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Posts Tagged ‘Nossa Senhora dos Remédios’

FESTAS DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

Lamego viveu as suas Festas

Convenhamos que não é fácil descrever Festas que não se viveram no seu dia-a-dia, mas sabemos que é imperioso para um jornal da Cidade dizer um mínimo do que se passou nas Festas de 2017.

Continuando a crónica da semana passada, não deixamos de referir os programas da TV, a actuação de artistas consagrados, o Folclore sempre presente e que atrai um público numeroso e desejoso de ver a actuação dos grupos visitantes e que respondem ao convite do Rancho Regional de Fafel, que retribuirá com a sua actuação nos próximos tempos, se é que ainda o não fez; Fados por uma artista local, Helena Sarmento, muito aplaudida no Parque Isidoro Guedes, dois cantores famosos na actualidade, o Ralph estrangeiro e o português T. Carrera, este a atrair gente que veio de perto e de longe, Marchas e Corridas, Música Moderna de Lamego, com o nome pomposo de ZIGURFEST, Rua da Olaria e Ponte de Pau a reunir os seus homens de ontem e amigos de sempre, ARTDANCE a mostrar-se em vários locais; mais, muito mais! Ler mais…

Festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios

Celebrar a fé

A cidade e a região viveu, mais uma vez, as festas da cidade com os olhos postos na Mãe, aqui invocada como Senhora dos Remédios. A novena, a Eucaristia e a Procissão, as ruas iluminadas, os artistas que actuaram, os desfiles, os foguetes e o fogo de artificio, os visitantes que vieram, as famílias que se juntaram, o ruído, o convívio, as fotografias… Tudo contribuiu para a festa!

Caminhar com Maria

A novena em honra de Nossa Senhora dos Remédios decorreu, como habitualmente, entre os dias 30 de Agosto e 07 de setembro, no Santuário e sob orientação do seu Reitor, Pe. João António Pinheiro Teixeira. Nesses dias, entre as 06h e as 08h, a igreja encheu-se de fiéis que, ainda escuro, demandaram o Santuário, a pé ou de carro, de perto e de longe, para louvar a Mãe e escutar a Palavra de Deus. E foram muitos os que o fizeram. Ler mais…

Festas de Nossa Senhora dos Remédios | 2017

Há Festa em Lamego

 

Tenho diante de mim o cartaz das Festas de Lamego em 2017; um programa vasto, nem sempre com razão de ser, mas é preciso levar ao longe e ao largo a notícia do que se pretende fazer, oferecer a um público mais ou menos exigente, que espera uns dias diferentes daqueles que se vivem ao longo do ano.

Vai-se ouvindo que são dias a mais, que há números que nada dão ao brilho da Festa, mas se ela é a «Romaria de Portugal» tem de mostrar que os dias vão dando razão ao título pomposo que há anos se criou e é preciso justificar.

Pessoalmente é o ano em que tenho visto menos das Festas de Nossa Senhora dos Remédios; a vida nem sempre nos deixa viver como gostaríamos ou é preciso viver em função de algo que temos de comunicar. Ler mais…

A Novena de Nossa Senhora dos Remédios – 2016

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Apesar da hora, começa sempre às seis da manhã, a Novena não perde pessoas de ano para ano. Pelo contrário, ano após ano, o número de peregrinos cresce.

Como diziam os antigos, a Novena é todo um «trabalho da graça». Só à luz da fé se explica que tanta gente corte ao descanso para se juntar em atitude de louvor e de súplica.

O Santuário fica sempre cheio, sendo necessário ocupar a Sala dos Retratos e o Adro. E se em cada dia, o espaço fica cheio, no dia seguinte aparece ainda mais preenchido.

O que mais impressiona é a comunhão de fé e sentimentos: toda a gente reza, toda a gente canta. Se a Procissão tem, indiscutivelmente, um grande impacto visual, a Novena consegue ter sempre um enorme efeito vivencial. As palavras e os cânticos parecem fazer estremecer as próprias paredes e o próprio tecto.

Este ano, foi estreado um hino, belamente musicado pelo senhor Padre Marcos José Morais Alvim de Magalhães. Entrou rapidamente nos lábios e no coração do povo.

Também foi oferecida uma nova casula, com a particularidade de ter a imagem de Nossa Senhora dos Remédios esculpida na frente e nas costas.

É bom ter presente que a Festa de Nossa Senhora dos Remédios começou, possivelmente no século XVII, com a Novena. E esta mantém-se nos mesmos moldes em que se iniciou. É também um acto de homenagem aos nossos maiores, que nos legaram tão precioso acto de homenagem à Mãe dos Remédios.

À volta da «Mãe da Misericórdia», procurámos, uma vez mais, crescer na fé, louvando a nossa Padroeira. Da Novena não nos afastaremos; para o ano, regressaremos!

S. A. S., in Voz de Lamego, ano 86/42, n.º 4378, 13 de setembro de 2016

Povo que chora, canta e reza a santidade de Deus | Ternura de Maria

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O culminar da festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios, Padroeira da cidade de Lamego, aconteceu, como sempre, no dia 08 de Setembro, a data escolhida pela Igreja para celebrar a festa da Natividade de Maria. Nesse dia, milhares de pessoas fizeram a festa em Lamego, quer na Eucaristia celebrada no Santuário, quer na Procissão que percorreu algumas das ruas da cidade verde.

O tempo ameno que se fez sentir contribuiu para a serenidade e elevada participação com que este dia decorreu. Pela manhã, muitos foram os que subiram ao monte de St. Estevão e encheram por completo o Santuário dedicada à Mãe, participando na celebração eucarística a que D. António presidiu, rodeado de alguns sacerdotes, e o coro, orientado pelo Padre Marcos Alvim entoou cânticos já conhecidos, favorecendo a participação alargada dos fiéis. Presentes também o Comissário da Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, Dr. Manuel Teixeira, e o Presidente da Câmara de Lamego, Eng. Francisco Lopes, que se responsabilizaram pela leitura dos dois primeiros textos bíblicos proclamados na liturgia da Palavra.

No início da celebração e após a comunhão, o Reitor daquele Santuário, Cón. João António Pinheiro Teixeira, dirigiu palavras de louvor à Mãe e de saudação a todos os peregrinos. Ler mais…

Homilia de D. António Couto na festa de Nossa Senhora dos Remédios

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HOMILIA DA SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

8 de setembro de 2016

Miqueias 5,1-4

Salmo 13(12),6; Isaías 61,10

Romanos 8,28-30

Mateus 1,1-16.18-24

 

  1. Pouca gente estremece de emoção, sorri ou canta ou dança de alegria, quando ouve esta sucessão de nomes, ao todo 47, que enchem a primeira página do Evangelho de Mateus, hoje por graça proclamada para nós. Pouca gente estremece. Muita gente quase adormece, vencida pela monotonia, sem lhe chegar a captar a alegria. Parafraseando Bento XVI, que escreveu na Exortação Apostólica Verbum Domini [2010], n.º 123, que «Podemos programar uma festa, mas não podemos programar a alegria», posso eu dizer agora que «Podemos programar uma festa, uma romaria, mas não podemos programar a alegria». Por isso, ao ouvir esta toada musical que interliga 47 nomes, nós já não estremecemos nem sorrimos nem cantamos nem dançamos de alegria. Mas devíamos fazê-lo, porque, ao ver uma tal sequência de nomes ali à flor da página, a verdade é que ninguém ficou sozinho, abandonado, descartado. Pelo contrário, todos estão ali lado-a-lado, em família, sentados à mesa do Reino de Deus. Nem os milénios separam Abraão de Jesus. Estão, na verdade, os dois ali, lado-a-lado, com José e Maria bem por perto. Esta é a técnica da miniatura, e a miniatura é de quem ama, porque não quer perder nunca ninguém de vista. É assim que Deus nos salva, sentando-nos todos, lado-a-lado, em família, ao redor de Jesus e de Maria.

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Festa de Nossa Senhora dos Remédios | Homilia de D. António Couto

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A REVOLUÇÃO DA TERNURA

  1. Hoje é o Dia em que a gente sabe e sente que Maria é nossa mãe também, e que Deus não abandona nunca estes seus filhos muito amados, de geração em geração, um rosário de gerações de Adam até Cristo, de Cristo até hoje, até nós. É, de certo modo, como se Deus também rezasse, passando pelos dedos, amorosamente, as contas do rosário dos seus filhos queridos, de cada um de nós.
  1. Por isso, por excesso de amor condescendente, Jesus Cristo desceu ao nosso mundo, a este mundo que Deus ama tanto, não obstante os nossos inúmeros disparates e tolices. Na sua bela Exortação Apostólica programática Evangelii Gaudium [2013], partindo da lição da Incarnação, o Papa Francisco apontou à Igreja e ao mundo a «revolução da ternura» como o mais belo programa de vida para estes tempos petrificados, cinzentos e nublados: «Na sua incarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura» (n.º 88). E faz-nos também olhar para Maria com um olhar novo, bem nosso, bem humano, mas igualmente cheio de Deus: «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes» (n.º 288).
  1. Lendo o nosso, os homens da cultura veem-no sombrio, noturno (Martin Heidegger), dominado pelo princípio da necrofilia (Erich Fromm), a atração pela morte (Sabedoria 1,16; 13,10.18; 15,5-6), que é o resultado do domínio do nosso «coração de pedra» sobre o nosso «coração de carne». Só a ternura, o Evangelho da ternura, que faz prevalecer a força do amor humilde sobre a brutalidade da força, pode vencer este mundo soturno e petrificado, este mundo de morte que nos rodeia e nos fascina! É quanto mostra o monge russo Zósima numa das mais belas páginas de Os Irmãos Karamazov, do grande escritor russo Fiodor Dostoiévski:

«Meus irmãos – diz Zósima –, não temais o pecado dos homens, amai ser humano também no pecado, porque é esta a imagem do amor divino, e não há amor maior sobre a terra. Amai toda a criação no seu conjunto e em cada grão de areia. Amai cada folha, cada raio de luz. Amai os animais, amai as plantas, amai todas as coisas. Se amardes todas as coisas, encontrareis nelas o mistério. Tendo-o encontrado, compreendê-lo-eis cada dia mais e melhor. E acabareis por amar o mundo inteiro com um amor total e universal. […] Amai particularmente as crianças, porque elas são como os anjos, sem pecado. Existem para nos encherem de ternura, para purificar o nosso coração, e são para nós como um sinal. Ai de quem ofender os pequeninos! […] Alguns pensamentos, especialmente acerca do pecado humano, deixam-te perplexo, e levam-te a perguntar a ti mesmo: “Devo recorrer à força ou ao amor humilde?”. Decide sempre: “Recorrerei ao amor humilde”. Se tomares esta decisão uma vez por todas, poderás vencer o mundo inteiro. O amor humilde é uma força incrível, a maior de todas, e não há outra igual a ela».

  1. O escritor católico alemão, Enrich Böll, prémio Nobel de literatura em 1972, dirigindo-se aos católicos, dizia acertadamente: «Aquilo que até hoje tem faltado aos mensageiros do cristianismo, de qualquer proveniência e latitude, é a ternura».
  1. Don Tonino Bello, bispo de Molfetta, Itália, morto de cancro em 1993, grande companheiro dos pobres e operário da paz, um homem que pediu ao mundo para abrir as janelas do futuro, escreveu esta bela oração, que intitulou Dá à Tua Igreja ternura e coragem:

Espírito de Deus, faz da tua Igreja uma sarça

que arde de amor pelos últimos.

Alimenta-lhe o fogo com o teu óleo que abrasa de amor.

Dá à tua Igreja ternura e coragem.

Lágrimas e sorrisos.

Faz dela praia dulcíssima para quem está só e triste e pobre.

Atira fora as cinzas dos seus pecados.

Faz uma fogueira com as suas avarezas.

E quando, desiludida dos seus amantes,

voltar cansada e arrependida para ti,

coberta de lama e pó,

depois de tanto caminhar,

leva-a a sério se te pedir perdão.

Não a censures,

mas unge com ternura os membros desta Esposa de Jesus

com as fragrâncias do teu perfume e com o óleo da alegria.

E depois introdu-la,

cheia de beleza,

sem mancha e sem ruga,

ao encontro do Esposo,

para que possa olhá-lo nos olhos,

sem corar,

E possa finalmente dizer-lhe: «meu Esposo».

  1. É um belo retrato da Igreja bela, a transvasar de ternura e de paz. Como Maria, Nossa Senhora dos Remédios, que hoje aqui nos congrega. Faz, Senhor, que a tua Igreja transpareça da ternura que se vê no rosto, nos braços e não mãos, de Nossa Senhora dos Remédios, que aqui veneramos, cuidando ternamente de Jesus. Deles, os dois, Mãe e Filho, assim unidos, sai a «força dos sinais» do amor humilde e dedicado que nós, peregrinos de hoje, devemos imitar. Só assim, faremos cair os «sinais da força», que andam por aí, e também aqui, instalados no nosso coração.
  1. Ontem mesmo, dia 7 de setembro, no decurso da Visita ad Limina Apostolorum, tive a oportunidade de apresentar ao Papa Francisco esta bela imagem de Nossa Senhora dos Remédios, que ele benzeu, e pediu que rezássemos e testemunhássemos com a nossa vida a ternura do Evangelho que se aprende olhando para Jesus e para Maria.
  1. Dá-nos, Senhor, um «coração de carne». De nada vale, não serve para nada, continuar a ostentar um «coração de pedra». Não vive, não respira, não ama. Precisamos, de facto, meus irmãos e irmãs, de mais amor, mais amor, mais amor. Mais ternura, mais ternura, mais ternura.

 

Lamego, Nossa Senhora dos Remédios, 08 de setembro de 2015

+ António, vosso bispo e irmão