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Editorial: Quando Jesus passar, eu quero estar no meu lugar

Estar no nosso lugar, título da canção do Pe. Zezinho, não é estar parado, à espera, com os braços cruzados, deixando que a vida se cumpra, que o mundo melhore, que o tempo seja favorável para nos comprometermos uns com os outros. Estar no meu lugar, estarmos no nosso lugar, implica movimento, empenho, compromisso com a nossa condição de cristãos, seguindo Jesus e imitando-O.

A descansar ou a trabalhar, na escola ou em casa, estar no meu lugar significa dar o melhor de mim, vivendo, em prol dos outros.

A vida de Jesus, como a nossa, é feita de encontros, e desencontros! O anúncio da Boa Nova é essencial e faz-se de palavras e gestos, de abraços e de obras. Na vida de Jesus há lugar para todos. Queiramos nós!

Quando Jesus passava, João Batista estava a batizar! No seu lugar, portanto! E Jesus, identificando-Se connosco, fez-Se batizar (cf. Mt 3, 13-17). “Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos” e chamou-os: “Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens”. Depois viu outros dois irmãos e também os chamou (cf. Mt 4, 18-22). E eles seguiram-n’O. Estavam no lugar certo para que Jesus os encontrasse! E, passando palavra, outros se juntam a Jesus.

Os encontros multiplicam-se. Jesus vai ao encontro da pessoa ou deixa-se encontrar! Nicodemos interpela-O (cf. Jo 3, 1-21), com o desejo de viver inflamado por aquele amor. No Poço de Jericó, a Samaritana está no que pensava ser o seu lugar, a tirar água do poço, mas depois percebe que talvez o seu lugar seja outro e que a sua vida pode ser saciada com outra água (cf. Jo 4, 1- 41).

São Mateus, Levi, está na banca a cobrar impostos. Aparentemente está onde deve estar e é aí que Jesus, ao passar, o provoca: Segue-Me (cf. Mt 9, 9-13). Zaqueu, por sua vez, procura ver Jesus que atravessava a cidade de Jericó. Chefe de publicanos, deixa o seu lugar para se aproximar e ver Jesus. Na verdade, é Jesus quem o vê e o desafia a sair do seu lugar para O acolher em sua casa e na sua vida (cf. Lc 19, 1-10).

Quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego de nascença, à beira do caminho, chama por Ele. Jesus devolve-lhe a vista, fortalece a sua fé e o cego, que agora vê, segue-O. O encontro com Jesus leva-o por outros caminhos!

Em lugares desaconselhados, talvez, algumas mulheres encontram-se com Jesus! No meio da multidão, uma mulher, com um fluxo de sangue, fá-l’O parar, expondo-se, sujeitando-se ao escárnio, mas logo é acolhida e salva por Ele (cf. Mc 5, 25-34); para os lados de Tiro e de Sídon, uma mulher, cananeia, grita por compaixão e Jesus atende-a (cf. Mt 15, 21-28); perto da cidade de Naim, uma viúva, que vai a enterrar o seu filho único, é encontrada por Ele que lhe devolve o seu bem mais precioso (cf. Lc 7, 11-17); em casa de Simão, um reconhecido fariseu, uma mulher, deslocada do seu lugar, lava-Lhe os pés com as suas lágrimas, enxuga-lhos e derrama sobre Ele um perfume de alto preço, e obtém o perdão dos seus muitos pecados (cf. Lc 7, 26-50); mulher apanhada em flagrante adultério é levada a Jesus para que Ele a condene, num desfecho em que Jesus, perdoando-a, lhe diz para prosseguir por outros lugares (cf. 8. 1- 11)!

Junto à Cruz, no lugar que devem estar, Maria, sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria de Magdala, e o discípulo amado (cf. Jo 19, 25-27). Mas também o bom ladrão está no lugar certo para ser salvo por Jesus e passar a outro lugar: hoje estarás comigo no Paraíso (cf. Lc 39-43)! E nós, já nos colocamos a jeito para que Jesus passe na nossa vida?

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 92/03, n.º 4634, 24 de novembro de 2021