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Sínodo sobre a Família: entrevista ao Pe. João Carlos Morgado

In Voz de Lamego, 07.01.2014

O nosso jornal, como era de esperar, divulgou oportunamente, em duas edições sucessivas, o documento (fundamentação e questionário) preparado pelo Secretariado do Sínodo dos Bispos com vista à preparação da assembleia episcopal agendada para o outono de 2014 e que a família como tema central. Os que quiseram puderam enviar as suas respostas. Para um breve balanço sobre esta consulta, na nossa diocese, fomos ao encontro do responsável pela recepção e tratamento das respostas, Padre João Carlos Costa Morgado.

Como caracteriza a participação dos diocesanos de Lamego nesta iniciativa?

A participação foi boa. Recebemos cerca de 130 inquéritos. Desses uma grande parte foi preenchida em grupos paroquiais e movimentos e uma porção ainda significativa preencheu o inquérito, que foi disponibilizado online, e enviaram directamente para a Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa. Assim, tendo em conta a nossa realidade sociocultural e demográfica, penso que temos uma participação que nos permite uma boa amostra do sentir diocesano sobre esta temática.

As respostas recebidas foram provenientes de pessoas singulares, famílias, grupos, movimentos ou até de gente que anda longe da Igreja…?

Tivemos de tudo. Como já referi atrás, uma percentagem significativa das respostas vieram de reflexão de grupos, sobretudo paroquiais e movimentos – perto de metade. Os outros vieram de pessoas singulares que pelas respostas que deram mostram ser de contextos sociais, etários e eclesiais muito diferentes. Há respostas que revelam virem de gente bastante afastada da Igreja e do seu magistério. Penso que foi importante essas pessoas terem voz e as suas reflexões foram, naturalmente, tidas em conta.

Pessoas que fomos ouvindo referiram a grande dificuldade de algumas questões, bem como a quantidade. Que comentários pode fazer sobre isso, a partir dos ecos que foram chegando?

Esses ecos chegaram-nos por telefone, por email, pessoalmente e mesmo nas respostas que as pessoas deram ao inquérito. Alguns sugeriram que transmitíssemos “a quem de direito” para, no futuro, fazerem um inquérito mais simples e menos extenso.

Foi por causa dessas “queixas” que a diocese possibilitou o preenchimento de dois formulários: o que foi enviado por Roma, a ser preenchido por extenso, e o que a Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa disponibilizou online na internet. Este último tinha a vantagem de ser de mais fácil preenchimento, mas mais “fechado” em termos de respostas. Felizmente recebemos respostas nas duas modalidades, o que permitiu uma leitura mais precisa sobre o sentir das pessoas. Um completou o outro.

A nossa diocese, nas suas estruturas, empenhou-se por analisar e responder ou não está preparada para este tipo de trabalho em pouco tempo?

Estamos muito gratos ao empenho de muita gente: sacerdotes, paróquias, movimentos e fiéis leigos, pelo esforço que fizeram. De facto foi uma corrida contra o tempo, mas foi um trabalho em equipa. Os seminaristas do ano pastoral fizeram a recolha estatística dos inquéritos onlinede que resultou um documento único. Esse documento foi analisado, em conjunto com os inquéritos por extenso, pelo Cónego José Manuel Melo, pelo Pe. Paulo Alves e por mim. Cada um produziu um relatório,que confrontamos em reunião, e desses relatórios resultou o relatório final, que ficou concluído e foi apresentado ao Sr. D. António Couto, a 30 de Dezembro e foi depois enviado para a CEP.

Qual o procedimento a ter agora com as respostas que chegaram?

Penso que elas constituem um bom instrumento de trabalho para a Pastoral Familiar, para a Pastoral da Evangelização e deverá ser dado a conhecer a todas as Comissões e Departamentos diocesanos.

Como elas nos transmitem muito do que é a nossa realidade diocesana – e mesmo nacional- será mais fácil a programação e implementação de uma pastoral que vá preferentemente de encontro às reais necessidades das pessoas. Ajuda-nos a estabelecer prioridades e, diria mesmo, urgências de actuação.

Que comentário final, genérico, lhe merecem as respostas enviadas, ao nível do conteúdo?

Revelam em primeiro lugar que há, ainda, um longo e persistente trabalho a fazer no campo da formação. Os documentos do magistério em geral e sobre a família, neste caso particular, são praticamente desconhecidos pela maioria da nossa gente. Depois constata-se que a família cada vez se demite mais da sua missão, tendendo a remeter a formação ética para a Escola e a transmissão da fé para a Paróquia.

Globalmente as pessoas queixam-se da crise económica, da falta de tempo, dos meios de comunicação social, como obstáculos para uma melhor vivência do modelo cristão de família.

Em relação aos novos modelos de família, as pessoas tendem a ter uma atitude cada vez mais compreensiva. Embora se reconheça o mal, é reclamada, pela quase totalidade, uma postura, por parte da Igreja, de acolhimento, de não descriminação e de atenção pastoral a estes casos.