Arquivo

Posts Tagged ‘Natividade de Nossa Senhora’

Festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios

Celebrar a fé

A cidade e a região viveu, mais uma vez, as festas da cidade com os olhos postos na Mãe, aqui invocada como Senhora dos Remédios. A novena, a Eucaristia e a Procissão, as ruas iluminadas, os artistas que actuaram, os desfiles, os foguetes e o fogo de artificio, os visitantes que vieram, as famílias que se juntaram, o ruído, o convívio, as fotografias… Tudo contribuiu para a festa!

Caminhar com Maria

A novena em honra de Nossa Senhora dos Remédios decorreu, como habitualmente, entre os dias 30 de Agosto e 07 de setembro, no Santuário e sob orientação do seu Reitor, Pe. João António Pinheiro Teixeira. Nesses dias, entre as 06h e as 08h, a igreja encheu-se de fiéis que, ainda escuro, demandaram o Santuário, a pé ou de carro, de perto e de longe, para louvar a Mãe e escutar a Palavra de Deus. E foram muitos os que o fizeram. Ler mais…

Homilia de D. António Couto na festa de Nossa Senhora dos Remédios

imgp9898

HOMILIA DA SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS

8 de setembro de 2016

Miqueias 5,1-4

Salmo 13(12),6; Isaías 61,10

Romanos 8,28-30

Mateus 1,1-16.18-24

 

  1. Pouca gente estremece de emoção, sorri ou canta ou dança de alegria, quando ouve esta sucessão de nomes, ao todo 47, que enchem a primeira página do Evangelho de Mateus, hoje por graça proclamada para nós. Pouca gente estremece. Muita gente quase adormece, vencida pela monotonia, sem lhe chegar a captar a alegria. Parafraseando Bento XVI, que escreveu na Exortação Apostólica Verbum Domini [2010], n.º 123, que «Podemos programar uma festa, mas não podemos programar a alegria», posso eu dizer agora que «Podemos programar uma festa, uma romaria, mas não podemos programar a alegria». Por isso, ao ouvir esta toada musical que interliga 47 nomes, nós já não estremecemos nem sorrimos nem cantamos nem dançamos de alegria. Mas devíamos fazê-lo, porque, ao ver uma tal sequência de nomes ali à flor da página, a verdade é que ninguém ficou sozinho, abandonado, descartado. Pelo contrário, todos estão ali lado-a-lado, em família, sentados à mesa do Reino de Deus. Nem os milénios separam Abraão de Jesus. Estão, na verdade, os dois ali, lado-a-lado, com José e Maria bem por perto. Esta é a técnica da miniatura, e a miniatura é de quem ama, porque não quer perder nunca ninguém de vista. É assim que Deus nos salva, sentando-nos todos, lado-a-lado, em família, ao redor de Jesus e de Maria.

Ler mais…

Festa de Nossa Senhora dos Remédios | Homilia de D. António Couto

Remédios Missa1

A REVOLUÇÃO DA TERNURA

  1. Hoje é o Dia em que a gente sabe e sente que Maria é nossa mãe também, e que Deus não abandona nunca estes seus filhos muito amados, de geração em geração, um rosário de gerações de Adam até Cristo, de Cristo até hoje, até nós. É, de certo modo, como se Deus também rezasse, passando pelos dedos, amorosamente, as contas do rosário dos seus filhos queridos, de cada um de nós.
  1. Por isso, por excesso de amor condescendente, Jesus Cristo desceu ao nosso mundo, a este mundo que Deus ama tanto, não obstante os nossos inúmeros disparates e tolices. Na sua bela Exortação Apostólica programática Evangelii Gaudium [2013], partindo da lição da Incarnação, o Papa Francisco apontou à Igreja e ao mundo a «revolução da ternura» como o mais belo programa de vida para estes tempos petrificados, cinzentos e nublados: «Na sua incarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura» (n.º 88). E faz-nos também olhar para Maria com um olhar novo, bem nosso, bem humano, mas igualmente cheio de Deus: «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes» (n.º 288).
  1. Lendo o nosso, os homens da cultura veem-no sombrio, noturno (Martin Heidegger), dominado pelo princípio da necrofilia (Erich Fromm), a atração pela morte (Sabedoria 1,16; 13,10.18; 15,5-6), que é o resultado do domínio do nosso «coração de pedra» sobre o nosso «coração de carne». Só a ternura, o Evangelho da ternura, que faz prevalecer a força do amor humilde sobre a brutalidade da força, pode vencer este mundo soturno e petrificado, este mundo de morte que nos rodeia e nos fascina! É quanto mostra o monge russo Zósima numa das mais belas páginas de Os Irmãos Karamazov, do grande escritor russo Fiodor Dostoiévski:

«Meus irmãos – diz Zósima –, não temais o pecado dos homens, amai ser humano também no pecado, porque é esta a imagem do amor divino, e não há amor maior sobre a terra. Amai toda a criação no seu conjunto e em cada grão de areia. Amai cada folha, cada raio de luz. Amai os animais, amai as plantas, amai todas as coisas. Se amardes todas as coisas, encontrareis nelas o mistério. Tendo-o encontrado, compreendê-lo-eis cada dia mais e melhor. E acabareis por amar o mundo inteiro com um amor total e universal. […] Amai particularmente as crianças, porque elas são como os anjos, sem pecado. Existem para nos encherem de ternura, para purificar o nosso coração, e são para nós como um sinal. Ai de quem ofender os pequeninos! […] Alguns pensamentos, especialmente acerca do pecado humano, deixam-te perplexo, e levam-te a perguntar a ti mesmo: “Devo recorrer à força ou ao amor humilde?”. Decide sempre: “Recorrerei ao amor humilde”. Se tomares esta decisão uma vez por todas, poderás vencer o mundo inteiro. O amor humilde é uma força incrível, a maior de todas, e não há outra igual a ela».

  1. O escritor católico alemão, Enrich Böll, prémio Nobel de literatura em 1972, dirigindo-se aos católicos, dizia acertadamente: «Aquilo que até hoje tem faltado aos mensageiros do cristianismo, de qualquer proveniência e latitude, é a ternura».
  1. Don Tonino Bello, bispo de Molfetta, Itália, morto de cancro em 1993, grande companheiro dos pobres e operário da paz, um homem que pediu ao mundo para abrir as janelas do futuro, escreveu esta bela oração, que intitulou Dá à Tua Igreja ternura e coragem:

Espírito de Deus, faz da tua Igreja uma sarça

que arde de amor pelos últimos.

Alimenta-lhe o fogo com o teu óleo que abrasa de amor.

Dá à tua Igreja ternura e coragem.

Lágrimas e sorrisos.

Faz dela praia dulcíssima para quem está só e triste e pobre.

Atira fora as cinzas dos seus pecados.

Faz uma fogueira com as suas avarezas.

E quando, desiludida dos seus amantes,

voltar cansada e arrependida para ti,

coberta de lama e pó,

depois de tanto caminhar,

leva-a a sério se te pedir perdão.

Não a censures,

mas unge com ternura os membros desta Esposa de Jesus

com as fragrâncias do teu perfume e com o óleo da alegria.

E depois introdu-la,

cheia de beleza,

sem mancha e sem ruga,

ao encontro do Esposo,

para que possa olhá-lo nos olhos,

sem corar,

E possa finalmente dizer-lhe: «meu Esposo».

  1. É um belo retrato da Igreja bela, a transvasar de ternura e de paz. Como Maria, Nossa Senhora dos Remédios, que hoje aqui nos congrega. Faz, Senhor, que a tua Igreja transpareça da ternura que se vê no rosto, nos braços e não mãos, de Nossa Senhora dos Remédios, que aqui veneramos, cuidando ternamente de Jesus. Deles, os dois, Mãe e Filho, assim unidos, sai a «força dos sinais» do amor humilde e dedicado que nós, peregrinos de hoje, devemos imitar. Só assim, faremos cair os «sinais da força», que andam por aí, e também aqui, instalados no nosso coração.
  1. Ontem mesmo, dia 7 de setembro, no decurso da Visita ad Limina Apostolorum, tive a oportunidade de apresentar ao Papa Francisco esta bela imagem de Nossa Senhora dos Remédios, que ele benzeu, e pediu que rezássemos e testemunhássemos com a nossa vida a ternura do Evangelho que se aprende olhando para Jesus e para Maria.
  1. Dá-nos, Senhor, um «coração de carne». De nada vale, não serve para nada, continuar a ostentar um «coração de pedra». Não vive, não respira, não ama. Precisamos, de facto, meus irmãos e irmãs, de mais amor, mais amor, mais amor. Mais ternura, mais ternura, mais ternura.

 

Lamego, Nossa Senhora dos Remédios, 08 de setembro de 2015

+ António, vosso bispo e irmão

NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS | Homilia de D. António Couto

IMGP8524

A IGREJA DE SANTA MARIA ONDE ELA NASCEU

 

  1. Neste dia 8 de setembro, o calendário litúrgico assinala a Festa da Natividade da Virgem Santa Maria. Dito por outras palavras: celebramos hoje o dia do nascimento de Nossa Senhora. Sem esquecer esta tonalidade festiva do aniversário natalício de Maria, a Diocese de Lamego, no âmbito deste Santuário e da cidade de Lamego que o envolve, tem motivos acrescidos para fazer subir os índices da sua alegria, pois celebra hoje também a Solenidade de Nossa Senhora dos Remédios, Padroeira principal da nossa cidade.
  1. Sendo a Padroeira principal da nossa cidade, Ela é também a Casa, a Mesa, o Pão, a Porta principal da nossa cidade. Ela é a Senhora da nossa cidade. Ela é a Mãe. Ela é o Coração. Ela é até, está bom de ver, o ganha-pão da nossa cidade. Ela é figura e porta-voz do essencial. Ela tem cumprido bem a sua missão de Padroeira, velando todos os dias por esta cidade, acolhendo aqui todos os que a ela acorrem com as suas dores e… com as suas flores. Ela tem honrado e dignificado o Padroado. Amados irmãos e irmãs desta nobre cidade, vamos ter de nos perguntar também se temos feito tudo o que devíamos fazer para honrar e dignificar a nossa Padroeira, figura e porta-voz do essencial, ou se andamos por aí perdidos e entretidos, figuras e porta-vozes do acidental.
  1. Queridos peregrinos, irmãos e irmãs, que hoje, vindos de perto e de longe, demandastes este Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, sede bem-vindos. Rezo para que encontreis aqui, no regaço maternal de Nossa Senhora dos Remédios, o alívio e o alento que procurais. Mas permiti, amados irmãos e irmãs, dado que passa hoje o dia do aniversário natalício de Maria, que vos convide a fazer comigo, agora mesmo, uma peregrinação ao local onde ela terá nascido. Estamos já na cidade santa de Jerusalém. Entrai comigo pela Porta oriental da cidade velha, chamada «Porta dos Leões», mas também chamada pelos cristãos «Porta de Santo Estêvão» [o seu martírio aconteceu ali nas imediações, fora da cidade], e pelos árabes e cristãos Bab Sittna Maryam, que significa «Porta de Nossa Senhora Maria».
  1. Acabados de entrar por esta «Porta de Nossa Senhora Maria», estamos no quarteirão muçulmano da cidade velha de Jerusalém, e estamos também no início da bem conhecida Via Dolorosa. Entrada a «Porta de Nossa Senhora Maria» e postos os pés na Via Dolorosa, vemos logo à nossa direita e mesmo à flor da Via Dolorosa, um grande edifício que transporta nas suas entranhas uma longa, dorida e bela história. Entrai então comigo no átrio desse edifício. Mal entramos, damos logo com os olhos na Igreja românica de Santa Ana, uma construção dos Cruzados, que remonta ao ano 1130, que os muçulmanos ocuparam em 1192, e não destruíram, pois a transformaram em escola corânica. O sultão turco otomano Abdul Megid doou-a ao Governo francês em 1856, após a guerra da Crimeia. E em 1878, o governo francês confiou-a aos cuidados dos chamados Padres Brancos ou Padres de África, em cuja posse e desvelo ainda hoje se encontra. Entrai comigo então na Igreja de Santa Ana, e cantemos ali uma Ave-Maria: primeiro, porque Santa Ana é, como sabeis, a mãe de Nossa Senhora, e é nesta Igreja austera, mas espaçosa, que a memória do nascimento de Maria é evocado; segundo, porque estamos na Igreja com a melhor acústica do mundo, e cantar ali é um privilégio; terceiro, porque com o nosso canto, à nossa maneira, manifestamos também a nossa comunhão com os sofridos cristãos palestinianos (e de todo o Médio Oriente), que hoje, rodeados por muitos peregrinos idos do mundo inteiro, celebram ali, ao jeito oriental, com explosiva alegria, a Festa da Natividade de Nossa Senhora.

Ler mais…