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Abertura da Porta Santa abre Jubileu | Ano Santo da Misericórdia

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A diocese de Lamego, em comunhão com a Igreja universal, viveu festivamente o início do Jubileu extraordinário da Misericórdia, na tarde do passado domingo. Em simultâneo, as cerimónias aconteceram em Lamego, na Sé, e no Santuário de Nossa Senhora da Lapa.

Em Lamego, os fiéis congregaram-se na igreja de S. Francisco, sob a presidência do nosso bispo, D. António Couto. Nos ritos iniciais, a par da saudação, o Pastor diocesano sublinhou a singularidade do momento e a alegria da misericórdia proposta como caminho e porta de entrada no convívio de Deus e dos irmãos.

Após a proclamação do evangelho proposto pelo guião preparado para toda a Igreja, a multidão dirigiu-se, em procissão, para a Sé, entoando louvores a Deus e pedindo a intercessão de todos os santos, rezando a ladainha. Algumas centenas de metros depois, no adro da igreja catedral, uns trompetes anunciaram a abertura da Porta da Misericórdia que o Senhor Bispo abriu logo de seguida. E foi também seguindo o Pastor, que transportava o Evangeliário, que a numerosa assembleia entrou e ocupou todos os espaços da igreja. A cerimónia continuou com o rito da aspersão, recordando a todos as fontes baptismais pelas quais se incorporaram a Cristo, e com a celebração eucarística.

Como notas finais, sublinhar a multidão que encheu por completo a Sé, o razoável número de sacerdotes (cerca de quarenta), a participação do coro da catedral e o trabalho dos que mais de perto estiveram envolvidos na preparação das cerimónias.

De acordo com alguns testemunhos, a abertura da Porta da Misericórdia no Santuário da Lapa também decorreu bem. Presidiu à celebração o nosso bispo emérito, D. Jacinto Botelho, a que se juntaram alguns sacerdotes (nove) e um razoável número de fiéis leigos.

Com alegria, a diocese iniciou a vivência deste Ano Santo que se espera seja ocasião privilegiada de encontro de cada baptizado consigo próprio, com Deus e com os irmãos.

in Voz de Lamego, ano 85/54, n.º 4341, 15 de dezembro

D. António Couto na Abertura da Porta Santa | Homilia

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ATRAVESSAR A PORTA SANTA DA MISERICÓRDIA

  1. Por vontade boa do Papa Francisco, estamos hoje, nesta Igreja Catedral de Lamego, e em todas as Igrejas Catedrais do mundo inteiro, a abrir e a entrar com sentida Alegria e Emoção por esta Porta Santa da Misericórdia. Entrámos todos, Bispo, Sacerdotes e fiéis leigos, precedidos todos sempre pela Cruz do Senhor e pelo Livro dos Evangelhos.

 

  1. «Que alegria quando me disseram:/ Vamos para a Casa do Senhor./ Os nossos passos já se detêm às tuas portas, Jerusalém!». Assim sentiram e cantaram, ou cantaram e sentiram, muitas gerações de crentes bem antes de nós, fazendo sua a Alegria incontida que perpassa o Salmo 122. Assim cantou Jesus. Assim cantamos nós também. Sim, por que é que os nossos pés e os nossos passos se detêm às portas de Jerusalém, Cidade-Mãe, Cidade da Paz, Cidade da Alegria, Cidade da Fraternidade? Sim, por que é que os nossos pés e os nossos passos se detêm à porta de entrada da Casa do Senhor? Será porque essas portas estão fechadas? Seguramente não. É com certeza porque uma grande emoção se apodera de nós e nos aperta ou alarga o coração, quando, vindos de longe e de há muito tempo, transpomos o umbral sagrado da casa paterna e materna. Ali está o pai, ali está a mãe, ali estão os irmãos e as irmãs, ali está a mesa e a lareira acesa, ali está o pão, o cão e o gato, ali está a alegria sagrada de nos sentirmos rodeados de ternura com um certo calafrio à mistura.

 

  1. Meus queridos irmãos e irmãs, é assim que se entra em casa, quando se vem de longe e de há muito tempo. Há alegrias, lágrimas e emoções para partilhar, há histórias para ouvir e para contar. Sim, esta é a nossa casa, e aquela porta de entrada tem a espessura do amor e da ternura. É preciso atravessá-la devagar, não vamos tropeçar em alguma pequena lágrima caída. Aquela porta de entrada leva apenas um passo a transpor. Mas não podemos deixar lá fora a dor e o amor.

 

  1. «Esta é a nossa casa. A Igreja é a nossa casa», assim entoou bem alto o Papa Bento XVI, no discurso inaugural do Encontro de Aparecida, em 12 de Maio de 2007, e o Papa Francisco tem feito ouvir por toda parte este refrão. «Esta é a porta do Senhor:/ os justos entrarão por ela», assim cantamos nós outra vez, agora com o Salmo 118. Entrai, irmãos e irmãs, por esta porta do Senhor! Entrai em vossa casa. E não vos esqueçais de entrar com emoção, de entrar com o coração.

 

  1. Se entrardes com o coração, com o coração nas mãos, ouvireis em primeiro lugar, para espanto e encanto vosso, a oração de Deus, Deus a rezar. E Deus reza assim: «Que a minha vontade seja que a minha misericórdia possa vencer a minha ira, e que a minha misericórdia possa prevalecer sobre os meus outros atributos, de modo que eu trate os meus filhos com o atributo da misericórdia, e que, no meu relacionamento com eles, pare sempre no limiar da execução da justiça». Convenhamos que se trata de uma pérola de rara intensidade, beleza e surpresa. Sim, Deus também reza, e é de misericórdia o tom apaixonado da sua oração. E, se continuardes a escutar com o coração, caríssimos irmãos e irmãs, é quase certo que ouvireis o vosso nome, dito por Deus. Assim: Maria, Ana, Joana, Isabel, António, João, Manuel, Ismael, minha filha, meu filho, bendiz-me! E vós direis então lá do fundo do vosso coração: «Que a Tua vontade seja que a Tua misericórdia possa vencer a Tua ira, e que a Tua misericórdia possa prevalecer sobre os Teus outros atributos, de modo que possas tratar os teus filhos de acordo com o atributo da misericórdia, e possas, no teu relacionamento com eles, parar antes da execução da justiça. E Ele acenar-vos-á que sim com a cabeça».

 

  1. É assim que o vês, e é por isso que o vês, meu irmão e minha irmã, naquela Cruz, com a cabeça reclinada. Ele é Aquele que com a cabeça te acena sempre que sim com a cabeça. Ele é o Sim, Ele é a Porta, Ele é a Misericórdia sempre ali, sempre aqui, à tua espera, à nossa espera.

 

  1. Agora, podeis começar a vossa confissão. Ele, o nosso Deus, está lá, está aqui, sempre no serviço humilde da Paz e do Perdão. E da Alegria, a que insistentemente nos convida a Liturgia deste belo Dia de Advento.

 

O Senhor do Advento

É Aquele-que-Vem

Nascer em Belém,

Bater à nossa porta,

Pedir ao nosso coração

Um bocadinho de pão.

 

Tão pouco e tanto

Nos pede Jesus,

E para nosso espanto,

E para encanto nosso,

O Filho de Maria

Vem vestido de irmão nosso

De cada dia.

 

Ele anda por aí,

Ao frio e ao calor,

Rico e pobrezinho,

Nosso Senhor.

 

Vem, Menino,

Senhor do mundo,

Do sol e da lua,

Bate à minha porta,

Entra em minha casa,

E que, por graça, entre eu também na tua.

 

Igreja Catedral de Lamego, 13 de Dezembro de 2015, Abertura da Porta Santa da Misericórdia

+ António, vosso bispo e irmão

 

ITINERÁRIO: MISERICÓRDIA | Editorial Voz de Lamego | 8 de dezembro

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Tendo iniciado o Jubileu da Misericórdia, no dia 8, data desta edição da Voz de Lamego, a temática da Misericórdia expande-se por todo o Jornal.

Também assim a proposta de reflexão do Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, no Editorial.

ITINERÁRIO: MISERICÓRDIA

No próximo domingo, dia 13, pelas 15h30, a nossa diocese viverá a celebração da abertura da Porta da Misericórdia, na Sé (Lamego) e no Santuário de Nossa Senhora da Lapa (Sernancelhe), iniciando o Ano da Misericórdia que terminará na próxima festa de Cristo Rei (20/11/2016).

Sendo um tema caro ao Papa, a misericórdia questiona a nossa maneira de ser cristão hoje. Como é que a Igreja vive e pratica, a misericórdia internamente, enquanto elemento de conversão, e qual é o testemunho que dela dá ao mundo? Temos um ano para responder – não apenas por palavras – a esta dupla questão.

Os baptizados da diocese são convidados a peregrinar a um destes locais, individualmente ou em grupo, para exteriorizarem a sua vontade de conversão e para usufruírem das graças prometidas, tornando-se, eles próprios, rosto de misericórdia para os outros.

Para os receber, o acolhimento será, certamente, cuidado, não apenas pela possível presença de voluntários para acompanhar e de alguns cartazes ou prospectos para explicar, mas também pelo atendimento no sacramento da reconciliação.

Respeitando o ritmo e a sensibilidade de cada baptizado e comunidade, em jeito de contributo, aqui fica um itinerário para os peregrinos que desejam experimentar, acolhendo e testemunhando, a misericórdia.

  1. No Baptistério. Recordar o meu baptismo para melhor preparar o espírito e o coração.
  2. Pela Porta da Misericórdia. Tomar consciência de que Deus me inunda com o seu amor e a sua misericórdia.
  3. No confessionário. Viver uma iniciativa penitencial, diante do sacerdote, e celebrar a Reconciliação.
  4. Diante do Santíssimo. Dar graças a Deus, participando na Eucaristia e disponibilizando tempo para rezar.
  5. Na vida. Praticar a misericórdia no dia-a-dia e nos diversos contextos onde a vida se cumpre.

in Voz de Lamego, ano 85/54, n.º 4341, 8 de dezembro

ANO SANTO: APROFUNDAR A FÉ

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No dia-a-dia, jubileu é sinónimo de festa para celebrar um aniversário (matrimónio, sacerdócio…). Na bíblia significa um “ano da graça do Senhor” (Is 61, 2), uma ocasião para remir dívidas e penas devidas aos pecados, “um ano favorável da parte do Senhor” (Lc 4, 19). Na Igreja católica, jubileu é sinónimo de convite papal para assinalar, num determinado período, acontecimentos importantes na vida da fé, durante o qual são concedidas indulgências plenária.

Na Bíblia distinguem-se o “ano sabático” e o “ano jubilar”. O ano sabático é o último ano de um período de sete anos. O agricultor semeará os seus campos e colherá os produtos dele durante seis anos, mas, no último ano, deixá-los-á em pousio e o que eles produzirem espontaneamente será abandonado aos indigentes e aos animais do campo. Neste mesmo ano, os escravos serão libertados.

O ano jubilar é o que termina as sete vezes os sete anos, o 50.º ano (7×7=49). É anunciado ao som da trombeta, deixam-se os campos em pousio, libertam-se os escravos, perdoam-se as dívidas e devolvem-se ao proprietário ou aos seus herdeiros os bens fundiários (Lev 25, 10. 23 ss). Uma oportunidade para afirmar e concretizar a igualdade entre todos os filhos de Israel, proteger os mais fracos e oferecer novas oportunidades às famílias que haviam perdido as suas propriedades e, mesmo, a liberdade.

Com raízes bíblicas, tornou-se, depois do século XIV, ocasião para meditar, proclamar e agradecer a alegria provocada pela presença e acção de Cristo na terra, o Ano Santo.

A tradição do Ano Santo foi iniciada pelo Papa Bonifácio VIII, em 1300, que fixou a sua celebração a cada cem anos. A partir de 1475 – no sentido de dar a cada geração a possibilidade de o viver – o jubileu ordinário foi estabelecido a um ritmo de 25 anos. Por outro lado, um jubileu extraordinário pode ser convocado por ocasião de um acontecimento singular. No total, e até hoje, os Anos Santos ordinários já celebrados foram vinte e seis. O último Ano Santo remonta ao jubileu do ano 2000. De forma extraordinária, no último século, foram convocados em 1933, por Pio XI, para assinalar o 19.º centenário da Redenção, e em 1983, por João Paulo II, para os 1950 anos da Redenção.

A Igreja católica privilegia um significado espiritual para o jubileu, que consiste num perdão generalizado, numa indulgência aberta a todos e na possibilidade de reforçar a união com Deus e com o próximo. O Ano Santo é uma oportunidade para aprofundar a fé e viver, de forma comprometida e renovada, o testemunho cristão.

O início do jubileu é marcado pelo rito da abertura da Porta Santa, que se abre apenas no Ano Santo, existente em quatro basílicas romanas: S. Pedro, S. João de Latrão, S. Paulo fora de muros e Santa Maria Maior.

JD, in Voz de Lamego, ano 85/49, n.º 4336, 3 de novembro