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Posts Tagged ‘Natal’

Editorial da Voz de Lamego: A soberania do Presépio

Quase de mansinho e estamos novamente no Natal. Ainda agora era agosto e quando dermos por ela já estamos em 2020! Calma, cada instante pode ser oportunidade. Seja bênção acolhida, tarefa partilhada, vida multiplicada com os outros. Caminhemos, da comunhão que nos humaniza para a comunhão que nos irmana.

O final do ano litúrgico levou-nos, melhor, leva-nos a contemplar a realeza de Jesus, a soberania de Deus. Coroa o ano, mas insere-nos, em espiral, num tempo novo, de graça e de salvação, como são todos os tempos, cada tempo diferente, com sublinhados que nos fazem perceber que estamos a caminho. Olhamos para os sinais dos tempos e para os acontecimentos e vemos que a vida muda. Por outras palavras, os ritmos diferentes fazem-nos prestar mais atenção, despertam-nos, colocam-nos de atalaia.

Estamos a entrar no Advento, mas os sinais são natalícios, os enfeites, as luzes, as promoções, a publicidade, a agitação. A dinâmica litúrgica remete-nos ao interior, mas que se exterioriza nas vivências e compromissos, na atenção aos outros, no cuidado que se deve redobrar para com aqueles que precisam da nossa atenção, da nossa visita, da nossa ajuda, que precisam de uma palavra, que precisam de um olhar terno e de ser escutados (com os ouvidos e com o coração).

A soberania que desejamos, como crentes, é a soberania do Presépio, isto é, de Jesus, Deus que nasce e descansa numa família situada num tempo, num lugar e numa cultura concreta.

No último domingo, a solenidade de Cristo Rei mostrou-nos à saciedade qual a realeza de Deus revelada em Jesus Cristo: despojamento, pobreza, humildade, verdade, melhor, amor. Amor até ao fim, até à eternidade.

Na verdade, quem ama não pode senão dar-se, entregar-se, partilhar a vida, gastar-se por aquele ou aqueles que ama. Amar é isso: é encontrar o outro e confiar-lhe a vida, na certeza que o amor nos faz querer o melhor. O amor gera amor, gera vida como, ao invés, o ódio gera ódio, e a vingança multiplica o mal, provocando a morte do outro, senão fisicamente, pelo menos, dentro de nós.

Ao encarnar, Jesus traz-nos o Amor de Deus, evidenciado neste mistério em que a eternidade passa a caber no tempo, a divindade no humano, a omnipotência na fragilidade, o Infinito no finito, no limitado, na pequenez. Nas palavras e nos gestos, Jesus não faz outra coisa que não seja falar de amor, de bênção, da gratuidade do amor que se dá, inteiramente, sem esperar nada em troca, a não ser uma resposta, no dizer de Bento XVI. Ao sair de Si, dando-Se por inteiro, Deus espera que o Homem, de algum modo, Lhe responda, positiva ou negativamente, mas não com indiferença. Essa resposta, vemo-lo agora, há de ser dada, como nos lembra o nosso Bispo, D. António, para a frente, amando os outros.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 90/01, n.º 4536, 26 de novembro de 2019

Editorial Voz de Lamego: À Porta do Natal

Estamos temporalmente às portas do Natal e, o que será preocupante, podemos ficar à porta (religiosa e espiritualmente), à porta do Natal. A Voz de Lamego, através de crónicas habituais ou pontuais, sublinha o risco de celebrarmos o Natal sem o aniversariante, Jesus, sem a adequação da vida ao mistério de abaixamento e proximidade de Deus, que, em Jesus, Se faz irmão, Se faz igual a nós.

Numa partilha das redes sociais – nas quais cabe a cada um optar pela positividade ou pela maledicência –, apareceu a seguinte publicação: “No Natal lembra-te que o aniversariante não desceu por uma chaminé para te dar presentes… passou pela CRUZ para te dar a salvação”.

Pessoas simples (e sábias, em muitas ocasiões) dizem que tudo é necessário. Com conta peso e medida. A festa e a feira. O trabalho e o sacrifício.

Por todo o lado se veem luzes, pais-natais, enfeites, feiras, promoções de Natal. Dar presentes. Surpreender o outro. Apreciar o melhor da vida. E até antecipar rendimentos! Podemos valorizar o Pai Natal e ficarmo-nos pelas chaminés. Podemos ficar com as luzes, vivendo sem luz e sem brilho no nosso interior e na relação com os outros. Como diz o poeta, Natal pode ser todos os dias. Como dirão os cristãos, Natal é quando Deus quer. E Deus sempre quer nascer no mundo, fazer-Se presente, e assumir-nos como irmãos em Jesus, o Deus-Menino.

As luzes da árvore de Natal podem remeter-nos para a verdadeira Luz que vem ao mundo iluminar todo o homem, como ainda há dias sublinhava o Santo Padre. Mas será importante nunca descurar a beleza, a pobreza e a simplicidade do Presépio; a grandeza que Se manifesta na fragilidade de um bebé e no despojamento de uma manjedoura.

Natal é a festa da família e tudo o que faça apelo à família, à fraternidade, ao amor e ao calor que nos aproxima será positivo! Se encontrarmos uma razão extra para estarmos com a família, ainda bem, também aí Deus poderá desafiar-nos a encontrar outras oportunidades. Se nos tornarmos especialmente solidários nesta época, ainda bem, pode ser que Deus nos desperte para a fragilidade do nosso semelhante!

Neste Natal podemos ficar à porta da Igreja, no adro, maravilhados com as luzes, mas sem tempo para a Luz, sem tempo para a festa de Natal com Jesus… Mas quem sabe, se ao aproximar-nos tanto das portas da Igreja, Deus não nos abre o coração e nos impulsiona a entrar?!

Santo Natal a todos os que fazem a Voz de Lamego (na edição, publicação, colaboração de textos, notícias e fotos, na publicidade, nas assinaturas, na leitura e nas achegas) e a todas as famílias da nossa mui nobre Diocese de Lamego.

Pe. Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego, ano 89/04, n.º 4490, 18 de dezembro de 2018

Concerto de Natal na Paróquia de Leomil

A noite do passado dia 16 foi, para a paróquia de São Tiago de Leomil, uma noite que fez sentir a alegria de esperar o Messias. Foi isto possível pelo antecipado presente de Natal que o Grupo Coral dessa paróquia, em parceria com o Grupo Coral de Santa Cristina de Tendais, preparou para todos aqueles que quiseram apreciar o seu talento: um concerto de Natal. Foi uma belíssima iniciativa esta, que serviu para estreitar laços entre as pessoas destes dois Grupos e entre todos os que ali estiveram. O tema das belas peças ali apresentadas foi, obviamente, o Natal.

Escutámos melodias tradicionais e algumas mais clássicas, sempre com a ajuda de violinos, viola de arco, violoncelo, órgão. Foram duas horas muitíssimo bem passadas, conduzidas por belas vozes, num belo ambiente de amizade fraterna onde todos buscávamos o mesmo: preparar um melhor lugar no nosso íntimo para Aquele que aí Vem. Obrigado, Leomil. Obrigado, Tendais.

 

Diogo Martinho, seminarista VI ano,

in Voz de Lamego, ano 87/55, n.º 4441, 19 de dezembro de 2017

NATAL – AMOR VIRTUAL | Editorial Voz de Lamego | 19 de dezembro

NATAL – AMOR VIRTUAL

A quadra natalícia não esconde nem disfarça uma certa confusão, própria da preparação que os grandes acontecimentos exigem. É verdade que o Menino nasce Natal, discretamente, sem alarido ou acolhido por muitos, e que Deus privilegia a simplicidade e o silêncio para se revelar, longe da azáfama ou da correria.

Mas também é verdade que Deus se alegrará com uma certa confusão por nós provocada nestas alturas, quando tal se deve ao desejo de festejar com familiares e amigos o nascimento do Salvador. Nesse caso, Deus lidará bem com a nossa confusão e esperará pacientemente que nos demos conta que o Natal nos mostra o caminho que conduz à plenitude!

Por outro, parece-me que será sempre mais salutar a confusão de quem corre para conseguir encontrar ou se afadiga para que nada falte em sua casa e aos seus, do que a aparente calma de quem se refugia em relações virtuais sem se aproximar de ninguém.

E esta pode ser mais uma mensagem do Natal: o amor virtual não existe!

Num tempo em que o mundo está ao alcance de um clique, Jesus revela a importância do toque. E por isso vem até nós, mostra-nos o caminho, caminha connosco e eleva-nos.

Ao olharmos a actualidade verificamos que o mundo virtual potencia e alimenta relacionamentos fictícios, contribuindo para a ilusão da ausência de obstáculos, de limites ou de contrariedades. Depois, quantas vezes a descoberta e a inserção no mundo real acarretam inadaptações e sofrimento porque, afinal, a verdadeira vida é muito mais do que “navegar”, estar no “chat”, “postar” ou veicular frases e imagens agradáveis.

O Natal revela o amor salvífico do Criador que não desiste das Suas criaturas e vem para encontrar, acompanhar, chamar, sossegar, curar… de uma maneira única e muito real.

JD, in Voz de Lamego, ano 87/55, n.º 4441, 19 de dezembro de 2017

CURIOSIDADE E PERSEVERANÇA | Editorial Voz de Lamego

Three Kings Behold the Star of Bethlehem

Na edição da Voz de Lamego desta semana destaque de primeira página para o Centenário das Aparições aos três Pastorinhos, na Cova de Iria, com a promessa de que em próximos edições o Jornal diocesano, Voz de Lamego, vai apresentar textos enquadrando e explicando, refletindo, as Aparições.

No editorial, o Pe. Joaquim Dionísio, nosso Diretor, parte da solenidade da Epifania, para que nos deixemos guiar pela estrela, mas não desistamos, como eles não desistiram, mesmo quando não virmos a estrela…

CURIOSIDADE E PERSEVERANÇA

A solenidade da Epifania, popularmente conhecida como Festa dos Reis, coloca diante de nós a figura de uns Magos que, vivendo no oriente, se deixaram interpelar por uma estrela e partiram em busca de respostas.

A atenção e a curiosidade foram determinantes para verem além de si próprios. Na verdade, nem todos avistam estrelas. Isso é próprio de quem está atento, curioso e se interroga. Dito de outra maneira, quem não está cheio de si abre as janelas, vislumbra mais longe e procura. Aliás, enquanto crentes, somos simultaneamente convidados a viver a espera e provocados a ir em busca, entre um “já” e um “ainda não” que nos assegura e desinstala…

No caminho, os Magos deixam de ver a estrela. Quantas vezes o entusiasmo inicial esmorece ou desaparece? Como avançar quando se deixa de ver? Quem nos conduz na noite? A experiência mostra-nos que o caminho é feito de evidências e obscuridades, de confiança e de dúvida, de força e fragilidade. E temos consciência de que “A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho” (Francisco, Lumen Fidei, 57).

Contemplando os Magos, vemos como a estrela foi importante para desinstalar e motivar à caminhada, mas aprendemos também que o impulso inicial precisa da perseverança, determinante para reencontrar a estrela.

O encontro com o Menino permite aos Magos regressar por outro caminho. Depois das festas natalícias, após todo o entusiasmo na sua preparação e vivência, no início de um novo ano, não pode instalar-se agora a melancolia…

Importa continuar e perseverar na determinação em avançar. E, se for preciso, regressar por outro caminho!

in Voz de Lamego, ano 87/09, n.º 4394, 10 de janeiro de 2017

Paróquia das Arnas, Sernancelhe: NATAL É PARA TODOS

presepio-arnasNas Arnas, estava frio, muito frio, como estaria, provavelmente, há mais de 2000 anos quando nascia Jesus, como os pastores, demos graças e adoramos o Menino Deus que nasceu.

Pela manhã, na Santa Missa, distribuímos e convidamos todas as famílias a rezar uma oração pelos que sofrem, que não têm casa, comida, pelos idosos…, proposta pelo Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil, nos encontros de preparação para o Natal, em encontros nos diferentes Arciprestados da diocese de Lamego, podemos dizer “A semente caiu em boa terra!”, oxalá dê muitos e bons frutos.

Eram 15h00, fomos, crianças e jovens, catequistas e o nosso Pastor, Pe. Aniceto, (podiam ter escolhido o aconchego e calor das suas casas, passando a tarde a brincar ou jogar, atividades próprias da sua idade mas não, preferiram dar um bocadinho do seu tempo e generosamente), levar o que melhor simboliza o Natal, o Menino Jesus, aos que, pela idade e/ou doença não puderam vir Missa, com o coração cheio do Amor de Jesus, levamos-lhes o Menino que nasceu para que, também, eles O pudessem Louvar e, ao mesmo tempo,Comungar o Pão transformado no seu Corpo.

Em conjunto, com as pessoas, que visitamos rezamos, cantamos, louvamos, Jesus, com o coração cheio de gratidão, diziam os Jovens “Foi tão bom! Tornamos o Natal deles melhor!”, mas não só, o nosso Natal é que foi melhor, com tão “pouco” fizemos muito, certamente que o Dia de Natal destes idosos foi menos solitário e triste.

Resta-nos desejar, a todos, um 2017 pelo de Bênçãos de Jesus!

Teresa Seixas, in Voz de Lamego, ano 87/08, n.º 4393, 3 de janeiro de 2017

Almacave Jovem: Natal solidário

hospital

Nesta época natalícia, é sempre bom relembrar que é tempo de reunir a família…. Mas é também tempo de sermos mais próximos daqueles que por diversos motivos não vivem este Natal. Começa aí o desafio, o de sermos capazes de ir ao encontro dos outros, partilhando com eles a alegria e fé naquele que vem anunciar o Amor. Para isso, basta chegar com um sorriso para que um coração “angustiado” se encha de felicidade e seja capaz de renascer na esperança da mensagem de Jesus. É neste sentido que o nosso grupo Almacave Jovem todos os anos, durante este período de férias, agenda visitas aos doentes da Paróquia, aos lares de idosos, ao CAT, Portas P’rà Vida, ao hospital de Lamego e ao Estabelecimento Prisional. Junto deles, cantamos, conversamos, fazemos uma breve oração e, com o Menino que transportamos como anúncio de que o Natal é sempre quando o homem quiser, sentimos a alegria e a emoção dos que olham para nós como portadores da Mensagem Do Natal. Foi neste contexto que partimos em Missão de Anúncio.

Decidimos então, por uns dias, deixar os nossos afazeres, dirigindo-nos até aos que mais precisavam de nós. Nem sempre é fácil quando nos deparamos com a realidade do que é por vezes o abandono, mas cabe-nos a nós mudar isso, nem que seja por um breve momento e sabemos que as lágrimas que vemos muitas vezes, são lágrimas de alegria, de agradecimento, de preenchimento de algo que estava esquecido: um coração com amor!

Quantas vezes é que tentamos pôr-nos no lugar do outro?

Não é difícil dedicarmos algum do nosso tempo a crianças que não vivem o Natal como muitas outras, com o aconchego das suas famílias. Não é difícil conversar um pouco com os idosos que estão nos lares e partilhar com eles um momento de oração. Não é difícil ir ao encontro dos reclusos que, fechados entre quatro paredes, apenas querem sentir o “abraço” do perdão e aceitação, que querem viver Jesus e mostram tanto entusiasmo e dedicação aquando a nossa chegada. É também tão gratificante quando nos dirigimos ao Portas P’rà Vida e passamos uma manhã a cantar, a dançar e conversar com pessoas tão cheias de felicidade! Pessoas que gostam de companhia, de abraços, que nos fazem olhar “para lá do que se vê” e ver a vida de uma outra perspetiva!

Para nós Almacave Jovem, o Natal antecipou-se e prolongou-se assim nas nossas vidas, fora do calendário convencional. Fomos em missão, mas sem dúvida que regressámos mais ricos com o que deles recebemos porque afinal de contas “é no dar que se recebe”.

Inês Gonçalves, Almacave Jovem,

in Voz de Lamego, ano 87/08, n.º 4393, 3 de janeiro de 2017