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Por quem rezar?

Crónica semanal de Raquel Assis no jornal Voz de Lamego, edição de 2 de março de 2022, sobre a oração em tempo de guerra...

E quando pensávamos que estávamos a chegar ao dia da liberdade da guerra pandémica, eis que as tropas Russas invadem a Ucrânia, sem dó nem piedade, com uma frieza, arrogância, calculismo e sentido de superioridade nunca visto desde a II Guerra Mundial.

Avizinham-se tempos muito conturbados a nível da paz mundial, da economia e do abastecimento de bens essenciais.

Aqui longe, a sofrer com as imagens de desespero do povo ucraniano, resta-nos rezar! Mas rezar a quê? A quem? Os mais céticos dirão que de nada vale rezar, que o mundo está perdido e que se Deus existisse nada disto estaria a acontecer. Outros, por todo mundo, de todas as religiões, estão a criar redes de oração pelo povo ucraniano.

Mas há aqui uma questão que gostaria de partilhar convosco. Uma questão que me tem inquietado nas últimas horas. Sabemos que Deus é amor, não é cruel! Toda a maldade e todo o ódio que está no mundo surge de dentro de cada um de nós, porque Deus nos fez livres! Posto isto, será que é correto, e útil, rezar apenas pelos que sofrem? Não!

Quem sofre, sofre porque existe alguém cruel, desumano e impiedoso.

Se esse alguém não praticasse a maledicência, a maldade não surgiria e ninguém sofreria. Devemos rezar pelos nossos inimigos! Pedir a Deus que a Sua luz consiga penetrar no coração empedernido dos insensíveis malfeitores. Pedir a Sua bênção para esse irmão perdido, essa ovelha tresmalhada.

Nada justifica o mal, «nenhuma bandeira é suficientemente grande para cobrir a vergonha de matar pessoas inocentes». Jesus ensina-nos a dar a mão a quem precisa de ajuda, a perdoar os inimigos. Rezemos, então, pelo povo ucraniano, mas também pelo povo russo, por todos os militares envolvidos, pelo presidente Vladimir Putin, que tanto precisam de ajuda para que consigam ter consciência das suas atitudes, para que os seus olhos vejam o sofrimento atroz que estão a causar, para que saibam reverter o rumo das suas vidas, e assim, todo o mundo encontrar novamente a paz.

Raquel Assis, in Voz de Lamego, ano 92/16, n.º 4647, 2 de março de 2022