Arquivo

Posts Tagged ‘Natal’

Concerto de Natal na Paróquia de Leomil

A noite do passado dia 16 foi, para a paróquia de São Tiago de Leomil, uma noite que fez sentir a alegria de esperar o Messias. Foi isto possível pelo antecipado presente de Natal que o Grupo Coral dessa paróquia, em parceria com o Grupo Coral de Santa Cristina de Tendais, preparou para todos aqueles que quiseram apreciar o seu talento: um concerto de Natal. Foi uma belíssima iniciativa esta, que serviu para estreitar laços entre as pessoas destes dois Grupos e entre todos os que ali estiveram. O tema das belas peças ali apresentadas foi, obviamente, o Natal.

Escutámos melodias tradicionais e algumas mais clássicas, sempre com a ajuda de violinos, viola de arco, violoncelo, órgão. Foram duas horas muitíssimo bem passadas, conduzidas por belas vozes, num belo ambiente de amizade fraterna onde todos buscávamos o mesmo: preparar um melhor lugar no nosso íntimo para Aquele que aí Vem. Obrigado, Leomil. Obrigado, Tendais.

 

Diogo Martinho, seminarista VI ano,

in Voz de Lamego, ano 87/55, n.º 4441, 19 de dezembro de 2017

NATAL – AMOR VIRTUAL | Editorial Voz de Lamego | 19 de dezembro

NATAL – AMOR VIRTUAL

A quadra natalícia não esconde nem disfarça uma certa confusão, própria da preparação que os grandes acontecimentos exigem. É verdade que o Menino nasce Natal, discretamente, sem alarido ou acolhido por muitos, e que Deus privilegia a simplicidade e o silêncio para se revelar, longe da azáfama ou da correria.

Mas também é verdade que Deus se alegrará com uma certa confusão por nós provocada nestas alturas, quando tal se deve ao desejo de festejar com familiares e amigos o nascimento do Salvador. Nesse caso, Deus lidará bem com a nossa confusão e esperará pacientemente que nos demos conta que o Natal nos mostra o caminho que conduz à plenitude!

Por outro, parece-me que será sempre mais salutar a confusão de quem corre para conseguir encontrar ou se afadiga para que nada falte em sua casa e aos seus, do que a aparente calma de quem se refugia em relações virtuais sem se aproximar de ninguém.

E esta pode ser mais uma mensagem do Natal: o amor virtual não existe!

Num tempo em que o mundo está ao alcance de um clique, Jesus revela a importância do toque. E por isso vem até nós, mostra-nos o caminho, caminha connosco e eleva-nos.

Ao olharmos a actualidade verificamos que o mundo virtual potencia e alimenta relacionamentos fictícios, contribuindo para a ilusão da ausência de obstáculos, de limites ou de contrariedades. Depois, quantas vezes a descoberta e a inserção no mundo real acarretam inadaptações e sofrimento porque, afinal, a verdadeira vida é muito mais do que “navegar”, estar no “chat”, “postar” ou veicular frases e imagens agradáveis.

O Natal revela o amor salvífico do Criador que não desiste das Suas criaturas e vem para encontrar, acompanhar, chamar, sossegar, curar… de uma maneira única e muito real.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/55, n.º 4441, 19 de dezembro de 2017

CURIOSIDADE E PERSEVERANÇA | Editorial Voz de Lamego

Three Kings Behold the Star of Bethlehem

Na edição da Voz de Lamego desta semana destaque de primeira página para o Centenário das Aparições aos três Pastorinhos, na Cova de Iria, com a promessa de que em próximos edições o Jornal diocesano, Voz de Lamego, vai apresentar textos enquadrando e explicando, refletindo, as Aparições.

No editorial, o Pe. Joaquim Dionísio, nosso Diretor, parte da solenidade da Epifania, para que nos deixemos guiar pela estrela, mas não desistamos, como eles não desistiram, mesmo quando não virmos a estrela…

CURIOSIDADE E PERSEVERANÇA

A solenidade da Epifania, popularmente conhecida como Festa dos Reis, coloca diante de nós a figura de uns Magos que, vivendo no oriente, se deixaram interpelar por uma estrela e partiram em busca de respostas.

A atenção e a curiosidade foram determinantes para verem além de si próprios. Na verdade, nem todos avistam estrelas. Isso é próprio de quem está atento, curioso e se interroga. Dito de outra maneira, quem não está cheio de si abre as janelas, vislumbra mais longe e procura. Aliás, enquanto crentes, somos simultaneamente convidados a viver a espera e provocados a ir em busca, entre um “já” e um “ainda não” que nos assegura e desinstala…

No caminho, os Magos deixam de ver a estrela. Quantas vezes o entusiasmo inicial esmorece ou desaparece? Como avançar quando se deixa de ver? Quem nos conduz na noite? A experiência mostra-nos que o caminho é feito de evidências e obscuridades, de confiança e de dúvida, de força e fragilidade. E temos consciência de que “A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho” (Francisco, Lumen Fidei, 57).

Contemplando os Magos, vemos como a estrela foi importante para desinstalar e motivar à caminhada, mas aprendemos também que o impulso inicial precisa da perseverança, determinante para reencontrar a estrela.

O encontro com o Menino permite aos Magos regressar por outro caminho. Depois das festas natalícias, após todo o entusiasmo na sua preparação e vivência, no início de um novo ano, não pode instalar-se agora a melancolia…

Importa continuar e perseverar na determinação em avançar. E, se for preciso, regressar por outro caminho!

in Voz de Lamego, ano 87/09, n.º 4394, 10 de janeiro de 2017

Paróquia das Arnas, Sernancelhe: NATAL É PARA TODOS

presepio-arnasNas Arnas, estava frio, muito frio, como estaria, provavelmente, há mais de 2000 anos quando nascia Jesus, como os pastores, demos graças e adoramos o Menino Deus que nasceu.

Pela manhã, na Santa Missa, distribuímos e convidamos todas as famílias a rezar uma oração pelos que sofrem, que não têm casa, comida, pelos idosos…, proposta pelo Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil, nos encontros de preparação para o Natal, em encontros nos diferentes Arciprestados da diocese de Lamego, podemos dizer “A semente caiu em boa terra!”, oxalá dê muitos e bons frutos.

Eram 15h00, fomos, crianças e jovens, catequistas e o nosso Pastor, Pe. Aniceto, (podiam ter escolhido o aconchego e calor das suas casas, passando a tarde a brincar ou jogar, atividades próprias da sua idade mas não, preferiram dar um bocadinho do seu tempo e generosamente), levar o que melhor simboliza o Natal, o Menino Jesus, aos que, pela idade e/ou doença não puderam vir Missa, com o coração cheio do Amor de Jesus, levamos-lhes o Menino que nasceu para que, também, eles O pudessem Louvar e, ao mesmo tempo,Comungar o Pão transformado no seu Corpo.

Em conjunto, com as pessoas, que visitamos rezamos, cantamos, louvamos, Jesus, com o coração cheio de gratidão, diziam os Jovens “Foi tão bom! Tornamos o Natal deles melhor!”, mas não só, o nosso Natal é que foi melhor, com tão “pouco” fizemos muito, certamente que o Dia de Natal destes idosos foi menos solitário e triste.

Resta-nos desejar, a todos, um 2017 pelo de Bênçãos de Jesus!

Teresa Seixas, in Voz de Lamego, ano 87/08, n.º 4393, 3 de janeiro de 2017

Almacave Jovem: Natal solidário

hospital

Nesta época natalícia, é sempre bom relembrar que é tempo de reunir a família…. Mas é também tempo de sermos mais próximos daqueles que por diversos motivos não vivem este Natal. Começa aí o desafio, o de sermos capazes de ir ao encontro dos outros, partilhando com eles a alegria e fé naquele que vem anunciar o Amor. Para isso, basta chegar com um sorriso para que um coração “angustiado” se encha de felicidade e seja capaz de renascer na esperança da mensagem de Jesus. É neste sentido que o nosso grupo Almacave Jovem todos os anos, durante este período de férias, agenda visitas aos doentes da Paróquia, aos lares de idosos, ao CAT, Portas P’rà Vida, ao hospital de Lamego e ao Estabelecimento Prisional. Junto deles, cantamos, conversamos, fazemos uma breve oração e, com o Menino que transportamos como anúncio de que o Natal é sempre quando o homem quiser, sentimos a alegria e a emoção dos que olham para nós como portadores da Mensagem Do Natal. Foi neste contexto que partimos em Missão de Anúncio.

Decidimos então, por uns dias, deixar os nossos afazeres, dirigindo-nos até aos que mais precisavam de nós. Nem sempre é fácil quando nos deparamos com a realidade do que é por vezes o abandono, mas cabe-nos a nós mudar isso, nem que seja por um breve momento e sabemos que as lágrimas que vemos muitas vezes, são lágrimas de alegria, de agradecimento, de preenchimento de algo que estava esquecido: um coração com amor!

Quantas vezes é que tentamos pôr-nos no lugar do outro?

Não é difícil dedicarmos algum do nosso tempo a crianças que não vivem o Natal como muitas outras, com o aconchego das suas famílias. Não é difícil conversar um pouco com os idosos que estão nos lares e partilhar com eles um momento de oração. Não é difícil ir ao encontro dos reclusos que, fechados entre quatro paredes, apenas querem sentir o “abraço” do perdão e aceitação, que querem viver Jesus e mostram tanto entusiasmo e dedicação aquando a nossa chegada. É também tão gratificante quando nos dirigimos ao Portas P’rà Vida e passamos uma manhã a cantar, a dançar e conversar com pessoas tão cheias de felicidade! Pessoas que gostam de companhia, de abraços, que nos fazem olhar “para lá do que se vê” e ver a vida de uma outra perspetiva!

Para nós Almacave Jovem, o Natal antecipou-se e prolongou-se assim nas nossas vidas, fora do calendário convencional. Fomos em missão, mas sem dúvida que regressámos mais ricos com o que deles recebemos porque afinal de contas “é no dar que se recebe”.

Inês Gonçalves, Almacave Jovem,

in Voz de Lamego, ano 87/08, n.º 4393, 3 de janeiro de 2017

A celebração do Natal do Senhor tem o seu ponto alto na Missa do Galo

pedras-missa-do-galo

Cumprindo a tradição, mas não só, também por convicção, os cristãos da nossa diocese, das paróquias irmãs da Sé e de Almacave, de Cepões, Cambres, Avões, Penude, Britiande, e muitas mais, reencontraram-se na Sé de Lamego para juntos celebrarem a primeira Eucaristia do Dia de Natal.

Para muitos é um reencontro anual, em particular para os filhos da terra ausentes que nesta época retornam á terra onde cresceram para passar “as festas”.

É, por todos os motivos, uma missa mágica e emocionante, vivida com um espírito muito próprio, impossível de reproduzir noutras celebrações, e que, com as memórias das muitas Missas do Galo da nossa infância, estabelece um fio condutor que reafirma a nossa identidade de cristãos, Filhos de Deus, unidos á volta do Menino, um sentido de pertença que não nos deixa desviar do que é importante na nossa vida.

Este ano tivemos connosco, não física mas espiritualmente, os nossos irmãos cristãos das terras massacradas da Síria e do Iraque, que finalmente puderam celebrar o Natal, mas em igrejas em ruínas , desabrigados do frio intenso, sem condições de conforto, mas imensamente felizes por poderem rezar e estar juntos ! Que lição para nós, cristãos acomodados !

Foi uma missa alegre, mas sempre com a inquietude de espírito que advém de sabermos que ainda há quem seja perseguido por ser cristão, e por eles rezamos sempre, não só hoje,mas ao longo de todo o ano.

O beijo com que recebemos o Menino Jesus irá transformar-se ao longo de 2017 num grande beijo a todos os nossos irmãos em Cristo, sob a forma de oração, caridade, misericórdia, uma mão estendida, um gesto de carinho…

IM, in Voz de Lamego, ano 87/08, n.º 4393, 3 de janeiro de 2017

LUZ DE BELÉM | Editorial Voz de Lamego | 20 de novembro de 2016

luz-de-belem-4

Em vésperas de Natal, a edição desta semana da Voz de Lamego dedica-lhe tempo e espaço, nos diversos testos-reflexões, bem assim como nas notícias. Também o Editorial, do Pe. Joaquim Dionísio, nos balança para vivermos em dinâmica de Natal, desafiando-nos a acolher a Luz que vem de Jesus.

A viver ainda os últimos dias de Advento, estamos prestes a saborear a alegria do nascimento do Redentor, o Salvador prometido, reconhecendo-O no humilde Menino da manjedoura.

Na liturgia, Jesus, o Salvador esperado, é saudado como “astro nascente”, a estrela que indica o caminho e guia os homens-peregrinos entre as obscuridades e perigos do mundo. Jesus é a luz que dissipa as trevas e vence o mal, o amor que supera o ódio e a vida que derrota a morte.

Por estes dias frios e escuros, ao vermos as lâmpadas que, artisticamente, iluminam presépios, montras, casas, ruas e praças, lembremo-nos que tantas luzes evocam outra luz, invisível aos olhos, mas não ao coração. O Deus connosco é a estrela da nossa vida!

Na grande luz esperada e aparecida em Belém, Deus mostra a sua glória. Uma glória de amor em que Ele mesmo se entrega em dom e se despoja de toda a grandeza para nos conduzir pelo caminho do amor.

Apesar da fraqueza humana e dos esforços de alguns para esconder Jesus, a luz de Belém não mais se apagou e onde brilhou também fez desabrochar a bondade e a caridade, a atenção pelos mais frágeis e a graça do perdão. A partir de Belém há um rasto de luz, amor, verdade que atravessa os séculos.

Que a luz do Senhor, que não desiste de nós, venha sobre todos e satisfaça a expectativa de tantos que esperam e sofrem, ilumine o caminho de quantos desejam ver e avançar e motive a humanidade a olhar a verdadeira luz, aquela que livra do erro, mostra a verdade, motiva para a justiça e convida ao amor.

Bom Natal para todos!

in Voz de Lamego, ano 87/07, n.º 4392, 20 de dezembro de 2016

PRECARIZAÇÃO DA SOCIEDADE | Editorial Voz de Lamego | 13.12.2016

marcha-contra-o-desemprego

Com o aproximar do Natal, vêm ao de cima as necessidades de pessoas e famílias e as dificuldades que enfrentam no momento atual. É tempo de festa e da família. É tempo de compras e do comércio ter alguma desafogo. Realizam-se campanhas de solidariedade, sendo estas oportunidades para colocar a descoberto as fragilidades da sociedade.

O Pe. Joaquim Dionísio, Diretor da Voz de Lamego, faz eco destas preocupações no Editorial desta semana, a abrir a leitura do Jornal Diocesano.

PRECARIZAÇÃO DA SOCIEDADE

Por menos atenta ou estudiosa que seja a observação da sociedade em que vivemos, várias e variadas poderão ser as características que lhe descobrimos, as opiniões que emitimos ou os juízos que fazemos.

E nesta quadra natalícia, em que as famílias se reúnem, as casas se enchem e a amizade se materializa na palavra, na prenda ou no simples cartão (mensagem), em que os convívios se multiplicam, iniciativas solidárias se concretizam e muitas dádivas se materializam… talvez não seja completamente descabido estar atento à “precarização da sociedade”.

O termo “precarização” surge, habitualmente, em contextos laborais para caracterizar a perda de condições, direitos e garantias que atentam contra a vida e a dignidade dos trabalhadores. Mas, independentemente dessa utilização, facilmente associamos ao termo a ideia de insegurança ou realidade transitória.

Mas, olhando atentamente, damo-nos conta de que não serão apenas os postos de trabalho que se tornaram precários. Na verdade, os relacionamentos humanos, o ritmo a que a vida se vive e as condições em que a mesma se desenrola parecem padecer dessa precariedade. E se as causas poderão ser enumeradas, também as consequências não podem deixar de ser notadas.

A instituição familiar é, sem dúvida, das que mais sofre e perde com esta precarização da vida, dos compromissos, do trabalho, dos relacionamentos… Por todo o lado se testemunha um fazer e refazer de laços que leva alguns a falar em “relações leasing”, ou seja relacionamentos e compromissos que duram enquanto servem.

Por outro lado, também não será novidade afirmar que tal precarização da vida, dos compromissos ou dos objectivos, fragiliza o ser humano, tornando-o menos alegre, seguro, confiante ou protagonista da esperança. Nem sempre o sucesso profissional disfarça o vazio instalado.

Celebrar Natal é também descobrir que Deus não ama de forma precária, mas perene.

in Voz de Lamego, ano 87/06, n.º 4391, 13 de dezembro de 2016

NATAL: Manifestação da misericórdia de Deus

Natal

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Esta afirmação do profeta Isaías abre a liturgia da Palavra da noite de Natal. É assim que se apresenta ao mundo o nascimento do Salvador: uma luz que ilumina as trevas e que enche de esperança aqueles que a contemplam.

O Natal é luz. É uma irrupção da luz de Deus neste nosso mundo cheio de trevas. Trevas exteriores: violências, guerras, ódios, irmãos que não se perdoam, não se falam, não convivem, não se aceitam mutuamente.

E trevas interiores: ressentimentos, mágoas, abandono da oração, da confissão, da missa dominical, da formação cristã, das obras de misericórdia, da preocupação pelos que temos ao nosso lado.

Neste Ano Santo da Misericórdia, somos chamados a olhar para o “sinal” do Natal ― «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12) ― como uma das manifestações mais maravilhosas da misericórdia de Deus para connosco.

Precisamos voltar a contemplar o mistério do nosso Deus que Se faz uma criança para que nos aproximemos d’Ele cheios de confiança.

Este mistério de misericórdia é, como diz o Papa Francisco, fonte de alegria, de serenidade e de paz. Três dons que o nosso coração anseia! E que, no meio da correria do dia-a-dia, parecem cada vez mais difíceis de alcançar.

Fomento desejos concretos de me aproximar de Deus neste Natal? De abrir as portas do meu coração para que Ele possa entrar? De estar mais atento àqueles que estão ao meu lado?

Que a luz deste Natal ilumine de verdade as nossas almas! Que o Menino Jesus encontre em cada um de nós um coração bondoso e aberto! Um coração que Ele possa encher de misericórdia para com todos aqueles que nos rodeiam!

 

Pe. Rodrigo Lynce de Faria, in Voz de Lamego, ano 85/55, n.º 4343, 22 de dezembro

Uma Carta para o Menino Jesus |Conto de Natal

imagens-de-natal-8

O André nasceu em Alhos Velhos, fruto indesejado duma jovem da rua e da noite, e de um consumidor de heroína que lhe prometeu “mundos e fundos”… e nunca mais apareceu.

A mãe, sentindo-se incapaz de dar ao filho o pão e a educação que ela própria não tivera, logo que pôde, colocou-o num cestinho e, ainda de noite, antes que a porta se abrisse e os funcionários entrassem, foi pô-lo à entrada de uma instituição acolhedora de crianças. Não vendo ninguém, afastou-se um pouco, postou-se na esquina da rua e ficou à espera para ver o que acontecia.

Chegada uma senhora, e ouvindo a bebé a choramingar dentro da cesta, olhou intrigada em todas as direcções e, não vendo ninguém, abriu a porta, subiu a escada e falou com a diretora. Daí a alguns minutos, desceu à rua, pegou na cesta e entrou de novo.

Passados meses, duas senhoras que tinham oficializado a sua relação perante o Estado, na Conservatória do Registo Civil de Porto Leão, onde viviam, vieram à instituição e, depois de um processo acelerado (era novidade a adoção de crianças no seu caso), ficaram com o André.

Quando chegou a hora de o menino entrar no Jardim Infantil da Santa Casa da Misericórdia da localidade, verificou que os pais dos outros meninos vinham trazê-los de manhã e busca-los à tarde: umas vezes vinha a mãe, outras vezes vinha o pai. Os pais, com os seus braços fortes, abraçavam os filhos com força, bamboleavam-nos com alegria e carinho, e metiam-nos no automóvel. E o Zé Pedro começou a ficar triste, pensando:

– Só eu é que não tenho pai! Só eu é que não tenho pai!

Chegado o Advento, e aproximando-se o Natal, a Educadora de Infância montou o presépio à entrada da salinha de trabalho, chamou as crianças, fê-las sentar num círculo, e falou-lhes do Natal e do Menino:

– Isto, meus meninos, é o presépio. É para nos lembrar a todos o que é o Natal e como nasceu Jesus. Foi assim, numa manjedoura, em palhinhas, que a mãe d’Ele o colocou quando nasceu.

– Então, a mãe não foi tê-lo ao hospital, como foi a minha mãe quando nasceu a minha irmã? – perguntou o Ricardo

– Não, Ricardo, naquele tempo (já lá vão dois mil anos), ainda não havia hospitais nem maternidades. Para mais, Nossa Senhora tinha ido de viagem a Belém, estava longe da sua casa, e não teve outro lugar melhor onde tivesse o Menino.

– Quem é aquele senhor que está ali ao lado, de joelhos, e todo curvado para baixo? – perguntou o André.

– Aquele é S. José, o “pai” do Menino. Daqui a uma semana, é o Natal. Vamos todos celebrar o nascimento de Jesus. Ele veio ao mundo porque é muito nosso amigo: veio ensinar-nos coias boas e veio trazer-nos coisas boas. Vocês querem escrever uma cartinha ao Menino, a pedir-lhe que vos traga alguma coisa especial, neste Natal?

-Eu quero! Eu quero! Eu também! – responderam todos.

-Então escrevam, e ponham aqui no presépio. E se algum não souber escrever, diz-me ao ouvido o que quer, e escrevo eu.

Na véspera de partirem para férias do Natal, a senhora abriu as cartas, uma a uma, para dar no dia seguinte a cada um a prenda que cada um pedira, em nome do Menino Deus.

A carta do André dizia assim:

Meu querido menino Jesus

Eu tenho tudo, tudo, tudo: roupa, brinquedos, rebuçados, chocolates…tudo, mas não tenho pai nenhum.

Não tenho um pai que me ralhe, que jogue à bola comigo, que me leve às cavalitas…

Se és tão bom como me dizem, dá-me um pai igual ao teu. Não quero mais nada. Não preciso de mais nada. Obrigado.

Assino: andré leal antunes borges

            Rua do Pôr do Sol, 43 – Porto Leão.

             Telemóvel: 912 777 007

Pe. Correia Duarte, in Voz de Lamego, ano 85/55, n.º 4343, 22 de dezembro