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Homenagem a Monsenhor Cândido de Azevedo

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Visitei-o a última vez, pelos Santos, no Lar da Misericórdia de Sernancelhe. Já não parecia o mesmo, condicionado como estava pela doença. Em pouco mais de um mês, a 13 de Dezembro, o P. Cândido Azevedo entregou a alma ao Criador.

Bem conhecido no arciprestado, na diocese e no país, o Padre Cândido era uma das figuras que sempre prestigiaram a presença e acçao da Igreja. Uma das qualidades que mais o impunham era o seu culto da palavra. Além dos dotes naturais no uso do verbo, falado ou escrito, havia nele um impulso de procura, de saber mais, de investigar, que fazia dele uma fonte de informação no campo da história local (e não só) e das artes, o que significava encontrar nele um interlocutor fácil, disponível, agradável e útil.

Conheci-o e convivi com ele durante vários anos de formação no seminário, durante as férias. Com ele contei sempre nos momentos difíceis e dolorosos do percurso. Como pastor, foi sempre zeloso, dedicado e reconciliador.

Um encontro com ele significava sempre o conhecimento de algo de novo, mediante a narração de qualquer episódio, a referência a algum personagem ignorado do comum dos mortais. Com humor, com espirito crítico, enraizado em princípios sólidos, construía as suas narrativas cheias de arte e sabor, com que se comprazia e deleitava os ouvintes. Para além da retorica que por vezes o dominava, sob a capa de bairrismo, escondia-se um amor à sua terra pátria e à sua língua materna que o enchiam de orgulho, em comparação da mediocridade e a ignorância de alguns que não se dispunham a escutá-lo.

No entusiasmo do seu discurso ninguém o superava. Sempre igual a si mesmo, era capaz de se comover em alguns dos seus sermões ou homilias. O seu zelo pastoral estendia-se às lições de catequese nas paróquias, à presidência dos actos litúrgicos e das procissões, servindo-se, para as deslocações, nos primeiros anos, de uma lambretta. É justo lembrar estes exemplos de uma identidade sacerdotal que, do tempo anterior ao Concilio Vaticano II até aos dias de hoje, soube manter a sua fidelidade à Igreja. Entre outros, há um gesto que ele tinha com o grupo de seminaristas de Penso na década de 50, que não deve ser ignorado e que era o de os convidar para o pequeno-almoço, a seguir à Missa.

Nos encontros de reflexão e de programação, deixei de o acompanhar, mas imagino como ele sempre terá participado, enquanto arcipreste responsável, de forma activa, interessada e critica. Quando se apercebia das dificuldades, havia nele um impulso que o fazia “explodir” e isto era, por vezes, um apelo à correcção, outras vezes, um convite à diversão.

 No campo cultural, ao qual ele era particularmente sensível, o P. Cândido deve ter tido um peso maior do que aquele que se pensa. Por mim, creio que sobretudo a ele se ficou a dever o relevo que hoje tem em Sernancelhe a memória do P. João Rodrigues e do Abade Vasco Moreira. A ele se fica a dever o Museu com o seu nome, a monografia sobre a igreja românica de Sernancelhe, assim como a monografia sobre a casa da Ordem de Malta, além de muitos artigos, publicados geralmente na «Voz de Lamego». De modo particular, recordo a sua presença em Roma, como membro do grupo sernancelhense de visita ao Vaticano.

Homens como o Padre Cândido fazem falta na sociedade e na Igreja: antes de quebrar que torcer, mesmo com defeitos! Ele pode ser apresentado como exemplo do homem de Fé, capaz de abraçar com alegria a Ciência. Nele se abraçam a Religião, a História e a Arte. Para ele chegou a hora de Deus. Esperemos que não tarde a hora do reconhecimento agradecido dos homens!

A. PINTO CARDOSO, in Voz de Lamego, ano 85/55, n.º 4343, 22 de dezembro

Monsenhor Cândido Azevedo nas Mãos de Deus |1927-2015

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(Em Tabuaço, na casa do Pe. Manuel Pinto Afonso, entretanto também falecido em 2011)

14 de maio de 1927 – 13 de dezembro de 2015

A sua saúde tinha vindo a deteriorar-se nos últimos meses. Em junho último estivera internado e fora-lhe diagnosticado um tumor cancerígeno. Apesar dos tratamentos efectuados no IPO de Coimbra, a sua vida terrena extinguiu-se no domingo passado, dia da memória litúrgica de Sta. Luzia e ocasião de festa na Sarzeda, uma das suas paróquias. Na sexta-feira, dia 11, fora a Coimbra para mais uma consulta, mas ficou internado, tal a sua debilidade, e ali faleceu dois dias depois.

Cândido António Lemos de Azevedo nasceu em Sernancelhe, no dia 14 de Maio de 1927, e era filho de António de Deus Azevedo e de Maria Augusta Vieira de Lemos. Frequentou os nossos seminários diocesanos, em Resende e Lamego, e foi ordenado presbítero por D. João da Silva Campos Neves, na capela do Seminário, a 22 de Julho de 1951.

A sua missão pastoral levou-o, nos primeiros anos de sacerdócio, às paróquias de Casteição, Paipenela, Vila da Ponte, Granjal e Penso. Em 1962 deixa esta última e toma posse de Ferreirim. No dia 19 de Abril de 1973 foi nomeado arcipreste de Sernancelhe por três anos, mas os mandatos foram sendo sucessivamente renovados. No dia 02 de Outubro de 1979 foi nomeado pároco de Sernancelhe, onde se manteve até à sua morte.

A eucaristia exequial, na igreja matriz de Sernancelhe, na tarde do dia 14, foi presidida por D. Jacinto Botelho e contou com cerca de 40 sacerdotes e muitos fiéis que encheram por completo aquela igreja que o Padre Cândido tão bem conhecia e a quem dedicou uma importante publicação. Na homilia, o nosso bispo emérito enunciou muitas das qualidades que todos lhe reconheciam: o seu amor à Igreja, a sua dedicação a Sernancelhe, a sua devoção mariana, os seus dotes oratórios, o enorme saber acumulado, a sua frontalidade e generosidade.

O nosso jornal Voz de Lamego publicou muitos artigos deste seu colaborador, para alegria dos seus leitores e amigos, ficando sempre o desejo de ler mais. Bem haja.

Nos próximos dias talvez venhamos a receber textos de homenagem e saudade enviados por amigos e admiradores que nos poderão ajudar a recordar e a agradecer os seus dons.

A nossa oração.

in Voz de Lamego, ano 85/54, n.º 4341, 15 de dezembro

Falecimento de Monsenhor Cândido de Azevedo | 1927 – 2015

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(Monsenhor Cândido, na Peregrinação Anual da Lapa, ao lado esquerdo do Senhor Bispo, D. António Couto)

 

O Senhor Deus, Pai de Misericórdia, chamou à Sua presença o Monsenhor Cândido António Lemos Azevedo, sacerdote do presbitério da Diocese de Lamego. Nasceu a 14 de maio de 1927. Foi ordenado sacerdote no dia 22 de julho de 1951. Atualmente era Pároco de Sernancelhe e da Sarzeda. Foi durante vários anos Arcipreste de Sernancelhe, até à reformulação dos Arciprestados.

Estudioso da História, tendo publicado diversos artigos, bem como fascículos, participado em obras. Destaque para a obra “A Igreja Românica de Sernancelhe”, editado pela Câmara Municipal de Sernancelhe, em 2012.

O Monsenhor Cândido deu um forte contributo e impulso à Santa Casa de Misericórdia de Sernancelhe, da qual era até ao momento Presidente da Assembleia Geral. Em 2011 foi inaugurado, com o seu nome, o Museu Paroquial.

A Missa Exequial celebrar-se-á no dia 14 de dezembro de 2015, na Igreja Matriz de Sernancelhe, seguindo-se o Funeral. A celebração será presidida pelo Senhor Bispo D. Jacinto Botelho, Bispo Emérito de Lamego, representando também o Senhor Bispo D. António Couto, Bispo de Lamego.

O presbitério de Lamego, sob o pastoreio de D. António Couto, manifesta as suas condolências à família e às comunidades que lhe estavam confiadas. Ao Senhor Deus entrega o seu irmão sacerdote.