Arquivo

Posts Tagged ‘Pe. António Vieira’

Pe. António Vieira na Igreja Catedral de Lamego

PhotoGrid_1434896598682

SI VIS, POTES

Si vis, potes (Se quereis podeis).

Assim se iniciou, no passado dia 20 de junho, com mais de uma centena de assistentes, na Catedral de Lamego, a encenação do Sermão da Terceira Dominga Post Epiphaniam do Padre António Vieira. Todo o sermão reflete e faz-nos refletir sobre todas as relações existentes entre o querer e o poder.

A intemporalidade do tema foi o que motivou para esta leitura encenada, pontuada por momentos musicais ao vivo, luz e técnicas da oratória.

Esta ideia surge no âmbito da Rota das Catedrais no Norte de Portugal, havendo uma parceria entre a Direção Regional de Cultura do Norte e os Cabidos e Fábricas da Igreja.

A encenação deste projeto está ao cargo e interpretação de José Alonso. Toda a dramaturgia segue o conceito existente na oratória do barroco que aponta para uma maior eloquência e exuberância da palavra dita, muito diferente da formalidade discursiva renascentista.

É bom que muitas outras atividades deste género possam surgir, de forma a que possa haver e se possa valorizar a nossa História, os nossos espaços e as nossas gentes. Mais que um momento recreativo, esta encenação foi um momento de profunda meditação. Bem-haja a todos quantos estiveram e estão envolvidos na propagação de tais atividades.

Termino com um texto do Sermão da Terceira Dominga Post Epiphaniam, “Se buscamos com verdadeira consideração a causa de todas as ruínas e males do mundo, acharemos, que não só a principal, senão a total e única, é não acabarem os homens de concordar o seu querer com o seu poder: si vis potes. A raiz deste veneno mortal, nascida não só na terra, senão também no Céu, é a inclinação natural com que toda a criatura, dotada de vontade livre, não só apetece sempre ser mais do que é, senão também querer mais do que pode”, pregado na Sé de Lisboa na data provável de 1662.

Diác. Fabrício Pinheiro, in Voz de Lamego, n.º 4319, ano 85/32, de 23 de junho de 2015

SAUDADE E GRATIDÃO | Editorial Voz de Lamego | 9 de junho

VL_editorial_9junho

A edição desta semana da Voz de Lamego tem como tema de capa o Corpo de Deus, apresentando no interior texto sobre esta celebração e a Homilia do Senhor Bispo D. António Couto. Na última página, exposição da Ordem de Santiago, da responsabilidade do Museu da Presidência da República, em parceria com a Câmara Municipal de Lamego e a Diocese de Lamego, no Museu Diocesano, assinalando o Dia de Portugal e das Comunidades, cujas comemorações se realizam na cidade de Lamego.

No interior do jornal, os ricos e diversos textos de reflexão, notícias da diocese e da região, a Visita Pastoral de D. António Couto na paróquia de São Tiago Maior de Magueija e o XII Festival da Canção de Mensagem (páginas centrais).

Vale a pena iniciar a leitura pelo Editorial, da responsabilidade do Diretor da Voz de Lamego, Pe. Joaquim Dionísio:

SAUDADE E GRATIDÃO

Amanhã é feriado nacional. Entres outras realidades, os portugueses vão assinalar festivamente a existência das comunidades lusas espalhadas por esse mundo fora. Em todas as nossas aldeias, vilas ou cidades encontramos antigos emigrantes ou famílias que esperam o período de férias para abraçar quem anda por longe.

Por causa disso, o grande Padre António Vieira afirmou que os portugueses são um povo que teve um pequeno torrão de terra para nascer e o mundo inteiro para viver. Somos assim: audazes para buscar novas realidades, capazes de nos adaptarmos às circunstâncias e de nos integrarmos nos novos espaços e culturas. Mas acompanha quem parte a preocupação de permanecer ligado às raízes e ao povo que deixou. Por causa disso, os portugueses inventaram a palavra “saudade” para traduzirem uma presença que se mantém viva, terem próxima uma herança de que se orgulham e preservarem uma identidade que os define.

Por isso, a nossa homenagem a todos quantos tiveram que partir e levaram consigo, não a revolta contra um país que não lhes deu condições, mas a vontade e a alegria de permanecerem unidos. E nunca será demais sublinhar os benefícios que o país conseguiu com esta gente trabalhadora e dedicada que partiu.

Lembrar, no dia 10 de Junho, as comunidades portuguesas da diáspora é assumir a nossa presença por esse mundo fora e agradecer a todos quantos, com a sua perseverança e boa vontade ajudam a manter viva uma cultura.

Mas é também um desafio aos governantes, para que reconheçam o esforço, dedicação e investimento que o país recebe com tais comunidades. E isso nem sempre acontece quando, por exemplo, se diminuem os serviços consulares ou não se facultam aulas de língua portuguesa. As nossas comunidades apreciam ser lembradas neste dia, mas anseiam por atenção todo o ano.

 

in Voz de Lamego, n.º 4317, ano 85/30, de 9 de junho de 2015