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Ainda a propósito da eutanásia: Direito a morrer?

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Ninguém pode negar aos outros o direito a morrer. Não aprovar a eutanásia é tirar às pessoas a liberdade de serem elas a decidir sobre a sua própria vida.

Quem não quiser pedir a eutanásia, por motivos religiosos, não o faça. Mas, por favor, não tire a liberdade aos outros. A lei não pode continuar a negar às pessoas o direito a uma morte digna.

Será que isto é mesmo assim?

É uma visão muito simplista de tudo aquilo que está em jogo.

E também o é o argumento tantas vezes esgrimido de que somente aqueles que acreditam em Deus são contra a eutanásia. Os argumentos contra a legalização do suicídio assistido não são religiosos — são profundamente humanos!

Pensemos com calma: que consequências trará a legalização da eutanásia ao modo de tratar os idosos, os doentes terminais, os pobres, os deficientes e, em geral, os frágeis da sociedade?

Com a aprovação de uma lei deste tipo, aqueles que são frágeis e optem pela vida correm o grande risco de serem considerados uns egoístas. Podem ser vistos como um fardo que rouba a felicidade àqueles que têm de cuidar deles.

Porque não nos enganemos: uma lei que permita a eutanásia de algum modo incentiva os idosos a tirarem a própria vida. Fá-los pensar, num momento em que mais necessitam do apoio dos seus familiares, que estão a mais e que são somente um peso inútil.

Manter a ilegalidade da eutanásia é o melhor modo de proteger os vulneráveis da sociedade. A lei, se o é de verdade, deve sempre proteger a vida e amparar os mais vulneráveis, porque são eles que necessitam de protecção.

Ao aprovar uma lei destas, o direito à morte acaba por converter-se, para muitas pessoas frágeis, no dever de morrer.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

in Voz de Lamego, ano 86/32, n.º 4368, 21 de junho de 2016

Educar na sobriedade e na temperança

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«Não é nada lógico dar aos meus filhos tudo aquilo que eles me pedem. Se o fizesse, converter-me-ia num “pai fixe”, mas esta expressão parece-me sinónima de “pai cúmplice”. Estaria a ser conivente com a sua falta de sobriedade. Penso que nós, pais, necessitamos da virtude da fortaleza para não transigirmos com os caprichos dos nossos filhos».

Sábias palavras pronunciadas por um pai de uma família numerosa. Nos dias de hoje, é necessária valentia da parte dos pais para proporem aos seus filhos um estilo de vida sóbrio e temperado. Um estilo de vida que não está nada na moda!

Primeiro, devem fazê-lo com o próprio exemplo. Já diz o famoso ditado: “quem não vive o que ensina, não ensina nada!”. Além disso, somente se os pais são sóbrios é que percebem que a sobriedade é um bem de enorme valor para os seus filhos.

Depois, é necessário dar aos filhos razões válidas pelas quais vale a pena viver um estilo de vida assim. Sendo conscientes de que as mensagens que os filhos recebem todos os dias na publicidade, nos meios de comunicação, dos colegas da escola vão, habitualmente, em sentido contrário: quanto mais consumires, mais feliz serás!

Raciocinar com os filhos com paciência. Que cada filho compreenda que é amado pelo que é, não por aquilo que tem ou pela sua “imagem”. Criar uma atmosfera familiar na qual se note que o verdadeiramente importante são as pessoas e não as coisas.

Um ponto de capital importância neste esforço educativo é estimular a generosidade dos filhos com os mais necessitados. Fazê-los compreender que, geralmente, somente uma pessoa que é sóbria e temperada, consegue ter sensibilidade para as necessidades dos outros e fortaleza para os ajudar com generosidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4301, ano 85/14, de 17 de fevereiro de 2015