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Proposta agápica | Editorial da Voz de Lamego | 8 de julho de 2014

i_julho_2014O Jornal diocesano, Voz de Lamego, edição do dia 8 de julho, disponível no formato impresso, dá destaque especial à Ordenação Sacerdotal do Pe. José Fonseca Soares, natural de Avões, Arciprestado de Lamego. No primeiro domingo de julho, dia 6, D. António José da Rocha Couto presidiu à celebração da Eucaristia e da Ordenação. A homilia também integra esta edição.

Mas há outros motivos de interesse, notícias e textos de reflexão, sugestões de eventos futuros. A primeira página chama a atenção para as obras de recuperação da Igreja das Chagas. A última página destaca a viagem dos Idosos de Lamego ao Santuário de Fátima e na sexta edição da Bôla de Lamego.

O Editorial faz-nos antever a orientação impressa na VOZ da diocese DE LAMEGO:

PROPOSTA AGÁPICA

O ensinamento de Jesus, expresso por palavras e testemunhado pelo exemplo, orienta a vida da Igreja e o agir dos que a servem e nela vivem. Na novidade de Jesus contemplamos sempre a “proposta agápica”, que suscita desejo de seguir e deixa espaço para a livre adesão. Jesus é Aquele que propõe e convida, respeitando o ritmo e a vontade de cada um, proporcionando uma adesão livre e responsável.

A Igreja ama e é enviada para amar, para anunciar e para acolher. E organiza-se e elabora orientações para ajudar os seus membros a responder ao convite do Senhor. Nesse sentido, a organização é entendida como meio para evangelizar e a fixação de normas é vista como procedimento necessário à unidade e à fidelidade ao Senhor.

Mas há questões: como conciliar a fidelidade à doutrina e a necessidade da misericórdia? Como dizer “sim” quando faltam condições para a total comunhão? Como dizer “não” sem provocar distanciamento? Como preservar a unidade sem cair no “permissivismo”?

Bem vistas as coisas, não há nada de novo, porque sempre existiu esta tensão ao longo da história da Igreja, entre a vontade de permanecer fiel e necessidade de responder aos desafios. É a Igreja a compreender-se na sua historicidade e a ser protagonista na busca de respostas novas, assentes na fidelidade ao ensino e exemplo de Jesus.

A este propósito, há uma grande expectativa diante do próximo Sínodo, onde a família será tema central. Porque há perguntas que anseiam por respostas e procedimentos que poderão ser alterados.

Fiel à doutrina, iluminada pelo Espírito, olhando e escutando Cristo, com um apurado olfacto, a Igreja buscará caminhos novos que contribuirão para a tal “proposta agápica” que, no chão de cada paróquia ou comunidade, continua a ser feita.

Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, in Voz de Lamego, n.º 4272, ano 84/34

Ordenação Sacerdotal | Pe. José Fonseca Soares

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Na data recentemente fixada para a celebração das ordenações sacerdotais, primeiro domingo de julho, a nossa igreja catedral, em Lamego, encheu-se de fiéis, vindos de diferentes lugares da diocese, para participarem na ordenação sacerdotal do diácono José Fonseca Soares. Presidiu à celebração o nosso bispo, D. António Couto, acompanhado por D. Jacinto Botelho e ainda por cerca de meia centena de sacerdotes.

A ordenação sacerdotal é sempre uma festa para a diocese que formou o seminarista e que chama e ordena, primeiro na ordem do diaconado e depois no presbiterado. São vários anos de preparação, nos quais muito esforço e dedicação se investem. Daí que, neste dia, haja alegria em todos quantos acompanharam os ordinandos: bispo, pároco, seminaristas, formadores, professores, colaboradores, orientadores dos estágios pastorais, fiéis encontrados nas diferentes paróquias por onde passou… Há também motivo de festa para a Igreja local que acolhe um novo membro no seu presbitério, um novo cooperador do bispo diocesano para a missão de concretizar localmente a Igreja de Cristo. E há ainda a alegria do ordinando e sua família, porque uma etapa importante é concluída e porque se está onde vocacionalmente se sente chamado.

Natural do arciprestado de Lamego, da paróquia de S. João Baptista de Avões, entrou já depois dos trinta anos no Seminário Maior de Lamego, onde frequentou o respectivo curso no Instituto Superior Douro e Beiras, em Viseu, e na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, em Braga. Ordenado Diácono em novembro último, na Solenidade de Cristo Rei do Universo e Dia da Igreja Diocesana, viveu o seu estágio diaconal nas paróquias de Nossa Senhora da Piedade de Queimadela (Armamar), S. João Baptista de Figueira e São Martinho de Valdigem (Lamego), sob orientação do respectivo pároco, Cón. José Manuel Pereira Melo. Ao longo desse período residiu no Seminário Maior, redigindo também o seu trabalho académico final, que entregou há poucos dias.

Nas próximas semanas vai certamente poder percorrer as paróquias por onde passou como seminarista e diácono, bem como estar disponível para acompanhar e ajudar o seu pároco, Padre Joaquim Manuel Silvestre. Aliás, no próximo domingo, na sua terra natal, Avões, vai presidir àquela que habitualmente se chama “Missa Nova”. Entretanto, a diocese irá certamente confiar-lhe uma missão pastoral que assumirá no final do verão, como é prática entre nós.

A nossa diocese dá graças ao Senhor da Messe por esta vida e esta vocação, ao mesmo tempo que reza pedindo ao nosso Deus que abençoe e acompanhe sempre este novo sacerdote na sua missão.

in Voz de Lamego, 8 de julho de 2014, n.º 4272, ano 84/34

Homilia de D. António Couto na Ordenação Sacerdotal do José Soares

Amados irmãos e irmãs 6julho2014

1. Há quem considere estas breves linhas do Capítulo onze do Evangelho de S. Mateus (11,25-30), como o mais belo e importante dizer de Jesus nos Evangelhos Sinópticos (A. M. Hunter). Na verdade, estas linhas leves e ledas como asas guardam o segredo mais inteiro de Jesus, o seu tesouro mais profundo, o tesouro ou a pedra preciosa da parábola (Mateus 13,44-46), preciosa e firme, porque leve e suave como uma almofada, onde Jesus pode reclinar tranquilamente a cabeça (João 1,18), e tranquilamente conduzir, dormindo mansamente à popa, a nossa barca no meio deste mar encapelado (Marcos 4,38). Nos lábios de Jesus, chama-se «PAI» (Mateus 11,25) este lugar seguro e manso, doce e aprazível, que acolhe os pequeninos, os senta sobre os seus joelhos, lhes conta a sua história mais bela, e lhes afaga o rosto com ternura. Diz bem Santo Agostinho que «o peso de Cristo é tão leve que levanta, como o peso das asas para os passarinhos!».

2. «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos (népioi)» (Mateus 11,25). Sim, aos pequeninos, grego népioi, que em sonoridade portuguesa daria «népias», nada, nenhuma ciência, nenhum poder, nenhum valor autónomo. Ó abismo da sabedoria dos pequeninos, daqueles que nada podem fazer sozinhos, mas que sabem confiar, e sabem que podem confiar, e sabem em quem podem confiar (2 Timóteo 2,12). É sobre os pequeninos que recai toda a atenção de Jesus, que, de resto, voluntariamente se confunde com eles, pois diz: «Todas as vezes que fizestes isto (ou o deixastes de fazer) a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes (ou o deixastes de fazer)» (Mateus 25,40 e 45). E no ritual do Batismo, são estes os dizeres que acompanham a entrega da vela acesa aos pais e padrinhos da criança batizada: «a vós, pais e padrinhos, se confia o encargo de velar por esta luz, para que este pequenino, iluminado por Cristo…

3. Abre-se aqui um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade cristã, habitualmente denominado por «infância espiritual», o «pequeno caminho», «o permanecer pequeno», «o estar nos braços de Jesus», que Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897) exalta na sua «História de uma alma», que tem a sua nascente mais funda naquela maravilha que é o Salmo 131,2, em que o orante se diz assim: «Estou tranquilo e sereno/, como criança desmamada,/ no colo da sua mãe;/ como criança desmamada,/ está em mim a minha alma». Ou como o famoso Padre Jesuíta francês, Léonce de Grandmaison (1868-1927), que costumava rezar assim: «Santa Maria, Mãe de Deus, conserva em mim um coração de criança, puro e transparente, como uma nascente». Ler mais…