Arquivo

Posts Tagged ‘Pe. Manuel Gonçalves’

Editorial da Voz de Lamego: Chamados e enviados… sempre

O ano pastoral está a chegar ao seu final. A Diocese de Lamego, em conformidade com o ano extraordinário missionário, de outubro a outubro, de 2018 a 2019, procurou, conjugando com a proposta do nosso Bispo para um triénio dedicado à Igreja, acentuar a nossa condição de vocacionados e enviados, podendo ser traduzido por uma expressão que amadureceu na América Latina, de onde é originário o Papa Francisco: discípulos missionários.

Tivemos a oportunidade, em diversos encontros, formativos ou celebrativos, de nos debruçarmos sobre o discipulado, sobre a nossa vocação. Com efeito, desde o seio materno, ou, numa expressão do Bento XVI, desde sempre, no pensamento de Deus, que somos chamados à vida, à felicidade, concretizável na santidade que nos humaniza e nos irmana.

O encontro com a alegria, o encontro com Jesus leva inevitavelmente à partilha, ao testemunho, ao anúncio. Tal como o amor de Deus implica o amor ao próximo, pois não é possível amar a Deus sem, em consequência, amar o(s) que Ele ama, também não é possível aproximar-se de Jesus, experimentar a alegria do encontro, a vocação, sem redundar em festa a necessitar de ser comunicada a todos os que vamos encontrando. Da reflexão, importa adequar a vida toda, a minha e a tua vida, a vida em comunidade, para viver em dinâmica missionária. Todos, tudo e sempre em missão.

Ao longo do Evangelho, Jesus explicita o chamamento, envolvendo as nações de toda a terra e, por conseguinte, o envio de 72 discípulos (símbolo dos povos de toda a terra) a todos os lugares.

De entre os discípulos, Jesus escolherá 12, a quem deu o nome de Apóstolos, para que fossem mais próximos e assumissem uma responsabilidade maior. Os discípulos vêm de diferentes proveniências, sobretudo de classes mais pobres, da Judeia e da Galileia. Entre eles existem laços familiares (André e Simão, Tiago e João), laços de amizade, laços profissionais, ou nenhum tipo de laço. O critério parece ser apenas um: despojamento, pobreza, disponibilidade para amar e para servir, e para partir. Haveria também Tiago, o irmão do Senhor, portanto parente de Jesus. Curiosamente, os familiares de sangue aparecem pouco, a não ser para O levarem para casa, por se dizer que Ele estaria tresloucado. Todavia, os que seguem Jesus hão de estar disponíveis para servir, não para se servir, e para irem por todo o mundo anunciar o Evangelho, rompendo com as fronteiras familiares e nacionalistas. Amar até os inimigos. Samaritanos, pecadores, publicanos, cananeus, gregos, homens ou mulheres. Ir às periferias, como tem apelado o Papa Francisco.

A Igreja de Lamego também no próximo ano, e nos seguintes, é chamada e enviada em missão.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/32, n.º 4519, 16 de julho de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Sacerdócio comum e ministerial

A palavra “sacerdote” é constituída por dois vocábulos: sacer (sagrado), e dare, dotare (aquele que pode dar o sagrado). Definição que já vem de Santo Isidoro. Daí que habitualmente se circunscreva aos que são instituídos nesse ministério, com esse “poder”, que deve ser entendido, sempre, como serviço.

No próximo ano pastoral a nossa diocese de Lamego fixar-nos-á na dimensão sinodal – Em caminho e em comunhão –, no segundo ano dedicado à Igreja. O propósito é tomarmos consciência da nossa vocação e do nosso compromisso missionário, da corresponsabilidade pela propagação e vivência do Evangelho, aferindo o que nos identifica e nos aproxima, pois só a consciência do que somos nos permite ir ao encontro dos outros com uma proposta concreta e credível.

O concílio Vaticano II veio alterar o paradigma da Igreja, num desafio que continua: passar de uma Igreja piramidal, na qual uns mandam e outros obedecem, para uma Igreja-comunhão, povo de Deus, em que todos são responsáveis, participando da tríplice missão de Jesus: anunciar, celebrar/santificar, administrar/reger/cuidar. Uma das terminologias que se acentua é da Igreja como Povo de Deus. O povo de Deus, comunhão de todos os batizados, depois vêm os ministérios.

“Cristo fez do novo povo um «reino sacerdotal para seu Deus e Pai» (Apo 1, 6). Na verdade, os batizados são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que, por meio de todas as obras próprias do cristão, ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (cf. 1 Ped. 2, 4-10). Por isso, todos os discípulos de Cristo, perseverando na oração e louvando a Deus (cf. Act., 2, 42-47), ofereçam-se a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus (cf. Roma 12,1), deem testemunho de Cristo em toda a parte e àqueles que lha pedirem deem razão da esperança da vida eterna que neles habita (cf. 1 Ped. 3,15). O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. Com efeito, o sacerdote ministerial, pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo; os fiéis, por sua parte, concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que eles exercem na receção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa” (LG 10).

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/31, n.º 4518, 9 de julho de 2019

Editorial da Voz de Lamego: participantes do sacerdócio de Cristo

A palavra sacerdócio anda ligada, inevitavelmente, aos bispos e aos padres e, claro, antes disso, a Jesus Cristo, Sacerdote por excelência, pois em Si mesmo coabita a humanidade e a divindade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O sacerdote santifica, une, consagra, eleva a humanidade para Deus. Ora Jesus, traz-nos Deus e, morrendo e ressuscitando, leva a nossa humanidade para junto do Pai. Não há santificação maior, Jesus, Deus encarnado, Deus humanado, é totalmente (com)sagrado. Eu e o Pai somos Um. Eu n’Ele e Ele em Mim. Faço o que vi fazer a Meu Pai. Digo e que Me mandou dizer. Mediação única: ninguém vai ao Pai senão por Mim. Eu Sou o Caminho!

Durante a Última Ceia, na primeira Eucaristia, Jesus instituiu o sacerdócio: Fazei isto em Memória de Mim. Dentre os Seus discípulos, Jesus escolheu 12, para os preparar para uma missão específica e lhes confiar a Sua Igreja, o Seu Corpo, a Sua Vida. Isto é o Meu Corpo… Isto é o Meu sangue entregue foi vós… para a salvação de todos. Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura, fazei discípulos de todas as nações, quem acreditar e for batizado será salvo.

A morte de Jesus traz a dispersão, o medo e o desencanto. A Sua ressurreição devolve a alegria, a esperança e a fé, e reúne o grupo dos 12, melhor dos 11, uma vez que Judas se precipitara entregando Jesus, traindo-O, na pressa de fazer as coisas à sua maneira. Para que o grupo fique completo, segundo a eleição do próprio Jesus, que havia designado 12, simbolicamente representando a humanidade inteira para serem enviados a todo o mundo. Matias foi o eleito!

O número 12 era simbólico, pois para chegar ao mundo inteiro seriam precisos outros colaboradores. Os sucessores dos Apóstolos, os Bispos, escolheram anciãos, presbíteros para servirem as comunidades que iam surgindo, no anúncio da Palavra, na santificação da vida. Também o aparecimento do diaconado, serviço aos mais pobres daquele tempo, os órfãos e as viúvas, para que ninguém e nenhuma dimensão da vida ficasse desamparada.

Quase parece perfeito… e acabado! Tudo resolvido! Com mais calma. A Igreja não são os Bispos, os padres e os diáconos, somos todos. Todos fomos consagrados. Jesus morreu e ressuscitou por todos, por mim e por ti. Somos novas criaturas, participamos da santidade de Jesus, somos membros do Seu corpo. Cabe-nos, a cada de nós, transparecer a santidade de Cristo para todos! Todos participamos do sacerdócio de Cristo, ainda que em diferentes ministérios e serviços, mas para o bem do único Corpo de Cristo.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/30, n.º 4517, 2 de julho de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Flores e o trumpismo…

Como a época desportiva terminou, os meios de comunicação voltaram em pleno aos dramas, à violência, ao voyeurismo, enchendo-nos de desgraças um pouco por todo o mundo.

Chamou-me a atenção, por estes dias, a reação de Donald Trump por causa de um drone americano, abatido pelo Irão. O drone estava a espiar, preventivamente, talvez, e foi abatido pelos iranianos que não quiseram ser espiados! Do lado do Presidente americano, a certeza científica que o drone estava em águas internacionais, pelo que poderia espiar à vontade. Tendo sido abatido, isso é motivo bastante para uma resposta à altura, entenda-se, violenta, agressiva, mesmo que seja necessário provocar uma guerra, numa zona em que os refugiados continuam demasiado expostos. Prevalece o orgulho americano! Depois lembrei-me, Donald Trump apresentou a recandidatura à Presidência dos EUA e está em queda livre nas sondagens. Como fazer? O que habitualmente fazem os presidentes americanos: arranjam uma guerra no exterior para unir os americanos e a mostrarem que são determinados, destemidos e valentes!

Chamou-me à atenção, por estes dias e em contraponto luminoso, além das hipotéticas compras e vendas de jogadores por somas avultadas, as publicações, partilhas e “likes” para um trabalho minucioso e dedicado: o tapeamento de ruas, artérias e avenidas para a solenidade do Corpo de Deus. É sempre possível fazer sobressair o bem. Deste modo se contribui para um mundo mais arejado e saudável. É possível acreditar, é possível o futuro, é possível transformar para melhor a casa que habitamos e os laços que nos permitem ser família.

As redes sociais, nas quais tenho uma participação ativa, bombardeiam-nos com tudo e mais alguma coisa, com um bom menu de coscuvilhices possíveis e imaginárias. Comenta-se tudo, mesmo que sejam assuntos dos quais não percebemos nada, nunca ouvimos falar, nunca vimos, mas temos opinião, acabando por comentar comentários e que já não têm qualquer correlação com a publicação, a notícia ou a partilha original.

Foi interessante ver perfis, páginas, grupos com publicações de magníficos tapetes de flores, desenhos variados, obras de arte, alusivas ao Corpo de Deus e à Eucaristia. Alguns postaram o trabalho concluído, outros as fases do trabalho… além das festas de catequese, Primeira Comunhão, Profissão de Fé…

Com tanta coisa boa que existe, por que não valorizar o que embeleza à vida? O copo meio cheio? Também nas redes sociais? Não se trata de varrer as dificuldades e os problemas para debaixo do tapete, mas de apostar no que nos salva. É sempre mais fácil caçar moscas com mel do que com fel! Também pessoas! Jesus não nos salvou com azedume!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/29, n.º 4516, 25 de junho de 2019

(Foto – Paróquia de Santa Eufémia de Pinheiros)

Editorial da Voz de Lamego: a realidade vista como poliedro

Uma visão holística da realidade. A vida não é branca ou preta, mas multicolor. Ou, como prefere o Papa Francisco, a realidade refletida através do poliedro, vários prismas, acentuações, lados, com o contributo de uns e de outros, na igual dignidade das pessoas e dos povos, a riqueza das diferenças que nos permite viver, aprender, crescer, incluir, respeitar o outro e dialogar com ele, não com sete pedras na mão, mas com a humildade e disponibilidade para aumentar o saber.

Não se trata de relativismo em que todas as verdades seriam iguais ou todos os valores equivalentes. Essa será sempre uma forma de renunciar a ter ideias próprias, abdicando das suas convicções. O diálogo com os outros é tanto mais honesto, mas também mais fácil, quanto maior a clareza dos princípios de cada interlocutor. Sem referências que orientem a nossa vida, a minha vida, não podemos procurar enriquecer-nos, pois não sabemos onde estamos, o que queremos, o que valida as minhas escolhas, o que pode enriquecer-me vindo dos outros, como podemos saber o que nos liga ou o que nos diferencia?

“Nenhum vento é favorável para quem não sabe para onde ir” (Séneca). Ou, como canta Amália Rodrigues, “Se não sabes aonde vais, porque teimas em correr”. Um pensamento líquido, diluído, gasoso, descomprometido, agrada a todos, não agrada a ninguém, não contesta ideias ou princípios, mas também não acrescenta valor, não contribui com uma visão própria, desenvolvendo os talentos a favor dos outros. Não nos basta não fazer o mal, importa (positivamente) fazer o bem, só assim caminhamos, só assim o mundo progride e avança e, dessa forma, poderemos contribuir para uma sociedade mais justa e mais sã, corrigindo erros e desvios, aproximando pessoas, procurando integrar os excluídos, combater a pobreza, dar passos em direção à paz. Nem tudo depende de nós, mas cabe-nos sempre uma quota de responsabilidade.

De sinal contrário, a prepotência, o endeusamento, e, consequentemente, a imposição das próprias ideias e convicções aos outros. O que, infelizmente, vai acontecendo. A realidade vista apenas a partir de um ângulo, de uma cor. Cresce a intolerância ideológica, religiosa, política. As redes sociais e os meios de comunicação social deveriam ser facilitadores do encontro de diferenças, da descoberta do outro, do enriquecimento mútuo, contudo, têm promovido a criação de grupos (alguns radicais, extremos, de direita ou de esquerda, religiosos ou políticos ou ideológicos, anárquicos ou nacionalistas) e as pessoas juntam-se ao que é igual, fecham-se em novos círculos, procurando impor e destruindo o que é diferente.

Entre as duas solenidades, Santíssima Trindade e Corpo de Deus, o mesmo sublinhado, um Corpo constituído por vários membros; Três Pessoas em sintonia de amor que formam comunhão perfeita…

Pe. Manuel Gonçalves, ,  in Voz de Lamego, ano 89/28, n.º 4515, 18 de junho de 2019

Editorial da Voz de Lamego: Louvado sejas, Senhor!

Um dos documentos do Papa Francisco que mais surpreendeu, pela temática e pela urgência, e que continua a ser objeto de estudo, de reflexão e preocupação, dentro da Igreja, mas com boa aceitação em outros meios sociais e culturais, foi a Carta Encíclica Laudato si’, sobre o cuidado com a casa comum, casa de todos, que é o mundo que habitamos.

Já lá vão cinco anos. O Santo Padre parte da oração de São Francisco de Assis, que trata as diferentes criaturas como irmãs, num convite à fraternidade, estendida a toda a criação. “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras”.

Ao louvor de São Francisco, logo o Papa manifesta, nos primeiros números, a urgência em refletir e repensar comportamentos. “Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que «geme e sofre as dores do parto» (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos”.

A sensibilidade para o cuidado da natureza tem sido crescente. Ainda há pouco manifestações, por parte de estudantes, numa vintena de cidades portuguesas, lembrando que não há um planeta B. Dias dedicados à água, à terra, à árvore, ao ambiente… oportunidades para refletir na escassez de alguns recursos ou na exploração desenfreada (e egoísta) dos bens da terra. Pelas contas de alguns, nós consumimos até julho o que deveria chegar até ao fim do ano. Excesso de consumismo, sem esquecer que os nossos excessos não são compensados pela miséria de milhões de pessoas.

Ressalta na carta do Papa, e de demos nota na Voz de Lamego, aquando da sua publicação, a ecologia integral. O Papa não se posiciona em qualquer radicalismo extremista, partidarizando a defesa do ambiente, das plantas e dos animais, esquecendo as pessoas. O cuidado da casa contempla cuidado da pessoa, na defesa da vida, desde a gestação até à morte natural, a atenção ao grito dos pobres e ao desenvolvimento dos povos. De que adianta proteger o ambiente, se se matam as pessoas?!

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/27, n.º 4514, 11 de junho de 2019

Editorial Voz de Lamego: no Coração de Jesus

Maio é especialmente o mês de Maria, mas também outubro; junho, por sua vez, é o mês consagrado especialmente ao Coração de Jesus. Refira-se que festa em honra do Sagrado Coração é móvel e celebra-se oito dias depois do Corpo de Deus, na sexta-feira (dia da Crucifixão-morte de Jesus), seguindo-se, um dia depois, a Festa do Imaculado Coração de Maria. Bem vistas as coisas, é no Coração de Maria que pulsa e vem à vida o Coração de Jesus.

A devoção liga-se a dois momentos da vida de Jesus: à Última Ceia, quando o discípulo predileto se inclina sobre o peito (coração) de Jesus e na Cruz, quando do Seu lado (do Seu Coração) saiu sangue e água. O Corpo e o Coração. Jesus por inteiro. Totalmente oferecido para que tenhamos vida abundante (cf. Jo 10, 10). Cada instante na Sua vida nos revela o Amor de Deus.

É no amor de Jesus, no Seu coração, que nós nos acolhemos e nos reconhecemos como irmãos, como filhos de Deus. A fonte de todo o Amor é Deus. Deus é Amor. Jesus traz à humanidade este Amor. A Encarnação é já expressão real do amor de Deus por nós. Ama-nos de tal modo que Se faz um de nós, que assume a nossa fragilidade e a nossa finitude humanas. Na Sua morte na Cruz, de novo, o amor como resposta e como desafio. Com a Sua ressurreição e ascensão aos Céus, Jesus coloca a nossa natureza humana à direita de Deus Pai, coloca-nos para sempre no coração de Deus. Com efeito, é o coração que nos faz grandes. É o amor que nos torna pessoas. É pelo amor que nos aproximamos uns dos outros. É o amor que engrandece, dá sentido e sabor à nossa vida. É no amor que nos abrimos àqueles que se aproximam de nós. É pelo amor que reconhecemos a nossa pequenez, o que nos permite acolher o que o outro nos traz. No amor ninguém é autossuficiente. O amor envolve sempre mais que um: Deus e nós, eu e o outro

A 9 de junho de 2013, o Papa Francisco sublinhava que o Sagrado Coração de Jesus é a «máxima expressão humana do amor divino. A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual brotou a salvação para a humanidade inteira».

Maio é o mês do coração, tempo de medir as tensões e equilibrar a saúde. Junho é o mês do Coração de Jesus, tempo de calibrar a nossa vida com a do Divino Mestre.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/26, n.º 4513, 2 de junho de 2019