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Património artístico e religioso: Inventariar, preservar e fruir

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In Voz de Lamego, 21.01.2014

Liturgicamente, o dia 20 de Janeiro é dedicado à memória do Mártir S. Sebastião, Padroeiro principal da nossa diocese. Assinalando o facto, os responsáveis pelo do Departamento diocesano dos Bens Culturais e Patrimoniais organizaram um encontro in(formativo) que decorreu nas instalações do Museu diocesano, frente à Sé: uma conferência a cargo da Dra. Fátima Eusébio, responsável pelo Departamento dos Bens Culturais na diocese de Viseu, a apresentação do Catálogo da exposição, pelo Padre J. Correia Duarte e uma visita à referida exposição. Ao final da tarde, na Sé, celebração da Eucaristia, presidida pelo nosso bispo emérito, D. Jacinto Botelho.

Património: caminhos de fé

A Dra. Fátima Eusébio trabalha há alguns anos na inventariação do património religioso da diocese de Viseu, coordenando uma missão nem sempre fácil, mas necessária e que às vezes chega tarde demais. Com efeito, fruto de algum voluntarismo e de escassa formação e sensibilidade artística, cometeram-se erros graves na preservação do nosso património religioso. Mas também em construções recentes, no que se vai deixar para o futuro: o que é de todos não deve ficar subordinado ao gosto de alguns. E foi para nos falar disso que esteve entre nós, falando para um auditório repleto de gente atenta e disponível para acolher ensinamentos: párocos, seminaristas, membros dos Conselhos pastorais e económicos, técnicos de restauro, estudantes, membros de grupos e movimentos apostólicos…

Falar de património artístico religioso é fazer referência a bens móveis (pinturas, esculturas, alfaias, talha, paramentos, instrumentos musicais, mobiliário, livros, documentos, ourivesaria, joalharia) e a bens imóveis (edifícios de culto e anexos, mosteiros, conventos, paços episcopais, residências paroquiais, complexos educativos e caritativos). Mas a atenção não se pode fixar apenas do edificado ou adquirido; precisamos também olhar para o espaço envolvente. Estamos perante uma diversidade assinalável, nem sempre fácil de preservar: diversidade dos bens e dos intervenientes responsáveis, desconhecimento de quem cuida, escassez de recursos, desleixo, falta de planeamento para a preservação, população mais idosa com pouca força para preservar, menor zelo dos mais novos… Dito de forma simples, não vai ser possível preservar tudo e é urgente planificar e fixar prioridades.

Por outro lado, os nossos espaços de culto foram concebidos tendo em vista a evangelização, a utilização pastoral. E esta dimensão começa a ficar esquecida. Já são muitos aqueles que, diante de uma imagem, de um símbolo, já não conseguem entender. Assim, não basta preservar e divulgar, também é preciso clarificar a função ou o significado dos bens em causa. Esta é também uma das missões dos inventários que se vão fazendo. E isto é importante para se poder fruir dos bens. Trata-se de ajudar a descobrir caminhos de fé através da sacralidade intrínseca dos objectos e obras edificadas.

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