Arquivo

Posts Tagged ‘Paróquia de Alvite’

Santo Amaro e os Alvitanos

Feira-de-Tradições-de-Alvite

METER O BEDELHO

Menino e moço subia, muitas vezes, a Serra da Nave ora ajudando o meu pai a cortar o mato que, nas cortes do gado, se havia de transformar em estrume para condimentar as terras aráveis ora explorando, com os colegas, os limites territoriais. No fundo do Outeiro Maior, havia, não sei se ainda existe, uma pequena fonte a que éramos levados por um carreirinho, o chamado “carreirinho de Santo Amaro”. O povo chamava aquela fonte, a Fonte de Santo Amaro. Uma pastora, já velhota, informou-nos que, segundo ouvira a seus avós, houvera, ali, uma Capela e um Povo –“sabem os meninos que os primeiros habitantes eram pastores, viviam nos altos para vigiarem os horizontes, depois desceram aos baixios para amanharem as terras. Só eu e poucos mais ficamos, por aqui, presas às nossas ovelhas que estimamos mais que alguns padres as suas apesar de serem humanas ” – e ficou a Capela de Santo Amaro. Abandonada, entrou em ruinas e a imagem – ela dizia ‘o Santo’- foi levada – ela dizia ‘roubada’ – para Alvite. O povo do Touro não gostou e até começou a entoar cantigas de maldizer – de “raiva” dizia ela – cujo coro, ainda, guardo na memória:

          – “Santo Amaro de Alvite

             Que é feito de amieiro,

             É irmão dos meus tamancos

             Criado no meu lameiro.”

Acrescentou, ainda, a velha pastora que até Santo Amaro ficou triste e, de noite, sentia saudades dos altos e voltava para a sua Capela. Mas os Alvitanos são espertos – ela dizia ‘finórios’ – vieram busca-lo em procissão. Depois já foi todo contente. “Sabem meninos, os Santos são rapioqueiros, gostam muito de passear nos andores. Vejam nas festas como vão todos conchos e vaidosos!”

Já em casa, o meu pai confirmou a lenda. Certa ou errada não sei nem vou investigar mas onde há lenda, há factos reais com acrescentos de muita imaginação. E que Santo Amaro é Padroeiro de Alvite também é verdade mas a imagem que se venera na ampla, funcional e linda Igreja Alvitana é das últimas décadas do século passado e não desses tempos de histórias enfeitadas com tanta fantasia. E as Gentes de Alvite veneram-no tão ao seu jeito!… Missa e Procissão seguidas dum grande Convívio Popular em que abatem uma vitela, meia dúzia de suínos e…  comem e dançam até às tantas. Gente bairrista, esta gente alvitana!…

Mas a que propósito vem esta história?

Hoje, 15 de Janeiro, é dia de Santo Amaro e reli a sua biografia e recordeo a sua fonte.

Entregue, desde criança, aos cuidados de São Bento tornou-se, pelas suas qualidades, o seu homem de confiança e seu sucessor.

Vindo uma delegação gaulesa pedir a São Bento que enviasse alguns monges para fundarem um mosteiro, enviou-lhes Amaro. E foi tão profícuo o seu trabalho que o mosteiro deu origem a uma cidade que lhe deu o nome, Saint Maur-sur-Loire.

Morreu vítima duma peste epidémica que limpou mais duma centena de monges. As suas relíquias guardam-se na Cripta da capela do mosteiro do Montecassino.

  Foram os Beneditinos com a sua paciência – a célebre “paciência beneditina” – , os reconstrutores da Europa depois da destruição do Império pelas invasões bárbaras. Com a sua regra, “Ora et labora” “reza e trabalha com alegria” – foram civilizando os bárbaros e construindo as Pátrias à sombra dos seus mosteiros. Os Beneditinos tinham, –  ainda têm?!.. – como seu, o lema romano – “age quod agis”, faz bem feito aquilo que estás a fazer. Esta “cultura do fazer bem feito” implica uma disciplina interior para resistir à tentação do fazer de qualquer maneira. Esta cultura não nasce por decreto mas por educação, por exercício da paciência.

À sombra dos mosteiros beneditinos havia e há um albergue ou hospedaria para o peregrino ou para quem deseje descansar e, – porque não?! – silenciar o barulho interior e restaurar a paz de consciência; havia uma escola diferenciada nos conteúdos donde, mais tarde, surgiram as Universidades.

Séculos mais tarde, os Beneditinos/Cistercienses tornaram-se os cantores da Mãe de Deus. Dizia S. Bernardo, o reformador beneditino:

-“Nas tentações olha para Maria, invoca Maria”.

– “O Senhor não nos quis dar nada que não viesse pelas mãos de Maria”.

E ensinou-nos aquela linda prece: –“Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria….

Uma saudação especial para os Alvitanos e que Santo Amaro, como dizia a velha pastora, “ a eles, proteja e a nós não nos desampare”.

Pe. Justino Lopes, in Voz de Lamego, ano 86/09, n.º 4346, 19 de janeiro de 2016

Visita Pastoral de D. António Couto na Paróquia de Alvite

CIMG3027

A paróquia de Santo Amaro de Alvite viveu, na passada semana, um acontecimento histórico e profético – a visita pastoral. Quis sua excelência reverendíssima D. António estar connosco, conhecer os nossos anseios e preocupações, as nossas alegrias e esperanças.

O primeiro dia da visita foi passado ao lado dos mais pobres, dos mais débeis, os doentes e idosos desta comunidade. Depois de visitar cada doente que não pode ir ao Centro Comunitário e de lhe oferecer a bênção de Deus e a Santa Unção, foi acolhido no nosso lar. O almoço, simples, permitiu não apenas recuperar as forças físicas, mas serviu de sacristia para a celebração eucarística que se seguiria, com a administração da Santa Unção. Houve ainda tempo, neste primeiro dia, para visitar Espinheiro e o seu Centro Social, bem como a capela onde pode falar ao povo daquilo que realmente é essencial em Jesus, partindo da devoção a Nossa Senhora das Dores ali tão querida. O dia não terminou sem uma reunião com cursilhistas que acorreram em grande número para escutar a voz do pastor.

O segundo dia foi dedicado a instituições, entidades e associações da freguesia. Ao início da tarde o Sr. Bispo foi acolhido na escola, visitou a “CopAlvite” e foi recebido na Junta de Freguesia pelo executivo e assembleia. Esteve ainda presente o Presidente da Associação de Caçadores e elementos da “Gente da Nave”, associação de promoção social e cultural, que nos mostrou como era uma casa e a vida dos alvitanos de outros tempos, na visita à “Casa-Museu”. Este dia mais dedicado à “sociedade civil” teve ainda um momento de partilha e de comunicação do Sr. D. António no salão paroquial, onde contamos também com a presença do Sr. Presidente da Câmara, a que se seguiu um jantar aberto a toda a comunidade e em que nada faltou.

CIMG3025

Na sexta-feira, terceiro dia de visita, houve reunião com “a(s)gentes da pastoral” à noite. Durante a tarde o nosso prelado celebrou eucaristia em Porto da Nave, de onde rumamos ao cemitério para manter viva a memória e renovar a oração dos que ali jazem. Houve ainda oportunidade de visitar um aviário e a Quinta dos Caetanos que nos recebeu na sua futura capela, a dedicar a São João Paulo II, a quem continuamos a pedir ajuda para a sua conclusão e sagração.

No quarto dia, sábado, realizou-se o encontro com a centena de crianças e adolescentes da catequese paroquial a quem o senhor bispo apontou caminhos de felicidade. A assembleia preciosa que o escutava pode ainda fazer perguntas e escutar do Sr. D. António palavras sábias, alegres e com uma pitada de bom humor apreciado pelos mais novos. A bênção do cemitério e a inauguração pelas autoridades civis foi o momento que se seguiu a que se juntou o povo. Depois de visitar alguns locais de trabalho, nomeadamente uma vacaria onde foi servido um saboroso lanche (cá fora), o senhor bispo reuniu com os crismandos e o grupo de jovens (JSF) falando-lhes sobretudo do sentido da celebração, dos símbolos, e da responsabilidade que seria assumida.

12191976_1020385341316037_1526624284845245305_n

No domingo, dia do Senhor, o grupo coral fez-nos estremecer de emoção e assim entrarmos nos mistérios de Deus. A Eucaristia, momento altíssimo para os crismandos, mas também para todos nós, foi de uma solenidade catedralícia. A unção com que foi vivida e o sorriso terno e amável de todos demonstrava bem a paz vivida, experimentada, por cada um, possível a quem sente Jesus presente no meio da sua comunidade. A fechar com chave de ouro o almoço do Sr. Bispo com sacerdotes desta zona pastoral reforçando a comunhão e a unidade dos servidores do povo de Deus.

Estes dias inesquecíveis trouxeram-nos um pastor simples, como nós, que veio para estar connosco, não fazendo apenas uma visita de médico, de um observador externo ou de um auditor da qualidade. Foi a visita de um “pai”, sucessor dos apóstolos e continuador da sua missão, que veio para estar e ficar e ainda que tenha de ir pregar a outras paragens, não deixará de estar presenta na oração e no coração. Estão de parabéns todos os que preparam e viveram esta Visita Pastoral.

Jorge Gomes, in Voz de Lamego, ano 85/51, n.º 4338, 17 de novembro

ULTREIA ARCIPRESTAL | Paróquia de Alvite | CURSISTAS

Ultreia Alvite

A ultreia, como tempo de encontro com aqueles que partilharam a experiência de um cursilho de cristandade, constitui-se um elemento importante para renovarmos os nossos compromissos, e partilharmos as dificuldades e as alegrias que experimentamos na vivência do nosso ideal.

Reconhecendo a sua importância, reunimo-nos no passado domingo, dia 19, no salão Paroquial de Alvite, num encontro alargado a todos os que fazem parte deste movimento e que vivem no Arciprestado de Moimenta da Beira, Sernancelhe e Tabuaço. O acolhimento caloroso dos cursilhistas de Alvite, o bom tempo e a cerca de centena e meia de participantes proporcionaram uma tarde muito bela e rica em partilhas.

No encontro estiveram presentes os membros do Secretariado Diocesano do Movimento bem como alguns Párocos nomeadamente o Sr. Padre Bráulio que dirigiu o encontro começando pelo acolhimento inicial com cânticos e cumprimentos, passando à parte da oração, e entregando assim a Deus os bons frutos da ultreia. Como é habitual, fomos brindados por dois rolhos apresentados por dois cursilhistas da paróquia de Alvite que nos fizeram refletir sobre o tema da família e nos mostraram, através das suas experiências pessoais, que a presença de Deus no lar é fundamental para ultrapassar os desafios, as dificuldades e as alegrias que a vida nos dá e que com Ele partilhamos. A profundidade dos rolhos impulsionou alguns cursilhistas que, através do seu testemunho, foram mostrando como este Deus que conheceram melhor no cursilho se tem tornado participante das suas vidas e presença na sua família. O encontro terminou com um momento de convívio onde podemos saborear o belo lanche que o grupo de ultreia de Alvite nos preparou e que acompanhou com muitos reencontros, conversas e gargalhadas de muita alegria.

A ultreia serviu também para divulgar e apelar a todos os cursilhistas que se empenhem no crescimento do movimento levando outros irmãos a saborear, pela primeira vez, a experiência magnifica do cursilho de cristandade, aproveitando o próximo cursilho de Senhores que se irá realizar no primeiro fim de semana de Maio iniciando no final do dia de 5.ª feira 30 de abril e encerrando no domingo 3 de maio.

Sara Guia, in Voz de Lamego, n.º 4310, ano 85/23, de 21 de abril de 2015

CONVÍVIO 1267 | Por terras de Alvite

visita-convivas-alvite

Foi ao começar este mês que a mesma equipa que preparou o Convívio Fraterno 1267 visitou os convivas 1267 de Alvite.

Alguns elementos do Grupo Jovens Sem Fronteiras de Alvite, atenderam, uma vez mais ao chamamento de Nosso Amigo Jesus Cristo, em participar no Convívio Fraterno que se realizou nos dias 14, 15, 16 do mês passado.

E foi passado alguns dias que a equipa resolveu descobrir como estava a correr o 4.º dia  de cada conviva, acompanhando estes, na Eucaristia presidida pelo Pároco Bráulio na Igreja Paroquial de Alvite pelas 11h00.

Foi com grande alegria, em nosso coração que recebemos estes maravilhosos instrumentos de Deus, estes instrumentos que nos ajudaram a ouvir a melodia que Deus nos envia! Ficamos maravilhados com a surpresa!

No entanto após, a Eucaristia, tivemos ainda um almoço de convívio, que se realizou no Centro de bem estar social e repouso da paróquia de Sever onde também recordamos os três dias do Convívio cantando alguns cânticos apreendidos lá.

 Assim fica um obrigado à equipa por esta surpresa em que Deus os enviou uma vez mais e também àqueles que se disponibilizaram para preparem o almoço para este dia. Bem hajam.

Jesus Cristo é Amigo, e vemo-lo no rosto de cada irmão no caminho que percorremos!

CF 1267- Martina Veiga, Jovens sem Fronteiras de Alvite

in Voz de Lamego, n.º 4304, ano 85/17, de 10 de março de 2015