebrar as Bodas de Prata Sacerdotais. Olhar para trás e agradecer o dom de Deus obriga-me a continuar a olhar para diante e a disponibilizar a minha pequenez para que Deus continue a realizar a Sua missão. Eis o “presente” que conjuga este duplo olhar e nos faz sentir a vida como dom em permanente doação.

  1. Como foram vividos estes 25 anos de missão?

“Fui alcançado por Cristo, por Ele tudo deixei…” (Fil. 3, 12) Foi com este lema que há 25 anos me entreguei ao Senhor para o serviço da Sua Igreja. Olhar para trás e fazer a retrospetiva deste percurso traz-me forçosamente à memória um sentimento – a gratidão.

Agradeço a Deus o chamamento e a aceitação da minha humilde resposta. Hoje tenho a certeza que Deus precisa apenas da nossa disponibilidade, Ele faz o resto… tantas vezes me deixou verdadeiramente confundido ao servir-se da minha pequenez para a realização da Sua missão… tantas vezes experimentei essa verdade de S. Paulo “quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2 Cor. 12, 10), porque atua a força de Deus … ou esta, “trazemos, porém esse tesouro em vasos de barro, para que tão excelso poder se reconheça vir de Deus e não de nós.” (2 Cor. 4, 7) Tenho consciência de que o Seu amor e a Sua graça sempre supriram as minhas limitações e, por isso, tudo coloco nas suas mãos, pois tudo Lhe pertence.

Tive a graça de nascer e crescer numa família de fé e de vivência cristã que alimentou e incentivou a minha caminhada vocacional e o meu sacerdócio. A minha gratidão vai também para eles, porque prescindiram de mim para me entregar ao Senhor. Ele lhes dará a recompensa que eu, nem sempre, soube ou pude dar. Do mesmo modo, agradeço ao Senhor os colegas que caminharam comigo e se tornaram meus irmãos no sacerdócio. Foram apoio, incentivo e testemunho de fidelidade que me amparou no discernimento e na decisão.

Ao longo destes 25 anos tive oportunidade de experimentar sempre a importância da comunhão sacerdotal. Nas equipas com quem trabalhei no Seminário de Nossa Senhora de Lurdes, nas paróquias de Resende e Felgueiras, bem como no arciprestado de Resende, encontrei colegas que foram e são verdadeiros irmãos no sacerdócio, sábios mestres de orientação, referências de virtude no testemunho. Não teria percorrido o caminho da mesma forma sem eles. Foram um apoio e são uma âncora em quem continuo a confiar. O meu reconhecimento por me fazerem sentir em fraterna comunhão de irmãos e pelo caminho que me ajudaram a percorrer.

Não esqueço todos aqueles com quem fui fazendo caminho ao longo destes 25 anos – as várias gerações de seminaristas ao longo de 20 anos, os jovens alunos, colegas professores e funcionários do Externato D. Afonso Henriques ao longo de 26 anos, os paroquianos de Resende e Felgueiras ao longo de quase 20 anos. Sempre senti que a minha missão era a de fazer caminho com todos. No Seminário, na Escola ou nas Paróquias, sempre entendi a minha missão como uma presença de Igreja a apontar o único modelo que é Jesus Cristo. Com a consciência da fragilidade do meu testemunho, mas sem perder de vista o sentido da missão.

Lembro a promoção vocacional dos primeiros anos como membro do Secretariado das Vocações e responsável do Pré-Seminário e a riqueza que foi para mim o contacto assíduo com todos os adolescentes, as famílias, os párocos e as comunidades paroquiais dos quatro cantos da Diocese. Hoje dou graças a Deus pelos sacerdotes que são fruto dessa interpelação de Deus. Lembro as centenas de seminaristas e algumas dezenas de sacerdotes que ao longo de 20 anos pude acompanhar na sua decisão vocacional como Diretor Espiritual. Lembro os inúmeros alunos de Educação Moral e Religiosa Católica que pude acompanhar no Externato D. Afonso Henriques com quem procurei ter uma atitude de proximidade procurando envolvê-los na Escola e nas comunidades paroquiais. Lembro as crianças, os jovens, as famílias, os idosos e os doentes das comunidades paroquiais de Resende Felgueiras com quem vou procurando caminhar na direção de Jesus Cristo. Todos fazem parte deste trajeto sacerdotal e a todos agradeço pela colaboração, entreajuda e testemunho.

Lembro muito particularmente os colaboradores mais diretos com quem vou exercendo o meu sacerdócio nas comunidades paroquiais, os diversos grupos e movimentos paroquiais, as forças vivas, aqueles que se empenham de forma mais ativa e os que nos impulsionam todos os dias para a missão com o seu testemunho e vontade de ir mais longe e fazer mais e melhor. Todos me fazem sentir mais sacerdote pelo seu “sacerdócio” de doação.

25 anos têm sido um tempo de graça e um caminho de bênção. Olhar para trás permite-me sentir que fui abençoado por Deus pelo dom do sacerdócio, pelas pessoas que colocou no meu caminho, pelas oportunidades que me concedeu na realização da missão que me confiou, pelos desafios que me proporcionou para realização do Seu projeto. 25 anos não é muito, nem pouco tempo, porque o tempo de Deus não se quantifica, depende da intensidade com que o vivemos ao serviço da missão que Ele nos confia… não me compete avaliá-lo pelo resultado, senão pelo que significou para mim e, isso sim, posso dizer que tem sido uma bênção que nunca saberei agradecer o suficiente.

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Bodas de Prata Sacerdotais | Pe. JOÃO ANTÓNIO TEIXEIRA

Pe. JOÃO ANTÓNIO PINHEIRO TEIXEIRA

J.António-25 anosO que a vida me ensinou e a missão me mostrou

25 ressonâncias de 25 anos

  1. O padre é o homem da Palavra e tem de ser um homem de palavra. A Palavra é a sua inspiração permanente e as palavras são o seu instrumento constante. Há muitas palavras que o padre não consegue calar, embora também haja imensas palavras que o padre jamais será capaz de dizer. Mais importante que as palavras que correm pelos seus lábios é a Palavra que escorre pela sua vida.
  1. O padre não tem de ser um falador, mas nunca pode deixar de ser um escutador. Antes de anunciar a Palavra, tem de saber acolher a Palavra. O silêncio é o fermento da comunicação. A oração é o alento — e o alimento — da missão.
  1. Afinal, a gaguez ajudou-me muito. Ser gago começou por ser um problema que se transformou numa lição. Aprendi que não se fala só, nem principalmente, quando se abre a boca. Fala-se também, e sobretudo, quando não se fecha o coração. O padre não tem de ser eloquente, mas tem de procurar ser coerente. O «logos vivencial» é muito mais interpelante que o mero «logos conceptual».
  1. A palavra escutada tem de ser a fonte da palavra proferida. A palavra não tem só uma função emissora. Deve ter, acima de tudo, uma função ressoadora. As palavras do padre existem para fazer ressoar a Palavra de Deus, a Palavra que é Deus.
  1. Calando ou falando, a palavra do padre nunca pode ser sobre si. Nem sobre o que foi nem sobre o que fez. Na Igreja, o padre não está no centro. O padre não pode ser o protagonista. Ele é pastor, mas não é patrão.
  1. Desde a ordenação, o padre opta por não ter uma existência própria. Nada nele é só ele. Tudo nele tem de ser Cristo. Desde o plano ontológico até ao plano existencial, não é o padre que vive, é Cristo que vive nele (cf. Gál 2, 20), e, por ele, em todos os que dele se aproximam.
  1. O padre não tem uma identidade alienada, mas uma identidade fortalecida. Em Cristo, o padre não é menos; é (muito) mais. Perdendo-se em Cristo, o padre nunca (se) perde.

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Bodas de Prata Sacerdotais | Pe. ANICETO MORGADO

945785_497722513629534_1884207298_nEm 2014, celebram as Bodas de Prata Sacerdotais: Pe. Aniceto da Costa Morgado; Pe. António de Oliveira Madureira Loureiro; Pe. João António Pinheiro Teixeira; Pe. José Augusto de Almeida Marques. O Jornal da Diocese, Voz de Lamego, teve a oportunidade acolher o testemunho de alguns deles. Neste interregno da Voz de Lamego, aqui fica os testemunhos já recolhidos, ao jeito de entrevista ou ou jeito de testemunho/testamento espiritual.

PADRE ANICETO DA COSTA MORGADO

Como foram vividos estes 25 anos de missão?

A primeira sensação é que estes 25 anos passaram muito depressa, pois ainda tenho bem fresco na memória aquele momento em que estava prostrado diante do altar da Sé catedral e, na presença do bispo ordenante (D.António) , do presbitério e da assembleia celebrante, dava o meu sim generoso a Cristo. Mas fazendo uma retrospectiva deste tempo vivido, sinto que muitas coisas aconteceram; recordo lugares, pessoas, vivências que me marcaram e ajudaram a ser aquilo que hoje sou. Recordo o inicio do meu ministério ao serviço da diocese do Algarve, durante dois anos, como formador no Seminário de Faro e o bom acolhimento que senti por parte do senhor D.Manuel Madureira Dias, natural da nossa diocese (Tarouquela) e de todo o seu presbitério; o trabalho no pré-seminário e a ajuda nas paróquias de Vila Real de Santo António e Olhão. Depois a experiência de um ano com os nossos emigrantes em França, vivendo e partilhando os seus problemas e dificuldades; o regresso ao nosso país e à vida paroquial por terras de Cinfães (Oliveira, Bustelo, Ramires, Ferreiros, Travanca, Fornelos ) traz-me ao pensamento e ao coração, muitas alegrias e também alguns sofrimentos, mas tenho a consciência que dei o melhor de mim e reconheço que por meu intermédio muitas bênçãos e graças foram semeadas. Como pároco de Travanca e Fornelos ainda leccionei EMRC na escola EB 2-3 de Souselo permitindo-me assim um maior contacto com os adolescentes e jovens daquele espaço pastoral. Depois fui chamado para fazer parte da equipa formadora do nosso Seminário Maior e acompanhei os seminaristas que frequentavam o IST-DB (Viseu). Procurei aproveitar este tempo para me valorizar e actualizar frequentando a UCP-Porto onde conclui o mestrado em Ética Social Cristã. Desde 2005 resido no Santuário de Nossa Senhora da Lapa e tenho ao meu cuidado as seguintes comunidades: Arnas, Cunha, Tabosa e Ponte do Abade (Concelho de Sernancelhe). No meu coração sinto uma grande alegria e gratidão ao Senhor porque me deu força e coragem para ultrapassar horas amargas e momentos de solidão. Tantas vezes medito nas palavras de São Paulo que eu escolhi como lema do meu sacerdócio: “Tudo posso n´Aquele que me dá força” (Fil 4,13). Também não posso esquecer que a devoção e o amor que me incutiram a Nossa Senhora, na família e no Seminário, tem sido uma âncora segura no meu ministério sacerdotal. Como Maria, também me apetece cantar “ a minha glorifica o Senhor” (Lc 1, 46).

Olhando para diante, que desafios se colocam hoje ao sacerdote e à Diocese/ Igreja?

Os desafios são muitos e de variada ordem. Desde logo, o ambiente social, cultural e religioso sofreu uma transformação radical que exige de nós uma actualização permanente para respondermos de forma adequada aos problemas que se nos colocam. O número de sacerdotes tem diminuído o que implica mais trabalho, menos tempo para o encontro e a partilha, mais desgaste físico. Por outro lado as nossas comunidades, essencialmente rurais, estão a perder muita população: há poucas crianças, em algumas paróquias já não há crianças em idade de catequese, os jovens emigram, temos sobretudo pessoas idosas; há necessidade de reestruturar a pastoral paroquial, mas corre- -se o risco de não haver compreensão porque das pessoas que estavam habituadas a outras formas de vivência da fé e custa-lhes aceitar a mudança. Julgo que a solução é apostar na formação dos leigos e fazer- -lhes sentir a responsabilidade como igreja que somos. Teremos de invocar o Espírito Santo para que nos inspire as melhores soluções, pois por vezes não sabemos qual o melhor caminho a seguir.

Edição Voz de Lamego, de 27 de maio de 2014, n.º 4266

Proposta agápica | Editorial da Voz de Lamego | 8 de julho de 2014

i_julho_2014O Jornal diocesano, Voz de Lamego, edição do dia 8 de julho, disponível no formato impresso, dá destaque especial à Ordenação Sacerdotal do Pe. José Fonseca Soares, natural de Avões, Arciprestado de Lamego. No primeiro domingo de julho, dia 6, D. António José da Rocha Couto presidiu à celebração da Eucaristia e da Ordenação. A homilia também integra esta edição.

Mas há outros motivos de interesse, notícias e textos de reflexão, sugestões de eventos futuros. A primeira página chama a atenção para as obras de recuperação da Igreja das Chagas. A última página destaca a viagem dos Idosos de Lamego ao Santuário de Fátima e na sexta edição da Bôla de Lamego.

O Editorial faz-nos antever a orientação impressa na VOZ da diocese DE LAMEGO:

PROPOSTA AGÁPICA

O ensinamento de Jesus, expresso por palavras e testemunhado pelo exemplo, orienta a vida da Igreja e o agir dos que a servem e nela vivem. Na novidade de Jesus contemplamos sempre a “proposta agápica”, que suscita desejo de seguir e deixa espaço para a livre adesão. Jesus é Aquele que propõe e convida, respeitando o ritmo e a vontade de cada um, proporcionando uma adesão livre e responsável.

A Igreja ama e é enviada para amar, para anunciar e para acolher. E organiza-se e elabora orientações para ajudar os seus membros a responder ao convite do Senhor. Nesse sentido, a organização é entendida como meio para evangelizar e a fixação de normas é vista como procedimento necessário à unidade e à fidelidade ao Senhor.

Mas há questões: como conciliar a fidelidade à doutrina e a necessidade da misericórdia? Como dizer “sim” quando faltam condições para a total comunhão? Como dizer “não” sem provocar distanciamento? Como preservar a unidade sem cair no “permissivismo”?

Bem vistas as coisas, não há nada de novo, porque sempre existiu esta tensão ao longo da história da Igreja, entre a vontade de permanecer fiel e necessidade de responder aos desafios. É a Igreja a compreender-se na sua historicidade e a ser protagonista na busca de respostas novas, assentes na fidelidade ao ensino e exemplo de Jesus.

A este propósito, há uma grande expectativa diante do próximo Sínodo, onde a família será tema central. Porque há perguntas que anseiam por respostas e procedimentos que poderão ser alterados.

Fiel à doutrina, iluminada pelo Espírito, olhando e escutando Cristo, com um apurado olfacto, a Igreja buscará caminhos novos que contribuirão para a tal “proposta agápica” que, no chão de cada paróquia ou comunidade, continua a ser feita.

Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, n.º 4272, ano 84/34

Ordenação Sacerdotal | Pe. José Fonseca Soares

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Na data recentemente fixada para a celebração das ordenações sacerdotais, primeiro domingo de julho, a nossa igreja catedral, em Lamego, encheu-se de fiéis, vindos de diferentes lugares da diocese, para participarem na ordenação sacerdotal do diácono José Fonseca Soares. Presidiu à celebração o nosso bispo, D. António Couto, acompanhado por D. Jacinto Botelho e ainda por cerca de meia centena de sacerdotes.

A ordenação sacerdotal é sempre uma festa para a diocese que formou o seminarista e que chama e ordena, primeiro na ordem do diaconado e depois no presbiterado. São vários anos de preparação, nos quais muito esforço e dedicação se investem. Daí que, neste dia, haja alegria em todos quantos acompanharam os ordinandos: bispo, pároco, seminaristas, formadores, professores, colaboradores, orientadores dos estágios pastorais, fiéis encontrados nas diferentes paróquias por onde passou… Há também motivo de festa para a Igreja local que acolhe um novo membro no seu presbitério, um novo cooperador do bispo diocesano para a missão de concretizar localmente a Igreja de Cristo. E há ainda a alegria do ordinando e sua família, porque uma etapa importante é concluída e porque se está onde vocacionalmente se sente chamado.

Natural do arciprestado de Lamego, da paróquia de S. João Baptista de Avões, entrou já depois dos trinta anos no Seminário Maior de Lamego, onde frequentou o respectivo curso no Instituto Superior Douro e Beiras, em Viseu, e na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, em Braga. Ordenado Diácono em novembro último, na Solenidade de Cristo Rei do Universo e Dia da Igreja Diocesana, viveu o seu estágio diaconal nas paróquias de Nossa Senhora da Piedade de Queimadela (Armamar), S. João Baptista de Figueira e São Martinho de Valdigem (Lamego), sob orientação do respectivo pároco, Cón. José Manuel Pereira Melo. Ao longo desse período residiu no Seminário Maior, redigindo também o seu trabalho académico final, que entregou há poucos dias.

Nas próximas semanas vai certamente poder percorrer as paróquias por onde passou como seminarista e diácono, bem como estar disponível para acompanhar e ajudar o seu pároco, Padre Joaquim Manuel Silvestre. Aliás, no próximo domingo, na sua terra natal, Avões, vai presidir àquela que habitualmente se chama “Missa Nova”. Entretanto, a diocese irá certamente confiar-lhe uma missão pastoral que assumirá no final do verão, como é prática entre nós.

A nossa diocese dá graças ao Senhor da Messe por esta vida e esta vocação, ao mesmo tempo que reza pedindo ao nosso Deus que abençoe e acompanhe sempre este novo sacerdote na sua missão.

in Voz de Lamego, 8 de julho de 2014, n.º 4272, ano 84/34