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Editorial Voz de Lamego: Sábio é aquele que está disponível para aprender

Sábio não é o que sabe tudo, o que sabe mais coisas. Sábio é aquele que está sempre disponível para aprender, para acolher, para amar, para ser amado, para ser instrumento de ligação aos outros, ao mundo e a Deus. Sábio não é o que tem um curso superior, ou tem muitos contactos, que tem um canudo, ou viajou pelo mundo inteiro. Sábio é o que quer escutar os outros, quer compreender o mundo à sua volta, que dispõe a sua vida para acolher o mistério que vem do alto, que vem de Deus. Sábio é o que reconhece os seus erros e ainda assim caminha. É o que não desiste, mesmo que por vezes tenha que recuar, recomeçar, voltar a tentar. Sábio é aquele que reconhece que está a caminhar, que ainda não chegou à meta, que ainda está longe. Sábio é aquele que se dispõe a servir a Verdade. Sábio não é o que não peca. Sábio é o que está disponível para acolher o perdão.

Sábio é o que se deixa encantar com as pequenas coisas da vida, momentos sublimes do nascer ou do por do sol, o sorriso de uma criança ou os malabarismos de um gato. Sábio não é aquela pessoa séria, sisuda, que dita sentenças. Sábio é aquele que sabe rir de si mesmo, e sorrir diante dos seus disparates, e que procura estar atento a tudo o que o rodeia.

Sábio não é o que atingiu um grau de conhecimento superior, ou está moralmente acima de qualquer suspeita. Sábio é aquele que cultiva a arte da dúvida, da curiosidade, da interrogação, que está sempre em busca, procurando aprender com tudo e com todas as situações.

O sábio não é aquele que não muda porque atingiu a perfeição. Embora um provérbio chinês diga que só não mudam os sábios e os estúpidos. Coloquemo-nos entre uns e outros, a caminho… Sábio é, antes, aquele que procura aperfeiçoar todos os aspetos da sua vida e mantém aberta a mente para acolher situações novas e poder contribuir para a transformação do mundo.

Sábio não é o que não tem dúvidas, mas aquele que vive nas dúvidas, procurando ser feliz e contribuir para a felicidade dos outros, fazendo a ponte. A dúvida é específica do ser humano. Somos ser inacabados. Mas que beleza! Como somos seres inacabados temos a oportunidade de crescer sempre mais, até ao Infinito, até à eternidade de Deus.

Sábio não é aquele que tem respostas para tudo, mas aquele que questiona (quase) tudo, que se interroga constantemente e ao mundo que o rodeia.

Sábio não é aquele que tem todas as certezas, mas aquele que não se deixa abater pelas dúvidas e incertezas e procura acertar o seu caminho, para o sábio cristão, procura acertar o seu caminho pelo de Jesus Cristo.

Maria interroga o Anjo quando este lhe anuncia que vai ser Mãe do Filho de Deus: “Como será isto se não conheço homem?”

A interrogação faz parte da procura, da escuta, do nosso peregrinar, faz parte do caminho da sabedoria.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/46, n.º 4533, 5 de novembro de 2019

VELHICE E SABEDORIA | Editorial Voz de Lamego | 21 de julho de 2015

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A abrir o Jornada da Diocese, Voz de Lamego, desta semana, a Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Diocese de Lamego, entre 26 de julho e 9 de agosto, merecendo a NOTA PASTORAL de D. António Couto, publicada também nesta edição. Outros temas específicos: Visita Pastoral à Paróquia de Britiande, Missa Nova do Pe. Valentim Fonseca, na paróquia de Ferreiros, o falecimento do Pe. Joaquim Manuel Pinto, Peregrinação Nacional do MMF, entre outros acontecimentos. Entre as reflexões propostas em cada semana, visitamos a do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, desta feita dedicada à idade anciã e à sabedoria que nos enriquece.

VELHICE E SABEDORIA

A propósito da memória litúrgica dos pais de Maria de Nazaré, a assinalar no próximo domingo, o olhar da comunidade humana volta-se para os avós e estende-se a todos os idosos. E vive-se festivamente o momento, louvando a vida e agradecendo o testemunho.

A Bíblia dá valor à velhice e à sua sabedoria. Porque o idoso vê as diferentes ligações da vida e mais facilmente contempla o percurso, compreende e pode tornar-se sábio, isto é, capaz de ver e entender melhor a razão que dá consistência à sua vida. Por outro lado, a velhice permite uma maior proximidade com a eternidade e perante o eterno, perante Deus, tudo o que é terreno se relativiza.

O envelhecimento da população é um dado evidente, mas falar de uma “sociedade envelhecida” em tom de censura e preocupação, pode dificultar aos idosos o aceitar sereno do seu envelhecimento, bem como o reconhecer de um sentido para a vida. Porque conceder valor à vida apenas enquanto se é jovem revela um certo infantilismo e leva a olhar a velhice como um estorvo.

Muitos idosos queixam-se de serem deixados à margem ou para trás, de serem ignorados ou de não valerem para nada, apesar do muito que dizem ter feito ou legado. Nem sempre se sentem preparados para aceitar o envelhecimento e, tal como na juventude, ainda querem sentir-se o centro das atenções.

Aceitar não é apenas resignar-se, mas tomar consciência dos próprios limites. E isso implica ser capaz de renunciar, embora saibamos que a renúncia é um processo doloroso. E dói muito mais quando se pensa que se perde valor e importância no momento em que renuncia.

O ideal será articular o combate à “cultura do descartável” com o distanciamento de uma postura de “insubstituível”.

in Voz de Lamego, ano 85/26, n.º 4323, 21 de julho