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Diocese de Lamego: abertura do ano pastoral 2016-2017

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Discípulos missionários com um coração que vê

Tal como anunciado, o primeiro dia de Outubro foi a data escolhida para a abertura do novo ano pastoral na diocese. Aconteceu na manhã de sábado, no Seminário Maior de Lamego, com a presença de muitos diocesanos, mas também com bastantes ausências.

O início do encontro estava marcado para as 9h30, mas antes da hora já muitos diocesanos tinham estacionado e entrado no Seminário. Para alguns tratava-se de um regresso, para outras de uma novidade. Apesar de estarmos em plena época de vindimas e de colheita das maçãs, foram muitos os fiéis leigos que marcaram presença, testemunhando a sua disponibilidade para escutar o Pastor e participar activamente nesta nova etapa, servindo a Igreja nas Comunidades, Grupos e Movimentos em que se integram.

Com a presença do nosso Bispo, D. António Couto, de Mons. Joaquim Rebelo, Vigário Geral, do Pe. João Carlos Morgado, Pró-Vigário Geral, do Cón. José Manuel Melo e Pe. Diamantino Alvaíde, dos Coordenadores da Pastoral, e de alguns párocos, a oração da manhã marcou o início do festivo encontro.

Após a oração, D. António Couto saudou todos, agradecendo e sublinhando a presença, o testemunho e o esforço evangelizador de cada um na vontade de seguir Jesus Cristo e de participar na edificação de uma Igreja que se quer “em saída”. Depois começou a apresentar a Carta Pastoral que escreveu e que, neste dia, colocou nas mãos de todos os diocesanos, sob a protecção de Nossa Senhora, cujo Centenário das Aparições em Fátima se celebrará em 2017. Ler mais…

Carta Pastoral de D. António Couto | ano pastoral 2015-2016

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IDE E FAZEI DA CASA DE MEU PAI CASA DE ORAÇÃO E DE MISERICÓRDIA

«Tudo faço por causa do Evangelho» (1 Coríntios 9,23)

«A minha Casa será chamada Casa de oração para todos os povos» (Isaías 56,7; Marcos 11,17)

«Não se ponha o sol sobre a vossa ira» (Efésios 4,26)

«Quando me perguntam por que entrei na Igreja romana, a minha resposta é sempre esta: para me libertar dos meus pecados; porque não há outra religião que afirme verdadeiramente o perdão dos pecados dos homens… Um católico que se confessa, entra, no verdadeiro sentido da palavra, na manhã clara da sua infância» (Chesterton).

Tudo por causa do Evangelho

1. «Vamos juntos construir a casa da fé e do Evangelho» (2012-2013), «Ide e fazei discípulos» (2013-2014), «Ide e construí com mais amor a família de Deus» (2014-2015), eis o itinerário temático e vivencial que nos propusemos seguir nos últimos três anos pastorais, acompanhando de perto os indicadores do Ano da Fé, da JMJ e da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium [= EG], do(s) Sínodo(s) da Família. «Vamos», «Ide», «Ide». Salta à vista que o verbo «ir» esteve sempre a sinalizar os nossos caminhos, expressando a vinculação da nossa vivência pastoral à missão ordenada por Jesus aos seus discípulos de todos os tempos, espaços e modos, e que deve mobilizar, no belo dizer de Bento XVI, «todos, tudo e sempre» (Mensagem para o Dia Missionário Mundial, 2011). Faz-nos bem, a este propósito, passar os olhos pela agenda do Apóstolo Paulo:

«9,19Fiz-me a mim mesmo servo de todos, para o maior número ganhar. 20E tornei-me com os judeus como judeu, a fim de os judeus ganhar; com os que estão sujeitos à lei, como sujeito à lei […], a fim de os sujeitos à lei ganhar; 21com os sem lei, como sem lei, para ganhar os sem lei; 22tornei-me com os fracos, fraco, a fim de os fracos ganhar; tornei-me tudo para todos, para, por todos os meios, salvar alguns. 23Tudo faço por causa do Evangelho» (1 Coríntios 9,19-23).

  1. Salta à vista o total empenhamento do Apóstolo, anunciando o Evangelho «oportuna e inoportunamente» (2 Timóteo 4,2), expondo o Evangelho com a vida, a vida com o Evangelho (1 Tessalonicenses 2,8), a tempo inteiro e coração inteiro, sem tréguas nem compromissos. Todo preenchido pelo anúncio do Evangelho, entregando-se todo e de todas as maneiras, ele foi declarado, com toda a justeza, «o maior missionário de todos os tempos» (Bento XVI) e «modelo de cada evangelizador» (Paulo VI).
  1. Não é, pois, de admirar que, no umbral da porta do novo ano pastoral 2015-2016 em que agora entramos, lá esteja outra vez, a abrir, o verbo «ir», para nos indicar que anunciar o Evangelho continua a ser sempre a tarefa primária da Igreja e de cada discípulo de Jesus, como nos lembra o Papa Francisco (EG, n.º 15). Mas não é de frases feitas que vamos viver. Tem de ser de novas atitudes, novos modos e estilos de vida. E, se anunciar o Evangelho é o nosso modo de ser, o nosso modo de vida, então temos de abandonar velhos vícios de acomodação e conforto, de simples manutenção, conservação e gestão, do «cómodo critério pastoral: “fez-se sempre assim”» (EG, n.º 33), do género meias-tintas, do sim, mas devagar, e de adotar novas práticas que nos levem, de forma decidida e incisiva, a «avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão» (EG, n.º 25), e passar da «simples administração» para um «estado permanente de missão em todas as regiões da Terra» (EG, n.º 25). Neste sentido, nenhuma comunidade pode continuar a cantar a capella, como se tivesse direitos adquiridos sobre o próprio Jesus ou sobre o Evangelho, e todos devemos entrar, decididamente e com todas as forças, sem desperdício algum, naquele dinamismo do «saiamos, saiamos» (EG, n.º 49) com que o Papa Francisco projeta e sonha a nossa Igreja «em saída» pelos caminhos belos da Evangelização (EG, n.os 33-35). E deixamos já a janela aberta para o ano pastoral 2016-2017, que obedecerá ao lema «Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura» (Marcos 16,15).

Casa e escola de oração para todos

  1. Transponhamos, pois, amados irmãos e irmãs, o limiar da porta. Entremos em Casa. Aproximemo-nos de Deus. Sentemo-nos à Mesa. Deixemo-nos hospedar na Casa de Deus. Aquela Casa que o próprio Deus apresenta assim: «A minha Casa será chamada Casa de oração para todos os povos». Este dizer forte e tranquilo é de Isaías 56,7. O Evangelista Marcos foi o único a recolhê-lo na sua inteireza (11,17). Mateus 21,13 e Lucas 19,46 recolheram apenas a primeira parte («A minha casa será chamada casa de oração»), deixando de fora «todos os povos». A Igreja e a paróquia devem ser então a Casa onde todos devem ser fraternalmente acolhidos, e se devem sentir valorizados, visíveis e eclesialmente incluídos (Documento de Aparecida, n.º 226). Sonhemos, pois, amados irmãos e irmãs, fazer da Igreja e da paróquia um novo lugar, um novo espaço relacional, onde todos, pastores e fiéis leigos, possam dizer com alegria, de acordo com o convite de Bento XVI, no Santuário de Aparecida, em 12 de maio de 2007: «A Igreja é a nossa casa! Esta é a nossa casa!» (Documento de Aparecida, n.º 246). O Papa Francisco quis inserir este jubiloso grito na mensagem que dirigiu aos bispos de Portugal na recente Visita ad Limina Apostolorum (07.09.2015). Entremos, pois, jubilosamente em Casa, conduzidos por Jesus:

«2,13E estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14E encontrou no Templo (hierón) os vendedores de bois e ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. 15E, tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo (hierón), as ovelhas e os bois, bem como os cambistas, espalhou as moedas, derrubou as mesas, 16e disse aos que vendiam as pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da Casa (oíkos) do meu Pai Casa (oíkos) de comércio”» (João 2,13-16).

  1. O episódio aparece situado e datado. O lugar é Jerusalém e o seu Templo. O tempo é a Festa da Páscoa. Ora, uma Festa é, na tradição bíblica, um encontro marcado. Um encontro marcado com Deus e com os outros. Sendo um encontro marcado com Deus e com os outros, então é sempre um espaço de alegria, de filialidade e de fraternidade. E se a Festa é de peregrinação, como é a Páscoa, aqui referida [as outras duas são as Semanas ou Pentecostes e as Tendas], então a alegria, a filialidade e a fraternidade são ainda mais intensas, dado que Festa de peregrinação se diz, na língua hebraica, hag. E o nome hag remete para o verbo hag [= dançar] e deriva de hûg, que significa círculo, e, portanto, família, lareira, encontro, alegria, música, roda, dança, vida.
  1. Encontro, filialidade, fraternidade: marcas acentuadas por Jesus que, em vez de Templo de pedra (hierón), diz Casa (oíkos) – com particular afeto, Casa do meu Pai –, sendo a Casa paterna o lugar do encontro e da intimidade, e não das coisas, da superficialidade, da banalidade, do consumismo, do mercado. Nos paralelos de Mateus, Marcos e Lucas, citando Isaías 56,7, Jesus fala do Templo usando a expressão forte «A minha Casa» (ho oîkós mou) (Mateus 21,13; Marcos 11,17; Lucas 19,46). É neste sentido que o Livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra a comunidade-mãe de Jerusalém a frequentar assiduamente o Templo, salientando, no entanto, que a sua maneira de prestar culto a Deus acontecia nas Casas. Do Templo para as Casas (Atos 2,46). Não, não se trata de uma simples mudança de lugar, mas de uma diferente conceção do espaço: não se trata de um espaço local, mas relacional. O novo espaço cultual é a comunidade que vive filial e fraternalmente, verdadeira transparência de Jesus. A extensão deste espaço chama-se comunhão e comunidade. É a comunidade jovem, leve e bela, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Apóstolos (1), a comunhão fraterna (2), a fração do pão (3) e a oração (4). Com a boca [= «uma só boca» (en henì stómati: Rm 15,6)] cheia de louvor, os olhos de graça, as mãos de paz e de pão, as entranhas de misericórdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. Não admira. Era uma comunidade jovem, leve e bela, tão jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!
  1. Sintomático é que, postos estes pressupostos, o texto refira, não que Jesus encontrou filhos e irmãos, mas que encontrou vendedores, banqueiros e comerciantes, contra a profecia de Zacarias 14,21, que refere que «Não haverá mais vendedor na Casa do Senhor dos exércitos naquele dia». «A Casa do meu Pai», «A minha Casa», por um lado, e o Mercado, por outro lado, são lugares incompatíveis. São maneiras diferentes de conceber e ocupar o espaço. É, pois, necessário, caríssimos irmãos e irmãs, descobrir e abrir caminhos novos, que nos levem outra vez a cantar com emoção: «Que alegria quando me disseram: “Vamos para a Casa do Senhor!”» (Salmo 122,1). E não nos esqueçamos nunca de acentuar a importância da oração, pois é ela o verdadeiro alicerce da nossa fé, conforme o velho e sempre novo aforismo dos Padres da Igreja antiga: lex orandi lex credendi (est), isto é, como se reza, assim se crê, e não o contrário. Peço às crianças e aos jovens que, em casa, partilhem o seu modo de rezar com os seus pais e avós. Peço aos pais e aos avós que, em casa, partilhem o seu modo de rezar com os seus filhos e netos. Assim, sentir-nos-emos todos mais visivelmente filhos e irmãos, e nascerá no nosso coração filial um mundo muito mais belo e fraterno.
  1. Jesus ensinou-nos a rezar com verdade, simplicidade, ternura e confiança. A colocar-nos como criancinhas diante de Deus, como diante do seu papá ou da sua mamã, em quem abandonam a sua existência. Jesus ensinou-nos, por isso, a chamar a Deus com o nome familiar de Pai. Mas não o pai que impõe respeito, distância e autoridade. Por isso, não nos ensinou a chamar a Deus com o nome de Pai, hebraico ʼab, como era usual tratar Deus no Antigo Testamento e nas orações judaicas do tempo de Jesus. Ensinou-nos a ser pequeninos, criancinhas cheias de simplicidade, ternura e confiança, que, com linguagem infantil, chamam a Deus, não ʼab, mas ʼabbaʼ, ʼab-baʼ, não pai, mas pap-pá, como quando as criancinhas experimentam dizer as primeiras palavras, soletrando e repetindo sílabas e sons. Dizer Pai nosso é então entrar de cabeça no mundo da ternura e da confiança. Mas é ainda perceber que este Pai não é apenas meu, mas nosso, o que quer dizer que só como irmãos, só sendo todos irmãos, podemos rezar com verdade. E pedir o pão nosso é saber que o pão que está sobre a minha mesa não é meu, mas é de todos. É para partilhar. Rezar assim, como Jesus nos ensinou, faz-nos entrar num mundo novo de ternura, de verdade e humildade, e leva-nos também a perceber bem que temos de viver como filhos e irmãos, carinhosamente atentos uns aos outros, até ao ponto sem retorno de já não sabermos viver senão repartindo o pão e o coração.
  1. Notemos bem que a oração do Pai nosso não é nossa, não brota de nós. Foi-nos ensinada por Jesus, que nos transmite o segredo mais profunda da sua vida: o Pai, e leva-nos a compreender que Ele é também o nosso Pai carinhoso que cuida de nós, e que nós somos todos irmãos, e só como irmãos podemos pronunciar, sem mentir, as palavras desta oração. O Pai nosso, isto é, rezar de verdade, reclama, de nós a fraternidade, que é um valor que a sociedade laica começa a compreender que não pode produzir por si própria. Se olharmos para a tríade dos valores republicanos franceses, reparamos que a liberdade e a igualdade podem ser, ainda que com reservas, garantidas a nível público. Mas a fraternidade não, porque a fraternidade pressupõe Deus como Pai, que a sociedade laica iluminista não reconhece. Isto significa que nos sistemas fundados sobre os três valores franceses há uma contradição interna, dado que os dois primeiros não podem garantir o terceiro (excelente reflexão do filósofo francês Jean-Luc Marion, in L’Avvenire, 09.02.2012). Por isso mesmo, a nós, cristãos, compete rezar bem e levar e mostrar a este mundo este Deus Pai, que faz de nós irmãos. Não se luta para obter o título de irmão. Irmão nasce-se, e o título de irmão recebe-se. Está aqui uma lição importante que nos compete receber, viver e transmitir a este mundo que vive na orfandade.

Atravessar a porta santa da misericórdia

  1. Com a Bula O rosto da misericórdia [= RM], de 11 de Abril do corrente ano da Graça de 2015, o Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que abrirá no próximo dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, e encerrará em 20 de Novembro de 2016, Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. O Papa Francisco deseja ardentemente que todos experimentem verdadeiramente a ação da misericórdia que há em Deus. A Porta Santa da Misericórdia de Deus será aberta na nossa Igreja de Lamego, como em todas as Igrejas particulares, por vontade do Papa Francisco, no Domingo III do Advento, dia 13 de dezembro (RM, n.º 3). Atravessar a Porta Santa da Misericórdia implica peregrinação, emoção e encontro com a misericórdia do Pai (RM, n.º 14). Do mesmo modo que, nos dias 4 e 5 de Março de 2016, sexta-feira e sábado antes do Domingo IV da Quaresma, celebraremos também em todas as Igrejas da nossa Diocese as «24 horas para o Senhor», também em resposta ao apelo do Papa Francisco (RM, n.º 17). Em suma, amados irmãos e irmãs, o ano pastoral em que agora entramos apresenta-se repleto da bondade e da riqueza do nosso Deus. Mas o essencial será sempre acolher e experimentar na vida a misericórdia de Deus, e deixarmo-nos transformar por ela. Neste sentido, vale a pena começar por ver Jesus em ação de misericórdia, percorrendo um episódio do Evangelho. E confrontar com a sua forma de fazer os nossos comportamentos. O desempenho dos discípulos pode ajudar-nos a ver melhor as sombras em que muitas vezes nos enredamos:

«6,30E reúnem-se os apóstolos junto de Jesus e contam-lhe todas as coisas que tinham feito e ensinado. 31Ele diz-lhes: “Vinde vós, à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco”. Eram, na verdade, muitos os que vinham e partiam, e nem sequer para comer tinham tempo. 32E partiram numa barca para um lugar deserto, à parte. 33Viram-nos, porém, partir, e sabendo, muitos, a pé, de todas as cidades, correram e chegaram antes deles. 34E tendo saído da barca, viu uma grande multidão e TEVE MISERICÓRDIA (esplagchnístê) deles, porque eram como ovelhas sem pastor (cf. Isaías 53,6).

E COMEÇOU A ENSINAR-LHES (êrxato didáskein) muitas coisas. 35E tendo a hora adiantado muito, aproximaram-se d’Ele os discípulos d’Ele e diziam: “O lugar é deserto e a hora adiantada. 36MANDA-OS EMBORA, para que, partindo para os campos e aldeias à volta, COMPREM de comer PARA SI MESMOS (heautoîs)”. 37Então Ele, respondendo, disse-lhes: “DAI-LHES vós de comer”» (Marcos 6,30-37).

  1. O episódio que acabámos de referir, retirado do Evangelho de Marcos, é conhecido como a «primeira “multiplicação dos pães”», realizada, neste caso, em mundo judaico. Mas vê-se bem que o título de «multiplicação» é inadequado, pois o que está aqui em causa não é, na verdade, uma multiplicação, mas uma divisão ou partilha. Salta à vista, na passagem estreita que nos foi dado atravessar, o comportamento misericordioso e compassivo, acolhedor, inclusivo e de partilha de Jesus, em confronto com o comportamento insensível, não-acolhedor, exclusivista, frio, mercantilista, consumista, egoísta, egocêntrico e autorreferencial dos seus discípulos, que propõem a Jesus que mande as pessoas embora, para que cada um compre de comer para si mesmo (Marcos 6,36). O diagrama a seguir mostra os dois desempenhos em confronto:
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  1. Escritura mostra à exaustão que o perigo espreita sempre que se quebra o círculo da fraternidade, e alguém passa a viver, a comprar, a acumular para si mesmo, ou a querer salvar-se a si mesmo (heautô) (Ezequiel 34,2; Lucas 12,21; 23,35.37.39; Romanos 14,7; 2 Coríntios 5,15):

«34,2Filho do Homem, profetiza contra os pastores de Israel. Profetiza e diz-lhes: “Contra os pastores, assim diz o Senhor YHWH: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos (ro‘îm ’ôtam TM; poiménes heautoús LXX)”» (Ezequiel 34,2; cf. 34,8.10).

«12,21Assim acontece àquele que entesoura para si mesmo (heautô), e não é rico para Deus» (Lucas 12,21).

«23,35Também os chefes faziam pouco dele, dizendo: “Salvou outros; que se salve a si mesmo (heautón)» (Lucas 23,35).

«23,36Também os soldados faziam pouco dele, e, aproximando-se, ofereciam-lhe azeite, 37e diziam: se tu és o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo (seautón)”» (Lucas 23,36-37).

«23,39Um dos malfeitores suspensos blasfemava, dizendo-lhe: “Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo (seautón) e a nós”» (Lucas 23,39).

«147Nenhum de nós para si mesmo (heautô) vive e nenhum para si mesmo (heautô) morre; 8se vivemos, é para o Senhor (tô Kyríô) que vivemos; se morremos, para o Senhor (tô Kyríô) morremos» (Romanos 14,7).

«5,15E por todos (Cristo) morreu, para que os vivos não vivam para si mesmos (heautoîs), mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou» (2 Coríntios 5,15).

A lógica individualista e exclusivista do «para si mesmo» (heautô) é errada. A lógica de Jesus, que parte do amor entranhado das vísceras misericordiosas (esplagchnístê) (Marcos 6,34a), é uma lógica de comunhão, de doação, de partilha, de condivisão, de conjunção. Esta lógica nova obedece a outro «para si mesmo»: tomar a Cruz «para si mesmo» (heautô) (João 19,17), dar aos outros, por amor, a própria vida. Por isso, verdadeiramente, Jesus é aquele que «está fora de si» (exéstê), descentrado, sempre em êxodo total ao encontro de Deus e dos irmãos (Marcos 3,21).

  1. Sempre neste sentido, o inédito da Cruz é «obsceno», no sentido etimológico do termo: fica fora da cena do nosso imaginário. Diz muito bem Silvano Fausti: «Um sistema de violência acaba sempre por repousar sobre uma alternativa: matar ou ser morto. Nós escolhemos preventivamente a primeira: cada um de nós faz o mal que pode, como profissão principal, de maneira a ser bem sucedido: o ladrão ou o banqueiro, o comerciante ou o operário, o médico ou o barbeiro, o patrão ou o criado, o padre ou o assaltante, o benfeitor ou o delinquente. Cada um, com os meios que tem, pensa primeiro em si». Na verdade, se cada um é inimigo do outro por definição, e se, para cada um, prioritária é a salvaguarda da ameaça do outro, as possibilidades do eu são vencer ou sucumbir, e, em caso extremo, matar ou ser morto.
  1. O que estes malfeitores, que somos nós, não sabemos, e, por causa deste nosso não saber, fazemos o mal, é que existe um Pai, a quem compete cuidar dos seus filhos. E se temos um Pai que cuida de nós, não nos compete ser inimigos, mas irmãos. E se somos filhos e irmãos, também não compete a cada um prover-se e salvar-se a si mesmo, pois é o nosso Pai que nos alimenta, que nos veste, que cuida de nós, que nos ama e nos salva (Mateus 6,26-34).
  1. Aí está outra vez bem à vista o inédito da Cruz: Jesus não se salva a si mesmo, porque salvar-se a si mesmo é mau. Na verdade, é para se salvarem a si mesmos que os homens se odeiam e fazem guerra. Ora, Jesus quer salvar-nos a nós. E, para nos salvar a nós, perde-se a si mesmo. Exactamente o contrário do que fazemos nós, que perdemos os outros pensando que assim nos salvamos a nós mesmos.
  1. Caríssimos irmãos e irmãs, permiti que a todos lembre que a missão da evangelização que deve sempre nortear a nossa vida de discípulos de Jesus tem de ser alimentada na oração e na graça que nos vem de Deus. Não nos esqueçamos de celebrar e valorizar o Domingo, Dia do Senhor, e de frequentar com alegria os Sacramentos, sobretudo a Eucaristia e a Reconciliação. Este ano pastoral deve ter a mesa da Eucaristia sempre posta e a porta da misericórdia sempre aberta. Experimentemos a alegria de perdoar aqueles que nos ofendem. Valorizemos bem a experiência das Confissões Quaresmais. Valorizemos também o exercício bem arreigado na nossa Diocese das 40 horas e jubileus das almas. Façamos tudo para retomar a vivência do Laus perene, para mantermos a nossa Diocese, com todas as suas 223 Paróquias, em permanente Louvor ao nosso Deus e Pai. Relembro as palavras certeiras do escritor inglês Chesterton (1874-1936) sobre a beleza da religião católica: «Não há outra religião que afirme verdadeiramente o perdão dos pecados dos homens… Um católico que se confessa, entra, no verdadeiro sentido da palavra, na manhã clara da sua infância».
  1. Caminhos práticos e direitos para curar a tibieza e a indiferença dos nossos corações e das nossas comunidades:
  1. À imagem e imitação de Jesus, os nossos pastores devem ser verdadeiros apóstolos, totalmente dedicados à oração e à pregação, pela Palavra e pelo testemunho (Atos dos Apóstolos 6,4).

  2. As nossas paróquias devem ser Casas acolhedoras onde todos os fiéis se sintam filhos de Deus, e experimentem nisso e por isso, a alegria de sermos irmãos. Também devemos abrir as portas do nosso coração aos nossos irmãos oriundos de outras proveniências que procurarem refúgio junto de nós. Será, com certeza, uma experiência de verdadeira fraternidade e alegria, que virá sempre enriquecer a nossa vida em Cristo.

  3. As nossas paróquias devem ser Casas e escolas de oração e de vivência da fé em permanência, em que todos se sintam envolvidos, ensaiando novos estilos de vida. Retomemos com alegria a experiência do Laus perene. Assim saberemos e sentiremos que a nossa Diocese, nas suas 223 Paróquias, atravessa os dias do ano da graça que Deus nos concede, sentindo sempre o calor e a ternura da mão de Deus no nosso rosto e no nosso coração.

  4. Neste Ano jubilar da Misericórdia, que «o sol nunca se ponha sobre a nossa ira» (Efésios 4,26). Permaneçamos atentos e vigilantes. Aprendamos a ser mais tolerantes e compreensivos. Façamos mais vezes a experiência do perdão, e recorramos mais vezes ao Sacramento da Reconciliação.

  5. As nossas paróquias devem investir séria e sabiamente na iniciação à vivência e transmissão da fé, envolvendo neste esforço todas as pessoas.

  6. As nossas paróquias devem ser evangelizadoras. Sejamos ousados. «Saiamos, saiamos!». Jovens, relançai a bela experiência das avalanches da fé. Ide ao encontro da alegria. Servi a alegria.

  1. Para esta experiência viva de missão, de oração e de misericórdia, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego: sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs, avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, perdão, partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais amor a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas, e também àqueles que junto de nós vierem procurar a esmola do refúgio. Mais. Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e sentirmos a alegria da sua misericórdia. Que cada um de nós sinta como sua primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus com muitos irmãos à sua volta. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria a sua proteção carinhosa e maternal.

Lamego, 03 de outubro de 2015

+ António, vosso bispo e irmão

COLABORAR E COMPROMETER-SE | Editorial Voz de Lamego | 29/09

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A edição da Voz de Lamego, semanalmente, traz-nos um conjunto de notícias e de reflexões que nos sintoniza com o mundo e com a Igreja, em particular com a região e com a diocese, com a cultura, a história, a religião. Esta semana destaca-se de forma particular a Viagem Apostólica do Papa Francisco a Cuba e aos EUA, tendo discursado no Senado norte-americano, na sede das Nações Unidas (ONU) e encerrando o encontro mundial das Famílias em Filadélfia. Outros destaques deste número: a morte do Padre Manuel João, e também do Padre Mário Lages; a entrada dos novos párocos, a entrevista a D. Jacinto por ocasião do seu 80.º aniversário natalício.

O Editorial, do nosso Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, desafia-nos a seguir Jesus comprometendo-se totalmente com o anúncio do Evangelho, em palavras e obras. Não basta colaborar, é urgente comprometer-se com a vida toda. O Editorial convoca-nos também para a abertura do Ano Pastoral, no próximo sábado, 3 de outubro, no Seminário Maior de Lamego.

COLABORAR E COMPROMETER-SE

A fábula é conhecida e circula por aí: fala de um porco e de uma galinha que foram desafiados a providenciarem, durante duas semanas, um pequeno almoço diferente em cada dia. A ideia partiu do dono da quinta que, no momento, logo avisou: o não cumprimento do acordo levaria a que ele próprio preparasse a refeição, cujos ingredientes seriam fêveras e ovos.

Diante da perspectiva, o porco empenhou-se, sabendo que o não cumprimento ditaria o seu fim. A galinha, pelo contrário, não mais se preocupou com o assunto e continuou a picar por aqui e por ali. E um dia a refeição não apareceu e o lavrador cumpriu a ameaça: matou-se o porco para conseguir o lombo e o galinheiro foi visitado para se arranjarem ovos.

O ensinamento da fábula é claro: há uma grande diferença entre colaborar e comprometer-se. Colaborar é dar uma mão, uma ajuda, uns ovos; comprometer-se é gastar-se até ao fim, dar-se a si, dar o lombo todo.

E foi isso que Jesus pediu aos seus discípulos (Lc 9, 23-25), que se comprometessem e não se contentassem em colaborar. E o convite é válido para a vivência comunitária da fé, mas também diz respeito à vida do casal, da família, do trabalho…

No próximo sábado, a nossa diocese tornará público o seu Plano Pastoral para este ano. Mais uma etapa da nossa história comum, da qual ninguém está dispensado e que só com o contributo e disponibilidade de todos poderá ser devidamente concretizado.

Acolher os textos e as propostas ali contidos e comprometer-se, pessoal e comunitariamente, a realizar o percurso delineado contribuirá para o crescimento desta porção do Povo de Deus que é a nossa diocese. Mas, para isso, não basta opinar ou ter a intenção de colaborar; urge comprometer-se.

in Voz de Lamego, ano 85/44, n.º 4331, 29 de setembro

ABERTURA DO ANO PASTORAL DA DIOCESE DE LAMEGO – 3 de outubro

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No próximo dia 3 de outubro de 2015, far-se-á a ABERTURA DO ANO PASTORAL 2015-2016 da Diocese de Lamego, no Seminário Maior de Lamego.
Entendeu-se que o Plano Pastoral da Diocese deveria ser apresentado no início de cada ano pastoral. Assim, tal como no último ano, também neste, teremos oportunidade de refletir sobre as linhas orientadoras, propostas pastorais, metas a atingir, durante o novo ano Pastoral, na ambiência do lema proposto por D. António Couto:

IDE E FAZEI DA CASA DE MEU PAI CASA DE ORAÇÃO E DE MISERICÓRDIA

Programa:
  9h30 – Acolhimento
  9h45 – Oração da Manhã
10h00 – Apresentação da Carta Pastoral de D. António Couto, pelo Próprio
11h00 – Pausa para o café
11h30 – Apresentação das linhas orientadoras do Plano Pastoral,
              pelo Coordenador da Pastoral da Diocese, Pe. José Melo (cônego)
12h15 – Troca de impressões
12h30 – Almoço e Encerramento
A ABERTURA do ANO PASTORAL tem como destinatários os SACERDOTES e os diferentes AGENTES PASTORAIS.
O almoço será servido pelo Seminário e terá um custo de € 5,00.
As inscrições devem ser feitas até dia 30 de setembro (quarta-feira), para a Cúria Diocesana ou para o Seminário Maior de Lamego.

Zona Pastoral de Resende | FESTA DA FAMÍLIA

Festa da família1

A 28 de dezembro, domingo da Oitava de Natal, dia em que a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, realizou-se, na Igreja da Imaculada Conceição, em Resende, a Festa da Família. Esta iniciativa, encimada pelo tema pastoral, proposto para o ano 2014/2015, “Ide e construí com mais amor a Família de Deus”, teve como ponto alto as Bodas de Ouro ou de Prata de cerca de 40 casais pertencentes às paróquias da zona pastoral de Resende. Esta cerimónia, muito bela, foi presidida pelo Excelentíssimo Reverendíssimo D. António Couto e concelebrada pelos senhores Vigário Geral, Pró-Vigário, Párocos das comunidades envolvidas e Diácono recentemente ordenado; colaboraram os grupos de Acólitos, de Escuteiros, Corais, as zeladoras e outros fiéis leigos da assembleia participante.

                Na homilia, o presidente da celebração, com a seriedade que lhe reconhecemos e a profundidade a que nos habituou, fez uma preleção da liturgia prevista para este dia, iniciando pelo texto, que esteve escondido “na gaveta” durante cinquenta anos, do Livro de Ben-Sirá, referindo o convite que nos é feito ao amor dedicado aos nossos pais, para que o Senhor ponha em nós o seu olhar de bondade; passando pelo texto da Carta de São Paulo aos Colossenses, em que o autor exortatodos os membros constituintes da Família ao amor mútuo, salientando que os vestidos mais importantes para a festa não estão à venda em nenhum pronto-a-vestir, mas sim aqueles que vêm de Deus, que nos vestem interiormente e enchem os nossos corações para que espelhem sentimentos de bondade, paciência, humildade, mansidão, perdão, caridade e amor. Salientou, igualmente, o texto em que São Lucas nos descreve a ida ao templo de Jerusalém, quarenta dias depois das alegrias do Natal, para darem cumprimento à Lei de Moisés, dando ênfase à cena composta pelos velhinhos Simeão, “o Escutador” – o homem movido pelo Espírito Santo, e Ana, “a Graça” – a mulher que anuncia. Pediu que cada um de nós, tal como estes velhos anciãos que viram a Luz e exultaram de Alegria, sejamos escutadores atentos do bater do coração de Deus, vivendo mais “Rosto a Rosto com Deus” e anunciadores D’Ele pelo nosso testemunho.

                Para que esta festa fique recordada, o Senhor D. António entregou um certificado simbólico desta comemoração e felicitou pessoalmente cada um dos casais que disseram «sim» a esta festividade, não esquecendo todos os outros casais que não puderam estar presentes por não se encontrarem entre nós.

                Por último, o animador da cerimónia, Pe. José Augusto, agradeceu a todos os presentes nesta linda festa, desde o nosso Bispo da Diocese de Lamego aos restantes intervenientes na mesma.

Eduardo Pinto, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4295, ano 85/08, de 6 de janeiro de 2015

MISSÃO DE RESTITUIR | Editorial Voz de Lamego | 7-10-2014

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A primeira edição de outubro, do Jornal Diocesano, Voz de Lamego, remete-nos de imediato para a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos que ora reúne em Roma, sob a presidência do Papa Francisco, entre os dias 5 e 19 de outubro, culminando com a Beatificação do Papa Paulo VI, refletindo a temática da família. Com efeito, no próximo ano, pela mesma ocasião, reunirá a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, para aprofundar, procurando a unidade, a mesma temática da família.

Como nos habituou, o Jornal traz-nos uma grande variedade de reflexões, que apontam para Jesus Cristo, para o Evangelho, numa dinâmica sobretudo assertiva e acolhedora, desafiando, lançando pistas, promovendo o pensamento e o compromisso. Neste número, continua a dar-se destaque à entrada de novos párocos: Pe. André Pereira em Vila da Ponte (e também em Vila da Rua, Faia, Penso); Pe. António de Almeida Morgado na paróquia de Santa Leocádia de Travanca, na Zona Pastoral de Cinfães; Pe. José Augusto Rodrigues Cardoso, na paróquia de Fornelos, mantendo-se pároco de Nespereira. Nas páginas centrais também a celebração das Bodas de Ouro de Vida Religiosa da Irmã Maria Celeste.

Notícias da Igreja e da Região são outro motivo de interesse na leitura da Voz de Lamego. Mas como introdução o Editorial, que nos faz entrar na Carta Pastoral de D. António Couto.

MISSÃO DE RESTITUIR

Na Carta Pastoral que o nosso bispo endereçou a toda a diocese, e que o nosso jornal publicou na edição anterior, não faltam afirmações e provocações para ler, reflectir e viver. Desta vez, o convite de “restituir para a frente”.

Habitualmente entendemos “restituir” como a acção de entregar algo a quem nos havia emprestado. Ao longo da vida restituímos objectos, valores, terras… E essa acção está sempre voltada para um passado, porque foi lá atrás que alguém nos dispensou algo. Por isso, restituir é voltar atrás, voltar-se para quem está antes e repetir o gesto de dar para igualar e tudo ficar devidamente saldado. No fundo, restituímos para não ficarmos em dívida.

Mas, nas palavras de D. António Couto, “restituir” tem outra direcção e outros destinatários quando se fala de família humana, vivência cristã ou missão pastoral. A melhor forma de agradecer o dom da vida a quem no-la deu é contribuir para a sua continuidade e isso consegue-se participando no aparecimento das novas gerações. Viver a fé é testemunhar uma pertença, dar visibilidade a Cristo, transmitindo para diante, para os outros. Da mesma forma, a missão eclesial de todo baptizado não é esconder ou conservar, mas é mostrar Deus, com a preocupação de avançar, de ir mais longe. Porque ninguém mostra para trás, mas para a frente, onde a vida acontece, o caminho se escolhe e as opções se afirmam.

No passado encontramos o fundamento, as fontes e importantes testemunhos para a fé. Mas é para diante que importa anunciar de forma nova, transmitir com fidelidade e testemunhar com alegria. Só assim honramos quem nos precedeu e testemunhamos gratidão a quem nos transmitiu a fé.

Pe. Joaquim Dionísio, VOZ DE LAMEGO, 7 de outubro de 2014, n.º 4283, ano 84/45

Carta Pastoral de D. António Couto | 2014-15 | Ide com mais amor…

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IDE E CONSTRUÍ COM MAIS AMOR A FAMÍLIA DE DEUS

«Os filhos são um dom de Deus»

(Salmo 127,3)

«Toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes» (Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

«Sois membros da família de Deus»

(Efésios 2,19)

O amor fontal de Deus-Pai

  1. «Deus é amor» (1 João 4,8 e 16) e «amou-nos primeiro» (1 João 4,19), e «nós amamos, porque Deus nos amou primeiro» (1 João 4,19). Então, o amor que está aqui, o amor que está aí, o amor que está em mim, o amor que está em ti, o amor que está em nós, «vem de Deus» (1 João 4,7), e «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7). Deus amou-nos primeiro, ama-nos e continua a amar-nos sempre primeiro com amor-perfeito (êgapêménos: part. perf. pass. de agapáô), isto é, amor preveniente, fiel, consequente, permanente (1 Tessalonicenses 1,4; Colossenses 3,12). Ama-nos a nós, que estamos aqui, e foi assim que nós começámos a amar. Se não tivéssemos sido amados primeiro, e não tivéssemos recebido o testemunho do amor, não teríamos começado a amar, e nem sequer estaríamos aqui, porque «quem não ama, permanece na morte» (1 João 3,14), sendo então a morte, não o termo da vida, mas aquilo que impede de amar, e, portanto, de nascer!
  1. Portanto, se «quem ama nasceu de Deus» (1 João 4,7), o amor que há em nós é remissivo, remete para outrem, remete para a origem. O que é a origem? A origem é o que está antes do começo, a quem a Bíblia e uma parte da humanidade chamam Deus, e nós, cristãos, por imagem, chamamos «Pai». Nova genealogia do amor: o Pai ama o Filho (João 3,35; 5,20), e ama também o mundo (João 3,16), a ponto de enviar o seu Filho ao mundo para lhe manifestar esse amor (João 3,16; 1 João 4,9-10). Só o semelhante conhece o semelhante, e lhe pode comunicar o seu amor. O Pai ama e conhece o Filho Unigénito, e comunica-lhe o seu amor. Como o Pai ama e conhece o Filho Unigénito, também o Filho Unigénito ama e conhece o Pai (Mateus 11,27), e o pode revelar os seus discípulos fiéis (João 15,9), tendo, para tanto, de descer ao nosso nível, fazendo-se homem verdadeiro, semelhante a nós (Filipenses 2,7; Hebreus 2,17). Na verdade, comunica-nos o amor do Pai, e dá-nos a conhecer tudo o que ouviu do Pai (João 15,15). E nós somos convidados a entrar nesse divino colóquio, a acolher esse amor desmesurado, e a passar a amar dessa maneira, como fomos e somos amados (João 13,34; 15,12).
  1. Assim, o amor que está em nós, ou em que estamos nós, o amor entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre amigos, entre nós, não provém nem de uns nem de outros. Nem sequer de si mesmo. O amor não é meu nem é teu. O amor não é nosso. O amor é dado. Claro. Se «quem ama nasceu de Deus», não é nossa a patente do amor, e temos mesmo de ser extremamente cuidadosos quando pretendemos ajuizar acerca do amor que há nos outros. A antiga equação nivelada: «Ama o próximo como a ti mesmo» (Levítico 19,18), é plenificada e subvertida pela equação paradoxal: «como Eu vos amei» (João 13,34; 15,12). Mesmo aqueles que desconhecem a fonte do amor, é dela que o recebem. Neste sentido, em que a fé se une à razão, não é o casal que faz o amor; é o amor que faz o casal. Do mesmo modo que não é o casal que faz os filhos; é o amor que os faz. São um dom de Deus (Salmo 127,3). Atravessa-nos um calafrio quando nos apercebemos que a humanidade transmite, de idade em idade, de pais para filhos, algo de eterno. Amor eterno, tão terrivelmente ameaçado de idade em idade!
  1. É esse amor eterno, primeiro e derradeiro, verdadeiro, que nos faz nascer como irmãos. O lugar que, de forma mais imediata, nos mostra a fraternidade, é a família. E é verdade que, numa família, os filhos, não deixando de ser diferentes na ordem do nascimento, da saúde, da inteligência, temperamento, sucesso, são iguais. E são iguais, não obstante as suas acentuadas diferenças. São iguais, não em função do que são ou do que têm ou do que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito. Em função do amor que os precede, o amor dos seus pais, e, em primeira ou última instância, o amor fontal de «Deus-Pai» (Ad gentes, n.º 2), pois nós somos também, diz o Apóstolo, filhos de Deus (1 João 3,2), filhos no Filho (Romanos 8,17.29), membros da família de Deus (Efésios 2,19). É esse amor primeiro que nos torna livres e iguais, logo irmãos. A fraternidade é o lugar em que cada um vale, não por aquilo que é, por aquilo que tem ou por aquilo que faz, mas por aquilo que lhe é feito, antes e independentemente daquilo que deseja, pensa, projeta e realiza, e em que o seu ser é ser numa relação de amor incondicionada, que não é posta por ele, mas em que ele é posto. A verdadeira fraternidade ensina-nos que a nossa consciência não é a autoconsciência daquilo que fazemos, mas a hétero-consciência daquilo que nos é feito e que nós somos sempre chamados a reconhecer e a cantar com renovada alegria, como Maria: «O Todo-poderoso fez em mim grandes coisas» (Lucas 1,49).

O limiar do mistério em cada nascimento

  1. Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! (Romanos 11,33). Ó abismo do amor de Deus! Caríssimos pais e mães, os filhos que gerais e que vedes nascer, são, antes de mais, vossos ou são de Deus? Dir-me-eis: este filho é nosso, fomos nós que o geramos, fui eu que o dei à luz, nasceu neste dia, tenho aqui a cédula de nascimento. E eu pergunto ainda: sim, mas porquê esse, e não outro? É aqui, amigos, que entra o para além da química e da biologia, entenda-se, o para além de nós. É aqui, amigos, que entramos no limiar do mistério, na beleza incandescente do santuário, onde o fogo arde por dentro e não por fora. É aqui que paramos ajoelhados e comovidos à beira do inefável e caímos nos braços da ternura de um amor maior, novo, paternal, maternal, que nenhuma pesquisa biológica ou química explicará jamais. Todo o nascimento traz consigo um imenso mistério. Sim, porquê este filho, e não outro? Porquê este, com esta maneira de ser, este boletim de saúde, este grau de inteligência, estas aptidões, esta sensibilidade própria? Sim, outra vez, porquê este filho, e não outro, com outra maneira de ser, outro boletim de saúde, outro grau de inteligência, outras aptidões? Fica patente e latente, evidente, que, para nascer um bebé, não basta gerá-lo e dá-lo à luz. Quando nasce um filho, é também Deus que bate à nossa porta, é também Deus que entra em nossa casa, é também Deus que se senta à nossa mesa, é também Deus que nos visita. Há outra paternidade, a de Deus, por detrás da nossa vulgar paternidade, participação da verdadeira paternidade de Deus. Na verdade, «toda a paternidade, como todo o dom perfeito, vêm do Alto, descem do Pai das Luzes» (Tiago 1,17; cf. Efésios 3,15).

Membros de uma nova família

  1. Há, portanto, também uma nova familiaridade. A partir de Deus. Na verdade, no comportamento Misericordioso de Jesus transparece uma nova familiaridade, que assenta a sua fundação muito para além dos meros laços biológicos e anagráficos das nossas famílias. Prestemos atenção ao luminoso dizer de Jesus no caixilho literário de Marcos:

 «E vem a mãe dele e os irmãos dele, e, ficando fora, enviaram quem o chamasse. E estava sentada à volta dele a multidão, quando lhe dizem: “Eis que a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs estão lá fora e procuram-te”. E respondendo-lhes, diz: “Quem é a minha mãe e os meus irmãos?”. E tendo olhado à volta, para os que estavam sentados em círculo ao seu redor, diz: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. Na verdade, aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe”» (Marcos 3,31-35).

Ensinamento espantoso de Jesus que põe em causa a validade de uma maternidade e fraternidade meramente biológicas, fundadas sobre os direitos do sangue [«a tua mãe e os teus irmãos e as tuas irmãs… procuram-te»], para afirmar uma nova familiaridade aberta pelo horizonte novo do éschaton, do último, do primeiro e último, do novíssimo: «aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe». No novo horizonte da vontade do Pai, não se deixa de ser mãe, irmão ou irmã. Não são, porém, esses laços familiares que nos dão direito a amar e a ser amados, mas o termos sido encontrados pelo Amor, que agora somos chamados a testemunhar. «Vós sois testemunhas (mártyres) destas coisas», diz Jesus (Lucas 24,49). Sermos designados por Jesus testemunhas das coisas de Jesus é sermos chamados a envolver-nos de tal modo na história e na vida de Jesus, a ponto de a fazermos nossa, para a transmitir aos outros, não com discursos inflamados ou esgotados, mas com a vida! Sim, aquela história e aquela vida são a nossa história e a nossa vida. Sentir cada criança como filho, cada mulher como mãe e todo o semelhante como irmão ou irmã não é simples retórica, mas a transcrição verbal do novo real compreensível à luz do projeto Criador, Primeiro e Último, em que o mundo aparece como uma única casa e os seus habitantes como uma só família. Nascerá então o mais belo relato. Sim, o relato re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça. E re-lata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça duplamente: primeiro, porque faz uma re-lação dos acontecimentos, unindo-os para formar um belo colar; segundo, porque põe em relação o narrador e o narratário. Sim, quando eu e tu e ele e ela, nós todos, relatarmos a mesma história, e não histórias diferentes, nesse dia luminoso e bendito começamos a nascer como irmãos, não pelo sangue, mas pela liberdade. Sim, só o relato nos pode aproximar tanto, fazendo-nos, não apenas estar juntos, mas nascer juntos, como irmãos. Portanto, irmãos e amigos, deixai que grite bem alto aos vossos ouvidos: mais amor, mais família, mais oração, mais missão, mais formação. Mais. Mais. Mais.

 O sentido da vida recebida e dada

  1. Na origem dos nossos termos «matrimónio» e «património» está o «dom» como «munus», como bem sublinha e explica o famoso linguista francês Émile Benveniste, seguido por Eugenia Scabini e Ondina Greco, no domínio da psicologia social. Munus faz parte de uma rede de conceitos relacionais, que obriga a uma «restituição». Quem não entra neste jogo do munus diz-se immunus, «imune». E voltam as perguntas contundentes: quem recebe a vida, como e a quem a restitui? Salta à vista que não podemos «restituir» a vida a quem no-la deu. Há, neste domínio, uma assimetria originária nas relações familiares. Verificada esta impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu, poderíamos pensar em «restituir» em termos análogos: então, o filho poderia, por exemplo, responder ao dom da vida recebida, tomando a seu cargo e cuidado os pais enfraquecidos e velhinhos. Mas este não é o único modo de «restituição» nem o mais significativo. O equivalente simbólico mais próximo é «restituir» em termos generativos (generativo e generoso têm a mesma etimologia), dando, por sua vez, a vida e assumindo a responsabilidade de pôr no mundo uma nova geração. Dar a vida e tomar a seu cuidado uma nova geração é mesmo o modo mais apropriado de «restituir» à geração precedente. Situação paradoxal: respondemos ao débito que nos liga à geração anterior com um crédito em relação à geração seguinte. E os avós têm muito a ganhar com os netos, e estes com aqueles. Todos sabemos. Da família humana à grande família de Deus, passando pela família religiosa. Também por isso, a Bíblia é um livro de nascimentos e de transmissão: da vida e da fé e da graça. Vamo-nos hoje apercebendo de que o mundo em que estamos tem muitas dificuldades em transmitir a vida e a fé e a graça, a cháris, o carisma, que envolve a nossa vida pessoal e da nossa família humana, mas também a vida da Igreja, família de Deus, e das diferentes famílias religiosas. Talvez por isso, nos voltemos tanto para trás, e se fale tanto em voltar às origens, refundar. Mas o caminho a empreender não passará mais por gerar novos filhos na vida e na fé e no carisma? Parece-me que é esta a tarefa que todos temos pela frente, em casa, na Igreja, família de Deus, e nas famílias religiosas.

Missão: «restituição» para a frente

  1. Impõe-se, portanto, não a preservação, a conservação, a autoconservação, mas a missão, que é a verdadeira «restituição» a Deus e aos irmãos. Já atrás nos ocupámos a verificar, em termos familiares, a impossibilidade de «restituir» a vida a quem no-la deu. O Salmista também se pergunta no que a Deus diz respeito: «Como «restituirei» ao Senhor por todos os seus benefícios que Ele me deu?» (Salmo 116,12). Sim, como «restituirei» ao Senhor o amor que há em mim? Como «restituiremos» ao Senhor o amor que há em nós? O Salmista responde: «O cálice da salvação erguerei, e o Nome do Senhor invocarei. Os meus votos ao Senhor cumprirei, diante de todo o seu povo» (Salmo 116,13-14). Sim, o Salmista sabe bem que não pode «restituir» diretamente a Deus, mas sabe também que pode sempre agradecer a Deus (restituição análoga), e, passando de mão em mão, em fraterna comunhão, o cálice da salvação, anunciar a todos que Deus atua em favor do seu povo, faz em nós grandes coisas, sendo este anúncio ação de evangelização ou generosa «restituição» generativa. É assim que, de forma empenhada, generosa e apaixonada, como testemunha S. Paulo, se vão gerando (1 Coríntios 4,15; Filémon 10) e dando à luz novos filhos (Gálatas 4,19).
  1.  Amados irmãos e irmãs, não nos é permitido, nesta encruzilhada da história, ficar quietos, desanimados, tristes e calados. Ou simplesmente entretidos, ensonados e descomprometidos, como crianças sentadas nas praças, que não ouvem, não ligam, não respondem (Mateus 11,16-17; Lucas 7,31-32). Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, todos estamos convocados. Ninguém se pode excluir, ou ficar simplesmente a assistir. São sempre necessários e bem-vindos mais corações, mais mentes, mais entranhas, mais braços, mais mãos, mais pés, mais irmãos. Uma Igreja renovada multiplica as pessoas que realizam serviços e acrescenta os ministérios. A nossa vida humana e cristã tem de permanecer ligada à alta tensão da corrente do Amor que vem de Deus. E temos de ser testemunhas fortes e credíveis de tanto e tão grande Por isso e para isso, podemos aprender a rezar a vida com o orante do Salmo 78:

«As coisas que nós ouvimos e conhecemos,

o que nos contaram os nossos pais,

não o esconderemos aos seus filhos,

contá-lo-emos à geração seguinte:

os louvores do Senhor e o seu poder,

e as suas maravilhas que Ele fez.

Ele firmou o seu testemunho em Jacob,

e a sua instrução pôs em Israel.

E ordenou aos nossos pais,

que os dessem a conhecer aos seus filhos,

para que o saibam as gerações seguintes,

os filhos que iriam nascer.

Que se levantem e os contem aos seus filhos,

para que ponham em Deus a sua confiança,

não se esqueçam das obras do Senhor,

e guardem os seus mandamentos» (Salmo 78,3-7).

Amados irmãos e irmãs, há coisas que não podemos mais dizer sentados, que é como quem diz, assim-assim, de qualquer maneira ou de uma maneira qualquer. O Amor de Deus, que enche a nossa vida, tem de ser dito com a vida levantada, com um dizer grande, transbordante, contagiante e transformante, com razão, emoção, afeto e paixão. Retomo o dizer do orante e transmissor da fé: «Que se levantem e os contem aos seus filhos» (Salmo 78,6). Ou, de outra maneira: «Uma geração enaltece à outra as tuas obras» (Salmo 145,4). Ou como Maria: «A minha alma engrandece o Senhor» (Lucas 1,47).

Todos-para-todos

10. Para esta tarefa imensa da transmissão da fé e do amor e da vida verdadeira, vida em grande, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego: sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs, avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais amor às famílias desconstruídas e a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas. Mais. Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e sentirmos a beleza da sua família toda reunida. Que cada um de nós sinta como sua primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria a sua proteção carinhosa e maternal.

Santa Maria de um amor maior,

do tamanho do Menino que levas ao colo,

diante de ti me ajoelho e esmolo

a graça de um lar unido ao teu redor.

Protege, Senhora, as nossas famílias,

todos os casais, os filhos e os pais,

e enche de alegria, mais e mais e mais,

todos os seus dias, manhãs, tardes, noites e vigílias.

Vela, Senhora, por cada criança,

por cada mãe, por cada pai, por cada irmão,

a todos os velhinhos, Senhora, dá a mão,

e deixa em cada rosto um afago de esperança.

Lamego, 27 de setembro de 2014, Dia da Igreja Diocesana

+ António, vosso bispo e irmão


DOCUMENTO PARA DOWNLOAD:

Carta Pastoral de D. António Couto > AQUI.